Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Passos para a conversão

Nossa conversão é a ação do Espírito Santo em nós

Com São José, queremos aprender e nos deixar transformar pelo Senhor. Esses dias, eu fiquei meditando sobre a graça da conversão, que nos é dada . Hoje, eu vou falar sobre sete passos para a conversão:

1 - Onde acontece a minha conversão? Onde eu estou.

Aconteceu aquele problema, aquela surpresa, mas Deus estava e sempre estará com você em todos os momentos. O lugar da sua conversão é o lugar onde você está agora, porque a seu lado está o Senhor. Não importa o problema e a dificuldade pela qual você está passando com algumas pessoas. Nada disso pode atrapalhar a sua conversão. Esta se dá onde você está, aí neste lugar, neste problema, nesta situação. Não queria resolver situações pendentes, para só depois buscar se converter. Quem pensa assim, sempre arruma uma desculpa para deixar a sua conversão para depois.

Não queira fugir da sua realidade, pois é nela que Deus quer realizar uma obra em sua vida. O Senhor está na situação em que você se encontra. Ele está na sua realidade. Não despreze nada que possa ajudá-lo a se converter, nem a dor, nem pessoas, nem situações. Aproveite de tudo isso, pois não existe nada que não possa ser utilizado por Deus para sua conversão. Dessa forma, por causa dela [conversão], não fixe os olhos nas pessoas e nas situações. Para o seu bem, para que ela ocorra, não se fixe nas pessoas. Não olhe para elas, olhe “através” delas. Pois a meta é a conversão!

Não pergunte onde Deus está. Acredite e proclame que o Senhor está com você!

2 - Nossa conversão é a ação do Espírito Santo em nós.

O que devemos fazer é tornar nosso coração sensível às moções do Espírito. A missão d’Ele é nos santificar, mas nós temos o coração fechado para escutá-las [moções d’Ele]. Por isso, precisamos abrir o coração aos apelos d’Ele. É preciso ser obediente ao que Ele nos fala. É necessário entrar na “escola da sensibilidade e da obediência”.

3 - Aceite que um caminho de transformação é uma “porta estreita”.

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram” (Mt 7, 13-14).

O mundo oferece caminhos e portas largas e tem feito a sociedade se acostumar com isso. Contudo, você precisa passar pela “porta estreita”, ela é o caminho que nos conduz à santidade. É necessário perceber “quem” ou “o que” é a “porta estreita da sua vida”, que faz com que você seja mais misericordioso, mais paciente, mais corajoso, entre outros. Mas muitos de nós queremos nos ver livres desse “caminho apertado” e dessa “porta estreita”. Jesus diz que poucos a encontrarão. E você? Já conheceu a sua?

4 - Quero realmente me converter? Quero realmente mudar de vida?

É preciso ter humildade para escutar o que pensam e o que falam de nós. Então, escute o que as pessoas têm a dizer sobre você e, diante de Nosso Senhor, pergunte: “O que há de verdade disso que estão dizendo sobre mim?” Pois, todos somos como um baú, que tem coisas boas e coisas ruins.

Quantas vezes, eu ouvi tantas coisas e voltei para casa chorando e, graças a Deus, chorei no colo da Eliana, minha esposa. Pessoas que me disseram, aqui, no pé da escada, que eu era autossuficiente, arrogante, etc. O que você escuta e o tira do sério é porque talvez possua um pouco de verdade. É tempo de mudança, e se você quiser mudar realmente, este é o tempo propício. Nosso Senhor espera de nós uma verdadeira conversão!

5 - Conversão é uma escolha que eu faço!

A sua conversão não é uma escolha de ninguém. É uma escolha muito pessoal. É você que quer mudar, que quer ser melhor, que quer ser de Deus. Portanto, a escolha é sua!

6 - O tempo da conversão é agora.

Nosso Senhor nos dá um tempo para a nossa conversão, e este tempo é agora. Neste momento, neste lugar. Aí onde você está, não existe outro lugar. Isso fundamenta o que eu lhe disse no começo da pregação: valer-se de tudo para a conversão.

7 - Converter-se pela oração. Retirar-se com Jesus.

Retire os olhos das pessoas, dos fatos. Você e eu precisamos aprender a ir mais para o “deserto” a fim de sermos transformados e abençoados. E assim nos converter com a oração e a meditação da Palavra de Deus.

Passe para outras pessoas esses sete passos. É tempo de conversão. Quem se converte, aproxima-se cada vez mais de Nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso oferecer ao seu coração o que mais ele deseja e necessita: Nosso Senhor.

Ricardo Sá
Missionário da Comunidade Canção Nova

Vocação para o casamento

Para isso, é preciso orientação e formação

Vivemos num contexto social de muitas "éticas" até confrontantes. As desculpas para não se seguirem valores inerentes à natureza e a verdades objetivas são muitas. A título de ser moderno ou não retrógrado passa-se, não raro, por cima da verdade e do direito em função do modismo ou da satisfação pessoal. Compromissos com valores da dignidade humana, da família, do sexo, do respeito aos indefesos, do meio ambiente e do bem comum ficam para os que são formados e assumem a altivez de caráter como valor acima de outros interesses.

Na ordem afetiva, sentimental e sexual se fica muito à mercê da propaganda e dos desejos impulsionados pela libido e pela sensorialidade. Tais desejos nem sempre são canalizados por valores que orientam a pessoa à consecução da felicidade como conjugação do prazer momentâneo e aquele da realização de um ideal de vida. Fixando-se mais no animalesco do que no sentido da vida plenificado com valores éticos, morais e sociais, a pessoa está sujeita à irracionalidade do uso e da busca do prazer momentâneo como sendo isso absoluto. Nessa direção, a pessoa se torna insaciável e não encontra no prazer momentâneo um sentido mais elevado e realizador da vida.

Na trilha e na busca de sentido para a convivência matrimonial, pode haver ledo engano de realização humana, quando homem e mulher não se unirem em vista de uma real vocação conjugal. O impulso para o casamento, baseado unicamente no sensorial ou no desejo de os dois se gratificarem na complementaridade afetiva e sexual, frequentemente pode ser rompido com algum desequilíbrio de doação de um pelo outro. Havendo, porém, em ambos, a consciência e o pacto de mútua ajuda para conseguirem um ideal de vida por motivo de um sentido de vida maior, dá-se base de fecundidade na vocação matrimonial. Para isso, é preciso orientação e formação para o valor do casamento como verdadeira vocação. Preparação para tanto é fundamental.

Caso contrário, viveremos cada vez mais a panacéia de uniões que não levam à realização das pessoas que se casam, com as consequências muitas vezes danosas para tantos filhos! Não à toa Jesus Cristo fala da união para sempre do casamento entre homem e mulher, para a busca da felicidade, que está num ideal de vida buscado perenemente. A bênção divina está no bojo de tal encaminhamento. Mas é preciso, nessa direção, haver preparação, vontade e responsabilidade de construção da vida a dois para valer.

Nada, assim, vai tirar o casal do sério de uma vida de amor e doação autênticos. Meios coadjuvantes para isso encontramos na ordem natural e sobrenatural: diálogo, compreensão, boa vontade, colaboração, valorização do outro, perdão, oração, meditação na Palavra de Deus, sacramentos, aceitação das observações do outro, aconselhamento…

Muitos são os obstáculos para que o amor matrimonial corra nessa perspectiva. A influência do paganismo, da mediocridade, a falta de formação e influência de grandes meios de comunicação materialistas dificultam a juventude a se pautar na vida por valores acima apresentados. Aliás, na sociedade vemos duas vocações de fundamental importância: a família e a política. Justamente para as duas há muita falta de preparo! As consequências são óbvias!

Palavra de Deus nos auxilia para valorizarmos a vocação matrimonial: “Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por Ela… Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo… Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne” (Ef 5, 25.28.31).

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros - MG

"Desonestidade e desinformação" sobre Bento XVI, aponta filósofo

Leonardo Meira
Da Redação Canção Nova

Filósofo e escritor francês Bernard-Henri Lévy (Foto) "Deve-se parar com a má-fé, o preconceito e, verdade seja dita, a desinformação quando se trata de Bento XVI".

É isso que defende o filósofo e escritor francês Bernard-Henri Lévy em um artigo publicado nesta quinta-feira, 21, na edição em italiano do Jornal L'Osservatore Romano, periódico oficial do Vaticano. O subtítulo do texto é "Quando os bodes expiatórios se chamam Pio e Bento".

Poucos dias após a visita do Papa à sinagoga de Roma, o articulista explica que o "coro de desinformação" dos meios de comunicação em geral "nem sequer esperou que o Papa atravessasse o Rio Tibre para anunciar, a cidade e ao mundo, que ele teria sido incapaz de encontrar as palavras que gostaria de dizer, nem fez o gestos que gostaria de fazer e que teria falhado em sua tentativa".

Lévy também lembrou episódios anteriores, como o do período imediamente posterior à eleição de Bento XVI, quando os meios de comunicação salientaram o "ultraconservadorismo" do Papa e, logo após, o "Papa alemão" ou "pós-nazista de batina".

O filósofo francês explica que as atitudes de Bento XVI em relação ao mundo judaico em nada implicam uma ruptura com seus predecessores, tampouco "congelariam" os progressos obtidos ao longo do pontificado de João XXIII.


Pio XII

O texto também mostra que Pio XII não foi omisso durante o regime nazista.

"Por hora, devemos, pela exatidão histórica, precisar que, antes de optar pela ação clandestina, antes de abrir, sem divulgar, os conventos aos judeus romanos perseguidos pelos fascistas, o 'silencioso' Pio XII pronunciou algumas alocuções radiofônicas (por exemplo, nos Natais de 1941 e 1942) que tiveram, após sua morte, a homenagem de Golda Meir [uma das fundadoras do Estado de Israel]: 'Durante os dez anos do terror nazista, enquanto nosso povo sofria um terrível martírio, a voz do Papa levantou-se para condenar os carrascos'".

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Conheça a linha de trabalho do Sínodo para o Oriente Médio


Da Canção Nova, com Rádio Vaticano

H2OnewsColetiva de imprensa no Vaticano apresenta texto com linha de trabalho para a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispo para o Oriente MédioO texto que define a linha de trabalho para a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio foi apresentado hoje, no Vaticano. O "Lineamenta", como é conhecido o documento, constitue o primeiro passo de uma consulta, que será enviado para as Conferências Episcopais de todo mundo, e assim dará a possibilidade a todas as Igrejas particulares de preparar o Sínodo através da reflexão e do envio de sugestões.

Ao apresentar o texto, o arcebispo Nikola Eterovic, secretário geral do Sínodo dos Bispos, destacou que Assembleia visa "confirmar e reforçar os cristãos na sua identidade, mediante a Palavra de Deus e os Sacramentos" e "reavivar a comunhão eclesial entre as Igrejas particulares, para que possam oferecer um testemunho de autêntica vida cristã, jubilosa e atraente".

O texto está dividido em três partes.

Primeiro capítulo: "A Igreja Católica no Oriente Médio"
Evoca brevemente a história das Igrejas do Oriente, que remontam à primeiro Igreja cristã de Jerusalém e se difundiram na região mantendo a unidade essencial na pluralidade das expressões. Igrejas caracterizadas pela apostolicidade e por uma forte índole missionária. Para além da Igreja de rito latino, existem Igrejas Orientais Católicas de cinco diferentes Tradições: Alexandrina (Igreja Copta e Igreja Etiópica), Antioquena (Igreja Siro-Malankaresa, Igreja Maronita e Igreja Síria); Arménia (Igreja Arménia); Caldeia ou Siro-oriental (Igreja Caldeia e Igreja Siro-Malabaresa); Bizantina ou Constantinopolitana (nomeadamente a Igreja Greco-Melquita).

Muitas foram as dificuldades enfrentadas por estas Igrejas ao longo dos dois mil anos de existência.

O texto recorda alguns desafios atuais, como os conflitos políticos na região (Israel – Palestina, Iraque, Líbano); além de graves limitações, para as pessoas e comunidades, ao exercício da liberdade de religião e de consciência.

O Documento propõe a formação dos cristãos para que possam viver com ainda maior fidelidade a própria fé na vida privada e pública. Os fiéis são também chamados a continuar a dar o seu precioso contributo à edificação de uma sociedade democrática, que respeite os direitos e deveres de todos os cidadãos.

Segundo capítulo: "A comunhão eclesial"
De índole mais teológica, começa por sublinhar a natureza da comunhão da Igreja, assente no mistério da Santíssima Trindade, para referir a questão da comunhão no interior da Igreja Católica – entre as várias Igrejas Orientais Católicas, que deveriam tornar-se cada vez mais uma riqueza para todos os cristãos do Médio Oriente. Indicados os dois maiores sinais da comunhão eclesial: a celebração da Eucaristia e a comunhão com o Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro Apóstolo e Chefe visível de toda a Igreja.

Terceiro capítulo: "O testemunho cristão"
É o capítulo mais longo. Nele se aborda o testemunho dos católicos já no interior da própria Igreja, mas também fora.

Faz-se notar que precisa de ser incrementado o diálogo com as outras Igrejas e comunidades cristãs (não católicas), nomeadamente através do Conselho das Igrejas do Médio Oriente e do Conselho dos Patriarcas católicos.

O diálogo com o hebraísmo é a peculiaridade das Igrejas de Jerusalém (seis Igrejas Católicas e cinco Ortodoxas, mais duas comunidades eclesiais protestantes). As relações com o judaísmo são condicionadas pela situação política que opõe de um lado os Palestinianos e o mundo árabe e do outro o Estado de Israel. Recorda-se, a este propósito, a necessidade de ter sempre presentes a distinção entre o plano religioso e o plano político, evitando absolutamente usar a Bíblia com fins políticos ou a políticas com objetivos religiosos. Sublinhado o elo religioso entre Judaísmo e Cristianismo, entre o Antigo e o Novo Testamento. Os cristãos estão chamados a encorajar todos os meios pacíficos que possam conduzir à paz através da justiça.

O documento refere também, com relevo, as relações com os muçulmanos. Embora as Constituições da maioria dos Estados do Médio Oriente garantam, na letra, a igualdade dos cidadãos, na prática, em razão da não suficiente distinção entre religião e política, os cristãos vêem-se muitas vezes em situação de não cidadania.

Neste difícil contexto, os cristãos estão chamados a dar um contributo específico e insubstituível à sociedade em que vivem, testemunhando Cristo e os valores do Evangelho em todos os setores da vida pessoal, familiar e pública.

Conclusão
O texto apresenta as razões, tanto de ordem política como da fé, que fazem com que seja essencial que os cristãos permaneçam no Médio Oriente, continuando a oferecer aí o seu contributo específico para a construção de uma sociedade justa, pacífica e próspera.

Próximo passo
Os pareceres serão selecionados e sintetizados no "Instrumentum laboris", documento base de trabalho que será discutido na assembleia sinodal, no Vaticano, de 10 a 14 de outubro próximo . O tema será "A Igreja Católica no Oriente Médio: Comunhão e testemunho. A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma." O Papa Bento XVI em sua visita apostólica a Chipre, em junho, entregará este documento base, aos representantes das Igrejas Orientais Católicas.