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quinta-feira, 25 de março de 2010

Cristãos devem ser sinais de esperança, diz Bento XVI

Da Canção Nova /Reuters
''Os homens de nosso tempo, embora nem sempre conscientemente, pedem aos crentes não apenas para 'falar' de Jesus, mas 'fazer ver' Jesus''"Os cristãos devem aprender a oferecer sinais de esperança e a tornarem-se irmãos universais", pediu o Papa Bento XVI na mensagem para o 84º Dia Mundial das Missões, divulgada nesta quinta-feira, 25, no Vaticano. O Santo Padre destacou que diante da sociedade que experimenta tantas formas de solidão e de indiferença, os cristãos precisam cultivar os "grandes ideais que transformam a história e, sem falsas ilusões ou medos inúteis, comprometer-se a fazer o planeta a casa de todos os povos".

Na mensagem, o Papa destacou ainda o "mandato missionário que não se pode realizar de maneira credível sem um profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral". "Os homens de nosso tempo, embora nem sempre conscientemente, pedem aos crentes não apenas para 'falar' de Jesus, mas 'fazer ver' Jesus, fazer resplandecer o Rosto do Redentor em todos os cantos da terra, frente às gerações do novo milênio e, especialmente, frente aos jovens de todos os continentes, destinatários privilegiados e sujeitos do anúncio evangélico".

"Eles devem perceber que os cristãos carregam a palavra de Cristo porque Ele é a Verdade, porque encontraram n'Ele o sentido, a verdade para a própria vida", enfatizou Bento XVI.

O Papa explicou também como despertar a cooperação missionária entre as Igrejas. "De fato, a consciência do chamado a proclamar o Evangelho estimula não apenas o fiel individual, mas todas as comunidades diocesanas e paroquiais a uma renovação integral e a se abrir cada vez mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de toda a pessoa, de todo o povo, cultura, raça, nacionalidade, em qualquer nível. Essa consciência se alimenta através do trabalho dos Sacerdotes Fidei Donum, dos consagrados, dos catequistas, dos Leigos missionários, em uma busca constante de promover a comunhão eclesial, de modo que também o fenômeno da 'interculturalidade' possa se integrar em um modelo de unidade, no qual o Evangelho seja fermento de liberdade e progresso, fonte de fraternidade, de humildade e de paz".

O Dia Mundial das Missões, este ano, será celebrado no dia 24 de outubro, com o tema "a construção da comunhão eclesial é a chave da missão".

quinta-feira, 18 de março de 2010

Bioética: Vida é dom ofertado por Deus, defende bispo italiano

Leonardo Meira
Da Canção Nova

APFisichella: ''Vida não pode ser reduzida à pura matéria''O horizonte da bioética deve ser sempre pautado pelo entendimento de que a vida contém um mistério dentro de si e é dom ofertado pelo Criador, não possuído ou conquistado pelos homens.

É isso que garante o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Rino Fisichella, em artigo intitulado Bioética e lei natural: o limite cancelado.

Ao destacar que a bioética permanecerá no foco dos debates por um bom tempo, devido ao "progresso imparável" da ciência e das conquistas tecnológicas, Fisichella salienta que a exigência ética se torna ainda mais importante para garantir uma resposta justa e que respeite a dignidade da vida humana.

"Se cada vez mais cresce o conhecimento científico e a tecnologia é refinada, é evidente que as questões da razão terão motivo de se multiplicar para verificar o quanto o percurso rumo à felicidade desejada e ansiada seja realmente factível e atingível. A exigência ética, no entanto, encontrará neste contexto ainda maior urgência para chegar a uma resposta justa e respeitosa da dignidade da vida humana".

Sobre as intercalações entre bioética e lei natural, Dom Rino salienta questões sobre como conceber, aceitar e se colocar frente aos limites da vida humana. Da mesma forma, destaca a evolução do relacionamento do homem com a natureza - antes, como partes essencialmente unidas; hoje, como duas categorias diferentes.

"O mundo de hoje vive uma situação verdadeiramente paradoxal: quanto mais aumenta a capacidade de avanços científicos e técnicos, mais cresce a lacuna com a questão fundamental da vida, que gira em torno do bem e do mal como premissa indispensável para dar sentido à existência pessoal".

O presidente da Pontifícia Academia concluiu suas reflexões afirmando que a instância ética que reivindica o valor da lei moral natural não é anacrônica; antes, "impõe-se como critério obrigatório para chegar à verdade e guiar os julgamentos éticos em vista de uma autêntica e forte escolha de liberdade na verdade".

quinta-feira, 4 de março de 2010

Como conciliar Quaresma e Campanha da Fraternidade?

A oração, o jejum e a esmola são os elementos da espiritualidade quaresmal
delicious twitter Campanha da Fraternidade 2010


A Quaresma é um tempo forte de oração, penitência e caridade como exercícios de conversão, que nos preparam para viver a Páscoa, ressurreição e vida nova em Cristo Jesus. Inspirada nos quarenta anos em que o povo de Deus viveu no deserto se purificando para entrar na Terra Prometida e os quarenta dias em que Jesus viveu no deserto antes de iniciar Sua missão na vida pública. A oração, o jejum e a esmola são os elementos fundamentais da espiritualidade quaresmal, nós somos chamados – na Escuta da Palavra de Deus, na participação nos Sacramentos e na vida comunitária – a atualizar o mistério de Cristo e Sua salvação na vida da Igreja hoje.



Neste tempo de reflexão, cujo objetivo é a transformação da nossa vida, penso que numa espiritualidade que não gera vida e transformação não é autenticamente cristã. Não somente a minha vida, os meus interesses, mas o de todos, ou seja, o bem comum de todos os irmãos, a sociedade. A Campanha da Fraternidade reflete sobre a “Fraternidade e Economia”, tendo como lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (cf. Mt 6,24). Suscitando em nós o debate sobre a economia e a fé em Deus a serviço do bem comum, por uma economia a favor da vida! Para rezar e fazer pensar na verdadeira finalidade do dinheiro e dos bens de consumo, do consumismo e do valor das coisas e da pessoa humana em relação ao bem material e ao relacionamento com Deus Pai.



O que é economia? É a ciência social que estuda a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. O termo "economia" vem do grego "oikos" (casa) e "nomos" (costume ou lei) ou também gerir, administrar: daí "regras da casa" (lar) e "administração da casa".


"Dinheiro" vem do latim "denariu". Moeda corrente, valor representativo de qualquer quantia. Nome comum a todas as moedas. Numerário, quantia, soma. Todo e qualquer valor comercial (cheques, letras, notas de banco etc.).


"Servir" vem do latim "servire". Estar a serviço de; prestar serviços a: Servia um bom amo. Prestar serviços; ser servo ou criado: Fora contratada para servir. Ajudar, auxiliar, ser útil, servidor, benfazejo: Gostamos de servir os amigos. Servir a pátria; servi-la com a pena ou com a espada. "O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir" (cf. Mateus, 20, 28).


Em minha opinião o grande desafio, além de não esvaziar a espiritualidade da Quaresma, é permitir que os exercícios quaresmais e a vivência do Mistério de Cristo possam me converter para a prática da justiça e da paz. A nossa proposta, para viver neste tempo, é uma conversão que extermine em nós e ao nosso redor todo tipo de serviço e idolatria ao dinheiro, servindo a injustiça e a corrupção dos bens e da alma. Como faremos isso? Trabalhando em nós e na nossa casa, comunidade, trabalho e escola como nos servimos do dinheiro e dos bens, qual a nossa verdadeira relação, produzir uma economia a favor da vida e da justiça.


Nesta formação nós não podemos esquecer os valores primordiais da vida, da partilha, do respeito, da igualdade dos valores cristãos, pois cidadãos bem formados e firmes nas hierarquias de valores não se deixam vencer pelos mecanismos da injustiça, que gera corrupção. Provocar uma atitude positiva do Estado, ou seja, nos governantes para que todos tenham, com dignidade e trabalho, a satisfação de suas necessidades pessoais e comunitárias. Crescer no diálogo, promovendo a reconciliação, o perdão, que é uma virtude cristã, exercitar a capacidade de promover o outro nas suas qualidades e diferenças, ajudando-o a sair da margem de nossa sociedade, isso é caridade. Nos exercícios da Via-Sacra, nas celebrações, nos grupos de orações e círculos bíblicos, iluminando com a nossa fé os nossos compromissos cristãos.


Este assunto é muito complexo, mas acho que consegui pensar numa proposta para casar bem dentro de nós Quaresma e Campanha da Fraternidade:



A nossa proposta para viver este tempo é uma conversão que extermine em nós e ao nosso redor todo tipo de idolatria ao dinheiro, consumismo, desigualdade social para construir o homem novo e reconstruir o mundo, que sirva a Deus Senhor e Juiz da História.





Oração: Ó Deus criador, do qual tudo nos vem, nós te louvamos pela beleza e perfeição de tudo que existe como dádiva gratuita para a vida. Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, acolhemos a graça da unidade e da conivência fraterna, aprendendo a ser fiéis ao Evangelho. Ilumina ó Deus, nossas mentes para compreender que a boa nova que vem de ti é amor, compromisso e partilha entre todos nós, teus filhos e filhas. Reconhecemos nossos pecados de omissão diante das injustiças que causam exclusão social e miséria. Pedimos por todas as pessoas que trabalham na promoção do bem comum e na condução de uma economia a serviço da vida. Guiados pelo teu Espírito, queremos viver o serviço e a comunhão, promovendo uma economia fraterna e solidária, para que a nossa sociedade acolha a vinda do teu reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


Tenha uma santa Quaresma.

Padre Luizinho
Comunidade Canção Nova