Papa e Santa Sé
BENTO XVI A BARTOLOMEU I: NECESSIDADE DE TESTEMUNHO COMUM DOS CRISTÃOS AOS HOMENS DE HOJE
◊ Cidade do Vaticano, 30 nov (RV) - Progredir no caminho em direção da plena comunhão: é a exortação expressa por Bento XVI numa mensagem ao Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I, por ocasião da festa de Santo André Apóstolo – padroeiro do Patriarcado Ecumênico - celebrado nesta terça-feira.
O documento foi entregue a Bartolomeu I pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, que se encontra em Istambul, na Turquia, à frente de uma Delegação vaticana para a Festa de Santo André.
A festa de Santo André representa "um forte convite a renovar a própria fidelidade ao ensinamento dos Apóstolos e a tornar-se incansáveis anunciadores da fé em Cristo, com a palavra e o testemunho da vida" – escreve o Papa.
Neste nosso tempo – observa Bento XVI – "tal convite é mais do que nunca urgente e interpela todos os cristãos". De fato, num mundo marcado por "uma crescente interdependência e solidariedade" – prossegue - "somos chamados a proclamar com renovada convicção a verdade do Evangelho e a apresentar o Senhor Ressuscitado como a resposta às mais profundas interrogações e aspirações espirituais dos homens e das mulheres de hoje".
Para se poder ter bom êxito nessa "grande tarefa" – lê-se na mensagem – "devemos continuar progredindo no caminho em direção da plena comunhão, mostrando já ter unido os nossos esforços por um comum testemunho do Evangelho diante dos homens do nosso tempo".
Por essa razão, o Papa expressa a sua sincera gratidão ao Patriarca Ecumênico pela hospitalidade oferecida em outubro passado na ilha de Rodes – Grécia – aos delegados das Conferências Episcopais da Europa no II Fórum católico-ortodoxo sobre o tema "Relações Igreja – Estado: perspectivas teológicas e históricas".
Por fim, Bento XVI assegura seguir com "com atenção" os "sábios esforços" de Bartolomeu I "em favor do bem da Ortodoxia e da promoção dos valores cristãos em muitos contextos internacionais".
De fato, o Cardeal Kurt Koch encontra-se em Istambul, junto com a Delegação da Santa Sé para a Festa do Patriarcado Ecumênico. A visita se dá no quadro do intercâmbio de delegações por ocasião das respectivas festas dos santos padroeiros: 29 de junho, a Roma, na celebração dos Santos Pedro e Paulo; e, justamente, 30 de novembro, a Istambul, na celebração de Santo André.
Entre os momentos fortes da manhã desta terça-feira, destacam-se a solene Divina Liturgia presidida por Bartolomeu I na Igreja do Fanar – sede do Patriarcado – e o encontro da Delegação vaticana com o Patriarca e com a Comissão sinodal encarregada das relações com a Igreja Católica. (RL)
SANTA SÉ PARTICIPA DO ENCONTRO DA OSCE
◊ Cidade do Vaticano, 30 nov (RV) - O Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, participará, liderando uma delegação do Vaticano da reunião de cúpula da OSCE, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, que será realizada no próximo dia 2 de dezembro em Astana, no Cazaquistão.
A Santa Sé é um membro a pleno direito desta organização, da qual participam 56 países. Fazem parte da delegação do Vaticano o Secretário para as Relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti, o Núncio Apostólico no Cazaquistão, Dom Miguel Maury Buendía, e o Representante Permanente da Santa Sé junto à OSCE, Dom Michael W. Banach. Após a reunião de cúpula, nos dias 3 e 4 de dezembro, o Cardeal Bertone fará uma visita pastoral ao Cazaquistão, na qual será acompanhado por Dom Mamberti. (SP)
O AFETO DO PAPA NA MENSAGEM PARA EXÉQUIAS DA LEIGA CONSAGRADA CAMAGNI: AGORA ESTÁ NOS BRAÇOS DE DEUS
◊ Cidade do Vaticano, 30 nov (RV) - "Onde quer que possamos cair, caímos em suas mãos. Justamente lá, onde ninguém pode acompanhar-nos, nos espera Deus: nossa Vida." Encontramos a fé e a ternura do Papa nessas palavras contidas na conclusão da Mensagem escrita para as exéquias de Manuela Camagni, a leiga consagrada de 56 anos pertencente à Comunidade das "Memores Domini" – que presta seu serviço no apartamento pontifício – falecida no dia 23 do corrente, vítima de atropelamento no centro de Roma.
O funeral foi celebrado nesta segunda-feira em sua terra natal, "San Piero in Bagno", na região Emilia-Romagna – norte da Itália – com a participação do Secretário particular de Bento XVI, Mons. Georg Gänswein.
"Gostaria muito de ter podido presidir às exéquias da cara Manuela Camagni, mas – como podem imaginar – não me foi possível." Inicia-se assim o que parece ser uma longa carta de adeus, eivada pela consolação que somente a fé em Cristo pode dar ao coração de quem perdeu uma cara pessoa.
E certamente Manuela Camagni era cara a Bento XVI, que fala de seu contato diário, nos cinco anos de Pontificado, com a leiga consagrada que há tempos prestava seus serviços no apartamento pontifício.
"A Divina Providência levou-a a um serviço discreto, mas precioso, na casa do Papa – escreve Bento XVI. Ela estava contente por isso, e participava com alegria dos momentos de família: da santa missa da manhã, das Vésperas, das refeições em comum e das várias e significativas atividades da casa."
"A separação dela, tão surpreendente, e também do modo como se deu – ressalta o pontífice – causou-nos uma grande dor que somente a fé pode consolar. Conforta-me pensar nas palavras que são o nome da sua comunidade: "Memores Domini".
E "me dá paz pensar que Manuela era uma Memor Domini, uma pessoa que vive na memória do Senhor" – afirma o Santo Padre. Essa relação com Ele "é mais profunda do que o abismo da morte. É uma união que nada e ninguém pode romper".
O Papa quase joga com as palavras da Comunidade à qual pertencia Camagni para revelar outra verdade profunda: "Nós somos Memores Domini porque Cristo é Memor nostri, nos recorda com o amor de um Pai, de um Irmão, de um Amigo, inclusive no momento da morte."
Embora, por vezes, possa parecer que naquele momento Ele esteja ausente, que se esqueça de nós, na realidade nós estamos sempre presentes para Ele, estamos em seu coração.
De fato, "onde quer possamos cair – conclui Bento XVI – caímos em suas mãos. Justamente lá, onde ninguém pode acompanhar-nos, nos espera Deus: a nossa vida". (RL)
HOMILIA DO PAPA NAS VÉSPERAS DO I DOMINGO DO ADVENTO
◊ Cidade do Vaticano, 27 nov (RV) - Segue a homilia do Papa na celebração das Primeiras Vésperas do I Domingo do Advento.
Queridos irmãos e irmãs,
Com esta celebração vespertina, o Senhor nos dá a graça e a alegria de abrir o novo Ano Litúrgico iniciando da sua primeira etapa: o Advento, o período que faz memória davinda de Deus entre nós. Cada início trás consigo uma graça particular, porque bendiz ao Senhor.
Neste Advento nos será dado, mais uma vez, fazer experiência da proximidade Daquele que criou o mundo, que conduz a história e que cuida de nós chegando até a se fazer um de nós. Este mistério grande e fascinante do Deus conosco, também de Deus que se faz um de nós, celebraremos nas próximas semanas caminhando para o santo Natal. Durante o tempo do Advento sentiremos a Igreja que nos toma pela mão e, qual imagem de Maria Santíssima, expressa sua maternidade fazendo-nos experimentar a espera alegre da vinda do Senhor, que a todos nós envolve com seu amor que salva e consola.
Enquanto os nossos corações se propendem para a celebração anual do nascimento de Cristo, a liturgia da Igreja orienta o nosso olhar para a meta definitiva: ao encontro com o Senhor que virá no esplendor da glória. Por isso nós que, em cada Eucaristia, “anunciamos sua morte, proclamando sua ressurreição na espera de sua vinda”, vigiamos em oração. A liturgia não para de nos encorajar e de nos sustentar, colocando em nossos lábios, nos dias do Advento, o grito com o qual se fecha totalmente a Sagrada Escritura, na última página do Apocalipse de São João: “Vinde, Senhor Jesus!”(22, 20).
Queridos irmãos e irmãs, o nosso reunir nesta tarde para iniciar a caminhada do Advento se enriquece de um outro motivo importante: com toda a Igreja, queremos celebrar solenemente uma vigília pela vida nascente. Desejo exprimir meu agradecimento a todos aqueles que aderiram e àqueles que se dedicam de modo específico no acolhimento e proteção da vida humana nas diversas situações de fragilidade, particularmente em seu início e em seus primeiros passos.
É próprio do início do Ano Litúrgico nos fazer viver novamente a espera de Deus que se faz carne no ventre da Virgem Maria, de Deus que se faz pequeno, se torna criança; nos fala da vinda de um Deus próximo, que quis vivenciar a vida do homem, do início ao fim, para salvá-lo totalmente, plenamente. E assim o mistério da Encarnação do Senhor e o início da vida humana são intimamente e harmonicamente coligados entre eles dentro do único desejo salvífico de Deus, Senhor da vida de todos e de cada um. A Encarnação nos revela com intensa luz e de modo surpreendente que cada vida humana tem uma dignidade altíssima, incomparável.
O homem apresenta uma originalidade inconfundível em relação a todos os outros seres viventes que povoam a terra. Apresenta-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e vontade livre, também composto de realidade material. Vive simultaneamente e inseparavelmente na dimensão espiritual e na dimensão corpórea. Isso também é sugerido pelo texto da Primeira Leitura da Carta aos Tessalonicenses que foi proclamada: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que o vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo,” (5, 23). Sejamos pois espírito, alma e corpo. Sejamos parte de nosso mundo, entregues à possibilidade e aos limites da condição material; ao mesmo tempo sejamos abertos sob um horizonte infinito, capaz de dialogar com Deus e tender a Ele, verdade, bondade e beleza absoluta. Saboreamos fragmentos de vida e de felicidade e anelamos à plenitude total;
Deus nos ama de modo profundo, total, sem distinção; nos chama à amizade com Ele; nos faz participantes de uma realidade acima de qualquer imaginação e de cada pensamento e palavra: a sua mesma vida divina. Com comoção e gratidão tomemos consciência do valor, da dignidade incomparável de cada pessoa humana e da grande responsabilidade que temos para com todos. “ Cristo, que é o novo Adão – afirma o Concílio Vaticano II, na mesma revelação do mistério do Pai e de seu amor, manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre sua altíssima vocação... Com sua encarnação o Filho de Deus se uniu de certo modo a cada homem” (Const. Gaudiu et Spes, 22).
Acreditar em Jesus Cristo comporta também ter um olhar novo sobre o homem, um olhar de confiança, de esperança. Além disso, a própria experiência e a reta razão mostram que o ser humano é um sujeito capaz de entender, de querer, autoconsciente e livre, único e insubstituível, ápice de todas as realidades terrenas, que deve ser reconhecido como um valor em si mesmo e merece ser sempre acolhido com respeito e amor. Ele tem o direito de não ser tratado como um objeto a ser possuído ou como algo que você pode manipular como quer, de não ser reduzido a um mero instrumento para o benefício de outros e de seus interesses. A pessoa é um bem em si mesmo e é necessário procurar sempre o seu desenvolvimento integral. O Amor pelo próximo, se é sincero, tende naturalmente a ter uma atenção preferencial pelos mais fracos e mais pobres. Nesta linha, se insere a solicitude da Igreja pela vida do nascituro, a mais frágil, a mais ameaçada pelo egoísmo dos adultos e pela escuridão da consciência. A Igreja continuamente reitera o que declarou o Concílio Vaticano II contra o aborto e todas as violações contra a vida dos nascituros: “A vida uma vez concebida deve ser protegida com o máximo cuidado” (ibid., n. 51).
Há tendências culturais que buscam anestesiar as consciências com subterfúgios. No que diz respeito ao embrião no útero materno, a ciência mesma coloca em vidência a autonomia capaz de interação com a mãe, a coordenação dos processos biológicos, a continuidade do desenvolvimento, a crescente complexidade do organismo. Não se trata de um acúmulo de material biológico, mas de um novo ser, dinâmico e maravilhosamente ordenado, um novo indivíduo da espécie humana. Assim foi Jesus no ventre de Maria; assim foi para cada um de nós no ventre da mãe. Com o antigo escritor cristão Tertuliano, podemos afirmar: “É já um homem aquele que o será” (Apologia, IX, 8); não há razão para não considerá-lo pessoa desde a sua concepção.
Infelizmente, mesmo após o nascimento, a vida das crianças continua a ser exposta ao abandono, à fome, à miséria, à doença, aos abusos, à violência, à exploração. As muitas violações dos seus direitos que são cometidas no mundo ferem gravemente a consciência de cada homem de boa vontade. Diante do triste panorama de injustiças cometidas contra a vida do homem, antes e após o nascimento, faço meu o apaixonado apelo do Papa João Paulo II à responsabilidade de todos e de cada um: “Respeite, proteja, ame e sirva a vida, cada vida humana! Somente nesta estrada você poderá encontrar justiça, desenvolvimento, liberdade verdadeira, paz e felicidade” (Encíclica Evangelium vitae, 5). Exorto os protagonistas da política, da economia, das comunicações sociais a fazerem tudo que está ao seu alcance para promover uma cultura que respeite sempre a vida humana, que proporcione condições favoráveis e redes de apoio ao acolhimento e ao desenvolvimento da mesma.
À Virgem Maria, que acolheu o Filho de Deus feito homem com a sua fé, com o seu ventre materno, com carinho, com o acompanhamento solidário e vibrante de amor, confiamos a oração e o compromisso em favor da vida nascente. Nós o fazemos na liturgia - que é o lugar onde vivemos a verdade e onde a verdade vive conosco - adorando a divina Eucaristia, na qual contemplamos o Corpo de Cristo, o Corpo que se encarnou em Maria por obra do Espírito Santo, e dela nasceu em Belém para a nossa salvação. Ave verum Corpus, natum de Maria Virgine!
A FACE FEMININA DAS MIGRAÇÕES
◊ Saly, 30 nov (RV) - Dois milhões de mulheres vítimas de abusos, na maior parte das vezes gravemente, porque são obrigadas a emigrar dos seus países de origem. O presidente do Pontifício Conselho da Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, Arcebispo Antonio Maria Vegliò, disse que se trata de uma massa "invisível" de pessoas, que invocam formas de tutela.
A declaração de Dom Vegliò foi feita hoje, no âmbito da abertura de um simpósio em Saly, Senegal, intitulado "A Face Feminina das Migrações", organizado pela Caritas Internacional, e que será desenvolvido nessa localidade africana até o dia 2 de dezembro.
A emigração e a imigração não são fenômenos exclusivamente masculinos. E essa afirmação, na verdade, é menos óbvia do que possa parecer. Dom Vegliò foi claro nas suas declarações a esse respeito. Segundo ele, "em nenhuma parte do mundo existem leis em matéria de maternidade que levem em consideração o fato de que cada mulher migrante tem uma maneira própria de lidar com as diversas realidades". Falando em nome da Igreja, ele disse que "os governos devem rever suas políticas e as regras que comprometem a tutela dos direitos fundamentais das mulheres, como a luta contra os abusos sexuais e os abusos no trabalho, o acesso ao sistema de saúde pública, moradia, nacionalidade e assistência às jovens mães.
O representante vaticano deu dados de que há países nos quais a emigração feminina superou a masculina e de que, no entanto, somente 42 países ratificaram a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e dos Membros de suas Famílias.
Dom Vegliò ressaltou que as mulheres imigrantes conseguem trabalho geralmente no âmbito doméstico, porém, muitas vezes, trabalham na ilegalidade, têm seus direitos desrespeitados e estão vulneráveis a todos os tipos de abuso.
O prelado lembrou ainda, aos participantes do simpósio, que 4 milhões de mulheres no mundo – a metade delas menores de idade – fazem parte do mercado da prostituição, o qual movimenta 12 bilhões de dólares por ano. "Isso coloca a prostituição – disse ele – como a terceira atividade ilegal mais rentável do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de armas e do tráfico de drogas".
Encerrando, Dom Vegliò afirmou que a Igreja Católica vai continuar seu trabalho de acolhimento dos migrantes, mobilizando-se também para que a legislação sobre liberdade religiosa seja reformada com espírito de justiça e respeito mútuo. "A insuficiente possibilidade concreta de participação social, política e cultural que a sociedade civil oferece hoje às mulheres repercute também nas comunidades cristãs, chamadas, por isso, a valorizar, em primeiro lugar, os valores de referência, a vivência cotidiana e a cultura da mulher imigrante. (ED)
Igreja no Brasil
CARDEAL ARNS COMEMORA 65 ANOS DE SACERDÓCIO
◊ São Paulo, 30 nov (RV) - A Catedral da Sé, em São Paulo, ficou lotada no último sábado, dia 27, para a missa dos 65 anos de ordenação sacerdotal do arcebispo emérito de São Paulo, Cardeal Paulo Evaristo Arns. A cerimônia foi presidida pelo Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, concelebrada por 25 bispos e mais de uma centena de sacerdotes.
Segundo informações divulgadas pela CNBB, o Papa Bento XVI enviou uma mensagem de congratulação ao cardeal brasileiro e destacou os 28 anos em que Dom Paulo esteve à frente da Arquidiocese. O Papa manifestou “gratidão eclesial pela sua vida de doação com Cristo à humanidade e com votos de poder consumá-la até ao fim na alegria, serenidade e confiança do Amor divino”.
“Quero expressar a alegria de toda a nossa Arquidiocese pelo dom de sua vida”, disse Dom Odilo ao saudar o cardeal Arns. Dom Odilo também presenteou o cardeal Arns com uma imagem do apóstolo São Paulo.
Na ocasião Dom Paulo agradeceu pela homenagem e também relembrou os primeiros 20 anos de ministério na Ordem dos Frades Menores (franciscanos), à qual pertence, recordando que “o padre deve conduzir os cristãos para a verdadeira meta, que é o encontro com Cristo, com o irmão, com o amor que não acaba”.
Aos 89 anos, dom Paulo relatou que celebra a missa todas as manhãs, lê dois jornais por dia e, semanalmente, responde às diversas correspondências que recebe. (SP-CNBB)
SÃO PAULO: BISPOS SE UNEM EM DEFESA DA VIDA
◊ São Paulo, 30 nov (RV) - As Dioceses de Taubaté, Lorena, Caraguatatuba e Guarulhos, todas localizadas no Estado de São Paulo, se uniram no último sábado, na missa solene celebrada na Catedral de Taubaté, para começarem um projeto de iniciativa popular com o objetivo de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição do Estado de São Paulo que garanta a inviolabilidade da vida humana desde a concepção até a morte natural.
Segundo o coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida, de Taubaté, Hermes Nery, as dioceses pretendem recolher pelo menos trezentas mil assinaturas, que representam 1% do eleitorado do Estado de São Paulo, para viabilizar o projeto. As lideranças religiosas da região temem que o Congresso Nacional aprove a proposta de descriminalização do aborto.
"A Constituição Federal já declara que a vida não pode ser violada, mas não deixa claro desde quando. Queremos explicitar na Constituição Estadual que a vida começa na fecundação e segue até a morte natural. Queremos tornar São Paulo o primeiro Estado da Federação com uma lei que proteja a vida humana de forma integral" – sublinhou Nery.
"Acho importante esta iniciativa, tendo em vista que todas as pesquisas indicam que o povo brasileiro é pela vida e, portanto, contra o aborto, pela proteção da vida humana, desde a concepção", frisou o bispo de Taubaté Dom Carmo João Rhoden. (MJ)
COMINA DISCUTE TRABALHO MISSIONÁRIO NO HAITI
◊ Brasília, 30 nov (RV) - O Conselho Missionário Nacional (Comina) esteve reunido, nesta segunda-feira, 29, em Brasília, para discutir seus projetos e ações, especialmente o trabalho missionário iniciado este ano no Haiti.
“O Comina é o órgão articulador da dimensão missionária e reúne as grandes forças missionárias da Igreja no Brasil que são a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). "O órgão ajuda na reflexão missionária e também na resposta aos desafios missionários”, explicou o presidente do Conselho e bispo da prelazia de Tefé (AM), Dom Sérgio Castriani.
Para Dom Sérgio, “a Missão Continental no Brasil não é tanto de eventos, mas é a animação missionária de toda a Igreja no Brasil com gestos como Congressos, o projeto Um milhão de Bíblias, Missões Populares”.
O prelado falou ainda sobre o trabalho missionário na Amazônia, região na qual, segundo ele, é cada vez mais visível o esforço da CNBB no sentido de assumi-la como responsabilidade da Igreja no Brasil.
“É preciso se preocupar com a Amazônia das periferias e das fronteiras, onde estão os desafios como a questão do narcotráfico, por exemplo. A tentação é ficar na Amazônia mais visível”, afirma ele. (CNBB/ED)
Igreja na América Latina
HONDURAS: IGREJA PREOCUPADA COM VIOLÊNCIA NO PAÍS
◊ Tegucigalpa, 30 nov (RV) - A Igreja Católica em Honduras está preocupada com o clima de violência que assola o país e convidou a população a abandonar toda forma de agressão.
O bispo auxiliar de Tegucigalpa, Dom Juan José Pineda Fasquelle, fez uma listas das ações consideradas violentas e que devem ser desarraigadas através da paz, fraternidade, comunhão, respeito e zelo pela dignidade da pessoa humana.
"Existem muitas armas e formas também de agredir o irmão, não somente com o fuzil, cassetete ou granada. Existem, infelizmente, muitas formas de agredir e matar" – frisou o prelado.
No início deste mês, algumas pessoas leais ao ex-presidente Manuel Zelaya, atacaram o Arcebispo de Tegucigalpa, Cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, quando o purpurado inaugurou uma igreja na colônia Oscar A. Flores.
A condenação desse ato violento foi imediata por parte de vários setores da sociedade. (MJ)
MÉXICO: VOZ DA IGREJA NO ENCONTRO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS
◊ Cancún, 30 nov (RV) - Teve início ontem, em Cancún, no México, a Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. O encontro, que se realiza anualmente, encontra-se em sua 16a edição, e pretende alcançar um consenso amplo entre os países para reduzir o consumo energético de combustíveis que afetam o clima global.
O aquecimento global está aumentando e o objetivo é reduzir até 2020 a temperatura de um grau e meio, obtendo perspectivas melhores para o futuro do Planeta.
A Arquidiocese de Cidade do México participa do encontro. "A Igreja está presente através da Caritas, organização presente em 165 países, que apresentará a atuação da obra social da Igreja Católica na ajuda às pessoas vítimas de catástrofes naturais e no desenvolvimento de melhores hábitos de consumo, para evitar este problema que é de todos" – frisa uma nota da arquidiocese.
Durante a reunião, a Caritas pedirá os governos de todo o mundo para que se comprometam em duas questões de importância vital: o financiamento para proteger as comunidades mais vulneráveis, vítimas das mudanças climáticas; e alcançar um justo acordo, ambicioso e vinculante, constituído sobre o Protocolo de Kioto, documento que exige que os países reduzam as emissões dos gases que contribuem para o agravamento do chamado "efeito estufa".
"Não se pode esquecer que a questão do meio ambiente é um problema social, e por este motivo deve-se distinguir a preocupação do homem com a natureza e a luta dos movimentos contra as mudanças climáticas, dos interesses de grupos políticos e econômicos" - ressalta o documento preparado pela Igreja intitulado "Mudanças climáticas, à luz da Caritas in veritate e da Doutrina Social da Igreja".
A nota da arquidiocese se conclui, lembrando a participação no encontro de pessoas e instituições que buscam apenas a fama e a visibilidade internacional, cuja presença se baseia em compromissos jamais cumpridos, sem nenhum engajamento real com a causa ecológica. (MJ)
Igreja no Mundo
IRAQUE: CRISTÃOS NÃO ACREDITAM NAS AÇÕES DO GOVERNO
◊ Bagdá, 30 nov (RV) - “Somente mentiras, operações de fachada” para fazer crer aos cidadãos e à comunidade internacional que o novo governo do Iraque está trabalhando para garantir a segurança das comunidades religiosas minoritárias, enquanto as pessoas ainda são obrigadas a emigrar por falta de segurança. De Bagdá a Mosul, essa é a reação da comunidade cristã, à prisão de uma dezena de terroristas responsáveis pelo ataque à igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ocorrido na capital em 31 de outubro.
No último dia 27 de novembro – refere a agência de notícias AsiaNews - foi oficializada a captura pelas forças de segurança iraquianas de um líder de Al-Qaeda e onze de seus homens, envolvidos em vários ataques na capital. Trata-se de Hudhaifa al-Battawi, comandante militar de al-Qaeda em Mansour, no oeste de Bagdá. A notícia foi dada pela televisão estatal Iraqiya. A operação, destacou a emissora, foi realizada no dia 24 de novembro, embora tenha sido revelada somente três dias depois.
Os 12 presos confessaram a sua responsabilidade por uma série de ataques, incluindo a tomada de reféns na igreja de Bagdá, que terminou com a morte de 57 pessoas. Entre outros ataques atribuídos ao grupo estão os do mês passado, contra o Banco Central, os escritórios da TV via satélite, Al-Arabiya e contra algumas joalherias. Na operação também foram descobertos quatro edifícios nos quais se preparavam carros-bombas, minas terrestres e coletes explosivos, e foram apreendidos seis toneladas de explosivos e alguns barris de substâncias tóxicas.
A notícia, no entanto, não tranquilizou a comunidade cristã, que há tempo pede proteção e justiça ao governo central. “Trata-se de uma farsa; tinham dito que os terroristas foram todos mortos durante a ação para libertar os reféns na igreja!”, comentam alguns cristãos emigrados da capital, depois da última escalada de violência contra a comunidade minoritária. Enquanto isso continua aumentando o número de famílias que, após as explosões que tiveram como alvo as suas casas em bairros habitados por cristãos, e as ameaça de Al-Qaeda de eliminar cristãos do Iraque, se refugiam no norte do país. São já 85 as famílias que chegaram da capital a Sulaimaniya, cifra que duplicou em apenas uma semana. (SP)
JOVENS DE TAIZÉ SE REUNIRÃO EM ROTERDÃ
◊ Roterdã, 30 nov (RV) - Depois de Poznan, Bruxelas, Genebra, Zagreb, Milão, Lisboa, Hamburgo, Budapeste, Paris, este ano o 33º encontro europeu de jovens organizado pela comunidade de Taizé, terá lugar de 28 de dezembro de 2010 a 1º de janeiro 2011 em Roterdã, Holanda, a convite da Conferência dos Bispos dos Países Baixos, do Conselho Geral da Igreja Protestante holandesa (PKN) e do Conselho das Igrejas dos Países Baixos. Cerca de 30 mil jovens de todos os continentes são esperados em Roterdã.
A agência de notícias Sir anunciou que com esta nova etapa da peregrinação de confiança sobre a terra, a comunidade de Taizé continua o caminho, que o seu fundador, o irmão Roger, iniciou, para apoiar os jovens em busca de reconciliação e de paz, não só entre os cristãos, mas também entre os povos. Portanto, o encontro de Roterdã vai se realizar ao redor do pensamento de Erasmo, que pode ser considerado o “precursor da Europa de hoje”.
Os jovens serão acolhidos pelas comunidades e pelas famílias de toda a região, de Breda, a Haia, de Gouda a Hoek van Holland. Passarão todas as manhãs nas 150 igrejas de acolhida e na parte da tarde se transferirão para o parque de exposição da cidade (Ahoy), para a oração comum. Os temas serão inspirados na “Carta do Chile”, que o irmão Alois, prior de Taizé, escreverá depois da reunião latino-americana, animada pela comunidade de Taizé, em Santiago, Chile, entre os dias 8 e 12 de dezembro. (SP)
BISPOS DOS EUA COMEMORAM RESOLUÇÃO EM FAVOR DAS MINORIAS CRISTÃS
◊ Washington, 30 nov (RV) – Os bispos dos Estados Unidos receberam com alegria a Resolução 1725 da Câmara dos Representantes. Essa resolução condena os recentes ataques contra as minorias cristãs no Iraque e pede à administração do país que colabore com o governo iraquiano para proteger as minorias que lá vivem.
"A nossa Conferência Episcopal saúda, com fervor, essa resolução, que servirá para chamar a atenção sobre a situação das comunidades religiosas vulneráveis no Iraque", declararam em carta.
Os bispos apóiam especialmente uma idéia desenvolvida na Resolução, segundo a qual propõe-se a ampliação das garantias de segurança e de representação das minorias religiosas no governo do Iraque.
A Conferência Episcopal afirmou ainda compartilhar do pedido de garantia de nova acomodação para os refugiados iraquianos e o seu retorno seguro à pátria.
A carta dos bispos estadunidenses termina com o auspício de que a resolução, apresentada em 18 de novembro, seja aprovada o quanto antes. "A nossa esperança é de que ela possa contribuir com o objetivo geral de se chegar a uma transição responsável de governo, a qual permita reduzir a perda de vidas humanas e a crise dos refugiados no Iraque", concluem. (ED)
APELO DOS BISPOS CALDEUS CONTRA VIOLÊNCIA NO IRAQUE
◊ Bagdá, 30 nov (RV) - Os bispos caldeus do Iraque fizeram um apelo às autoridades religiosas muçulmanas para que condenem publicamente as violências perpetradas contra as minorias religiosas do país.
Tal pedido emergiu na reunião dos prelados, realizada recentemente, em Erbil, coordenada pelo Arcebispo de Kirkuk, Dom Louis Sako. Numa mensagem, publicada pelo jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano, os bispos pedem aos líderes muçulmanos para que ajudem a esclarecer que as violências perpetradas contra os cristãos são ilegítimas e contrárias aos princípios da religião islâmica.
Segundo a mensagem, depois do ataque perpetrado contra a catedral sírio-católica de Bagdá, em 31 de outubro passado, mais de sessenta famílias cristãs fugiram da capital e se refugiaram em Suleimaniya, enquanto outras oitenta foram para Erbil e outras ainda para os povoados cristãos situados na planície de Nínive.
O encontro dos bispos, segundo o site Baghdadhope, não contou com a presença do Patriarca de Babilônia dos Caldeus, Cardeal Emmanuel III Delly, que ficou em Bagdá por causa da difícil situação.
Os prelados evidenciam na mensagem a importância de salvaguardar e consolidar a histórica presença dos cristãos no Iraque. Neste contexto, os bispos pedem aos cristãos bem de vida, que vivem fora do país, para que invistam na região a fim de criar emprego para seus irmãos iraquianos. (MJ)
Atualidades
SUIÇA: DECIDIDA A EXPULSÃO DE CRIMINOSOS
◊ Berna, 30 nov (RV) - Serão expulsos da Suíça os estrangeiros que cometem crimes, após a vitória, domingo, do “sim” à proposta de referendo que recebeu a aprovação de 52,9%, dos votantes, com um índice de afluência às urnas de 53% da população. “A Suíça deve continuar a ser um país de direito confiável, onde os direitos do homem constituem o foco central de qualquer ação do Estado”: dessa maneira reagiram a Federação das Igrejas Protestantes (FEPs) e a Conferência dos Bispos Católicos da Suíça, após a aprovação da proposta apresentada pela União de Centro Democrática (UDC / SVP). A mesma teve a oposição do governo e da maioria do parlamento suíço, que apresentou uma contra-proposta, rejeitada nas urnas.
O “sim” - que ganhou em 17 dos 26 cantões, os de maioria de língua alemã, mais o Ticino e o Vallese - estabelece a retirada do direito de permanência no país a todos os estrangeiros condenados com sentença, e reconhecidos culpados, por crimes graves, como assalto, homicídio, roubo, estupro, tráfico de seres humanos, e outros crimes violentos, bem como fraude contra a assistência social.
A proibição de ultrapassar as fronteiras da Suíça varia de 5 a 15 anos, até 20 para reincidentes. Cabe agora ao Parlamento a promulgar a lei para que a mesma seja aplicada. Por isso o novo ministro suíço da Justiça, a socialista Simonetta Sommaruga, anunciou que o quanto antes será formado um grupo de trabalho, assegurando que o governo suíço “vai esforçar-se por respeitar a Constituição, os direitos humanos e a tradição legislativa da Suíça”.
De acordo com Sommaruga, o “sim” do referendo “reflete os temores da população que devem ser levados a sério”. Mas, “além de reprimir, se trata também de dar ênfase à política de integração”, dado que - sublinhou – “os estrangeiros', na grande maioria, não são criminosos e são bem integrados” e a sua contribuição social e econômica é muito importante.
“É um dia sombrio para os direitos humanos na Suíça” e um “péssimo sinal aos países vizinhos”: esse o comentário amargo de Anistia Internacional. As Igrejas protestantes e a Igreja Católica, em seguida, lançaram um apelo às autoridades federais e dos cantões para que a aplicação da lei seja compatível com os direitos humanos, com o direito internacional e com a Constituição Federal. “Cada caso, de modo individual - escrevem em uma nota - deve ser cuidadosamente examinado”; se a pessoa, de fato, é ameaçada de perseguição, tortura ou outras violações dos direitos humanos no país de destinação, não pode ser expulsa. (SP)
PAQUISTÃO: CASO ASIA BIBI
◊ Lahore, 30 nov (RV) - Um tribunal paquistanês proibiu ontem, segunda-feira, o Presidente do país, Asif Ali Zardari, de dar o indulto de perdão a Asia Bibi, a mulher cristã condenada à morte por blasfêmia porque o caso ainda não foi transformado em apelação. Asia Bibi, de 45 anos e mãe quatro filhos, pediu seu indulto ao presidente depois de que um tribunal de primeira instância a condenasse à morte no último 8 de novembro. O Tribunal Superior de Lahore proibiu o Presidente Zardari de perdoar a mulher em base a um recurso apresentado por Shahid Iqbal, um cidadão paquistanês.
Segundo o advogado do cidadão, o indulto não seria legal já que o tribunal está estudando uma apelação contra a sentença emitida contra Bibi. “Nós acreditamos que seja uma obrigação do tribunal avaliar devidamente as provas contra a mulher, não das pessoas, e se a considera inocente, então deveria ser liberada” indicou o mesmo advogado.
Os grupos de defesa dos Direitos humanos solicitaram que a lei sobre a blasfêmia seja revogada, pois consideram que a mesma discrimina as minorias religiosas que compõem em torno de 4% dos 170 milhões de habitantes do país.
Na semana passada, um ministro indicara em um relatório preliminar sobre o caso, que a mulher não tinha cometido blasfêmia, mas que havia sido acusada injustamente depois de uma disputa. As condenações por blasfêmia são frequentes embora as penas de morte nunca chegaram a ser aplicadas. Em sua maioria, as condenações são revogadas em apelação, mas em algumas ocasiões grupos extremistas acabaram com a vida de pessoas acusadas de blasfêmia. (SP)
ULAN BATOR ADERE AO EVENTO CIDADE PELA VIDA, DA COMUNIDADE DE SANTO EGÍDIO
◊ Ulan Bator, 30 nov (RV) - A capital da Mongólia, Ulan Bator, adere pela primeira vez à iniciativa "Cidade pela Vida, Cidade contra a Pena de Morte", grande manifestação promovida pela Comunidade Romana de Santo Egídio contra a pena capital, que se realiza nesta terça-feira, em mais de 1.300 cidades do mundo.
Além de Ulan Bator, a cidade de Bíshkek, no Quirguistão, voltou a participar do evento após três anos da proibição do Governo. A Mongólia está também entre os 107 países que aprovaram a moratória universal da ONU contra a pena capital, durante a 65a Assembleia Geral das Nações Unidas. Em janeiro deste ano, a Mongólia proclamou uma moratória unilateral das condenações e execuções. Agora, um projeto de lei que prevê a abolição da pena capital pelo Código Penal está sendo examinado pelo Parlamento.
Dentre as cidades asiáticas mobilizadas no projeto "Cidade pela Vida, Cidade contra a Pena de Morte", estão também Lahore, no Paquistão, Jacarta, na Indonésia, e Dushanbe, no Tadjiquistão. A iniciativa pede às cidades que participam do evento para que promovam um gesto visível aos cidadãos e ao mundo, como demonstração de seu compromisso concreto para a sensibilização da sociedade civil.
Em muitas capitais do mundo, realizam-se manifestações, espetáculos, assembleias públicas em escolas e universidades. Muitas cidades disponibilizam seu monumento principal como local vivo, iluminando-o e usando-o como palco de projeções que ressaltam o empenho e o diálogo com os cidadãos por um mundo sem pena de morte.
A prima edição do Dia Mundial da "Cidade pela Vida, Cidade contra a Pena de Morte" foi lançada pela Comunidade de Santo Egídio em 30 de novembro de 2002 e contou com a participação de cerca de 80 cidades. Hoje, aderem mais de 1.300 cidades em mais de 85 países no mundo, entre as quais 64 capitais, nos cinco continentes. (MJ)
© Rádio Vaticano 2010
BENTO XVI A BARTOLOMEU I: NECESSIDADE DE TESTEMUNHO COMUM DOS CRISTÃOS AOS HOMENS DE HOJE
◊ Cidade do Vaticano, 30 nov (RV) - Progredir no caminho em direção da plena comunhão: é a exortação expressa por Bento XVI numa mensagem ao Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I, por ocasião da festa de Santo André Apóstolo – padroeiro do Patriarcado Ecumênico - celebrado nesta terça-feira.
O documento foi entregue a Bartolomeu I pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, que se encontra em Istambul, na Turquia, à frente de uma Delegação vaticana para a Festa de Santo André.
A festa de Santo André representa "um forte convite a renovar a própria fidelidade ao ensinamento dos Apóstolos e a tornar-se incansáveis anunciadores da fé em Cristo, com a palavra e o testemunho da vida" – escreve o Papa.
Neste nosso tempo – observa Bento XVI – "tal convite é mais do que nunca urgente e interpela todos os cristãos". De fato, num mundo marcado por "uma crescente interdependência e solidariedade" – prossegue - "somos chamados a proclamar com renovada convicção a verdade do Evangelho e a apresentar o Senhor Ressuscitado como a resposta às mais profundas interrogações e aspirações espirituais dos homens e das mulheres de hoje".
Para se poder ter bom êxito nessa "grande tarefa" – lê-se na mensagem – "devemos continuar progredindo no caminho em direção da plena comunhão, mostrando já ter unido os nossos esforços por um comum testemunho do Evangelho diante dos homens do nosso tempo".
Por essa razão, o Papa expressa a sua sincera gratidão ao Patriarca Ecumênico pela hospitalidade oferecida em outubro passado na ilha de Rodes – Grécia – aos delegados das Conferências Episcopais da Europa no II Fórum católico-ortodoxo sobre o tema "Relações Igreja – Estado: perspectivas teológicas e históricas".
Por fim, Bento XVI assegura seguir com "com atenção" os "sábios esforços" de Bartolomeu I "em favor do bem da Ortodoxia e da promoção dos valores cristãos em muitos contextos internacionais".
De fato, o Cardeal Kurt Koch encontra-se em Istambul, junto com a Delegação da Santa Sé para a Festa do Patriarcado Ecumênico. A visita se dá no quadro do intercâmbio de delegações por ocasião das respectivas festas dos santos padroeiros: 29 de junho, a Roma, na celebração dos Santos Pedro e Paulo; e, justamente, 30 de novembro, a Istambul, na celebração de Santo André.
Entre os momentos fortes da manhã desta terça-feira, destacam-se a solene Divina Liturgia presidida por Bartolomeu I na Igreja do Fanar – sede do Patriarcado – e o encontro da Delegação vaticana com o Patriarca e com a Comissão sinodal encarregada das relações com a Igreja Católica. (RL)
SANTA SÉ PARTICIPA DO ENCONTRO DA OSCE
◊ Cidade do Vaticano, 30 nov (RV) - O Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, participará, liderando uma delegação do Vaticano da reunião de cúpula da OSCE, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, que será realizada no próximo dia 2 de dezembro em Astana, no Cazaquistão.
A Santa Sé é um membro a pleno direito desta organização, da qual participam 56 países. Fazem parte da delegação do Vaticano o Secretário para as Relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti, o Núncio Apostólico no Cazaquistão, Dom Miguel Maury Buendía, e o Representante Permanente da Santa Sé junto à OSCE, Dom Michael W. Banach. Após a reunião de cúpula, nos dias 3 e 4 de dezembro, o Cardeal Bertone fará uma visita pastoral ao Cazaquistão, na qual será acompanhado por Dom Mamberti. (SP)
O AFETO DO PAPA NA MENSAGEM PARA EXÉQUIAS DA LEIGA CONSAGRADA CAMAGNI: AGORA ESTÁ NOS BRAÇOS DE DEUS
◊ Cidade do Vaticano, 30 nov (RV) - "Onde quer que possamos cair, caímos em suas mãos. Justamente lá, onde ninguém pode acompanhar-nos, nos espera Deus: nossa Vida." Encontramos a fé e a ternura do Papa nessas palavras contidas na conclusão da Mensagem escrita para as exéquias de Manuela Camagni, a leiga consagrada de 56 anos pertencente à Comunidade das "Memores Domini" – que presta seu serviço no apartamento pontifício – falecida no dia 23 do corrente, vítima de atropelamento no centro de Roma.
O funeral foi celebrado nesta segunda-feira em sua terra natal, "San Piero in Bagno", na região Emilia-Romagna – norte da Itália – com a participação do Secretário particular de Bento XVI, Mons. Georg Gänswein.
"Gostaria muito de ter podido presidir às exéquias da cara Manuela Camagni, mas – como podem imaginar – não me foi possível." Inicia-se assim o que parece ser uma longa carta de adeus, eivada pela consolação que somente a fé em Cristo pode dar ao coração de quem perdeu uma cara pessoa.
E certamente Manuela Camagni era cara a Bento XVI, que fala de seu contato diário, nos cinco anos de Pontificado, com a leiga consagrada que há tempos prestava seus serviços no apartamento pontifício.
"A Divina Providência levou-a a um serviço discreto, mas precioso, na casa do Papa – escreve Bento XVI. Ela estava contente por isso, e participava com alegria dos momentos de família: da santa missa da manhã, das Vésperas, das refeições em comum e das várias e significativas atividades da casa."
"A separação dela, tão surpreendente, e também do modo como se deu – ressalta o pontífice – causou-nos uma grande dor que somente a fé pode consolar. Conforta-me pensar nas palavras que são o nome da sua comunidade: "Memores Domini".
E "me dá paz pensar que Manuela era uma Memor Domini, uma pessoa que vive na memória do Senhor" – afirma o Santo Padre. Essa relação com Ele "é mais profunda do que o abismo da morte. É uma união que nada e ninguém pode romper".
O Papa quase joga com as palavras da Comunidade à qual pertencia Camagni para revelar outra verdade profunda: "Nós somos Memores Domini porque Cristo é Memor nostri, nos recorda com o amor de um Pai, de um Irmão, de um Amigo, inclusive no momento da morte."
Embora, por vezes, possa parecer que naquele momento Ele esteja ausente, que se esqueça de nós, na realidade nós estamos sempre presentes para Ele, estamos em seu coração.
De fato, "onde quer possamos cair – conclui Bento XVI – caímos em suas mãos. Justamente lá, onde ninguém pode acompanhar-nos, nos espera Deus: a nossa vida". (RL)
HOMILIA DO PAPA NAS VÉSPERAS DO I DOMINGO DO ADVENTO
◊ Cidade do Vaticano, 27 nov (RV) - Segue a homilia do Papa na celebração das Primeiras Vésperas do I Domingo do Advento.
Queridos irmãos e irmãs,
Com esta celebração vespertina, o Senhor nos dá a graça e a alegria de abrir o novo Ano Litúrgico iniciando da sua primeira etapa: o Advento, o período que faz memória davinda de Deus entre nós. Cada início trás consigo uma graça particular, porque bendiz ao Senhor.
Neste Advento nos será dado, mais uma vez, fazer experiência da proximidade Daquele que criou o mundo, que conduz a história e que cuida de nós chegando até a se fazer um de nós. Este mistério grande e fascinante do Deus conosco, também de Deus que se faz um de nós, celebraremos nas próximas semanas caminhando para o santo Natal. Durante o tempo do Advento sentiremos a Igreja que nos toma pela mão e, qual imagem de Maria Santíssima, expressa sua maternidade fazendo-nos experimentar a espera alegre da vinda do Senhor, que a todos nós envolve com seu amor que salva e consola.
Enquanto os nossos corações se propendem para a celebração anual do nascimento de Cristo, a liturgia da Igreja orienta o nosso olhar para a meta definitiva: ao encontro com o Senhor que virá no esplendor da glória. Por isso nós que, em cada Eucaristia, “anunciamos sua morte, proclamando sua ressurreição na espera de sua vinda”, vigiamos em oração. A liturgia não para de nos encorajar e de nos sustentar, colocando em nossos lábios, nos dias do Advento, o grito com o qual se fecha totalmente a Sagrada Escritura, na última página do Apocalipse de São João: “Vinde, Senhor Jesus!”(22, 20).
Queridos irmãos e irmãs, o nosso reunir nesta tarde para iniciar a caminhada do Advento se enriquece de um outro motivo importante: com toda a Igreja, queremos celebrar solenemente uma vigília pela vida nascente. Desejo exprimir meu agradecimento a todos aqueles que aderiram e àqueles que se dedicam de modo específico no acolhimento e proteção da vida humana nas diversas situações de fragilidade, particularmente em seu início e em seus primeiros passos.
É próprio do início do Ano Litúrgico nos fazer viver novamente a espera de Deus que se faz carne no ventre da Virgem Maria, de Deus que se faz pequeno, se torna criança; nos fala da vinda de um Deus próximo, que quis vivenciar a vida do homem, do início ao fim, para salvá-lo totalmente, plenamente. E assim o mistério da Encarnação do Senhor e o início da vida humana são intimamente e harmonicamente coligados entre eles dentro do único desejo salvífico de Deus, Senhor da vida de todos e de cada um. A Encarnação nos revela com intensa luz e de modo surpreendente que cada vida humana tem uma dignidade altíssima, incomparável.
O homem apresenta uma originalidade inconfundível em relação a todos os outros seres viventes que povoam a terra. Apresenta-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e vontade livre, também composto de realidade material. Vive simultaneamente e inseparavelmente na dimensão espiritual e na dimensão corpórea. Isso também é sugerido pelo texto da Primeira Leitura da Carta aos Tessalonicenses que foi proclamada: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que o vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo,” (5, 23). Sejamos pois espírito, alma e corpo. Sejamos parte de nosso mundo, entregues à possibilidade e aos limites da condição material; ao mesmo tempo sejamos abertos sob um horizonte infinito, capaz de dialogar com Deus e tender a Ele, verdade, bondade e beleza absoluta. Saboreamos fragmentos de vida e de felicidade e anelamos à plenitude total;
Deus nos ama de modo profundo, total, sem distinção; nos chama à amizade com Ele; nos faz participantes de uma realidade acima de qualquer imaginação e de cada pensamento e palavra: a sua mesma vida divina. Com comoção e gratidão tomemos consciência do valor, da dignidade incomparável de cada pessoa humana e da grande responsabilidade que temos para com todos. “ Cristo, que é o novo Adão – afirma o Concílio Vaticano II, na mesma revelação do mistério do Pai e de seu amor, manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre sua altíssima vocação... Com sua encarnação o Filho de Deus se uniu de certo modo a cada homem” (Const. Gaudiu et Spes, 22).
Acreditar em Jesus Cristo comporta também ter um olhar novo sobre o homem, um olhar de confiança, de esperança. Além disso, a própria experiência e a reta razão mostram que o ser humano é um sujeito capaz de entender, de querer, autoconsciente e livre, único e insubstituível, ápice de todas as realidades terrenas, que deve ser reconhecido como um valor em si mesmo e merece ser sempre acolhido com respeito e amor. Ele tem o direito de não ser tratado como um objeto a ser possuído ou como algo que você pode manipular como quer, de não ser reduzido a um mero instrumento para o benefício de outros e de seus interesses. A pessoa é um bem em si mesmo e é necessário procurar sempre o seu desenvolvimento integral. O Amor pelo próximo, se é sincero, tende naturalmente a ter uma atenção preferencial pelos mais fracos e mais pobres. Nesta linha, se insere a solicitude da Igreja pela vida do nascituro, a mais frágil, a mais ameaçada pelo egoísmo dos adultos e pela escuridão da consciência. A Igreja continuamente reitera o que declarou o Concílio Vaticano II contra o aborto e todas as violações contra a vida dos nascituros: “A vida uma vez concebida deve ser protegida com o máximo cuidado” (ibid., n. 51).
Há tendências culturais que buscam anestesiar as consciências com subterfúgios. No que diz respeito ao embrião no útero materno, a ciência mesma coloca em vidência a autonomia capaz de interação com a mãe, a coordenação dos processos biológicos, a continuidade do desenvolvimento, a crescente complexidade do organismo. Não se trata de um acúmulo de material biológico, mas de um novo ser, dinâmico e maravilhosamente ordenado, um novo indivíduo da espécie humana. Assim foi Jesus no ventre de Maria; assim foi para cada um de nós no ventre da mãe. Com o antigo escritor cristão Tertuliano, podemos afirmar: “É já um homem aquele que o será” (Apologia, IX, 8); não há razão para não considerá-lo pessoa desde a sua concepção.
Infelizmente, mesmo após o nascimento, a vida das crianças continua a ser exposta ao abandono, à fome, à miséria, à doença, aos abusos, à violência, à exploração. As muitas violações dos seus direitos que são cometidas no mundo ferem gravemente a consciência de cada homem de boa vontade. Diante do triste panorama de injustiças cometidas contra a vida do homem, antes e após o nascimento, faço meu o apaixonado apelo do Papa João Paulo II à responsabilidade de todos e de cada um: “Respeite, proteja, ame e sirva a vida, cada vida humana! Somente nesta estrada você poderá encontrar justiça, desenvolvimento, liberdade verdadeira, paz e felicidade” (Encíclica Evangelium vitae, 5). Exorto os protagonistas da política, da economia, das comunicações sociais a fazerem tudo que está ao seu alcance para promover uma cultura que respeite sempre a vida humana, que proporcione condições favoráveis e redes de apoio ao acolhimento e ao desenvolvimento da mesma.
À Virgem Maria, que acolheu o Filho de Deus feito homem com a sua fé, com o seu ventre materno, com carinho, com o acompanhamento solidário e vibrante de amor, confiamos a oração e o compromisso em favor da vida nascente. Nós o fazemos na liturgia - que é o lugar onde vivemos a verdade e onde a verdade vive conosco - adorando a divina Eucaristia, na qual contemplamos o Corpo de Cristo, o Corpo que se encarnou em Maria por obra do Espírito Santo, e dela nasceu em Belém para a nossa salvação. Ave verum Corpus, natum de Maria Virgine!
A FACE FEMININA DAS MIGRAÇÕES
◊ Saly, 30 nov (RV) - Dois milhões de mulheres vítimas de abusos, na maior parte das vezes gravemente, porque são obrigadas a emigrar dos seus países de origem. O presidente do Pontifício Conselho da Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, Arcebispo Antonio Maria Vegliò, disse que se trata de uma massa "invisível" de pessoas, que invocam formas de tutela.
A declaração de Dom Vegliò foi feita hoje, no âmbito da abertura de um simpósio em Saly, Senegal, intitulado "A Face Feminina das Migrações", organizado pela Caritas Internacional, e que será desenvolvido nessa localidade africana até o dia 2 de dezembro.
A emigração e a imigração não são fenômenos exclusivamente masculinos. E essa afirmação, na verdade, é menos óbvia do que possa parecer. Dom Vegliò foi claro nas suas declarações a esse respeito. Segundo ele, "em nenhuma parte do mundo existem leis em matéria de maternidade que levem em consideração o fato de que cada mulher migrante tem uma maneira própria de lidar com as diversas realidades". Falando em nome da Igreja, ele disse que "os governos devem rever suas políticas e as regras que comprometem a tutela dos direitos fundamentais das mulheres, como a luta contra os abusos sexuais e os abusos no trabalho, o acesso ao sistema de saúde pública, moradia, nacionalidade e assistência às jovens mães.
O representante vaticano deu dados de que há países nos quais a emigração feminina superou a masculina e de que, no entanto, somente 42 países ratificaram a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e dos Membros de suas Famílias.
Dom Vegliò ressaltou que as mulheres imigrantes conseguem trabalho geralmente no âmbito doméstico, porém, muitas vezes, trabalham na ilegalidade, têm seus direitos desrespeitados e estão vulneráveis a todos os tipos de abuso.
O prelado lembrou ainda, aos participantes do simpósio, que 4 milhões de mulheres no mundo – a metade delas menores de idade – fazem parte do mercado da prostituição, o qual movimenta 12 bilhões de dólares por ano. "Isso coloca a prostituição – disse ele – como a terceira atividade ilegal mais rentável do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de armas e do tráfico de drogas".
Encerrando, Dom Vegliò afirmou que a Igreja Católica vai continuar seu trabalho de acolhimento dos migrantes, mobilizando-se também para que a legislação sobre liberdade religiosa seja reformada com espírito de justiça e respeito mútuo. "A insuficiente possibilidade concreta de participação social, política e cultural que a sociedade civil oferece hoje às mulheres repercute também nas comunidades cristãs, chamadas, por isso, a valorizar, em primeiro lugar, os valores de referência, a vivência cotidiana e a cultura da mulher imigrante. (ED)
Igreja no Brasil
CARDEAL ARNS COMEMORA 65 ANOS DE SACERDÓCIO
◊ São Paulo, 30 nov (RV) - A Catedral da Sé, em São Paulo, ficou lotada no último sábado, dia 27, para a missa dos 65 anos de ordenação sacerdotal do arcebispo emérito de São Paulo, Cardeal Paulo Evaristo Arns. A cerimônia foi presidida pelo Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, concelebrada por 25 bispos e mais de uma centena de sacerdotes.
Segundo informações divulgadas pela CNBB, o Papa Bento XVI enviou uma mensagem de congratulação ao cardeal brasileiro e destacou os 28 anos em que Dom Paulo esteve à frente da Arquidiocese. O Papa manifestou “gratidão eclesial pela sua vida de doação com Cristo à humanidade e com votos de poder consumá-la até ao fim na alegria, serenidade e confiança do Amor divino”.
“Quero expressar a alegria de toda a nossa Arquidiocese pelo dom de sua vida”, disse Dom Odilo ao saudar o cardeal Arns. Dom Odilo também presenteou o cardeal Arns com uma imagem do apóstolo São Paulo.
Na ocasião Dom Paulo agradeceu pela homenagem e também relembrou os primeiros 20 anos de ministério na Ordem dos Frades Menores (franciscanos), à qual pertence, recordando que “o padre deve conduzir os cristãos para a verdadeira meta, que é o encontro com Cristo, com o irmão, com o amor que não acaba”.
Aos 89 anos, dom Paulo relatou que celebra a missa todas as manhãs, lê dois jornais por dia e, semanalmente, responde às diversas correspondências que recebe. (SP-CNBB)
SÃO PAULO: BISPOS SE UNEM EM DEFESA DA VIDA
◊ São Paulo, 30 nov (RV) - As Dioceses de Taubaté, Lorena, Caraguatatuba e Guarulhos, todas localizadas no Estado de São Paulo, se uniram no último sábado, na missa solene celebrada na Catedral de Taubaté, para começarem um projeto de iniciativa popular com o objetivo de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição do Estado de São Paulo que garanta a inviolabilidade da vida humana desde a concepção até a morte natural.
Segundo o coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida, de Taubaté, Hermes Nery, as dioceses pretendem recolher pelo menos trezentas mil assinaturas, que representam 1% do eleitorado do Estado de São Paulo, para viabilizar o projeto. As lideranças religiosas da região temem que o Congresso Nacional aprove a proposta de descriminalização do aborto.
"A Constituição Federal já declara que a vida não pode ser violada, mas não deixa claro desde quando. Queremos explicitar na Constituição Estadual que a vida começa na fecundação e segue até a morte natural. Queremos tornar São Paulo o primeiro Estado da Federação com uma lei que proteja a vida humana de forma integral" – sublinhou Nery.
"Acho importante esta iniciativa, tendo em vista que todas as pesquisas indicam que o povo brasileiro é pela vida e, portanto, contra o aborto, pela proteção da vida humana, desde a concepção", frisou o bispo de Taubaté Dom Carmo João Rhoden. (MJ)
COMINA DISCUTE TRABALHO MISSIONÁRIO NO HAITI
◊ Brasília, 30 nov (RV) - O Conselho Missionário Nacional (Comina) esteve reunido, nesta segunda-feira, 29, em Brasília, para discutir seus projetos e ações, especialmente o trabalho missionário iniciado este ano no Haiti.
“O Comina é o órgão articulador da dimensão missionária e reúne as grandes forças missionárias da Igreja no Brasil que são a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). "O órgão ajuda na reflexão missionária e também na resposta aos desafios missionários”, explicou o presidente do Conselho e bispo da prelazia de Tefé (AM), Dom Sérgio Castriani.
Para Dom Sérgio, “a Missão Continental no Brasil não é tanto de eventos, mas é a animação missionária de toda a Igreja no Brasil com gestos como Congressos, o projeto Um milhão de Bíblias, Missões Populares”.
O prelado falou ainda sobre o trabalho missionário na Amazônia, região na qual, segundo ele, é cada vez mais visível o esforço da CNBB no sentido de assumi-la como responsabilidade da Igreja no Brasil.
“É preciso se preocupar com a Amazônia das periferias e das fronteiras, onde estão os desafios como a questão do narcotráfico, por exemplo. A tentação é ficar na Amazônia mais visível”, afirma ele. (CNBB/ED)
Igreja na América Latina
HONDURAS: IGREJA PREOCUPADA COM VIOLÊNCIA NO PAÍS
◊ Tegucigalpa, 30 nov (RV) - A Igreja Católica em Honduras está preocupada com o clima de violência que assola o país e convidou a população a abandonar toda forma de agressão.
O bispo auxiliar de Tegucigalpa, Dom Juan José Pineda Fasquelle, fez uma listas das ações consideradas violentas e que devem ser desarraigadas através da paz, fraternidade, comunhão, respeito e zelo pela dignidade da pessoa humana.
"Existem muitas armas e formas também de agredir o irmão, não somente com o fuzil, cassetete ou granada. Existem, infelizmente, muitas formas de agredir e matar" – frisou o prelado.
No início deste mês, algumas pessoas leais ao ex-presidente Manuel Zelaya, atacaram o Arcebispo de Tegucigalpa, Cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, quando o purpurado inaugurou uma igreja na colônia Oscar A. Flores.
A condenação desse ato violento foi imediata por parte de vários setores da sociedade. (MJ)
MÉXICO: VOZ DA IGREJA NO ENCONTRO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS
◊ Cancún, 30 nov (RV) - Teve início ontem, em Cancún, no México, a Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. O encontro, que se realiza anualmente, encontra-se em sua 16a edição, e pretende alcançar um consenso amplo entre os países para reduzir o consumo energético de combustíveis que afetam o clima global.
O aquecimento global está aumentando e o objetivo é reduzir até 2020 a temperatura de um grau e meio, obtendo perspectivas melhores para o futuro do Planeta.
A Arquidiocese de Cidade do México participa do encontro. "A Igreja está presente através da Caritas, organização presente em 165 países, que apresentará a atuação da obra social da Igreja Católica na ajuda às pessoas vítimas de catástrofes naturais e no desenvolvimento de melhores hábitos de consumo, para evitar este problema que é de todos" – frisa uma nota da arquidiocese.
Durante a reunião, a Caritas pedirá os governos de todo o mundo para que se comprometam em duas questões de importância vital: o financiamento para proteger as comunidades mais vulneráveis, vítimas das mudanças climáticas; e alcançar um justo acordo, ambicioso e vinculante, constituído sobre o Protocolo de Kioto, documento que exige que os países reduzam as emissões dos gases que contribuem para o agravamento do chamado "efeito estufa".
"Não se pode esquecer que a questão do meio ambiente é um problema social, e por este motivo deve-se distinguir a preocupação do homem com a natureza e a luta dos movimentos contra as mudanças climáticas, dos interesses de grupos políticos e econômicos" - ressalta o documento preparado pela Igreja intitulado "Mudanças climáticas, à luz da Caritas in veritate e da Doutrina Social da Igreja".
A nota da arquidiocese se conclui, lembrando a participação no encontro de pessoas e instituições que buscam apenas a fama e a visibilidade internacional, cuja presença se baseia em compromissos jamais cumpridos, sem nenhum engajamento real com a causa ecológica. (MJ)
Igreja no Mundo
IRAQUE: CRISTÃOS NÃO ACREDITAM NAS AÇÕES DO GOVERNO
◊ Bagdá, 30 nov (RV) - “Somente mentiras, operações de fachada” para fazer crer aos cidadãos e à comunidade internacional que o novo governo do Iraque está trabalhando para garantir a segurança das comunidades religiosas minoritárias, enquanto as pessoas ainda são obrigadas a emigrar por falta de segurança. De Bagdá a Mosul, essa é a reação da comunidade cristã, à prisão de uma dezena de terroristas responsáveis pelo ataque à igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ocorrido na capital em 31 de outubro.
No último dia 27 de novembro – refere a agência de notícias AsiaNews - foi oficializada a captura pelas forças de segurança iraquianas de um líder de Al-Qaeda e onze de seus homens, envolvidos em vários ataques na capital. Trata-se de Hudhaifa al-Battawi, comandante militar de al-Qaeda em Mansour, no oeste de Bagdá. A notícia foi dada pela televisão estatal Iraqiya. A operação, destacou a emissora, foi realizada no dia 24 de novembro, embora tenha sido revelada somente três dias depois.
Os 12 presos confessaram a sua responsabilidade por uma série de ataques, incluindo a tomada de reféns na igreja de Bagdá, que terminou com a morte de 57 pessoas. Entre outros ataques atribuídos ao grupo estão os do mês passado, contra o Banco Central, os escritórios da TV via satélite, Al-Arabiya e contra algumas joalherias. Na operação também foram descobertos quatro edifícios nos quais se preparavam carros-bombas, minas terrestres e coletes explosivos, e foram apreendidos seis toneladas de explosivos e alguns barris de substâncias tóxicas.
A notícia, no entanto, não tranquilizou a comunidade cristã, que há tempo pede proteção e justiça ao governo central. “Trata-se de uma farsa; tinham dito que os terroristas foram todos mortos durante a ação para libertar os reféns na igreja!”, comentam alguns cristãos emigrados da capital, depois da última escalada de violência contra a comunidade minoritária. Enquanto isso continua aumentando o número de famílias que, após as explosões que tiveram como alvo as suas casas em bairros habitados por cristãos, e as ameaça de Al-Qaeda de eliminar cristãos do Iraque, se refugiam no norte do país. São já 85 as famílias que chegaram da capital a Sulaimaniya, cifra que duplicou em apenas uma semana. (SP)
JOVENS DE TAIZÉ SE REUNIRÃO EM ROTERDÃ
◊ Roterdã, 30 nov (RV) - Depois de Poznan, Bruxelas, Genebra, Zagreb, Milão, Lisboa, Hamburgo, Budapeste, Paris, este ano o 33º encontro europeu de jovens organizado pela comunidade de Taizé, terá lugar de 28 de dezembro de 2010 a 1º de janeiro 2011 em Roterdã, Holanda, a convite da Conferência dos Bispos dos Países Baixos, do Conselho Geral da Igreja Protestante holandesa (PKN) e do Conselho das Igrejas dos Países Baixos. Cerca de 30 mil jovens de todos os continentes são esperados em Roterdã.
A agência de notícias Sir anunciou que com esta nova etapa da peregrinação de confiança sobre a terra, a comunidade de Taizé continua o caminho, que o seu fundador, o irmão Roger, iniciou, para apoiar os jovens em busca de reconciliação e de paz, não só entre os cristãos, mas também entre os povos. Portanto, o encontro de Roterdã vai se realizar ao redor do pensamento de Erasmo, que pode ser considerado o “precursor da Europa de hoje”.
Os jovens serão acolhidos pelas comunidades e pelas famílias de toda a região, de Breda, a Haia, de Gouda a Hoek van Holland. Passarão todas as manhãs nas 150 igrejas de acolhida e na parte da tarde se transferirão para o parque de exposição da cidade (Ahoy), para a oração comum. Os temas serão inspirados na “Carta do Chile”, que o irmão Alois, prior de Taizé, escreverá depois da reunião latino-americana, animada pela comunidade de Taizé, em Santiago, Chile, entre os dias 8 e 12 de dezembro. (SP)
BISPOS DOS EUA COMEMORAM RESOLUÇÃO EM FAVOR DAS MINORIAS CRISTÃS
◊ Washington, 30 nov (RV) – Os bispos dos Estados Unidos receberam com alegria a Resolução 1725 da Câmara dos Representantes. Essa resolução condena os recentes ataques contra as minorias cristãs no Iraque e pede à administração do país que colabore com o governo iraquiano para proteger as minorias que lá vivem.
"A nossa Conferência Episcopal saúda, com fervor, essa resolução, que servirá para chamar a atenção sobre a situação das comunidades religiosas vulneráveis no Iraque", declararam em carta.
Os bispos apóiam especialmente uma idéia desenvolvida na Resolução, segundo a qual propõe-se a ampliação das garantias de segurança e de representação das minorias religiosas no governo do Iraque.
A Conferência Episcopal afirmou ainda compartilhar do pedido de garantia de nova acomodação para os refugiados iraquianos e o seu retorno seguro à pátria.
A carta dos bispos estadunidenses termina com o auspício de que a resolução, apresentada em 18 de novembro, seja aprovada o quanto antes. "A nossa esperança é de que ela possa contribuir com o objetivo geral de se chegar a uma transição responsável de governo, a qual permita reduzir a perda de vidas humanas e a crise dos refugiados no Iraque", concluem. (ED)
APELO DOS BISPOS CALDEUS CONTRA VIOLÊNCIA NO IRAQUE
◊ Bagdá, 30 nov (RV) - Os bispos caldeus do Iraque fizeram um apelo às autoridades religiosas muçulmanas para que condenem publicamente as violências perpetradas contra as minorias religiosas do país.
Tal pedido emergiu na reunião dos prelados, realizada recentemente, em Erbil, coordenada pelo Arcebispo de Kirkuk, Dom Louis Sako. Numa mensagem, publicada pelo jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano, os bispos pedem aos líderes muçulmanos para que ajudem a esclarecer que as violências perpetradas contra os cristãos são ilegítimas e contrárias aos princípios da religião islâmica.
Segundo a mensagem, depois do ataque perpetrado contra a catedral sírio-católica de Bagdá, em 31 de outubro passado, mais de sessenta famílias cristãs fugiram da capital e se refugiaram em Suleimaniya, enquanto outras oitenta foram para Erbil e outras ainda para os povoados cristãos situados na planície de Nínive.
O encontro dos bispos, segundo o site Baghdadhope, não contou com a presença do Patriarca de Babilônia dos Caldeus, Cardeal Emmanuel III Delly, que ficou em Bagdá por causa da difícil situação.
Os prelados evidenciam na mensagem a importância de salvaguardar e consolidar a histórica presença dos cristãos no Iraque. Neste contexto, os bispos pedem aos cristãos bem de vida, que vivem fora do país, para que invistam na região a fim de criar emprego para seus irmãos iraquianos. (MJ)
Atualidades
SUIÇA: DECIDIDA A EXPULSÃO DE CRIMINOSOS
◊ Berna, 30 nov (RV) - Serão expulsos da Suíça os estrangeiros que cometem crimes, após a vitória, domingo, do “sim” à proposta de referendo que recebeu a aprovação de 52,9%, dos votantes, com um índice de afluência às urnas de 53% da população. “A Suíça deve continuar a ser um país de direito confiável, onde os direitos do homem constituem o foco central de qualquer ação do Estado”: dessa maneira reagiram a Federação das Igrejas Protestantes (FEPs) e a Conferência dos Bispos Católicos da Suíça, após a aprovação da proposta apresentada pela União de Centro Democrática (UDC / SVP). A mesma teve a oposição do governo e da maioria do parlamento suíço, que apresentou uma contra-proposta, rejeitada nas urnas.
O “sim” - que ganhou em 17 dos 26 cantões, os de maioria de língua alemã, mais o Ticino e o Vallese - estabelece a retirada do direito de permanência no país a todos os estrangeiros condenados com sentença, e reconhecidos culpados, por crimes graves, como assalto, homicídio, roubo, estupro, tráfico de seres humanos, e outros crimes violentos, bem como fraude contra a assistência social.
A proibição de ultrapassar as fronteiras da Suíça varia de 5 a 15 anos, até 20 para reincidentes. Cabe agora ao Parlamento a promulgar a lei para que a mesma seja aplicada. Por isso o novo ministro suíço da Justiça, a socialista Simonetta Sommaruga, anunciou que o quanto antes será formado um grupo de trabalho, assegurando que o governo suíço “vai esforçar-se por respeitar a Constituição, os direitos humanos e a tradição legislativa da Suíça”.
De acordo com Sommaruga, o “sim” do referendo “reflete os temores da população que devem ser levados a sério”. Mas, “além de reprimir, se trata também de dar ênfase à política de integração”, dado que - sublinhou – “os estrangeiros', na grande maioria, não são criminosos e são bem integrados” e a sua contribuição social e econômica é muito importante.
“É um dia sombrio para os direitos humanos na Suíça” e um “péssimo sinal aos países vizinhos”: esse o comentário amargo de Anistia Internacional. As Igrejas protestantes e a Igreja Católica, em seguida, lançaram um apelo às autoridades federais e dos cantões para que a aplicação da lei seja compatível com os direitos humanos, com o direito internacional e com a Constituição Federal. “Cada caso, de modo individual - escrevem em uma nota - deve ser cuidadosamente examinado”; se a pessoa, de fato, é ameaçada de perseguição, tortura ou outras violações dos direitos humanos no país de destinação, não pode ser expulsa. (SP)
PAQUISTÃO: CASO ASIA BIBI
◊ Lahore, 30 nov (RV) - Um tribunal paquistanês proibiu ontem, segunda-feira, o Presidente do país, Asif Ali Zardari, de dar o indulto de perdão a Asia Bibi, a mulher cristã condenada à morte por blasfêmia porque o caso ainda não foi transformado em apelação. Asia Bibi, de 45 anos e mãe quatro filhos, pediu seu indulto ao presidente depois de que um tribunal de primeira instância a condenasse à morte no último 8 de novembro. O Tribunal Superior de Lahore proibiu o Presidente Zardari de perdoar a mulher em base a um recurso apresentado por Shahid Iqbal, um cidadão paquistanês.
Segundo o advogado do cidadão, o indulto não seria legal já que o tribunal está estudando uma apelação contra a sentença emitida contra Bibi. “Nós acreditamos que seja uma obrigação do tribunal avaliar devidamente as provas contra a mulher, não das pessoas, e se a considera inocente, então deveria ser liberada” indicou o mesmo advogado.
Os grupos de defesa dos Direitos humanos solicitaram que a lei sobre a blasfêmia seja revogada, pois consideram que a mesma discrimina as minorias religiosas que compõem em torno de 4% dos 170 milhões de habitantes do país.
Na semana passada, um ministro indicara em um relatório preliminar sobre o caso, que a mulher não tinha cometido blasfêmia, mas que havia sido acusada injustamente depois de uma disputa. As condenações por blasfêmia são frequentes embora as penas de morte nunca chegaram a ser aplicadas. Em sua maioria, as condenações são revogadas em apelação, mas em algumas ocasiões grupos extremistas acabaram com a vida de pessoas acusadas de blasfêmia. (SP)
ULAN BATOR ADERE AO EVENTO CIDADE PELA VIDA, DA COMUNIDADE DE SANTO EGÍDIO
◊ Ulan Bator, 30 nov (RV) - A capital da Mongólia, Ulan Bator, adere pela primeira vez à iniciativa "Cidade pela Vida, Cidade contra a Pena de Morte", grande manifestação promovida pela Comunidade Romana de Santo Egídio contra a pena capital, que se realiza nesta terça-feira, em mais de 1.300 cidades do mundo.
Além de Ulan Bator, a cidade de Bíshkek, no Quirguistão, voltou a participar do evento após três anos da proibição do Governo. A Mongólia está também entre os 107 países que aprovaram a moratória universal da ONU contra a pena capital, durante a 65a Assembleia Geral das Nações Unidas. Em janeiro deste ano, a Mongólia proclamou uma moratória unilateral das condenações e execuções. Agora, um projeto de lei que prevê a abolição da pena capital pelo Código Penal está sendo examinado pelo Parlamento.
Dentre as cidades asiáticas mobilizadas no projeto "Cidade pela Vida, Cidade contra a Pena de Morte", estão também Lahore, no Paquistão, Jacarta, na Indonésia, e Dushanbe, no Tadjiquistão. A iniciativa pede às cidades que participam do evento para que promovam um gesto visível aos cidadãos e ao mundo, como demonstração de seu compromisso concreto para a sensibilização da sociedade civil.
Em muitas capitais do mundo, realizam-se manifestações, espetáculos, assembleias públicas em escolas e universidades. Muitas cidades disponibilizam seu monumento principal como local vivo, iluminando-o e usando-o como palco de projeções que ressaltam o empenho e o diálogo com os cidadãos por um mundo sem pena de morte.
A prima edição do Dia Mundial da "Cidade pela Vida, Cidade contra a Pena de Morte" foi lançada pela Comunidade de Santo Egídio em 30 de novembro de 2002 e contou com a participação de cerca de 80 cidades. Hoje, aderem mais de 1.300 cidades em mais de 85 países no mundo, entre as quais 64 capitais, nos cinco continentes. (MJ)
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