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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Primeiro índio da América do Sul é beatificado na Argentina



Ceferino Namuncurá tornou-se o primeiro beato índio da Argentina e o segundo da América, depois do mexicano Juan Diego, hoje santo. A cerimônia presidida pelo secretário do Vaticano, Tarcísio Bertone, aconteceu no dia 11 de novembro de 2007, em Chimpay, cidade natal do nativo mapuche, na Patagônia. Cerca de 100 mil pessoas se reuniram para a beatificação, que animaram muitos argentinos que esperam que Ceferino seja, também, canonizado. O milagre que levou o indígena aos altares foi o de Valéria Herrera que soube que tinha câncer de útero no ano 2000 e, em seu desespero, recordou a devoção de sua avó por Ceferino, e rezou pedindo a intercessão dele junto a Deus por sua saúde. Depois de dois dias o tumor havia desaparecido, fato inexplicável constatado pelos médicos. Ceferino Namuncurá - Fruto da espiritualidade salesianaCeferino nasceu em Chimpay no dia 26 de agosto de 1886 e foi batizado dois anos mais tarde pelo missionário salesiano Padre Milanésio, que havia mediado o acordo de paz entre os Mapuches e o exército argentino, tornando possível ao Pai de Ceferino conservar o título de "Grande Cacique" para si e também o território de Chimpay para o seu povo. Tinha 11 anos quando o pai o matriculou na escola governativa de Buenos Aires: queria fazer do filho o futuro defensor do seu povo. Mas ali Ceferino não se sentia à vontade. O pai por isso o mudou para o colégio salesiano "Pio IX" (Buenos Aires). Foi aí que iniciou a aventura da graça que transformaria um coração não iluminado ainda pela fé num testemunho heróico de vida cristã. Demonstrou logo muito interesse pelo estudo, enamorou-se das práticas de piedade, apaixonou-se pelo catecismo e se tornou simpático a todos, colegas e superiores. Dois fatos o impulsionaram para os cumes mais altos: a leitura da vida de Domingos Sávio, de que se tornou ardoroso imitador, e a primeira Eucaristia, na qual vinculou um pacto de absoluta fidelidade com o seu grande amigo Jesus. Desde então aquele rapaz, que sentia dificuldades em "entrar na fila" e "obedecer ao sinal do sino", tornou-se um modelo. Ceferino, que queria ser padre, adoeceu com tuberculose. Então o fizeram voltar ao clima da terra natal. Mas não foi o suficiente. Dom Cagliero, então, achou que na Itália poderia receber cuidados melhores. A sua presença no país não passou despercebida: os jornais falaram com admiração do "Príncipe de las Pampas". O Papa Pio X o recebeu em audiência particular, ouvindo-o com interesse e presenteando-o com uma sua medalha 'ad príncipes'. Ceferino faleceu no dia 11 de maio de 1905, na Ilha Tiberina, em Roma, deixando suas marcas de bondade, diligência, pureza e alegrias inimitáveis. Os restos de Ceferino foram repatriados em 1924 e se encontram no santuário de Maria Auxiliadora, em Fortín Mercedes, na província de Buenos Aires.

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