“E o Verbo se fez carne e veio habitar no meio de nós; e nós vimos a sua glória, glória como unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1,14).
A manifestação do amor sem limites de Deus se traduz, em concreto, em um gesto de confiança na pessoa humana. Não dá por perdido o ser humano; não o abandona à fatalidade e ao desespero do mal. Tem confiança na sua regeneração.
O Deus que nasceu em Belém não é um poderoso que envia aos súditos mensagens, dons, promessas. Ele mesmo é a mensagem, o dom, a certeza de toda promessa.
Ele diz a cada um de nós: “Sou como tu. Como tu, começo a aventura de viver, de estar junto, para construir, dia após dia, uma família, amizades, no trabalho, na fadiga, na esperança, nas incompreensões, na necessidade de alegria, de vida plena. Como tu, sonharei com um mundo diverso e contigo continuarei a sonhar, não obstante tudo”.
No Natal, nosso Deus começa a “profissão” de ser homem. Não é um Deus longínquo, fora, acima de nossa existência. Ele se identifica totalmente com a fragilidade, precariedade, pobreza e juntamente na dignidade, liberdade, grandeza. Assume todo o humano, exceto o pecado, raiz de toda desumanização.
Faz-se homem para que o homem torne-se humano. Para que se liberte de todo obstáculo e escravidão que lhe impede de crescer em plenitude e alegria. Para que, juntos, Deus e homem, possam cumprir o sonho de amor que é o mistério escondido no coração de Deus e do homem.
É um Deus enamorado do homem a tal ponto que “aniquila” a sua divindade, esconde-se na carne de uma criança, assume o rosto entre inumeráveis rostos.
Não vem com poder que invade o homem. Percorre caminhos de compaixão, mansidão, paciência. A sua força é o amor. Vem libertar e não ocupar lugar. Não vem como julgamento que condena e separa. Traz e oferece perdão, reconciliação: pacificação ao homem desgarrado, pacificação à humanidade dispersada.
O Senhor vem também para mim. Assim não estou mais desesperado, abandonado, insignificante. Tem estima também por mim. Ao seu olhar o que vale não é ser pobre ou rico, no alto ou embaixo na escala social, desprezado ou invejado, de uma vida realizada ou falida. Ele me ama e me estima, porque sabe que preciso sobretudo de ser amado e salvo.
Mas se tenho valor diante dele, todos os demais seres humanos merecem minha atenção. Não posso mais dividir, separar, excluir, rejeitar ninguém. Devo querer que todos sejam reconhecidos grandes e importantes como eu. Devo começar a estimar e a fazer estimar todos que parecem não valer nada. Os últimos devem tornar-se primeiros, para que todos alcancem a dignidade de primeiros.
Em Belém, o Deus Menino, não encontrando acolhimento na cidade, foi colocado na manjedoura de animais, sem dizer uma palavra, porque anuncia a revolução evangélica: depõe os poderosos de seus tronos e exalta os humildes. Deus se faz último, para que também o último valha como Deus! A humildade de Deus estabelece a grandeza verdadeira do homem.
Quando os magos vieram de terras longínquas para depositar aos pés do menino Deus os seus dons, anunciaram que a história deve caminhar ao contrário, em favor e não contra o homem. Oferecendo ouro e incenso ao último menino do império romano, destroem para sempre os ídolos da riqueza, do poder, do prestígio. Nem mesmo a mirra será mais o aroma para embalsamar vaidades e glória até no túmulo. Permanecerá o sinal que somente uma vida doada por amor do semelhante merece ser guardada na memória de quantos esperam renascer para a vida nova.
No natal, o Filho do homem inicia a paixão dos pobres e oprimidos, a fim de preparar a sua desforra, que começará com a proclamação das bem-aventuranças e culminará na ressurreição do Filho de Deus.
Quando o Senhor Jesus Cristo nasceu como verdadeiro homem, sem jamais ter deixado de ser verdadeiro Deus, ele realizou em si o início mesmo de uma nova criatura e, em conformidade com seu nascimento, comunicou ao gênero humano um princípio espiritual novo.
Celebrar o Natal é deixar-se interrogar pelo Senhor da vida, se somos capazes de mudar alguma coisa em nossa vida, para também mudar o mundo.
Desejo, de coração, aos prezados leitores Feliz Natal e a paz que o Senhor veio trazer ao mundo.
A manifestação do amor sem limites de Deus se traduz, em concreto, em um gesto de confiança na pessoa humana. Não dá por perdido o ser humano; não o abandona à fatalidade e ao desespero do mal. Tem confiança na sua regeneração.
O Deus que nasceu em Belém não é um poderoso que envia aos súditos mensagens, dons, promessas. Ele mesmo é a mensagem, o dom, a certeza de toda promessa.
Ele diz a cada um de nós: “Sou como tu. Como tu, começo a aventura de viver, de estar junto, para construir, dia após dia, uma família, amizades, no trabalho, na fadiga, na esperança, nas incompreensões, na necessidade de alegria, de vida plena. Como tu, sonharei com um mundo diverso e contigo continuarei a sonhar, não obstante tudo”.
No Natal, nosso Deus começa a “profissão” de ser homem. Não é um Deus longínquo, fora, acima de nossa existência. Ele se identifica totalmente com a fragilidade, precariedade, pobreza e juntamente na dignidade, liberdade, grandeza. Assume todo o humano, exceto o pecado, raiz de toda desumanização.
Faz-se homem para que o homem torne-se humano. Para que se liberte de todo obstáculo e escravidão que lhe impede de crescer em plenitude e alegria. Para que, juntos, Deus e homem, possam cumprir o sonho de amor que é o mistério escondido no coração de Deus e do homem.
É um Deus enamorado do homem a tal ponto que “aniquila” a sua divindade, esconde-se na carne de uma criança, assume o rosto entre inumeráveis rostos.
Não vem com poder que invade o homem. Percorre caminhos de compaixão, mansidão, paciência. A sua força é o amor. Vem libertar e não ocupar lugar. Não vem como julgamento que condena e separa. Traz e oferece perdão, reconciliação: pacificação ao homem desgarrado, pacificação à humanidade dispersada.
O Senhor vem também para mim. Assim não estou mais desesperado, abandonado, insignificante. Tem estima também por mim. Ao seu olhar o que vale não é ser pobre ou rico, no alto ou embaixo na escala social, desprezado ou invejado, de uma vida realizada ou falida. Ele me ama e me estima, porque sabe que preciso sobretudo de ser amado e salvo.
Mas se tenho valor diante dele, todos os demais seres humanos merecem minha atenção. Não posso mais dividir, separar, excluir, rejeitar ninguém. Devo querer que todos sejam reconhecidos grandes e importantes como eu. Devo começar a estimar e a fazer estimar todos que parecem não valer nada. Os últimos devem tornar-se primeiros, para que todos alcancem a dignidade de primeiros.
Em Belém, o Deus Menino, não encontrando acolhimento na cidade, foi colocado na manjedoura de animais, sem dizer uma palavra, porque anuncia a revolução evangélica: depõe os poderosos de seus tronos e exalta os humildes. Deus se faz último, para que também o último valha como Deus! A humildade de Deus estabelece a grandeza verdadeira do homem.
Quando os magos vieram de terras longínquas para depositar aos pés do menino Deus os seus dons, anunciaram que a história deve caminhar ao contrário, em favor e não contra o homem. Oferecendo ouro e incenso ao último menino do império romano, destroem para sempre os ídolos da riqueza, do poder, do prestígio. Nem mesmo a mirra será mais o aroma para embalsamar vaidades e glória até no túmulo. Permanecerá o sinal que somente uma vida doada por amor do semelhante merece ser guardada na memória de quantos esperam renascer para a vida nova.
No natal, o Filho do homem inicia a paixão dos pobres e oprimidos, a fim de preparar a sua desforra, que começará com a proclamação das bem-aventuranças e culminará na ressurreição do Filho de Deus.
Quando o Senhor Jesus Cristo nasceu como verdadeiro homem, sem jamais ter deixado de ser verdadeiro Deus, ele realizou em si o início mesmo de uma nova criatura e, em conformidade com seu nascimento, comunicou ao gênero humano um princípio espiritual novo.
Celebrar o Natal é deixar-se interrogar pelo Senhor da vida, se somos capazes de mudar alguma coisa em nossa vida, para também mudar o mundo.
Desejo, de coração, aos prezados leitores Feliz Natal e a paz que o Senhor veio trazer ao mundo.
* Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo é arcebispo de São Salvador da Bahia
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