Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
Seja bem-vindo. Hoje é

domingo, 30 de março de 2008

BENTO XVI: MISERICÓRDIA E PERDÃO SÃO NÚCLEO CENTRAL DA MENSAGEM DE JOÃO PAULO II

Do pátio da residência de Castel Gandolfo, onde está transcorrendo uma semana de repouso, o pontífice rezou esta manhã a oração do Regina Coeli com os fiéis e peregrinos. Falando em conexão áudio-visual com a Praça São Pedro, Bento XVI recordou que durante o Jubileu do ano 2000, João Paulo II estabeleceu que em toda a Igreja, o domingo sucessivo à Páscoa, denominado Domingo in Albis, fosse chamado também Domingo da Divina Misericórdia. A inesquecível noite de 2 de abril de 2005, quando fechou os olhos a este mundo, era justamente o segundo domingo de páscoa, e muitos notaram a coincidência, que unia em si a dimensão mariana do primeiro sábado do mês e a da Divina Misericórdia. A mensagem de João Paulo II foi recordada por ele mesmo, quando, em 2002, inaugurando o grande Santuário da Divina Misericórdia, em Cracovia-Lagiewniki, anunciou que “não há nenhuma outra fonte de esperança para os seres humanos senão a misericórdia de Deus”. Bento XVI citou o exemplo de Santa Faustina Kowalska - humilde religiosa polonesa, nascida em 1905 e falecida em 1938, canonizada em abril de 2000, - definindo-a ‘zelosa mensageira de Jesus Misericordioso’. “Como Irmã Faustina, João Paulo II se fez, por sua vez, apóstolo da Divina Misericórdia: sua mensagem, assim como a de Santa Faustina, reconduz ao rosto de Cristo, suprema revelação da misericórdia de Deus. Contemplar constantemente aquela imagem: esta é a herança que ele deixou e que nós, com alegria, recebemos e assumimos”.No breve discurso proferido antes da oração do Regina Caeli, que substitui o Angelus no tempo pascal, o papa revelou que a misericórdia é, na realidade, o núcleo central da mensagem evangélica. É o próprio nome de Deus, a imagem com a qual Ele se revelou na antiga Aliança e plenamente em Jesus Cristo, encarnação do Amor criador e redentor. “Este amor misericordioso – continuou Bento XVI, sempre interrompido por aplausos dos presentes – ilumina também a imagem da Igreja, e se manifesta por meio dos Sacramentos, em especial o da Reconciliação, e através de obras de caridade, comunitárias e individuais”. Segundo o pontífice, “tudo o que a Igreja diz e faz manifesta a misericórdia que Deus nutre pelo homem. E até quando a Igreja deve evocar uma verdade renegada, ou um bem traído, o faz sempre movida pelo amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abundância. Da misericórdia divina, que pacifica os corações, brota a autêntica paz no mundo, a paz entre os povos, culturas e religiões diversas” – disse ele. Em seguida, Bento XVI anunciou que nos próximos dias, a misericórdia divina será tema do primeiro Congresso Apostólico Mundial, que será aberto na manhã de 2 de abril, 4ª feira, com a missa, presidida por ele, no terceiro aniversário da morte do servo de Deus João Paulo II. Concluindo, o papa confiou o Congresso sob a celeste proteção de Maria, Santíssima Mater Misericordiae:“A Ela, confiamos a causa da paz no mundo, para que a misericórdia de Deus realize aquilo que é impossível às forças humanas, e infunda nos corações a coragem do diálogo e da reconciliação”. Após a sua alocução, o papa rezou a oração do Regina Coeli com os fiéis, fez as suas saudações em várias línguas, e concedeu a benção apostólica. Seu retorno ao Vaticano está previsto para hoje, com partida, em helicóptero, de Castel Gandolfo, às 18.30h locais, ou seja, 13.30h de Brasília. (CM)

Vaticano reafirma posição contrária à pena de morte

Diante da notícia da anulação da pena capital de Mumia Abu-Jamal (ex-jornalista, negro e militante anti-racista, acusado de ter assassinado um policial que batia no seu irmão no início dos anos 80), o Cardeal Renato Raffaele Martino, presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, afirmou ao jornal "L'Osservatore Romano": "Não se faz justiça punindo com outro crime. Por isso, toda sentença de morte não executada é uma vitória do homem e da vida".O Cardeal Martino recorda ainda que, em várias circunstâncias, o Papa manifestou-se publicamente contra esta maneira de fazer justiça. "A pena de morte não entra no conceito de justiça", recordou.A Santa Sé dá primazia à defesa da vida, desde a concepção até a morte natural, e promove iniciativas para que esta forma de fazer justiça seja abolida.Para o Cardeal Martino, "até o criminoso autor de um delito tem o direito de viver. Antes de tudo para poder 'limpar' a própria existência do crime que cometeu e porque existe o aspecto da proporcionalidade da pena, que deve permitir a possibilidade de reabilitação. Ou seja, as sentenças que a sociedade é chamada a emitir devem ser correctivas e não destrutivas", indicou.A pena de morte existe em 36 dos 50 Estados confederados dos EUA e 3.350 pessoas encontram-se nos "corredores da morte". Em quase todo o país há iniciativas para se conseguir a abolição.O Cardeal Martino recordou a iminente visita de Bento XVI à ONU, marcada para 18 de abril. Esta poderá ser uma ocasião para chamar novamente a atenção da comunidade internacional sobre temas relativos à dignidade do homem. "Certamente, nesta ocasião, o Papa vai evocar os problemas que sempre estiveram em debate nas Nações Unidas, principalmente os relativos à paz e ao desenvolvimento. Assim sendo, a sua visita será, para todos, um encorajamento a prosseguir o caminho da paz".O Cardeal Martino lembra que a resolução da ONU contra a pena de morte "foi um passo enorme", mas indicou também que há muitos países que não a aplicam. "São necessárias iniciativas como esta e muitas outras" para "libertar completamente o mundo desta forma atroz de fazer justiça", disse

sábado, 22 de março de 2008

Páscoa

"Vos anunciamos a Boa Nova de que a Promessa Feita aos pais, Deus a cumpriu em nós, os filhos, ao ressuscitar Jesus" (At 13,32-33). A ressurreição de Jesus é a verdade culminante de nossa fé em Cristo, crida e vivida pela primeira comunidade cristã como verdade central, transmitida como fundamental pela Tradição, estabelecida nos documentos do novo Testamento, predicada como parte essencial do Mistério Pascal ao mesmo tempo que a Cruz: Cristo ressuscitou dentre os mortos.
Com sua morte venceu a morte. "Aos mortos deu a vida".
O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente comprovadas como o testifica o Novo Testamento. Já São Paulo, no ano 56, pôde escrever aos Coríntios: "Porque vos trasmiti, em primeiro lugar, o que por minha vez recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado e que ressucitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que se apareceu a Cefas e depois aos Doze" (1Cor 15, 3-4). O apóstolo fala aqui da tradição viva da Ressurreição que recebeu depois de sua conversão às portas de Damasco (ver At 9,3-18).
"Por que buscar entre os mortos àquele que está entre os vivos? Não está aqui, ressuscitou (Lc 24,5-6). No marco dos acontecimentos da Páscoa, o primeir elemento que que é encontrado é o sepulcro vazio. Não é em si uma prova direta, A ausência do corpo de Cristo no sepulcro poderia ser explicada de outro modo (ver Jo 10,13; Mt 28,11-15). Apesar disso, o sepulcro vazio constituiu para todos um sinal essencial. Seu descobrimento pelos discípulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do fato da Ressurreição. No caso, em primeiro lugar, das santas mulheres (ver Lc 24,3.22-23), depois de Pedro (ver Lc 24,12). "O discípulo que Jesus amava" (Jo 20,2) afirma que, ao entrar no sepulcro vazio e ao descobrir "as vendas no chão" (Jo 20,6) "viu e acreditou" (Jo 20,8). Isso supõe que constatou no estado do sepulcro vazio (ver Jo, 20,5-7) que a ausência do corpo de Jesus não poderia ter sido obra humana e que Jesus não teria voltado simplesmente a uma vida terrena como havia sido o caso de Lázaro (ver Jo 11,44).
Maria Madalena e as santas mulheres, que iam embalsamar o corpo de Jesus enterrado às pressas na tarde da Sexta-feira pela chegada do Sábado (ver Jo 19,31.42), foram as primeiras a encontrar o Ressuscitado. Assim as mulheres foram as primeiras mensageiras da Ressurreição de Cristo para os própios apóstolos (ver Lc 24,9-10). Jesus apareceu em seguida a eles, primeiro a Pedro, depois aos Doze. Pedro, chamado a confirmar na fé seus irmãos, vê portanto o Ressuscitado antes dos demais e sobre seu testemunho se apoia a comunidade quando exclama: "É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" (Lc, 24,34).
Tudo o que aconteceu nestas jornadas pascais compromete a cada um dos apóstolos -e a Pedro em particular- na construção a nova era que começou na manhã de Páscoa. Como testemunhas do Ressuscitado, os apóstolos são as pedras de fundação de sua Igreja. A fé da primeira comunidade de fiéis se funda no testemunho de homens concretos, conhecidos dos cristãos e, para a maioria, vivendo entre eles ainda. Estes "testemunhas da Ressurreição de Cristo" (ver At 1,22) são principalmente Pedro e os Doze, mas não somente eles: Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais jesus apareceu de uma só vez, além de Santiago e de todos os apóstolos (ver 1Cor 15,4-8).
Diante destes testemunhos é impossível interpretar a Ressurreição de Cristo fora da ordem física, e não reconhecê-lo como um fato histórico. Sabemos pelos fatos que a fé dos discípulos foi submetida à prova radical da paixão e da morte na cruz de seu mestre, anunciada por Ele de antemão (ver Lc 22,31-32). A sacudida provocada pela paixão foi tão grande que (pelo menos, alguns deles) não acreditaram em seguida na notícia da ressurreição. Os evangelhos, longe de nos mostrar uma comunidade acometida por uma exaltação mística, nos apresentam os discípulos abatidos e assustados. Por isso não acreditaram nas santas mulheres que voltavam do sepulcro e "suas palavras pareciam desatinos" (Lc 24,11). Quando Jesus se manifesta aos onze na tarde de Páscoa, "jogou-lhes na cara sua incredulidade e sua dureza de cabeça por não ter acreditado nos que o tinham visto ressuscitado" (Mc 16,14).
Tão impossível lhes parece que, até mesmo colocados diante da realidade de Jesus ressuscitado, os discípulos ainda duvidam: creem ver um espírito. "Não acabam de acreditar por causa da alegria e estavam assustados" (Lc 24,41). Tomás conhecerá a mesma prova da dúvida e, na última aparição na Galiléia referida por Mateus, "alguns entretanto duvidaram" (Mt 28, 17). Por isto a hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um 'produto' da fé (ou da credulidade) dos apóstolos não tem consistência. Pelo contrário, sua fé na Ressurreição nasceu sob a ação da graça divina- da experiência direta da realidade de Jesus ressuscitado."
"Que noite tão ditosa -canta o «Exultet» de Páscoa-, só ela conheceu o momento em que Cristo ressuscitou dentre os mortos!". Com efeito, ninguém foi testemunha ocular do acontecimento da Ressurreição e nenhum evangelista o descreve. Ninguém pode dizer como aconteceu fisicamente. Menos ainda, sua essência mais íntima, a passagem à outra vida, foi perceptível aos sentidos. Acontecimento histórico demostrável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado, entretanto não por isso a Ressurreição seja alheira ao centro do Mistério da fé naquilo que transcende e sobrepassa à história. Por isso, Cristo ressuscitado não se manifesta ao mundo senão a seus discípulos, "aos que haviam subido com ele da Galiléia à Jerusalém e que agora são suas testemunhas perante o povo" (Hch 13,31).
"Se Cristo não ressuscitou, vã é nossa pregação, vã também vossa fé" (1Cor 15,14). A Ressurreição constitui principalmente a confirmação de tudo o que Cristo fez e ensinou. Todas as verdades, inclusive as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram sua justificativa se Cristo, ao ressuscitar, deu a prova definitiva de sua autoridade divina segundo o havia prometido.
A Ressurreição de Cristo é cumprimento das promessas do Antigo Testamento e do próprio Jesus durante sua vida terrena. A expressão "segundo as Escrituras" (ver 1 Cor 15,3-4 e o Símbolo Niceno-Constantinopolitano) indica que a Ressurreição de Cristo cumpriu estas pregações.
Há um duplo aspecto no mistério pascal: por sua morte nos liberta do pecado, por sua Ressurreição nos abre o acesso a uma nova vida. Esta é, em primeiro lugar, a justificativa que nos devolve à graça de Deus "afim de que, assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos... assim também nós vivamos uma nova vida" (Rm 6,4). Consiste na vitória sobre a morte e o pecado e na nova participação na graça. Realiza a adoção filial porque os homens se convertem em irmãos de Cristo, como Jesus mesmo chama a seus discípulos depois de sua Ressurreição: "Ide, avisai a meus irmãos" (Mt 28,10; Jo 20,17). Irmãos não por natureza, mas por dom da graça, porque esta filiação adotiva confere uma participação real na vida do Filho único, a que revelou plenamente em sua Ressurreição.
Por último, a Ressurreição de Cristo –e o próprio Cristo ressuscitado- é princípio e fonte de nossa ressurreição futura: "Cristo ressuscitó dentre os mortos como primícia dos que dormiram... do mesmo modo que en Adão morrem todos, assim também todos reviverão em Cristo" (1Cor 15, 20-22). Na espera de que isto se realize, Cristo ressuscitado vive no coração de seus fiéis. Nele os cristãos "saboreiam os prodígios do mundo futuro" (Hb 6,5) e sua vida é transportada por Cristo ao seio da vida divina "para que já não vivam para si os que vivem, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles" (2Cor 5,15).

PAPA NO COLISEU DE ROMA: "É POSSÍVEL PERMANECER INDIFERENTE PERANTE A MORTE DO SENHOR?"

Sábado Santo é o Dia da Mãe de Jesus.
Hoje, a Igreja observa rigoroso silêncio e recolhimento diante do corpo morto de Cristo e nos convida a abrir-nos à misericórdia de Deus. Hoje à noite, Bento XVI preside, na Basílica Vaticana, à solene Vigília Pascal e à celebração eucarística da Ressurreição de Cristo. No entanto, esta manhã, na Basílica papal de Santa Maria Maior, em Roma, o Cardeal Bernard Francis Law celebrou a "Hora da Mãe": com esta celebração, a Igreja contempla a espera de Maria pela Ressurreição de seu Filho Jesus.Entretanto, ontem, Sexta-feira Santa, a Igreja celebrou os mistérios da Paixão e Morte de Nosso Salvador. Na parte da tarde, na Basílica Vaticana, Bento XVI presidiu à celebração da Paixão do Senhor com a Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz e o Rito da Comunhão. A homilia, como todos os anos, foi confiada ao pregador oficial da Casa Pontifícia, o frei capuchinho Raniero Cantalamessa.Em sua meditação, o pregador destacou que "a unidade dos cristãos é um dom que deve ser acolhido": eis a feliz notícia a ser proclamada na Sexta-Feira Santa. A unidade deve ser também visível e comunitária. É o Espírito Santo que nos conduz à plena unidade, mediante um ecumenismo doutrinal, institucional e espiritual. O ecumenismo espiritual, concluiu o capuchinho, nasce do arrependimento e do perdão e se alimenta com a oração.Enfim, ontem à noite, o Santo Padre presidiu, no Coliseu de Roma, ao tradicional rito da Via-Sacra. Bento XVI acompanhou o rito da Colina do Palatino, recebendo a Cruz das mãos do Cardeal Camillo Ruini, seu vigário para a Diocese de Roma, que, por sua vez, a recebeu de uma jovem chinesa, símbolo daquela Igreja cujos episódios ecoaram nas meditações para a Via-Sacra feitas pelo arcebispo de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen Ze-Kiun. Ao final das 14 estações da Via-Sacra, o Bispo de Roma fez uma breve reflexão, frisando que "também este ano percorremos o caminho da cruz, a Via-Sacra, voltando a evocar com fé as etapas da paixão de Cristo". "Nossos olhos voltaram a contemplar os sofrimentos e a angústia que o Nosso Redentor teve de suportar na hora da grande dor, cume da sua missão terrena", disse o papa. Jesus morre na cruz e jaz no sepulcro. O dia da Sexta-Feira Santa, tão impregnado de tristeza humana e de religioso silêncio, se encerra no silêncio da meditação e da oração, afirmou o Papa. O pontífice se interrogou: "É possível permanecer indiferente perante a morte do Senhor, do Filho de Deus? Por nós, por nossa salvação, Ele se fez homem para poder sofrer e morrer. Dirijamos a Cristo hoje nossos olhares, freqüentemente distraídos por dissipados e efêmeros interesses terrenos. Detenhamo-nos a contemplar sua Cruz. A Cruz, manancial de vida e escola de justiça e de paz, é patrimônio universal de perdão e de misericórdia. É prova permanente de um amor oblativo e infinito, que levou Deus a fazer-se homem, vulnerável como nós, até morrer na Cruz".Através do caminho doloroso da Cruz, continuou o papa, os homens de todas as épocas, reconciliados e redimidos pelo sangue de Cristo, se converteram em amigos de Deus, filhos do Pai celestial. "Amigo", assim nos chama Jesus, porque é autêntico amigo de todos nós. Infelizmente, disse Bento XVI, nem sempre conseguimos perceber a profundidade deste amor sem fronteiras que Deus tem por nós. Para Ele não há diferença de raça e cultura. Jesus morreu para libertar a antiga humanidade da ignorância de Deus, do círculo de ódio e violência, da escravidão do pecado. Eis o motivo pelo qual a Cruz nos torna irmãos e irmãs.O papa então se perguntou novamente: "O que fizemos com este dom? O que fizemos com a revelação do rosto de Deus em Cristo, com a revelação do amor de Deus que vence o ódio? Tantos, em nossa época, ainda não conhecem a Deus e não podem encontrá-Lo no Cristo crucificado. Tantos estão em busca de um amor ou de uma liberdade que exclui Deus. Tantos acreditam não ter necessidade de Deus". E concluiu: "Queridos amigos: após termos vivido juntos a Paixão de Jesus, deixemos que, nesta noite, seu Sacrifício na Cruz nos interpele. Vamos permitir que Ele ponha em crise as nossas certezas humanas. Vamos abrir-Lhe o nosso coração. Jesus é a Verdade que nos torna livres de amar. Não tenhamos medo: ao morrer, o Senhor destruiu o pecado e salvou os pecadores, todos nós". Eis a verdade da Sexta-Feira Santa: na Cruz, o Redentor nos fez filhos adotivos de Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança. Permaneçamos, portanto, em adoração diante a cruz.Por fim, o papa elevou a Deus a seguinte prece: "Cristo, dai-nos a paz que buscamos, a alegria que desejamos, o amor que preenche nosso coração sedento de infinito. Esta deve ser a nossa oração, nesta noite, a Jesus, Filho de Deus, morto por nós na Cruz e ressuscitado no terceiro dia". (MT/BF)

Bento XVI: “A cruz é patrimônio universal de perdão e de misericórdia”

O papa Bento XVI presidiu na tarde de ontem, na Basílica Vaticana, à celebração da Paixão do Senhor com a Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz e o Rito da Comunhão. À noite, ele presidiu, no Coliseu de Roma, ao tradicional rito da Via-Sacra.
Bento XVI acompanhou o rito da Colina do Palatino, recebendo a Cruz das mãos do Cardeal Camillo Ruini. "Nossos olhos voltaram a contemplar os sofrimentos e a angústia que o Nosso Redentor teve de suportar na hora da grande dor, cume da sua missão terrena", disse o papa ao final das 14 estações da Via-Sacra.
"É possível permanecer indiferente perante a morte do Senhor, do Filho de Deus?”, perguntou o pontífice. “Por nós, por nossa salvação, Ele se fez homem para poder sofrer e morrer. Dirijamos a Cristo hoje nossos olhares, freqüentemente distraídos por dissipados e efêmeros interesses terrenos. Detenhamo-nos a contemplar sua Cruz. A Cruz, manancial de vida e escola de justiça e de paz, é patrimônio universal de perdão e de misericórdia. É prova permanente de um amor oblativo e infinito, que levou Deus a fazer-se homem, vulnerável como nós, até morrer na Cruz", disse.
"Queridos amigos, após termos vivido juntos a Paixão de Jesus, deixemos que, nesta noite, seu Sacrifício na Cruz nos interpele. Vamos permitir que Ele ponha em crise as nossas certezas humanas. Vamos abrir-Lhe o nosso coração. Jesus é a Verdade que nos torna livres de amar. Não tenhamos medo: ao morrer, o Senhor destruiu o pecado e salvou os pecadores, todos nós", concluiu o papa.
Fonte: Rádio Vaticano

domingo, 16 de março de 2008

Papa abre Semana Santa no Vaticano

Com a procissão e a benção de Ramos, o papa Bento XVI deu início, hoje, à Semana Santa, em Roma. Do centro da Praça de São Pedro, uma procissão com centenas de jovens da dicosece de Roma, do Pontificio Conselho para os Leigos e de várias partes do mundo, antecederam a entrada de Bento XVI no altar central. O pontífice estava solenemente vestido com as cores da liturgia dominical,o vermelho, símbolo da paixão e morte do Senhor. Na homilia, Bento XVI ressaltou o verdadeiro significado da purifição do templo, dizendo: "Ele não vem como destruidor, não vem com a espada de revolucionário, vem com o dom de cura. Se dedica àqueles que por causa de suas enfermidades vêm forçados a viverem a margem da sociedade". No final da celebração, fez uma saudação aos jovens presentes que celebravam a jornada diocesana em preparação a Jornada Mundial da Juventude, em Sidney, na Austrália, de 15 a 20 de julho, com o tema: "Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas ( At 1,8)".Ao meio-dia, no Angelus, dirigindo-se aos 50 mil fiéis presentes com um tom solene e imperativo, o papa falou do Arcebispo de Mosul dos Caldeus, Dom. Raraj Rahho, morto tragicamente há poucos dias. Novamente, o pontífice levantou um forte e corajoso grito ao povo iraquiano: "Basta com os estragos, basta com as violências, basta com o ódio no Iraque. Elevo um forte apelo ao povo iraquiano, que há cinco anos leva as consequencias de uma guerra que provocou a ruína da vida civil e social. Amado povo iraquiano, levante a sua cabeça e sejam vocês mesmo, em primero lugar, reconstrutores de sua vida nacional”.Paula Dizaró

Morre fundadora do Movimento dos Focolares

Num clima sereno, de oração e de intensa comoção, Chiara Lubich, fundadora e presidente do movimento dos Focolares, morreu na madrugada desta sexta-feira, 14, aos 88 anos, na sua casa, em Rocca di Papa, perto de Roma.Chiara já havia sido hospitalizada, no Hospital Gemelli, na capital italiana, em fevereiro para realizar exames, quando teve complicações respiratórias. Nesta quarta-feira, 12, diante da inexistência de reação ao tratamento, os médicos atenderam o desejo expresso pela própria Chiara de voltar para casa junto à comunidade dos Focolares, que também em todo o mundo estava em profunda oração por ela.Ontem, durante todo o dia, centenas de pessoas – familiares, estreitos colaboradores e os seus filhos espirituais – passaram pelo seu quarto para lhe dar o último adeus, ficando depois em recolhimento na capela contígua, e finalmente rezando, no jardim da casa de Chiara. Uma ininterrupta e contínua procissão. A alguns, Chiara fez um aceno com a cabeça, apesar da extrema debilidade.Continuam a chegar, de todas as partes do mundo, mensagens de participação e de plena comunhão por parte de alguns líderes religiosos, políticos, académicos e civis, e de muita gente do “seu” povo.O funeral será na próxima terça-feira, 18, às 15h (horário de Lisboa), na Basílica Papal de São Paulo fora de muros, em Roma
O último adeus a Chiara Lubich acontecerá na terça-feira, 18 de março, às 11horas, (horário do Brasil) na Basílica romana de São Paulo Fora dos Muros. A cerimônia será presidida pelo cardeal Secretário de Estado, Tarcísio Bertone. A cerimônia será transmitida ao vivo via internet e via satélite.Por toda a manhã de hoje,15, foi registrado um grande fluxo de visitas na sua residência, em Rocca de Papa, onde seu corpo está sendo velado. Chiara Lubich será sepultada na Capela deste mesmo local. Em Trento, o prefeito Alberto Pacher, proclamou luto oficial na cidade.Chiara Lubich, fundadora e presidente do movimento dos Focolares, morreu na madrugada desta sexta-feira, 14, aos 88 anos.

sábado, 8 de março de 2008

Confissão deve ser encontro pessoal com Deus, diz o Papa



Bento XVI defendeu esta Sexta-feira a “centralidade do Sacramento da Confissão”, frisando que o mesmo deve ser um “encontro pessoal com Deus, Pai de bondade e de misericórdia”.
O Papa recebeu em audiência os participantes no “Curso sobre o foro íntimo”, organizado pelo tribunal da Penitenciaria Apostólica da Santa Sé para dar à Igreja , como salientou, “confessores bem formados do ponto de vista doutrinal”, capazes de superar as dificuldades que o sacramento tem de enfrentar.
Bento XVI falou especificamente do que encontro pessoal com Deus, Pai de bondade e de misericórdia: “No coração da celebração sacramental não está o pecado, mas a misericórdia de Deus, que é infinitamente maior do que a nossa culpa”.
Para o Papa, o empenho dos Pastores, e especialmente dos confessores, deve ser também o de pôr em evidencia o laço estreito existente entre o Sacramento da Reconciliação e uma existência orientada decididamente para a conversão.
“É necessário que entre a prática do sacramento da Confissão e uma vida tendente a seguir sinceramente a Cristo se instaure uma espécie de circulo virtuoso incessante, no qual a graça do Sacramento sustente e alimente o empenho a ser discípulos fiéis do Senhor”, apontou.
“O tempo quaresmal – acrescentou Bento XVI – recorda-nos que a nossa vida cristã deve tender sempre á conversão e quando nos aproximamos frequentemente do sacramento da Reconciliação permanece vivo no crente o desejo veemente da perfeição evangélica”.
No início deste curso foi referido que o sacramento da confissão continua em forte crise devido à falta de convicção dos fiéis perante os sacerdotes. O alerta foi lançado pelo Bispo regente do Tribunal da Penitenciaria Apostólica, D. Gianfranco Girotti, num artigo publicado pelo jornal vaticano "L'Osservatore Romano".
D. Girotti definiu a situação como "um grito de alarme" na Igreja. Para tentar inverter a tendência, a Penitenciaria Apostólica organiza até ao próximo Sábado um curso para reforçar a formação dos padres neste âmbito.
Na ocasião foram apresentados os dados de uma sondagem, relativa ao ano de 1998, que indicam que 30% dos italianos não consideram necessária a presença do padre nos confessionários. Outros 20% têm dificuldade para falar sobre pecados com uma outra pessoa. E ainda 10% acreditam que a confissão seja um obstáculo para o diálogo directo com Deus. Alguns fiéis também se lamentam da maneira de se confessar, apontando a incapacidade dos sacerdotes durante o sacramento.
D. Girotti falou aos participantes do caso específico dos divorciados e recasados, assinalando que o confessor “tem o dever de propor, regularmente, soluções que levem à solução do conflito ou à transformação da convivência numa relação de amizade e solidariedade”.
Outro caso foi o de candidatos ao sacerdócio que demonstrem tendências homossexuais, pedindo-se ao confessor que seja capaz de discernir se as mesmas estão ou não “profundamente enraizadas” e se o comportamento é “permanente”.
Exorcismos
O Bispo regente do Tribunal da Penitenciaria Apostólica falou ainda sobre os chamados fenómenos diabólicos: possessões ou obssessões. “Aconselhamos a intervenção do exorcista”, assinalou.
D. Girotti pediu ainda aos confessores atenção a “fenómenos ligados ao misticismo que, muitas vezes, desembocam na ilusão, na histeria ou noutras síndromes”.
Apesar da quantidade de casos complexos, o primeiro ensinamento do curso é muito simples: no confessionário é preciso ter “muita paciência”.
(Com Rádio Vaticano)

Congresso celebrará 40 anos de Medellín

Medellín-Aparecida: um diálogo provocador. Este é o tema do Congresso Teológico-Catequético, que acontecerá de 22 a 24 de maio de 2008, com o objetivo de celebrar os 40 anos da Conferência de Medellín e o primeiro aniversário da Conferência de Aparecida.
O evento, que acontecerá no Colégio La Salle, em São Paulo (SP), é uma iniciativa da Sociedade de Catequetas Latino-americanos.
Além do Brasil, o Congresso ocorrerá em mais três lugares: Córdoba (Argentina) para o Cone-Sul; Caracas (Venezuela), para os países bolivarianos; São José (Costa Rica) para a América Central e Caribe.
A Sociedade de Catequetas foi fundada em julho de 1995, por um grupo de catequetas latino-americanos, durante um evento em San Antônio, Texas, Estados Unidos.
Do Brasil, participam da instituição o padre Luiz Alves de Lima, sdb (um dos fundadores); o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, dom Eugênio Rixen, padre Jânison de Sá Santos, Irmão Israel Nery (atual presidente) e a professora Elenira Cunha.
Segundo Irmão Nery, a sociedade tem como objetivo refletir a catequese e produzir subsídios, em comunhão e participação, e manter relações com o Conselho Episcopal Latino-americano (Celam). A Sociedade de Catequetas “está a serviço da América Latina e do Caribe, mas também das comunidades latinas dos Estados Unidos e Canadá”, acrescenta. As inscrições para participar do evento vão até 25 de março. Informações: www.scala-catequesis.org ou pelo e-mail: eliane.rossi@lasalle.org

BENTO XVI RESSALTA QUE MISERICÓRDIA DE DEUS É INFINITAMENTE MAIOR QUE TODAS AS NOSSAS CULPAS


"É necessário que entre a prática do sacramento da Confissão e uma vida voltada a seguir Cristo sinceramente, se instaure uma espécie de 'círculo virtuoso' irrefreável, no qual a graça do Sacramento mantenha e alimente o compromisso de ser fiéis discípulos do Senhor." Foi o que disse o papa esta manhã, na Sala das Bênçãos, no Vaticano, aos participantes do curso anual da Penitenciaria Apostólica, ressaltando que a vida cristã deve tender sempre à conversão.Mesmo sendo animado pelo desejo de seguir Jesus, se não se confessa regularmente, "se corre o risco pouco a pouco, de diminuir o ritmo espiritual" até enfraquecê-lo sempre mais e, talvez, até mesmo, estagná-lo _ acrescentou."A Quaresma é um tempo muito precioso para meditar sobre a realidade do pecado à luz da infinita misericórdia de Deus, que o sacramento da Penitência manifesta na sua forma mais alta" _ afirmou o pontífice."Hoje é necessário fazer quem se confessa experimentar aquela ternura divina para com os pecadores arrependidos, que tantos episódios evangélicos mostram com acenos de intensa comoção."Após ter recordado a página do Evangelho de Lucas que apresenta a pecadora perdoada, o Santo Padre ressaltou a eloqüência da mensagem que transparece naquele trecho evangélico: "A quem muito ama, Deus tudo perdoa"."Quem confia em si mesmo e em seus próprios méritos, acaba como cego pelo seu próprio eu e o seu coração se endurece no pecado. Quem, ao invés, se reconhece frágil e pecador, se confia a Deus e D'ele obtém graça e perdão."Aquilo que conta _ afirmou o papa _ é fazer compreender que "no sacramento da Reconciliação, qualquer pecado que tenha sido cometido, seja ele qual for, se este for reconhecido com humildade, e se se recorre confiante ao sacerdote confessor, se experimenta sempre a alegria pacificadora do perdão de Deus". Em seguida, o Santo Padre acrescentou:"Quando se insiste somente na acusação dos pecados _ que de certo modo deve ter lugar, e para isso é necessário ajudar os fiéis a compreender a sua importância _ se corre o risco de relegar ao segundo lugar aquilo que nele é central, ou seja, o encontro pessoal com Deus, Pai de bondade e misericórdia."No coração da celebração sacramental não está somente o pecado _ concluiu Bento XVI _ mas a misericórdia de Deus, que é infinitamente maior do que toda nossa culpa. (RL)

Sociedade Brasileira de Hipertensão pede apoio à CNBB para Campanha

Tratar a pressão alta é um ato de fé na vida. É o lema da Campanha promovida pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Nefrologia e Associações de Pessoas com Hipertensão.
O objetivo da Campanha é alertar a sociedade para o cuidado com a hipertensão, dado que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), inclusive a hipertensão, são responsáveis por 59% dos óbitos no mundo, chegando a 75% das mortes nos países das Américas e Caribe. No caso do Brasil, 62,8% do total de mortes por causas conhecidas, em 2004, estavam relacionadas à DCNT.
Para tanto, no dia 23 de fevereiro, os organizadores da Campanha reuniram-se com o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, para solicitar apoio à Campanha, que terá seu auge no dia 26 de abril, quando se comemora o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. “Propomos uma Campanha ecumênica, na qual todas as religiões e cultos se dediquem à sensibilização da comunidade a fim de que, na semana de 20 a 26 de abril, sejam convocados todos os fiéis para adesão à campanha e controle da pressão arterial”,afirma a mensagem entregue a dom Dimas pelos presidentes das instituições promotoras da Campanha.
Como forma de apoio, dom Dimas pediu aos organizadores que elaborassem uma cartilha dos 10 mandamentos da Hipertensão e sugeriu que a a Campanha fosse estendida ao longo do ano. Durante a Assembléia dos Bispsos, o secretário-geral da CNBB irá reforçar os objetivos da Campanha por meio de um material explicativo preparado pelos promotores da Campanha. Outra idéia é fazer com que tal material chegue às mais de 15 mil paróquias brasileiras.
A hipertensão, segundo a SBH, é a maior causa de derrames cerebrais, insuficiência renal ou paralisação dos rins, infarto do coração, insuficiência cardíaca, angina do peito, lesões nas artérias e alterações na retina que podem levar à cegueira. É conhecida como “inimiga silenciosa”, dado que muitas vezes o paciente não sente nada.Informações sobre a Campanha pelo e-mail: imprensa@sbh.org.br