Papa e Santa Sé
PAPA A NOVOS BISPOS: SIRVAM IGREJA COM AMOR, SEM SEGUIR CATEGORIAS MUNDANAS
◊ Castel Gandolfo, 11 set (RV) - O episcopado é um serviço de amor: foi o que ressaltou Bento XVI no discurso da manhã deste sábado, em Castel Gandolfo, aos bispos nomeados nos últimos dois anos, que participaram do Curso promovido pela Congregação para a Evangelização dos Povos.
Em seguida, o Pontífice exortou os prelados a não considerarem seu ministério segundo categorias mundanas. A saudação ao Papa foi feita pelo Prefeito do referido organismo vaticano, Cardeal Ivan Dias.
"A vida do bispo deve ser uma oblação contínua a Deus pela salvação de sua Igreja" e "das almas que lhe foram confiadas" – afirmou Bento XVI.
O Papa assegurou que a "Igreja deposita muitas esperanças" nos novos bispos e dirigiu um pensamento particular àqueles, entre eles, que "vivem a sua fé em contextos difíceis", onde, por vezes, se verificam "formas de perseguição". O Papa se deteve sobre a doação pessoal a Deus e aos fiéis, "verdadeira dignidade do Bispo", e chamou a atenção no sentido de se evitar equívocos em relação ao ministério episcopal:
"De fato, o episcopado – como o presbiterato – jamais deve ser entendido segundo categorias mundanas. Ele é serviço de amor. O Bispo é chamado a servir a Igreja com o estilo do Deus feito homem, tornando-se sempre mais plenamente servo do Senhor e servo da humanidade."
O Santo Padre evidenciou assim o "dever primário do anúncio, acompanhado da celebração dos Sacramentos", e que deve ser sempre reforçado pelo testemunho de vida:
"Aqueles que são chamados ao ministério da pregação devem crer na força de Deus que brota dos Sacramentos e que os acompanha na tarefa de santificar, governar e anunciar; devem crer e viver aquilo que anunciam e celebram."
Mas onde o bispo pode encontrar a força para conduzir o seu rebanho, para proclamar a Boa Nova?
"Para imitar Cristo é necessário dedicar um tempo adequado para "estar com Ele" e contemplá-lo na intimidade orante do colóquio de coração para coração. Colocar-se constantemente na presença de Deus, ser homem de oração e de adoração: em primeiro lugar, o Pastor é chamado a isso."
Sei que as Comunidades aos senhores confiadas se encontram "nas fronteiras" religiosas, antropológicas e sociais e, em muitos casos, são presença minoritária – disse ainda o Santo Padre. Nesses contextos – reconheceu – "a missão de um bispo é particularmente árdua". Em seguida, Bento XVI fez uma exortação.
Mas "é justamente em tais circunstâncias que, mediante o seu ministério, o Evangelho pode mostrar toda a sua potência salvífica":
"Os senhores não devem ceder ao pessimismo e ao desencorajamento, porque é o Espírito Santo que conduz a Igreja e lhe dá, com o seu sopro possante, a coragem de perseverar e também de buscar novos métodos de evangelização, para alcançar âmbitos até então inexplorados. A verdade cristã é atraente e persuasiva justamente porque responde à necessidade profunda da existência humana, anunciando de modo convincente que Cristo é o único Salvador do homem todo e de todos os homens." (RL)
DOM VILSON BASSO FALA SOBRE ENCONTRO DE BISPOS
◊ Roma, 11 set (RV) - Ajudar com o exemplo e o fraterno apoio os sacerdotes a seguirem sua vocação e a viver o seu ministério, para ser “sinal vivo de Jesus”, prontos a não julgar, mas a perdoar e a manter unidos os filhos de Deus, ser “pastores” e “sentinelas”, “eficazes em mostrar Cristo ao mundo, entusiastas em anunciar o Evangelho com suas vidas e exemplos”: foi o que disse o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone saudando os novos bispos nomeados pelo Papa nos últimos dois anos e reunidos nestes dias em Roma em um encontro organizado pela Congregação para os Bispos. Participa desse encontro o Bispo de Caxias do Maranhão, Dom Vilson Basso, que conversou com Silvonei José. (SP)
DOM HENRIQUE DA COSTA FALA DO ENCONTRO COM O PAPA
◊ Castel Gandolfo, 11 set (RV) - Bento XVI recebeu ontem, sexta-feira, em audiência, na Sala dos Suíços, em Castel Gandolfo, os bispos do Regional Nordeste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Regional formado pelos estados de Bahia e Sergipe – na conclusão de sua quinquenal visita "ad Limina".
O esperado encontro em grupo dos 28 bispos em visita "ad Limina" teve início com o discurso de saudação dirigido ao Santo Padre pelo Bispo de Itabuna e Presidente do Regional, Dom Ceslau Stanula. O Papa também fez um discurso aos bispos brasileiros. Mas sobre o encontro com o Santo Padre, Silvonei José conversou com o Bispo Auxiliar de Aracaju, Dom Henrique Soares da Costa. (SP)
SERENIDADE NO VATICANO DIANTE DA VIAGEM DO PAPA AO REINO UNIDO
◊ Vaticano, 11 set (RV) – O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, assegurou que há muita serenidade no Vaticano diante da viagem que o Papa Bento XVI realizará na próxima semana ao Reino Unido e recordou que o propósito principal da visita é a beatificação do Cardeal John Henry Newman.
Durante uma coletiva de imprensa, Padre Lombardi recordou os eventos programados para a visita e considerou possível que o Santo Padre se reúna com vítimas de abuso sexual.
O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé recordou que se trata da 17ª viagem apostólica internacional de Bento XVI e descartou que se trata da viagem mais “difícil” do Pontífice como alguns meios insistem em afirmar devido às ameaças de certos grupos radicais de protagonizar protestas contra o Pontífice.
“Vamos com muita serenidade, sabendo, entretanto, que é uma viagem muito importante e também complexa devido à riqueza dos acontecimentos e às situações que se apresentarão”, declarou o Pe. Lombardi.
A última visita de um Papa ao Reino Unido foi em 1982 quando João Paulo II foi à Inglaterra em plena crise das Malvinas. Padre Lombardi recordou que esta vez, a razão principal da viagem é a beatificação do Cardeal John Henry Newman. (SP)
Igreja na América Latina
BENTO XVI EXORTA ARGENTINOS A PARTICIPAREM DE COLETA "MAIS POR MENOS"
◊ Cidade do Vaticano, 11 set (RV) - A Coleta Nacional argentina "Mais por Menos", que se realiza neste sábado e domingo em todas as paróquias do país, com o lema: "Construamos uma história sem excluídos", completa 40 anos.
Numa mensagem, Bento XVI exorta os católicos argentinos a responderem à Coleta com "sincera generosidade", ressaltando que se trata de "uma obra louvável que busca ajudar os menos favorecidos e promover a solidariedade".
Após observar que o momento atual não deixa de apresentar dificuldades, o Papa convida "os discípulos de Cristo naquela cara terra a amarem todos com o mesmo amor com o qual Deus nos ama, manifestando assim que a caridade deve ser o traço distintivo de sua vida".
O Pontífice exorta-os a "cultivarem, todos os dias, a escuta da Palavra divina, a oração perseverante, a participação assídua nos Sacramentos e a união fraterna, como alimento de uma caridade sempre mais intensa e para dar nova vida aos valores universais da convivência humana".
"Com esses sentimentos, o Sumo Pontífice confia essa iniciativa a Nossa Senhora de Luján – celeste padroeira do povo argentino – suplicando-a a ajudar com a sua proteção todos aqueles que participam da Campanha, ao tempo em que concede uma especial Bênção Apostólica, penhor de abundantes graças celestiais."
Os frutos da 41ª edição da Coleta serão distribuídos em 25 dioceses argentinas necessitadas – divididas em cinco níveis de prioridade – para construir abrigos de ajuda recíproca, microempresas e refeitórios comunitários. (RL)
Igreja no Mundo
NÚNCIO NOS EUA PEDE QUE PENA DE MORTE A CONDENADO NOS KENTUCKY SEJA COMUTADA
◊ Washington, 11 set (RV) - O Núncio Apostólico nos EUA, Dom Pietro Sambi, através de uma carta, pede em nome do Papa ao Governador do Kentucky, Steve Beshear, para comutar a pena de morte sentenciada a Gregory Wilson, cuja execução está prevista para a próxima quinta-feira, dia 16.
O Arcebispo de Louisville, Dom Joseph Kurtz, e a Diretora-Executiva do Conselho das Igrejas do Kentucky, Marian McClure, entregaram, nesta quinta-feira, a mensagem Governador.
Wilson foi julgado culpado, em 1988, de sequestro, estupro e homicídio de uma mulher. Atualmente recorreu à decisão do Tribunal para suspender a sua execução, para que possam ser completadas as investigações acerca de seu retardamento mental e possa ser acolhido o pedido do teste de DNA.
O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, se referia a casos como esses quando, domingo passado, afirmou que a Santa Sé acompanha, "com atenção e participação", o caso de Sakineh, a mulher condenada à lapidação no Irã.
O porta-voz vaticano, ressaltando que "é conhecida a posição da Igreja contrária à pena de morte", recordara que quando, de modo apropriado, é pedido à Santa Sé que intervenha em questões humanitárias junto às autoridades de outros países, "como se deu muitas vezes no passado, costuma fazê-lo não de forma pública, mas dirigindo-se às autoridades competentes mediante seus canais diplomáticos". (RL)
Formação
EDITORIAL: INDEPENDÊNCIA NACIONAL
◊ Cidade do Vaticano, 11 set (RV) - Nesta semana na qual comemoramos os 188 anos de nossa independência nacional, muitas efemérides sociais nos envolveram. A começar pelo domingo, quando o Papa Bento XVI se dirigiu a Carpineto Romano para celebrar a missa comemorativa pelos duzentos anos de nascmento do Papa Leão XIII, o papa da “Rerum Novarum”, da primeira encíclica social da Igreja e a sinalizadora, nos tempos atuais, da dimensão social de nossa fé cristã. Também foi o mesmo Leão XIII que homenageou o povo brasileiro, enviando à sua Princesa Regente, Isabel de Bragança, uma rosa de ouro, por ocasião da abolição da escravatura em nosso país.
Não bastasse tudo isso, no dia 5 tivemos a festa litúrgica da Beata Teresa de Calcutá, a santa dos pobres, dos miseráveis, aquela que almejava, entre outras solicitações, dar ao ser humano a oportunidade de morrer com dignidade. Teresa trabalhava sem esperar retorno.
“Rerum Novarum, Doutrina Social da Igreja, Rosa de ouro pela libertação dos escravos, uma vida e uma congregação, voltadas aos mais pobres dentro dos menos favorecidos e, juntando a isso, a celebração da independência do Brasil, um país que se afirma, sempre mais, no âmbito dos países de economias emergentes.
Acredito que este é o momento em que o país é vocacionado a completar a curva que o faz deixar de ser e de estar situado naquele grupo de países erroneamente denominados, países do “terceiro mundo”. O dever do Brasil é assumir, com todo seu carisma e pragmatismo social, fruto de uma herança de fé e de tradições históricas, a sua vocação cristã de país que vive, e pratica a justiça e defende a dignidade de cada pessoa. (CA)
REFLEXÃO DOMINICAL: A MISERICÓRDIA DE DEUS
◊ O Cidade do Vaticano, 11 set (RV) - O tema deste domingo é a misericórdia.
O Evangelho é o famoso texto de Lucas chamado “Filho Pródigo”. Na verdade o tema é a misericórdia do Pai, que permite que seu filho viva plenamente sua liberdade, mesmo de modo errado.
Quando o rapaz caiu em si, viu que havia cometido uma grande falta de amor. Exatamente por ter vivenciado o carinho do Pai durante o tempo em que morou em casa e inclusive o respeito dele por sua liberdade, mesmo que exercida de modo enganoso, ele pode perceber a armadilha em que havia caído – usufruir prazeres do mundo – e, ao mesmo tempo, os meios de como se libertar dela – o amor do pai.
Assim, se às pessoas, através do contato conosco, forem revelados o amor de Deus como o Pai Misericordioso, ensinado e demonstrado por Jesus Cristo, quando tiverem desejosas de retornarem à Família de Deus, saberão que o contato conosco será a porta que levará a Jesus e aos irmãos.
Por outro lado, o modo de acolher o filho penitente, sem exigir pedidos de perdão e atitudes humilhantes, demonstram o respeito e o carinho do pai. Também nós deveremos acolher com carinho todos aqueles que foram tocados pela Luz de Deus e estão voltando à reconciliação com o Senhor ou com um de seus filhos.
Deus é Pai, é Amor, é Vida! Por isso seu relacionamento com o pecador é de misericórdia. Foi isso que nos revelou o Coração de Jesus.
Como filhos de Deus, nossa atitude para com o pecador, será igual, de irmão, absolutamente fraterna e misericordiosa, sem nenhum gesto arrogante, nenhum gesto humilhante. (CA)
DOM ORANI: PERDÃO E RECONCILIAÇÃO
◊ Rio de Janeiro, 11 set (RV) - Daí que o tema da reconciliação é conjunto com o tema do arrependimento e também com o tema da humildade.
Temos uma grande riqueza em nossa Igreja Católica que são a prática e possibilidade da confissão e da penitência como sinal da conversão e arrependimento. As contestações de hoje são muitas devido às transformações religiosas e culturais vindo sempre com a célebre pergunta: “porque preciso me confessar, ou ainda mais, porque com uma pessoa igual a mim?”. Isso demonstra a dificuldade que encontramos hoje em viver a reconciliação.
Reconciliar é re-unir, é um trazer de volta a harmonia perdida. É uma cura à divisão, à separação, à ruptura. Mal maior da humanidade: a divisão.
A vida de Jesus foi o grande anúncio da reconciliação. A Igreja, insistimos, é símbolo da reconciliação. Daí o termo “embaixadores” pregado por São Paulo.
A reconciliação é um novo momento de graça e um excelente momento de conscientização sobre o nosso pecado pessoal e social também. Chama-nos a lembrar de nosso compromisso no batismo, a nossa vida confirmada no Espírito, e a nossa unidade com o povo eucarístico.
A parábola do filho pródigo ensina-nos, claramente, que o pecado é um distanciar-se. Distanciar-se da harmonia com o Pai, e com a atitude do filho mais velho, é um recusar-se à compaixão e à misericórdia.
A nossa base de relacionamento deve ser em primeiro lugar com Deus: relação pai/filho na parábola. A linguagem do sacramento da confissão é esta mesma: resposta ao apelo para vivermos constantemente essa relação.
Por isso seria muito importante nos perguntar se temos a prática de nos achegarmos ao sacramento da penitência. Ligado ao mesmo assunto, buscando o crescimento espiritual, será que temos também procurado o diretor espiritual? Em nossas comunidades temos facilidade de acesso dos fiéis ao sacramento da reconciliação? Teríamos que ter um horário determinado para atendimento da confissão de nossos fiéis em todas as paróquias e em todas as regiões nas comunidades mais centrais alguns plantões para atendimento do nosso povo. Em minhas reuniões com as foranias tenho procurado detectar esses locais e incentivar essa prática.
Digo isso levado também por uma importante palavra do nosso Papa Bento XVI: “O Sínodo lembrou que é dever pastoral do bispo promover na sua diocese uma decisiva recuperação da pedagogia da conversão que nasce da Eucaristia e favorecer entre os fiéis a confissão freqüente. Todos os sacerdotes se dediquem com generosidade, empenho e competência à administração do sacramento da Reconciliação. A propósito, procure-se que, nas nossas igrejas, os confessionários sejam bem visíveis e expressivos do significado deste sacramento. Peço aos pastores que vigiem atentamente sobre a celebração do sacramento da Reconciliação, limitando a prática da absolvição geral exclusivamente aos casos previstos, permanecendo como forma ordinária de absolvição apenas a pessoal.” (Cf. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, n. 21)
Nosso Senhor Jesus Cristo, queridos irmãos e irmãs, é a presença viva da reconciliação de Deus. Bendito seja o homem que encontrou Cristo, porque ele encontrou a Deus que perdoa. Deus, em Cristo, vive perto de nós. Façamos o tema da reconciliação algo de concreto em nossa vida: tive fome e me alimentou; tive sede e me destes de beber; estive doente e me visitastes; estive preso e me acolhestes. Testemunhemos o exercício caritativo e purificador da reconciliação no cotidiano de nossas vidas, e o mundo perceberá não em teoria apenas, mas em verdade, o que Jesus nos pede uma vida santa e reconciliada para viver a via ordinária da santidade!
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.
DOM EURICO: A BUSCA DO PODER
◊ Juiz de Fora, 11 set (RV) - A inveja, o ciúme e a disputa do poder estão em toda parte.
A ética profissional exige que cada um reconheça a gestão de seus colegas de profissão. Muito mais isto deveria acontecer entre os membros da Igreja, principalmente do clero, pois, devemos reconhecer que é Deus quem faz o chamado ao ministério da Igreja e dá a missão a quem Ele quer. Quem somos nós para duvidarmos da decisão do Senhor?
No entanto, alguns podem questionar essa missão eclesial. É evidente que não vivemos num mundo perfeito. Porém, é evidente também que a inveja, o ciúme e a busca do poder entre alguns membros do clero maculam a imagem do Reino de Deus e da Igreja de Jesus Cristo.
Qualquer membro do clero, por respeito a esta imagem, deveria respeitar e reconhecer nos demais ministros ordenados o senhorio de Jesus Cristo que nele, necessariamente, se manifesta e se apreszenta.
Certamente, o compromisso com Deus como ministro ordenado, como padre é de enorme responsabilidade. Os apóstolos Tiago e João perguntaram a Jesus qual seria o privilégio deles em cargos importantes, mas Jesus lhes disse que eles não sabiam o que falavam. Ao invés, foram, sim, convidados pelo Senhor a participar de sua Paixão.
O grande e verdadeiro privilégio de um sacerdote não é outro senão participar do amor, da vida de Cristo, especialmente nos seus sofrimentos e na sua dor, que foi sempre em favor do próximo.
A dignidade do sacerdote, do padre,não deriva de favores humanos, mas de Deus, que o chama a ser testemunha e comunica a ele a Sua graça, através da consagração sacramental da Ordem.
Grandiosa é a dignidade de um padre, mas não menos importante é a grande obrigação que pesa sobre ele.
O sacerdote é apoiado por uma força extraordinária, mas ele é portador de uma enorme responsabilidade que é o valor de seu testemunho, que não deve ser menosprezado mesmo entre os seus irmãos de dignidade sacerdotal.
O mundo está inundado de peversões, incluindo nelas a chamada “invidia clericalis”. Terrivelmente, ela tem se infiltrado no seio da Igreja, minando a dignidade do sacerdócio e da própria vida eclesial.
A Palavra de Deus nos apresenta com honestidade toda a miséria humana, a miséria de cada homem, mas, ela é frutuosa ao nos apresentar também a capacidade de regeneração presente nos corações. E isso deve ser uma grande verdade também para os sacerdotes. Jesus escolheu doze homens. Viveu com eles durante cerca de tres anos. Estes deveriam ter percebido os seus ensinamentos. No entanto, quando Jesus instituiu o sacerdócio, um deles o traiu. Perguntamos: o que aconteceu com Judas? Cometeu o pecado de confiar unicamente em suas próprias forças. Desejou experimentar a sua própria lógica, e querer seguir a sua própria vontade, com seus próprios recursos e seus interesses.
Obviamente, ninguém pode ser um ministro ordenado com suas próprias forças. Deus exige humildade para obediência a tudo e ser guiado unicamente por Ele. Judas não pensou assim.
É muitissimo triste presenciarmos a disputa do poder, a inveja e o ciúme, dentro da própria Igreja e, às vezes, usando qualquer arma, qualquer ferramenta, para ver a derrota do outro, do próprio irmão, com verdadeiras batalhas, de propagandas desonestas, buscando o jargão do “politicamente correto”, e até mesmo a mídia para difamar o outro.
Há o pecado de dizer verdades supostamente incômodas que ninguém quer ouvir, mas por trás delas está apenas a vontade do escândalo e não da correção fraterna do irmão. Evidentemente, que a situação de um comportamento de concorrência atrai a glória para si e não busca o crescimento, a unidade, a comunhão, e a boa imagem do Cristianismo, que nenhum cristão, principalmente os ministros ordenados têm o direito de manchar. Estes, sim, deveriam evitar a preguiça, o contencioso, a ganância e a hipocrisia, e trabalhar ardualmente para melhorar o seu próprio estado de vida, o seu testemunho pessoal. Em verdade, o crescimento individual, pessoal, de um dos seus membros, deveria ser o ganho de crescimento de todo o corpo eclesial. A comunhão deve ser uma expressão constante no seio da mãe Igreja, mesmo e sobretudo, no relacionamento entre os seus membros ordenados que deveriam ser os primeiros a testemunhar uma verdadeira fraternidade.
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora
PAPA A NOVOS BISPOS: SIRVAM IGREJA COM AMOR, SEM SEGUIR CATEGORIAS MUNDANAS
◊ Castel Gandolfo, 11 set (RV) - O episcopado é um serviço de amor: foi o que ressaltou Bento XVI no discurso da manhã deste sábado, em Castel Gandolfo, aos bispos nomeados nos últimos dois anos, que participaram do Curso promovido pela Congregação para a Evangelização dos Povos.
Em seguida, o Pontífice exortou os prelados a não considerarem seu ministério segundo categorias mundanas. A saudação ao Papa foi feita pelo Prefeito do referido organismo vaticano, Cardeal Ivan Dias.
"A vida do bispo deve ser uma oblação contínua a Deus pela salvação de sua Igreja" e "das almas que lhe foram confiadas" – afirmou Bento XVI.
O Papa assegurou que a "Igreja deposita muitas esperanças" nos novos bispos e dirigiu um pensamento particular àqueles, entre eles, que "vivem a sua fé em contextos difíceis", onde, por vezes, se verificam "formas de perseguição". O Papa se deteve sobre a doação pessoal a Deus e aos fiéis, "verdadeira dignidade do Bispo", e chamou a atenção no sentido de se evitar equívocos em relação ao ministério episcopal:
"De fato, o episcopado – como o presbiterato – jamais deve ser entendido segundo categorias mundanas. Ele é serviço de amor. O Bispo é chamado a servir a Igreja com o estilo do Deus feito homem, tornando-se sempre mais plenamente servo do Senhor e servo da humanidade."
O Santo Padre evidenciou assim o "dever primário do anúncio, acompanhado da celebração dos Sacramentos", e que deve ser sempre reforçado pelo testemunho de vida:
"Aqueles que são chamados ao ministério da pregação devem crer na força de Deus que brota dos Sacramentos e que os acompanha na tarefa de santificar, governar e anunciar; devem crer e viver aquilo que anunciam e celebram."
Mas onde o bispo pode encontrar a força para conduzir o seu rebanho, para proclamar a Boa Nova?
"Para imitar Cristo é necessário dedicar um tempo adequado para "estar com Ele" e contemplá-lo na intimidade orante do colóquio de coração para coração. Colocar-se constantemente na presença de Deus, ser homem de oração e de adoração: em primeiro lugar, o Pastor é chamado a isso."
Sei que as Comunidades aos senhores confiadas se encontram "nas fronteiras" religiosas, antropológicas e sociais e, em muitos casos, são presença minoritária – disse ainda o Santo Padre. Nesses contextos – reconheceu – "a missão de um bispo é particularmente árdua". Em seguida, Bento XVI fez uma exortação.
Mas "é justamente em tais circunstâncias que, mediante o seu ministério, o Evangelho pode mostrar toda a sua potência salvífica":
"Os senhores não devem ceder ao pessimismo e ao desencorajamento, porque é o Espírito Santo que conduz a Igreja e lhe dá, com o seu sopro possante, a coragem de perseverar e também de buscar novos métodos de evangelização, para alcançar âmbitos até então inexplorados. A verdade cristã é atraente e persuasiva justamente porque responde à necessidade profunda da existência humana, anunciando de modo convincente que Cristo é o único Salvador do homem todo e de todos os homens." (RL)
DOM VILSON BASSO FALA SOBRE ENCONTRO DE BISPOS
◊ Roma, 11 set (RV) - Ajudar com o exemplo e o fraterno apoio os sacerdotes a seguirem sua vocação e a viver o seu ministério, para ser “sinal vivo de Jesus”, prontos a não julgar, mas a perdoar e a manter unidos os filhos de Deus, ser “pastores” e “sentinelas”, “eficazes em mostrar Cristo ao mundo, entusiastas em anunciar o Evangelho com suas vidas e exemplos”: foi o que disse o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone saudando os novos bispos nomeados pelo Papa nos últimos dois anos e reunidos nestes dias em Roma em um encontro organizado pela Congregação para os Bispos. Participa desse encontro o Bispo de Caxias do Maranhão, Dom Vilson Basso, que conversou com Silvonei José. (SP)
DOM HENRIQUE DA COSTA FALA DO ENCONTRO COM O PAPA
◊ Castel Gandolfo, 11 set (RV) - Bento XVI recebeu ontem, sexta-feira, em audiência, na Sala dos Suíços, em Castel Gandolfo, os bispos do Regional Nordeste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Regional formado pelos estados de Bahia e Sergipe – na conclusão de sua quinquenal visita "ad Limina".
O esperado encontro em grupo dos 28 bispos em visita "ad Limina" teve início com o discurso de saudação dirigido ao Santo Padre pelo Bispo de Itabuna e Presidente do Regional, Dom Ceslau Stanula. O Papa também fez um discurso aos bispos brasileiros. Mas sobre o encontro com o Santo Padre, Silvonei José conversou com o Bispo Auxiliar de Aracaju, Dom Henrique Soares da Costa. (SP)
SERENIDADE NO VATICANO DIANTE DA VIAGEM DO PAPA AO REINO UNIDO
◊ Vaticano, 11 set (RV) – O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, assegurou que há muita serenidade no Vaticano diante da viagem que o Papa Bento XVI realizará na próxima semana ao Reino Unido e recordou que o propósito principal da visita é a beatificação do Cardeal John Henry Newman.
Durante uma coletiva de imprensa, Padre Lombardi recordou os eventos programados para a visita e considerou possível que o Santo Padre se reúna com vítimas de abuso sexual.
O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé recordou que se trata da 17ª viagem apostólica internacional de Bento XVI e descartou que se trata da viagem mais “difícil” do Pontífice como alguns meios insistem em afirmar devido às ameaças de certos grupos radicais de protagonizar protestas contra o Pontífice.
“Vamos com muita serenidade, sabendo, entretanto, que é uma viagem muito importante e também complexa devido à riqueza dos acontecimentos e às situações que se apresentarão”, declarou o Pe. Lombardi.
A última visita de um Papa ao Reino Unido foi em 1982 quando João Paulo II foi à Inglaterra em plena crise das Malvinas. Padre Lombardi recordou que esta vez, a razão principal da viagem é a beatificação do Cardeal John Henry Newman. (SP)
Igreja na América Latina
BENTO XVI EXORTA ARGENTINOS A PARTICIPAREM DE COLETA "MAIS POR MENOS"
◊ Cidade do Vaticano, 11 set (RV) - A Coleta Nacional argentina "Mais por Menos", que se realiza neste sábado e domingo em todas as paróquias do país, com o lema: "Construamos uma história sem excluídos", completa 40 anos.
Numa mensagem, Bento XVI exorta os católicos argentinos a responderem à Coleta com "sincera generosidade", ressaltando que se trata de "uma obra louvável que busca ajudar os menos favorecidos e promover a solidariedade".
Após observar que o momento atual não deixa de apresentar dificuldades, o Papa convida "os discípulos de Cristo naquela cara terra a amarem todos com o mesmo amor com o qual Deus nos ama, manifestando assim que a caridade deve ser o traço distintivo de sua vida".
O Pontífice exorta-os a "cultivarem, todos os dias, a escuta da Palavra divina, a oração perseverante, a participação assídua nos Sacramentos e a união fraterna, como alimento de uma caridade sempre mais intensa e para dar nova vida aos valores universais da convivência humana".
"Com esses sentimentos, o Sumo Pontífice confia essa iniciativa a Nossa Senhora de Luján – celeste padroeira do povo argentino – suplicando-a a ajudar com a sua proteção todos aqueles que participam da Campanha, ao tempo em que concede uma especial Bênção Apostólica, penhor de abundantes graças celestiais."
Os frutos da 41ª edição da Coleta serão distribuídos em 25 dioceses argentinas necessitadas – divididas em cinco níveis de prioridade – para construir abrigos de ajuda recíproca, microempresas e refeitórios comunitários. (RL)
Igreja no Mundo
NÚNCIO NOS EUA PEDE QUE PENA DE MORTE A CONDENADO NOS KENTUCKY SEJA COMUTADA
◊ Washington, 11 set (RV) - O Núncio Apostólico nos EUA, Dom Pietro Sambi, através de uma carta, pede em nome do Papa ao Governador do Kentucky, Steve Beshear, para comutar a pena de morte sentenciada a Gregory Wilson, cuja execução está prevista para a próxima quinta-feira, dia 16.
O Arcebispo de Louisville, Dom Joseph Kurtz, e a Diretora-Executiva do Conselho das Igrejas do Kentucky, Marian McClure, entregaram, nesta quinta-feira, a mensagem Governador.
Wilson foi julgado culpado, em 1988, de sequestro, estupro e homicídio de uma mulher. Atualmente recorreu à decisão do Tribunal para suspender a sua execução, para que possam ser completadas as investigações acerca de seu retardamento mental e possa ser acolhido o pedido do teste de DNA.
O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, se referia a casos como esses quando, domingo passado, afirmou que a Santa Sé acompanha, "com atenção e participação", o caso de Sakineh, a mulher condenada à lapidação no Irã.
O porta-voz vaticano, ressaltando que "é conhecida a posição da Igreja contrária à pena de morte", recordara que quando, de modo apropriado, é pedido à Santa Sé que intervenha em questões humanitárias junto às autoridades de outros países, "como se deu muitas vezes no passado, costuma fazê-lo não de forma pública, mas dirigindo-se às autoridades competentes mediante seus canais diplomáticos". (RL)
Formação
EDITORIAL: INDEPENDÊNCIA NACIONAL
◊ Cidade do Vaticano, 11 set (RV) - Nesta semana na qual comemoramos os 188 anos de nossa independência nacional, muitas efemérides sociais nos envolveram. A começar pelo domingo, quando o Papa Bento XVI se dirigiu a Carpineto Romano para celebrar a missa comemorativa pelos duzentos anos de nascmento do Papa Leão XIII, o papa da “Rerum Novarum”, da primeira encíclica social da Igreja e a sinalizadora, nos tempos atuais, da dimensão social de nossa fé cristã. Também foi o mesmo Leão XIII que homenageou o povo brasileiro, enviando à sua Princesa Regente, Isabel de Bragança, uma rosa de ouro, por ocasião da abolição da escravatura em nosso país.
Não bastasse tudo isso, no dia 5 tivemos a festa litúrgica da Beata Teresa de Calcutá, a santa dos pobres, dos miseráveis, aquela que almejava, entre outras solicitações, dar ao ser humano a oportunidade de morrer com dignidade. Teresa trabalhava sem esperar retorno.
“Rerum Novarum, Doutrina Social da Igreja, Rosa de ouro pela libertação dos escravos, uma vida e uma congregação, voltadas aos mais pobres dentro dos menos favorecidos e, juntando a isso, a celebração da independência do Brasil, um país que se afirma, sempre mais, no âmbito dos países de economias emergentes.
Acredito que este é o momento em que o país é vocacionado a completar a curva que o faz deixar de ser e de estar situado naquele grupo de países erroneamente denominados, países do “terceiro mundo”. O dever do Brasil é assumir, com todo seu carisma e pragmatismo social, fruto de uma herança de fé e de tradições históricas, a sua vocação cristã de país que vive, e pratica a justiça e defende a dignidade de cada pessoa. (CA)
REFLEXÃO DOMINICAL: A MISERICÓRDIA DE DEUS
◊ O Cidade do Vaticano, 11 set (RV) - O tema deste domingo é a misericórdia.
O Evangelho é o famoso texto de Lucas chamado “Filho Pródigo”. Na verdade o tema é a misericórdia do Pai, que permite que seu filho viva plenamente sua liberdade, mesmo de modo errado.
Quando o rapaz caiu em si, viu que havia cometido uma grande falta de amor. Exatamente por ter vivenciado o carinho do Pai durante o tempo em que morou em casa e inclusive o respeito dele por sua liberdade, mesmo que exercida de modo enganoso, ele pode perceber a armadilha em que havia caído – usufruir prazeres do mundo – e, ao mesmo tempo, os meios de como se libertar dela – o amor do pai.
Assim, se às pessoas, através do contato conosco, forem revelados o amor de Deus como o Pai Misericordioso, ensinado e demonstrado por Jesus Cristo, quando tiverem desejosas de retornarem à Família de Deus, saberão que o contato conosco será a porta que levará a Jesus e aos irmãos.
Por outro lado, o modo de acolher o filho penitente, sem exigir pedidos de perdão e atitudes humilhantes, demonstram o respeito e o carinho do pai. Também nós deveremos acolher com carinho todos aqueles que foram tocados pela Luz de Deus e estão voltando à reconciliação com o Senhor ou com um de seus filhos.
Deus é Pai, é Amor, é Vida! Por isso seu relacionamento com o pecador é de misericórdia. Foi isso que nos revelou o Coração de Jesus.
Como filhos de Deus, nossa atitude para com o pecador, será igual, de irmão, absolutamente fraterna e misericordiosa, sem nenhum gesto arrogante, nenhum gesto humilhante. (CA)
DOM ORANI: PERDÃO E RECONCILIAÇÃO
◊ Rio de Janeiro, 11 set (RV) - Daí que o tema da reconciliação é conjunto com o tema do arrependimento e também com o tema da humildade.
Temos uma grande riqueza em nossa Igreja Católica que são a prática e possibilidade da confissão e da penitência como sinal da conversão e arrependimento. As contestações de hoje são muitas devido às transformações religiosas e culturais vindo sempre com a célebre pergunta: “porque preciso me confessar, ou ainda mais, porque com uma pessoa igual a mim?”. Isso demonstra a dificuldade que encontramos hoje em viver a reconciliação.
Reconciliar é re-unir, é um trazer de volta a harmonia perdida. É uma cura à divisão, à separação, à ruptura. Mal maior da humanidade: a divisão.
A vida de Jesus foi o grande anúncio da reconciliação. A Igreja, insistimos, é símbolo da reconciliação. Daí o termo “embaixadores” pregado por São Paulo.
A reconciliação é um novo momento de graça e um excelente momento de conscientização sobre o nosso pecado pessoal e social também. Chama-nos a lembrar de nosso compromisso no batismo, a nossa vida confirmada no Espírito, e a nossa unidade com o povo eucarístico.
A parábola do filho pródigo ensina-nos, claramente, que o pecado é um distanciar-se. Distanciar-se da harmonia com o Pai, e com a atitude do filho mais velho, é um recusar-se à compaixão e à misericórdia.
A nossa base de relacionamento deve ser em primeiro lugar com Deus: relação pai/filho na parábola. A linguagem do sacramento da confissão é esta mesma: resposta ao apelo para vivermos constantemente essa relação.
Por isso seria muito importante nos perguntar se temos a prática de nos achegarmos ao sacramento da penitência. Ligado ao mesmo assunto, buscando o crescimento espiritual, será que temos também procurado o diretor espiritual? Em nossas comunidades temos facilidade de acesso dos fiéis ao sacramento da reconciliação? Teríamos que ter um horário determinado para atendimento da confissão de nossos fiéis em todas as paróquias e em todas as regiões nas comunidades mais centrais alguns plantões para atendimento do nosso povo. Em minhas reuniões com as foranias tenho procurado detectar esses locais e incentivar essa prática.
Digo isso levado também por uma importante palavra do nosso Papa Bento XVI: “O Sínodo lembrou que é dever pastoral do bispo promover na sua diocese uma decisiva recuperação da pedagogia da conversão que nasce da Eucaristia e favorecer entre os fiéis a confissão freqüente. Todos os sacerdotes se dediquem com generosidade, empenho e competência à administração do sacramento da Reconciliação. A propósito, procure-se que, nas nossas igrejas, os confessionários sejam bem visíveis e expressivos do significado deste sacramento. Peço aos pastores que vigiem atentamente sobre a celebração do sacramento da Reconciliação, limitando a prática da absolvição geral exclusivamente aos casos previstos, permanecendo como forma ordinária de absolvição apenas a pessoal.” (Cf. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, n. 21)
Nosso Senhor Jesus Cristo, queridos irmãos e irmãs, é a presença viva da reconciliação de Deus. Bendito seja o homem que encontrou Cristo, porque ele encontrou a Deus que perdoa. Deus, em Cristo, vive perto de nós. Façamos o tema da reconciliação algo de concreto em nossa vida: tive fome e me alimentou; tive sede e me destes de beber; estive doente e me visitastes; estive preso e me acolhestes. Testemunhemos o exercício caritativo e purificador da reconciliação no cotidiano de nossas vidas, e o mundo perceberá não em teoria apenas, mas em verdade, o que Jesus nos pede uma vida santa e reconciliada para viver a via ordinária da santidade!
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.
DOM EURICO: A BUSCA DO PODER
◊ Juiz de Fora, 11 set (RV) - A inveja, o ciúme e a disputa do poder estão em toda parte.
A ética profissional exige que cada um reconheça a gestão de seus colegas de profissão. Muito mais isto deveria acontecer entre os membros da Igreja, principalmente do clero, pois, devemos reconhecer que é Deus quem faz o chamado ao ministério da Igreja e dá a missão a quem Ele quer. Quem somos nós para duvidarmos da decisão do Senhor?
No entanto, alguns podem questionar essa missão eclesial. É evidente que não vivemos num mundo perfeito. Porém, é evidente também que a inveja, o ciúme e a busca do poder entre alguns membros do clero maculam a imagem do Reino de Deus e da Igreja de Jesus Cristo.
Qualquer membro do clero, por respeito a esta imagem, deveria respeitar e reconhecer nos demais ministros ordenados o senhorio de Jesus Cristo que nele, necessariamente, se manifesta e se apreszenta.
Certamente, o compromisso com Deus como ministro ordenado, como padre é de enorme responsabilidade. Os apóstolos Tiago e João perguntaram a Jesus qual seria o privilégio deles em cargos importantes, mas Jesus lhes disse que eles não sabiam o que falavam. Ao invés, foram, sim, convidados pelo Senhor a participar de sua Paixão.
O grande e verdadeiro privilégio de um sacerdote não é outro senão participar do amor, da vida de Cristo, especialmente nos seus sofrimentos e na sua dor, que foi sempre em favor do próximo.
A dignidade do sacerdote, do padre,não deriva de favores humanos, mas de Deus, que o chama a ser testemunha e comunica a ele a Sua graça, através da consagração sacramental da Ordem.
Grandiosa é a dignidade de um padre, mas não menos importante é a grande obrigação que pesa sobre ele.
O sacerdote é apoiado por uma força extraordinária, mas ele é portador de uma enorme responsabilidade que é o valor de seu testemunho, que não deve ser menosprezado mesmo entre os seus irmãos de dignidade sacerdotal.
O mundo está inundado de peversões, incluindo nelas a chamada “invidia clericalis”. Terrivelmente, ela tem se infiltrado no seio da Igreja, minando a dignidade do sacerdócio e da própria vida eclesial.
A Palavra de Deus nos apresenta com honestidade toda a miséria humana, a miséria de cada homem, mas, ela é frutuosa ao nos apresentar também a capacidade de regeneração presente nos corações. E isso deve ser uma grande verdade também para os sacerdotes. Jesus escolheu doze homens. Viveu com eles durante cerca de tres anos. Estes deveriam ter percebido os seus ensinamentos. No entanto, quando Jesus instituiu o sacerdócio, um deles o traiu. Perguntamos: o que aconteceu com Judas? Cometeu o pecado de confiar unicamente em suas próprias forças. Desejou experimentar a sua própria lógica, e querer seguir a sua própria vontade, com seus próprios recursos e seus interesses.
Obviamente, ninguém pode ser um ministro ordenado com suas próprias forças. Deus exige humildade para obediência a tudo e ser guiado unicamente por Ele. Judas não pensou assim.
É muitissimo triste presenciarmos a disputa do poder, a inveja e o ciúme, dentro da própria Igreja e, às vezes, usando qualquer arma, qualquer ferramenta, para ver a derrota do outro, do próprio irmão, com verdadeiras batalhas, de propagandas desonestas, buscando o jargão do “politicamente correto”, e até mesmo a mídia para difamar o outro.
Há o pecado de dizer verdades supostamente incômodas que ninguém quer ouvir, mas por trás delas está apenas a vontade do escândalo e não da correção fraterna do irmão. Evidentemente, que a situação de um comportamento de concorrência atrai a glória para si e não busca o crescimento, a unidade, a comunhão, e a boa imagem do Cristianismo, que nenhum cristão, principalmente os ministros ordenados têm o direito de manchar. Estes, sim, deveriam evitar a preguiça, o contencioso, a ganância e a hipocrisia, e trabalhar ardualmente para melhorar o seu próprio estado de vida, o seu testemunho pessoal. Em verdade, o crescimento individual, pessoal, de um dos seus membros, deveria ser o ganho de crescimento de todo o corpo eclesial. A comunhão deve ser uma expressão constante no seio da mãe Igreja, mesmo e sobretudo, no relacionamento entre os seus membros ordenados que deveriam ser os primeiros a testemunhar uma verdadeira fraternidade.
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora
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