Papa e Santa Sé
PAPA RECEBE TERCEIRO GRUPO DE BISPOS DO REGIONAL NORDESTE 3
◊ Castel Gandolfo, 04 set (RV) - Bento XVI recebeu na manhã deste sábado, na residência apostólica, em Castel Gandolfo, mais um grupo de bispos do Regional Nordeste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que engloba os Estados de Bahia e Sergipe.
Do Estado da Bahia, o Papa recebeu hoje o Arcebispo de Vitória da Conquista, Dom Frei Luís Gonzaga Silva Pepeu, o Bispo de Bom Jesus da Lapa, Dom José Valmor César Teixeira, o bispo de Livramento de Nossa Senhora, Dom Armando Bucciol, e do Sergipe, Bento XVI recebeu o Bispo de Propriá, Dom Mário Rino Sivieri.
Mariangela Jaguraba entrevistou o bispo de Itabuna, Dom Ceslau Stanula, presidente do Regional Nordeste 3, que nos fala sobre o encontro realizado ontem, com o Santo Padre.
O Arcebispo de Feira de Santana, Dom Frei Itamar Vian, também será recebido pelo Santo Padre na próxima semana. Ele nos fala sobre sua expectativa para esta visita.
(MJ)
BENTO XVI VISITA NESTE DOMINGO CARPINETO ROMANO, TERRA NATAL DE LEÃO XIII
◊ Cidade do Vaticano, 04 set (RV) - No bicentenário do nascimento do Papa Leão XIII, Bento XVI irá neste domingo a Carpineto Romano, cidade da região italiana do Lácio, situada a cerca de 80Km de Roma. O Pontífice presidirá à santa missa às 9h30 locais; logo em seguida retornará de helicóptero para Castel Gandolfo – onde se encontra neste período de verão europeu – para rezar, ao meio-dia, a oração mariana do Angelus.
Muitas datas marcam a história de Carpineto, mas, sem dúvida, a mais importante é 20 de fevereiro de 1878. O nobre Gioacchino Pecci, nascido em Carpineto no dia 2 de março de 1810, foi eleito à Cátedra de Pedro com o nome de Papa Leão XIII.
Trata-se de um período histórico marcado por profundas mudanças sociais e econômicas. Justamente essas profundas transformações da sociedade moderna formam a moldura da Rerum Novarum. Nessa célebre encíclica de 1891, Leão XIII propugna maior impulso ao associacionismo católico e auspicia a intervenção do Estado no campo social.
E são numerosas as obras sociais realizadas em Carpineto sob o Pontificado do Papa Gioacchino Pecci: a creche para as crianças, a escola, e o asilo para idosos se somam à chegada, à localidade, da água proveniente do monte Carpino, adjacente.
Entre as obras ligadas a Leão XIII destaca-se a iluminação pública, que fez de Carpineto uma das primeiras cidades a usufruir dessa moderna invenção. Hoje, estradas, ruas e praças recordam com placas e lápides o Papa Leão XIII.
Essa será a terceira vez que um Pontífice realiza uma viagem apostólica à cidadezinha do Lácio. Paulo VI visitou Carpineto em 1966, por ocasião do 75º aniversário da Rerum Novarum. Em 1991 também o Papa João Paulo II visitou a localidade, por ocasião do centenário da referida encíclica.
A visita de Bento XVI, que com a Caritas in veritate prosseguiu a tradição das encíclicas sociais iniciada na era moderna com a Rerum Novarum, enche de alegria toda a comunidade local.
Portanto, trata-se de uma cidade em festa que acolhe o Santo Padre. Uma cidade que, com grande expectativa, espera poder amanhã acolher o Sucessor de Pedro. (RL)
PAPA FELICITA PRIMEIRA UNIVERSIDADE CATÓLICA NA SUÉCIA APÓS 500 ANOS
◊ Cidade do Vaticano, 04 set (RV) - Foi inaugurado neste sábado, na Suécia, o Instituto Newman, em Uppsala – centro-sul do país – o primeiro centro universitário católico da Suécia desde o tempo da Reforma. A cerimônia foi aberta com uma santa missa presidida pelo Prepósito Geral da Companhia de Jesus, Pe. Adolfo Nicolás.
Na ocasião, o Papa – num telegrama assinado pelo Cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone – expressa a sua alegria e a sua admiração por essa realização e pede que docentes, estudantes e pesquisadores do Instituto possam dedicar-se "com coração e mente completamente abertos à busca da sabedoria divina e humana", fazendo votos de que essa obra, intitulada ao Cardeal Newman, possa reforçar "as relações intelectuais e espirituais entre os países nórdicos e toda a Europa, como fez uma precedente universidade fundada em Uppsala pelo Papa Sixto IV".
A mensagem se conclui com o seguinte auspício: "Possam a tradição ilustre de estudo, a busca desinteressada do conhecimento em todos os campos e um forte empenho à fé divina e à razão humana, ser características desse novo centro de humana e católica excelência".
Pela primeira vez, após 500 anos, uma Universidade Católica foi reconhecida pelo Estado sueco. (RL)
CARDEAL RYLKO: EVANGELIZAÇÃO É RAZÃO DE SER DA IGREJA
◊ Seul, 04 set (RV) - Entra na reta final o Congresso dos leigos católicos da Ásia, em andamento em Seul, na Coreia do Sul. De fato, amanhã, domingo, se terá a missa conclusiva na catedral da cidade, ao término da qual todos os participantes receberão um mandato missionário para a evangelização na Ásia. Os trabalhos foram concluídos esta manhã pelo Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko. O Congresso foi organizado pelo referido organismo vaticano.
Esperança: esse é o denominador comum do Congresso, disse o Cardeal polonês. E essa esperança tem um nome, o nome de Deus, o único capaz de derrotar o "esmorecimento profundo" e "o niilismo prático" do qual a humanidade pós-moderna é vítima. A grande missão dos cristãos na Ásia, então, é anunciar a esperança ao Continente, sobretudo onde a liberdade religiosa é negada, porque "a evangelização não é uma atividade acessória, mas a razão de ser da Igreja" – reiterou o purpurado.
O Cardeal Rylko chamou a atenção para o fato que a evangelização não significa reduzir tudo a um diálogo aplainado ou a uma simples obra de promoção humana. Não: evangelizar significa olhar três "leis fundamentais", reiteradas vezes recordadas no passado pelo então Cardeal Ratzinger.
A primeira é a lei da expropriação, que nos diz que evangelizar "jamais é uma questão privada, porque por trás estão sempre Deus e a Igreja".
A segunda norma diz respeito à humildade: como um grão de mostarda, quem anuncia o Evangelho deve ser humilde e somente assim saberá reagir ao desencorajamento que pode atingir o empenho missionário.
Por fim, a terceira lei nos recorda a importância dos mártires, aqueles que, como o grão de trigo, morrem para dar fruto.
Em seguida, o Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos se deteve sobre o tema da inculturação do Evangelho e reiterou que, longe de sincretismo, a fé não se identifica com nenhuma cultura, mas, pelo contrário, é capaz de impregnar toda cultura.
O purpurado destacou ainda como central também a questão da formação, direito-dever dos leigos e no qual "a presença e a contribuição das mulheres" é cada vez mais importante. Ressaltou ainda que a formação dos leigos deve ser feita sobretudo nas paróquias, "verdadeiras academias de vida cristã", e nos "movimentos eclesiais", desde que sejam "inseridos com humildade na vida das Igrejas locais".
O último ponto tratado pelo Cardeal Rylko foi o da santidade, que "não é uma utopia", mas fascinante meta que Cristo prospecta a todos os batizados". "Os santos são grandes mestres de vida cristã – ressaltou – infundem-nos a coragem de investir toda a nossa vida em Deus e desafiam-nos a sairmos de uma mediocridade que nos torna propensos a acolhermos a cultura laicista dominante".
Concluindo, o purpurado polonês fez um agradecimento final às comunidades cristãs sofredoras, as mais pobres ou privadas da liberdade religiosa. O Congresso expressou-lhes proximidade e amor, reiterando que a Igreja não as abandonou, mas, pelo contrário, as coloca numa posição privilegiada. (RL)
Igreja no Brasil
INDAIATUBA: CONGRESSO VOCACIONAL REÚNE 400 PESSOAS
◊ Indaiatuba, 04 set (RV) - Teve início nesta sexta-feira, em Itaici, município de Indaiatuba (SP) o 3° Congresso Vocacional do Brasil.
Promovido pela Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e reúne 400 pessoas até o próximo dia 7.
A celebração eucarística presidida ontem pelo bispo da Prelazia de São Felix (MT), Dom Leonardo Ulrich Steiner, marcou a abertura do encontro. O presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, e o secretário-geral, Dom Dimas Lara Barbosa, estavam presenetes no evento. Além deles, são esperados também os bispos responsáveis pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV) nos 17 Regionais da CNBB e convidados internacionais.
O Congresso tem a finalidade de celebrar a caminhada vocacional da Igreja no Brasil. Ele se inspira no Sínodo sobre a Palavra de Deus, realizado em Roma, em 2008, e também no documento da Assembleia Geral dos Bispos da América Latina e Caribe, realizada em Aparecida (SP), em 2007, sobre o tema: “Discípulos missionários a serviço das vocações” e como lema “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações”.
A primeira palestra do Congresso será feita manhã deste sábado, pelo teólogo padre Agenor Brighenti, sobre o tema: "Vocações no atual contexto sociocultural e eclesial". Durante todo o dia, os participantes discutirão este tema em grupos.
Já o teólogo Pe. João Batista Libânio fará manhã, domingo, dia 5, a palestra sobre "Teologia do discipulado e da missão". Este tema também será aprofundado ao longo do dia nos grupos. Na segunda-feira, 6, padre Gilson Maia, membro da equipe executiva do Congresso, encerra o ciclo das palestras falando sobre "Questões práticas".
O 1º Congresso Vocacional do Brasil foi realizado em 1999, também em Itaici e teve como tema: "Vocações e Ministérios para o Novo Milênio". Já o segundo Congresso se realizou em 2005, no mesmo local do primeiro. Desta vez, os participantes discutiram o tema "Igreja, povo de Deus a serviço da vida". (MJ⁄CNBB)
VERBITAS COMPLETAM 30 ANOS DE MISSÃO NA AMAZÔNIA
◊ Manaus, 04 set (RV) - Os missionários da Congregação do Verbo Divino estão completando 30 anos de missão na Amazônia.
Os primeiros missionários chegaram a Santarém, no Pará, em 1980. Para comemorar esse evento, foi preparado um amplo programa que inclui uma série de palestras sobre a presença da congregação nos cinco continentes, retiro, assembleia e mostras sobre os trabalhos realizados.
As celebrações se realizarão de 8 a 17 deste mês em Santarém, com a participação de 34 missionários do Verbo Divino, provenientes de 10 países e cerca de 120 leigos representantes de vários municípios.
Entre as iniciativas para celebrar os 30 anos da presença dos Verbitas na Amazônia está o Congresso Missionário Verbita sobre o tema "A Pastoral Missionária na Amazônia: desafios e alternativas".
O Congresso, que se realizará nos dias 11 e 12 de setembro, inclui dois dias de intenso trabalho. O perfil dos missionários que trabalham naquela área inclui uma experiência de trabalho nas paróquias como ponto principal de rede das comunidades, de onde partem outras experiências missionárias com os jovens e a catequese com as crianças.
Na Amazônia, os Missionários do Verbo Divino trabalham tanto nas áreas urbanas quanto nas zonas rurais desde a Diocese de Macapá ao Oiapoque, com a missão indígena, e demais dioceses.
Em seu trabalho pastoral, os Missionários do Verbo Divino dão prioridade à dimensão social, animação missionária, espiritualidade, difusão da Bíblia e a formação de líderes das comunidades. (MJ)
Igreja na América Latina
ARGENTINA: ENCONTRO DE COMUNICAÇÃO DO CONE SUL
◊ Buenos Aires, 04 set (RV) - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participará de 7 a 10 deste mês, do Encontro dos Responsáveis das Comissões de Comunicação das Conferências Episcopais do Cone Sul que engloba Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e o Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM).
O encontro se realiza em Buenos Aires, Argentina, e a CNBB será representada pelo bispo responsável da Comunicação no Regional Sul 1 da CNBB (São Paulo), Dom Vilson Dias de Oliveira, Bispo de Limeira, e pela assessora do Setor de Comunicação Social da CNBB, irmã Elide Fogolari.
Durante os quatro dias de encontro, os participantes irão refletir a sobre a realidade da comunicação no Cone Sul e aprofundar os desafios no que diz respeito ao Projeto Missão Continental. "Nós vamos dialogar sobre a importância da comunicação nos países do Cone Sul e sobre o que está sendo feito no campo da comunicação da Igreja nos diversos países, tendo presente o Documento de Aparecida que nos pede para trabalharmos a Missão Continental. Vamos refletir também sobre a possibilidade de iniciativas serem implantadas nos diversos países, para que a evangelização seja difundida pelos diversos meios de comunicação", frisou o bispo.
Dom Vilson antecipa ainda que as experiências do Brasil no campo da comunicação também serão expostas durante o encontro. "Levaremos as iniciativas do Brasil no campo da comunicação e da Missão Continental. Para isso, temos o apoio de vários campos: catequese, liturgia, missão e todas as diversas pastorais que trabalham com a comunicação".
A assessora do Setor de Comunicação da CNBB, irmã Elide Fogolari, diz que o encontro é importante para a Igreja no Brasil perceber a sua relação com a Igreja na América Latina a partir de reflexões sobre comunicação. "É o tipo de encontro em que percebemos a afinidade da Igreja no Brasil com a Igreja na América Latina, a partir de reflexões sobre comunicação" – ressaltou a religiosa.
Irmã Elide também destaca que a troca de experiências é outro ponto enriquecedor no encontro. "São vários países participantes que mostram suas experiências no campo da comunicação que nos ajudam a crescer como Igreja. O Brasil, por exemplo, é muito rico no campo da comunicação: temos muitas TVs, rádios, sites de internet e estudo nessa área. Diferente de outros países da América Latina que têm mais dificuldades, embora sejam muito esforçados" - concluiu. (MJ⁄CNBB)
Formação
EDITORIAL
◊ Cidade do Vaticano, 04 set (RV) - Nesta semana um grupo de bispos do Regional Nordeste 3, em visita “ad limina”, refletia sobre nossos jovens, não apenas os adolescentes, mas também aqueles que já vão se tornando independentes.
Pudemos perceber o quanto é importante o contato prolongado dos jovens com os pais ou com aqueles que fazem seu papel na família.
Constatou-se, em boa parte de nossa juventude, a falta de uma direção, de um vértice para onde caminhar e de valores a serem vividos.
Com a ausência de pai e mãe que deixam por muitas horas o contato com seus filhos, por causa do trabalho, um aspecto importantíssimo que é a transmissão de valores e experiência de vida, fica a desejar, mas não vazio, pois o mal sabe muito bem ocupar o espaço destinado ao bem.
Entende-se a preocupação com o trabalho, com o colocar comida na mesa e pagar boa escola e plano de saúde. Contudo existe algo que não pode ser deixado de lado que é estar diàriamente com os filhos e informalmente educá-los, passando os valores da fé e de cidadania. Não será jamais a escola, por melhor que seja, que assumirá essa missão. A escola, a boa escola, deverá complementar aquilo que a família proporciona.
Não é necessário citar as consequências funestas que paulatinamente aumentam em nosso país pela ausência do contato prolongado entre pais e filhos. Infelizmente os meios de comunicação estão repletos de casos!
Formar os filhos, passar valores, são direitos e deveres inalienáveis dos pais ou daqueles que fazem seu papel. (CAS)
REFLEXÃO PARA O 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM
◊ Cidade do Vaticano, 05 set (RV) - O tema da meditação deste final de semana é a frase do Evangelho de Lucas: “Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”.
Comumente dá-se destaque, ou impressiona-nos mais o “carregar a cruz”. Sobre isso já se escreveu e já se falou muito, ao mesmo tempo que é usado para uma atitude conformista de pensar-se que Deus quer o nosso sofrimento.
Jesus teve sua cruz e eu tenho a minha, a que ele me deu. A isso devo me conformar, isto é, tomar a forma dela, encaixando-me em sua fôrma. Mas será isso que o Senhor da Vida, do Amor pede a mim, seu filho?
Não, não é assim. Deus não quer o nosso sofrimento! O sofrimento não é caminho de salvação. O caminho de salvação é Jesus Cristo. Ele disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade, a Vida!” Portanto, o ponto forte da frase de Jesus, colocada no Evangelho de Lucas não é “carrega a cruz”, mas sim “caminha atrás de mim”, segue-me!
Seguir Jesus supõe fazer uma opção. Opção por ele, é claro! Toda opção exige renúncia. É escolher isso ou aquilo. A opção feita irá marcar nossa vida.
Optar por Jesus Cristo significa deixar tudo e colocá-lo, e somente ele, como absoluto da vida. A ele sim, deveremos nos conformar, não no sentido de entrar na fôrma, mas de recuperar nossa essência e caminharmos para a existência plena.
Fomos criados imagem e semelhança de Deus, do Verbo, de Cristo. O homem só será feliz quando recuperar sua vocação, quando voltar às suas origens. Fazer a opção pela Vida, para ser si mesmo e não outro ser, ou seja, ser imagem e semelhança da Verdade, da Vida, do Amor! (CAS)
PÁTRIA E CIDADANIA
◊ Rio de Janeiro, 04 set (RV) - Estamos em plena “Semana da Pátria”. Iniciamos o mês da Bíblia com a reflexão sobre o lugar onde vivemos. O país faz parte de nossa própria tradição pessoal. O homem é obrigatoriamente ligado à terra, ao seu território. Mesmo agora, com toda globalização, experimentamos como a busca das raízes e das nacionalidades aumenta ainda mais.
A nação incorpora-se ao ser da dignidade da pessoa enquanto cidadão que é. A nação é o lugar privilegiado não só de suas características naturais como planícies, rios, montanhas e o solo, mas é, principalmente, onde nossos antepassados deixaram a sua marca, onde eles cresceram, onde eles construíram a sua história de vida, e que nós herdamos esses valores. Essa realidade nos impulsiona a amar a nossa pátria. Aqui também encontramos a preocupação com os migrantes e também o espírito cristão, que sabe que é sempre estrangeiro enquanto caminha para a pátria definitiva e, ao mesmo tempo, sabe que sente como sua pátria todos os lugares onde está. Porém, o amor às raízes e a nossa responsabilidade pelo bem comum, seja onde nascemos, seja onde fomos adotados, faz com que, mesmo não perdendo de vista a globalidade das preocupações humanas, tenhamos também o nosso trabalho na construção de um mundo mais justo e solidário.
O povo do Antigo Testamento mostra muitas vezes essa ligação com a terra de seus pais. Muitas passagens do Antigo Testamento demonstram a predileção do povo judeu pela terra de seus antepassados. O Novo Testamento descreve o carinho de Cristo para com seu povo e diz que Jesus chorou sobre o destino de Jerusalém, que seria destruída, como nos recorda o Santo Padre Pio XII em sua encíclica “Summa Pontificatus”, de 20 de outubro de 1939: “o Divino Mestre dá o exemplo de amor à sua terra quando chorou sobre a iminente destruição da Cidade Santa”.
A grande questão é que muitas vezes, e em muitas decisões, há certa confusão entre a nação e seu governo, entre o povo e os administradores.
Santo Tomás, em sua Summa Theologica (Questão 101, seção I), assim se expressa: “Assim como é para a religião a adoração a Deus, é, em menor grau, a piedade do culto aos pais e à pátria.”. Um culto de gratidão à terra que nos acolheu, gratidão por esse dom recebido.
A Igreja Católica sempre o afirmou como uma realidade palpável e sempre o teve como uma virtude, aliás, como presente em sua doutrina, através do Catecismo (2239): “o amor e o serviço ao país são reconhecimento do direito e estão na ordem da caridade”. Mas esse amor não deve ser descompromissado e sem reflexão crítica. Para mais amarmos, mais queremos bem à Pátria. Daí vem o compromisso com os excluídos, a nossa preocupação com o futuro da nação, a cobrança aos governos.
Sabemos que a situação atual é muito difícil. Os bolsões de pobreza e violência demonstram quantos passos ainda temos que dar. Só um irmão que passe fome e necessidades extremas já nos questiona sobre a dignidade da vida humana. A gravidade dos desafios no campo da pobreza salta aos nossos olhos e não só ao homem de fé, mas também ao bom senso natural.
O país exige mudanças estruturais e exige que homens bons e honestos no campo político tomem para si a grande responsabilidade pelo pão, pelo trabalho, pela educação, pela segurança e pela paz que são pedidos pela nação. Os governos devem estar a serviço do povo.
O empenho pela transformação do país, para uma pátria socialmente justa, não é um tarefa apenas para sonhadores: as próximas eleições que se avizinham são uma forma bem concreta para essa transformação.
Neste momento das eleições, a Igreja pede que os cidadãos não reduzam a sua participação política apenas ao voto, embora este seja fundamental e necessário. Pede, igualmente, que não deixe que os políticos trabalhem sozinhos pelo bem público, mas que todos se sintam corresponsáveis pelos destinos do país. Todos têm o seu dever de responsabilidade pública, que começa com o voto e com a eleição, mas neles não se esgota.
Rezemos para que o povo brasileiro se conscientize, na Semana da Pátria que se inicia, a votar somente em candidatos “Ficha Limpa” e que tenham compromisso com a vida em todas as fases, contrários ao aborto, e que defendam a dignidade humana, superando o assistencialismo e criando condições dignas de ensino de qualidade, acesso ao mercado de trabalho e constituição de uma cidadania que quer emprego, renda, saúde e educação.
É isso que desejamos ao nosso Brasil nesta semana em que olhamos para o passado e presente sonhando com um futuro sempre melhor, enquanto nos comprometemos com atitudes concretas nesta importante missão de uma pátria justa e aberta e que seja a meta número dos homens públicos.
+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
O GRITO E O PLEBISCITO
◊ Belo Horizonte, 04 set (RV) A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou carta aos bispos membros da Conferência Episcopal esclarecendo sobre a proposta do plebiscito de iniciativa popular pelo limite da propriedade da terra no Brasil, em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar. A proposta, nessa Semana da Pátria, “não é de iniciativa da CNBB, nem se realiza sob sua responsabilidade”. Somente o Congresso Nacional pode convocar um plebiscito - o Executivo, no máximo, pode enviar mensagem ao Parlamento propondo sua convocação.
A presidência da CNBB entende que o apoio das pastorais sociais ao proposto plebiscito “está em sintonia com suas orientações sobre as questões da terra. Nas igrejas particulares, os senhores bispos darão orientações que julgarem convenientes”. A CNBB poderia liderar tal iniciativa somente se estivesse convencida de que é “o latifúndio intrinsecamente ilegítimo”, respaldada por documentos oficiais, por decisão da Assembleia Geral, ou do próprio Congresso.
Este plebiscito está se realizando, portanto, apoiado pelas pastorais sociais, com a participação de movimentos populares e outros segmentos da sociedade, inclusive partidários. Por isso mesmo, há bandeiras de várias cores, entendimentos e posições ideológicas diversas, com seus partidarismos, interesses e razões comuns, que, como numa grande praça, permitem o encontro dos mais diferentes atores. Nesta hora, a Igreja Católica evoca, com sabedoria e cautela, os princípios que norteiam suas posições e opções. A Igreja não se entrincheira nas plagas partidárias e não se deixa levar pela ambição de poder articular, por exemplo, bancadas no Parlamento ou nas assembleias legislativas. Esse é o desafio sempre posto nas discussões quando se pensa o papel e a participação da Igreja nos tempos eleitorais. Há quem pense que a Igreja perde por não posicionar-se diretamente contra ou a favor de nomes, sem deixar de considerar, é claro, o direito e a autonomia de cada cristão católico e de seus grupos. O cuidado é exatamente no sentido de não permitir que se confunda ou se abandone a ambiência própria da sua ética alimentada pelo evangelho de Jesus Cristo, diferentemente dos partidos. A ética da Igreja é um luzeiro que não se abandona ou se substitui, como acontece, por exemplo, na troca de partidos e nas alianças políticas, por interesses, até condenáveis e espúrios, muitas vezes.
Compreende-se que a Igreja permanecendo no território da ética, alavancada pelos ensinamentos do evangelho, não se aventura em posicionamentos e pronunciamentos que se tornam partidários. Por isso, não têm lugar adequado os pronunciamentos que se tornam, por si e por sua forma, partidários. A palavra e o pronunciamento da Igreja são importantes e têm autoridade e força educativa para trabalhar, não os interesses partidários, mas a consciência cidadã dos eleitores. A Igreja procura garantir critérios e juízos que, na sua liberdade, inclusive partidária, lhes permitam avaliar os candidatos e não escolher aqueles que agirão, por princípios e opções pessoais e partidárias, na contramão dos valores do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja.
Uma posição que guarda enorme nobreza e inteligência. Nesse mesmo horizonte, está o posicionamento sobre o plebiscito, enquanto se prepara mais uma edição do Grito dos Excluídos a ser celebrada no Dia da Pátria. O Grito dos Excluídos tem que ser escutado para que seja verdadeiro e eficaz o grito da Independência – que nasceu da coragem de ouvir e de acabar com a exclusão comprometedora da dignidade e do direito de uma nação. Ainda que no grito, as cores variadas desenhem o seu som, a Igreja, pela aposta na caridade, intrínseca à sua identidade, como afirma o Papa João Paulo II: “Nesta página, não menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede sua fidelidade de esposa de Cristo. É certo que ninguém pode ser excluído do nosso amor... mas há na pessoa dos pobres uma especial presença de Cristo, obrigando a Igreja a uma opção preferencial por eles”. A sociedade precisa de exercícios educativos solidários como o grito e o plebiscito.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
MERGULAR NA PALAVRA DE DEUS
◊ Campanha, 04 set (RV) - A Bíblia é o grande livro da Palavra de Deus. Ali podemos contemplar o Criador que tudo faz de modo harmonioso e perfeito. Ele se comunica com os seres humanos e encontra prazer em entreter-se com eles. O que Deus mais quer é que seus filhos e filhas sejam felizes.
Mesmo caindo no pecado da auto-suficiência, trilhando caminhos tortuosos, o Senhor sempre vem ao encontro da humanidade, concedendo-lhe a salvação. Ele forma um povo que o sirva e lhe dá a lei de trabalhar, para se desenvolver e colaborar com a obra da criação.
Vê a situação aflitiva do povo, escuta o seu clamor e desce para libertá-lo da escravidão do Egisto. Faz com que ele caminhe pelo deserto, onde o forja. Manifesta-se a ele, dando-lhe leis justas e mandamentos precisos. E estabelece-o na terra prometida.
Em meio à corrupção e à idolatria do povo, sobretudo dos líderes, o Senhor suscita profetas. Eles denunciam as injustiças e os desvarios, que levam à destruição. Mas conclamam à conversão e reacendem a esperança no Messias salvador.
Na plenitude dos tempos, o Pai envia seu Filho único, nascido de Maria, por obra do Espírito Santo. Jesus de Nazaré, Palavra feita gente, anuncia o Reino de Deus, fazendo o bem a todos. Acusado de blasfemo e subversivo, é condenado a morrer na cruz. Ressuscitado, envia seus discípulos pelo mundo para pregarem o Evangelho e fazerem discípulos seus todos os povos.
Os discípulos levam a Palavra por toda parte e formam comunidades. Estas se solidificam e se tornam missionárias. Ajudam-se mutuamente e seu testemunho de comunhão fraterna e partilha solidária levam muitos a abraçar a fé. Como o Mestre, tantos são perseguidos e martirizados! Porém seu sangue torna-se semente de novos seguidores de Jesus Cristo.
A Igreja, alicerçada na pregação dos apóstolos e no sangue dos mártires, continua a história da salvação. Como aos discípulos de Emaús, ainda hoje, a Palavra arde e aquece os corações. Queremos mergulhar nela, para experimentarmos a intimidade com o Senhor e dele nos tornarmos missionários de tantos que o esqueceram e abandonaram a comunidade dos irmãos.
Pela leitura orante da Palavra, preparemo-nos para o 1º retiro diocesano das Santas Missões Populares!
† Frei Diamantino P. de Carvalho, ofm
Bispo da Diocese da Campanha
PAPA RECEBE TERCEIRO GRUPO DE BISPOS DO REGIONAL NORDESTE 3
◊ Castel Gandolfo, 04 set (RV) - Bento XVI recebeu na manhã deste sábado, na residência apostólica, em Castel Gandolfo, mais um grupo de bispos do Regional Nordeste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que engloba os Estados de Bahia e Sergipe.
Do Estado da Bahia, o Papa recebeu hoje o Arcebispo de Vitória da Conquista, Dom Frei Luís Gonzaga Silva Pepeu, o Bispo de Bom Jesus da Lapa, Dom José Valmor César Teixeira, o bispo de Livramento de Nossa Senhora, Dom Armando Bucciol, e do Sergipe, Bento XVI recebeu o Bispo de Propriá, Dom Mário Rino Sivieri.
Mariangela Jaguraba entrevistou o bispo de Itabuna, Dom Ceslau Stanula, presidente do Regional Nordeste 3, que nos fala sobre o encontro realizado ontem, com o Santo Padre.
O Arcebispo de Feira de Santana, Dom Frei Itamar Vian, também será recebido pelo Santo Padre na próxima semana. Ele nos fala sobre sua expectativa para esta visita.
(MJ)
BENTO XVI VISITA NESTE DOMINGO CARPINETO ROMANO, TERRA NATAL DE LEÃO XIII
◊ Cidade do Vaticano, 04 set (RV) - No bicentenário do nascimento do Papa Leão XIII, Bento XVI irá neste domingo a Carpineto Romano, cidade da região italiana do Lácio, situada a cerca de 80Km de Roma. O Pontífice presidirá à santa missa às 9h30 locais; logo em seguida retornará de helicóptero para Castel Gandolfo – onde se encontra neste período de verão europeu – para rezar, ao meio-dia, a oração mariana do Angelus.
Muitas datas marcam a história de Carpineto, mas, sem dúvida, a mais importante é 20 de fevereiro de 1878. O nobre Gioacchino Pecci, nascido em Carpineto no dia 2 de março de 1810, foi eleito à Cátedra de Pedro com o nome de Papa Leão XIII.
Trata-se de um período histórico marcado por profundas mudanças sociais e econômicas. Justamente essas profundas transformações da sociedade moderna formam a moldura da Rerum Novarum. Nessa célebre encíclica de 1891, Leão XIII propugna maior impulso ao associacionismo católico e auspicia a intervenção do Estado no campo social.
E são numerosas as obras sociais realizadas em Carpineto sob o Pontificado do Papa Gioacchino Pecci: a creche para as crianças, a escola, e o asilo para idosos se somam à chegada, à localidade, da água proveniente do monte Carpino, adjacente.
Entre as obras ligadas a Leão XIII destaca-se a iluminação pública, que fez de Carpineto uma das primeiras cidades a usufruir dessa moderna invenção. Hoje, estradas, ruas e praças recordam com placas e lápides o Papa Leão XIII.
Essa será a terceira vez que um Pontífice realiza uma viagem apostólica à cidadezinha do Lácio. Paulo VI visitou Carpineto em 1966, por ocasião do 75º aniversário da Rerum Novarum. Em 1991 também o Papa João Paulo II visitou a localidade, por ocasião do centenário da referida encíclica.
A visita de Bento XVI, que com a Caritas in veritate prosseguiu a tradição das encíclicas sociais iniciada na era moderna com a Rerum Novarum, enche de alegria toda a comunidade local.
Portanto, trata-se de uma cidade em festa que acolhe o Santo Padre. Uma cidade que, com grande expectativa, espera poder amanhã acolher o Sucessor de Pedro. (RL)
PAPA FELICITA PRIMEIRA UNIVERSIDADE CATÓLICA NA SUÉCIA APÓS 500 ANOS
◊ Cidade do Vaticano, 04 set (RV) - Foi inaugurado neste sábado, na Suécia, o Instituto Newman, em Uppsala – centro-sul do país – o primeiro centro universitário católico da Suécia desde o tempo da Reforma. A cerimônia foi aberta com uma santa missa presidida pelo Prepósito Geral da Companhia de Jesus, Pe. Adolfo Nicolás.
Na ocasião, o Papa – num telegrama assinado pelo Cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone – expressa a sua alegria e a sua admiração por essa realização e pede que docentes, estudantes e pesquisadores do Instituto possam dedicar-se "com coração e mente completamente abertos à busca da sabedoria divina e humana", fazendo votos de que essa obra, intitulada ao Cardeal Newman, possa reforçar "as relações intelectuais e espirituais entre os países nórdicos e toda a Europa, como fez uma precedente universidade fundada em Uppsala pelo Papa Sixto IV".
A mensagem se conclui com o seguinte auspício: "Possam a tradição ilustre de estudo, a busca desinteressada do conhecimento em todos os campos e um forte empenho à fé divina e à razão humana, ser características desse novo centro de humana e católica excelência".
Pela primeira vez, após 500 anos, uma Universidade Católica foi reconhecida pelo Estado sueco. (RL)
CARDEAL RYLKO: EVANGELIZAÇÃO É RAZÃO DE SER DA IGREJA
◊ Seul, 04 set (RV) - Entra na reta final o Congresso dos leigos católicos da Ásia, em andamento em Seul, na Coreia do Sul. De fato, amanhã, domingo, se terá a missa conclusiva na catedral da cidade, ao término da qual todos os participantes receberão um mandato missionário para a evangelização na Ásia. Os trabalhos foram concluídos esta manhã pelo Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko. O Congresso foi organizado pelo referido organismo vaticano.
Esperança: esse é o denominador comum do Congresso, disse o Cardeal polonês. E essa esperança tem um nome, o nome de Deus, o único capaz de derrotar o "esmorecimento profundo" e "o niilismo prático" do qual a humanidade pós-moderna é vítima. A grande missão dos cristãos na Ásia, então, é anunciar a esperança ao Continente, sobretudo onde a liberdade religiosa é negada, porque "a evangelização não é uma atividade acessória, mas a razão de ser da Igreja" – reiterou o purpurado.
O Cardeal Rylko chamou a atenção para o fato que a evangelização não significa reduzir tudo a um diálogo aplainado ou a uma simples obra de promoção humana. Não: evangelizar significa olhar três "leis fundamentais", reiteradas vezes recordadas no passado pelo então Cardeal Ratzinger.
A primeira é a lei da expropriação, que nos diz que evangelizar "jamais é uma questão privada, porque por trás estão sempre Deus e a Igreja".
A segunda norma diz respeito à humildade: como um grão de mostarda, quem anuncia o Evangelho deve ser humilde e somente assim saberá reagir ao desencorajamento que pode atingir o empenho missionário.
Por fim, a terceira lei nos recorda a importância dos mártires, aqueles que, como o grão de trigo, morrem para dar fruto.
Em seguida, o Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos se deteve sobre o tema da inculturação do Evangelho e reiterou que, longe de sincretismo, a fé não se identifica com nenhuma cultura, mas, pelo contrário, é capaz de impregnar toda cultura.
O purpurado destacou ainda como central também a questão da formação, direito-dever dos leigos e no qual "a presença e a contribuição das mulheres" é cada vez mais importante. Ressaltou ainda que a formação dos leigos deve ser feita sobretudo nas paróquias, "verdadeiras academias de vida cristã", e nos "movimentos eclesiais", desde que sejam "inseridos com humildade na vida das Igrejas locais".
O último ponto tratado pelo Cardeal Rylko foi o da santidade, que "não é uma utopia", mas fascinante meta que Cristo prospecta a todos os batizados". "Os santos são grandes mestres de vida cristã – ressaltou – infundem-nos a coragem de investir toda a nossa vida em Deus e desafiam-nos a sairmos de uma mediocridade que nos torna propensos a acolhermos a cultura laicista dominante".
Concluindo, o purpurado polonês fez um agradecimento final às comunidades cristãs sofredoras, as mais pobres ou privadas da liberdade religiosa. O Congresso expressou-lhes proximidade e amor, reiterando que a Igreja não as abandonou, mas, pelo contrário, as coloca numa posição privilegiada. (RL)
Igreja no Brasil
INDAIATUBA: CONGRESSO VOCACIONAL REÚNE 400 PESSOAS
◊ Indaiatuba, 04 set (RV) - Teve início nesta sexta-feira, em Itaici, município de Indaiatuba (SP) o 3° Congresso Vocacional do Brasil.
Promovido pela Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e reúne 400 pessoas até o próximo dia 7.
A celebração eucarística presidida ontem pelo bispo da Prelazia de São Felix (MT), Dom Leonardo Ulrich Steiner, marcou a abertura do encontro. O presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, e o secretário-geral, Dom Dimas Lara Barbosa, estavam presenetes no evento. Além deles, são esperados também os bispos responsáveis pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV) nos 17 Regionais da CNBB e convidados internacionais.
O Congresso tem a finalidade de celebrar a caminhada vocacional da Igreja no Brasil. Ele se inspira no Sínodo sobre a Palavra de Deus, realizado em Roma, em 2008, e também no documento da Assembleia Geral dos Bispos da América Latina e Caribe, realizada em Aparecida (SP), em 2007, sobre o tema: “Discípulos missionários a serviço das vocações” e como lema “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações”.
A primeira palestra do Congresso será feita manhã deste sábado, pelo teólogo padre Agenor Brighenti, sobre o tema: "Vocações no atual contexto sociocultural e eclesial". Durante todo o dia, os participantes discutirão este tema em grupos.
Já o teólogo Pe. João Batista Libânio fará manhã, domingo, dia 5, a palestra sobre "Teologia do discipulado e da missão". Este tema também será aprofundado ao longo do dia nos grupos. Na segunda-feira, 6, padre Gilson Maia, membro da equipe executiva do Congresso, encerra o ciclo das palestras falando sobre "Questões práticas".
O 1º Congresso Vocacional do Brasil foi realizado em 1999, também em Itaici e teve como tema: "Vocações e Ministérios para o Novo Milênio". Já o segundo Congresso se realizou em 2005, no mesmo local do primeiro. Desta vez, os participantes discutiram o tema "Igreja, povo de Deus a serviço da vida". (MJ⁄CNBB)
VERBITAS COMPLETAM 30 ANOS DE MISSÃO NA AMAZÔNIA
◊ Manaus, 04 set (RV) - Os missionários da Congregação do Verbo Divino estão completando 30 anos de missão na Amazônia.
Os primeiros missionários chegaram a Santarém, no Pará, em 1980. Para comemorar esse evento, foi preparado um amplo programa que inclui uma série de palestras sobre a presença da congregação nos cinco continentes, retiro, assembleia e mostras sobre os trabalhos realizados.
As celebrações se realizarão de 8 a 17 deste mês em Santarém, com a participação de 34 missionários do Verbo Divino, provenientes de 10 países e cerca de 120 leigos representantes de vários municípios.
Entre as iniciativas para celebrar os 30 anos da presença dos Verbitas na Amazônia está o Congresso Missionário Verbita sobre o tema "A Pastoral Missionária na Amazônia: desafios e alternativas".
O Congresso, que se realizará nos dias 11 e 12 de setembro, inclui dois dias de intenso trabalho. O perfil dos missionários que trabalham naquela área inclui uma experiência de trabalho nas paróquias como ponto principal de rede das comunidades, de onde partem outras experiências missionárias com os jovens e a catequese com as crianças.
Na Amazônia, os Missionários do Verbo Divino trabalham tanto nas áreas urbanas quanto nas zonas rurais desde a Diocese de Macapá ao Oiapoque, com a missão indígena, e demais dioceses.
Em seu trabalho pastoral, os Missionários do Verbo Divino dão prioridade à dimensão social, animação missionária, espiritualidade, difusão da Bíblia e a formação de líderes das comunidades. (MJ)
Igreja na América Latina
ARGENTINA: ENCONTRO DE COMUNICAÇÃO DO CONE SUL
◊ Buenos Aires, 04 set (RV) - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participará de 7 a 10 deste mês, do Encontro dos Responsáveis das Comissões de Comunicação das Conferências Episcopais do Cone Sul que engloba Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e o Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM).
O encontro se realiza em Buenos Aires, Argentina, e a CNBB será representada pelo bispo responsável da Comunicação no Regional Sul 1 da CNBB (São Paulo), Dom Vilson Dias de Oliveira, Bispo de Limeira, e pela assessora do Setor de Comunicação Social da CNBB, irmã Elide Fogolari.
Durante os quatro dias de encontro, os participantes irão refletir a sobre a realidade da comunicação no Cone Sul e aprofundar os desafios no que diz respeito ao Projeto Missão Continental. "Nós vamos dialogar sobre a importância da comunicação nos países do Cone Sul e sobre o que está sendo feito no campo da comunicação da Igreja nos diversos países, tendo presente o Documento de Aparecida que nos pede para trabalharmos a Missão Continental. Vamos refletir também sobre a possibilidade de iniciativas serem implantadas nos diversos países, para que a evangelização seja difundida pelos diversos meios de comunicação", frisou o bispo.
Dom Vilson antecipa ainda que as experiências do Brasil no campo da comunicação também serão expostas durante o encontro. "Levaremos as iniciativas do Brasil no campo da comunicação e da Missão Continental. Para isso, temos o apoio de vários campos: catequese, liturgia, missão e todas as diversas pastorais que trabalham com a comunicação".
A assessora do Setor de Comunicação da CNBB, irmã Elide Fogolari, diz que o encontro é importante para a Igreja no Brasil perceber a sua relação com a Igreja na América Latina a partir de reflexões sobre comunicação. "É o tipo de encontro em que percebemos a afinidade da Igreja no Brasil com a Igreja na América Latina, a partir de reflexões sobre comunicação" – ressaltou a religiosa.
Irmã Elide também destaca que a troca de experiências é outro ponto enriquecedor no encontro. "São vários países participantes que mostram suas experiências no campo da comunicação que nos ajudam a crescer como Igreja. O Brasil, por exemplo, é muito rico no campo da comunicação: temos muitas TVs, rádios, sites de internet e estudo nessa área. Diferente de outros países da América Latina que têm mais dificuldades, embora sejam muito esforçados" - concluiu. (MJ⁄CNBB)
Formação
EDITORIAL
◊ Cidade do Vaticano, 04 set (RV) - Nesta semana um grupo de bispos do Regional Nordeste 3, em visita “ad limina”, refletia sobre nossos jovens, não apenas os adolescentes, mas também aqueles que já vão se tornando independentes.
Pudemos perceber o quanto é importante o contato prolongado dos jovens com os pais ou com aqueles que fazem seu papel na família.
Constatou-se, em boa parte de nossa juventude, a falta de uma direção, de um vértice para onde caminhar e de valores a serem vividos.
Com a ausência de pai e mãe que deixam por muitas horas o contato com seus filhos, por causa do trabalho, um aspecto importantíssimo que é a transmissão de valores e experiência de vida, fica a desejar, mas não vazio, pois o mal sabe muito bem ocupar o espaço destinado ao bem.
Entende-se a preocupação com o trabalho, com o colocar comida na mesa e pagar boa escola e plano de saúde. Contudo existe algo que não pode ser deixado de lado que é estar diàriamente com os filhos e informalmente educá-los, passando os valores da fé e de cidadania. Não será jamais a escola, por melhor que seja, que assumirá essa missão. A escola, a boa escola, deverá complementar aquilo que a família proporciona.
Não é necessário citar as consequências funestas que paulatinamente aumentam em nosso país pela ausência do contato prolongado entre pais e filhos. Infelizmente os meios de comunicação estão repletos de casos!
Formar os filhos, passar valores, são direitos e deveres inalienáveis dos pais ou daqueles que fazem seu papel. (CAS)
REFLEXÃO PARA O 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM
◊ Cidade do Vaticano, 05 set (RV) - O tema da meditação deste final de semana é a frase do Evangelho de Lucas: “Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo”.
Comumente dá-se destaque, ou impressiona-nos mais o “carregar a cruz”. Sobre isso já se escreveu e já se falou muito, ao mesmo tempo que é usado para uma atitude conformista de pensar-se que Deus quer o nosso sofrimento.
Jesus teve sua cruz e eu tenho a minha, a que ele me deu. A isso devo me conformar, isto é, tomar a forma dela, encaixando-me em sua fôrma. Mas será isso que o Senhor da Vida, do Amor pede a mim, seu filho?
Não, não é assim. Deus não quer o nosso sofrimento! O sofrimento não é caminho de salvação. O caminho de salvação é Jesus Cristo. Ele disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade, a Vida!” Portanto, o ponto forte da frase de Jesus, colocada no Evangelho de Lucas não é “carrega a cruz”, mas sim “caminha atrás de mim”, segue-me!
Seguir Jesus supõe fazer uma opção. Opção por ele, é claro! Toda opção exige renúncia. É escolher isso ou aquilo. A opção feita irá marcar nossa vida.
Optar por Jesus Cristo significa deixar tudo e colocá-lo, e somente ele, como absoluto da vida. A ele sim, deveremos nos conformar, não no sentido de entrar na fôrma, mas de recuperar nossa essência e caminharmos para a existência plena.
Fomos criados imagem e semelhança de Deus, do Verbo, de Cristo. O homem só será feliz quando recuperar sua vocação, quando voltar às suas origens. Fazer a opção pela Vida, para ser si mesmo e não outro ser, ou seja, ser imagem e semelhança da Verdade, da Vida, do Amor! (CAS)
PÁTRIA E CIDADANIA
◊ Rio de Janeiro, 04 set (RV) - Estamos em plena “Semana da Pátria”. Iniciamos o mês da Bíblia com a reflexão sobre o lugar onde vivemos. O país faz parte de nossa própria tradição pessoal. O homem é obrigatoriamente ligado à terra, ao seu território. Mesmo agora, com toda globalização, experimentamos como a busca das raízes e das nacionalidades aumenta ainda mais.
A nação incorpora-se ao ser da dignidade da pessoa enquanto cidadão que é. A nação é o lugar privilegiado não só de suas características naturais como planícies, rios, montanhas e o solo, mas é, principalmente, onde nossos antepassados deixaram a sua marca, onde eles cresceram, onde eles construíram a sua história de vida, e que nós herdamos esses valores. Essa realidade nos impulsiona a amar a nossa pátria. Aqui também encontramos a preocupação com os migrantes e também o espírito cristão, que sabe que é sempre estrangeiro enquanto caminha para a pátria definitiva e, ao mesmo tempo, sabe que sente como sua pátria todos os lugares onde está. Porém, o amor às raízes e a nossa responsabilidade pelo bem comum, seja onde nascemos, seja onde fomos adotados, faz com que, mesmo não perdendo de vista a globalidade das preocupações humanas, tenhamos também o nosso trabalho na construção de um mundo mais justo e solidário.
O povo do Antigo Testamento mostra muitas vezes essa ligação com a terra de seus pais. Muitas passagens do Antigo Testamento demonstram a predileção do povo judeu pela terra de seus antepassados. O Novo Testamento descreve o carinho de Cristo para com seu povo e diz que Jesus chorou sobre o destino de Jerusalém, que seria destruída, como nos recorda o Santo Padre Pio XII em sua encíclica “Summa Pontificatus”, de 20 de outubro de 1939: “o Divino Mestre dá o exemplo de amor à sua terra quando chorou sobre a iminente destruição da Cidade Santa”.
A grande questão é que muitas vezes, e em muitas decisões, há certa confusão entre a nação e seu governo, entre o povo e os administradores.
Santo Tomás, em sua Summa Theologica (Questão 101, seção I), assim se expressa: “Assim como é para a religião a adoração a Deus, é, em menor grau, a piedade do culto aos pais e à pátria.”. Um culto de gratidão à terra que nos acolheu, gratidão por esse dom recebido.
A Igreja Católica sempre o afirmou como uma realidade palpável e sempre o teve como uma virtude, aliás, como presente em sua doutrina, através do Catecismo (2239): “o amor e o serviço ao país são reconhecimento do direito e estão na ordem da caridade”. Mas esse amor não deve ser descompromissado e sem reflexão crítica. Para mais amarmos, mais queremos bem à Pátria. Daí vem o compromisso com os excluídos, a nossa preocupação com o futuro da nação, a cobrança aos governos.
Sabemos que a situação atual é muito difícil. Os bolsões de pobreza e violência demonstram quantos passos ainda temos que dar. Só um irmão que passe fome e necessidades extremas já nos questiona sobre a dignidade da vida humana. A gravidade dos desafios no campo da pobreza salta aos nossos olhos e não só ao homem de fé, mas também ao bom senso natural.
O país exige mudanças estruturais e exige que homens bons e honestos no campo político tomem para si a grande responsabilidade pelo pão, pelo trabalho, pela educação, pela segurança e pela paz que são pedidos pela nação. Os governos devem estar a serviço do povo.
O empenho pela transformação do país, para uma pátria socialmente justa, não é um tarefa apenas para sonhadores: as próximas eleições que se avizinham são uma forma bem concreta para essa transformação.
Neste momento das eleições, a Igreja pede que os cidadãos não reduzam a sua participação política apenas ao voto, embora este seja fundamental e necessário. Pede, igualmente, que não deixe que os políticos trabalhem sozinhos pelo bem público, mas que todos se sintam corresponsáveis pelos destinos do país. Todos têm o seu dever de responsabilidade pública, que começa com o voto e com a eleição, mas neles não se esgota.
Rezemos para que o povo brasileiro se conscientize, na Semana da Pátria que se inicia, a votar somente em candidatos “Ficha Limpa” e que tenham compromisso com a vida em todas as fases, contrários ao aborto, e que defendam a dignidade humana, superando o assistencialismo e criando condições dignas de ensino de qualidade, acesso ao mercado de trabalho e constituição de uma cidadania que quer emprego, renda, saúde e educação.
É isso que desejamos ao nosso Brasil nesta semana em que olhamos para o passado e presente sonhando com um futuro sempre melhor, enquanto nos comprometemos com atitudes concretas nesta importante missão de uma pátria justa e aberta e que seja a meta número dos homens públicos.
+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
O GRITO E O PLEBISCITO
◊ Belo Horizonte, 04 set (RV) A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou carta aos bispos membros da Conferência Episcopal esclarecendo sobre a proposta do plebiscito de iniciativa popular pelo limite da propriedade da terra no Brasil, em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar. A proposta, nessa Semana da Pátria, “não é de iniciativa da CNBB, nem se realiza sob sua responsabilidade”. Somente o Congresso Nacional pode convocar um plebiscito - o Executivo, no máximo, pode enviar mensagem ao Parlamento propondo sua convocação.
A presidência da CNBB entende que o apoio das pastorais sociais ao proposto plebiscito “está em sintonia com suas orientações sobre as questões da terra. Nas igrejas particulares, os senhores bispos darão orientações que julgarem convenientes”. A CNBB poderia liderar tal iniciativa somente se estivesse convencida de que é “o latifúndio intrinsecamente ilegítimo”, respaldada por documentos oficiais, por decisão da Assembleia Geral, ou do próprio Congresso.
Este plebiscito está se realizando, portanto, apoiado pelas pastorais sociais, com a participação de movimentos populares e outros segmentos da sociedade, inclusive partidários. Por isso mesmo, há bandeiras de várias cores, entendimentos e posições ideológicas diversas, com seus partidarismos, interesses e razões comuns, que, como numa grande praça, permitem o encontro dos mais diferentes atores. Nesta hora, a Igreja Católica evoca, com sabedoria e cautela, os princípios que norteiam suas posições e opções. A Igreja não se entrincheira nas plagas partidárias e não se deixa levar pela ambição de poder articular, por exemplo, bancadas no Parlamento ou nas assembleias legislativas. Esse é o desafio sempre posto nas discussões quando se pensa o papel e a participação da Igreja nos tempos eleitorais. Há quem pense que a Igreja perde por não posicionar-se diretamente contra ou a favor de nomes, sem deixar de considerar, é claro, o direito e a autonomia de cada cristão católico e de seus grupos. O cuidado é exatamente no sentido de não permitir que se confunda ou se abandone a ambiência própria da sua ética alimentada pelo evangelho de Jesus Cristo, diferentemente dos partidos. A ética da Igreja é um luzeiro que não se abandona ou se substitui, como acontece, por exemplo, na troca de partidos e nas alianças políticas, por interesses, até condenáveis e espúrios, muitas vezes.
Compreende-se que a Igreja permanecendo no território da ética, alavancada pelos ensinamentos do evangelho, não se aventura em posicionamentos e pronunciamentos que se tornam partidários. Por isso, não têm lugar adequado os pronunciamentos que se tornam, por si e por sua forma, partidários. A palavra e o pronunciamento da Igreja são importantes e têm autoridade e força educativa para trabalhar, não os interesses partidários, mas a consciência cidadã dos eleitores. A Igreja procura garantir critérios e juízos que, na sua liberdade, inclusive partidária, lhes permitam avaliar os candidatos e não escolher aqueles que agirão, por princípios e opções pessoais e partidárias, na contramão dos valores do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja.
Uma posição que guarda enorme nobreza e inteligência. Nesse mesmo horizonte, está o posicionamento sobre o plebiscito, enquanto se prepara mais uma edição do Grito dos Excluídos a ser celebrada no Dia da Pátria. O Grito dos Excluídos tem que ser escutado para que seja verdadeiro e eficaz o grito da Independência – que nasceu da coragem de ouvir e de acabar com a exclusão comprometedora da dignidade e do direito de uma nação. Ainda que no grito, as cores variadas desenhem o seu som, a Igreja, pela aposta na caridade, intrínseca à sua identidade, como afirma o Papa João Paulo II: “Nesta página, não menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede sua fidelidade de esposa de Cristo. É certo que ninguém pode ser excluído do nosso amor... mas há na pessoa dos pobres uma especial presença de Cristo, obrigando a Igreja a uma opção preferencial por eles”. A sociedade precisa de exercícios educativos solidários como o grito e o plebiscito.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
MERGULAR NA PALAVRA DE DEUS
◊ Campanha, 04 set (RV) - A Bíblia é o grande livro da Palavra de Deus. Ali podemos contemplar o Criador que tudo faz de modo harmonioso e perfeito. Ele se comunica com os seres humanos e encontra prazer em entreter-se com eles. O que Deus mais quer é que seus filhos e filhas sejam felizes.
Mesmo caindo no pecado da auto-suficiência, trilhando caminhos tortuosos, o Senhor sempre vem ao encontro da humanidade, concedendo-lhe a salvação. Ele forma um povo que o sirva e lhe dá a lei de trabalhar, para se desenvolver e colaborar com a obra da criação.
Vê a situação aflitiva do povo, escuta o seu clamor e desce para libertá-lo da escravidão do Egisto. Faz com que ele caminhe pelo deserto, onde o forja. Manifesta-se a ele, dando-lhe leis justas e mandamentos precisos. E estabelece-o na terra prometida.
Em meio à corrupção e à idolatria do povo, sobretudo dos líderes, o Senhor suscita profetas. Eles denunciam as injustiças e os desvarios, que levam à destruição. Mas conclamam à conversão e reacendem a esperança no Messias salvador.
Na plenitude dos tempos, o Pai envia seu Filho único, nascido de Maria, por obra do Espírito Santo. Jesus de Nazaré, Palavra feita gente, anuncia o Reino de Deus, fazendo o bem a todos. Acusado de blasfemo e subversivo, é condenado a morrer na cruz. Ressuscitado, envia seus discípulos pelo mundo para pregarem o Evangelho e fazerem discípulos seus todos os povos.
Os discípulos levam a Palavra por toda parte e formam comunidades. Estas se solidificam e se tornam missionárias. Ajudam-se mutuamente e seu testemunho de comunhão fraterna e partilha solidária levam muitos a abraçar a fé. Como o Mestre, tantos são perseguidos e martirizados! Porém seu sangue torna-se semente de novos seguidores de Jesus Cristo.
A Igreja, alicerçada na pregação dos apóstolos e no sangue dos mártires, continua a história da salvação. Como aos discípulos de Emaús, ainda hoje, a Palavra arde e aquece os corações. Queremos mergulhar nela, para experimentarmos a intimidade com o Senhor e dele nos tornarmos missionários de tantos que o esqueceram e abandonaram a comunidade dos irmãos.
Pela leitura orante da Palavra, preparemo-nos para o 1º retiro diocesano das Santas Missões Populares!
† Frei Diamantino P. de Carvalho, ofm
Bispo da Diocese da Campanha
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