Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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domingo, 10 de outubro de 2010

Papa e Santa Sé


PAPA ABRE SÍNODO PARA O ORIENTE MÉDIO

◊ Cidade do Vaticano, 10 out (RV) - O Papa Bento XVI celebrou na manhã deste domingo na Basílica de São Pedro, no Vaticano, a Santa Missa de abertura do Sínodo especial dos Bispos para o Oriente Médio, que se concluirá no próximo dia 24 de outubro. O tema desse Sínodo é “A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma” (At 4, 32). A Santa Missa foi concelebrada pelos Padres Sinodais, entre os quais o Patriarca de Antioquia, Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir e o Patriarca caldeu da Babilônia, Carderal Emmanuel III Delly.

Na presença 135 Padres Sinodais representantes de 16 Estados, além de Jerusalém e Territórios Palestinos, Bento XVI no início da sua homilia deu graças a Deus pela primeira Assembleia Sinodal em torno do Bispo de Roma e Pastor Universal, dos Bispos da região do Oriente Médio. “Tal singular evento demonstra o interesse de toda a Igreja pela preciosa e amada porção do Povo de Deus que vive na Terra Santa e em todo o Oriente Médio”, afirmou o Papa.

Em seguida o Santo Padre agradeceu ao Senhor da História, que permitiu, apesar das dificuldades, que o Oriente Médio pudesse ver sempre, desde os tempos de Jesus até hoje, a continuidade da presença dos cristãos. “Naquelas terras a única Igreja de Cristo se expressa na variedade de Tradições litúrgicas, espirituais, culturais e disciplinares das seis venerandas Igrejas Orientais Católicas sui iuris, bem como na Tradição latina”, afirmou o Papa.

Após saudar aos Patriarcas de cada uma das Igrejas presentes, saudou todos os fiéis confiados aos seus cuidados pastorais nos respectivos países e também na diáspora. O pensamento de Bento XVI dirigiu-se em seguida à Palavra de Deus deste domingo que oferece um tema de meditação que se aproxima de modo significativo do evento sinodal. A leitura do Evangelho de Lucas nos leva ao episódio da cura dos dez leprosos, dos quais um apenas, um samaritano, retorna para agradecer a Jesus. Em conexão com esse texto, a primeira leitura, extraída do Segundo Livro dos Reis, narra a cura de Naamã, chefe do exército sírio, também ele leproso, que é curado imergindo-se sete vezes nas águas do rio Jordão, segundo a ordem do profeta Eliseu. Também Naamã retorna ao profeta e, reconhecendo nele o mediador de Deus, professa a fé no único Senhor. Portanto, dois doentes de lepra, dois não judeus, que são curados porque acreditam na palavra do enviado de Deus. Curam-se no corpo, mas se abrem à fé, e esta os cura na alma, isto é, os salva.

“Deus é amor - disse o Papa - e quer que todos os homens participem de sua vida; para realizar esse desígnio Ele, que é Uno e Trino, cria no mundo um mistério de comunhão humano e divino, histórico e transcendente: e o cria com o "método" – por assim dizer – da aliança, ligando-se aos homens com amor fiel e inexorável, formando um povo santo, que se torne uma bênção para todas as famílias da terra (cf Gn 12,3). Revela-se assim como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó (cf Es 3,6), que quer conduzir o seu povo à "terra" da liberdade e da paz. Essa "terra" não é deste mundo; todo o desígnio divino excede a história, mas o Senhor o quer construir com os homens, para os homens e nos homens, a partir das coordenadas de espaço e de tempo em que eles vivem e que Ele mesmo deu.

“Com uma sua especificidade – continuou o Papa - faz parte de tais coordenadas, o que nós chamamos de "Oriente Médio". Também essa região do mundo Deus a vê a partir de uma perspectiva diferente, se diria, "do alto": é a terra de Abraão, de Isaac e de Jacó; a terra do êxodo e do retorno do exílio; a terra do templo e dos profetas; a terra em que o Filho Unigênito nasceu de Maria, onde viveu, morreu e ressuscitou; o berço da Igreja, constituída para levar o Evangelho de Cristo até os confins do mundo. E nós, como fiéis, - continuou Bento XVI - nos voltamos para o Oriente Médio com esse olhar, na perspectiva da história da salvação. É a ótica interior que me conduziu nas viagens apostólica à Turquia, à Terra Santa – Jordânia, Israel, Palestina – e a Chipre, onde pude conhecer de perto as alegrias e as preocupações das comunidades cristãs. E o Papa acrescentou:

“Também por isso acolhi de bom grado a proposta de patriarcas e bispos de convocar uma Assembléia sinodal para refletir juntos, à luz da Sagrada Escritura e da Tradição da Igreja, sobre o presente e sobre o futuro dos fiéis e das populações do Oriente Médio. Olhar para esta parte do mundo na perspectiva de Deus significa reconhecer nela o "berço" de um desígnio universal de salvação no amor, um mistério de comunhão que se realiza na liberdade e, por isso, pede aos homens uma resposta. Abraão, os profetas, a Virgem Maria são os protagonistas dessa resposta, que, porém tem o seu cumprimento em Jesus Cristo, filho dessa mesma terra, mas descido do Céu.”

D'Ele, - continuou o Santo Padre - de seu Coração e do seu Espírito, nasceu a Igreja, que é peregrina neste mundo, mas Lhe pertence. A Igreja é constituída para ser, entre os homens, sinal e instrumento do único e universal projeto salvífico de Deus; ela realiza essa missão simplesmente sendo ela mesma, isto é, "comunhão e testemunho", como recita o tema da Assembléia sinodal que hoje se abre, e que faz referência à célebre definição lucana da primeira comunidade cristã: "A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma" (At 4,32). Sem comunhão não pode haver testemunho: o grande testemunho é justamente a vida de comunhão. Jesus o disse claramente: "Disso todos saberão que sois meus discípulos: se tiverem amor uns pelos outros" (Jo, 13,35).

Em seguida o Papa falou da finalidade da Assembleia sinodal:

“A finalidade dessa Assembléia sinodal é prevalentemente pastoral. Embora não podendo ignorar a delicada e por vezes dramática situação social e política de alguns países, os Pastores das Igrejas no Oriente Médio desejam concentrar-se nos aspectos próprios de sua missão. A esse respeito, o Instrumentum laboris, elaborado por um conselho Pré-sinodal a cujos Membros agradeço veementemente pelo trabalho feito, ressaltou essa finalidade eclesial da Assembléia, ressaltando que ela pretende, sob a condução do Espírito Santo, reavivar a comunhão da Igreja Católica no Oriente Médio. Em primeiro lugar, dentro de cada uma delas, entre todos os seus membros: Patriarca, Bispos, sacerdotes, religiosos, pessoas de vida consagrada e leigos. E depois, nas relações com as outras Igrejas”.

Ademais, - disse ainda o Papa - essa ocasião é propícia para prosseguir construtivamente o diálogo com os judeus, aos quais, a longa história da Aliança nos liga de modo indissolúvel, bem como com os muçulmanos. Além disso, os trabalhos do Encontro sinodal são orientados ao testemunho dos cristãos a nível pessoal, familiar e social. Isso requer reforçar a sua identidade cristã mediante a Palavra de Deus e os Sacramentos. E o Papa fez um auspício:

“Todos fazemos votos de que os fiéis sintam a alegria de viver na Terra Santa, abençoada pela presença e pelo glorioso mistério pascal do Senhor Jesus Cristo. Ao longo dos séculos aqueles Lugares atraíram multidões de peregrinos e também comunidades religiosas masculinas e femininas, que consideraram um grande privilégio poder viver e dar testemunho na Terra de Jesus. Apesar das dificuldades, os cristãos da Terra Santa são chamados a reavivar a consciência de serem pedras vivas da Igreja no Oriente Médio, nos Lugares Santos da nossa salvação. Mas viver dignamente na própria pátria é, em primeiro lugar, um direito humano fundamental: por isso é necessário favorecer condições de paz e de justiça, indispensáveis para um desenvolvimento harmonioso de todos os habitantes da região”.

Portanto, frisou Bento XVI, todos são chamados a dar a sua contribuição: a comunidade internacional, apoiando um caminho confiável, leal e construtivo rumo à paz; as religiões presentes na região, em promover os valores espirituais e culturais que unem os homens e excluem toda expressão de violência. Os cristãos continuarão dando a sua contribuição não somente com as obras de promoção social, como através dos institutos de educação e de saúde, mas, sobretudo, com o espírito das Beatitudes evangélicas, que anima a prática do perdão e da reconciliação. Em tal compromisso eles terão sempre o apoio de toda a Igreja, como atesta solenemente a presença aqui dos Delegados dos Episcopados de outros continentes.

O Papa concluiu suas palavras confiando os trabalhos da Assembleia sinodal para o Oriente Médio aos numerosos santos e santas daquela terra abençoada e invocou para ela a constante proteção da Bem-aventurada Virgem Maria, a fim de que os próximos dias de oração, de reflexão e de comunhão fraterna sejam portadores de bons frutos para o presente e o futuro das caras populações do Oriente Médio. (SP)


ANGELUS: "A IGREJA NO ORIENTE MÉDIO É CHAMADA A SER INSTRUMENTO DE UNIDADE E RECONCILIAÇÃO"


◊ Cidade do Vaticano, 10 out (RV) - O Papa Bento XVI afirmou hoje que no Oriente Médio a Igreja Católica é chamada a ser “Sinal e instrumento de unidade e reconciliação” durante a tradicional oração do Angelus, rezada junto com os fiéis e peregrinos de todas as partes do mundo na Praça São Pedro, no Vaticano.

Bento XVI recordou a abertura nesta manhã, com a celebração da Santa Missa da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, uma extraordinária Assembleia que terá a duração de 14 dias e que vê reunidos os Pastores da Igreja que vivem na região do Oriente Médio. Uma realidade variegada – disse o Papa -, onde a única Igreja de Cristo se exprime em toda a riqueza das suas antigas Tradições.

“Nestes países, - disse o Papa - infelizmente marcados por profundas divisões e dilacerados por conflitos que duram há vários anos, a Igreja é chamada a ser sinal e instrumento de unidade e de reconciliação, segundo o modelo da primeira comunidade de Jerusalém, na qual “a multidão dos que tinham se tornado crentes tinha um só coração e uma só alma”.

Em seguida Bento XVI dirigiu o seu pensamento a Maria, recordando que outubro é chamado também de “o mês do Rosário”, no qual somos convidados a deixar-nos “guiar por Maria nesta oração antiga e sempre nova”, que “nos conduz diretamente a Jesus, contemplado nos seus mistérios de salvação”: gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos.

Bento XVI, recordando o Venerável, João Paulo II disse que o Rosário é uma oração bíblica, toda tecida pela Sagrada Escritura:

“É oração do coração, na qual a repetição da Ave Maria orienta o pensamento e o afeto para Cristo, tornando-se súplica confiante na sua e nossa Mãe”.

O Santo Padre XVI concluiu a breve alocução antes da recitação do Angelus, confiando à intercessão de Maria o Sínodo para o Médio Oriente. Em seguida o Papa concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

Nas saudações finais em várias línguas, o Papa falou em português:

“A minha saudação estende-se a todos os peregrinos de língua portuguesa, em particular aos fiéis cristãos da cidade de Jundiaí, no Brasil, invocando abundantes graças divinas sobre os seus passos para construírem a vida sobre aquela rocha firme que é Cristo vivo na sua Igreja. Deus a todos guarde e abençoe!” (SP)


Formação


MÊS DO ROSÁRIO


◊ Rio de Janeiro, 10 out (RV) - Este mês das missões é também denominado o mês do Rosário. É um ato de piedade importante dentro da tradição da Igreja e que, assim como começou sua difusão, também hoje necessitamos de rezar para vencer os combates de cada dia.
A devoção à Virgem do Rosário remonta ao século XIII, aproximadamente. Foi muito difundida pelos padres dominicanos. A palavra vem do costume da idade Média da oferta de coroas de flores às autoridades. Os cristãos adotaram esse costume oferecendo a Maria a tríplice coroa de rosas, hoje acrescentada de mais uma.
É uma devoção de cunho eminentemente popular já que a recitação do rosário é, na verdade, uma catequese, chamada de evangelho dos pobres, pois contemplam-se os principais mistérios da fé que estão nas escrituras e, normalmente, as pessoas sabem de cor já que no passado o analfabetismo impunha restrições aos textos escritos.
Em 1571, no levante naval de Lepanto, a vitória das frotas cristãs contra os turcos foi atribuída a Nossa Senhora do Rosário. Como resultado, o Papa Pio V estabeleceu liturgicamente a festa de Nossa Senhora da Vitória, que depois foi mudada pelo Papa Gregório XIII em 1573 para festa da Virgem do Rosário, inicialmente no primeiro domingo de outubro, que depois de 1913, foi transferida para o dia 7.
O seu culto foi ainda mais difundido após as aparições de Lourdes, onde a Virgem recomendava a Bernadete a prática da oração, através da recitação do rosário.
A comemoração deste mês temático é um convite para que todos possam refletir sobre os mistérios de Cristo, acompanhado da Virgem Maria, que foi associada de forma especial à Sua encarnação, paixão e glória da ressurreição. Durante muito tempo foi essa oração simples e profunda que sustentou a vida de fé de nosso povo. Hoje a grande difusão do “terço dos homens” renova e inova essa prática antiga e alimenta a oração contemplativa e a vida de nosso povo.
O rosário também tem sua origem na oração judaica, onde se rezava recitando cotidianamente os salmos de uma forma cadenciada. Esta maneira de rezar foi passada às primeiras comunidades cristãs nascentes. No início eram rezados os 150 salmos diariamente, prática que se estendeu por uma semana e hoje está estendida por um mês. Quando se iniciaram as ordens missionárias, a oração monástica dos 150 salmos foi substituída pela oração do rosário, pois transportar os grandes livros dos salmos tornava impossível a locomoção para as missões. Mais tarde se introduziu o “breviário” para facilitar os que tinham que locomover muito.
Temos também notícias que já no século IX de que na Irlanda havia o hábito de amarrar nós a uma corda para contar, em vez de salmos, as Aves Maria. Essa prática devocional a Nossa Senhora foi depois espalhada pela Europa, e com grande crescimento ao longo dos anos seguintes.
O Santo Padre Leão XIII escreveu documentos riquíssimos sobre o Rosário, dentre eles a sua Encíclica Supremi officio, de 01 de setembro de 1883. Na ladainha dos Santos incluiu a menção a Nossa Senhora do Rosário. Ele recebeu o título de Papa do Rosário.
João Paulo II, por sua vez, publica em 16 de outubro de 2002, a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae. Nela o Papa acrescenta os Mistérios da Luz.
Após o dia 11 de setembro, na abertura do Sínodo dos Bispos daquele ano de 2001, o Papa afirma categoricamente: “Eu desejo confiar à grande causa da Paz à oração do Rosário. É cada vez mais necessário recorrermos ao poder da oração.
Nesta perspectiva, o Rosário torna-se fundamental. Ele constrói a paz, porque apela para a graça de Deus, semeia o bem, a partir do qual podemos esperar o fruto da justiça e da solidariedade para a comunidade e para a vida pessoal.”
O rosário é antes de tudo uma oração contemplativa, um caminho de contemplação. Ele nos educa à contemplação dos mistérios de Cristo, sendo uma verdadeira pedagogia para a santificação da vida.
O Papa Paulo VI, em sua Exortação Apostólica sobre Maria (Marialis cultus), recorda a importância da contemplação dos mistérios durante a oração do rosário (n. 47). Neste sentido Paulo VI e a Igreja, querem afirmar o sentido autêntico, genuíno desta oração mariana, que nunca deixa de ser um meditar sobre os mistérios da vida do Senhor, visto através dos olhos de Maria, que estava mais perto Dele. Assim, as riquezas insondáveis desta meditação são reveladas.
A afirmação do rosário como oração contemplativa conseguiu até mesmo entrar para a linguagem popular: “hoje vamos contemplar...”.
A nossa vida cristã, assim, torna-se mais orante, mais contemplativa, mais mistérica. Assimila-se no interior de nossos corações toda a vida de Cristo. Entra-se na comunhão do Pai, por Cristo, no Espírito. Ajuda-nos a aprofundar a nossa relação com Deus e nossos sentimentos de amor a Cristo e a Maria.
O rosário é uma escola de fé, uma comunhão de vida com Cristo, o Senhor na vida do cristão, que deve, sem dúvida, impulsionar o devoto à missão apostólica em favor da Igreja de Cristo. É a missionariedade que nasce do Rosário.
A contemplação do rosário leva-nos a entrar no grande mistério da vinda de Jesus, que é um olhar, por certo, divino sobre o mundo e sua realidade. Com a contemplação somos chamados a descer a montanha da transfiguração, tal como Jesus o fez com os apóstolos, e olharmos o mundo com os mesmos sentimentos de Cristo. Olharmos o homem e a realidade que o cerca, e o que esta em acordo ou em desacordo com a vontade do Senhor. Estar com Deus significa estar com o homem.
O rosário nos traz o olhar de Mãe, que só quer o bem de seus filhos, o seu crescimento, o seu desenvolvimento interior e também de sua realização pessoal. Por isso, o rosário deve ser meditado na intenção especial da Igreja de hoje, do mundo e também da realidade social, política e econômica que nos envolve. É assim, poderíamos afirmar a dimensão cósmica da recitação do rosário.
E lembrando-nos do Filho não temos como não lembrar a Mãe. O rosário está repleto de alusões à Virgem Maria. Indica-nos uma Maria contemplativa conosco, que tudo guardava e meditava em seu coração (Lc 2, 19.51). Ela é uma mulher da meditação, com uma qualidade de vida contemplativa. Ela é uma mulher de oração e com a Igreja, como a vemos no cenáculo com os Apóstolos. Uma verdadeira oração eclesial cuja dimensão devemos nos ater.
Peçamos, pois, a Nossa Senhora do Rosário que possa nos ajudar em nossa caminhada de Igreja. Que esta, contemplando sempre os mistérios do Senhor, possa ser instrumento de Sua graça sobre todos os homens e mulheres de nossa querida Arquidiocese do Rio de Janeiro.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.


O IMAGINÁRIO BRASILEIRO


◊ Uberaba, 10 out (RV) - Um famoso “pai” da Igreja primitiva, do segundo século, Tertuliano, cunhou uma frase que se repete pelos séculos: “A alma humana é naturalmente cristã”. Ele quis ensinar que o universo cristão é tão ajustado à expectativa do coração humano, que sua doutrina se encaixa na alma como uma luva. O catolicismo satisfaz, e preenche as inclinações do coração. Só existem duas forças que impedem seu progresso irresistível entre os povos. São as leis governamentais férreas que se opõem à menor explicação de seus ensinamentos ou ao exercício livre do culto (como ainda acontece nos países de maioria muçulmana). Ou quando os próprios cristãos não tem capacidade dinâmica para se sobrepor ao paganismo vigente (como sucedeu diante do iluminismo). Expondo de maneira compreensível os ensinamentos de Cristo, a acolhida é certa. Se houver inteligências cultas, acompanhadas de valor moral, suficientemente livres, que exponham fielmente os ensinamentos de Cristo, o progresso do cristianismo é irresistível. Gostemos ou não, Jesus antecipou que viria o tempo, em que “haveria um só rebanho e um só Pastor” (Jo 10,16).

Como entender a frase lapidar de Tertuliano, diante do interesse evidente pelos filmes e obras que falam dos espíritos, aqui no Brasil? Seria atração pelas forças misteriosas e ocultas, ou pior ainda, pela magia? Penso que não. O nosso povo tem um mínimo de conhecimentos de fé, para não cair nesse encantamento. Outros acham que o nosso “ethos” tem muito a ver com as crenças dos indígenas, e com o animismo da África, que atribuem grande atividade aos espíritos. A alma do brasileiro estaria marcada pelas crenças dos ancestrais. Em parte pode até ser. Mas o principal é que essa população se move num ar rarefeito de conhecimentos sobre Jesus Cristo. É uma asfixia espiritual. Como a nossa natureza tem “horror ao vácuo”, essas verdades incompletas encantam certas camadas do povo. Faltam os anunciadores do “conhecimento completo da pessoa de Jesus Cristo” (2 Pd 1, 3). Quem conhecer essa pessoa ficará arrebatado, a ponto de não haver mais espaço para substitutivos.

Dom Aloísio Roque Oppermann scj
Arcebispo de Uberaba, MG


MISSIONÁRIOS


◊ Rio de Janeiro, 10 out (RV) - Em outubro comemoramos o mês das missões e do rosário. Celebramos várias festas Marianas e acontecimentos históricos marcantes como o início da evangelização nas Américas, o novo mundo que então se descortinava. Nós iniciamos este mês com a Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro. A semana e o dia da criança nos levam a refletir sobre a nossa responsabilidade atual para que a dignidade humana se inicie logo nos primeiros momentos da vida.
Porém, em geral, a marca maior deste mês são as Missões. A Igreja nasce na missão e da missão. Neste ano o tema está inspirado no da Campanha da Fraternidade e é “Missão e Partilha” cuja novena aprofunda o sentido da Campanha Missionária, inclusive da Coleta pelas Missões, o trabalho missionário nas grandes cidades, nas periferias, na partilha com os povos famintos, na religiosidade popular, na questão dos migrantes e refugiados, com relação ao meio ambiente e partilha de pessoas.
O papa Bento XVI, como faz todos os anjos, escreveu a sua mensagem para o Dia Missionário Mundial com tema “A construção da comunhão eclesial é a chave da missão”. Temos assim muitas reflexões a ser feitas durante este tempo.
O documento de Aparecida ao lançar a Missão Continental, lembra que isso significa viver em estado permanente de missão – grande desafio para nossa mentalidade e nossos costumes.
Por isso, não é suficiente nos lembrarmos de missão apenas daqueles que partiram para terras distantes, ou que trabalham nas fronteiras da Igreja na sua obra evangelizadora que, certamente, é universal, pois temos muito serviço nas portas de nossas casas.
Porém, ressaltamos que as fronteiras da evangelização não é apenas uma relação geográfica, mas os limites da cultura, da religião que nascem em nossas sociedades e em nossas cidades, na nossa família, no trabalho e na escola. A missão, neste sentido, está bem ao nosso lado, à nossa porta e janela. Temos necessidades enormes de trabalhos bem concretos em várias pastorais em nossas comunidades. É o exercício do apostolado cristão entusiasmado e coerente.
A missão hoje é abrir portas para aquele que está perto de nós, e que precisa da nossa palavra de fé. A nossa omissão neste caso pode ser fatal no testemunho de vida. Hoje urge, mais do que em todos os tempos, irmos ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e povos. Devemos encontrar as pessoas lá onde elas estão, e não onde gostaríamos de encontrá-las. Devemos ir ao encontro do real e não do imaginário. E para tanto o missionário é antes de tudo um destemido, um audacioso.
A formação de pessoas no sentido da consciência de sua vocação missionária é uma necessidade urgente. Aliás, esse assunto esteve muito presente nas reuniões das foranias que realizei nesta semana. Para que tenhamos bons missionários, precisamos informar e formar os cristãos das necessidades da Igreja e de sua efetiva participação na obra evangelizadora. Também essa foi uma das preocupações do Papa Bento XVI em nossa conversa pessoal durante a visita “ad limina” – a formação do cristão.
É necessários estarmos sensibilizados para o apoio mais efetivo às missões, seja no cunho espiritual, seja também no material, como é o caso da coleta mundial pelas missões católicas que ocorrerá no quarto final de semana deste mês.
A nossa Arquidiocese tem trabalhos missionários fora dos limites territoriais em duas Dioceses Irmãs, tanto com o envio missionário em alguns meses durante o ano, como também com presença contínua de missionários partilhando da vida de comunidades e trabalhando pela evangelização.
É necessário promovermos, especialmente, entre os jovens uma sensibilidade maior para a missão, levando-os a se oferecerem para esta empreitada e também fomentarmos uma solidariedade econômica, uma mais ampla generosidade dos cristãos para as necessidades essenciais da Igreja nos territórios de missão.
A missão a que somos impulsionados para nós deve ser um dom, pois a tarefa de anunciar o evangelho é um compromisso generoso que deve ser assumido por cada batizado anunciando com coragem o evangelho, com todas as suas conseqüências.
Devemos afastar o medo e a indiferença, que no final paralisam o coração. O mundo à nossa volta precisa de discípulos-missionários, que “significa, antes de tudo, anunciar Jesus, fazê-lo conhecido e amado, testemunhando na vida cotidiana essa vida coerente, humilde e alegre de viver no seu amor. Significa anunciar com fidelidade e integridade cada um dos seus ensinamentos, tal como guardados e ensinados pela Igreja. Ser missionário é enfrentar os problemas pela luz de Cristo, luz das nações e dos povos.”
Portanto, a evangelização é mais do que ensinar é principalmente testemunhar com a própria vida os valores do Reino e a alegria do seguimento de Jesus Cristo. A missão é instrumento de mudança, de transformação, deve permear toda a cultura.
Mas não nos esqueçamos da oração, pois nada pode substituir a ação do Espírito Santo. Nada tem efeito sem esta ação, e nada pode convencer as mentes mais duras sem sua eficácia transformadora pelo interior da pessoa. Sem sua colaboração todos os esquemas se tornam apenas ações humanas, o que é pouco para converter pessoas.
A Igreja precisa hoje de homens e mulheres que se deixem conduzir pelo Espírito Santo, que sejam pessoas de oração, ungidas pelo poder de Deus.
Peçamos à Maria, a Estrela da Evangelização, a nossa boa e terna mãe do Rosário, de Aparecida, de Nazaré, da Penha, que nos ajude com a sua intercessão a vivermos com entusiasmo a missão. Que a força do sim de Maria, a sua entrega total e destemida possa ser contagiante para todos nós neste mês e em toda a nossa caminhada eclesial.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.


OS DEZ LEPROSOS, A GRATIDÃO DO SAMARITANO


◊ Juiz de Fora, 10 out (RV) - No Evangelho do próximo domingo, Lc 17, 11-19, o ponto alto da narrativa é a fé do samaritano. O samaritano tem uma fé madura, que nasce da esperança, cresce na obediência à Palavra de Jesus e se manifesta na gratidão. Com isso, ele não só recebe a cura, mas é salvo. Sua vida chega à plenitude, ao reconhecer que, em Jesus, o amor de Deus leva os homens a viver na alegria da gratidão. A vida que Deus dá em Jesus Cristo é gratuita, é graça.
No tempo de Jesus, havia rivalidades entre os habitantes da Samaria (samaritanos) e os judeus. Estes desprezavam aqueles acirradamente. Esse ressentimento era infundado e Jesus quer mostrar que pessoas de bem não são, necessariamente, apenas os judeus. Aqueles de quem não gostamos ou que desprezamos, pode, de repente, ser melhor do que nós.
Há várias parábolas em que Jesus coloca o samaritano como aquele que age melhor, que está mais perto de Deus. Somos todos irmãos e precisamos agradecer a Deus, a cada manhã, pela oportunidade de mais um dia de vida.
Jesus não quer que desprezemos as pessoas, mas que entendamos que aquele que desprezamos pode nos dar uma lição de vida muito mais bonita do que a que levamos.
Os dez leprosos viram-se "curados" da sua doença, mas só um foi "salvo": aquele que, movido pela sua fé, deu glória a Deus e agradeceu a Jesus. São Lucas põe em relevo o fato de o leproso salvo ser um estrangeiro. Como estrangeiro era também Naamã, comandante do exército dos Arameus mas ferido de lepra. Naamã ficou curado quando, obedecendo à palavra do profeta Eliseu, foi lavar-se nas águas do rio Jordão. A Palavra de Deus põe em evidência que "a salvação do Senhor é para todos os povos". O destino universal da salvação e a fidelidade a Israel, que à primeira vista podem parecer em contradição, são na realidade dois aspectos inseparáveis e recíprocos do mesmo mistério salvífico: é precisamente a intensidade e a solidez do amor de Deus pelo povo por Ele escolhido que torna este amor uma "bênção" para todos os povos (cf. Gn 12, 3). A manifestação mais alta disto mesmo está na cruz de Cristo, o máximo sinal da sua dedicação às ovelhas perdidas da Casa de Israel e, simultaneamente, da redenção da humanidade inteira.
São Paulo nos diz que, quando ele está fraco, aí é que se torna forte porque é na fraqueza que mais precisamos da graça e da força de Deus. E é então que a recebemos em toda a sua plenitude.
No cumprimento das leis e prescrições mosaicas, os leprosos que encontram Cristo param "à distância", sentem-se impuros, fora da convivência humana; quem os toca também ficará impuro. O Senhor cura-os e manifesta-lhes a sua vontade salvífica com as palavras e com dois sinais muito consistentes: estende as mãos e toca-os. Cristo não aceita somente aproximar-se aos leprosos mas estende a sua mão, recebe-os e toca-os. Cristo identifica-se com o leproso, torna-se completamente solidário com eles. Destrói a impureza e a marginalização deles, manifesta a sua plena solidariedade com eles.
A solidariedade coincide com a autêntica espiritualidade, ou seja: a ação do Espírito Santo, o amor. O Espírito Santo é o amor de Deus que se faz história na misericórdia solidária do Pai Eterno que nos envia o seu Filho redentor através da sua encarnação pascal. O Espírito Santo é a intercomunicação trinitária infinita no amor. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade mostra-nos a natureza divina de Deus como Amor; um amor que é a entrega total do Pai ao seu Filho e do Filho ao seu Pai que, na sua total dedicação, fazem proceder deles a pessoa Amor, a pessoa Dom, que é o Espírito Santo. Portanto, o Espírito Santo significa a infinita posse pessoal individual tanto do Pai como do Filho em si próprios, posse que o coloca em condição de se poder doar de modo absoluto. Aqui encontra-se a essência da solidariedade. Quando falamos da solidariedade humana, esta é autêntica somente quando é feita à imagem de Deus. O homem torna-se filho de Deus somente através da solidariedade, que significa receber numa doação gratuita plena tudo aquilo que é e doá-lo também sem medida a Deus e aos outros.
Somente sob esta luz se pode entender o mistério da solidariedade redentora: de fato, a maior doação que se possa pensar é a doação até à morte: "Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos" (Jo 15, 13). Desta doação, até à morte, o Pai cria a solidariedade da humanidade redimida. Consequentemente, a autêntica solidariedade é aquela a que não importa o risco da perda da vida até ao ponto de poder dar a vida pelos outros.
+ Eurico dos Santos VelosoArcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG.


REFLEXÃO 28º DOMINGO DO TEMPO COMUM


◊ Cidade do Vaticano, 10 out (RV) - A primeira leitura nos apresenta Naamã, importante militar sírio, padecendo de lepra, chegando a Israel, por conselho de sua escrava judia, e procurando o profeta Eliseu para que este o curasse.
Este ao invés de receber o sírio em sua casa – como Naamã esperava - antecipa-se mandando um mensageiro que o despacha recomendando-lhe banhar-se no Jordão.
Naamã fica muito decepcionado, pois esperava um ritual de cura.
O homem resolve voltar para sua terra, pois lhe sobrevem o pensamento de que em sua pátria existem rios tão bons ou até melhores que o Jordão.
Nesse momento outros servos seus sugerem ao militar banhar-se no Jordão, já que não custa tentar. Naamã, como sempre, segue o conselho de seus empregados e vai banhar-se e sete vezes, como Eliseu lhe havia indicado. Ao sair do Jordão o sírio estava curado.

Naamã vai a Eliseu para agradecer-lhe a cura e leva para ele um um presente. Eliseu o recebe com seus agradecimentos, mas não o presente. Com o gesto de recusa Eliseu quer indicar ao sírio que a cura foi realizada por Javé, e não por ele. Então Naamã demonstra que entendeu e professa: “ Reconheço que não há outro Deus em toda terra senão o de Israel”.
Naamã ficou curado do corpo e do espírito!

No Evangelho dez leprosos se aproximam de Jesus e lhe pedem a cura. O leproso na Bíblia era visto naquele tempo como pecador, maldito. Ora, o número dez tem em Israel a simbologia do todo. Logo, Lucas quer nos dizer que o Povo de Israel ou toda a Humanidade se apresenta ao Senhor pedindo a cura, pois são portadores de pecado, da miséria humana.
Ao mesmo tempo, sabemos pela leitura que no grupo estão judeus e samaritanos. Ora, eles são inimigos, mas a doença une, acaba com os preconceitos, iguala a todos. Do mesmo, modo eles, juntos, vão buscar a salvação, a cura. Vivem a solidariedade!
Lucas também nos ensina, ao escrever que Jesus e o grupo de leprosos se encontram no caminho para Jerusalém, que a cura espiritual, a maturidade, o crescimento se dá aos poucos, na caminhada da vida, pela escuta da Pavra de Jesus.

Jesus, no Evangelho, repara que apenas o samaritano, o formalmente afastado do povo, dá, imediatamente, glória a Deus. Os demais vão fazer o mesmo, mas primeiro vão cumprir as formalidades rituais. Só o samaritano entendeu que dando glória ao Pai, diante de Jesus, que havia operado seu retorno à vida, já estava fazendo o ato de reintegração, que os demais ritos estavam superados. Os demais perderam tempo. Foram glorificar Deus perante os Seus representantes oficiais, enquanto o samaritano o fêz diretamente ao Filho de Deus.
O samaritano foi depois testemunhar aos sacerdotes que chegaram os tempos novos, que a salvação de Deus é para todos, que não existe mais doentes e sadios.
Por fim, a segunda leitura confirma a fidelidade de Deus, mesmo que sejamos pecadores, porque Ele é o Deus fiel, o nosso Pai, o Amor.
Confiemos em Deus, em seu amor de Pai, mesmo que nos sintamos grandes pecadores. Ele nos ama não porque somos bons, mas porque Ele é bom, porque é Amor.
Ao mesmo tempo tenhamos consciência de que a vida comunitária, o sentimento de fraternidade deve ser forte em nossa vida.
Por outro lado, se é difícil, se é lenta a nossa conversão para o Pai, se são morosos nossos gestos concretos de fratenidade, peçamos Sua Graça e acreditemos que na caminhada para Ele, para o Bem, estamos sendo curados. Quando chegarmos à Jerusalém celeste iremos nos apresentar com a veste nupcial por Ele nos dada em nosso batismo, realidade vivida em nosso dia a dia, quando ouvíamos a Sua Palavra.
“Transbordo de alegria em Javé, a minha alma se regosija em meu Deus, porque Ele me vestiu com com vestes da salvação, cobriu-me com um manto de justiça”. Is 61, 10 . (CA)

© Rádio Vaticano 2010

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