A insegurança alimentar que aflige os angolanos em algumas regiões do país preocupa a Igreja Católica. Esta posição vem reflectida na nota pastoral da II Assembleia anual que versou sobre o 35º aniversário da Independência de Angola.O documento, apresentado pelo Bispo Emérito da Diocese do Uíge, Dom Francisco da Mata Mourisca, deplora essa situação e considera ser imperdoável que num país “riquíssimo” em recursos alimentares , as suas populações continuem a ser assoladas pela fome, apelando para a tomada de medidas urgentes que ajudem a inverter este quadro.
A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe manifesta de uma maneira geral o seu regozijo pelos progressos alcançados ao longo dos oito anos após a pacificação do país, destacando-se a reparação que as vias de comunicação vitais para o desenvolvimento têm beneficiado, bem como reconhece avanços que honram a governação e de igual modo facilitam a vida dos cidadãos, apontando como exemplo a ligação das periferias com a capital, que conheceu inegavelmente grande progresso.
O investimento do Executivo na construção de infra-estruturas sociais por todo o país foi louvado pelos bispos da CEAST, mas reconhecem a necessidade de avançar mais país adentro, levando não só as escolas mas também os serviços primários de saúde às comunidades ou aldeias carentes destes serviços. Problemas como a falta de água potável, energia e habitação, no entendimento da hierarquia da Igreja Católica de Angola, são questões que levam a que o povo viva marginalizado da actual civilização.
“No sector social, de modo particular na educação, seria fechar os olhos à verdade não reconhecer o contributo da Igreja. Obstaculizá-la agora, na continuação deste mister, seria privar o país do melhor contributo que parceiro algum lhe pode proporcionar”, sublinha a nota pastoral.
A Igreja entende que ajudá-la a reconstruir as suas escolas e estruturas sanitárias, não significa privilegiá-la, mas sim ajudá-la a colaborar melhor no desenvolvimento do país, enfatiza a nota lida por Dom Francisco da Mata Mourisca.
Na menção que fazem ao índice de sinistralidade rodoviária que tem ceifado vidas de forma impressionante, os prelados católicos chamam a atenção aos condutores lembrando que estes não devem esquecer que “o volante é uma ‘arma’ cujo manuseio requer sumo cuidado e respeito pela vida”. Por fim, no domínio do Ambiente, os bispos das 18 províncias de Angola mais São Tomé e Príncipe, chamam a atenção para a defesa e salvaguarda da terra, apelando para o respeito desta sem a degradar com a exploração irracional dos seus recursos.
Católicos não têm dimensão da expansão do islão em Angola
A hierarquia da Igreja Católica em Angola desconhece a dimensão da expansão do islão em Angola, revelou o Bispo Emérito do Uíge, Dom Francisco da Mata Mourisca, na conferência de imprensa para fazer o balanço da II Assembleia plenária da Conferencia Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe.
Da Mata Mourisca disse que a presença do islão em Angola é uma novidade, tendo em conta a cultura cristã que vem dos séculos passados, reconhecendo, porém, que a liberdade religiosa confere-lhe este direito.
“O governo pelo menos não tem imposto impedimento, não sei se está reconhecida oficialmente, penso que ainda não, porém já está a ter os seus cultos em alguns lugares”, disse o prelado católico.
A CEAST manifestou o desejo de que essa abertura fosse recíproca para a Igreja Católica por parte de alguns países islâmicos, onde o fundamentalismo não permite que a religião cristã ali funcione, uma contrapartida justa que os católicos desejam que venha a acontecer.
“De qualquer maneira, a Igreja Católica defende a liberdade religiosa e, por conseguinte, não se opõe a nenhum culto, seja ele qual for” disse o Bispo Emérito do Uige, Dom Francisco da Mata Mourisca.
No entendimento deste prelado, a existência de muitas seitas em Angola é motivo de confusão para os cristãos ou o povo, face à dificuldade em escolher a Igreja a frequentar, levando a indagarem se todas são salvíficas, sendo que a Palavra de Deus pretende que todos se salvem na verdade.
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