Papa e Santa Sé
EXÉQUIAS DO CARDEAL NAVARRETE
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - “Estamos confiantes de que seu nome está escrito no livro da vida”: foi o que disse ontem o Papa Bento XVI, durante as exéquias do Cardeal espanhol Urbano Navarrete, celebradas na Basílica do Vaticano pelo Decano do Colégio Cardinalício Cardeal Angelo Sodano. Após a missa, o Papa presidiu o rito da Última Encomendação e Despedida do purpurado que morreu segunda-feira passada com a idade de 90 anos.
“Mestre de justiça”, Urbano Navarrete, filho espiritual de Santo Inácio de Loyola, morreu após “uma longa e fecunda peregrinação terrena”, disse o Papa, “com emoção e gratidão”, falando sobre o perfil do cardeal.
“O estudo meticuloso e o ensinamento apaixonado do direito canônico representaram elementos centrais na sua vida. Educar especialmente as jovens gerações à verdadeira justiça, a de Cristo, a do Evangelho: eis o ministério que o Cardeal Navarrete desempenhou ao longo de toda a sua vida”, disse o Santo Padre.
“Especialista em direito matrimonial, - recordou o Papa - decano da Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Gregoriana, depois reitor da mesma Universidade, contribuiu para a revisão do Código de Direito Canônico e foi consultor de vários organismos da Cúria Romana, e testemunha de acontecimentos históricos, como o Sínodo Diocesano de Roma e o Concílio Vaticano II.”
“Nunca duvidei de minha escolha”, disse o Cardeal Navarrete em uma recente entrevista sobre a sua vocação sacerdotal, amadurecida em uma família piedosa, onde entre seis irmãos, três se tornaram jesuítas e duas religiosas.
“Três princípios básicos sempre inspiraram a sua vida como estudioso: muito amor pelo passado, sensibilidade aos problemas, exigências e desafios do presente, capacidade de abrir-se ao futuro sem medo, mas com esperança, a que provém da fé”, concluiu o Papa. (SP)
LUTO NA FAMÍLIA PONTIFÍCIA
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - Luto na família pontifícia: faleceu ontem de manhã em Roma, a leiga consagrada, Manuela Camagni, uma das quatro Memores Domini – movimento que reúne homens e mulheres de Comunhão e Libertação – que estava a serviço do Papa Bento XVI, no apartamento papal. A leiga consagrada foi atropelada por um carro na noite de terça-feira, e a nada serviram as tentativas para salvar a sua vida.
O Santo Padre foi informado do triste acontecimento, antes da celebração da Santa Missa na manhã de ontem. O Papa elevou pela falecida a sua oração de sufrágio. No livro-entrevista “Luz do Mundo”, publicado terça-feira, o Papa também fala sobre os momentos da sua vida cotidiana com os dois secretários particulares e com as quatro Memores Domini.
Antes de estar ao serviço do Papa, em 2005, Manuela Camagni - nascida em 1954 em San Piero de Bagno, na região da Romanha - tinha trabalhado no campo da educação de 1996 a 2001, e depois trabalhou como missionária em Túnis, quando era Bispo Dom Fouad Twal. (SP)
CARDEAL SANDRI CELEBRA MISSA NO VATICANO PELOS CRISTÃOS NO IRAQUE
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - O Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, celebra na tarde desta quinta-feira, às 17h locais, na Basílica Vaticana, uma missa em sufrágio das vítimas do ataque de 31 de outubro passado perpetrado na Catedral sírio-católica de Bagdá. O ataque deixou um trágico balanço de 58 mortos, entre os quais, numerosas crianças, mulheres e dois sacerdotes – que estavam celebrando a missa dominical. A Rádio Vaticano entrevistou o Cardeal Sandri. Eis o que disse:
Cardeal Leonardo Sandri:- "Com esta celebração queremos expressar a nossa proximidade, a nossa fraternidade espiritual – através da oração – a todos esses nossos irmãos sírio-católicos, em particular, aos familiares daqueles que foram tão barbaramente trucidados na Catedral sírio-católica de Bagdá. Queremos que essa proximidade na oração, em compartilhar a sua dor, seja também uma mensagem para todos a fim de que os cristãos no Iraque sejam defendidos e seja protegido o seu direito à liberdade religiosa. Queremos também sensibilizar todos os homens de boa vontade, inclusive em nível internacional, a fim de que colaborem, elevem a sua voz e ajam de modo concreto em favor desses nossos irmãos."
P. Essa celebração testemunha a preocupação da Santa Sé com a situação dramática dos cristãos no Iraque...
Cardeal Leonardo Sandri:- "Exatamente! Infelizmente, as notícias que chegam do Iraque por vezes levam a um acostumar-se com a violência que se verifica todos os dias. Porém, não podemos assumir uma atitude de conformismo, de passividade diante disso. Em particular, nós católicos e cristãos devemos mobilizar-nos na oração, na solidariedade e na proximidade, de modo particular e forte, com esses nossos irmãos. Portanto, esperamos que essa nossa preocupação com os fiéis cristãos – que são praticamente expostos à perseguição, à violência, à insegurança – possa ser superada com a convivência de todos, de todas as religiões, com a presença também de cristãos como parte integrante da identidade civil e política do Iraque."
A situação permanece dramática no Iraque. O governador de Nínive autorizou os cristãos de Mosul – norte do país - a se munirem de armas para se defender. Por sua vez, os bispos caldeus pediram às autoridades muçulmanas um pronunciamento oficial para esclarecer que as violências anticristãs são contrárias aos princípios da religião islâmica.
Todavia, esta quinta-feira faz entrever, politicamente, uma espiral no caminho da paz: o Presidente iraquiano, Jalal Talabani, encarregou o premiê em fim de mandato, Nouri al-Maliki, de formar um novo governo.
Sobre as perspectivas no país e sobre a iniciativa de oração e solidariedade no Vaticano para com a comunidade cristã iraquiana, a Rádio Vaticano ouviu também o Bispo auxiliar do Patriarcado caldeu de Bagdá, Dom Shlemon Warduni. Eis o que disse:
Dom Shlemon Warduni:- "Agradecemos a todos aqueles que nos fazem o bem e que rezam por nós. Agradeço a Sua Santidade, que nos recorda; agradecemos ao Cardeal Angelo Bagnasco e a toda a Conferência Episcopal Italiana que rezaram por nós domingo passado. Nós gritamos pedindo a paz e gritamos "não" à guerra."
P. Os cristãos estão vivendo um momento muito difícil, que dura há muito tempo, um tempo demasiadamente longo...
Dom Shlemon Warduni:- "Certamente! Especialmente nestes últimos meses, após o ataque cruel contra a Catedral sírio-católica de Bagdá; com as bombas lançadas nas casas dos cristãos; com as bombas colocadas nos automóveis; com os assaltos nas casas, com o assassinato de jovens, em Mosul, em particular. Isso dá medo nos jovens e, por isso, querem fugir. Matam pessoas inocentes, deixam as crianças sem pais. Consequentemente, os jovens dizem que não há esperança e acabam desesperados por causa de todos esses ataques. Que vida pode ser esta? Não há paz, não há segurança, não há trabalho, não há infraestrutura: como podem viver? Portanto, infelizmente, o resultado é a fuga." (RL)
REINO UNIDO: BISPOS COMENTAM O LIVRO-ENTREVISTA SOBRE O PAPA
◊ Londres, 25 nov (RV) – "Uma viagem fascinante que permite descobrir a humanidade do guia de 1,2 bilhões de católicos no mundo": foi o que disse um porta-voz da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales sobre o novo livro-entrevista "Luz do Mundo", que traz a entrevista concedida por Bento XVI ao escritor alemão Peter Seewald.
Numa nota publicada pela CCN – a agência dos bispos do Reino Unido – os prelados dizem que "o ponto central do livro é o desafio proposto pelo Papa à sociedade atual, que é colocar o humano como prioridade".
"Em toda a entrevista – lê-se na nota – o Pontífice volta a falar sobre o que é a humanidade e quais são as implicações desse conceito, desafiando o mundo pós-moderno a superar uma visão simplista, na qual fatos científicos são considerados como verdades únicas, que excluem as antigas verdades da fé."
A nota ressalta ainda, que os temas abordados na entrevista – a começar da relação entre fé e razão – foram os fios condutores da visita de Bento XVI ao Reino Unido em setembro passado.
"O que emerge claramente da entrevista – concluem os bispos – é o calor da humanidade do Papa e sua profunda compreensão dos graves problemas enfrentados pela sociedade e pela Igreja, bem como o papel vital da fé em diálogo com a razão." (ED)
MISSÃO VATICANA NO PAQUISTÃO EM PROL DE ASIA BIBI
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - Chega nesta quinta-feira ao Paquistão para sensibilizar o governo local sobre o caso de Asia Bibi e sobre a revogação da lei sobre a blasfêmia, o Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran. Enquanto isso, no país asiático, o ministro para as Minorias, Shahbaz Bhatti, de fé cristã, revelou que foi ameaçado por extremistas.
O anúncio da missão vaticana no Paquistão foi dada na terça-feira pelo Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, à margem da inauguração do ano acadêmico da Pontifícia Universidade Lateranense, onde renovou seu apelo pela libertação de Asia Bibi, uma mãe de família cristã acusada de blasfêmia e detida em uma prisão perto de Lahore.
Hoje o Cardeal Tauran chega ao Paquistão, onde se encontrará com o ministro para as Minorias. Precisamente o ministro preparou um relatório detalhado sobre o caso para o presidente Zardari, que irá analisar nos próximos dias o pedido de clemência feito pela mulher.
O Cardeal Bertone recordou ainda que a Santa Sé, como muitos outros governos, têm levantado a questão da revogação da lei sobre a blasfêmia em vigor no Paquistão, porque “os cidadãos e entre eles os fiéis cristãos não podem ser acusados de crimes que não têm consistência”. Enquanto isso, os partidos religiosos paquistaneses comunicaram que são fortemente contrários à libertação de Asia Bibi, ameaçando protestos em nível nacional e a organização de um dia de mobilização contra “qualquer conspiração para abolir a lei sobre a blasfêmia”. (SP)
Igreja na América Latina
BOLÍVIA: PROJETO DE LEI SOBRE EDUCAÇÃO RECEBE CRÍTICAS DOS BISPOS DO PAÍS
◊ La Paz, 25 nov (RV) – Está tramitando no Congresso da Bolívia, um projeto de lei chamado Avelino Sinani e Elizardo Perez, que traz propostas de modificações para o sistema educacional do país. O projeto foi apresentado pelo ministro da Educação, Roberto Aguilar, no dia 19 de novembro.
A Conferência Episcopal Boliviana apresentou, por sua vez, seis observações sobre esse projeto, pois os bispos não estão de acordo com algumas modificações. A primeira observação diz respeito ao governo nacional, que eles afirmam ter o dever de reafirmar, claramente, a responsabilidade dos pais no que diz respeito à educação dos filhos.
Em segundo lugar, criticam a exclusividade do Estado na formação dos professores, pois a Igreja Católica tem um centro próprio de formação, que tem se mostrado eficiente.
A terceira contestação se refere à reivindicação, por parte da Igreja, de poder administrar suas escolas, com base num acordo com o governo, de maneira a proporcionar àqueles que assim o desejarem, uma formação fundada nos princípios religiosos.
As demais observações são variações desses temas, estabelecendo alguns detalhes sobre a formação religiosa e sua colocação formal no contexto das normas do país. (ED)
Igreja no Mundo
RELATÓRIO REVELA: CRISTÃOS SÃO OS FIÉIS MAIS PERSEGUIDOS
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - Um relatório da Fundação "Ajuda à Igreja que Sofre" (AIS) revela que o número de violações à liberdade religiosa tende a aumentar, e que a intolerância em relação aos cristãos está crescendo, até mesmo nos países ocidentais.
No relatório de 2010 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, que analisa a situação em 194 países, a AIS considera particularmente preocupantes "as discriminações com base na religião, em especial na área de predomínio islâmico, e a hostilidade face à religião com motivações políticas".
O documento elenca cerca de 20 países onde ocorrem "graves restrições ou muitos episódios de intolerância social ou legal ligados à religião": Arábia Saudita, China, Coreia do Norte, Cuba, Egito, Índia, Irã, Iraque, Maldivas, Mianmar, Paquistão, Somália e Sudão, entre outros.
O relatório indica que Igreja foi praticamente extinta na Coreia do Norte, enquanto nas ilhas Maldivas, a prática do Cristianismo é proibida. A intolerância religiosa continua a aumentar e os cristãos têm sido as principais vítimas, segundo dados oficiais.
Dados da agência missionária de notícias FIDES, da Congregação para a Evangelização dos Povos, revelam que 75% das perseguições registradas têm como alvo os cristãos.
As perseguições acontecem por várias razões: ódio religioso, como no Iraque ou no Paquistão; ou motivos políticos, como na China e na Coreia do Norte, por exemplo, onde a comunidade cristã já foi praticamente extinta.
"Na Coreia do Norte, podemos falar de um dos casos mais extremos de extermínio da comunidade cristã. Neste momento, a Igreja não tem clero, a prática do culto é impossível e a comunidade católica não excede 200 fiéis, segundo a agência AsiaNews, especializada nessa área do mundo."
Mais surpreendente é o caso das Maldivas: essa meta turística, muito procurada em virtude de suas praias paradisíacas, proíbe os cristãos de expressarem sua fé. (AF)
COREIA DO SUL: IGREJA QUER DIÁLOGO ENTRE OS GOVERNOS
◊ Cheju, 25 nov (RV) - A guerra “é uma eventualidade que devemos tentar de evitar de todas as maneiras”. Dessa maneira o Presidente da Conferência Episcopal da Coreia do Sul e Bispo de Cheju, Dom Peter Kang U-il, comentou à agência Fides o ataque de terça-feira perpetrado pelas forças de segurança de Pyongyang, na Coréia do Norte, à ilha ao sul-coreana de Yeonpyeong .
A agência também fornece uma atualização sobre o número de mortos: além dos dois militares da Coreia do Sul, teriam também perdido a vida dois civis. “Vivemos em um momento de grande confusão e medo”, disse o bispo, lançando um apelo aos governos do Norte e do Sul para que busquem o diálogo. Entretanto, “urge uma forte intervenção da comunidade internacional, que não pode fechar os olhos diante dessa situação”.
“O governo do sul ainda não conhece a razões do ataque – disse o bispo - parecem razões de tática política, ou talvez seja uma maneira de desviar a atenção dos dramáticos problemas internos. A partir das informações que temos, de fato, a situação econômica do norte é muito difícil, há fome e miséria”, disse o prelado.
O Bispo pede ainda o apoio de toda a Igreja em prol da paz através da oração: “A paz não é apenas o resultado da vontade humana ou de ações diplomáticas, mas também da ajuda de Deus” – concluiu Dom Peter – acrescentando: “pedimos ao Santo Padre que reze por nós e pelo bem do nosso povo”. (SP)
NOVOS BISPOS PARA A IGREJA DO RIO DE JANEIRO
◊ Rio de Janeiro 25 nov (RV) - Neste dia 24 de Novembro a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro recebeu com alegria o anúncio da nomeação de três novos bispos auxiliares. São eles: Mons. Pedro Cunha Cruz, Mons. Nelson Francelino Ferreira, Mons. Paulo Cesar Costa.
Anuncio a todos os queridos diocesanos que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, provisionou a nossa Igreja com esses novos irmãos auxiliares, que serão de uma imensa ajuda na missão evangelizadora nesta metropolitana cidade.
Hoje é dia de agradecer a Deus por todos os dons que recebemos e olhar com confiança para o futuro. Cada dia é um novo dia para que possamos dar passos e acolher o Senhor que conduz a história. Somos chamados a ver os sinais dos tempos e perceber o chamado de Deus para a vida de Santidade enquanto ajudamos com o testemunho e com a Palavra a construir um mundo mais justo e humano.
A extensão de nossa Arquidiocese e toda a sua vitalidade necessita de homens de Deus que assumam essa missão, e eu agradeço aos três pelo “sim” que deram, oferecendo mais uma vez as próprias vidas pelo Reino de Deus. Dentre tantos que poderiam ser escolhidos, quis, pela providência de Deus e ação do Espírito Santo, que o Santo Padre escolhesse esses irmãos. Peço a todos para que os acolham com muita alegria, fé e disponibilidade.
Após um tempo de reorganização das suas vidas e dos seus trabalhos, irão assumir a missão episcopal em nossa Arquidiocese. Já prevemos para o dia de São Sebastião, no dia 20 de janeiro de 2011, o juramento de fidelidade e a profissão de fé, e para o dia 05 de fevereiro, sábado, às 09 horas da manhã, em nossa Catedral Metropolitana de São Sebastião, a ordenação episcopal, para a qual desde já convido a todos para essa bela e importante solenidade.
Fico feliz em poder contar com esses irmãos que, juntamente com os demais que já estão nessa missão, para dividir o peso do dia a dia, e para que possamos ainda mais aprofundar o trabalho evangelizador em nossa Igreja Particular.
Agradeço vivamente ao Santo Padre o Papa Bento XVI que nos concedeu esses três auxiliares, com os quais a Igreja do Rio de Janeiro poderá avançar mar adentro para evangelizar mais profundamente todo o nosso tecido social.
Essa nomeação é anunciada no dia em que celebramos os mártires do sudeste da Ásia e quando iniciamos em nossa cidade a 50ª edição da Feira da Providência. São sinais que nos demonstram que somos chamados a testemunhar com generosidade e alegria a nossa fé mesmo em meio às provações, perseguições e dificuldades. Temos também o compromisso de continuar a missão que outros nos deixaram, em especial o trabalho social, procurando encontrar novos caminhos que respondam aos questionamentos de hoje, principalmente na construção da paz nesta cidade.
Amanhã, dia 25, celebramos o Dia Nacional de Ação de Graças! Convido todos os irmãos e irmãs para agradecermos a Deus pelo ano litúrgico que finda, e, antes de iniciarmos um novo ano no próximo final de semana com o tempo do Advento, somos chamados a reconhecer os dons e as graças que Deus nos concede a cada momento. Será também uma importante oportunidade de rezarmos e nos comprometermos com a Paz em nossa bela cidade.
Deste limiar do novo ano litúrgico posso também olhar o futuro com suas alegrias e dificuldades, com muita confiança e esperança de que faremos a nossa parte na história tão bela e importante de que somos herdeiros.
O que é um bispo? O ministério do Bispo é aquele doce serviço de amor. Ao mesmo tempo, realça a índole pastoral do poder episcopal, que tem essencialmente por objetivo a edificação do povo de Deus na unidade da fé e do amor. O caráter pastoral, o espírito paterno e o fim eclesial do poder do Bispo são evidenciados de maneira peculiar no seu santo serviço em favor dos sacerdotes, dos leigos e dos consagrados da Igreja diocesana. É recordado com particular insistência ao Bispo o estreitíssimo vínculo sacramental que o une aos sacerdotes, para os quais ele deve ser pai, irmão e amigo, a fim de fazer com que todo o presbitério cresça na fraternidade e naquela "obediência comunitária", característica própria da identidade presbiteral, como indicou o Santo Padre na Exortação Apostólica pós-sinodal "Pastores dabo vobis" (n. 28).
O Bispo exerce os "tria numera", que constituem a sua função pastoral. De fato, o Bispo é pastor enquanto evangelizador, santificador e guia do povo cristão.
O Bispo, mestre da fé e mensageiro da Palavra (munus docendi) tem o grave dever de ser o primeiro responsável pela evangelização e pela catequese, bem como a sua sensibilidade e atenção aos vários ambientes e meios para a difusão do Evangelho.
Como santificador do povo cristão (munus sanctificandi), o Bispo deve centralizar a sua vida na liturgia, centro da vida da diocese, sobretudo da celebração eucarística. Neste contexto são enfrentados também importantes temas, como a centralidade do domingo, a importância da piedade popular, o decoro dos lugares sagrados etc.
Do governo pastoral do Bispo (munus regendi) é evidenciado o radical espírito de serviço e de vigilância sobre o desenvolvimento da vida diocesana.
Os novos bispos auxiliares devem estar sempre em comunhão com toda a Igreja e, em especial, com o Arcebispo Metropolitano, mantendo e animando a ação pastoral orgânica. Somos chamados a refletir juntos sobre o que é melhor para a Igreja que está no Rio de Janeiro, e, como serviço generoso, amar o clero e sermos promotores da ação pastoral e evangelizadora.
Desejo-lhes, queridos bispos auxiliares, como meus estreitos colaboradores no meu governo da Igreja do Rio, a nos espelharmos unicamente na figura santa do Bom Pastor.
Com os novos auxiliares teremos mais possibilidades de aumentar as Visitas Pastorais, nas quais são enfrentados os problemas, principalmente no que diz respeito à organização paroquial em nossa megalópole, e também contar com mais assistência pastoral nos casos de necessidades particulares.
No rito de sagração episcopal, na hora da entrega do anel na liturgia da Sagração Episcopal, irei dizer aos eleitos: "Recebei o anel, sinal de fidelidade, e na integridade na fé e na pureza da vida guardai a Santa Igreja, noiva de Cristo". A Igreja é "noiva de Cristo" e o Bispo é o "guardião" (episkopos) desse mistério.
O Papa Bento XVI disse aos bispos eleitos neste último ano que: “A missão do Bispo não pode ser entendida a partir da mentalidade da eficiência e eficácia, porque essas concentram a atenção primariamente sobre o que se precisa fazer, mas devemos ter sempre presente a dimensão ontológica, que é a base daquela função. De fato, o Bispo, pela autoridade de Cristo, da qual é revestido quando senta à sua Cátedra, é colocado "acima" e "à frente" da comunidade, porque ele é 'para' a comunidade, à qual dirige a sua solicitude pastoral (João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal Pastores Gregis, n. 29).
A Regra Pastoral do Papa São Gregório Magno, que poderia ser considerada o primeiro 'Diretório' para os Bispos da história da Igreja, define o governo de pastoral como "a arte das artes" (I, 1.4), e precisa que o poder de governo "rege-o bem quem sabe com ele levantar-se contra as faltas e a partir dele ser igual aos outros [...] e domina sobre os vícios, antes que sobre os irmãos" (II, 6)”. “Grandes são as responsabilidades de um Bispo para o bem da diocese, mas também da sociedade. Ele é chamado a ser "forte e decidido, justo e sereno" (Congregação para os Bispos, Diretório para o ministério pastoral dos Bispos Apostolorum Successores, n. 44), para um sábio discernimento das pessoas, da realidade e dos acontecimentos, exigidos pela sua tarefa de ser "pai, irmão e amigo" (Ibid., nn. 76-77) no caminho cristão e humano.
Particularmente esclarecedoras são, a esse respeito, as palavras de uma antiga oração de Santo Elredo de Rievaulx, Abade Cisterciense: "Tu, doce Senhor, tendes colocado alguém como eu à frente da tua família, das ovelhas do teu pasto [...] para que pudesse ser manifestada a tua misericórdia e revelada a tua sabedoria. É prazeroso à tua benevolência governar bem a tua família através de tal homem, para que se veja a sublimidade da tua força, não aquela do homem, de tal forma que não tenha o que se vangloriar o sábio na sua sabedoria, nem o justo na sua justiça, nem o forte na sua força: porque quando esses governam bem o teu povo, és tu que o governas, não eles. E, portanto, não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória" (Speculum Caritatis, PL CXCV).”
O que desejo dos novos colaboradores? Que façam nossos fiéis viverem a santidade. Uma Igreja inteiramente animada e mobilizada pela unidade e caridade de Cristo, Cordeiro imolado por amor, é a imagem histórica da Jerusalém celeste, antecipação da Cidade santa, resplandecente da glória de Deus.
A Virgem Maria alcance para a nossa querida Arquidiocese, animada com novos bispos, a ser abundantemente revestida da força do alto (cf. Lc 24,49) para irradiar a santidade de Cristo. A Ele seja dada glória, com o Pai e o Espírito Santo, nos séculos dos séculos. Amém.
Aos três irmãos sacerdotes, ora nomeados para a solicitude de meu ofício de Arcebispo do Rio de Janeiro, empenho o meu abraço fraterno, o louvor a Deus pelo Sim que deram a Deus e à Igreja e as boas vindas nessa missão que continua, agora com essa colaboração mais próxima.
D. Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
DIA DE AÇÃO DE GRAÇA
◊ Rio de Janeiro, 25 nov (RV) - Estamos encerrando mais um Ano Litúrgico – o Ano C - e, no decorrer deste ano que ora findamos, nossas reflexões se fundamentaram nos escritos do evangelista Lucas, que nos orientou em nossa jornada de cristãos. Porém, as reflexões do novo Ano Litúrgico já no primeiro Domingo do Advento terão como base as narrativas do evangelista Mateus.
Nesta última semana do ano litúrgico, celebramos, na quinta-feira, 25 de novembro, o Dia Nacional de Ação de Graças. A nossa Arquidiocese celebra-o às 11 horas, na Igreja da Candelária. Queremos juntos, nesse dia, estar unidos para pedirmos a paz e a tranquilidade para todos os habitantes da cidade e arredores, comprometendo-nos com a construção da fraternidade, do perdão e da paz.
O Dia Nacional de Ação de Graças teve origem em 1621, na festa celebrada em gratidão a Deus pela boa safra, que garantiu a sobrevivência da frágil colônia de ingleses “peregrinos”, recém-chegados na América do Norte. Mais tarde esse dia foi oficializado e difundido. Trata-se de uma data em que se reconhece a ação de Deus na vida de um povo. No , o presidente instituiu o Dia Nacional de Ação de Graças através da lei 781, de 17 de agosto de 1949, na quarta quinta-feira do mês de novembro, como celebramos até hoje. É interessante ver que essa data surge com um decreto presidencial, marcando para o país a sua cultura cristã de reconhecer a presença de Deus na vida do povo.
Para aqueles que estão no caminho espiritual, o Dia de Ação de Graças anuncia formalmente a chegada de um novo tempo, iniciando o Advento que nos conduz ao Natal e simboliza a gratidão que sentimos à medida que nos aproximamos de Deus. Da mesma forma que o dia de Ação de Graças precede o Natal, o coração que é constantemente agradecido é um precursor do glorioso nascimento interno da Consciência Crística – alegre realização da Presença Divina em toda a criação.
Deve-se aproveitar o Dia de Ação de Graças para se refletir sobre como se tem agido, como cristão, no ano que se finda: como me comportei diante da palavra de Deus? Como agi em relação a meu próximo? Movidos pela Fé, qual foi o testemunho que dei sobre Nosso Senhor Jesus Cristo? Fiz alguma boa ação?
Mas o Dia de Ação de Graças evoca ainda algo mais: o momento em que se deve, sobretudo, agradecer a Deus por tudo que Ele proporciona à vida de cada um de nós, pois ela é um Dom de Deus que d’Ele se emprestou e, por ela, se deve agradecer. Agradecer a Deus, de modo especial pela vida e por tudo que concede ao ser humano, é reconhecer que Ele é o Senhor de tudo e de todos e, para tanto, é preciso estar revestido do espírito de humildade.
Este dia, simboliza a gratidão que sentimos à medida que nos aproximamos de Deus. Ora, se este dia está caindo no esquecimento, isto significa que não estamos tão próximos de Deus como se pensa. Então, devemos parar e rever nossa condição de cristão e se estamos imbuídos do espírito de humildade para reconhecer que o Senhor é nosso Deus. Nesse sentido, devemos nos preocupar em resgatar o verdadeiro valor do Dia de Ação de Graças e torná-lo uma realidade não só em nossas vidas, mas também em nosso calendário, visando a exortar todos os seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo a celebrar este dia como ele realmente merece ser celebrado.
Estamos vivendo uma “mudança de época”. O mundo está em polvorosa, porque, de modo inesperado, se desenha a instabilidade econômica em muitas partes do mundo. A realidade de violência assusta a todos e desestabiliza a sociedade.
O rápido desenvolvimento das comunicações conduz a um processo de globalização cultural, que exerce um significativo impacto sobre a nossa sociedade. Alguns efeitos são positivos, outros, porém, são, sem dúvida, negativos.
Ao ganharmos de Deus e da Igreja a graça de três novos íntimos colaboradores como bispos auxiliares, ontem nomeados, devemos demonstrar sabedoria no seu discernimento, e de coragem nas nossas decisões pastorais. Por isso, vamos dar louvores a Deus neste dia de ação de graças!
Queremos, neste dia de oração, agradecer pela nova evangelização que é levada a efeito em nossa Arquidiocese, para responder às necessidades das circunstâncias presentes, que mudam rapidamente. A nova evangelização exige que o Evangelho seja anunciado de modo novo no seu ardor, nos seus métodos e na sua expressão (cf. , 106). A mutável situação que hoje devemos enfrentar apresenta novos desafios, o que requererá imaginação e coragem como aquelas demonstradas pelos missionários que outrora plantaram o Evangelho nesta terra carioca. A tarefa pode parecer enorme, mas «Aquele que vos chama é fiel; Ele o realizará!» (1 Ts 5, 24).
Temos muito que agradecer nesse dia: a nossa caminhada pastoral, a inserção dos jovens em nossas comunidades e a vida de uma Igreja viva e pastoral que caminha em nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro. Queremos agradecer a Deus pelos bispos auxiliares que vêm para servir, para criar espírito de trabalho coletivo, como disse o Papa Bento XVI nesta semana: “Não é a lógica do domínio, do poder segundo os critérios humanos, mas a lógica de ajoelhar-se para lavar os pés, a lógica do serviço, a lógica da Cruz, que é a base de todo exercício da autoridade”. “Em todo tempo a Igreja está comprometida em se moldar a esta lógica e a testemunhá-la para fazer transparecer o verdadeiro ‘Senhorio de Deus’, o do amor”, seguiu dizendo.
Em nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro queremos que todos, em única voz, os leigos e as leigas, os religiosos e as religiosas, diáconos, presbíteros e bispos, se unam fervorosamente neste dia para louvar e agradecer ao Deus da Vida por tudo o que recebemos: a nossa vida, o nosso ministério, a nossa pastoral, as nossas alegrias e as nossas dores.
D. Orani João Tempesta, O. Cist.Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Atualidades
EXÉQUIAS DO CARDEAL NAVARRETE
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - “Estamos confiantes de que seu nome está escrito no livro da vida”: foi o que disse ontem o Papa Bento XVI, durante as exéquias do Cardeal espanhol Urbano Navarrete, celebradas na Basílica do Vaticano pelo Decano do Colégio Cardinalício Cardeal Angelo Sodano. Após a missa, o Papa presidiu o rito da Última Encomendação e Despedida do purpurado que morreu segunda-feira passada com a idade de 90 anos.
“Mestre de justiça”, Urbano Navarrete, filho espiritual de Santo Inácio de Loyola, morreu após “uma longa e fecunda peregrinação terrena”, disse o Papa, “com emoção e gratidão”, falando sobre o perfil do cardeal.
“O estudo meticuloso e o ensinamento apaixonado do direito canônico representaram elementos centrais na sua vida. Educar especialmente as jovens gerações à verdadeira justiça, a de Cristo, a do Evangelho: eis o ministério que o Cardeal Navarrete desempenhou ao longo de toda a sua vida”, disse o Santo Padre.
“Especialista em direito matrimonial, - recordou o Papa - decano da Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Gregoriana, depois reitor da mesma Universidade, contribuiu para a revisão do Código de Direito Canônico e foi consultor de vários organismos da Cúria Romana, e testemunha de acontecimentos históricos, como o Sínodo Diocesano de Roma e o Concílio Vaticano II.”
“Nunca duvidei de minha escolha”, disse o Cardeal Navarrete em uma recente entrevista sobre a sua vocação sacerdotal, amadurecida em uma família piedosa, onde entre seis irmãos, três se tornaram jesuítas e duas religiosas.
“Três princípios básicos sempre inspiraram a sua vida como estudioso: muito amor pelo passado, sensibilidade aos problemas, exigências e desafios do presente, capacidade de abrir-se ao futuro sem medo, mas com esperança, a que provém da fé”, concluiu o Papa. (SP)
LUTO NA FAMÍLIA PONTIFÍCIA
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - Luto na família pontifícia: faleceu ontem de manhã em Roma, a leiga consagrada, Manuela Camagni, uma das quatro Memores Domini – movimento que reúne homens e mulheres de Comunhão e Libertação – que estava a serviço do Papa Bento XVI, no apartamento papal. A leiga consagrada foi atropelada por um carro na noite de terça-feira, e a nada serviram as tentativas para salvar a sua vida.
O Santo Padre foi informado do triste acontecimento, antes da celebração da Santa Missa na manhã de ontem. O Papa elevou pela falecida a sua oração de sufrágio. No livro-entrevista “Luz do Mundo”, publicado terça-feira, o Papa também fala sobre os momentos da sua vida cotidiana com os dois secretários particulares e com as quatro Memores Domini.
Antes de estar ao serviço do Papa, em 2005, Manuela Camagni - nascida em 1954 em San Piero de Bagno, na região da Romanha - tinha trabalhado no campo da educação de 1996 a 2001, e depois trabalhou como missionária em Túnis, quando era Bispo Dom Fouad Twal. (SP)
CARDEAL SANDRI CELEBRA MISSA NO VATICANO PELOS CRISTÃOS NO IRAQUE
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - O Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, celebra na tarde desta quinta-feira, às 17h locais, na Basílica Vaticana, uma missa em sufrágio das vítimas do ataque de 31 de outubro passado perpetrado na Catedral sírio-católica de Bagdá. O ataque deixou um trágico balanço de 58 mortos, entre os quais, numerosas crianças, mulheres e dois sacerdotes – que estavam celebrando a missa dominical. A Rádio Vaticano entrevistou o Cardeal Sandri. Eis o que disse:
Cardeal Leonardo Sandri:- "Com esta celebração queremos expressar a nossa proximidade, a nossa fraternidade espiritual – através da oração – a todos esses nossos irmãos sírio-católicos, em particular, aos familiares daqueles que foram tão barbaramente trucidados na Catedral sírio-católica de Bagdá. Queremos que essa proximidade na oração, em compartilhar a sua dor, seja também uma mensagem para todos a fim de que os cristãos no Iraque sejam defendidos e seja protegido o seu direito à liberdade religiosa. Queremos também sensibilizar todos os homens de boa vontade, inclusive em nível internacional, a fim de que colaborem, elevem a sua voz e ajam de modo concreto em favor desses nossos irmãos."
P. Essa celebração testemunha a preocupação da Santa Sé com a situação dramática dos cristãos no Iraque...
Cardeal Leonardo Sandri:- "Exatamente! Infelizmente, as notícias que chegam do Iraque por vezes levam a um acostumar-se com a violência que se verifica todos os dias. Porém, não podemos assumir uma atitude de conformismo, de passividade diante disso. Em particular, nós católicos e cristãos devemos mobilizar-nos na oração, na solidariedade e na proximidade, de modo particular e forte, com esses nossos irmãos. Portanto, esperamos que essa nossa preocupação com os fiéis cristãos – que são praticamente expostos à perseguição, à violência, à insegurança – possa ser superada com a convivência de todos, de todas as religiões, com a presença também de cristãos como parte integrante da identidade civil e política do Iraque."
A situação permanece dramática no Iraque. O governador de Nínive autorizou os cristãos de Mosul – norte do país - a se munirem de armas para se defender. Por sua vez, os bispos caldeus pediram às autoridades muçulmanas um pronunciamento oficial para esclarecer que as violências anticristãs são contrárias aos princípios da religião islâmica.
Todavia, esta quinta-feira faz entrever, politicamente, uma espiral no caminho da paz: o Presidente iraquiano, Jalal Talabani, encarregou o premiê em fim de mandato, Nouri al-Maliki, de formar um novo governo.
Sobre as perspectivas no país e sobre a iniciativa de oração e solidariedade no Vaticano para com a comunidade cristã iraquiana, a Rádio Vaticano ouviu também o Bispo auxiliar do Patriarcado caldeu de Bagdá, Dom Shlemon Warduni. Eis o que disse:
Dom Shlemon Warduni:- "Agradecemos a todos aqueles que nos fazem o bem e que rezam por nós. Agradeço a Sua Santidade, que nos recorda; agradecemos ao Cardeal Angelo Bagnasco e a toda a Conferência Episcopal Italiana que rezaram por nós domingo passado. Nós gritamos pedindo a paz e gritamos "não" à guerra."
P. Os cristãos estão vivendo um momento muito difícil, que dura há muito tempo, um tempo demasiadamente longo...
Dom Shlemon Warduni:- "Certamente! Especialmente nestes últimos meses, após o ataque cruel contra a Catedral sírio-católica de Bagdá; com as bombas lançadas nas casas dos cristãos; com as bombas colocadas nos automóveis; com os assaltos nas casas, com o assassinato de jovens, em Mosul, em particular. Isso dá medo nos jovens e, por isso, querem fugir. Matam pessoas inocentes, deixam as crianças sem pais. Consequentemente, os jovens dizem que não há esperança e acabam desesperados por causa de todos esses ataques. Que vida pode ser esta? Não há paz, não há segurança, não há trabalho, não há infraestrutura: como podem viver? Portanto, infelizmente, o resultado é a fuga." (RL)
REINO UNIDO: BISPOS COMENTAM O LIVRO-ENTREVISTA SOBRE O PAPA
◊ Londres, 25 nov (RV) – "Uma viagem fascinante que permite descobrir a humanidade do guia de 1,2 bilhões de católicos no mundo": foi o que disse um porta-voz da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales sobre o novo livro-entrevista "Luz do Mundo", que traz a entrevista concedida por Bento XVI ao escritor alemão Peter Seewald.
Numa nota publicada pela CCN – a agência dos bispos do Reino Unido – os prelados dizem que "o ponto central do livro é o desafio proposto pelo Papa à sociedade atual, que é colocar o humano como prioridade".
"Em toda a entrevista – lê-se na nota – o Pontífice volta a falar sobre o que é a humanidade e quais são as implicações desse conceito, desafiando o mundo pós-moderno a superar uma visão simplista, na qual fatos científicos são considerados como verdades únicas, que excluem as antigas verdades da fé."
A nota ressalta ainda, que os temas abordados na entrevista – a começar da relação entre fé e razão – foram os fios condutores da visita de Bento XVI ao Reino Unido em setembro passado.
"O que emerge claramente da entrevista – concluem os bispos – é o calor da humanidade do Papa e sua profunda compreensão dos graves problemas enfrentados pela sociedade e pela Igreja, bem como o papel vital da fé em diálogo com a razão." (ED)
MISSÃO VATICANA NO PAQUISTÃO EM PROL DE ASIA BIBI
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - Chega nesta quinta-feira ao Paquistão para sensibilizar o governo local sobre o caso de Asia Bibi e sobre a revogação da lei sobre a blasfêmia, o Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran. Enquanto isso, no país asiático, o ministro para as Minorias, Shahbaz Bhatti, de fé cristã, revelou que foi ameaçado por extremistas.
O anúncio da missão vaticana no Paquistão foi dada na terça-feira pelo Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, à margem da inauguração do ano acadêmico da Pontifícia Universidade Lateranense, onde renovou seu apelo pela libertação de Asia Bibi, uma mãe de família cristã acusada de blasfêmia e detida em uma prisão perto de Lahore.
Hoje o Cardeal Tauran chega ao Paquistão, onde se encontrará com o ministro para as Minorias. Precisamente o ministro preparou um relatório detalhado sobre o caso para o presidente Zardari, que irá analisar nos próximos dias o pedido de clemência feito pela mulher.
O Cardeal Bertone recordou ainda que a Santa Sé, como muitos outros governos, têm levantado a questão da revogação da lei sobre a blasfêmia em vigor no Paquistão, porque “os cidadãos e entre eles os fiéis cristãos não podem ser acusados de crimes que não têm consistência”. Enquanto isso, os partidos religiosos paquistaneses comunicaram que são fortemente contrários à libertação de Asia Bibi, ameaçando protestos em nível nacional e a organização de um dia de mobilização contra “qualquer conspiração para abolir a lei sobre a blasfêmia”. (SP)
Igreja na América Latina
BOLÍVIA: PROJETO DE LEI SOBRE EDUCAÇÃO RECEBE CRÍTICAS DOS BISPOS DO PAÍS
◊ La Paz, 25 nov (RV) – Está tramitando no Congresso da Bolívia, um projeto de lei chamado Avelino Sinani e Elizardo Perez, que traz propostas de modificações para o sistema educacional do país. O projeto foi apresentado pelo ministro da Educação, Roberto Aguilar, no dia 19 de novembro.
A Conferência Episcopal Boliviana apresentou, por sua vez, seis observações sobre esse projeto, pois os bispos não estão de acordo com algumas modificações. A primeira observação diz respeito ao governo nacional, que eles afirmam ter o dever de reafirmar, claramente, a responsabilidade dos pais no que diz respeito à educação dos filhos.
Em segundo lugar, criticam a exclusividade do Estado na formação dos professores, pois a Igreja Católica tem um centro próprio de formação, que tem se mostrado eficiente.
A terceira contestação se refere à reivindicação, por parte da Igreja, de poder administrar suas escolas, com base num acordo com o governo, de maneira a proporcionar àqueles que assim o desejarem, uma formação fundada nos princípios religiosos.
As demais observações são variações desses temas, estabelecendo alguns detalhes sobre a formação religiosa e sua colocação formal no contexto das normas do país. (ED)
Igreja no Mundo
RELATÓRIO REVELA: CRISTÃOS SÃO OS FIÉIS MAIS PERSEGUIDOS
◊ Cidade do Vaticano, 25 nov (RV) - Um relatório da Fundação "Ajuda à Igreja que Sofre" (AIS) revela que o número de violações à liberdade religiosa tende a aumentar, e que a intolerância em relação aos cristãos está crescendo, até mesmo nos países ocidentais.
No relatório de 2010 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, que analisa a situação em 194 países, a AIS considera particularmente preocupantes "as discriminações com base na religião, em especial na área de predomínio islâmico, e a hostilidade face à religião com motivações políticas".
O documento elenca cerca de 20 países onde ocorrem "graves restrições ou muitos episódios de intolerância social ou legal ligados à religião": Arábia Saudita, China, Coreia do Norte, Cuba, Egito, Índia, Irã, Iraque, Maldivas, Mianmar, Paquistão, Somália e Sudão, entre outros.
O relatório indica que Igreja foi praticamente extinta na Coreia do Norte, enquanto nas ilhas Maldivas, a prática do Cristianismo é proibida. A intolerância religiosa continua a aumentar e os cristãos têm sido as principais vítimas, segundo dados oficiais.
Dados da agência missionária de notícias FIDES, da Congregação para a Evangelização dos Povos, revelam que 75% das perseguições registradas têm como alvo os cristãos.
As perseguições acontecem por várias razões: ódio religioso, como no Iraque ou no Paquistão; ou motivos políticos, como na China e na Coreia do Norte, por exemplo, onde a comunidade cristã já foi praticamente extinta.
"Na Coreia do Norte, podemos falar de um dos casos mais extremos de extermínio da comunidade cristã. Neste momento, a Igreja não tem clero, a prática do culto é impossível e a comunidade católica não excede 200 fiéis, segundo a agência AsiaNews, especializada nessa área do mundo."
Mais surpreendente é o caso das Maldivas: essa meta turística, muito procurada em virtude de suas praias paradisíacas, proíbe os cristãos de expressarem sua fé. (AF)
COREIA DO SUL: IGREJA QUER DIÁLOGO ENTRE OS GOVERNOS
◊ Cheju, 25 nov (RV) - A guerra “é uma eventualidade que devemos tentar de evitar de todas as maneiras”. Dessa maneira o Presidente da Conferência Episcopal da Coreia do Sul e Bispo de Cheju, Dom Peter Kang U-il, comentou à agência Fides o ataque de terça-feira perpetrado pelas forças de segurança de Pyongyang, na Coréia do Norte, à ilha ao sul-coreana de Yeonpyeong .
A agência também fornece uma atualização sobre o número de mortos: além dos dois militares da Coreia do Sul, teriam também perdido a vida dois civis. “Vivemos em um momento de grande confusão e medo”, disse o bispo, lançando um apelo aos governos do Norte e do Sul para que busquem o diálogo. Entretanto, “urge uma forte intervenção da comunidade internacional, que não pode fechar os olhos diante dessa situação”.
“O governo do sul ainda não conhece a razões do ataque – disse o bispo - parecem razões de tática política, ou talvez seja uma maneira de desviar a atenção dos dramáticos problemas internos. A partir das informações que temos, de fato, a situação econômica do norte é muito difícil, há fome e miséria”, disse o prelado.
O Bispo pede ainda o apoio de toda a Igreja em prol da paz através da oração: “A paz não é apenas o resultado da vontade humana ou de ações diplomáticas, mas também da ajuda de Deus” – concluiu Dom Peter – acrescentando: “pedimos ao Santo Padre que reze por nós e pelo bem do nosso povo”. (SP)
NOVOS BISPOS PARA A IGREJA DO RIO DE JANEIRO
◊ Rio de Janeiro 25 nov (RV) - Neste dia 24 de Novembro a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro recebeu com alegria o anúncio da nomeação de três novos bispos auxiliares. São eles: Mons. Pedro Cunha Cruz, Mons. Nelson Francelino Ferreira, Mons. Paulo Cesar Costa.
Anuncio a todos os queridos diocesanos que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, provisionou a nossa Igreja com esses novos irmãos auxiliares, que serão de uma imensa ajuda na missão evangelizadora nesta metropolitana cidade.
Hoje é dia de agradecer a Deus por todos os dons que recebemos e olhar com confiança para o futuro. Cada dia é um novo dia para que possamos dar passos e acolher o Senhor que conduz a história. Somos chamados a ver os sinais dos tempos e perceber o chamado de Deus para a vida de Santidade enquanto ajudamos com o testemunho e com a Palavra a construir um mundo mais justo e humano.
A extensão de nossa Arquidiocese e toda a sua vitalidade necessita de homens de Deus que assumam essa missão, e eu agradeço aos três pelo “sim” que deram, oferecendo mais uma vez as próprias vidas pelo Reino de Deus. Dentre tantos que poderiam ser escolhidos, quis, pela providência de Deus e ação do Espírito Santo, que o Santo Padre escolhesse esses irmãos. Peço a todos para que os acolham com muita alegria, fé e disponibilidade.
Após um tempo de reorganização das suas vidas e dos seus trabalhos, irão assumir a missão episcopal em nossa Arquidiocese. Já prevemos para o dia de São Sebastião, no dia 20 de janeiro de 2011, o juramento de fidelidade e a profissão de fé, e para o dia 05 de fevereiro, sábado, às 09 horas da manhã, em nossa Catedral Metropolitana de São Sebastião, a ordenação episcopal, para a qual desde já convido a todos para essa bela e importante solenidade.
Fico feliz em poder contar com esses irmãos que, juntamente com os demais que já estão nessa missão, para dividir o peso do dia a dia, e para que possamos ainda mais aprofundar o trabalho evangelizador em nossa Igreja Particular.
Agradeço vivamente ao Santo Padre o Papa Bento XVI que nos concedeu esses três auxiliares, com os quais a Igreja do Rio de Janeiro poderá avançar mar adentro para evangelizar mais profundamente todo o nosso tecido social.
Essa nomeação é anunciada no dia em que celebramos os mártires do sudeste da Ásia e quando iniciamos em nossa cidade a 50ª edição da Feira da Providência. São sinais que nos demonstram que somos chamados a testemunhar com generosidade e alegria a nossa fé mesmo em meio às provações, perseguições e dificuldades. Temos também o compromisso de continuar a missão que outros nos deixaram, em especial o trabalho social, procurando encontrar novos caminhos que respondam aos questionamentos de hoje, principalmente na construção da paz nesta cidade.
Amanhã, dia 25, celebramos o Dia Nacional de Ação de Graças! Convido todos os irmãos e irmãs para agradecermos a Deus pelo ano litúrgico que finda, e, antes de iniciarmos um novo ano no próximo final de semana com o tempo do Advento, somos chamados a reconhecer os dons e as graças que Deus nos concede a cada momento. Será também uma importante oportunidade de rezarmos e nos comprometermos com a Paz em nossa bela cidade.
Deste limiar do novo ano litúrgico posso também olhar o futuro com suas alegrias e dificuldades, com muita confiança e esperança de que faremos a nossa parte na história tão bela e importante de que somos herdeiros.
O que é um bispo? O ministério do Bispo é aquele doce serviço de amor. Ao mesmo tempo, realça a índole pastoral do poder episcopal, que tem essencialmente por objetivo a edificação do povo de Deus na unidade da fé e do amor. O caráter pastoral, o espírito paterno e o fim eclesial do poder do Bispo são evidenciados de maneira peculiar no seu santo serviço em favor dos sacerdotes, dos leigos e dos consagrados da Igreja diocesana. É recordado com particular insistência ao Bispo o estreitíssimo vínculo sacramental que o une aos sacerdotes, para os quais ele deve ser pai, irmão e amigo, a fim de fazer com que todo o presbitério cresça na fraternidade e naquela "obediência comunitária", característica própria da identidade presbiteral, como indicou o Santo Padre na Exortação Apostólica pós-sinodal "Pastores dabo vobis" (n. 28).
O Bispo exerce os "tria numera", que constituem a sua função pastoral. De fato, o Bispo é pastor enquanto evangelizador, santificador e guia do povo cristão.
O Bispo, mestre da fé e mensageiro da Palavra (munus docendi) tem o grave dever de ser o primeiro responsável pela evangelização e pela catequese, bem como a sua sensibilidade e atenção aos vários ambientes e meios para a difusão do Evangelho.
Como santificador do povo cristão (munus sanctificandi), o Bispo deve centralizar a sua vida na liturgia, centro da vida da diocese, sobretudo da celebração eucarística. Neste contexto são enfrentados também importantes temas, como a centralidade do domingo, a importância da piedade popular, o decoro dos lugares sagrados etc.
Do governo pastoral do Bispo (munus regendi) é evidenciado o radical espírito de serviço e de vigilância sobre o desenvolvimento da vida diocesana.
Os novos bispos auxiliares devem estar sempre em comunhão com toda a Igreja e, em especial, com o Arcebispo Metropolitano, mantendo e animando a ação pastoral orgânica. Somos chamados a refletir juntos sobre o que é melhor para a Igreja que está no Rio de Janeiro, e, como serviço generoso, amar o clero e sermos promotores da ação pastoral e evangelizadora.
Desejo-lhes, queridos bispos auxiliares, como meus estreitos colaboradores no meu governo da Igreja do Rio, a nos espelharmos unicamente na figura santa do Bom Pastor.
Com os novos auxiliares teremos mais possibilidades de aumentar as Visitas Pastorais, nas quais são enfrentados os problemas, principalmente no que diz respeito à organização paroquial em nossa megalópole, e também contar com mais assistência pastoral nos casos de necessidades particulares.
No rito de sagração episcopal, na hora da entrega do anel na liturgia da Sagração Episcopal, irei dizer aos eleitos: "Recebei o anel, sinal de fidelidade, e na integridade na fé e na pureza da vida guardai a Santa Igreja, noiva de Cristo". A Igreja é "noiva de Cristo" e o Bispo é o "guardião" (episkopos) desse mistério.
O Papa Bento XVI disse aos bispos eleitos neste último ano que: “A missão do Bispo não pode ser entendida a partir da mentalidade da eficiência e eficácia, porque essas concentram a atenção primariamente sobre o que se precisa fazer, mas devemos ter sempre presente a dimensão ontológica, que é a base daquela função. De fato, o Bispo, pela autoridade de Cristo, da qual é revestido quando senta à sua Cátedra, é colocado "acima" e "à frente" da comunidade, porque ele é 'para' a comunidade, à qual dirige a sua solicitude pastoral (João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal Pastores Gregis, n. 29).
A Regra Pastoral do Papa São Gregório Magno, que poderia ser considerada o primeiro 'Diretório' para os Bispos da história da Igreja, define o governo de pastoral como "a arte das artes" (I, 1.4), e precisa que o poder de governo "rege-o bem quem sabe com ele levantar-se contra as faltas e a partir dele ser igual aos outros [...] e domina sobre os vícios, antes que sobre os irmãos" (II, 6)”. “Grandes são as responsabilidades de um Bispo para o bem da diocese, mas também da sociedade. Ele é chamado a ser "forte e decidido, justo e sereno" (Congregação para os Bispos, Diretório para o ministério pastoral dos Bispos Apostolorum Successores, n. 44), para um sábio discernimento das pessoas, da realidade e dos acontecimentos, exigidos pela sua tarefa de ser "pai, irmão e amigo" (Ibid., nn. 76-77) no caminho cristão e humano.
Particularmente esclarecedoras são, a esse respeito, as palavras de uma antiga oração de Santo Elredo de Rievaulx, Abade Cisterciense: "Tu, doce Senhor, tendes colocado alguém como eu à frente da tua família, das ovelhas do teu pasto [...] para que pudesse ser manifestada a tua misericórdia e revelada a tua sabedoria. É prazeroso à tua benevolência governar bem a tua família através de tal homem, para que se veja a sublimidade da tua força, não aquela do homem, de tal forma que não tenha o que se vangloriar o sábio na sua sabedoria, nem o justo na sua justiça, nem o forte na sua força: porque quando esses governam bem o teu povo, és tu que o governas, não eles. E, portanto, não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória" (Speculum Caritatis, PL CXCV).”
O que desejo dos novos colaboradores? Que façam nossos fiéis viverem a santidade. Uma Igreja inteiramente animada e mobilizada pela unidade e caridade de Cristo, Cordeiro imolado por amor, é a imagem histórica da Jerusalém celeste, antecipação da Cidade santa, resplandecente da glória de Deus.
A Virgem Maria alcance para a nossa querida Arquidiocese, animada com novos bispos, a ser abundantemente revestida da força do alto (cf. Lc 24,49) para irradiar a santidade de Cristo. A Ele seja dada glória, com o Pai e o Espírito Santo, nos séculos dos séculos. Amém.
Aos três irmãos sacerdotes, ora nomeados para a solicitude de meu ofício de Arcebispo do Rio de Janeiro, empenho o meu abraço fraterno, o louvor a Deus pelo Sim que deram a Deus e à Igreja e as boas vindas nessa missão que continua, agora com essa colaboração mais próxima.
D. Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
DIA DE AÇÃO DE GRAÇA
◊ Rio de Janeiro, 25 nov (RV) - Estamos encerrando mais um Ano Litúrgico – o Ano C - e, no decorrer deste ano que ora findamos, nossas reflexões se fundamentaram nos escritos do evangelista Lucas, que nos orientou em nossa jornada de cristãos. Porém, as reflexões do novo Ano Litúrgico já no primeiro Domingo do Advento terão como base as narrativas do evangelista Mateus.
Nesta última semana do ano litúrgico, celebramos, na quinta-feira, 25 de novembro, o Dia Nacional de Ação de Graças. A nossa Arquidiocese celebra-o às 11 horas, na Igreja da Candelária. Queremos juntos, nesse dia, estar unidos para pedirmos a paz e a tranquilidade para todos os habitantes da cidade e arredores, comprometendo-nos com a construção da fraternidade, do perdão e da paz.
O Dia Nacional de Ação de Graças teve origem em 1621, na festa celebrada em gratidão a Deus pela boa safra, que garantiu a sobrevivência da frágil colônia de ingleses “peregrinos”, recém-chegados na América do Norte. Mais tarde esse dia foi oficializado e difundido. Trata-se de uma data em que se reconhece a ação de Deus na vida de um povo. No , o presidente instituiu o Dia Nacional de Ação de Graças através da lei 781, de 17 de agosto de 1949, na quarta quinta-feira do mês de novembro, como celebramos até hoje. É interessante ver que essa data surge com um decreto presidencial, marcando para o país a sua cultura cristã de reconhecer a presença de Deus na vida do povo.
Para aqueles que estão no caminho espiritual, o Dia de Ação de Graças anuncia formalmente a chegada de um novo tempo, iniciando o Advento que nos conduz ao Natal e simboliza a gratidão que sentimos à medida que nos aproximamos de Deus. Da mesma forma que o dia de Ação de Graças precede o Natal, o coração que é constantemente agradecido é um precursor do glorioso nascimento interno da Consciência Crística – alegre realização da Presença Divina em toda a criação.
Deve-se aproveitar o Dia de Ação de Graças para se refletir sobre como se tem agido, como cristão, no ano que se finda: como me comportei diante da palavra de Deus? Como agi em relação a meu próximo? Movidos pela Fé, qual foi o testemunho que dei sobre Nosso Senhor Jesus Cristo? Fiz alguma boa ação?
Mas o Dia de Ação de Graças evoca ainda algo mais: o momento em que se deve, sobretudo, agradecer a Deus por tudo que Ele proporciona à vida de cada um de nós, pois ela é um Dom de Deus que d’Ele se emprestou e, por ela, se deve agradecer. Agradecer a Deus, de modo especial pela vida e por tudo que concede ao ser humano, é reconhecer que Ele é o Senhor de tudo e de todos e, para tanto, é preciso estar revestido do espírito de humildade.
Este dia, simboliza a gratidão que sentimos à medida que nos aproximamos de Deus. Ora, se este dia está caindo no esquecimento, isto significa que não estamos tão próximos de Deus como se pensa. Então, devemos parar e rever nossa condição de cristão e se estamos imbuídos do espírito de humildade para reconhecer que o Senhor é nosso Deus. Nesse sentido, devemos nos preocupar em resgatar o verdadeiro valor do Dia de Ação de Graças e torná-lo uma realidade não só em nossas vidas, mas também em nosso calendário, visando a exortar todos os seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo a celebrar este dia como ele realmente merece ser celebrado.
Estamos vivendo uma “mudança de época”. O mundo está em polvorosa, porque, de modo inesperado, se desenha a instabilidade econômica em muitas partes do mundo. A realidade de violência assusta a todos e desestabiliza a sociedade.
O rápido desenvolvimento das comunicações conduz a um processo de globalização cultural, que exerce um significativo impacto sobre a nossa sociedade. Alguns efeitos são positivos, outros, porém, são, sem dúvida, negativos.
Ao ganharmos de Deus e da Igreja a graça de três novos íntimos colaboradores como bispos auxiliares, ontem nomeados, devemos demonstrar sabedoria no seu discernimento, e de coragem nas nossas decisões pastorais. Por isso, vamos dar louvores a Deus neste dia de ação de graças!
Queremos, neste dia de oração, agradecer pela nova evangelização que é levada a efeito em nossa Arquidiocese, para responder às necessidades das circunstâncias presentes, que mudam rapidamente. A nova evangelização exige que o Evangelho seja anunciado de modo novo no seu ardor, nos seus métodos e na sua expressão (cf. , 106). A mutável situação que hoje devemos enfrentar apresenta novos desafios, o que requererá imaginação e coragem como aquelas demonstradas pelos missionários que outrora plantaram o Evangelho nesta terra carioca. A tarefa pode parecer enorme, mas «Aquele que vos chama é fiel; Ele o realizará!» (1 Ts 5, 24).
Temos muito que agradecer nesse dia: a nossa caminhada pastoral, a inserção dos jovens em nossas comunidades e a vida de uma Igreja viva e pastoral que caminha em nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro. Queremos agradecer a Deus pelos bispos auxiliares que vêm para servir, para criar espírito de trabalho coletivo, como disse o Papa Bento XVI nesta semana: “Não é a lógica do domínio, do poder segundo os critérios humanos, mas a lógica de ajoelhar-se para lavar os pés, a lógica do serviço, a lógica da Cruz, que é a base de todo exercício da autoridade”. “Em todo tempo a Igreja está comprometida em se moldar a esta lógica e a testemunhá-la para fazer transparecer o verdadeiro ‘Senhorio de Deus’, o do amor”, seguiu dizendo.
Em nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro queremos que todos, em única voz, os leigos e as leigas, os religiosos e as religiosas, diáconos, presbíteros e bispos, se unam fervorosamente neste dia para louvar e agradecer ao Deus da Vida por tudo o que recebemos: a nossa vida, o nosso ministério, a nossa pastoral, as nossas alegrias e as nossas dores.
D. Orani João Tempesta, O. Cist.Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Atualidades
DIA INTERNACIONAL DA ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
◊ Paris, 25 nov (RV) - O mundo comemora, nesta quinta-feira, o Dia Internacional de Eliminação da Violência Contra a Mulher. Dados das Nações Unidas mostram que uma em cada três mulheres no mundo já foi espancada, violentada sexualmente ou vítima de algum tipo de abuso.
Para marcar a data, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) organizou uma semana de eventos, conferências, exposições, debates, apresentação de filmes sobre as inúmeras formas de violência contra a mulher e os esforços para combater o problema. Também está prevista, para o escritório de Paris, a conferência "A mulher, a água e o desenvolvimento sustentável na África".
A diretora geral da Unesco, Irina Bokova, declarou que a violência contra as mulheres constitui uma "violação inadmissível de seus direitos e liberdades fundamentais".
A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, levantou a questão sobre a cumplicidade do mundo diante da violência contra a mulher. Ela instrui que, ao ouvir uma mulher gritar porque está sendo agredida, todos devemos intervir, mesmo que o agressor seja um amigo, um vizinho ou alguém da família da vítima.
Segundo a Organização, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher "lembra as proporções epidêmicas que esse problema de nefastas consequências para a saúde e o bem-estar pessoal das mulheres está tomando, assim como para o desenvolvimento social e econômico em geral". (ED)
© Rádio Vaticano 2010
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