Papa e Santa Sé
NA RETA FINAL, VISITA "AD LIMINA" DOS BISPOS DO BRASIL
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) - Bento XVI recebeu em audiência, na manhã desta quinta-feira, no Vaticano, mais um grupo de prelados do Regional Centro-Oeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional formado pelos Estados de Goiás e Tocantins, e pelo Distrito Federal, em visita "ad Limina Apostolorum".
O Papa recebeu, em audiências sucessivas, os seguintes prelados:
O Arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz, acompanhado do Bispo auxiliar emérito, Dom João Evangelista Martins Terra;
o Bispo de Formosa, Dom Paulo Roberto Beloto;
o Bispo de Luziânia, Dom Afonso Fioreze;
o Bispo de Uruaçu, Dom Messias dos Reis Silveira;
o Bispo de Miracema do Tocantins, Dom Philip Dickmans;
o Bispo de Porto Nacional, Dom Romualdo Matias Kujawski;
O Bispo de Tocantinópolis, Dom Giovane Pereira de Melo;
e o Bispo Prelado de Cristalândia, Dom Rodolfo Luís Weber, acompanhado do Bispo Prelado emérito, Dom Heriberto Hermes.
A visita "ad Limina" dos bispos do Regional Centro-Oeste prosseguiu esta tarde com a celebração da Eucaristia, às 16h locais, na Basílica papal de Santa Maria Maior, presidida pelo Bispo Prelado emérito de Cristalândia, Dom Heriberto Hermes, que fez também a homilia da santa missa.
Iniciada em setembro do ano passado, a visita "ad Limina" dos bispos do Brasil se concluirá no próximo sábado, dia 20, com o encerramento da visita do Regional Centro-Oeste: o último, portanto, dos 17 Regionais da CNBB, a fazer essa visita à qual todos os bispos são tidos a realizar a cada cinco anos ao Sucessor de Pedro e aos diversos organismos da Cúria Romana.
Nosso colega Alberto Goroni entrevistou um dos prelados recebidos nesta quinta-feira pelo Santo Padre, o Bispo auxiliar emérito de Brasília, Dom João Evangelista Martins Terra, que nos falou sobre a importância da visita "ad Limina" e ressaltou a sua alegria de poder voltar a Roma, onde viveu muitos anos de seu ministério quando ainda sacerdote jesuíta, como Diretor do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, e como Professor tendo trabalhado na Pontifícia Universidade Gregoriana e morado no Pontifício Instituto Bíblico: (RL)
CHINA: BISPOS OBRIGADOS A PARTICIPAR DE ORDENAÇÃO ILÍCITA. PROTESTO DA SANTA SÉ
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) - "A Santa Sé lamenta as notícias provenientes da China, relativas a alguns bispos que estão em comunhão com o papa, e que estão sendo obrigados por oficiais do governo, a participar de uma ordenação episcopal ilícita em Chengde, no nordeste de Hebei, prevista para o próximo sábado, 20 de novembro": foi o que disse o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, respondendo às perguntas dos jornalistas sobre a posição da Santa Sé acerca da notícia da participação forçada de alguns bispos, na cerimônia de ordenação episcopal prevista para sábado próximo, em Chengde, na província chinesa de Hebei. Os jornalistas queriam saber ainda, se o ordenando fora aprovado pelo papa.
Pe. Lombardi acrescentou que "se essas notícias forem confirmadas, a Santa Sé considerará tal ordenação como uma grave violação da liberdade religiosa e de consciência".
"Tal ordenação – prosseguiu o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé – será considerada ilícita e lesiva das relações construtivas desenvolvidas recentemente, entre a República Popular da China e a Santa Sé."
"Além disso – concluiu Pe. Lombardi – a Santa Sé confirma que Pe. Joseph Guo Jincai não foi aprovado pelo Santo Padre para ser ordenado bispo da Igreja Católica. A Santa Sé – que deseja estabelecer relações positivas com a China – contatou as autoridades chinesas sobre tal questão, manifestando claramente a própria posição." (AF)
MISSA NO VATICANO EM SUFRÁGIO DOS CRISTÃOS MORTOS NO IRAQUE
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) – No próximo dia 25, será celebrada, na Basílica de São Pedro, a santa missa em sufrágio das almas dos sacerdotes e fieis assassinados no ataque perpetrado no dia 31 de outubro contra a catedral sírio-católica de Bagdá, Iraque.
A celebração eucarística será presidida pelo prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, e contará com a presença do corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé.
As vítimas foram alvo de um grupo terrorista ligado à Al Qaeda, que invadiu a catedral e matou mais de 50 fiéis, em sua maioria mulheres e crianças, num dos ataques mais sangrentos contra os cristãos no Iraque.
Vinte e seis feridos estão internados na Policlínica "Agostino Gemelli", de Roma, acompanhados pelo procurador da Igreja Caldeia – rito que reúne a maior parte dos católicos iraquianos – Pe. Philip Najim.
O sacerdote espera que os iraquianos assassinados pela violência fundamentalista sejam propostos como "exemplo para a veneração da Igreja", reconhecendo o martírio dos mesmos. (AF)
BENTO XVI: UNIDADE DOS CRISTÃOS NÃO É FEITA POR NÓS, MAS POR DEUS
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) - O diálogo ecumênico caminhou muito em 50 anos, mas precisa encontrar impulso, sobretudo no Ocidente, sem esquecer que a unidade dos cristãos é construída por Deus e não por uma nobre capacidade de negociação ou de compromisso. Foi o que afirmou Bento XVI no discurso feito na manhã desta quinta-feira na audiência concedida na Sala Clementina, no Vaticano, à plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que nesta quarta-feira festejou 50 anos de constituição do organismo vaticano.
A afirmação do Papa – "a unidade dos cristãos não é feita por nós, mas por Deus" – foi o baricentro de um discurso que, para além de algumas reflexões ligadas à história do referido organismo vaticano, enquadra com muita clareza a realidade do caminho ecumênico no que diz respeito ao presente e ao futuro próximo.
As primeiras palavras do Santo Padre foram de reconhecimento pela decisão com a qual 50 anos atrás o Beato João XXIII criou o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos, depois transformado por João Paulo II, em 1988, em Conselho Pontifício.
"Foi um ato que constituiu um marco para o caminho ecumênico da Igreja Católica. Durante cinquenta anos se fez muito caminho (...) São cinquenta anos em que se adquiriu um conhecimento mais verdadeiro e uma estima maior em relação às Igrejas e Comunidades eclesiais, superando preconceitos sedimentados pela história; cresceu-se no diálogo teológico, bem como na caridade; foram desenvolvidas várias formas de colaboração, entre as quais – além da colaboração em defesa da vida - pela salvaguarda da criação e pelo combate à injustiça. Tem também sido importante e frutuosa a colaboração no campo das traduções ecumênicas da Sagrada Escritura."
O Pontífice agradeceu a todos aqueles que estiveram à frente do organismo neste meio século de história, bem como a todos que, de um modo ou de outro, fizeram e fazem parte dele. Em seguida, voltou a sua atenção para o presente, em particular, para o trabalho do chamado "Harvest Project", com o qual – ressaltou – se quer "traçar um primeiro balanço dos diálogos teológicos" entabulados "com as principais Comunidades eclesiais", desde o Concílio Vaticano II até hoje. O Pontífice deu uma indicação bem precisa em relação "ao caminho rumo à unidade":
"Hoje alguns consideram que tal caminho, particularmente no Ocidente, perdeu o seu impulso. Percebe-se, então, a urgência de reavivar o interesse ecumênico e de dar uma nova incisividade aos diálogos. Apresentam-se, pois, desafios inéditos: as novas interpretações antropológicas e éticas, a formação ecumênica das novas gerações, a ulterior fragmentação do cenário ecumênico."
"É essencial tomar consciência de tais mudanças", recomendou Bento XVI, recordando, ao mesmo tempo, os pontos cruciais tocados com os ortodoxos e com as Antigas Igrejas Orientais:
Com os primeiros, "o papel do Bispo de Roma na comunhão da Igreja", ao passo em que, com as outras, a constatação de ter preservado "um precioso patrimônio comum", apesar de "séculos de incompreensão e de distância".
O Pontífice frisou que prosseguir nesse caminho é um compromisso que deve permanecer "firme", desde que – observou – não se faça isso pensando ser suficiente somente "a habilidade de negociar", nem uma "maior capacidade de encontrar compromissos":
"A ação ecumênica tem um dúplice movimento. De um lado a busca, convicta, apaixonada e tenaz para encontrar toda a unidade na verdade, para excogitar modelos de unidade, para iluminar oposições e pontos obscuros em ordem ao alcance da unidade. E isso deve ser feito no necessário diálogo teológico, mas, sobretudo, na oração e na penitência, naquele ecumenismo espiritual que constitui o coração pulsante de todo o caminho: a unidade dos cristãos é e permanece sendo oração, mora na oração."
Por outro lado, jamais se deve ofuscar esse simples compromisso – concluiu o Santo Padre:
"Não somos nós que fazemos a unidade, é Deus quem a faz: vem do alto, da unidade do Pai com o Filho no diálogo de amor que é o Espírito Santo; é um tomar parte da unidade divina. E isso não deve levar a diminuir o nosso empenho (...) Afinal, também no caminho ecumênico se trata de deixar para Deus aquilo que é unicamente seu, e explorar – com serenidade, constância e dedicação – aquilo que é nossa tarefa, considerando que pertencem ao nosso compromisso os binômios agir e sofrer, atividade e paciência, cansaço e alegria." (RL)
SANTA SÉ E IRÃ PARTILHAM MESMA OPINIÃO SOBRE A RELIGIÃO
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) - A Santa Sé e o Irã partilham a mesma opinião sobre o papel público e social da religião. Foi o que emergiu do sétimo Colóquio bilateral organizado pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e pelo Centro para o Diálogo Inter-religioso da Organização para a Cultura e as Relações Islâmicas de Teerã. O encontro - realizado na semana passada e intitulado “Religião e sociedade hoje: perspectivas cristãs e muçulmanas” – contou com a participação de uma delegação do Vaticano liderada pelo Presidente do dicastério, Cardeal Jean Louis Tauran. No seu retorno a Roma, o Cardeal Tauran fez um balanço à Rádio Vaticano destacando duas coisas: “em primeiro lugar, a extrema simpatia e educação, que estão na tradição do povo iraniano, e depois o aspecto concreto. Sabemos que o Papa propôs a criação de uma comissão bilateral. “Eu fui a Qom, onde nossa delegação - destacou o Cardeal - manteve contatos com diversas universidades: as universidades desejam uma colaboração acadêmica com o intercâmbio de professores, e o desejo ao mesmo tempo, de aprofundar a cooperação e torná-la ainda mais real. Este é realmente o aspecto mais importante dessa visita”.
O Cardeal Tauran falando sobre a criação da comissão bilateral para tratar de questões de interesse comum afirmou que o tema não foi tratado no encontro porque isso é uma responsabilidade da Segunda Sessão, ou seja a das Relações com os Estados. Eu não trato dessas coias – afirmou o purpurado – acrescentando que é responsabilidade de Dom Mamberti.
Sobre os temas tratados no encontro o Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso destacou a liberdade de religião, sublinhando que a Santa Sé expressou claramente a sua posição. “É necessário passar da liberdade de culto à liberdade de religião, isto é à possibilidade reconhecida aos fiéis das diferentes religiões de participar no diálogo público. Conversamos ainda sobre o diálogo inter-religioso, que deve continuar e um pouco sobre a situação internacional”, concluiu Dom Tauran. (SP)
Igreja no Mundo
IRLANDA: IGREJA QUER APROXIMAR OS JOVENS ÀS SUAS PARÓQUIAS
◊ Dublin, 18 nov (RV) – Escutar os jovens, dialogar com eles, provocar questionamentos e sugerir experiências positivas através do exemplo de quem encontrou na fé cristã uma proposta humana melhor do que aquela encontrada na sociedade de consumo. Esse é, em síntese, o significado da iniciativa lançada ontem, na Irlanda, pela arquidiocese de Dublin, intitulada Prêmio João Paulo II.
O arcebispo de Dublin, primaz da Irlanda e vice-presidente da Conferência Episcopal Irlandesa, Dom Diarmuid Martin, apresentou a iniciativa ao público, juntamente com o astro local do futebol, Alan Brogan. Segundo ele, há a necessidade de uma renovação nas paróquias, bem como do cultivo da generosidade e dos ideais para os jovens.
O arcebispo explicou que o prêmio dedicado a João Paulo II, que foi o idealizador da Jornada Mundial da Juventude, é um estimulo para tais mudanças. Ele expressa ainda a sua preocupação com a falta de interação entre Igreja e jovens, à qual atribui à falta de tempo dos jovens – que se dedicam inteiramente aos estudos e às atividades esportivas, ou "são as nossas igrejas e as nossas celebrações – pondera ele – que não são atraentes para os jovens". (ED)
EUA: PUBLICADO RELATÓRIO SOBRE REPRESSÃO DA LIBERDADE RELIGIOSA NO MUNDO
◊ Washington, 18 nov (RV) – Foi publicado o relatório sobre a liberdade religiosa no mundo, elaborado pelo Departamento de Estado norte-americano, que revela quais são os países onde a profissão de fé é sistematicamente reprimida.
A lista tem início com a Birmânia (atual Mianmar), onde o regime militar "ignora toda e qualquer garantia da liberdade religiosa e reduz, sistematicamente, as tentativas dos monges budistas de promoverem os direitos humanos e as liberdades políticas. Cristãos e budistas não conseguem obter o alvará para construir novos templos, enquanto a minoria islâmica está sujeita a discriminações legais e econômicas" – afirma o relatório.
Em segundo lugar está a China, onde continua a repressão contra a comunidade islâmica em Xinjiang, após as rebeliões de 2009. A repressão continua forte também no Tibete. A novidade positiva deste último relatório é que alguns jornais começaram a publicar artigos nos quais se discute sobre a liberdade religiosa.
Na Coreia do Norte continua a repressão: "Aumentou a repressão contra todo e qualquer grupo religioso não autorizado" – diz o relatório, acrescentando que "cerca de 200 mil pessoas se encontram detidas nos campos de reeducação, muitas das quais por motivos religiosos". (AF)
ARCEBISPO DE NOVA YORK É O NOVO PRESIDENTE DO EPISCOPADO DOS EUA
◊ Nova York, 18 nov (RV) - Acaba de ser eleito presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, o arcebispo de Nova York, Dom Timothy Dolan. Ele sucederá no cargo, ao cardeal-arcebispo de Chicago, George Francis Eugene.
Os bispos norte-americanos sempre se valeram de uma regra não escrita e elegiam para presidente da conferência o então vice-presidente. Segundo tal regra, o eleito deveria ter sido o bispo de Tucson, Dom Gerald Kicanas. Todavia, os bispos quebraram essa regra e elegeram Dom Timothy Dolan.
O arcebispo de Nova York é natural de Saint Louis, Missouri, e tem 60 anos. Ainda não foi criado cardeal, como os seis últimos arcebispos nova-iorquinos, porque seu imediato predecessor, Cardeal Edward Michael Egan, arcebispo emérito de Nova York, ainda não completou 80 anos.
Transferido de Milwaukee para Nova York por Bento XVI, em 2009, Dom Thimoty Dolan foi, recentemente, nomeado pelo Santo Padre um dos visitadores apostólicos para a Irlanda. (AF)
DIA NACIONAL DA JUVENTUDE NO REINO UNIDO
◊ Londres, 18 nov (RV) – As paróquias da Inglaterra e de Gales celebram, no próximo domingo, 22 de novembro, o "Dia Nacional da Juventude", uma jornada de orações e de celebrações promovida pela Igreja Católica para os jovens.
O tema deste ano é "um salto de fé", e é inspirado na epígrafe do Cardeal John Henry Newman "o coração fala ao coração", escolhida para a visita de Bento XVI ao Reino Unido em setembro passado.
Durante o evento, será proposto novamente o convite feito pelo Santo Padre, na ocasião de sua visita, de testemunhar a fé e de ter paixão pela verdade.
"Perguntem a Deus o que ele tem em mente para vocês", disse o Papa naquela ocasião, e "peçam-lhe a generosidade de responder sim". (ED)
Atualidades
AGRICULTURA FAMILIAR EM DEBATE NO HEMISFÉRIO SUL
◊ Brasília, 18 nov (RV) – Com o risco iminente de crise alimentar ameaçando o planeta, representantes de países emergentes decidiram reunir-se, em Brasília, para discutir o futuro da agricultura familiar no Hemisfério Sul.
A reunião, em andamento hoje, é organizada pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Fida, e pelo governo brasileiro. Com o objetivo de analisar políticas de redução da pobreza, o Presidente Lula participa das discussões juntamente a outros ministros do Mercosul e de delegações da Índia, da China e da África do Sul.
Os principais temas debatidos são a adaptação às mudanças climáticas, a segurança alimentar e o uso dos bicombustíveis por agricultores.
De acordo com a Rádio ONU, a diretora do Fida para América Latina e Caribe, Josefina Stubbs, disse que o diálogo político para promover a inclusão social e a agricultura familiar é uma tarefa difícil e que as políticas de inclusão social praticadas por Brasil e Peru estão ajudando a facilitar a tarefa na região. (ED)
FAO: AMEAÇA DE CRISE ALIMENTAR PARA 2011
◊ Roma, 18 nov (RV) - O ano de 2011 será de crise no setor da agricultura caso se confirmem as previsões da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO. "Nos principais países produtores de cereais, a superfície cultivável está praticamente exaurida" é a afirmação do economista da FAO, Abdolreza Abassian, alertando para a gravidade da situação alimentar do planeta.
Nesta quarta-feira, a Organização publicou o relatório semestral "Food Outlook", no qual se explica que o aumento dos preços da maior parte dos produtos agrícolas de base, nos últimos seis meses, pode ser atribuído fundamentalmente a fenômenos climáticos. Entre estes, a grande seca na Rússia, que para suprir a demanda interna limitou, até junho de 2011, a exportação de grãos. Na conta também as inundações no Paquistão e as fortes chuvas no norte da Europa.
De acordo com o vice-diretor da FAO, Hafez Ghanem, "depois das crises de 2008 e 2009, houve uma reação rápida com o aumento de produção". "Por enquanto – explicou –, não estamos em crise alimentar, mas esta poderá vir caso não intervenhamos."
Segundo dados do relatório, os preços de alimentos atingiram a maior alta em dois anos e, ao que tudo indica, o aumento deverá continuar em 2011. A Organização da ONU afirma que o mundo deve se preparar para um cenário de alta de preços de alimentos e inflação, que já afeta de forma negativa a balança comercial de cerca de 70 países. As primeiras projeções são de que os alimentos devem ficar até 20% mais caros em 2011 diante de safras abaixo do esperado e da especulação com as commodities.
A projeção é a mais preocupante já feita pela FAO desde 2007, quando a alta nos preços de alimentos desestabilizou governos e provocou protestos da população em 25 países. (ED)
"ISLÃ: UMA RELIGIÃO QUE DESEJA E PEDE A PAZ"
◊ Roma, 18 nov (RV) - “Uma das características mais importantes do Islã é a moderação, tanto na prática da religião como no comportamento dos seus fiéis; outro aspecto essencial é a existência de um equilíbrio entre as questões da alma, do corpo e da mente”. Soa como uma advertência o sermão pronunciado na última segunda-feira pelo grão-mufti da Arábia Saudita, na mesquita de Namira, aos pés do Monte Arafat, diante de pelo menos dois milhões de peregrinos presentes dentro, mas principalmente fora do edifício de culto, localizado a cerca de 20 km a sudeste de Meca. A autoridade religiosa pediu explicitamente que se rejeite a violência e o terrorismo em todas suas formas; “qualquer pessoa que pratique essas ações está de fato traindo os princípios do Islã, uma religião que deseja e pede a paz”. Tratou-se de um chamado à moderação religiosa destinada principalmente para aqueles que, escondendo-se atrás da bandeira do Islã, utilizam métodos violentos para defender a sua fé. O mar de pessoas se estendia até o Monte Arafat, o lugar onde o profeta Maomé fez seu último discurso, e onde o fiel muçulmano, no segundo dia do Hajj, se recolhe em oração e apresenta seus louvores e arrependimento a Deus, permanecendo ali até o anoitecer, vestido somente com o “ihram” (um vestido feito de duas peças de tecido branco sem costura).
O grão-mufti saudita – refere a agência de notícias Efe – pediu então aos muçulmanos que se unam para lutar contra a apostasia e contra aqueles que querem o mal do povo islâmico, “especialmente no Iraque, no Sudão e no Afeganistão”. O apelo está em sintonia com as contínuas referências feitas nos últimos anos pela mais alta autoridade religiosa do reino, e caracterizadas por duras críticas aos grupos islâmicos radicais e às ações terroristas suicidas: quem trabalha para espalhar o caos e a anarquia no mundo, quem prega a violência e desvia os jovens para o mau caminho, está agindo contra os ensinamentos do Islã.
No seu sermão, o xeique Abdul Aziz, também denunciou a discriminação entre os seres humanos, bem como as discriminações existentes “entre as populações do Terceiro Mundo, de um lado, e dos países mais desenvolvidos, do outro”. E, falando diretamente para os fiéis muçulmanos, pediu para que apóiem uns aos outros em um momento onde os desafios concretos se chamam também desemprego e aumento dos preços. Na terça-feira, os peregrinos se reuniram entre Mina e Muzdalifa para o ritual de atirar sete pedras contra três colunas que simbolizam as tentações de Satanás. Depois foram para Meca, onde irão giraram sete vezes ao redor da “Kaaba”. (SP)
© Rádio Vaticano 2010
NA RETA FINAL, VISITA "AD LIMINA" DOS BISPOS DO BRASIL
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) - Bento XVI recebeu em audiência, na manhã desta quinta-feira, no Vaticano, mais um grupo de prelados do Regional Centro-Oeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional formado pelos Estados de Goiás e Tocantins, e pelo Distrito Federal, em visita "ad Limina Apostolorum".
O Papa recebeu, em audiências sucessivas, os seguintes prelados:
O Arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz, acompanhado do Bispo auxiliar emérito, Dom João Evangelista Martins Terra;
o Bispo de Formosa, Dom Paulo Roberto Beloto;
o Bispo de Luziânia, Dom Afonso Fioreze;
o Bispo de Uruaçu, Dom Messias dos Reis Silveira;
o Bispo de Miracema do Tocantins, Dom Philip Dickmans;
o Bispo de Porto Nacional, Dom Romualdo Matias Kujawski;
O Bispo de Tocantinópolis, Dom Giovane Pereira de Melo;
e o Bispo Prelado de Cristalândia, Dom Rodolfo Luís Weber, acompanhado do Bispo Prelado emérito, Dom Heriberto Hermes.
A visita "ad Limina" dos bispos do Regional Centro-Oeste prosseguiu esta tarde com a celebração da Eucaristia, às 16h locais, na Basílica papal de Santa Maria Maior, presidida pelo Bispo Prelado emérito de Cristalândia, Dom Heriberto Hermes, que fez também a homilia da santa missa.
Iniciada em setembro do ano passado, a visita "ad Limina" dos bispos do Brasil se concluirá no próximo sábado, dia 20, com o encerramento da visita do Regional Centro-Oeste: o último, portanto, dos 17 Regionais da CNBB, a fazer essa visita à qual todos os bispos são tidos a realizar a cada cinco anos ao Sucessor de Pedro e aos diversos organismos da Cúria Romana.
Nosso colega Alberto Goroni entrevistou um dos prelados recebidos nesta quinta-feira pelo Santo Padre, o Bispo auxiliar emérito de Brasília, Dom João Evangelista Martins Terra, que nos falou sobre a importância da visita "ad Limina" e ressaltou a sua alegria de poder voltar a Roma, onde viveu muitos anos de seu ministério quando ainda sacerdote jesuíta, como Diretor do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, e como Professor tendo trabalhado na Pontifícia Universidade Gregoriana e morado no Pontifício Instituto Bíblico: (RL)
CHINA: BISPOS OBRIGADOS A PARTICIPAR DE ORDENAÇÃO ILÍCITA. PROTESTO DA SANTA SÉ
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) - "A Santa Sé lamenta as notícias provenientes da China, relativas a alguns bispos que estão em comunhão com o papa, e que estão sendo obrigados por oficiais do governo, a participar de uma ordenação episcopal ilícita em Chengde, no nordeste de Hebei, prevista para o próximo sábado, 20 de novembro": foi o que disse o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, respondendo às perguntas dos jornalistas sobre a posição da Santa Sé acerca da notícia da participação forçada de alguns bispos, na cerimônia de ordenação episcopal prevista para sábado próximo, em Chengde, na província chinesa de Hebei. Os jornalistas queriam saber ainda, se o ordenando fora aprovado pelo papa.
Pe. Lombardi acrescentou que "se essas notícias forem confirmadas, a Santa Sé considerará tal ordenação como uma grave violação da liberdade religiosa e de consciência".
"Tal ordenação – prosseguiu o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé – será considerada ilícita e lesiva das relações construtivas desenvolvidas recentemente, entre a República Popular da China e a Santa Sé."
"Além disso – concluiu Pe. Lombardi – a Santa Sé confirma que Pe. Joseph Guo Jincai não foi aprovado pelo Santo Padre para ser ordenado bispo da Igreja Católica. A Santa Sé – que deseja estabelecer relações positivas com a China – contatou as autoridades chinesas sobre tal questão, manifestando claramente a própria posição." (AF)
MISSA NO VATICANO EM SUFRÁGIO DOS CRISTÃOS MORTOS NO IRAQUE
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) – No próximo dia 25, será celebrada, na Basílica de São Pedro, a santa missa em sufrágio das almas dos sacerdotes e fieis assassinados no ataque perpetrado no dia 31 de outubro contra a catedral sírio-católica de Bagdá, Iraque.
A celebração eucarística será presidida pelo prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, e contará com a presença do corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé.
As vítimas foram alvo de um grupo terrorista ligado à Al Qaeda, que invadiu a catedral e matou mais de 50 fiéis, em sua maioria mulheres e crianças, num dos ataques mais sangrentos contra os cristãos no Iraque.
Vinte e seis feridos estão internados na Policlínica "Agostino Gemelli", de Roma, acompanhados pelo procurador da Igreja Caldeia – rito que reúne a maior parte dos católicos iraquianos – Pe. Philip Najim.
O sacerdote espera que os iraquianos assassinados pela violência fundamentalista sejam propostos como "exemplo para a veneração da Igreja", reconhecendo o martírio dos mesmos. (AF)
BENTO XVI: UNIDADE DOS CRISTÃOS NÃO É FEITA POR NÓS, MAS POR DEUS
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) - O diálogo ecumênico caminhou muito em 50 anos, mas precisa encontrar impulso, sobretudo no Ocidente, sem esquecer que a unidade dos cristãos é construída por Deus e não por uma nobre capacidade de negociação ou de compromisso. Foi o que afirmou Bento XVI no discurso feito na manhã desta quinta-feira na audiência concedida na Sala Clementina, no Vaticano, à plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que nesta quarta-feira festejou 50 anos de constituição do organismo vaticano.
A afirmação do Papa – "a unidade dos cristãos não é feita por nós, mas por Deus" – foi o baricentro de um discurso que, para além de algumas reflexões ligadas à história do referido organismo vaticano, enquadra com muita clareza a realidade do caminho ecumênico no que diz respeito ao presente e ao futuro próximo.
As primeiras palavras do Santo Padre foram de reconhecimento pela decisão com a qual 50 anos atrás o Beato João XXIII criou o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos, depois transformado por João Paulo II, em 1988, em Conselho Pontifício.
"Foi um ato que constituiu um marco para o caminho ecumênico da Igreja Católica. Durante cinquenta anos se fez muito caminho (...) São cinquenta anos em que se adquiriu um conhecimento mais verdadeiro e uma estima maior em relação às Igrejas e Comunidades eclesiais, superando preconceitos sedimentados pela história; cresceu-se no diálogo teológico, bem como na caridade; foram desenvolvidas várias formas de colaboração, entre as quais – além da colaboração em defesa da vida - pela salvaguarda da criação e pelo combate à injustiça. Tem também sido importante e frutuosa a colaboração no campo das traduções ecumênicas da Sagrada Escritura."
O Pontífice agradeceu a todos aqueles que estiveram à frente do organismo neste meio século de história, bem como a todos que, de um modo ou de outro, fizeram e fazem parte dele. Em seguida, voltou a sua atenção para o presente, em particular, para o trabalho do chamado "Harvest Project", com o qual – ressaltou – se quer "traçar um primeiro balanço dos diálogos teológicos" entabulados "com as principais Comunidades eclesiais", desde o Concílio Vaticano II até hoje. O Pontífice deu uma indicação bem precisa em relação "ao caminho rumo à unidade":
"Hoje alguns consideram que tal caminho, particularmente no Ocidente, perdeu o seu impulso. Percebe-se, então, a urgência de reavivar o interesse ecumênico e de dar uma nova incisividade aos diálogos. Apresentam-se, pois, desafios inéditos: as novas interpretações antropológicas e éticas, a formação ecumênica das novas gerações, a ulterior fragmentação do cenário ecumênico."
"É essencial tomar consciência de tais mudanças", recomendou Bento XVI, recordando, ao mesmo tempo, os pontos cruciais tocados com os ortodoxos e com as Antigas Igrejas Orientais:
Com os primeiros, "o papel do Bispo de Roma na comunhão da Igreja", ao passo em que, com as outras, a constatação de ter preservado "um precioso patrimônio comum", apesar de "séculos de incompreensão e de distância".
O Pontífice frisou que prosseguir nesse caminho é um compromisso que deve permanecer "firme", desde que – observou – não se faça isso pensando ser suficiente somente "a habilidade de negociar", nem uma "maior capacidade de encontrar compromissos":
"A ação ecumênica tem um dúplice movimento. De um lado a busca, convicta, apaixonada e tenaz para encontrar toda a unidade na verdade, para excogitar modelos de unidade, para iluminar oposições e pontos obscuros em ordem ao alcance da unidade. E isso deve ser feito no necessário diálogo teológico, mas, sobretudo, na oração e na penitência, naquele ecumenismo espiritual que constitui o coração pulsante de todo o caminho: a unidade dos cristãos é e permanece sendo oração, mora na oração."
Por outro lado, jamais se deve ofuscar esse simples compromisso – concluiu o Santo Padre:
"Não somos nós que fazemos a unidade, é Deus quem a faz: vem do alto, da unidade do Pai com o Filho no diálogo de amor que é o Espírito Santo; é um tomar parte da unidade divina. E isso não deve levar a diminuir o nosso empenho (...) Afinal, também no caminho ecumênico se trata de deixar para Deus aquilo que é unicamente seu, e explorar – com serenidade, constância e dedicação – aquilo que é nossa tarefa, considerando que pertencem ao nosso compromisso os binômios agir e sofrer, atividade e paciência, cansaço e alegria." (RL)
SANTA SÉ E IRÃ PARTILHAM MESMA OPINIÃO SOBRE A RELIGIÃO
◊ Cidade do Vaticano, 18 nov (RV) - A Santa Sé e o Irã partilham a mesma opinião sobre o papel público e social da religião. Foi o que emergiu do sétimo Colóquio bilateral organizado pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e pelo Centro para o Diálogo Inter-religioso da Organização para a Cultura e as Relações Islâmicas de Teerã. O encontro - realizado na semana passada e intitulado “Religião e sociedade hoje: perspectivas cristãs e muçulmanas” – contou com a participação de uma delegação do Vaticano liderada pelo Presidente do dicastério, Cardeal Jean Louis Tauran. No seu retorno a Roma, o Cardeal Tauran fez um balanço à Rádio Vaticano destacando duas coisas: “em primeiro lugar, a extrema simpatia e educação, que estão na tradição do povo iraniano, e depois o aspecto concreto. Sabemos que o Papa propôs a criação de uma comissão bilateral. “Eu fui a Qom, onde nossa delegação - destacou o Cardeal - manteve contatos com diversas universidades: as universidades desejam uma colaboração acadêmica com o intercâmbio de professores, e o desejo ao mesmo tempo, de aprofundar a cooperação e torná-la ainda mais real. Este é realmente o aspecto mais importante dessa visita”.
O Cardeal Tauran falando sobre a criação da comissão bilateral para tratar de questões de interesse comum afirmou que o tema não foi tratado no encontro porque isso é uma responsabilidade da Segunda Sessão, ou seja a das Relações com os Estados. Eu não trato dessas coias – afirmou o purpurado – acrescentando que é responsabilidade de Dom Mamberti.
Sobre os temas tratados no encontro o Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso destacou a liberdade de religião, sublinhando que a Santa Sé expressou claramente a sua posição. “É necessário passar da liberdade de culto à liberdade de religião, isto é à possibilidade reconhecida aos fiéis das diferentes religiões de participar no diálogo público. Conversamos ainda sobre o diálogo inter-religioso, que deve continuar e um pouco sobre a situação internacional”, concluiu Dom Tauran. (SP)
Igreja no Mundo
IRLANDA: IGREJA QUER APROXIMAR OS JOVENS ÀS SUAS PARÓQUIAS
◊ Dublin, 18 nov (RV) – Escutar os jovens, dialogar com eles, provocar questionamentos e sugerir experiências positivas através do exemplo de quem encontrou na fé cristã uma proposta humana melhor do que aquela encontrada na sociedade de consumo. Esse é, em síntese, o significado da iniciativa lançada ontem, na Irlanda, pela arquidiocese de Dublin, intitulada Prêmio João Paulo II.
O arcebispo de Dublin, primaz da Irlanda e vice-presidente da Conferência Episcopal Irlandesa, Dom Diarmuid Martin, apresentou a iniciativa ao público, juntamente com o astro local do futebol, Alan Brogan. Segundo ele, há a necessidade de uma renovação nas paróquias, bem como do cultivo da generosidade e dos ideais para os jovens.
O arcebispo explicou que o prêmio dedicado a João Paulo II, que foi o idealizador da Jornada Mundial da Juventude, é um estimulo para tais mudanças. Ele expressa ainda a sua preocupação com a falta de interação entre Igreja e jovens, à qual atribui à falta de tempo dos jovens – que se dedicam inteiramente aos estudos e às atividades esportivas, ou "são as nossas igrejas e as nossas celebrações – pondera ele – que não são atraentes para os jovens". (ED)
EUA: PUBLICADO RELATÓRIO SOBRE REPRESSÃO DA LIBERDADE RELIGIOSA NO MUNDO
◊ Washington, 18 nov (RV) – Foi publicado o relatório sobre a liberdade religiosa no mundo, elaborado pelo Departamento de Estado norte-americano, que revela quais são os países onde a profissão de fé é sistematicamente reprimida.
A lista tem início com a Birmânia (atual Mianmar), onde o regime militar "ignora toda e qualquer garantia da liberdade religiosa e reduz, sistematicamente, as tentativas dos monges budistas de promoverem os direitos humanos e as liberdades políticas. Cristãos e budistas não conseguem obter o alvará para construir novos templos, enquanto a minoria islâmica está sujeita a discriminações legais e econômicas" – afirma o relatório.
Em segundo lugar está a China, onde continua a repressão contra a comunidade islâmica em Xinjiang, após as rebeliões de 2009. A repressão continua forte também no Tibete. A novidade positiva deste último relatório é que alguns jornais começaram a publicar artigos nos quais se discute sobre a liberdade religiosa.
Na Coreia do Norte continua a repressão: "Aumentou a repressão contra todo e qualquer grupo religioso não autorizado" – diz o relatório, acrescentando que "cerca de 200 mil pessoas se encontram detidas nos campos de reeducação, muitas das quais por motivos religiosos". (AF)
ARCEBISPO DE NOVA YORK É O NOVO PRESIDENTE DO EPISCOPADO DOS EUA
◊ Nova York, 18 nov (RV) - Acaba de ser eleito presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, o arcebispo de Nova York, Dom Timothy Dolan. Ele sucederá no cargo, ao cardeal-arcebispo de Chicago, George Francis Eugene.
Os bispos norte-americanos sempre se valeram de uma regra não escrita e elegiam para presidente da conferência o então vice-presidente. Segundo tal regra, o eleito deveria ter sido o bispo de Tucson, Dom Gerald Kicanas. Todavia, os bispos quebraram essa regra e elegeram Dom Timothy Dolan.
O arcebispo de Nova York é natural de Saint Louis, Missouri, e tem 60 anos. Ainda não foi criado cardeal, como os seis últimos arcebispos nova-iorquinos, porque seu imediato predecessor, Cardeal Edward Michael Egan, arcebispo emérito de Nova York, ainda não completou 80 anos.
Transferido de Milwaukee para Nova York por Bento XVI, em 2009, Dom Thimoty Dolan foi, recentemente, nomeado pelo Santo Padre um dos visitadores apostólicos para a Irlanda. (AF)
DIA NACIONAL DA JUVENTUDE NO REINO UNIDO
◊ Londres, 18 nov (RV) – As paróquias da Inglaterra e de Gales celebram, no próximo domingo, 22 de novembro, o "Dia Nacional da Juventude", uma jornada de orações e de celebrações promovida pela Igreja Católica para os jovens.
O tema deste ano é "um salto de fé", e é inspirado na epígrafe do Cardeal John Henry Newman "o coração fala ao coração", escolhida para a visita de Bento XVI ao Reino Unido em setembro passado.
Durante o evento, será proposto novamente o convite feito pelo Santo Padre, na ocasião de sua visita, de testemunhar a fé e de ter paixão pela verdade.
"Perguntem a Deus o que ele tem em mente para vocês", disse o Papa naquela ocasião, e "peçam-lhe a generosidade de responder sim". (ED)
Atualidades
AGRICULTURA FAMILIAR EM DEBATE NO HEMISFÉRIO SUL
◊ Brasília, 18 nov (RV) – Com o risco iminente de crise alimentar ameaçando o planeta, representantes de países emergentes decidiram reunir-se, em Brasília, para discutir o futuro da agricultura familiar no Hemisfério Sul.
A reunião, em andamento hoje, é organizada pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Fida, e pelo governo brasileiro. Com o objetivo de analisar políticas de redução da pobreza, o Presidente Lula participa das discussões juntamente a outros ministros do Mercosul e de delegações da Índia, da China e da África do Sul.
Os principais temas debatidos são a adaptação às mudanças climáticas, a segurança alimentar e o uso dos bicombustíveis por agricultores.
De acordo com a Rádio ONU, a diretora do Fida para América Latina e Caribe, Josefina Stubbs, disse que o diálogo político para promover a inclusão social e a agricultura familiar é uma tarefa difícil e que as políticas de inclusão social praticadas por Brasil e Peru estão ajudando a facilitar a tarefa na região. (ED)
FAO: AMEAÇA DE CRISE ALIMENTAR PARA 2011
◊ Roma, 18 nov (RV) - O ano de 2011 será de crise no setor da agricultura caso se confirmem as previsões da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO. "Nos principais países produtores de cereais, a superfície cultivável está praticamente exaurida" é a afirmação do economista da FAO, Abdolreza Abassian, alertando para a gravidade da situação alimentar do planeta.
Nesta quarta-feira, a Organização publicou o relatório semestral "Food Outlook", no qual se explica que o aumento dos preços da maior parte dos produtos agrícolas de base, nos últimos seis meses, pode ser atribuído fundamentalmente a fenômenos climáticos. Entre estes, a grande seca na Rússia, que para suprir a demanda interna limitou, até junho de 2011, a exportação de grãos. Na conta também as inundações no Paquistão e as fortes chuvas no norte da Europa.
De acordo com o vice-diretor da FAO, Hafez Ghanem, "depois das crises de 2008 e 2009, houve uma reação rápida com o aumento de produção". "Por enquanto – explicou –, não estamos em crise alimentar, mas esta poderá vir caso não intervenhamos."
Segundo dados do relatório, os preços de alimentos atingiram a maior alta em dois anos e, ao que tudo indica, o aumento deverá continuar em 2011. A Organização da ONU afirma que o mundo deve se preparar para um cenário de alta de preços de alimentos e inflação, que já afeta de forma negativa a balança comercial de cerca de 70 países. As primeiras projeções são de que os alimentos devem ficar até 20% mais caros em 2011 diante de safras abaixo do esperado e da especulação com as commodities.
A projeção é a mais preocupante já feita pela FAO desde 2007, quando a alta nos preços de alimentos desestabilizou governos e provocou protestos da população em 25 países. (ED)
"ISLÃ: UMA RELIGIÃO QUE DESEJA E PEDE A PAZ"
◊ Roma, 18 nov (RV) - “Uma das características mais importantes do Islã é a moderação, tanto na prática da religião como no comportamento dos seus fiéis; outro aspecto essencial é a existência de um equilíbrio entre as questões da alma, do corpo e da mente”. Soa como uma advertência o sermão pronunciado na última segunda-feira pelo grão-mufti da Arábia Saudita, na mesquita de Namira, aos pés do Monte Arafat, diante de pelo menos dois milhões de peregrinos presentes dentro, mas principalmente fora do edifício de culto, localizado a cerca de 20 km a sudeste de Meca. A autoridade religiosa pediu explicitamente que se rejeite a violência e o terrorismo em todas suas formas; “qualquer pessoa que pratique essas ações está de fato traindo os princípios do Islã, uma religião que deseja e pede a paz”. Tratou-se de um chamado à moderação religiosa destinada principalmente para aqueles que, escondendo-se atrás da bandeira do Islã, utilizam métodos violentos para defender a sua fé. O mar de pessoas se estendia até o Monte Arafat, o lugar onde o profeta Maomé fez seu último discurso, e onde o fiel muçulmano, no segundo dia do Hajj, se recolhe em oração e apresenta seus louvores e arrependimento a Deus, permanecendo ali até o anoitecer, vestido somente com o “ihram” (um vestido feito de duas peças de tecido branco sem costura).
O grão-mufti saudita – refere a agência de notícias Efe – pediu então aos muçulmanos que se unam para lutar contra a apostasia e contra aqueles que querem o mal do povo islâmico, “especialmente no Iraque, no Sudão e no Afeganistão”. O apelo está em sintonia com as contínuas referências feitas nos últimos anos pela mais alta autoridade religiosa do reino, e caracterizadas por duras críticas aos grupos islâmicos radicais e às ações terroristas suicidas: quem trabalha para espalhar o caos e a anarquia no mundo, quem prega a violência e desvia os jovens para o mau caminho, está agindo contra os ensinamentos do Islã.
No seu sermão, o xeique Abdul Aziz, também denunciou a discriminação entre os seres humanos, bem como as discriminações existentes “entre as populações do Terceiro Mundo, de um lado, e dos países mais desenvolvidos, do outro”. E, falando diretamente para os fiéis muçulmanos, pediu para que apóiem uns aos outros em um momento onde os desafios concretos se chamam também desemprego e aumento dos preços. Na terça-feira, os peregrinos se reuniram entre Mina e Muzdalifa para o ritual de atirar sete pedras contra três colunas que simbolizam as tentações de Satanás. Depois foram para Meca, onde irão giraram sete vezes ao redor da “Kaaba”. (SP)
© Rádio Vaticano 2010
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