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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Intenções de oração do Papa para o mês de janeiro



A preservação do Meio Ambiente e a unidade dos cristãos são as intenções de oração do Papa Bento XVI para o início deste novo ano.

Como intenção geral, o Santo Padre pede "para que as riquezas da criação sejam preservadas, valorizadas e postas à disposição de todos, como precioso dom de Deus".

E em sua intenção missionária, Bento XVI reza "para que os cristãos cheguem à plenitude da unidade, testemunhando assim, a toda a humanidade, a paternidade de Deus".

O Papa confia suas intenções, todos os meses, ao apostolado da oração. Esta iniciativa é seguida por milhões de pessoas em todo mundo.
Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Papa e Santa Sé


AUDIÊNCIA GERAL: PAPA FALA SOBRE SANTA CATARINA DE BOLONHA

◊ Cidade do Vaticano, 29 dez (RV) - Bento XVI acolheu na manhã desta quarta-feira, dia da habitual Audiência Geral, vários fiéis e peregrinos na Sala Paulo VI, no Vaticano.

Na catequese de hoje, o Papa falou sobre Santa Catarina de Bolonha, que nasceu nessa cidade italiana, em 8 de setembro de 1413, numa família nobre. Aos dez anos mudou-se para Ferrara, onde recebeu uma boa educação e uma vasta cultura literária e artística. Quatro anos mais tarde, decidiu deixar a corte para se dedicar a Deus numa comunidade de mulheres consagradas.

Dois anos depois, a responsável do grupo funda um mosteiro de agostinianas. Catarina e outras, no entanto, preferem seguir a espiritualidade franciscana, transformando a comunidade num mosteiro de Clarissas. Teve freqüentes visões e êxtases, mas também tentações e dúvidas. Por obediência, aceitou o cargo de Mestra de Noviças, exercendo essa função com sabedoria.

"Anos mais tarde, frisou o Papa, Catarina foi transferida para Bolonha como abadessa de um novo mosteiro, edificando suas irmãs por seu espírito de oração e serviço". A única obra escrita que resta de Catarina intitula-se "As sete armas espirituais".

Santa Catarina de Bolonha faleceu em 1463 e foi canonizada pelo Papa Clemente XI, em 1712.

Bento XVI fez um resumo de sua catequese em português, saudou os fiéis lusófonos presentes na audiência e concedeu a todos a sua bênção apostólica.

Queridos irmãos e irmãs,

O século XV conheceu uma mulher de vasta cultura, mas muito humilde: Santa Catarina de Bolonha, cidade onde nasceu e onde voltou na fase final da vida, para fundar um mosteiro da sua Família Religiosa, inspirada na regra de Santa Clara de Assis. Catarina deixou-nos um belo programa de vida espiritual, na sua obra As Sete Armas Espirituais, que são: procurar solicitamente cumprir o bem; acreditar que, sozinhos, não poderemos jamais fazer algo de verdadeiramente bom; confiar em Deus e, por amor d’Ele, nunca temer a batalha contra o mal, tanto fora como dentro de nós mesmos; meditar muitas vezes nos factos e nas palavras da vida de Jesus, sobretudo na sua paixão e morte; recordar-nos que temos de morrer; manter viva na mente a lembrança dos bens do Paraíso; ter familiaridade com a Sagrada Escritura, trazendo-a sempre no coração, para que oriente todos os nossos pensamentos e acções.

Amados peregrinos de língua portuguesa, que viestes junto do túmulo de São Pedro renovar a vossa profissão de fé: a minha saudação de boas vindas para todos vós, em particular para o grupo de Escuteiros de Penedono, desejando-vos abundantes dons de graça e paz do Deus Menino, que imploro para vós e vossas famílias com a minha Bênção Apostólica. (MJ)


PADRE LOMBARDI E O ANO 2010 DE BENTO XVI

◊ Cidade do Vaticano, 29 dez (RV) - Cinco viagens internacionais, quatro visitas pastorais na Itália, uma Exortação Apostólica, um Consistório e um sínodo, 45 audiências gerais incluído a que fará nesta quarta-feira, dia 29, um livro entrevista. São alguns dos números que caracterizaram o ano de 2010 de Bento XVI. Um ano, como reconheceu o Papa no seu discurso á Cúria Romana, antes de Natal, marcado pelo escândalo dos abusos sexuais da parte de membros do clero.

E precisamente sobre essa dolorosa vicissitude parte a reflexão do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e da Rádio Vaticano, Padre Federico Lombardi que numa entrevista à nossa emissora se deteve sobre as passagens salientes do ano que está para terminar.

Depois de lembrar que a questão já tinha sido levantada nos EUA e na Irlanda, Padre Lombardi admitiu que “no decorrer deste ano, o problema colocou-se com força, em outros países europeus, o que suscitou reações visíveis e desconforto”.

Padre Lombardi ressaltou então a atitude de Bento XVI, “ouvindo as vítimas em várias oportunidades, numa atitude de prontidão em ouvir, compreender e participar do sofrimento”.

Nesse sentido, o diretor da Sala de Imprensa defendeu que Bento XVI realizou “muitos atos e intervenções que foram exemplares sobre como e com qual espírito enfrentar este problema”, que deve levar a Igreja a uma “renovação profunda”.
“Estamos, por isso, na direção certa para superar o drama deste escândalo, que feriu profundamente muitas pessoas, mas que deve ser tomado como uma oportunidade para uma renovação, para uma capacidade de ouvir, para uma reflexão profunda”, destacou Padre Lombardi.

Em 2010, o Papa deu uma entrevista ao jornalista Peter Seewald que está na origem do livro “Luz do Mundo”. Sobre esta obra, em particular, o diretor da Sala de Imprensa disse que este ano permitiu descobrir “as características específicas” do Papa quanto à área da comunicação, que levaram a “fórmulas novas”.

Além da entrevista, o diretor da sala de imprensa da Santa Sé alude ao livro “Jesus de Nazaré” - a segunda e a terceira partes estão para ser publicadas -, escrito por um “Papa teólogo”.

Padre Lombardi referiu-se ainda às perseguições contra os cristãos, “principalmente nos países do Oriente Médio” e aos “problemas da liberdade religiosa, de consciência, e dos cristãos na China”. (SP)


CARDEAL RAYMUNDO NOMEADO MEMBRO DO PONTIFÍCIO CONSELHO DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS E DA CAL

◊ Cidade do Vaticano, 29 dez (RV) - Bento XVI nomeou, nesta quarta-feira, alguns cardeais, criados no Consistório de 20 de novembro passado, como membros de organismos da Cúria Romana.

Entre eles está o Arcebispo de Aparecida, Cardeal Raymundo Damasceno Assis, nomeado membro do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. O purpurado de Aparecida foi nomeado também pelo Papa como membro da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) junto com o Arcebispo emérito de Quito, Cardeal Raúl Eduardo Vela Chiriboga, e o Arcebispo de Palermo, Cardeal Paolo Romeo. (MJ)


Igreja na América Latina


COSTA RICA: II CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE VOCAÇÕES

◊ San José, 29 dez (RV) - Realiza-se de 31 de janeiro próximo a 5 de fevereiro, em San José, na Costa Rica, o II Congresso Latino-americano de Vocações promovido pelo setor de Vocações e Ministérios do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM).

Numa nota, o organismo ressalta que o objetivo do evento é fortalecer a cultura vocacional a fim de que os batizados assumam seu chamado e se tornem discípulos e missionários de Cristo nas circunstâncias atuais da América Latina e Caribe.

Os bispos responsáveis pela Animação Vocacional na América Latina e Caribe, reunidos de 3 a 7 de novembro de 2008, em San Pedro Sula, em Honduras, assumiram seriamente o compromisso da Conferência de Aparecida de promover e coordenar várias iniciativas vocacionais.

Este congresso é uma resposta aos desafios de Aparecida e no que concerne a formação dos discípulos e missionários de Cristo, a Pastoral Vocacional ocupa um lugar privilegiado, pois cuida de todos aqueles que o Senhor chama a servir a sua Igreja no sacerdócio, na vida consagrada e no estado laical.

A Pastoral Vocacional, responsabilidade de todo o povo de Deus, começa na família e continua na comunidade cristã. Ela deve ser dirigida às crianças e especialmente aos jovens a fim de ajudá-los a descobrir o sentido da vida e o projeto que Deus tem para cada um, acompanhando-os em seu processo de discernimento.

O CELAM ressalta que é necessário intensificar as várias maneiras de oração pelas vocações, ajudando a criar uma maior sensibilidade e receptividade diante do chamado do Senhor. (MJ)


CARDEAL VENEZUELANO CONVIDA A TRABALHAR PELA PAZ

◊ Caracas, 29 dez (RV) - O Arcebispo de Caracas, Cardeal Jorge Liberato Urosa Savino, expressou o temor que se instaure uma ditadura na Venezuela.

Segundo informa a imprensa local, o purpurado ressaltou a importância que todos os venezuelanos trabalhem pela paz, seja qual for o trabalho que ocupam na sociedade. Ao mesmo tempo, manifestou seu temor pelo destino ao qual o país está se dirigindo.
Referindo-se às duras críticas expressas pelo presidente Hugo Chávez em relação à Igreja na Venezuela, o Cardeal afirmou, através da televisão: "Se alguém reage quando o episcopado assinala que existem prisioneiros políticos, se alguém se sente ofendido quando pedimos o respeito do direito de informação, sentimos muito, mas este é um postulado da Constituição" – frisou o cardeal.

O arcebispo de Caracas manifestou sua preocupação de que a Venezuela se encaminhe rumo a uma ditadura com as seguintes palavras: "quem está na chefia do Governo deve levar em consideração a grande responsabilidade que possui diante da história e diante de Deus; se quiserem impor uma ditadura totalitária, seria certamente uma coisa terrível para a Venezuela".

A Igreja Católica expressou sua profunda preocupação depois da recente aprovação, por parte da Assembléia Nacional, de 22 leis, em apenas duas semanas, para reforçar o sistema socialista antes do fim de seu mandato, em 4 de janeiro de 2011. (MJ)


Igreja no Mundo


JERUSALÉM: MENSAGEM DE NATAL DOS LÍDERES DAS IGREJAS CRISTÃS

◊ Jerusalém, 29 dez (RV) – “As pessoas de fé devem assumir um papel ativo na construção de pontes de paz e de reconciliação”: assim se lê na mensagem de Natal dos líderes das Igrejas cristãs de Jerusalém. Eles convidam a comunidade internacional a por fim a qualquer forma de violência.

O documento é assinado, entre outros, pelo patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, e pelo custódio da Terra Santa, Pierbattista Pizzabala. Lê-se, no texto, que muitas pessoas no mundo “vivem sob a ameaça da violência e da perseguição política” e que “o papel da Igreja é o de encorajar a todos a edificar pontes de compreensão, e não muros de divisão”.

“Acreditamos que a esperança de paz e de reconciliação – dizem os líderes – requeira a nossa participação ativa como fiéis. E, para que a fé permaneça viva nos corações dos fiéis, devemos assumir um papel ativo para trazer esperança de paz para a nossa realidade”.

Os líderes das Igrejas cristãs que redigiram esse documento fazem parte do Conselho das Instituições Religiosas da Terra Santa. O Organismo reúne líderes cristãos, judaicos e muçulmanos, que discutem questões de interesses comuns. Concluindo a mensagem, os líderes consideraram, portanto, que o Conselho “deve representar um exemplo encorajador para todos, já que, edificando pontes, a paz é possível”. (ED)


PAQUISTÃO: CONTINUA MANIFESTAÇÃO EM PROL DE ASIA BIBI

◊ Lahore, 29 dez (RV) - O Natal não parou no Paquistão a mobilização em prol de Asia Bibi, a mulher católica condenada à morte por blasfêmia, e para quem a Alta Corte de Lahore ainda não fixou uma data para a audiência de apelação. A agência AsiaNews relatou que sobre este episódio continua o conflito entre a maioria muçulmana e a comunidade cristã no país, a partir do website do Pakistan Christian Post, ponto de referência para os cristãos, que foi ofuscado por um ataque de hackers muçulmanos.

Momentos de tensões no dia de Natal em Lahore, quando quase se tocaram duas manifestações de ativistas, respectivamente uma do grupo islâmico, Tahaffuz-i-Namoos-i-Risalat, em favor da lei sobre a blasfêmia e contra a graça para a Asia Bibi; e outra, organizada pela Aliança Democrática do Paquistão, que se encontra numa posição diametralmente oposta.

Em Karachi, enfim, os “Cidadãos para a Democracia” lançaram uma campanha nacional para alterar a polêmica lei: o encontro foi realizado no dia 26 de dezembro e participaram 28 diferentes denominações. (SP)


CARDEAL TAURAN: NINGUÉM CONSEGUIRÁ ACABAR COM OS CRISTÃOS NO ORIENTE MÉDIO

◊ Cidade do Vaticano, 29 dez (RV) - Ninguém conseguirá acabar com a presença dos cristãos no Oriente Médio. Eles fazem parte da historia da Igreja naquelas terras. Eles são historia, mas precisam da nossa solidariedade. Esta a certeza expressa pelo cardeal Jean- Louis Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso numa entrevista ao L’Osservatore Romano.

Trata-se apenas de ajudar as varias comunidades religiosas a conhecerem-se mais, a aprender a trabalhar juntas para o bem comum. Só assim será possível isolar os fundamentalistas e debelar a violência - acrescentou.

Segundo L’Ossservatore Romano a condição dos cristãos naquela vasta área do mundo foi certamente a fonte de maior preocupação para o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso neste ano que está terminando.

Não foi por acaso que o Cardeal Tauran efetuou 10 viagens a países com maioria islâmica, ou a países onde a presença islâmica é significativa e exige uma atenção especifica para encontrar a maneira de desenvolver o diálogo entre as varias religiões.

Sobre os episódios dramáticos como as atentados sangrentos destes dias contra os cristãos, que se seguira, ao massacre na catedral de Bagdá em outubro, segundo o Cardeal Tauran trata-se certamente de episódios muito graves que nos fazem perceber quais são os níveis de crueldade que o terrorismo pode assumir. Antes, pelo menos os lugares sagrados eram respeitados; agora pelo contrário tornam-se alvo preferido, sobretudo quando acolhem gente que reza. O Cardeal Tauran nesta entrevista ao L’Osservatore Romano mostra-se convencido de que se trata de ações provenientes de ambientes extremistas que não recolhem consenso no mundo islâmico.

Pessoalmente afirmou ter recebido muitos testemunhos de solidariedade e palavras de condenação vindos de todos os chefes religiosos do Iraque e de outros países. Mas acrescentou ter recebido muitas solicitações no sentido de promover novas e contínuas iniciativas de diálogo, com a certeza de que a maior parte dos responsáveis da comunidade islâmica deseja prosseguir no caminho do respeito e do diálogo para isolar cada vez mais todos aqueles que procuram instrumentalizar as diferenças com fins políticos ou de poder.

O problema – explicou – é fazer penetrar o fruto do grande trabalho que se faz entre chefes religiosos até à base, e de o fazer chegar aos vértices dos sistemas legislativos, para que se transforme em leis de proteção. Não só: a atenção deve ser prestada ao mundo da informação e da formação. É necessário promover o respeito e o conhecimento uns dos outros. (SP)


VIGÍLIAS NATALINAS SOMENTE NO NORTE DO IRAQUE

◊ Bagdá, 29 dez (RV) - "As Igrejas tornaram-se fortalezas nas quais não se reza como se deveria" – assim alguns fiéis sintetizaram a atmosfera de Natal vivida este ano no Iraque, onde as celebrações da Noite Santa foram proibidas por motivos de segurança, depois do atentado perpetrado contra a Catedral Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em 31 de outubro passado, em Bagdá.

Em Kirkuk, por exemplo, a missa solene foi celebrada na manhã do último dia 25, na presença das autoridades locais, chefes da polícia e do exército, de alguns expoentes políticos e do representante do grande aiatolá, Alì al Sistani, enquanto do lado de fora as forças de segurança tomavam conta do edifício.

Muitas famílias cristãs que fugiram para o norte, no Curdistão, puderam participar da vigília em Soulaymanyia, onde a primeira-dama distribuiu presentes para as crianças e os fiéis usaram uma fita vermelha nas costas para lembrar as vítimas do ataque, em Bagdá, e dizer que no Natal a esperança e a paz estão ligadas ao sacrifício. "A esperança existe, mas é frágil" – testemunharam os sacerdotes iraquianos. (MJ)


CONGRESSO INTERNACIONAL DOS MENINOS CANTORES

◊ Roma, 29 dez (RV) - Teve início nesta terça-feira, em Roma, o 36° Congresso da Federação Internacional dos Pueri Cantores (Meninos Cantores) com o moto "Deus caritas est".

A finalidade do organismo é levar ao mundo a mensagem de amor de Deus e o anúncio alegre de paz através do canto e do testemunho de todos os seus membros. A federação trabalha na animação litúrgica, testemunhando os valores cristãos na vida pessoal seguindo o exemplo do padroeiro, São Domingos Sávio (1842-1857), primeiro santo salesiano.

Reconhecida oficialmente como movimento eclesial, em 1965, a federação está, desde 1966, submetida à autoridade do Pontifício Conselho para os Leigos. As mudanças feitas nos Estatutos da federação depois do Concílio Vaticano II permitiram a admissão de coros femininos. A Federação Internacional dos Pueri Cantores tem atualmente cerca de 900 coros e 25 mil coristas de 7 a 20 anos, no caso de coros juvenis.

O grupo que se apresentará nas basílicas e igrejas romanas é uma instituição que tem suas raízes na tradição litúrgica da Igreja de solenizar as celebrações com cantos de crianças e adultos, como aspecto relevante no serviço divino, uma tradição iniciada no século VI pelo Papa São Gregório Magno, musicólogo e reformador do canto litúrgico. O mesmo pontífice reorganizou a "Schola cantorum" e a presença dos "Pueri Cantores" nas liturgias.

O 36° Congresso da Federação Internacional dos Meninos Cantores teve início na tarde de ontem na Sala Paulo VI, sob a guia do Secretário de Estado, Cardeal Tarcísio Bertone. Durante a cerimônia foi entregue oficialmente à federação uma relíquia de São Domingos Sávio, oferecida pela Congregação Salesiana.

Os Meninos Cantores serão recebidos pelo Papa amanhã, quinta-feira, e na tarde do próximo dia 1°, Solenidade da Santa Mãe de Deus e 44° Dia Mundial da Paz, animarão um concerto de inauguração do centenário do Pontifício Instituto de Música Sacra. (MJ)


ÍNDIA: TERCEIRO NATAL APÓS OS ATAQUES ANTICRISTÃOS EM ORISSA

◊ Orissa, 29 dez (RV) – Para as famílias cristãs de Orissa, na Índia, esse foi o terceiro natal após os ataques anticristãos de agosto de 2008. As festividades foram passadas com tranqüilidade, mas, nesse Estado indiano, continuam a ser registrados novos casos de injustiças e abusos para com as comunidades cristãs.

De acordo com a Agência Ásia News, os cristãos de Kandhamal – uma das zonas onde os radicais hinduístas são mais agressivos – encontram muitas dificuldades para tornar aos seus lugares de origem. O último caso registrado, um dia após o Natal, foi o de um funcionário da Administração local para o desenvolvimento e as construções, L. Mahaty, que discriminou cinco famílias cristãs, proibindo a reconstrução das suas casas, destruídas durante os ataques de 2008.

Enquanto isso, um tribunal do Estado de Orissa condenou nove radicais hinduístas por ter queimado as casas de cristãos no vilarejo de Damangpadar. A sentença foi de cinco anos de trabalhos forçados e uma multa de cinco mil rúpias. Entre os condenados, estão um professor de uma escola federal e um líder fundamentalista hindu. (ED)


Formação


JOÃO PAULO II FALA AOS MIGRANTES EM SUA VIAGEM AO BRASIL EM 1991

◊ Cidade do Vaticano, 29 dez (RV) - Foi apresentada em outubro passado, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a Mensagem do Papa para o 97º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado que se realizará em 16 de janeiro de 2011, sobre o tema "Uma só família humana".

Bento XVI ressalta na mensagem que o "Dia Mundial do Migrante e do Refugiado oferece a oportunidade, a toda a Igreja, de refletir sobre o tema relacionado ao crescente fenômeno da migração.

"Uma só família humana, uma só família de irmãos e irmãs em sociedades que se tornam cada vez mais multiétnicas e intraculturais, onde também as pessoas de várias religiões são estimuladas ao diálogo, para que se possa encontrar uma serena e frutuosa convivência no respeito das legítimas diferenças" – frisa Bento XVI.

Hoje, vamos recordar em nosso espaço de Memória Histórica mais trecho da homilia aos Migrantes feita pelo Papa João Paulo II, em Cuiabá (MT), em sua viagem apostólica ao Brasil de 12 a 21 de outubro de 1991. (MJ)


Atualidades


PACOTE SUSPEITO NA EMBAIXADA DOS EUA JUNTO À SANTA SÉ

◊ Roma, 29 dez (RV) - Um pacote suspeito foi encontrado nesta quarta-feira, na Embaixada dos Estados Unidos junto à Santa Sé, e um esquadrão anti-bomba foi chamado imediatamente, segundo um despacho da agência de notícias Ansa.

"Trata-se de um alarme falso" – afirmou à Associted France Press, um porta-voz dos Carabineiros.

O esquadrão anti-bombas informou que no pacote havia apenas material de escritório e documentos.

A polícia italiana recebeu, durante toda a semana, alertas de pacotes-bombas em 14 sedes diplomáticas em Roma, os quais, em sua maioria, resultaram falsos.

As representações diplomáticas da capital italiana se encontram em estado máximo alerta.

Na sexta-feira passada, dois pacotes-bombas foram enviados às embaixadas do Chile e da Suíça, em Roma, ferindo dois funcionários. Outro pacote-bomba foi encontrado na Embaixada da Grécia na capital italiana.

As explosões foram reivindicadas por um grupo anarquista italiano, que se denomina Federação Informal da Anarquia (FAI).

A reivindicação estava assinada pela Célula Lambros Fountas, uma referência a um ativista de extrema-esquerda grego, morto num tiroteio com a polícia, em março de 2010. (AF)


NIGÉRIA: AGRAVA-SE BALANÇO DA VIOLÊNCIA

◊ Jos, 29 dez (RV) - Agrava-se o balanço da violência na Nigéria. De acordo com a Agência para a gestão de emergências nacionais são 86 mortos e 189 feridos na cidade de Jos, teatro, na véspera de Natal, de uma série de ataques e confrontos entre a maioria muçulmana e comunidades cristãs.

A reivindicação dos ataques foi feita ontem através da internet por uma seita islâmica, enquanto a polícia conseguiu evitar um novo massacre prendendo três pessoas prontas para colocar uma bomba em uma igreja em Jos. Entre os investigadores torna-se cada vez mais concreta a idéia de que as violências não sejam de natureza religiosa. Esta é a opinião também do Arcebispo de Jos, Dom. Kaigama que disse: “partidos e grupos manipulam a religião para esconder conflitos políticos ou econômicos”.

Na véspera do Natal na Nigéria, denominado “Natal de sangue” registrou-se uma série de atentados na cidade de Jos. Esta localidade é uma espécie de fronteira entre o norte do país com maioria muçulmana, e o sul cristão. (SP)


EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA ATINGE O NORTE DE UGANDA

◊ Kampala, 29 dez (RV) - 45 pessoas mortas e 183 contagiadas, devido a uma epidemia de febre amarela que, há quase um mês, vêm se espalhando pelo norte da Uganda. A informação é do diretor-geral do Ministério da Saúde de Kampala, Kenya Mugisha. Desde 1970 que essa doença não atingia o país.

Segundo dados oficiais, a epidemia está em 10 distritos do país africano, quase todos no norte. O governo já deu início a uma vasta campanha de vacinação, conduzida pelo Ministério da Saúde de Kampala e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A previsão é vacinar dois milhões e meio de ugandenses.

Aos estrangeiros que devem entrar no país, está sendo obrigatória a vacinação para febre amarela, pelo menos, dez dias antes de aterrissar. (ED)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Papa e Santa Sé

BENTO XVI: A IGREJA É PERSEGUIDA EM TODOS OS TEMPOS, MAS SEMPRE CONSOLADA POR DEUS

◊ Cidade do Vaticano, 27 dez (RV) - A Igreja sofre perseguições em todos os tempos, mas é sempre protegida pela consolação de Deus: foi o que afirmou Bento XVI em suas catequeses sobre São João apóstolo e evangelista, cuja festa a Igreja celebra nesta segunda-feira.

Teólogo do amor de Deus, João era o discípulo predileto de Jesus, sendo o único dentre os apóstolos a seguir o Mestre até os pés da Cruz. O Pontífice dedicou-lhe as catequeses de três audiências gerais durante o verão europeu de 2006.

A Igreja "mostrava-se indefesa, frágil", encontrava-se "sempre ameaçada, perseguida". Mas João – em suas visões em Patmos, pequena ilha do mar Egeu, na Grécia, para onde fora deportado por causa da fé – queria dar nova confiança aos cristãos, desconcertados diante de uma história que se mostrava "indecifrável, incompreensível", e pelo "silêncio de Deus diante das perseguições". Assim, no Apocalipse, conta a sua grande visão do Cordeiro que é imolado, mas permanece firme, de pé:

"Jesus, o Filho de Deus, nesta terra é um Cordeiro indefeso, ferido e morto. E, todavia, está firme, de pé, está diante do trono de Deus e é partícipe do poder divino. Ele tem em suas mãos a história do mundo. E assim o Vidente quer dizer-nos: confiem em Jesus, não tenham medo dos poderes contrastantes, da perseguição! O Cordeiro ferido e morto vence! Sigam o Cordeiro Jesus, confiem em Jesus, tomem o seu caminho! Mesmo se neste mundo não é mais que um Cordeiro que se mostra frágil, Ele é o vencedor." (Audiência Geral de 23 de agosto de 2006)

O anúncio da verdade traz consigo perseguições. João – diante do Sinédrio que o está processando junto com Pedro – não pode silenciar aquilo que viu e ouviu:

"Justamente esta franqueza ao confessar a sua fé permanece um exemplo e uma advertência para todos nós a estarmos sempre prontos a declarar com decisão a nossa inquebrantável adesão a Cristo, antepondo a fé a todo cálculo ou interesse humano." (Audiência Geral de julho de 2006)

Em João tudo parte da sua amizade com Jesus, do reclinar a cabeça no peito do Mestre, do entender que Deus é amor: e não amou com palavras, mas com os fatos porque pagou pessoalmente por nós:

"Note-se bem: não é afirmado simplesmente que "Deus ama", ou apenas que "o amor é Deus!" Em outras palavras: João não se limita a descrever o agir divino, mas vai até suas raízes... Com isso João quer dizer que o constitutivo essencial de Deus é amor e, portanto, toda a atividade de Deus nasce do amor e é caracterizada pelo amor. Tudo aquilo que Deus faz o faz por amor e com amor. Embora nem sempre possamos entender imediatamente que isso é o amor, mas é o amor verdadeiro." (Audiência Geral de 9 de agosto de 2006)

O homem é chamado a responder ao amor de Deus sem medida, como diz Jesus no mandamento novo trazido no Evangelho de São João: "Como eu vos amei, amai-vos também vós uns aos outros":

"Aquelas palavras de Jesus, "como eu vos amei", convidam-nos e, ao mesmo tempo, inquietam-nos. São uma meta cristológica que pode parecer inalcançável, mas, ao mesmo tempo, são um estímulo que não nos permite que nos acomodemos com aquilo que pudemos realizar. Não nos permite que nos contentemos com aquilo que somos, mas nos impele a permanecermos no caminho rumo a essa meta." (Audiência Geral de 9 de agosto de 2006)

"Deus é amor": essa revelação ilumina "a face obscura da história" – afirmou Bento XVI. Por isso, o sofrimento não é "a última palavra", mas é um "ponto de passagem rumo à felicidade". Por isso podemos dizer: "Vem, Senhor Jesus". (RL)


SALESIANO CHINÊS NOMEADO SECRETÁRIO DA PROPAGANDA FIDE

◊ Cidade do Vaticano, 27 dez (RV) - Bento XVI nomeou na última semana o salesiano chinês Xavier Hon Tai-Fai como novo Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, elevando-o à dignidade de arcebispo.

Nascido há 60 anos, em Hong-Kong, Padre Tai-Fai é professor de Teologia no Seminário Maior de Hong-Kong e ensinou também em outros seminários chineses. Foi responsável pela tradução chinesa do Catecismo da Igreja Católica. É membro da Comissão Teológica Internacional.

Dentro da família salesiana, desempenhou diversos cargos de responsabilidade, nomeadamente como Provincial da Província da China (que incluiu a China continental, Taiwan, Hong-Kong e Macau).

É considerado um homem de diálogo, que conhece bem a realidade da Igreja Católica na China, com toda a sua complexidade e no conjunto das suas componentes, incluindo a chamada “Igreja oficial”, fiel às autoridades de Pequim. (SP)


INFÂNCIA MISSIONÁRIA TEM NOVA SECRETÁRIA

◊ Cidade do Vaticano, 27 dez (RV) - O Cardeal Ivan Dias, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos nomeou como Secretária-geral da Pontifícia Obra da Infância Missionária a doutora Jeanne Baptistine Ralamboarison. A nova secretaria geral nasceu em 6 de maio de 1951 em Ambatondrazaka (Madagascar).

Depois dos estudos secundários em Madagascar, prosseguiu os estudos superiores e universitários na França onde se formou em direito e em línguas. Iniciou a trabalhar para a Pontifícia Obra da Infância Missionária em 1983, quando o Secretário-geral da Obra foi transferido de Paris a Roma, para o prédio de Propaganda Fide.

A nomeação, para o quinquênio 2010- 2015, tem a data de 1° de dezembro de 2010. É a primeira mulher a desempenhar esta função. A Pontifícia Obra da Santa Infância ou Infância Missionária foi fundada por Dom Charles August Marie de Forbin-Janson, bispo de Nancy (França), para educar as crianças ao espírito missionário, sensibilizando-as para as necessidades materiais e espirituais de seus coetâneos, sobretudo dos países de missão. (SP)


CARDEAL BERTONE NAS EXÉQUIAS DO NÚNCIO BULAITIS: UM SERVIDOR DA IGREJA EM LUGARES DIFÍCEIS

◊ Cidade do Vaticano, 27 dez (RV) - Realizaram-se na manhã desta segunda-feira na Igreja de Santo Estevão dos Abissínios, no Vaticano, as exéquias do Núncio Apostólico Giovanni Bulaitis. O rito fúnebre foi presidido pelo Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, e concelebrado, entre outros, pelo Prefeito emérito da Congregação para os Bispos, Cardeal Giovanni Battista Re, e pelo Cardeal Giovanni Coppa.

Em sua homilia, o Cardeal Bertone afirmou que em toda a sua vida, Dom Bulaitis "teve aquele olhar de amor que nasce de uma profunda experiência de comunhão com Cristo".

Nascido de pais de origem lituana, o Arcebispo Bulaitis fora ordenado sacerdote em 1958. Em sua longa carreira diplomática a serviço da Santa Sé trabalhou em Representações pontifícias na Coréia, no Chile, Panamá, Quênia, Sudão, Congo, Chade República Centro-Africana e Irã. Foi Núncio Apostólico na Mongólia e na Albânia.

O Cardeal Bertone ressaltou que Dom Bulaitis atuou "em muitos lugares difíceis levando a solicitude da Igreja e oferecendo os santos mistérios da Redenção a diferentes povos, com verdadeiro ânimo sacerdotal e generosa disponibilidade". (RL)


Igreja no Brasil


BRASIL: I SEMANA NACIONAL DE LUTA CONTRA O EXTERMÍNIO DE JOVENS

◊ Salvador, 27 dez (RV) - Aprofundar o debate com a sociedade e formular propostas concretas para o enfrentamento da violência serão algumas das prioridades da Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens para os próximos anos. A conclusão é resultado do seminário nacional realizado recentemente, em Salvador, que reuniu representantes de todas as regiões do país, além de organizações que apoiam a defesa dos direitos da juventude.

Na avaliação da coordenação nacional, o encontro foi muito bom na construção de novos horizontes, realizou também uma análise sobre o panorama do primeiro ano de existência da Campanha e pontuou desafios para o próximo período. O planejamento prevê para 2011 a divulgação do texto base até o mês de abril, um seminário nacional em agosto e a 1ª Semana Nacional de Luta Contra a Violência e o Extermínio de Jovens, em novembro, antecedendo o Dia Nacional da Consciência Negra.

O planejamento visa, também, a construção da marcha nacional da Campanha, programada para acontecer no mês de julho de 2012, em Brasília. Dentro da estratégia, ainda constam as atividades permanentes das Pastorais da Juventude (Semana da Cidadania, Semana do Estudante e Dia Nacional da Juventude) que terão como eixo os debates da Campanha. As ações previstas deverão contribuir para continuar sensibilizando a sociedade e denunciando o extermínio dos jovens brasileiros.

Além das atividades planejadas, outro desafio pontuado pelos participantes do seminário é o de ampliar o diálogo com as forças sociais interessadas em discutir o tema da violência e pensar formas de enfrentamento para esta questão. “Refletir sobre temas como drogas, violência praticada pela mídia, violência policial e violência doméstica, por exemplo, são fundamentais para avançarmos”, observa o membro da coordenação da Campanha, Felipe da Silva Freitas.

Lançada em novembro de 2009, a Campanha é uma iniciativa das Pastorais da Juventude do Brasil, com o apoio do Setor Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A intenção é debater as diversas formas de violência praticada contra a juventude, denunciar o extermínio de milhares de jovens no Brasil e desencadear ações que possam mudar a realidade.

Com uma taxa de até 51,7 homicídios para cada 100 mil, o Brasil é o 3º país com mais assassinatos de jovens no mundo, atrás de Colômbia e Venezuela. A conclusão consta do estudo Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil, divulgado pelo Instituto Sangari. Segundo relatório da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), no Brasil morrem por dia, em média, 54 jovens vítimas de homicídio. (MJ/CNBB)


Igreja na América Latina


HAITI: LINCHADOS SEGUIDORES DO VUDU

◊ Porto Príncipe, 27 dez (RV) - “A doença não deve nos dividir. Diante do cólera, a solidariedade e a unidade devem prevalecer”: a Comissão Episcopal Nacional ‘Justiça e Paz’ do Haiti, se pronuncia com força contra a violência que nos últimos dias tem afetado principalmente os seguidores do Vudu, acusados por grupos organizados de terem difundido a bactéria do cólera.

Segundo fontes oficiais, são pelo menos 45 as vítimas de linchamento assinaladas em várias regiões, especialmente no sudoeste da Grand'Anse. “Não é com a divisão ou com os acertos de contas que combateremos esta crise”, salienta a Comissão em uma nota divulgada pelo portal de notícias haitiano ‘Alterpresse’, pedindo ao governo a instalação de centros médicos para as pessoas que vivem no meio rural”, recordando o seu direito à saúde”.

Aos seus agentes pastorais distribuídos nas paróquias de diversas localidades da província, a Comissão recomenda promover a conscientização da população sobre a prevenção da doença, que de acordo com o último balanço do Ministério da Saúde, desde meados de outubro causou 2591 mortes e 121.518 casos de infecção.

Em uma coletiva de imprensa em Porto Príncipe, o Ministro da Cultura e da Comunicação, Marie Laurence Jocelyn Lassegue, condenou os atos de linchamento: “É absolutamente absurdo - disse - que os seguidores do Vudu sejam os responsáveis pela propagação da doença”, afirmou. (SP)


Igreja no Mundo


MENSAGEM DE NATAL DO PATRIARCA KIRILL

◊ Moscou, 27 dez (RV) - O patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias, Kirill, em sua mensagem de Natal convidou os fiéis a trabalharem juntos em favor do bem.

"Nesta noite luminosa revivemos a alegria espiritual do encontro do mundo com o seu Salvador. Tomamos consciência que a Natividade de Cristo é repleta de significado e tem um sentido imediato para o destino de todo ser humano. O nascimento de Cristo nos revela a verdade sobre nós mesmos e nos ajuda a compreender e assimilar esta verdade" – frisou Kirill.

O patriarca frisou que "o exemplo de Cristo é a orientação plena da esperança que nos ajuda a não desanimar e a encontrar o único caminho certo que conduz à plenitude da vida, tanto em nossa existência terrena quanto na eternidade".

E para seguir este caminho é necessário responder ao chamado de Deus: "Demos graças a Deus não somente com as orações e com os cantos, mas também com as boas obras para o bem de nosso próximo, para o bem de nosso povo, para o bem de nossa Igreja" – frisou Kirill.

O patriarca convidou a tornar a nossa vida uma liturgia, oração e obra comum, realizadas a fim encarnar na vida o desígnio de Deus para o mundo e para a humanidade. (MJ)


CARDEAL POLICARPO: GOVERNO TEM FEITO CONSTANTES ATAQUES À IGREJA

◊ Lisboa, 27 dez (RV) - O cardeal-patriarca de Lisboa, José da Cruz Policarpo, considera que o governo tem feito ataques constantes à Igreja e que o último episódio é o do financiamento das instituições de ensino particular e cooperativo.

Numa entrevista ao "Diário de Notícias, o purpurado afirma que o governo Sócrates está cortando verbas "onde é mais fácil", e lamenta que a Igreja não seja considerada porque "não tem poder reivindicativo para impedir tais cortes".

Segundo o cardeal-patriarca de Lisboa, "o governo ainda não assumiu plenamente, um empenho que assinou e que é o princípio concordatário da cooperação".

"Todos os problemas da relação entre o Estado e a Igreja devem resolver-se por cooperação e em função do bem comum. Acho que esse princípio não foi respeitado quando se pôs em questão o contrato de associação, do qual tomamos conhecimento pelos jornais" – sublinhou o Cardeal Policarpo. (AF)


MADRI: JOVENS SE PREPARAM PARA JMJ

◊ Madri, 27 dez (RV) - Os organizadores da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que se realizará em Madri, de 16 a 21 de agosto de 2011, estão promovendo uma série de filmes para preparar os jovens a esse evento.

O objetivo da iniciativa é fazer com que os jovens aprofundam os temas tratados nos filmes e encontros com diretores de cinema, para preparar juntos as jornadas e transformar os participantes em protagonistas do encontro.

Na expectativa da próxima JMJ a capital espanhola será palco de um ciclo de encontros dedicados ao cinema. "A partir do próximo dia 29, serão projetados filmes sobre a vida de pessoas que responderam ao chamado de Deus a fim de mostrar como a fé iluminou suas vidas e os ajudou a enfrentar com força e esperança as dificuldades, problemas, desilusões e insucessos" – explicou a responsável do setor Cinema da JMJ, Teresa Ekobo.

O primeiro encontro dos jovens se realizará no cinema Paz de Madri, que apresentará o filme "Cartas ao Padre Jacó". O filme conta a amizade entre Pe. Jacó e Leila, uma ex-prisioneira que ajuda o idoso sacerdote na leitura de suas cartas.

No decorrer da história, exalta-se o valor da oração como maior ato social que o ser humano é capaz de realizar. (MJ)


NATAL NA VISÃO DE CRISTÃOS E MUÇULMANOS

◊ Lisboa, 27 dez (RV) - O Natal vivido na Europa ou nas “Américas ‘pagãs’ e consumistas” e no “Médio Oriente majoritariamente muçulmano” é vivido com “uma grande analogia”: “em ambos os mundos se vive o verdadeiro cristianismo em contexto ‘minoritário’”.

Para Adel Sidarus, cristão originário do Egito, docente e investigador universitário e residente em Portugal, a “mensagem natalícia num meio muçulmano” enfrenta uma cultura onde impera uma imagem do divino “essencialmente transcendente e onipotente” e em que “a crença no Filho de Deus feito homem soa como politeísmo e blasfêmia, passível de retaliação violenta”.

No artigo que redigiu para o dossiê “Natal” do semanário da Agência ECCLESIA, o professor universitário assinala que no Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, Jesus é tido como “um profeta muito particular”, um “espírito” de Deus que foi “soprado” no seio da Virgem Maria.

Para o mundo do Islã, refere o autor, “o Natal é simplesmente a comemoração do nascimento desse profeta ‘misterioso’”.

À semelhança do Natal cristão, o nascimento de Cristo no universo muçulmano celebra “o mistério do amor que liga o Deus-Criador, transcendente e onipotente, à sua humilde e ‘infanta’ criatura”. Ao mesmo tempo que lança um convite à rejeição da “vaidade”, “orgulho”, “prepotência” e “violência”, a festa destaca a “bondade”, “solidariedade” e “confiança na misericórdia de Deus”.

Adel Sidarus lembra que, para os muçulmanos, Jesus e a sua mãe foram as “únicas criaturas” geradas sem “‘serem tocadas por Iblís (o Diabo)’”, crença que evoca o dogma da Imaculada Conceição, comemorado pela Igreja Católica no dia 8 de dezembro.

“Há que frisar – destacou Adel - que os muçulmanos acreditam, desde os inícios do século VII, na “imaculada concepção” da Virgem Maria, isto é, mais de doze séculos antes da proclamação católico-romana do respectivo dogma (1854)”. (SP)

© Rádio Vaticano 2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

Sl 96, 1 e 6.11-12

Brilha hoje uma luz sobre nós:
pois nasceu para nós o Senhor.
Deus é Rei! Exulte a terra de alegria,*
e as ilhas numerosas rejubilem!
E proclama o céu sua justiça,*
todos os povos podem ver a sua glória. R.

Uma luz já se levanta para os justos,*
e a alegria, para os retos corações.
Homens justos, alegrai-vos no Senhor,*
celebrai e bendizei seu santo nome! R.

Com todos os homens de boa vontade proclamemos:


"Feliz Natal: Hoje nasceu para nos, Jesus, o Salvador."


Blog do Ivson
Papa e Santa Sé


MENSAGEM "URBI ET ORBI" DE BENTO XVI: NATAL É MOTIVO DE ESPERANÇA PARA TODO HOMEM

◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Ao meio-dia deste sábado Bento XVI assomou ao Balcão central da Basílica Vaticana para a tradicional Mensagem natalina e a oração "Urbi et Orbi" (à cidade de Roma e ao mundo).

Transmitida em mundo-visão, milhões de fiéis do mundo inteiro somaram-se aos milhares de presentes na Praça São Pedro para ouvir a mensagem do Santo Padre, que fez suas felicitações natalinas em 65 línguas.

O nascimento de Jesus é motivo de esperança para todos os homens, sobretudo para aqueles que veem ofendida a própria dignidade: foi o que afirmou o Pontífice em sua tradicional Mensagem de Natal.

O Papa elevou um veemente apelo em favor da paz – violada em muitas áreas do mundo – e dirigiu palavras de encorajamento aos cristãos perseguidos, em particular na China. Em seguida, fez as felicitações natalinas em 65 línguas e concedeu a Bênção "Urbi et Orbi". Apesar da chuva, muitos fiéis e peregrinos acorreram com entusiasmo à Praça São Pedro para ouvir o Pontífice.

"O Verbo se fez carne". Dirigindo-se ao mundo inteiro, Bento XVI anunciou com alegria a mensagem extraordinária do Natal e expressou particular proximidade àqueles que sofrem por causa de guerras e catástrofes naturais, e aos perseguidos por sua fé em Jesus Cristo.

Deus – ressaltou – "veio habitar no meio de nós", "Deus não está distante". Não é um desconhecido, mas "tem um rosto, o rosto de Jesus":

"Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um fato sucedido, que testemunhas críveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré!"

Diante da revelação de que o Verbo se fez carne – constatou o Pontífice – "ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e onipotente tornar-se um homem frágil e mortal?"

"Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo."

Na realidade – observou o Papa – Deus não muda, é fiel a Si mesmo: Deus não muda, Ele é Amor desde sempre e para sempre. É em Si mesmo Comunhão, Unidade na Trindade e toda sua obra e palavra busca a comunhão. E a encarnação, portanto, é o ápice da criação:

"«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também."

"A encarnação do Filho de Deus – acrescentou – é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a":

"Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração."

O nosso coração – destacou Bento XVI – busca justamente uma Verdade que é Amor. "Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena." O Reino de Deus – observou o Santo Padre – "não é deste mundo, e, todavia, é mais importante do que todos os reinos deste mundo".

"É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça."

"Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história – prosseguiu – é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições". Natal é então motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio libertar o homem da raiz de toda escravidão:

"A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelenses e Palestinos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provações as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Oriente Médio, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efetiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera."

Bento XVI pediu também por aqueles que "na Colômbia e na Venezuela, mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais". Invocou a paz e o respeito pelos direitos humanos onde estes são violados:

"O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana."

Em seguida, Bento XVI dirigiu seu pensamento àqueles que são discriminados por seu testemunho evangélico. A celebração do nascimento do Redentor – foram os votos do Papa – reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental:

"Para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos."

Após a mensagem tiveram, então, lugar as referidas saudações de Natal em 65 línguas, começando do italiano e concluindo com o latim. Eis a afetuosa felicitação de Bento XVI aos povos de língua portuguesa:

"Feliz Natal para todos! O nascimento do Menino Jesus ilumine de alegria e paz vossos lares e Nações!"

Após a fórmula da indulgência plenária, o Santo Padre concluiu a mesma concedendo a todos a sua Bênção. (RL)


BENTO XVI NA MISSA DO GALO: DEUS NOS AMA A FIM DE QUE TAMBÉM NÓS POSSAMOS AMAR

◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Deus se fez frágil como uma criança para mostrar ao mundo a sua fortaleza e vem ao mundo para instituir ilhas de paz. Foi o premente pensamento expresso por Bento XVI na noite desta sexta-feira, na Missa do Galo celebrada na Basílica de São Pedro. Esteve no centro da homilia do Santo Padre também o chamado à verdadeira fraternidade criada por Deus, que nos ama a fim de que também nós possamos amar.

Durante a celebração rezou-se pelo ministério petrino, pelo respeito à dignidade de toda pessoa, desde a concepção até seu fim natural e por uma pacífica convivência entre os povos.

Eram quase 22h locais quando, na Basílica Vaticana, foi entoada a "Kalenda", o antiquíssimo hino que anuncia ao mundo o nascimento de Jesus. E o verdadeiro Natal começa daí, daquele Rei menino "nascido pela decisão pessoal de Deus" – disse o Papa – e que, portanto, "constitui uma esperança" porque o futuro se apóia n'Ele, "a promessa de paz":

"Este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus."

É a humildade sublime de Deus que se inclina ao homem – continuou o Pontífice – porque na noite de Belém se cumpre a profecia num modo imensamente maior do quanto os homens pudessem intuir:

"Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz."

Em toda geração – afirmou Bento XVI – Deus constrói o seu reino "a partir do coração" e acende nos homens "a luz da bondade", dando-lhes "a força de resistir à tirania do poder". Mas hoje persistem os algozes – ressaltou o Papa – os passos dos soldados ressoam e vemos ainda vestes manchadas de sangue. A esse ponto de sua reflexão, a homilia do Santo Padre tornou-se uma oração:

"Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de «uma paz sem fim» (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o «reino da justiça, do amor e da paz»."

Recordando, em seguida, o antigo significado do termo "primogênito", ou seja, o "daquele que pertence a Deus de modo particular e é destinado ao sacrifício", o Pontífice ressaltou como, na Cruz, Jesus oferecera a humanidade a Deus, de modo que "Deus seja tudo em todos":

"Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus."

E mais uma vez o Papa elevou uma oração:

"Senhor Jesus, (…) dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família."

"Quem vislumbra Deus sente alegria" – continuou o Papa –
porque Deus nos ama, nos espera e suplica a nossa resposta no nascimento de seu Filho:

"Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra."

Ao término da celebração, algumas crianças levaram a imagem de Jesus Menino ao Presépio montado dentro da Basílica Vaticana. E, diante do Presépio, o Papa recolheu-se em silenciosa oração. (RL)


Formação


REFLEXÃO SOBRE A LITURGIA DA MISSA DA NOITE DE NATAL

◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Celebrar o nascimento de Jesus é celebrar a certeza de que os tempos sombrios passaram e a luz, a alegria, a Vida chegaram para sempre, para estarem conosco além do final dos tempos. O Sol nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna veio e iluminou os que jaziam entre as trevas e, na sombra do pecado e da morte, estavam sentados.

A primeira leitura da Missa da Noite, extraída de Isaías, fala para os oprimidos, subjugados pelo sofrimento e morte. Para eles brilhou uma luz, e a esperança que parecia morta ressurgiu anunciando a chegada de um tempo de paz e de felicidade. É a nova criação! Deus organizou o caos e fez a luz! A base dessa esperança e garantia dessa luz é o nascimento de uma criança, Príncipe da Paz. Ele exercerá e consolidará a justiça, defenderá o povo, os pobres e os oprimidos.

No Evangelho, Lucas nos fala do nascimento de uma criança, cujos pais, apesar de descenderam de família nobre, são pobres migrantes que não são aceitos em casa de parentes e em nenhum lugar e são obrigados, pela necessidade, a se instalarem em um abrigo usado para proteger animais.

Os pais dessa criança moram em Nazaré, mas por ordem do imperador foram obrigados a viajar para Belém, para o recenceamento apesar do estado adiantado da gravidez de Maria. Do mesmo modo, o pai putativo da criança, José, possui em sua terra uma profissão, é carpinteiro. Contudo, tanto o enxoval preparado com muito carinho pela futura mamãe, como o bercinho, feito com todo amor pelo papai José, tiveram de ser deixados em Nazaré e o casal só viajou com o estritamente necessário porque eram pobres.

Imaginemos o estado dos pés de José, caminhando 150 km para obedecer a ordem de César Augusto. Imaginemos seu coração preocupado em instalar decentemente sua esposa grávida, como atendê-la na hora do parto? Como providenciar o necessário?

Passemos também para o coração de Maria. Que transtorno no final da gravidez! Isabel, cuja gravidez se desenvolveu em idade avançada, teve paraentes oara ajudá-la, inclusive ela, Maria, estava lá. Agora se encontram sómente ela e José, mas Deus providenciará tudo, afinal, Ele é o Pai da criança.

Reflitamos sobre o para que desse transtorno em duas vidas que já haviam se entregado a Deus, já haviam permitido ao Senhor interferir em suas vidas, em mudá-las de uma situação tranquila, convencional, para uma situação conflitante, difícil.

O Senhor ama muito Maria e José e confia muitíssimo neles. Por isso os escolheu para serem agentes importantíssimos de seu plano de redenção do mundo. Deus não apenas pediu aos dois para serem pais de Seu Filho, mas desejou que eles colaborassem também na missão do Filho. Jesus veio nos redimir na pobreza, na obediência, e sendo plenamente homem. Jesus nasce sob o governo de ditadores, em uma terra subjugada, filho de um casal sem posses, perseguido por ser amaeça aos poderosos. Ele quis ser pobre desde o início de sua vida mortal, quis viver a vida da maioria das pessoas comuns.

Sabendo ler a mensagem do Senhor nesses acontecimentos, podemos apreender o que Ele quer nos dizer, ou seja, que a salvação não virá dos poderosos, já que eles dominam e oprimem e nem da Roma poderosa, mas de Belém – na perifieria do mundo – e de uma criança, filha de pessoas pobres. Considerando a leitura de Isaías, reconhecemos no Filho de Maria e de José o menino cujo nascimento redentor ele anunciou.

Os anjos irão anunciar esse evento a outro grupo de marginalizados, os pastores, e o fazem cantando glória a Deus e saudando aqueles que vivem no benquerer de Deus. Os pastores se dirigem ao lugar indicado pelos anjos e encontram o Senhor em um ambiente familiar a eles que cuidam de animais. A pobreza do Senhor é o sinal de fraternidade, de partilha do modo de ser, é a salvação que se aproxima dos pobres na fragilidade de uma criança pobre.

Por fim a Carta a Tito nos fala que “A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação a todos os homens”. Deus, em sua sabedoria, não nos tira de situações adversas, mas nos liberta dentro dessas situações. O mundo em que vivemos é um mundo cheio de pecados, de arrogância, de consumismo, de puxação de tapete. É aí, - nesse ambiente que abre as portas ao opressor, ao poderoso, ao rico e as fecha ao pobre, ao humilde - que o Senhor nos pede viver sua mensagem de paz, de benquerer, de não apenas ser solidário ao pobre, mas viver como pobre, como Ele viveu e morreu. Cristo teve como berço uma mangedoura e como leito de morte, uma cruz entre dois bandidos. Ele nos pede romper com os esquemas de uma sociedade injusta e opressora e que nos comprometamos com a liberdade e a vida para todos os homens.

É Natal! Nasceu a criança predita por Isaías, o redentor dos pobres, dos oprimidos. Nós que cremos em sua mensagem de amor e de paz, deveremos viver neste mundo de modo coerente com nossa fé, sendo para todos os homens um sinal forte e eloquente como a estrela de Belém. Lembremos todos do Senhor, todos aqueles que são benquistos por Ele. Construamos um mundo novo, baseado no perdão e na fraternidade. Não importa nossa pequenez, nossa fragilidade. É em nossa fraqueza que o Senhor mostrará o Seu poder. Importa seguir os apelos amorosos do Senhor e anunciar ao mundo o Natal de uma nova sociedade.

Feliz Natal!

Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.


NATAL E ACOLHIMENTO

◊ Rio de Janeiro, 25 dez (RV) - O Natal celebra o grande mistério da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, o filho de Deus, em nossa história! A salvação prometida por Deus aos homens, em sua mensagem aos patriarcas e profetas, torna-se realidade concreta com a vinda de Jesus Cristo. Deus cumpriu a sua promessa!
A revelação nos apresenta Jesus como “Emanuel, isto é, o Deus conosco”. O nosso companheiro de jornada, de história. Assim, Jesus não é um ser do passado, não é uma saudosa memória ou ideia do passado. É uma pessoa viva, concreta e atuante em nossa vida e em nossa história. O nascimento histórico de Jesus em Belém é sinal do nosso misterioso nascimento à vida divina. Pela encarnação de Jesus, o homem é divinizado. “Jesus, o Filho de Deus, é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem”.
O Natal questiona o nosso acolhimento, pois, “Não havia lugar para ele na hospedaria” (Lc. 2,7). Como outrora, hoje também há muitas pessoas fechadas para realizar a experiência do encontro com Jesus Cristo. O mistério da existência humana só se explica e se esclarece no mistério de Jesus Cristo, Filho de Deus, única fonte e verdadeira paz, alegria e felicidade. Perguntamos: Há lugar para Ele na sua vida, na sua família, na sua casa, no seu ambiente de trabalho?
O Natal é a festa da solidariedade! Jesus se faz pobre, nascendo na gruta em Belém, para solidarizar-se com os pobres e ser a esperança de libertação dos sofredores deste mundo. Os primeiros a irem ao encontro de Jesus foram os pobres e humildes Pastores
O Natal é também a grande festa da solidariedade universal. É comemorado em todo o mundo, até mesmo onde a população cristã é minoria. É uma data que se reveste de uma certa ternura e magia, despertando nas pessoas sentimentos muitas vezes adormecidos, como: alegria, amizade, confraternização, solidariedade, caridade, gestos de bondade e reconciliação. Estes sentimentos são frutos maravilhosos do clima de Natal, que marcam e enobrecem nossas vidas.
A liturgia do Natal é muita rica, e só nesse dia temos quatro celebrações eucarísticas: a Missa vespertina da Vigília (dia 24), a Missa da noite (por volta da meia noite do dia 24, denominada “missa do galo”), a Missa da aurora (alvorecer do dia de Natal) e a Missa “do dia” da festividade (dia 25).
Denominamos oitava de Natal o tempo litúrgico que vai do Natal até a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. É um desdobramento, por oito dias, da alegria do Natal. Uma espécie de festa de aniversário prolongado. A outra solenidade é a Festa da Epifania, conhecida como “dos reis magos” dentro do tempo de Natal, que se conclui com a festa do Batismo do Senhor.
Recordemos também alguns símbolos que nos recordam o Natal: Presépio – popularizado por S. Francisco de Assis em 1223; Árvore de Natal – representa nova árvore da vida, que é o Deus menino nascido em Belém; Troca de presentes – que recorda o maior presente dado pelo Pai aos homens, que é o seu filho; Presentes dos Magos – incenso, símbolo da divindade (Jesus é filho de Deus), ouro, símbolo da realeza (Jesus é Rei dos Reis), mirra, sofrimento (Jesus é o eterno servo sofredor de Javé); Estrela de Belém – é símbolo da visita salvadora de Jesus para toda a humanidade (Jesus é para todos – universalidade da salvação).
Celebrar o Natal é renovar o encontro com a adorável pessoa de Jesus, o esplendor da luz de Deus, que veio para iluminar os homens! Lembremos que uma vida renovada e reconciliada é a melhor maneira de celebrar o Natal.
Pensemos: quais são as nossas motivações natalinas? É a celebração do encontro pessoal com Jesus Cristo na oração, na eucaristia, na meditação, na reconciliação, no encontro com o próximo? O evangelista Lucas nos diz: “Não havia lugar para ele na hospedaria” (Lc 2, 7). Há lugar para Ele na sua vida? Na sua família? Na sua casa? No seu ambiente de trabalho?
Acolhamos com alegria o divino salvador. Natal é vida que nasce! Natal é convite para o homem trilhar o caminho da retidão, do amor ao próximo e da compreensão com seus semelhantes. Vamos adorar o rei dos reis neste Natal!
Que o menino-Deus derrame ricamente suas graças e bênçãos sobre todas as nossas famílias.

† Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Atualidades


MENSAGEM URBI ET ORBI DE SUA SANTIDADE BENTO XVI

◊ «Verbum caro factum est – o Verbo fez-Se carne» (Jo 1, 14).

Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo inteiro, é com alegria que vos anuncio a mensagem do Natal: Deus fez-Se homem, veio habitar no meio de nós. Deus não está longe: está perto, mais ainda, é o «Emanuel», Deus-connosco. Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de Jesus.
Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um facto sucedido, que testemunhas credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus actos e escutando as suas palavras, reconheceram em Jesus o Messias; e, ao vê-Lo ressuscitado, depois que fora crucificado, tiveram a certeza de que Ele, verdadeiro homem, era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigénito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14).
«O Verbo fez-Se carne». Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e omnipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo.
Na realidade, Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo. Aquele que criou o mundo é o mesmo que chamou Abraão e revelou o seu próprio Nome a Moisés: Eu sou Aquele que sou… o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob… Deus misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade (cf. Ex 3, 14-15; 34, 6). Deus não muda: Ele é Amor, desde sempre e para sempre. Em Si mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e palavra sua tem em vista a comunhão. A encarnação é o ápice da criação. Quando no ventre de Maria, pela vontade do Pai e a acção do Espírito Santo, se formou Jesus, Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu vértice. O princípio ordenador do universo, o Logos, começava a existir no mundo, num tempo e num espaço.
«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor, são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também. A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a. Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração.
E que procura, efectivamente, o nosso coração, senão uma Verdade que seja Amor? Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena.
«O Verbo fez-Se carne». O anúncio do Natal é luz também para os povos, para o caminho colectivo da humanidade. O «Emanuel», Deus-connosco, veio como Rei de justiça e de paz. O seu Reino – bem o sabemos – não é deste mundo, e todavia é mais importante do que todos os reinos deste mundo. É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça. Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história, é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições; é motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.
A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelitas e Palestinianos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provas as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Médio Oriente, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efectiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera. Igualmente não sejam esquecidos aqueles que, na Colômbia e na Venezuela mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais.
O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana.
A celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental, para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.

Queridos irmãos e irmãs, «o Verbo fez-Se carne», veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproximou de nós. Contemplemos, juntos, este grande mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para todos!

© Rádio Vaticano 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Papa e Santa Sé


BENTO XVI SOBRE O NATAL: HÁ DOIS MIL ANOS A NOVIDADE DE UM ENCONTRO COM O SENHOR DEUS-MENINO

◊ Cidade do Vaticano, 23 dez (RV) - Reencontrar a "disposição do coração" que permite viver a essência do Natal. O encontro com Aquele que vem morar no meio de nós: Cristo Jesus, o Filho de Deus feito homem". Com essas palavras, Bento XVI explicara – na audiência geral desta quarta-feira – a atitude com a qual os cristãos devem se predispor ao Natal.

Trata-se do tema do encontro do homem com o Senhor Deus-Menino, que o Papa reiteradas vezes abordou em suas reflexões sobre a Natividade, como destacamos a seguir.

Em todo Natal é a mesma história, mas não a história que começou uma noite de dois mil anos atrás, em Belém. Em todo Natal o que normalmente nasce é a vontade de concluir um ano o mais possível sem preocupações, e nisso o ímpeto comercial do Natal se oferece como um lugar ideal sempre fascinante e, francamente, sempre igual a si mesmo.

O Natal de dois mil anos atrás não tinha nenhuma marca autocelebrativa, se se excetua uma bonita estrela despontada no céu. E foram realmente poucos os que intuíram encontrar-se no alvorecer de um novo mundo, onde o céu e a terra se haviam há pouco tocado.

Um fato simples e claro, narrado pelos Evangelhos, demonstra o que realmente se deu naquela que Bento XVI definiu na audiência geral desta quarta-feira como sendo "a noite do mundo": deu-se um encontro.

Um encontro entre um recém-nascido e um grupo de pastores, uma humilde amostra da raça humana, onde o Deus Menino fez amizade com aqueles para os quais viera e pela primeira vez os homens contemplaram, sem sabê-lo, Aquele que os haveria de salvar.

Então, para celebrar realmente o Natal não há alternativa: é preciso chegar a esse encontro, silenciando o barulho e o stress festivo em vista de um Nascimento que não é uma marca, mas um mistério, o qual correria o risco de passar inobservado:

"Deus mostra-se a nós humilde "criança" para vencer a nossa soberba. Talvez nos rendêssemos mais facilmente diante da potência, diante da sabedoria; mas Ele não quer nossa rendição; Ele apela ao nosso coração e à nossa livre decisão de aceitar o seu amor. Fez-se pequeno para libertar-nos daquela pretensão humana de grandeza que brota da soberba; livremente encarnou-se para tornar-nos verdadeiramente livres, livres de amá-lo." (Audiência Geral, 17 de dezembro de 2008)

Todavia, há quem rejeite a liberdade de amar aquela Criança: por calculado desprezo ou soberana indiferença e todo outro sentimento que possa existir. Não obstante o anseio por esse encontro jamais tenha desaparecido dos corações:

"De certo modo a humanidade espera Deus, a sua proximidade. Mas quando chega o momento, não há lugar para Ele. Encontra-se tão ocupada consigo mesma, precisa de todo o espaço e de todo o tempo de modo muito exigente para os próprios afazeres, de modo que não sobra nada para o outro – para o próximo, para o pobre, para Deus." (Missa da Noite de Natal, 25 de dezembro de 2007)

Mas Deus – afirmou Bento XVI – não se deixa fora desse encontro. "O mistério de Belém revela-nos o Deus conosco, o Deus próximo a nós, não simplesmente em sentido espacial e temporal; Ele nós é próximo porque "desposou", por assim dizer, a nossa humanidade":

"Portanto, a alegria cristã brota desta certeza: Deus se faz próximo, está comigo, está conosco, na alegria e na dor, na saúde e na doença, como amigo e esposo fiel. E essa alegria permanece também na provação, no próprio sofrimento, e permanece não na superfície, mas no profundo da pessoa que se entrega a Deus e n'Ele confia." (Angelus, 16 de dezembro de 2007)

Os cristãos, que mais que os outros deveriam ser capazes de trocar o rumor pelo silêncio da gruta de Belém, são convocados, ano após ano, a renovar o encontro, tendo a "justa disposição do coração" – repetiu o Papa na Audiência Geral desta quarta-feira:

"Cabe a nós abrir, escancarar as portas para acolhê-lo. Aprendamos de Maria e José: coloquemo-nos com fé a serviço do desígnio de Deus. Embora não o compreendamos plenamente, confiemo-nos à sua sabedoria e bondade. Busquemos, em primeiro lugar, o Reino de Deus, e a Providência nos ajudará. Bom Natal a todos!" (Angelus, 20 de dezembro de 2009) (RL)


Igreja na América Latina


CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE EM FAVOR DOS SALESIANOS DO HAITI

◊ Porto Príncipe, 23 dez (RV) - "O Haiti chama para reconstruir" é o slogan de uma nova campanha de solidariedade promovida pela Fundação Dom Bosco no Mundo em favor da obra salesiana na cidade haitiana de Cap Haitien.

O projeto prevê a reestruturação do teto da escola de ensino fundamental, a consolidação da estrutura e o apoio nas atividades educacionais, de formação e alojamento do centro que, como outras estruturas salesianas do Haiti, oferece comida aos alunos e trabalho a muitos leigos.

A campanha é feita juntamente com o tradicional "Concerto de Natal" que será transmitido pela Rai 2 (Rádio Televisão Italiana), na noite de 24 de dezembro. O Concerto de Natal foi acolhido pelo Governo de Malta, que nos meses passados contribuiu para a causa salesiana no Haiti.

O terremoto de 12 de janeiro passado afetou os salesianos presentes no Haiti desde 1935. Morreram 3 salesianos e outras 250 pessoas entre alunos e professores de suas escolas. Muitos institutos foram seriamente danificados e não podem ainda ser utilizados. (MJ)


PERU: PASSIONISTA ABSOLVIDO PELA JUSTIÇA

◊ Roma, 23 dez (RV) - O missionário passionista, Padre Mario Bartolini, e o diretor da “Rádio Oriente”, o jornalista Geovanni Achate, foram absolvidos pelo Tribunal peruando de Yurimaguas, Província do Alto Amazonas. Eles foram acusados de incitar a população indígena à rebelião contra o Estado durante os protestos do ano passado, das comunidades amazônicas que reivindicam seus direitos. Trata-se de uma sentença de absolvição que se encaixa bem no espírito do Natal, como destacou à Rádio Vaticano o Superior Geral dos Passionistas, Padre Ottaviano de Egídio.

“Esta absolvição – destacou o sacerdote - é um sinal de novo nascimento e o Natal é o cenário para esta sentença. E liberatória seja para a Congregação Passionista, que para o povo e para os bispos da região que colaboraram muito e que estiveram próximos ao Padre Mário e ao povo local. Então, a notícia é uma grande alegria.

Sobre o que pode mudar para a Região Amazônica com essa absolvição, Padre Egídio afirma que os povos da Amazônia esperavam por esta absolvição, porque a situação é muito precária e muito difícil, com algumas empresas multinacionais que invadiram os territórios. E a situação tornou-se muito pesada, também para pequenos agricultores, aos quais o Padre Mário deu o seu apoio.

“Agora, finalmente, com a sentença, com a absolvição, - destacou o Padre Egídio - têm-se uma direção a seguir. Certamente as coisas continuam complicadas, porque o Estado tem contratos com grandes corporações internacionais. Eu não sei, então, quanto essa sentença possa influir sobre a mudança de política. O testemunho do Padre Márioi, - finalizou o Superior Geral dos Passionistas - junto com o povo e seus paroquianos, é uma ajuda importante para a conservação deste patrimônio, que é a Amazônia. (SP)


Igreja no Mundo


IMAGEM DE GUADALUPE JUNTO COM O SANTO SUDÁRIO

◊ Turim, 23 dez (RV) - O Centro Mexicano de Sindonologia informou que no último dia 12 de dezembro foi entronizada na igreja do Santo Sudário em Turim, norte da Itália, um fac-simile do manto indígena onde está impressa a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, cujo original se encontra na basílica mexicana.

O dia 12 de dezembro “passará para a história como a data em que se irmanaram as devoções a Jesus em sua imagem do Santo Sudário e a sua Bendita Mãe em sua imagem de Guadalupe na humilde manta de São João Diego”, afirmou Adolfo Orozco Torres, presidente do Centro Mexicano de Sindonologia.

“Graças a Guillermo Ferrer, membro da ‘União de Vontades’ e por iniciativa do Centro Mexicano de Sindonologia”, informou Orozco, entregou-se no dia 5 de maio a réplica da imagem guadalupana à Comissão Diocesana de Turim. “O então Arcebispo de Turim, Cardeal Severino Poletto decidiu que fosse colocada na Igreja do Santíssimo Sudário”, relatou ele.

Graças a esta iniciativa, indicou, estão juntas no mesmo templo “as duas imagens mais importantes e representativas em nível espiritual de nossa salvação”.

No Santo Sudário “temos as marcas do imenso sacrifício com que Jesus nos resgatou do pecado” e na imagem Mariana se materializa o presente da maternidade de Maria que Cristo deu aos homens na Cruz. “ Agora – afirmou -, o Filho a recebe em sua casa de Turim”. (SP)


BELÉM: RETIRADA A CRUZ DAS LEMBRANÇAS

◊ Belém, 23 dez (RV) - Neste Natal em Belém, a cruz foi retirada das lembranças dos turistas e peregrinos que visitam a Terra Santa. Algumas oficinas têxteis de Jerusalém e Hebron começaram a imprimir e vender camisetas que representam a Igreja da Natividade de Belém sem a cruz. Por causa do crescimento do fundamentalismo islâmico nos territórios palestinos, a cruz também foi removida das camisetas dos times de futebol.

Entrevistado pela agência AsiaNews, Samir Qumsieh, jornalista e diretor da estação de televisão católica Al-Mahed Natividade, de Belém, disse: “Eu quero lançar uma campanha para convidar as pessoas a não comprar esses produtos porque a retirada da cruz das lembranças é uma intimidação aos cristãos; é como afirmar que Jesus nunca foi crucificado”.

Como todos os anos, milhares, entre autoridades, fiéis e turistas de todo o mundo estarão presentes na noite de 24 de dezembro, na Igreja da Natividade em Belém para a missa da meia-noite. Será celebrada pelo Patriarca Latino de Jerusalém, e contará com a presença das máximas autoridades palestinas.

Samir disse ainda que a população está vivendo estes dias com alegria, mas a situação dos cristãos ainda é dramática. Segundo o jornalista, o diálogo dos últimos anos entre muçulmanos, cristãos e judeus não mudou a situação. Ele disse que “as pessoas fogem porque não há trabalho e o controle israelense dificulta seus movimentos”.

Outros fatores são os problemas internos da Palestina, como o confronto entre Hamas e Fatah, que tem implicações sobre a situação econômica. Samir destaca que de 2002 a 2010, a população cristã de Belém diminuiu de 18 mil para 11 mil fiéis. Vivem em Jerusalém apenas 15.400 cristãos, 2% da população, conforme relatado em um estudo do Instituto Jerusalém para Estudos de Israel. Eles são 50% a menos do que os 31 mil residentes registrados em 1948, quando os cristãos representavam 20% da população da cidade.

O jornalista explica que, se o êxodo continuar, não haverá mais católicos na Terra Santa e que um dia a Igreja da Natividade, poderia ser transformada em um museu. (SP)


APELO À COMUNIDADE INTERNACIONAL EM FAVOR DOS CRISTÃOS NO IRAQUE

◊ Bagdá, 23 dez (RV) – Muitos gestos de solidariedade para com os cristãos no Iraque têm sido empreendidos por diversas instituições no mundo. Uma iniciativa conjunta de diversos líderes de diferentes religiões junto com a "Open Doors", uma organização cristã britânica que dá assistência aos cristãos perseguidos em diferentes países, está tentando mobilizar a comunidade internacional.

Segundo os organizadores dessa iniciativa, os cristãos no Iraque estão vivendo em condições de precariedade e insegurança, de forma que a presença cristã no Iraque está correndo risco. Eles informam que, desde 2003, milhões de cristãos já foram obrigados a deixar seus lares.

O presidente da Organização, Carl Moeller, declarou que não se pode ficar indiferente diante da violência e que os cristãos têm o direito de serem defendidos e protegidos. “Por isso – ressaltou – chamo a atenção da comunidade internacional para o que está acontecendo no Iraque, e peço que não sejam subestimadas as tentativas de grupos organizados que estão agindo para eliminar o cristianismo do país – concluiu.”

De acordo com a "Open Doors", o que está acontecendo com os cristãos no Iraque hoje é um "dejà-vu" do que aconteceu com os judeus do Iraque no passado. O presidente dessa Organização nos Estados Unidos pediu ao congresso que aprove a resolução 1725, a qual prevê a condenação pública aos ataques contra os cristãos no Iraque, e solicitou também ao governo que reforce a colaboração com os líderes iraquianos, a fim de garantir mais segurança a todas as minorias religiosas. (ED)


ESCOLAS DOS JESUÍTAS CONTINUAM CRESCENDO NO NEPAL

◊ Katmandu, 23 dez (RV) - Os jesuítas continuam expandindo seu apostolado educacional no Nepal, sessenta anos depois da abertura de sua primeira escola no país.

Foi recentemente inaugurado o quarto andar na Escola São Francisco Xavier, na capital do país, Katmandu, administrada pela Companhia de Jesus.

A cerimônia de inauguração foi presidida pelo vigário apostólico do Nepal, Dom Anthony Francis Sharma, que disse: "a cor vermelha de minha estola recorda os sacrifícios de muitos benfeitores, pais, professores, alunos e jesuítas, que possibilitaram a realização do lema da escola que é Viver para Deus, trabalhar pelo Nepal" – frisou o prelado.

O edifício é um dos maiores do seu gênero em toda a nação. Nascido como escola para rapazes, há dez anos começou a admitir moças. Em 1999, os jesuítas abriram outras duas novas escolas no leste do Nepal, a 10 km do confim com a Índia, frequentadas por filhos de famílias mais pobres.

Está prevista uma nova expansão do apostolado educacional na cidade de Pokhara, onde os jesuítas recentemente compraram vários hectares de terreno. (MJ)


FRANÇA: MENSAGEM AOS CRISTÃOS PERSEGUIDOS

◊ Paris, 23 dez (RV) - O Conselho de Igrejas Cristãs da França escreveu uma mensagem de Natal dedicada, este ano, "aos cristãos perseguidos, seqüestrados, aprisionados, torturados e obrigados a deixar seus países por causa da fé".

A mensagem foi assinada pelo Arcebispo de Paris, Cardeal André Vingt-Trois, por parte da Igreja Católica, pelo Pastor Claude Baty, para as Igrejas Protestantes, e pelo Metropolita Emmanuel, para as Igrejas Ortodoxas.

"O atentado ocorrido em 31 de outubro passado contra a catedral sírio-católica, em Bagdá, não é um caso isolado. Vários cristãos de todas as confissões foram vítimas de ameaças e ataques. Em muitos países, as perseguições são também consequências de leis discriminatórias e muitas vezes os crimes são cometidos por motivos religiosos na indiferença das autoridades" – frisa a mensagem.

"A vocês, irmãs e irmãos perseguidos – lê-se na nota – queremos reiterar o nosso apoio e a nossa comunhão espiritual. Somos uma só família em Cristo. Saibam que não nos esquecemos de vocês".

Na mensagem, os líderes cristãos da França fazem um apelo para que o sofrimento dos cristãos em várias partes do mundo tenha fim, para que as autoridades intervenham contra as agressões e considerem os cristãos verdadeiros cidadãos de seus países. (MJ)


Formação

NATAL, JESUS NO MEIO DE NÓS

◊ Rio de Janeiro, 23 dez (RV) - “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória” (Jo 1,14). Estas palavras, tiradas do Prólogo de São João, resumem de modo estupendo o que chamamos de Encarnação: o fato de o Filho eterno do Pai, Deus vindo de Deus, Luz vinda da Luz, ter-se feito homem e vivido nossa vida humana. Trata-se do mistério celebrado pela Igreja de modo especial no santo Natal.

Nós cremos que o Filho eterno é Deus e existe eternamente (cf. Jo 1,1s; 17,5), pleno, infinito, feliz. E, por nosso amor, para nos elevar à comunhão com o Pai no Espírito Santo, gratuitamente, assumiu a nossa condição humana!

Com palavras comoventes, São Pedro Crisólogo, Bispo de Ravena, no século IV, ensina: “Talvez dirás: ‘Que necessidade para um Deus de nascer? Sua potência criadora não lhe basta? ’ Que necessidade? Eis: nascendo, Deus devia refazer aquela natureza que Ele tinha modelado por sua ação criadora. De fato, aquela natureza que tinha sido criada para gerar para a vida, gerava para a morte. O pecado do primeiro homem, tendo mortalmente ferido a natureza, esta, em vez de ser princípio de vida tornou-se origem de morte. Foi então o grande motivo do nascimento que levou o Cristo a nascer, a fim de que o nascimento do Criador procurasse a cura da natureza e aquela cura desse a vida aos filhos de Adão”.

Mas, concretamente, que podemos dizer de Jesus de Nazaré, o Filho eterno, feito realmente homem no seio de Maria Virgem? Eis o que diz a verdadeira fé: Jesus é a segunda Pessoa da Trindade Santa. No entanto, sem deixar sua natureza divina, assumiu a nossa natureza humana, limitada, sujeita ao crescimento, ao envelhecimento, à morte. “Sua natureza divina aparece eclipsada, escondida nos evangelhos, pois Nosso Senhor, tendo a forma de Deus, assumiu a forma de Servo” (Fl 2,5s), fazendo-se realmente homem. É um mistério profundo e belo: o Filho eterno do Pai viveu em tudo a nossa condição humana, menos o pecado! Na sua natureza divina, jamais deixou o Pai; na sua natureza humana, viveu em tudo nossa condição; na sua natureza divina é infinito, na sua natureza humana foi reclinado na manjedoura e no sepulcro.

A antiga liturgia das Gálias dizia assim: “Aquele que deu forma a todas as coisas recebe a forma de escravo; Aquele que era Deus é gerado na carne; eis que Ele é envolvido em panos, Aquele que era adorado no firmamento; e eis que repousa numa manjedoura Aquele que reinava no céu”. E uma outra oração litúrgica da Igreja antiga exclamava: “Ele estava deitado, envolvido em panos e brilhava entre as estrelas; em sua carne, ele estava envolvido em panos, em sua divindade ele era servido pelos Anjos; ele repousava numa manjedoura, mas seu poder agia nos céus”. E a própria liturgia nossa, latina, canta no dia do Natal: “O Criador do mundo um corpo vil tomou; a carne salva a carne: não perca os que criou! Presépio não despreza – que palhas tão suaves! De leite quis nutrir-se o que alimenta as aves!”

Nenhum de nós caminha sozinho, já que tudo quanto é realmente humano foi assumido por Jesus, foi tocado pelo Filho de Deus feito homem! Que mistério tão profundo! O tempo foi tocado pela eternidade, a história foi visitada pela glória, o homem foi assumido por Deus!

Nos passos, no semblante, nos gestos e nas opções de Jesus de Nazaré nós podemos descobrir o que Deus quer de nós; podemos aprender o que Deus sonhou para a humanidade; podemos contemplar o que é ser realmente humano segundo o coração de Deus! Jesus é o que todos os seres humanos devem ser: totalmente abertos para o Pai, totalmente em paz consigo mesmos, com os outros, com a criação toda, totalmente livres, a ponto de dar a vida por amor! Isso mesmo: o Filho fez-se homem para que pudéssemos aprender o que significa realmente ser humano! Somos humanos de verdade na medida em que nos parecemos com Jesus de Nazaré! Tudo isso são aspectos do mistério da Encarnação; tudo isso é graça do santo Natal.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


NATAL HOJE E SEMPRE

◊ Rio de Janeiro, 23 dez (RV) - Embora liturgicamente o Natal seja um tempo específico, o que é comemorado, o Mistério da Encarnação deve ser sempre um fundamento em nossa vida. Por isso, somos chamados a fazer com que ele se estenda durante todo o ano. Esperamos que não seja apenas uma simples festa de confraternização entre colegas de trabalho, amigos e familiares, mas uma festa no verdadeiro sentido que esta palavra encerra: o dia do nascimento de Jesus Cristo, Senhor Nosso, Salvador e Redentor, o Deus conosco.

Aproveitando do Natal, porém, o interesse econômico aumenta e praticamente dobram-se os lucros, pois é uma das datas que mais impulsiona os negócios no mundo inteiro. Por trás das comemorações, que deveriam levar ao encantamento da manjedoura, há uma grande cadeia produtiva e comercial que movimenta praticamente todos os setores da economia.

É uma época em que as pessoas gastam dinheiro, decoram as suas casas, trocam-se presentes, e isso está se tornando, aparentemente no coração das pessoas, mais e mais importante, relegando em segundo plano o grande protagonista da festa. Em geral, as pessoas veem o Natal como uma festa familiar bonita e interessante e se sentem estimulados a fazer dele uma festa do consumismo. A tradição de enfeitar a casa, reunir a família para a ceia e a trocar presentes se mantém mesmo em tempos de crise, e, em geral, os consumidores não abrem mão disso.

Mas em meio a toda essa onda de consumismo desenfreado ainda há uma preocupação em se proporcionar um Natal digno às pessoas mais carentes. Graças a esse "espírito" do Natal, elas podem receber, ao menos nesta época do ano, a atenção merecida daqueles que durante o ano ignoraram as suas existências.

Recorda-nos o Papa Bento XVI: “Como é então importante que sejamos realmente crentes e como crentes reafirmemos com vigor, com a nossa vida, o mistério de salvação que a celebração do Natal de Cristo traz consigo! Em Belém manifestou-se ao mundo a Luz que ilumina a nossa vida; foi-nos revelada a Vida que nos leva à plenitude da nossa humanidade. Se não reconhecermos que Deus se fez homem, que sentido tem festejar o Natal? A celebração torna-se vazia. Antes de tudo, nós, cristãos, devemos reafirmar com profunda e sentida convicção a verdade do Natal de Cristo, para testemunhar diante de todos a consciência de um dom inaudito, que é riqueza não só para nós, mas para todos. Disto brota o dever da evangelização, que é precisamente a comunicação deste "eu-angelion", desta "boa nova"”. (Cf. Audiência Geral de 19 de dezembro de 2007).

Agradecemos a Deus pela preparação piedosa que fizemos para o Natal em nossa Arquidiocese, com a generosidade de nossos padres em atendimento de confissões dos fiéis, com as manifestações da oração comunitária em torno da Novena de Natal, as celebrações litúrgicas e também as muitas manifestações públicas de espírito natalino (presépios, festival de canto coral, autos de natal e cantatas), que nos colocou no clima desta época e ajudou-nos ainda mais para bem celebrarmos o Natal do Redentor.

Que todos nós possamos fazer de nossas vidas um perene Natal!
Que em 2011 possamos ser melhores do que fomos em 2010.
Que Jesus, o Deus Menino, a quem celebrarmos, nasça e renasça em nossos corações todos os dias de nossas vidas!

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


FREI NESTOR SCHWERZ NOS FALA SOBRE A LIBERDADE RELIGIOSA NO BRASIL

◊ Cidade do Vaticano, 23 dez (RV) - A Santa Sé publicou recentemente a mensagem de Bento XVI para o 44° Dia Mundial da Paz que será celebrado em 1° de janeiro de 2011, sobre o tema "Liberdade religiosa, caminho para a paz".

Nós conversamos hoje, em nosso espaço de Missão, com o secretário-geral para a evangelização na Ordem dos Frades Menores, Frei Nestor Inácio Schwerz, que nos fala sobre a liberdade religiosa no BrasiL. (MJ)


Atualidades


AINDA INCERTA A SORTE DOS 250 REFUGIADOS PRISIONEIROS NO SINAI

◊ Roma, 23 dez (RV) – Ainda não são claras as condições dos 250 refugiados eritreus e de outras nacionalidades que estão nas mãos de um grupo de traficantes de seres humanos, na parte egípcia do deserto do Sinai, desde 24 de novembro. Oito deles já foram mortos por não terem conseguido pagar a soma solicitada para serem levados a Israel, enquanto outros quatro foram liberados.

Eles estariam vivendo em uma espécie de acampamento, cuja existência o governo do Egito tem negado. A Rádio Vaticano entrevistou a porta-voz italiana do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Laura Boldrini. Ela disse que ainda não há novidades, que as autoridades egípcias disseram estar procurando essas pessoas, porém ainda não acharam o local onde elas estão sendo mantidas prisioneiras.

Segundo a representante da ONU, “o que estamos vendo é que as pessoas fogem dos seus países de origem por motivos de conflitos, ditaduras, etc, e se encontram diante de uma realidade cada vez mais difícil. As estradas estão fechadas, interditadas, e esse fechamento aumenta o mercado de pessoas sem escrúpulos, que lucram com isso”.

Para ela, nem a comunidade internacional, nem a opinião pública estão dando muita atenção a essa problemática. (ED)


GRUPO DE MULHERES E CRIANÇAS EM FUGA DO PAQUISTÃO

◊ Islamabad, 23 dez (RV) - Um grupo de 85 pessoas deslocadas provenientes do Paquistão foi pego sob custódia pelo departamento de imigração de Bangcoc, na Tailândia, informa um boletim da Asian Human Rights Commission.

Os integrantes do grupo são perseguidos por motivos religiosos no Paquistão e vivem em condições muito precárias, sem nenhuma renda. Essas pessoas sobrevivem graças à ajuda do Serviço Jesuíta para Refugiados (Jesuit Refugee Service).

O grupo inclui mulheres, crianças, 26 delas menores de dez anos. Existem também recém-nascidos, mulheres grávidas, doentes e idosos. Alguns foram oficialmente reconhecidos pelas Nações Unidas como refugiados.

A operação foi organizada pelas autoridades tailandesas enquanto tentavam repatriar os refugiados ao Paquistão e Sri Lanka. O centro de detenção que os hospeda é quase sempre superlotado e anti-higiênico. (MJ)


BISPOS DOS EUA COMENTAM A REPROVAÇÃO DA "DREAM ACT" NO SENADO

◊ Washington, 23 dez (RV) – O arcebispo coadjutor de Los Angeles e presidente da Comissão para as Migrações da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Dom José Gomez, comentou a “Dream Act”. Trata-se da lei sobre a cidadania para os filhos de clandestinos, apresentada pela Câmara dos Representantes, mas que não passou no Senado.

Se tivesse sido aprovada, a lei teria permitido que os filhos dos imigrantes que entraram no país ilegalmente se tornassem cidadãos estadunidenses, contanto que freqüentassem a universidade ou se alistassem no exército. A lei obteve 41 votos contra e 55 a favor, cinco a menos que os 60 necessários para a aprovação.

Dom José, contudo, declarou-se confiante de que, um dia, a lei será aprovada. “A aprovação da ‘Dream Act’ – disse o arcebispo - e os votos obtidos indicam que a maioria do Congresso e da opinião pública sustenta que esta medida humanitária é dotada de bom senso”.

“Os bispos católicos dos Estados Unidos – acrescentou – vão continuar a defender a causa de uma reforma justa da imigração, a fim de obter um sistema que consiga conciliar a soberania nacional e o dever moral de respeitar todos os direitos humanos fundamentais”. (ED)


VETADA SUPRESSÃO DO SOBRENOME POR RAZÕES RELIGIOSAS

◊ São Paulo, 23 dez (RV) - Uma família judaica não conseguiu que o sobrenome paterno fosse retirado, para que o casal e os três filhos menores fossem identificados somente pelo nome materno. A decisão de não suprimir o sobrenome é da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. Para os ministros, a Lei 6.015/73, que traz a regra da imutabilidade do sobrenome, se aplica ao caso. Eles seguiram o voto da relatora, Ministra Nancy Andrighi.

Os autos da ação de alteração de registro civil de pessoa natural informam que, por ocasião do casamento, a mulher optou pelo acréscimo do sobrenome do marido ao seu. No entanto, mais tarde, ela se converteu ao Judaísmo, religião atualmente praticada por toda a família.

O pedido de exclusão do sobrenome do marido e pai das crianças fundamentou-se no fato de que o patronímico não identificaria adequadamente a família perante a comunidade judaica. O pedido foi negado em primeiro grau. A negativa da supressão foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ao julgar o recurso, a Ministra Nancy Andrighi alertou que embora o artigo 56 da Lei de Registros Públicos autorize, em hipóteses excepcionais, a alteração do nome, a exclusão do sobrenome é expressamente vetada. Segundo ela, a regra da imutabilidade busca garantir segurança jurídica, uma vez que o sobrenome de família é um componente fundamental para a identificação social dos indivíduos. "O sobrenome pertence, em última análise, a todo o grupo familiar, de forma que não podem os descendentes dispor livremente do elemento distintivo de sua ancestralidade" – explicou a ministra.

Outro ponto analisado refere-se ao argumento de que o artigo 1.565, parágrafo 1º do Código Civil autoriza os nubentes a modificarem o nome com o acréscimo do patronímico do outro. A Ministra Nancy Andrighi ressaltou que em nenhum momento a lei discorre sobre supressão ou substituição do sobrenome, facultando apenas o acréscimo.

Além do mais, ela considerou que a exclusão poderia trazer consequências graves para o casal. Ela chamou a atenção para o fato de que não haja garantias de que as crianças vão seguir a religião judaica por toda a vida. (AF)

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