Papa e Santa Sé
MENSAGEM "URBI ET ORBI" DE BENTO XVI: NATAL É MOTIVO DE ESPERANÇA PARA TODO HOMEM
◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Ao meio-dia deste sábado Bento XVI assomou ao Balcão central da Basílica Vaticana para a tradicional Mensagem natalina e a oração "Urbi et Orbi" (à cidade de Roma e ao mundo).
Transmitida em mundo-visão, milhões de fiéis do mundo inteiro somaram-se aos milhares de presentes na Praça São Pedro para ouvir a mensagem do Santo Padre, que fez suas felicitações natalinas em 65 línguas.
O nascimento de Jesus é motivo de esperança para todos os homens, sobretudo para aqueles que veem ofendida a própria dignidade: foi o que afirmou o Pontífice em sua tradicional Mensagem de Natal.
O Papa elevou um veemente apelo em favor da paz – violada em muitas áreas do mundo – e dirigiu palavras de encorajamento aos cristãos perseguidos, em particular na China. Em seguida, fez as felicitações natalinas em 65 línguas e concedeu a Bênção "Urbi et Orbi". Apesar da chuva, muitos fiéis e peregrinos acorreram com entusiasmo à Praça São Pedro para ouvir o Pontífice.
"O Verbo se fez carne". Dirigindo-se ao mundo inteiro, Bento XVI anunciou com alegria a mensagem extraordinária do Natal e expressou particular proximidade àqueles que sofrem por causa de guerras e catástrofes naturais, e aos perseguidos por sua fé em Jesus Cristo.
Deus – ressaltou – "veio habitar no meio de nós", "Deus não está distante". Não é um desconhecido, mas "tem um rosto, o rosto de Jesus":
"Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um fato sucedido, que testemunhas críveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré!"
Diante da revelação de que o Verbo se fez carne – constatou o Pontífice – "ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e onipotente tornar-se um homem frágil e mortal?"
"Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo."
Na realidade – observou o Papa – Deus não muda, é fiel a Si mesmo: Deus não muda, Ele é Amor desde sempre e para sempre. É em Si mesmo Comunhão, Unidade na Trindade e toda sua obra e palavra busca a comunhão. E a encarnação, portanto, é o ápice da criação:
"«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também."
"A encarnação do Filho de Deus – acrescentou – é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a":
"Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração."
O nosso coração – destacou Bento XVI – busca justamente uma Verdade que é Amor. "Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena." O Reino de Deus – observou o Santo Padre – "não é deste mundo, e, todavia, é mais importante do que todos os reinos deste mundo".
"É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça."
"Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história – prosseguiu – é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições". Natal é então motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio libertar o homem da raiz de toda escravidão:
"A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelenses e Palestinos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provações as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Oriente Médio, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efetiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera."
Bento XVI pediu também por aqueles que "na Colômbia e na Venezuela, mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais". Invocou a paz e o respeito pelos direitos humanos onde estes são violados:
"O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana."
Em seguida, Bento XVI dirigiu seu pensamento àqueles que são discriminados por seu testemunho evangélico. A celebração do nascimento do Redentor – foram os votos do Papa – reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental:
"Para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos."
Após a mensagem tiveram, então, lugar as referidas saudações de Natal em 65 línguas, começando do italiano e concluindo com o latim. Eis a afetuosa felicitação de Bento XVI aos povos de língua portuguesa:
"Feliz Natal para todos! O nascimento do Menino Jesus ilumine de alegria e paz vossos lares e Nações!"
Após a fórmula da indulgência plenária, o Santo Padre concluiu a mesma concedendo a todos a sua Bênção. (RL)
BENTO XVI NA MISSA DO GALO: DEUS NOS AMA A FIM DE QUE TAMBÉM NÓS POSSAMOS AMAR
◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Deus se fez frágil como uma criança para mostrar ao mundo a sua fortaleza e vem ao mundo para instituir ilhas de paz. Foi o premente pensamento expresso por Bento XVI na noite desta sexta-feira, na Missa do Galo celebrada na Basílica de São Pedro. Esteve no centro da homilia do Santo Padre também o chamado à verdadeira fraternidade criada por Deus, que nos ama a fim de que também nós possamos amar.
Durante a celebração rezou-se pelo ministério petrino, pelo respeito à dignidade de toda pessoa, desde a concepção até seu fim natural e por uma pacífica convivência entre os povos.
Eram quase 22h locais quando, na Basílica Vaticana, foi entoada a "Kalenda", o antiquíssimo hino que anuncia ao mundo o nascimento de Jesus. E o verdadeiro Natal começa daí, daquele Rei menino "nascido pela decisão pessoal de Deus" – disse o Papa – e que, portanto, "constitui uma esperança" porque o futuro se apóia n'Ele, "a promessa de paz":
"Este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus."
É a humildade sublime de Deus que se inclina ao homem – continuou o Pontífice – porque na noite de Belém se cumpre a profecia num modo imensamente maior do quanto os homens pudessem intuir:
"Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz."
Em toda geração – afirmou Bento XVI – Deus constrói o seu reino "a partir do coração" e acende nos homens "a luz da bondade", dando-lhes "a força de resistir à tirania do poder". Mas hoje persistem os algozes – ressaltou o Papa – os passos dos soldados ressoam e vemos ainda vestes manchadas de sangue. A esse ponto de sua reflexão, a homilia do Santo Padre tornou-se uma oração:
"Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de «uma paz sem fim» (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o «reino da justiça, do amor e da paz»."
Recordando, em seguida, o antigo significado do termo "primogênito", ou seja, o "daquele que pertence a Deus de modo particular e é destinado ao sacrifício", o Pontífice ressaltou como, na Cruz, Jesus oferecera a humanidade a Deus, de modo que "Deus seja tudo em todos":
"Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus."
E mais uma vez o Papa elevou uma oração:
"Senhor Jesus, (…) dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família."
"Quem vislumbra Deus sente alegria" – continuou o Papa –
porque Deus nos ama, nos espera e suplica a nossa resposta no nascimento de seu Filho:
"Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra."
Ao término da celebração, algumas crianças levaram a imagem de Jesus Menino ao Presépio montado dentro da Basílica Vaticana. E, diante do Presépio, o Papa recolheu-se em silenciosa oração. (RL)
Formação
REFLEXÃO SOBRE A LITURGIA DA MISSA DA NOITE DE NATAL
◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Celebrar o nascimento de Jesus é celebrar a certeza de que os tempos sombrios passaram e a luz, a alegria, a Vida chegaram para sempre, para estarem conosco além do final dos tempos. O Sol nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna veio e iluminou os que jaziam entre as trevas e, na sombra do pecado e da morte, estavam sentados.
A primeira leitura da Missa da Noite, extraída de Isaías, fala para os oprimidos, subjugados pelo sofrimento e morte. Para eles brilhou uma luz, e a esperança que parecia morta ressurgiu anunciando a chegada de um tempo de paz e de felicidade. É a nova criação! Deus organizou o caos e fez a luz! A base dessa esperança e garantia dessa luz é o nascimento de uma criança, Príncipe da Paz. Ele exercerá e consolidará a justiça, defenderá o povo, os pobres e os oprimidos.
No Evangelho, Lucas nos fala do nascimento de uma criança, cujos pais, apesar de descenderam de família nobre, são pobres migrantes que não são aceitos em casa de parentes e em nenhum lugar e são obrigados, pela necessidade, a se instalarem em um abrigo usado para proteger animais.
Os pais dessa criança moram em Nazaré, mas por ordem do imperador foram obrigados a viajar para Belém, para o recenceamento apesar do estado adiantado da gravidez de Maria. Do mesmo modo, o pai putativo da criança, José, possui em sua terra uma profissão, é carpinteiro. Contudo, tanto o enxoval preparado com muito carinho pela futura mamãe, como o bercinho, feito com todo amor pelo papai José, tiveram de ser deixados em Nazaré e o casal só viajou com o estritamente necessário porque eram pobres.
Imaginemos o estado dos pés de José, caminhando 150 km para obedecer a ordem de César Augusto. Imaginemos seu coração preocupado em instalar decentemente sua esposa grávida, como atendê-la na hora do parto? Como providenciar o necessário?
Passemos também para o coração de Maria. Que transtorno no final da gravidez! Isabel, cuja gravidez se desenvolveu em idade avançada, teve paraentes oara ajudá-la, inclusive ela, Maria, estava lá. Agora se encontram sómente ela e José, mas Deus providenciará tudo, afinal, Ele é o Pai da criança.
Reflitamos sobre o para que desse transtorno em duas vidas que já haviam se entregado a Deus, já haviam permitido ao Senhor interferir em suas vidas, em mudá-las de uma situação tranquila, convencional, para uma situação conflitante, difícil.
O Senhor ama muito Maria e José e confia muitíssimo neles. Por isso os escolheu para serem agentes importantíssimos de seu plano de redenção do mundo. Deus não apenas pediu aos dois para serem pais de Seu Filho, mas desejou que eles colaborassem também na missão do Filho. Jesus veio nos redimir na pobreza, na obediência, e sendo plenamente homem. Jesus nasce sob o governo de ditadores, em uma terra subjugada, filho de um casal sem posses, perseguido por ser amaeça aos poderosos. Ele quis ser pobre desde o início de sua vida mortal, quis viver a vida da maioria das pessoas comuns.
Sabendo ler a mensagem do Senhor nesses acontecimentos, podemos apreender o que Ele quer nos dizer, ou seja, que a salvação não virá dos poderosos, já que eles dominam e oprimem e nem da Roma poderosa, mas de Belém – na perifieria do mundo – e de uma criança, filha de pessoas pobres. Considerando a leitura de Isaías, reconhecemos no Filho de Maria e de José o menino cujo nascimento redentor ele anunciou.
Os anjos irão anunciar esse evento a outro grupo de marginalizados, os pastores, e o fazem cantando glória a Deus e saudando aqueles que vivem no benquerer de Deus. Os pastores se dirigem ao lugar indicado pelos anjos e encontram o Senhor em um ambiente familiar a eles que cuidam de animais. A pobreza do Senhor é o sinal de fraternidade, de partilha do modo de ser, é a salvação que se aproxima dos pobres na fragilidade de uma criança pobre.
Por fim a Carta a Tito nos fala que “A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação a todos os homens”. Deus, em sua sabedoria, não nos tira de situações adversas, mas nos liberta dentro dessas situações. O mundo em que vivemos é um mundo cheio de pecados, de arrogância, de consumismo, de puxação de tapete. É aí, - nesse ambiente que abre as portas ao opressor, ao poderoso, ao rico e as fecha ao pobre, ao humilde - que o Senhor nos pede viver sua mensagem de paz, de benquerer, de não apenas ser solidário ao pobre, mas viver como pobre, como Ele viveu e morreu. Cristo teve como berço uma mangedoura e como leito de morte, uma cruz entre dois bandidos. Ele nos pede romper com os esquemas de uma sociedade injusta e opressora e que nos comprometamos com a liberdade e a vida para todos os homens.
É Natal! Nasceu a criança predita por Isaías, o redentor dos pobres, dos oprimidos. Nós que cremos em sua mensagem de amor e de paz, deveremos viver neste mundo de modo coerente com nossa fé, sendo para todos os homens um sinal forte e eloquente como a estrela de Belém. Lembremos todos do Senhor, todos aqueles que são benquistos por Ele. Construamos um mundo novo, baseado no perdão e na fraternidade. Não importa nossa pequenez, nossa fragilidade. É em nossa fraqueza que o Senhor mostrará o Seu poder. Importa seguir os apelos amorosos do Senhor e anunciar ao mundo o Natal de uma nova sociedade.
Feliz Natal!
Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.
NATAL E ACOLHIMENTO
◊ Rio de Janeiro, 25 dez (RV) - O Natal celebra o grande mistério da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, o filho de Deus, em nossa história! A salvação prometida por Deus aos homens, em sua mensagem aos patriarcas e profetas, torna-se realidade concreta com a vinda de Jesus Cristo. Deus cumpriu a sua promessa!
A revelação nos apresenta Jesus como “Emanuel, isto é, o Deus conosco”. O nosso companheiro de jornada, de história. Assim, Jesus não é um ser do passado, não é uma saudosa memória ou ideia do passado. É uma pessoa viva, concreta e atuante em nossa vida e em nossa história. O nascimento histórico de Jesus em Belém é sinal do nosso misterioso nascimento à vida divina. Pela encarnação de Jesus, o homem é divinizado. “Jesus, o Filho de Deus, é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem”.
O Natal questiona o nosso acolhimento, pois, “Não havia lugar para ele na hospedaria” (Lc. 2,7). Como outrora, hoje também há muitas pessoas fechadas para realizar a experiência do encontro com Jesus Cristo. O mistério da existência humana só se explica e se esclarece no mistério de Jesus Cristo, Filho de Deus, única fonte e verdadeira paz, alegria e felicidade. Perguntamos: Há lugar para Ele na sua vida, na sua família, na sua casa, no seu ambiente de trabalho?
O Natal é a festa da solidariedade! Jesus se faz pobre, nascendo na gruta em Belém, para solidarizar-se com os pobres e ser a esperança de libertação dos sofredores deste mundo. Os primeiros a irem ao encontro de Jesus foram os pobres e humildes Pastores
O Natal é também a grande festa da solidariedade universal. É comemorado em todo o mundo, até mesmo onde a população cristã é minoria. É uma data que se reveste de uma certa ternura e magia, despertando nas pessoas sentimentos muitas vezes adormecidos, como: alegria, amizade, confraternização, solidariedade, caridade, gestos de bondade e reconciliação. Estes sentimentos são frutos maravilhosos do clima de Natal, que marcam e enobrecem nossas vidas.
A liturgia do Natal é muita rica, e só nesse dia temos quatro celebrações eucarísticas: a Missa vespertina da Vigília (dia 24), a Missa da noite (por volta da meia noite do dia 24, denominada “missa do galo”), a Missa da aurora (alvorecer do dia de Natal) e a Missa “do dia” da festividade (dia 25).
Denominamos oitava de Natal o tempo litúrgico que vai do Natal até a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. É um desdobramento, por oito dias, da alegria do Natal. Uma espécie de festa de aniversário prolongado. A outra solenidade é a Festa da Epifania, conhecida como “dos reis magos” dentro do tempo de Natal, que se conclui com a festa do Batismo do Senhor.
Recordemos também alguns símbolos que nos recordam o Natal: Presépio – popularizado por S. Francisco de Assis em 1223; Árvore de Natal – representa nova árvore da vida, que é o Deus menino nascido em Belém; Troca de presentes – que recorda o maior presente dado pelo Pai aos homens, que é o seu filho; Presentes dos Magos – incenso, símbolo da divindade (Jesus é filho de Deus), ouro, símbolo da realeza (Jesus é Rei dos Reis), mirra, sofrimento (Jesus é o eterno servo sofredor de Javé); Estrela de Belém – é símbolo da visita salvadora de Jesus para toda a humanidade (Jesus é para todos – universalidade da salvação).
Celebrar o Natal é renovar o encontro com a adorável pessoa de Jesus, o esplendor da luz de Deus, que veio para iluminar os homens! Lembremos que uma vida renovada e reconciliada é a melhor maneira de celebrar o Natal.
Pensemos: quais são as nossas motivações natalinas? É a celebração do encontro pessoal com Jesus Cristo na oração, na eucaristia, na meditação, na reconciliação, no encontro com o próximo? O evangelista Lucas nos diz: “Não havia lugar para ele na hospedaria” (Lc 2, 7). Há lugar para Ele na sua vida? Na sua família? Na sua casa? No seu ambiente de trabalho?
Acolhamos com alegria o divino salvador. Natal é vida que nasce! Natal é convite para o homem trilhar o caminho da retidão, do amor ao próximo e da compreensão com seus semelhantes. Vamos adorar o rei dos reis neste Natal!
Que o menino-Deus derrame ricamente suas graças e bênçãos sobre todas as nossas famílias.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Atualidades
MENSAGEM URBI ET ORBI DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
◊ «Verbum caro factum est – o Verbo fez-Se carne» (Jo 1, 14).
Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo inteiro, é com alegria que vos anuncio a mensagem do Natal: Deus fez-Se homem, veio habitar no meio de nós. Deus não está longe: está perto, mais ainda, é o «Emanuel», Deus-connosco. Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de Jesus.
Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um facto sucedido, que testemunhas credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus actos e escutando as suas palavras, reconheceram em Jesus o Messias; e, ao vê-Lo ressuscitado, depois que fora crucificado, tiveram a certeza de que Ele, verdadeiro homem, era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigénito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14).
«O Verbo fez-Se carne». Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e omnipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo.
Na realidade, Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo. Aquele que criou o mundo é o mesmo que chamou Abraão e revelou o seu próprio Nome a Moisés: Eu sou Aquele que sou… o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob… Deus misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade (cf. Ex 3, 14-15; 34, 6). Deus não muda: Ele é Amor, desde sempre e para sempre. Em Si mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e palavra sua tem em vista a comunhão. A encarnação é o ápice da criação. Quando no ventre de Maria, pela vontade do Pai e a acção do Espírito Santo, se formou Jesus, Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu vértice. O princípio ordenador do universo, o Logos, começava a existir no mundo, num tempo e num espaço.
«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor, são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também. A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a. Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração.
E que procura, efectivamente, o nosso coração, senão uma Verdade que seja Amor? Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena.
«O Verbo fez-Se carne». O anúncio do Natal é luz também para os povos, para o caminho colectivo da humanidade. O «Emanuel», Deus-connosco, veio como Rei de justiça e de paz. O seu Reino – bem o sabemos – não é deste mundo, e todavia é mais importante do que todos os reinos deste mundo. É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça. Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história, é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições; é motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.
A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelitas e Palestinianos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provas as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Médio Oriente, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efectiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera. Igualmente não sejam esquecidos aqueles que, na Colômbia e na Venezuela mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais.
O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana.
A celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental, para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.
Queridos irmãos e irmãs, «o Verbo fez-Se carne», veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproximou de nós. Contemplemos, juntos, este grande mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para todos!
© Rádio Vaticano 2010
MENSAGEM "URBI ET ORBI" DE BENTO XVI: NATAL É MOTIVO DE ESPERANÇA PARA TODO HOMEM
◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Ao meio-dia deste sábado Bento XVI assomou ao Balcão central da Basílica Vaticana para a tradicional Mensagem natalina e a oração "Urbi et Orbi" (à cidade de Roma e ao mundo).
Transmitida em mundo-visão, milhões de fiéis do mundo inteiro somaram-se aos milhares de presentes na Praça São Pedro para ouvir a mensagem do Santo Padre, que fez suas felicitações natalinas em 65 línguas.
O nascimento de Jesus é motivo de esperança para todos os homens, sobretudo para aqueles que veem ofendida a própria dignidade: foi o que afirmou o Pontífice em sua tradicional Mensagem de Natal.
O Papa elevou um veemente apelo em favor da paz – violada em muitas áreas do mundo – e dirigiu palavras de encorajamento aos cristãos perseguidos, em particular na China. Em seguida, fez as felicitações natalinas em 65 línguas e concedeu a Bênção "Urbi et Orbi". Apesar da chuva, muitos fiéis e peregrinos acorreram com entusiasmo à Praça São Pedro para ouvir o Pontífice.
"O Verbo se fez carne". Dirigindo-se ao mundo inteiro, Bento XVI anunciou com alegria a mensagem extraordinária do Natal e expressou particular proximidade àqueles que sofrem por causa de guerras e catástrofes naturais, e aos perseguidos por sua fé em Jesus Cristo.
Deus – ressaltou – "veio habitar no meio de nós", "Deus não está distante". Não é um desconhecido, mas "tem um rosto, o rosto de Jesus":
"Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um fato sucedido, que testemunhas críveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré!"
Diante da revelação de que o Verbo se fez carne – constatou o Pontífice – "ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e onipotente tornar-se um homem frágil e mortal?"
"Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo."
Na realidade – observou o Papa – Deus não muda, é fiel a Si mesmo: Deus não muda, Ele é Amor desde sempre e para sempre. É em Si mesmo Comunhão, Unidade na Trindade e toda sua obra e palavra busca a comunhão. E a encarnação, portanto, é o ápice da criação:
"«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também."
"A encarnação do Filho de Deus – acrescentou – é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a":
"Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração."
O nosso coração – destacou Bento XVI – busca justamente uma Verdade que é Amor. "Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena." O Reino de Deus – observou o Santo Padre – "não é deste mundo, e, todavia, é mais importante do que todos os reinos deste mundo".
"É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça."
"Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história – prosseguiu – é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições". Natal é então motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio libertar o homem da raiz de toda escravidão:
"A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelenses e Palestinos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provações as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Oriente Médio, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efetiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera."
Bento XVI pediu também por aqueles que "na Colômbia e na Venezuela, mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais". Invocou a paz e o respeito pelos direitos humanos onde estes são violados:
"O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana."
Em seguida, Bento XVI dirigiu seu pensamento àqueles que são discriminados por seu testemunho evangélico. A celebração do nascimento do Redentor – foram os votos do Papa – reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental:
"Para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos."
Após a mensagem tiveram, então, lugar as referidas saudações de Natal em 65 línguas, começando do italiano e concluindo com o latim. Eis a afetuosa felicitação de Bento XVI aos povos de língua portuguesa:
"Feliz Natal para todos! O nascimento do Menino Jesus ilumine de alegria e paz vossos lares e Nações!"
Após a fórmula da indulgência plenária, o Santo Padre concluiu a mesma concedendo a todos a sua Bênção. (RL)
BENTO XVI NA MISSA DO GALO: DEUS NOS AMA A FIM DE QUE TAMBÉM NÓS POSSAMOS AMAR
◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Deus se fez frágil como uma criança para mostrar ao mundo a sua fortaleza e vem ao mundo para instituir ilhas de paz. Foi o premente pensamento expresso por Bento XVI na noite desta sexta-feira, na Missa do Galo celebrada na Basílica de São Pedro. Esteve no centro da homilia do Santo Padre também o chamado à verdadeira fraternidade criada por Deus, que nos ama a fim de que também nós possamos amar.
Durante a celebração rezou-se pelo ministério petrino, pelo respeito à dignidade de toda pessoa, desde a concepção até seu fim natural e por uma pacífica convivência entre os povos.
Eram quase 22h locais quando, na Basílica Vaticana, foi entoada a "Kalenda", o antiquíssimo hino que anuncia ao mundo o nascimento de Jesus. E o verdadeiro Natal começa daí, daquele Rei menino "nascido pela decisão pessoal de Deus" – disse o Papa – e que, portanto, "constitui uma esperança" porque o futuro se apóia n'Ele, "a promessa de paz":
"Este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus."
É a humildade sublime de Deus que se inclina ao homem – continuou o Pontífice – porque na noite de Belém se cumpre a profecia num modo imensamente maior do quanto os homens pudessem intuir:
"Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz."
Em toda geração – afirmou Bento XVI – Deus constrói o seu reino "a partir do coração" e acende nos homens "a luz da bondade", dando-lhes "a força de resistir à tirania do poder". Mas hoje persistem os algozes – ressaltou o Papa – os passos dos soldados ressoam e vemos ainda vestes manchadas de sangue. A esse ponto de sua reflexão, a homilia do Santo Padre tornou-se uma oração:
"Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de «uma paz sem fim» (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o «reino da justiça, do amor e da paz»."
Recordando, em seguida, o antigo significado do termo "primogênito", ou seja, o "daquele que pertence a Deus de modo particular e é destinado ao sacrifício", o Pontífice ressaltou como, na Cruz, Jesus oferecera a humanidade a Deus, de modo que "Deus seja tudo em todos":
"Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus."
E mais uma vez o Papa elevou uma oração:
"Senhor Jesus, (…) dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família."
"Quem vislumbra Deus sente alegria" – continuou o Papa –
porque Deus nos ama, nos espera e suplica a nossa resposta no nascimento de seu Filho:
"Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra."
Ao término da celebração, algumas crianças levaram a imagem de Jesus Menino ao Presépio montado dentro da Basílica Vaticana. E, diante do Presépio, o Papa recolheu-se em silenciosa oração. (RL)
Formação
REFLEXÃO SOBRE A LITURGIA DA MISSA DA NOITE DE NATAL
◊ Cidade do Vaticano, 25 dez (RV) - Celebrar o nascimento de Jesus é celebrar a certeza de que os tempos sombrios passaram e a luz, a alegria, a Vida chegaram para sempre, para estarem conosco além do final dos tempos. O Sol nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna veio e iluminou os que jaziam entre as trevas e, na sombra do pecado e da morte, estavam sentados.
A primeira leitura da Missa da Noite, extraída de Isaías, fala para os oprimidos, subjugados pelo sofrimento e morte. Para eles brilhou uma luz, e a esperança que parecia morta ressurgiu anunciando a chegada de um tempo de paz e de felicidade. É a nova criação! Deus organizou o caos e fez a luz! A base dessa esperança e garantia dessa luz é o nascimento de uma criança, Príncipe da Paz. Ele exercerá e consolidará a justiça, defenderá o povo, os pobres e os oprimidos.
No Evangelho, Lucas nos fala do nascimento de uma criança, cujos pais, apesar de descenderam de família nobre, são pobres migrantes que não são aceitos em casa de parentes e em nenhum lugar e são obrigados, pela necessidade, a se instalarem em um abrigo usado para proteger animais.
Os pais dessa criança moram em Nazaré, mas por ordem do imperador foram obrigados a viajar para Belém, para o recenceamento apesar do estado adiantado da gravidez de Maria. Do mesmo modo, o pai putativo da criança, José, possui em sua terra uma profissão, é carpinteiro. Contudo, tanto o enxoval preparado com muito carinho pela futura mamãe, como o bercinho, feito com todo amor pelo papai José, tiveram de ser deixados em Nazaré e o casal só viajou com o estritamente necessário porque eram pobres.
Imaginemos o estado dos pés de José, caminhando 150 km para obedecer a ordem de César Augusto. Imaginemos seu coração preocupado em instalar decentemente sua esposa grávida, como atendê-la na hora do parto? Como providenciar o necessário?
Passemos também para o coração de Maria. Que transtorno no final da gravidez! Isabel, cuja gravidez se desenvolveu em idade avançada, teve paraentes oara ajudá-la, inclusive ela, Maria, estava lá. Agora se encontram sómente ela e José, mas Deus providenciará tudo, afinal, Ele é o Pai da criança.
Reflitamos sobre o para que desse transtorno em duas vidas que já haviam se entregado a Deus, já haviam permitido ao Senhor interferir em suas vidas, em mudá-las de uma situação tranquila, convencional, para uma situação conflitante, difícil.
O Senhor ama muito Maria e José e confia muitíssimo neles. Por isso os escolheu para serem agentes importantíssimos de seu plano de redenção do mundo. Deus não apenas pediu aos dois para serem pais de Seu Filho, mas desejou que eles colaborassem também na missão do Filho. Jesus veio nos redimir na pobreza, na obediência, e sendo plenamente homem. Jesus nasce sob o governo de ditadores, em uma terra subjugada, filho de um casal sem posses, perseguido por ser amaeça aos poderosos. Ele quis ser pobre desde o início de sua vida mortal, quis viver a vida da maioria das pessoas comuns.
Sabendo ler a mensagem do Senhor nesses acontecimentos, podemos apreender o que Ele quer nos dizer, ou seja, que a salvação não virá dos poderosos, já que eles dominam e oprimem e nem da Roma poderosa, mas de Belém – na perifieria do mundo – e de uma criança, filha de pessoas pobres. Considerando a leitura de Isaías, reconhecemos no Filho de Maria e de José o menino cujo nascimento redentor ele anunciou.
Os anjos irão anunciar esse evento a outro grupo de marginalizados, os pastores, e o fazem cantando glória a Deus e saudando aqueles que vivem no benquerer de Deus. Os pastores se dirigem ao lugar indicado pelos anjos e encontram o Senhor em um ambiente familiar a eles que cuidam de animais. A pobreza do Senhor é o sinal de fraternidade, de partilha do modo de ser, é a salvação que se aproxima dos pobres na fragilidade de uma criança pobre.
Por fim a Carta a Tito nos fala que “A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação a todos os homens”. Deus, em sua sabedoria, não nos tira de situações adversas, mas nos liberta dentro dessas situações. O mundo em que vivemos é um mundo cheio de pecados, de arrogância, de consumismo, de puxação de tapete. É aí, - nesse ambiente que abre as portas ao opressor, ao poderoso, ao rico e as fecha ao pobre, ao humilde - que o Senhor nos pede viver sua mensagem de paz, de benquerer, de não apenas ser solidário ao pobre, mas viver como pobre, como Ele viveu e morreu. Cristo teve como berço uma mangedoura e como leito de morte, uma cruz entre dois bandidos. Ele nos pede romper com os esquemas de uma sociedade injusta e opressora e que nos comprometamos com a liberdade e a vida para todos os homens.
É Natal! Nasceu a criança predita por Isaías, o redentor dos pobres, dos oprimidos. Nós que cremos em sua mensagem de amor e de paz, deveremos viver neste mundo de modo coerente com nossa fé, sendo para todos os homens um sinal forte e eloquente como a estrela de Belém. Lembremos todos do Senhor, todos aqueles que são benquistos por Ele. Construamos um mundo novo, baseado no perdão e na fraternidade. Não importa nossa pequenez, nossa fragilidade. É em nossa fraqueza que o Senhor mostrará o Seu poder. Importa seguir os apelos amorosos do Senhor e anunciar ao mundo o Natal de uma nova sociedade.
Feliz Natal!
Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.
NATAL E ACOLHIMENTO
◊ Rio de Janeiro, 25 dez (RV) - O Natal celebra o grande mistério da encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, o filho de Deus, em nossa história! A salvação prometida por Deus aos homens, em sua mensagem aos patriarcas e profetas, torna-se realidade concreta com a vinda de Jesus Cristo. Deus cumpriu a sua promessa!
A revelação nos apresenta Jesus como “Emanuel, isto é, o Deus conosco”. O nosso companheiro de jornada, de história. Assim, Jesus não é um ser do passado, não é uma saudosa memória ou ideia do passado. É uma pessoa viva, concreta e atuante em nossa vida e em nossa história. O nascimento histórico de Jesus em Belém é sinal do nosso misterioso nascimento à vida divina. Pela encarnação de Jesus, o homem é divinizado. “Jesus, o Filho de Deus, é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem”.
O Natal questiona o nosso acolhimento, pois, “Não havia lugar para ele na hospedaria” (Lc. 2,7). Como outrora, hoje também há muitas pessoas fechadas para realizar a experiência do encontro com Jesus Cristo. O mistério da existência humana só se explica e se esclarece no mistério de Jesus Cristo, Filho de Deus, única fonte e verdadeira paz, alegria e felicidade. Perguntamos: Há lugar para Ele na sua vida, na sua família, na sua casa, no seu ambiente de trabalho?
O Natal é a festa da solidariedade! Jesus se faz pobre, nascendo na gruta em Belém, para solidarizar-se com os pobres e ser a esperança de libertação dos sofredores deste mundo. Os primeiros a irem ao encontro de Jesus foram os pobres e humildes Pastores
O Natal é também a grande festa da solidariedade universal. É comemorado em todo o mundo, até mesmo onde a população cristã é minoria. É uma data que se reveste de uma certa ternura e magia, despertando nas pessoas sentimentos muitas vezes adormecidos, como: alegria, amizade, confraternização, solidariedade, caridade, gestos de bondade e reconciliação. Estes sentimentos são frutos maravilhosos do clima de Natal, que marcam e enobrecem nossas vidas.
A liturgia do Natal é muita rica, e só nesse dia temos quatro celebrações eucarísticas: a Missa vespertina da Vigília (dia 24), a Missa da noite (por volta da meia noite do dia 24, denominada “missa do galo”), a Missa da aurora (alvorecer do dia de Natal) e a Missa “do dia” da festividade (dia 25).
Denominamos oitava de Natal o tempo litúrgico que vai do Natal até a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. É um desdobramento, por oito dias, da alegria do Natal. Uma espécie de festa de aniversário prolongado. A outra solenidade é a Festa da Epifania, conhecida como “dos reis magos” dentro do tempo de Natal, que se conclui com a festa do Batismo do Senhor.
Recordemos também alguns símbolos que nos recordam o Natal: Presépio – popularizado por S. Francisco de Assis em 1223; Árvore de Natal – representa nova árvore da vida, que é o Deus menino nascido em Belém; Troca de presentes – que recorda o maior presente dado pelo Pai aos homens, que é o seu filho; Presentes dos Magos – incenso, símbolo da divindade (Jesus é filho de Deus), ouro, símbolo da realeza (Jesus é Rei dos Reis), mirra, sofrimento (Jesus é o eterno servo sofredor de Javé); Estrela de Belém – é símbolo da visita salvadora de Jesus para toda a humanidade (Jesus é para todos – universalidade da salvação).
Celebrar o Natal é renovar o encontro com a adorável pessoa de Jesus, o esplendor da luz de Deus, que veio para iluminar os homens! Lembremos que uma vida renovada e reconciliada é a melhor maneira de celebrar o Natal.
Pensemos: quais são as nossas motivações natalinas? É a celebração do encontro pessoal com Jesus Cristo na oração, na eucaristia, na meditação, na reconciliação, no encontro com o próximo? O evangelista Lucas nos diz: “Não havia lugar para ele na hospedaria” (Lc 2, 7). Há lugar para Ele na sua vida? Na sua família? Na sua casa? No seu ambiente de trabalho?
Acolhamos com alegria o divino salvador. Natal é vida que nasce! Natal é convite para o homem trilhar o caminho da retidão, do amor ao próximo e da compreensão com seus semelhantes. Vamos adorar o rei dos reis neste Natal!
Que o menino-Deus derrame ricamente suas graças e bênçãos sobre todas as nossas famílias.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Atualidades
MENSAGEM URBI ET ORBI DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
◊ «Verbum caro factum est – o Verbo fez-Se carne» (Jo 1, 14).
Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo inteiro, é com alegria que vos anuncio a mensagem do Natal: Deus fez-Se homem, veio habitar no meio de nós. Deus não está longe: está perto, mais ainda, é o «Emanuel», Deus-connosco. Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de Jesus.
Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um facto sucedido, que testemunhas credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus actos e escutando as suas palavras, reconheceram em Jesus o Messias; e, ao vê-Lo ressuscitado, depois que fora crucificado, tiveram a certeza de que Ele, verdadeiro homem, era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigénito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14).
«O Verbo fez-Se carne». Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e omnipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo.
Na realidade, Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo. Aquele que criou o mundo é o mesmo que chamou Abraão e revelou o seu próprio Nome a Moisés: Eu sou Aquele que sou… o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob… Deus misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade (cf. Ex 3, 14-15; 34, 6). Deus não muda: Ele é Amor, desde sempre e para sempre. Em Si mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e palavra sua tem em vista a comunhão. A encarnação é o ápice da criação. Quando no ventre de Maria, pela vontade do Pai e a acção do Espírito Santo, se formou Jesus, Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu vértice. O princípio ordenador do universo, o Logos, começava a existir no mundo, num tempo e num espaço.
«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor, são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também. A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a. Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração.
E que procura, efectivamente, o nosso coração, senão uma Verdade que seja Amor? Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena.
«O Verbo fez-Se carne». O anúncio do Natal é luz também para os povos, para o caminho colectivo da humanidade. O «Emanuel», Deus-connosco, veio como Rei de justiça e de paz. O seu Reino – bem o sabemos – não é deste mundo, e todavia é mais importante do que todos os reinos deste mundo. É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça. Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história, é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições; é motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.
A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelitas e Palestinianos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provas as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Médio Oriente, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efectiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera. Igualmente não sejam esquecidos aqueles que, na Colômbia e na Venezuela mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais.
O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana.
A celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental, para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.
Queridos irmãos e irmãs, «o Verbo fez-Se carne», veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproximou de nós. Contemplemos, juntos, este grande mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para todos!
© Rádio Vaticano 2010
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