Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
Seja bem-vindo. Hoje é

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Papa e Santa Sé


BENTO XVI: CRISTÃOS NA WEB COM CONFIANÇA E CRIATIVIDADE

◊ Cidade do Vaticano, 24 jan (RV) - "Quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana."

É o que afirma o Papa na Mensagem para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais, intitulado "Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital".

O Dia será celebrado em 5 de junho próximo, na Solenidade da Ascensão. Como de costume, a Mensagem foi apresentada na Sala de Imprensa da Santa Sé, na manhã desta segunda-feira, dia em que a Igreja celebra a memória de São Francisco de Sales – Padroeiro da imprensa católica.

Além do Diretor da Sala de Imprensa vaticana, Pe. Federico Lombardi, intervieram, entre outros, o Presidente e o Secretário do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, respectivamente, o Arcebispo Claudio Maria Celli e Dom Paul Tighe.

O Papa tem uma visão positiva, mas não por isso ingênua sobre a Internet e os novos meios de comunicação: foi o que frisou Dom Celli, que evidenciou a importância que essa Mensagem dá ao testemunho dos cristãos no "continente digital":

"Na Mensagem fala-se de um "estilo cristão" de presença: é aquilo que dá significado ao tema da própria Mensagem, no sentido que o testemunho de agentes católicos não pode limitar-se à simples abordagem de temas religiosos, mas é chamado a manifestar-se no nível do concreto testemunho pessoal."

Honesto, aberto, responsável e respeitoso do outro: esse é o estilo da presença cristã nos meios de comunicação – disse o Arcebispo. Um estilo que também o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais está buscando levar avante.

Em seguida, Dom Celli e Pe. Lombardi explicaram que, mesmo não recorrendo à Internet, o Papa acompanha com interesse e admiração os desenvolvimentos tecnológicos da comunicação.

Embora Bento XVI escreva à mão os seus discursos – como foi recordado – ao mesmo tempo, o Papa tem consciência da importância de instrumentos como Youtube, segundo explicou Pe. Lombardi:

"Quando propomos o canal no Youtube, motivo pelo qual saiu a notícia "O Papa no Youtube", preparamos um texto ilustrando muito bem de que se tratava e ele colocou o seu "BXVI" – a sua sigla quando aprova alguma coisa – dizendo-nos que prosseguíssemos e que estava perfeitamente de acordo."

Durante a coletiva de imprensa foi evidenciado que por ocasião da beatificação de João Paulo II – prevista para 1º maio – se tornará ainda mais estreita a colaboração entre a Sala de Imprensa da Santa Sé e o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. Em seguida, o Arcebispo Celli se deteve sobre a criação de um Portal de notícias vaticanas, com uma significativa dimensão de multimídia.

"Com uma dimensão de multimídia porque inegavelmente fará referência também às transmissões da Rádio Vaticano e a todo o serviço particularmente precioso do Centro Televisivo Vaticano. Nesse sentido, confesso que tenho um desejo: que esse Portal já esteja em operação na Páscoa. Uma coisa é certa, estamos trabalhando intensamente nesse sentido!"

Por fim, Pe. Lombardi anunciou aos jornalistas que no dia 10 de fevereiro próximo será inaugurada, nos Museus Vaticanos, uma exposição sobre os 80 anos da Rádio Vaticano. (RL)


MENSAGEM DO SANTO PADRE PARA O 45º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

◊ Cidade do Vaticano, 24 jan (RV) - Foi apresentada nesta segunda-feira, 24, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a Mensagem de Bento XVI para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado no dia 5 de junho de 2011, como tema "Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digita". Eis o texto integrall

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do XLV Dia Mundial das Comunicações Sociais, desejo partilhar algumas reflexões, motivadas por um fenómeno característico do nosso tempo: a difusão da comunicação através da rede internet. Vai-se tornando cada vez mais comum a convicção de que, tal como a revolução industrial produziu uma mudança profunda na sociedade através das novidades inseridas no ciclo de produção e na vida dos trabalhadores, também hoje a profunda transformação operada no campo das comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais. As novas tecnologias estão a mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural. Com este modo de difundir informações e conhecimentos, está a nascer uma nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão.
Aparecem em perspectiva metas até há pouco tempo impensáveis, que nos deixam maravilhados com as possibilidades oferecidas pelos novos meios e, ao mesmo tempo, impõem de modo cada vez mais premente uma reflexão séria acerca do sentido da comunicação na era digital. Isto é particularmente evidente quando nos confrontamos com as extraordinárias potencialidades da rede internet e a complexidade das suas aplicações. Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.
No mundo digital, transmitir informações significa com frequência sempre maior inseri-las numa rede social, onde o conhecimento é partilhado no âmbito de intercâmbios pessoais. A distinção clara entre o produtor e o consumidor da informação aparece relativizada, pretendendo a comunicação ser não só uma troca de dados, mas também e cada vez mais uma partilha. Esta dinâmica contribuiu para uma renovada avaliação da comunicação, considerada primariamente como diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas. Por outro lado, isto colide com alguns limites típicos da comunicação digital: a parcialidade da interacção, a tendência a comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da auto-imagem que pode favorecer o narcisismo.
Sobretudo os jovens estão a viver esta mudança da comunicação, com todas as ansiedades, as contradições e a criatividade própria de quantos se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências da vida. O envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network, leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser. A presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual. Na busca de partilha, de «amizades», confrontamo-nos com o desafio de ser autênticos, fiéis a si mesmos, sem ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio «perfil» público.
As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu «próximo» neste novo mundo? Existe o perigo de estar menos presente a quantos encontramos na nossa vida diária? Existe o risco de estarmos mais distraídos, porque a nossa atenção é fragmentada e absorvida por um mundo «diferente» daquele onde vivemos? Temos tempo para reflectir criticamente sobre as nossas opções e alimentar relações humanas que sejam verdadeiramente profundas e duradouras? É importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano directo com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida.
Também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e reflexiva. Aliás, as dinâmicas próprias dos social network mostram que uma pessoa acaba sempre envolvida naquilo que comunica. Quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais. Segue-se daqui que existe um estilo cristão de presença também no mundo digital: traduz-se numa forma de comunicação honesta e aberta, responsável e respeitadora do outro. Comunicar o Evangelho através dos novos midia significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele. Aliás, também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente por parte de quem anuncia. Nos novos contextos e com as novas formas de expressão, o cristão é chamado de novo a dar resposta a todo aquele que lhe perguntar a razão da esperança que está nele (cf. 1 Pd 3, 15).
O compromisso por um testemunho do Evangelho na era digital exige que todos estejam particularmente atentos aos aspectos desta mensagem que possam desafiar algumas das lógicas típicas da web. Antes de tudo, devemos estar cientes de que a verdade que procuramos partilhar não extrai o seu valor da sua «popularidade» ou da quantidade de atenção que lhe é dada. Devemos esforçar-nos mais em dá-la conhecer na sua integridade do que em torná-la aceitável, talvez «mitigando-a». Deve tornar-se alimento quotidiano e não atracção de um momento. A verdade do Evangelho não é algo que possa ser objecto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária. Por isso permanecem fundamentais as relações humanas directas na transmissão da fé!
Em todo o caso, quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana. A web está a contribuir para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história, Aquele em quem todas as coisas alcançam a sua perfeição (cf. Ef 1, 10). A proclamação do Evangelho requer uma forma respeitosa e discreta de comunicação, que estimula o coração e move a consciência; uma forma que recorda o estilo de Jesus ressuscitado quando Se fez companheiro no caminho dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), que foram gradualmente conduzidos à compreensão do mistério mediante a sua companhia, o diálogo com eles, o fazer vir ao de cima com delicadeza o que havia no coração deles.
Em última análise, a verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos vários social network. Os crentes, testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias, que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia. Pelo contrário, os crentes encorajam todos a manterem vivas as eternas questões do homem, que testemunham o seu desejo de transcendência e o anseio por formas de vida autêntica, digna de ser vivida. Precisamente esta tensão espiritual própria do ser humano é que está por detrás da nossa sede de verdade e comunhão e nos estimula a comunicar com integridade e honestidade.
Convido sobretudo os jovens a fazerem bom uso da sua presença no areópago digital. Renovo-lhes o convite para o encontro comigo na próxima Jornada Mundial da Juventude em Madrid, cuja preparação muito deve às vantagens das novas tecnologias. Para os agentes da comunicação, invoco de Deus, por intercessão do Patrono São Francisco de Sales, a capacidade de sempre desempenharem o seu trabalho com grande consciência e escrupulosa profissionalidade, enquanto a todos envio a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, Festa de São Francisco de Sales, 24 de Janeiro de 2011.


[Benedictus PP XVI]


PAPA A LUTERANOS: OLHAR PARA FUTURO COM ESPERANÇA, MESMO SE META DA UNIDADE PARECE MAIS DISTANTE

◊ Cidade do Vaticano, 24 jan, (RV) - "Todo o nosso esforço em favor da unidade poderá produzir frutos somente se tiver suas raízes na oração comum": foi o que disse o Papa à Delegação da Igreja Evangélica Luterana Alemã, recebida em audiência no final da manhã desta segunda-feira, no Vaticano, na vigília da conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

"Embora a meta da unidade plena e visível dos cristãos pareça ter novamente se tornado mais distante", "olhamos para o futuro com esperança" – afirmou Bento XVI.

"Mais de 50 anos de trabalho intenso": apesar de permanecerem "diferenças teológicas sobre questões em parte fundamentais", o diálogo entre luteranos e católicos construiu a base de uma comunhão vivida "na fé e na espiritualidade" – ressaltou o Santo Padre.

"O compromisso da Igreja Católica em relação ao ecumenismo não é somente uma estratégia da comunicação num mundo que está se transformando, mas uma obrigação fundamental da Igreja, a partir da sua missão" – reiterou o Pontífice.

Embora abraçando a preocupação de tantos cristãos pelos frutos do diálogo ainda não "acolhido totalmente por parceiros ecumênicos", sobretudo em relação à compreensão da Igreja e do Ministério, o Santo Padre disse olhar "para o futuro com esperança".

Esperança, sobretudo, no "diálogo teológico" em favor do entendimento sobre questões abertas "que representam um obstáculo para o caminho da unidade visível e da celebração comum da Eucaristia como sacramento da unidade entre os cristãos".

Esperança no diálogo internacional luterano-católico sobre o tema "O Batismo e a crescente comunhão eclesial" e sobre o tema "Deus e a dignidade do homem", retomados em 2009 pela Comissão bilateral entre a Conferência Episcopal Alemã e a Igreja Unida Evangélica Luterana da Alemanha.

Uma temática onde registram também problemas surgidos recentemente sobre a tutela e dignidade da vida humana, bem como "questões urgentes em mérito a família, matrimônios e sexualidade, que não podem ser silenciadas ou ignoradas somente para não colocar em perigo o atual consenso ecumênico" – ressaltou Bento XVI.

Seria deplorável se desses aspectos que dizem respeito à vida do homem, nascessem novas divergências confessionais. – acrescentou. Hoje o diálogo ecumênico não mais pode ser separado da realidade e da vida na fé em nossas Igrejas, sem provocar dano a elas mesmas – prosseguiu o Santo Padre.

Por fim, o pensamento do Papa dirigiu-se ao próximo histórico aniversário de 2017, que marcará os 500 anos da publicação das Teses de Martinho Lutero sobre a indulgência.

Será ocasião para luteranos e católicos "celebrarem no mundo inteiro uma memória ecumênica comum" – auspiciou Bento XVI – "de lutarem pelas questões fundamentais, não de modo triunfalista", mas, sobretudo, como profissão de fé no Deus trinitário, como ressaltou em seu discurso de saudação ao Papa, o chefe da delegação luterana alemã, Dr. Johannes Friederich. (RL)


ENCONTRO TRATARÁ DA APROXIMAÇÃO ENTRE CATÓLICOS E ORTODOXOS

◊ Cidade do Vaticano, 24 jan (RV) – A 20 anos da dissolução da União Soviética, irão encontrar-se, na Alemanha, em 29 de março, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, e o responsável para as questões externas do Patriarcado de Moscou, Metropolita Hilarion Alfeyev. O objetivo é conversar sobre as perspectivas de aproximação entre católicos e ortodoxos.

A reunião está no contexto do IV Congresso Internacional “Ponto de Encontro: Igreja”, organizado pela Organização católica “Ajuda à Igreja que Sofre”. Atualmente, o diálogo entre Igreja Católica e Igreja Ortodoxa gira em torno da questão da primazia do Bispo de Roma. Esse assunto, à época de Paulo VI, era um dos principais obstáculos à recomposição. Hoje, de acordo com o Cardeal Koch, essa questão constitui maior oportunidade para a união.

Segundo o purpurado, seria necessário que “de uma parte, a Igreja Católica aprofundasse a idéia de que a primazia do Bispo de Roma não é um simples apêndice jurídico externo, mas um elemento que se baseia na eclesiologia eucarística”. “Por outro lado – concluiu –, a Igreja Ortodoxa deveria afrontar o problema com determinação, fundamentalmente pelo futuro do ecumenismo, buscando soluções adequadas para recuperar a própria unidade interna”. (ED)


BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II: CARDEAL RUINI FALA SOBRE SUA PERSONALIDADE E PONTIFICADO

◊ Cidade do Vaticano, 24 jan (RV) – João Paulo II será proclamado bem-aventurado no próximo dia primeiro de maio. Bento XVI autorizou a Congregação das Causas dos Santos a promulgar o decreto que reconhece um milagre que se realizou por intercessão do Papa Wojtyla.

A beatificação vai coincidir com o Domingo in Albis, que é o primeiro sucessivo à Páscoa, instituído pelo próprio Papa polonês como a Festa da Divina Misericórdia. O vigário geral emérito de João Paulo II para a Diocese de Roma, Cardeal Camillo Ruini, em entrevista à Rádio Vaticano, falou sobre a alegria com a qual recebeu a notícia.

Falou também sobre a personalidade do Papa Wojtyla, dizendo que o que mais impressionava era a própria santidade, a profundidade e a espontaneidade da sua relação com Deus.

“Ele era capaz de submergir profundamente na oração - disse o Cardeal -, e todas as coisas das quais se ocupava eram permeadas pelo seu relacionamento com Deus e a oração.”

Questionado sobre a principal característica do seu pontificado, Dom Ruini ressaltou a evangelização, e relembrou as suas palavras iniciais: “não tenham medo, escancarem as portas a Cristo”. Reforçou ainda que João Paulo II foi um grande promotor das forças capazes de evangelização na Igreja. “E a sua evangelização – continuou o purpurado – referia-se precisamente ao homem concreto, portanto, à solicitude pelo homem concreto: Cristo Redentor do homem.”

Falando sobre o pontificado de Bento XVI, o Cardeal definiu-o como herdeiro original e criativo do pontificado de João Paulo II, pois vê uma profunda continuidade entre ambos. Concluindo, relembrou dois de seus ensinamentos constantes, quais sejam: “Deus está no centro” e “ampliar os espaços da racionalidade humana”. (ED)


CROÁCIA SE PREPARA PARA VISITA DO PAPA

◊ Zagreb, 24 jan (RV) - A viagem apostólica de Bento XVI à Croácia, que se realizará nos dias 4 e 5 de junho deste ano, esteve no centro de um recente encontro entre o Arcebispo de Zagreb, Cardeal Josip Bozanić, e o primeiro-ministro croata, Jadranka Kosor.

O primeiro-ministro informou também o cardeal sobre o andamento das negociações finais para a entrada da Croácia na União Europeia e sobre os projetos econômicos, sociais e demográficos iniciados pelo Governo. O Cardeal Bozanić, por sua vez, agradeceu ao primeiro-ministro pelo seu compromisso em favor do povo croata.

O programa da visita papal foi publicado em 20 de dezembro passado. "Unidos em Cristo" é o slogan da viagem do Santo Padre que se encontrará com o presidente da Croácia, Ivo Josipovic, com o primeiro-ministro Kosor, e demais autoridades.

No final do primeiro dia de sua visita à Croácia, Bento XVI presidirá a vigília de oração com os jovens na praça principal de Zagreb. O evento central da visita do Papa será a celebração da Eucaristia em vista do Encontro Nacional das Famílias Católicas da Croácia, que se realizará em 5 de junho próximo, na capital Zagreb. (MJ)


CARTA DA CONGREGAÇÃO PARA O CLERO SOBRE IDENTIDADE MISSIONÁRIA DO SACERDOTE

◊ Cidade do Vaticano, 24 jan (RV) - "Fortalecer o zelo apostólico e missionário dos sacerdotes." Este é o espírito da carta pastoral publicada, nesta segunda-feira, pela Congregação para o Clero intitulada "A identidade missionária do presbítero na Igreja como dimensão intrínseca do exercício do tríplice múnus", ou seja, de governar, educar e santificar.

"A carta retoma e relança o tema da última assembleia plenária desse organismo vaticano, realizada em março de 2009, e aprofunda as questões atuais importantes para a vida da Igreja" – sublinhou o prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Mauro Piacenza, no jornal da Santa Sé L’Osservatore Romano.

"A Igreja peregrina é por sua natureza missionária" - ressalta a carta, lembrando que o Concílio Vaticano II, seguindo a Tradição, reitera explicitamente a missionariedade da Igreja.

A missiva frisa a necessidade universal de um renovado compromisso missionário. "A missão se realiza e é eficaz lá onde vive, reza, sofre e trabalha um autêntico discípulo de Cristo. Espero que essa carta possa enriquecer o cotidiano compromisso missionário dos sacerdotes, na consciência de que tal compromisso depende do acolhimento na oração da obra do Espírito Santo em suas vidas" – concluiu o Cardeal Piacenza. (MJ)


GUARDA SUÍÇA CELEBRA OS 505 ANOS DA SUA FUNDAÇÃO

◊ Cidade do Vaticano, 24 jan (RV) – No sábado passado, dia 22 de janeiro, a Guarda Suíça estava de aniversário. Foram celebrados os 505 anos da sua fundação.

Figuras emblemáticas para todos que passam pelos portões do Vaticano, vendo-os impecáveis em seus uniformes coloridos, os guardas suíços tornaram-se um dos símbolos desse Estado. Mas não só.

Era 22 de janeiro de 1506 quando os primeiros 150 soldados suíços chegaram a Roma, chamados pelo Papa Julio II, por terem larga reputação de guerreiros destemidos. Nesse ano, foi fundada a Guarda Suíça.

Outra data que passou para a história desse Corpo Pontifício, sendo relembrada como heróica e trágica, foi 6 de maio de 1527, quando as tropas protestantes de Carlos V, imperador da Alemanha e rei de Aragão e Castela, invadiram e saquearam Roma. Os 12 mil homens do imperador levaram a luta às portas da residência papal, mas os 147 homens do Papa resistiram por horas e conseguiram levar Clemente VII e os cardeais ao Castelo Santo Ângelo, colocando-os a salvo. Fizeram isso escoltando-os através do “passetto di Borgo”, que são grandes muros, com uma passagem protegida entre eles, que ligam o Vaticano ao Castelo.

Relembrando esse episódio, os novos guardas suíços prestam juramento de fidelidade ao Pontífice, todos os anos, em 6 de maio.

A Guarda Suíça é o menor e mais antigo exército do mundo e foi celebrado, no sábado, com uma missa, na Igreja de Santa Maria em Campo Santo, e com uma parada, na Praça São Pedro, ornada com bandeira, banda de música e alabardeiros. (ED)


Igreja na América Latina


ARGENTINA: BISPOS DENUNCIAM AUMENTO DO TURISMO SEXUAL

◊ Buenos Aires, 24 jan (RV) - “O turismo é considerado a terceira maior fonte de receitas para a Argentina”, mas, infelizmente, no país “está começando a crescer a indústria” sem chaminés que diz respeito à exploração sexual de crianças e adolescentes. É o que sublinha a Comissão para a Pastoral dos Migrantes e do Turismo da Conferência Episcopal argentina, acrescentando que o chamado turismo sexual é um flagelo para muitas nações. Os bispos convidam todos os componentes institucionais, políticos e sociais do país a “colaborarem eficazmente para prevenir, individuar e denunciar casos de exploração sexual de crianças e adolescentes”.

Na Argentina - recordam os bispos - a exploração sexual de crianças e adolescentes é um crime e é punível pela lei, mas é preciso que “os legisladores aprovem leis mais rigorosas e mais eficazes para combater o turismo sexual, como está ocorrendo em outros países do mundo”. Segundo várias estimativas - recorda o jornal vaticano L'Osservatore Romano - mais de dois milhões de crianças são forçadas à se prostituírem: 500 mil delas vivem no Brasil e o restante, principalmente no sul e sudeste da Ásia.

A este flagelo estão ligados os interesses econômicos que superam os cinco bilhões de dólares. Hoje o fenômeno está se tornando cada vez mais global. Nesse sentido, paradoxalmente, contribui também a crise econômica global que faz com que diminua o custo das passagens aéreas. “Então, hoje - afirmam os bispos - em poucas horas os turistas do sexo podem chegar ao Brasil, Argentina, Tailândia ou Filipinas, onde a miséria empurra milhares de famílias, muitas vezes enganadas, a ceder aos seus filhos” para grupos especializados no tráfico de adolescentes. Os modernos meios eletrônicos, então, facilitam a ligação entre “oferta e demanda”. Combater juntos os predadores de crianças e o turismo sexual “é um imperativo moral e social”. (SP)


EL SALVADOR: DIÁLOGO ENTRE JUÍZES E FUNCIONÁRIOS DO SISTEMA JUDICIÁRIO

◊ San Salvador, 24 jan (RV) - A Igreja em El Salvador pediu, nesta segunda-feira, concórdia e moderação no conflito entre os juízes da Suprema Corte de Justiça e os funcionários do sistema judiciário, no contexto de uma greve iniciada por esses funcionários, na segunda-feira passada, exigindo aumento salarial.

"Fazemos um apelo à concórdia, um apelo à boa vontade e à moderação. Se é verdade que existem direitos, também existem deveres e limites nos próprios direitos", disse o Arcebispo de San Salvador, Dom José Luis Escobar Alas, numa coletiva de imprensa realizada, ontem, depois da missa dominical.

O prelado sublinhou a importância de "resolver os problemas sociais através do diálogo no qual prevalece uma atitude de respeito, generosidade e colaboração".

Dom Escobar Alas acrescentou que os trabalhadores precisam de um nivelamento de salário, mas insistiu que tal pedido deve ser feito de maneira civil, sem afetar terceiros.

Por causa da greve dos funcionários do sistema judiciário mais de setecentas audiências foram canceladas, os corpos não foram identificados no gabinete de medicina legal e cinqüenta prisioneiros foram libertados, pois seus casos não foram levados perante um juiz dentro do prazo de 72 horas exigido pela lei.

No último sábado, a Polícia Nacional Civil (PNC) obrigou a transferência de cadáveres para necrotérios dos hospitais públicos. (MJ)


Igreja no Mundo


SENEGAL: 11ª FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

◊ Dacar, 24 jan (RV) - Realiza-se em Dacar, no Senegal, de 6 a 11 de fevereiro próximo o Fórum Social Mundial.

O encontro será caracterizado por debates, conferências e outras atividades realizadas no campus da Universidade Cheikh Anta Diop. Estão sendo esperadas para a 11ª edição do Fórum Social Mundial, de 20 a 60 mil pessoas de várias organizações da sociedade civil que trabalham em favor de um mundo melhor.

Grande será a participação dos católicos com a presença da Caritas de vários países, de missionários, associações e organizações não-governamentais de inspiração católica.

A Caritas Italiana fará uma palestra sobre o tema "A responsabilidade indireta. Novas formas de participação nas finanças, na economia e na cultura em favor da justiça e do desenvolvimento".

A Caritas Francesa, Secours Catholique, participará com 110 membros. (MJ)


MALÁSIA: CONTROVÉRSIA SOBRE O USO DO NOME ALÁ

◊ Roma, 24 jan (RV) - Poderia se registrar algum progresso na controvérsia que se arrasta há mais de um ano na Malásia sobre a utilização da palavra Alá para designar o Deus dos cristãos. Os católicos receberam o parecer favorável do Supremo Tribunal, mas o Ministério do Interior conseguiu obter uma suspensão da sentença que impede de usar o termo pela imprensa católica local.

Agora, a nova edição de um dicionário malaio-latim publicado pela primeira vez em Roma em 1631 poderia demonstrar que o termo seria anterior ao século XX, como, ao invés afirmam os islâmicos, e que os missionários tiveram um papel fundamental no intercâmbio cultural entre a Europa e o sudeste asiático já 400 anos atrá.

“Trata-se de um instrumento fundamental para desmentir a crença errada de que a propagação do cristianismo nas línguas locais da Malásia é um fenômeno recente, do século XX”, afirma o Sacerdote Lawrence Andrew, editor da obra. O padre disse à agência AsiaNews que obteve da Santa Sé a permissão para a revisão do dicionário já 12 anos atrás mas que somente a agora conseguiu os recursos necessários para realizá-la. (SP)


IRAQUE: ENCONTRO DOS BISPOS CALDEUS

◊ Iraque, 24 jan (RV) - Realizou-se nos dias passados em Ankawa, no Iraque, a terceira reunião dos bispos caldeus, durante o qual os prelados elaboraram o programa da visita pastoral nas dioceses do novo núncio apostólico no Iraque e Jordânia, Dom Giorgio Lingua. Durante o encontro, como confirmado à agência “Baghdadhope” pelo Arcebispo de Kirkuk e coordenador dessas reuniões que se realizam mensalmente, Dom Louis Sako, ficou decidido que no próximo dia 22 de fevereiro será realizada na sede do arcebispado de Erbil, a reunião dos sacerdotes caldeus.

Durante este encontro será possível dar-lhes voz para aprofundar as aspirações em vários campos, entre os quais pastoral, espiritual e cultural, expressas em um específico documento que será publicado em breve. Em Ankawa também se discutiu sobre o próximo Sínodo da Igreja, como solicitado na mensagem enviada pelo Cardeal Patriarca Mar Emmanuel III Delly.

Os bispos presentes pediram que o Sínodo se realize no Iraque para encorajar os cristãos do país. No que se refere à situação dos cristãos destacou-se a importância do compromisso, por parte da Igreja, em tratar questões sensíveis que possam ter um efeito sobre a situação da comunidade cristã. Enfim se recordou também que a Igreja é chamada a orientar os políticos cristãos para o bem-estar da comunidade. (SP)


Atualidades

CASO BIBI: TEMOR PELA SUA VIDA

◊ Roma, 24 jan (RV) - A Fundação Masih, encarregada da defesa legal de Asia Bibi, a mãe de família cristã paquistanesa condenada à morte sob a Lei de Blasfêmia, informou que analisa junto com as autoridades a possibilidade de criar uma escolta privada, para evitar que Bibi seja atacada por radicais islâmicos quando for transladada ao tribunal ou enviada a outro cárcere.

Haroon Masih, líder da fundação, disse à agência Fides que foi formada uma escolta privada porque não existe confiança nos agentes muçulmanos que o Estado oferece; sobretudo depois que o governador de Punjab, Salman Tasir, fora assassinado por um dos seus guarda-costas por opor-se à lei de blasfêmia.

Fides indicou que, segundo a inteligência paquistanesa, Bibi recebe constantes ameaças e deve ser transladada a outra prisão. Entretanto, Haroon Masih advertiu que isto também é um perigo porque “os terroristas podem estar em qualquer lugar, e inclusive infiltrar-se entre os guardas que deveriam protegê-la”.

Com respeito ao transferimento para o tribunal, a fundação pediu que as audiências sejam realizadas dentro da prisão para evitar qualquer inconveniente, sobre tudo depois que 34 pessoas foram assassinadas por extremistas muçulmanos durante os processos por blasfêmia.

Duas destas vítimas são os irmãos Rashid e Sajid Emmanuel, assassinados por um desconhecido quando saíam de um tribunal em Faisalabad em julho de 2010. (SP)

© Rádio Vaticano 2011

Nenhum comentário: