Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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sábado, 23 de abril de 2011

VIA SACRA NO COLISEU: CONTEMPLAR "O SILÊNCIO DA NOITE, DA CRUZ, DA MORTE"

◊ Roma, 23 abr (RV) - Bento XVI reviveu na noite desta Sexta-feira Santa, junto com milhares de fiéis peregrinos o drama da Paixão e morte de Jesus, no Coliseu de Roma. A Via-Sacra - salienta-se na introdução do texto - quer estimular em nós este gesto de nos agarrarmos ao madeiro da Cruz de Cristo ao longo do mar da vida. Por isso, a Via-Sacra não é uma simples prática de devoção popular com caráter sentimental; mas exprime a essência da experiência cristã: “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mc 8, 34). É por este motivo que, cada Sexta-feira Santa, o Santo Padre percorre a Via-Sacra sob o olhar do mundo inteiro e em comunhão com ele.

Para a preparação da Via-Sacra deste ano, o Papa Bento XVI dirigiu-se ao mundo monástico agostiniano feminino, confiando a redação dos textos à Ir. Maria Rita Piccione, O.S.A., Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália «Nossa Senhora do Bom Conselho». E não são apenas os textos que são de uma monja agostiniana; também as imagens ganharam forma e tonalidade a partir de uma sensibilidade artística feminina e agostiniana. A Ir. Helena Maria Manganelli, O.S.A., do Ermo de Leccetto, outrora escultora de profissão, é a autora dos quadros que ilustraram as várias estações da Via-Sacra.

No início de cada estação, depois da habitual enunciação em italiano, uma frase muito breve, lida por dois adolescentes, que ofereceu a chave de leitura da respectiva estação.

Depois o texto bíblico, ilustrado por uma reflexão breve, mas clara e original. A oração dirigida ao “Humilde Jesus” – expressão cara a Santo Agostinho –, que deixa cair o adjetivo humilde na crucifixão-exaltação de Cristo, é a confissão que a Igreja-Esposa dirige ao Esposo que a redimiu com o seu Sangue. Segui-se uma invocação ao Espírito Santo, que guia os nossos passos e que derrama no nosso coração o amor divino (cf. Rm 5, 5): é a Igreja apostólico-petrina que bate à porta do coração de Deus.

Ao final da Via Sacra, da colina do Palatino, Bento XVI convidou os fiéis a contemplarem “o silêncio da noite, da cruz, da morte”.

“Esta noite, na fé, acompanhamos Jesus, que percorre o último trecho do seu caminho terreno, o trecho mais doloroso: o do Calvário. Ouvimos o alarido da multidão, as palavras da condenação, o ludíbrio dos soldados, o pranto da Virgem Maria e das outras mulheres. Agora mergulhamos no silêncio desta noite, no silêncio da cruz, no silêncio da morte. É um silêncio que guarda em si o peso do sofrimento do homem rejeitado, oprimido, esmagado, o peso do pecado que desfigura o seu rosto, o peso do mal. Esta noite, no íntimo do nosso coração, revivemos o drama de Jesus, carregado com o sofrimento, o mal, o pecado do homem”.

E agora, que resta diante dos nossos olhos?, perguntou o Papa. “Resta um Crucificado; uma Cruz levantada no Gólgota, uma Cruz que parece determinar a derrota definitiva d’Aquele que trouxera a luz a quem estava mergulhado na escuridão”.

“Mas fixemos bem aquele homem crucificado entre a terra e o céu, contemplemo-lo com um olhar mais profundo, e descobriremos que a Cruz não é o sinal da vitória da morte, do pecado, do mal, mas o sinal luminoso do amor, mais ainda, da imensidão do amor de Deus, daquilo que não teríamos jamais podido pedir, imaginar ou esperar: Deus debruçou-Se sobre nós, abaixou-Se até chegar ao ângulo mais escuro da nossa vida, para nos estender a mão e atrair-nos a Si, levar-nos até Ele”.

“A Cruz fala-nos do amor supremo de Deus e convida-nos a renovar, hoje, a nossa fé na força deste amor, a crer que em cada situação da nossa vida, da história, do mundo, Deus é capaz de vencer a morte, o pecado, o mal, e dar-nos uma vida nova, ressuscitada. Na morte do Filho de Deus na cruz, há o gérmen de uma nova esperança de vida, como o grão de trigo que morre no seio da terra”.

Bento XVI concluiu as suas palavras dizendo textualmente:

“Fixemos o nosso olhar em Jesus Crucificado e peçamos, rezando: Iluminai, Senhor, o nosso coração, para Vos podermos seguir pelo caminho da Cruz; fazei morrer em nós o ‘homem velho’, ligado ao egoísmo, ao mal, ao pecado, e tornai-nos ‘homens novos’, mulheres e homens santos, transformados e animados pelo vosso amor”. (SP)



PAPA RESPONDE PERGUNTAS DE FIÉIS

◊ Cidade do Vaticano, 23 abr (RV) – Ontem Sexta-feira Santa, a televisão de Estado italiana ‘RaiUno’ levou ao ar durante o programa “À sua imagem”, as respostas do Papa Bento XVI feitas pelos telespectadores.

A primeira pergunta foi feita por uma menina japonesa de 7 anos que, diante do terror vivido em seu país devido aos terremotos, disse ao Papa: “Tenho muito medo, porque a casa na qual eu me sentia segura tremeu muito e porque muitas crianças da minha idade morreram. (...) Por que tenho de passar por tanto medo? Por que as crianças têm de sofrer tanta tristeza?”. Bento XVI reconheceu que “não temos uma resposta, mas sabemos que Jesus sofreu como vocês, inocentes”, e recomendou: “Neste momento, parece-me importante que saibam que ‘Deus me ama’, ainda que pareça que Ele não me conhece”. Recordando também a solidariedade e a ajuda oferecida por pessoas do mundo inteiro, o Santo Padre lembrou que “um dia, eu compreenderei que este sofrimento não era uma coisa vazia, não era inútil, mas que, por trás do sofrimento, há um projeto bom, um projeto de amor. Não é por acaso”.

A segunda pergunta foi feita por uma mulher italiana cujo filho está em estado vegetativo há um ano: “Santidade, a alma do meu filho abandonou seu corpo - visto que ele está totalmente inconsciente - ou ainda está nele?”. O Papa respondeu que a alma ainda está presente no corpo e fez uma comparação: “A situação é semelhante à de um violão que tem as cordas quebradas e que não pode ser tocado: assim também o instrumento do corpo é frágil, vulnerável, e a alma não pode tocar, por assim dizer, mas continua presente”. “Sua presença, queridos pais, é um testemunho de fé em Deus, de fé no homem, de compromisso a favor da vida, de respeito pela vida humana, inclusive nas situações mais trágicas”, recordou.

Um grupo de jovens de Bagdá se dirigiu a Bento XVI para falar sobre a perseguição dos cristãos no Iraque: “De que maneira podemos ajudar nossa comunidade cristã, para que reconsidere o desejo de emigrar a outros países, convencendo-a de que ir embora não é a única solução?”. Renovando seu apoio aos cristãos e muçulmanos do país, o Santo Padre afirmou que o verdadeiro problema é que “a sociedade está profundamente dividida, lacerada” e que é preciso “reconstruir esta consciência de que, na diversidade, todos têm uma história comum, uma comum determinação”.

Também uma mulher muçulmana, da Costa do Marfim, falou da situação política do seu país, que está causando divisão entre cristãos e muçulmanos, e perguntou: “O senhor, como embaixador de Jesus, o que aconselharia ao nosso país?”. O Papa recordou a importância de orar pela população e mencionou ações concretas da Santa Sé: “Pedi ao cardeal Tuckson, que é presidente do nosso Conselho Justiça e Paz, que vá à Costa do Marfim e tente mediar, falar com os diversos grupos, com diferentes pessoas, para facilitar um novo começo”. E lembrou da necessidade de ouvir a voz de Jesus, “em quem vocês também acreditam como profeta. Ele era sempre o homem da paz”. “O único caminho é a renúncia à violência, recomeçar o diálogo, as tentativas de encontrar juntos a paz, uma nova atenção de uns aos outros, a nova disponibilidade a abrir-se uns aos outros. E esta, querida senhora, é a verdadeira mensagem de Jesus: busquem a paz com os meios da paz e abandonem a violência”, afirmou.

Outra pergunta veio da Itália: “O que Jesus fez no lapso de tempo entre a morte e a ressurreição? E, já que no Credo se diz que Jesus, depois da morte, desceu ao inferno, podemos pensar que isso é algo que acontecerá conosco também, depois da morte, antes de ascender ao céu?”.

O Papa explicou que “este descenso da alma de Jesus não deve ser imaginado como uma viagem geográfica, local, de um continente a outro. É uma viagem da alma. É preciso levar em consideração que a alma de Jesus sempre toca o Pai, está sempre em contato com o Pai, mas, ao mesmo tempo, esta alma humana se estende até os últimos confins do ser humano. Neste sentido, desce às profundezas, vai até os perdidos, dirige-se a todos aqueles que não alcançaram a meta das suas vidas”. “Esta palavra da descida do Senhor aos infernos significa, sobretudo, que Jesus alcança também o passado; que a eficácia da redenção não começa no ano zero ou no ano trinta, mas que chega ao passado, abrange o passado, todas as pessoas de todos os tempos”, acrescentou.

Com relação ao destino da alma humana, afirmou que “nossa vida é diferente: o Senhor já nos redimiu e nos apresentaremos ao Juiz, depois da nossa morte, sob o olhar de Jesus, e este olhar em parte será purificador; acho que todos nós, em maior ou medida, precisaremos ser purificados”.

Outra pergunta, vinda da Itália, também tratou do tema da ressurreição de Jesus: “O fato que de seu corpo ressuscitado não tenha as mesmas características de antes, o que significa? O que significa, exatamente, ‘corpo glorioso’? E a ressurreição, será assim também para nós?”.

“Naturalmente – disse Bento XVI –, não podemos definir o corpo glorioso, porque esta além da nossa experiência. Só podemos interpretar alguns dos sinais que Jesus nos deu para entender, ao menos um pouco, para onde esta realidade aponta.” Entre esses sinais, o Pontífice mencionou o sepulcro vazio, que indica que Jesus não abandonou seu corpo à corrupção: “Jesus assumiu também a matéria, razão pela qual a matéria também está destinada à eternidade”. Acrescentou que Cristo “assumiu esta matéria em uma nova forma de vida: Jesus não morre mais, ou seja, está muito além das leis da biologia, da física, porque os submetidos a elas morrem. (...) É uma vida nova, que já não está sujeita à morte, e essa é a nossa grande promessa”.

O Papa recordou que, na Eucaristia, Cristo nos dá seu corpo glorioso: “Assim, já estamos em contato com esta nova vida, este novo tipo de vida, já que Ele entrou em mim, e eu saí de mim e me estendo até uma nova dimensão da vida. Acho que este aspecto da promessa, da realidade de que Ele se entrega a mim e me faz sair de mim mesmo e me eleva, é a questão mais importante: não se trata de decifrar coisas que não podemos entender, mas de encaminhar-nos rumo à novidade que começa, sempre, de novo, na Eucaristia”.

A última pergunta foi sobre as palavras dirigidas por Jesus a Maria e a João aos pés da cruz: “Eis aqui o teu filho”, “Eis aqui a tua mãe” - que Bento XVI definiu, em seu último livro, como “uma disposição final de Jesus”. “Como devemos entender estas palavras? Que significado tinham naquele momento e que significado têm hoje em dia?”

O Santo Padre respondeu que “estas palavras de Jesus são, antes de mais nada, um ato muito humano. Vemos Jesus como um homem verdadeiro que leva a cabo um gesto de verdadeiro homem: um ato de amor por sua mãe, confiando-a ao jovem João, para que estivesse segura”. Por outro lado, explica que, “certamente, este gesto tem várias dimensões, não diz respeito apenas a esse momento: concerne a toda a história. Em João, Jesus confia todos nós, toda a Igreja, todos os futuros discípulos, à sua Mãe, e sua Mãe a nós”. Além disso, acrescentou, “a Mãe é também expressão da Igreja. Não podemos ser cristãos sozinhos, com um cristianismo construído segundo as minhas ideias. A Mãe é imagem da Igreja, da Mãe Igreja e, confiando-nos a Maria, também temos de confiar-nos à Igreja, viver a Igreja, ser Igreja com Maria”.

O programa “A sua imagem” durou cerca de uma hora e meia e Bento XVI acompanhou sua emissão da sua biblioteca, no Palácio Apostólico Vaticano. (SP-ZENIT)


PAIXÃO DO SENHOR: A CRUZ NÃO É SÓ JUÍZO DE DEUS SOBRE O MUNDO, MAS SEU SIM DE AMOR

◊ Cidade do Vaticano, 22 abr (RV) - Bento XVI presidiu a Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, na tarde desta Sexta-Feira Santa.

A homilia da liturgia de hoje, foi composta e proferida pelo Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa. O sacerdote ressaltou, citando a 1ª Carta de Paulo a Timóteo, que na sua Paixão, Jesus Cristo deu seu testemunho diante de Pilatos, numa bela profissão de fé.

Nós nos perguntamos, testemunho de quê? Não da verdade de sua vida e de sua causa. Muitos morreram, e ainda hoje morrem, por uma causa equivocada, acreditando que seja justa. "A ressurreição, esta sim testemunha a verdade de Cristo: Deus deu a todos prova garantida sobre Jesus, ressuscitando-o dos mortos", disse São Paulo Apóstolo em seu discurso no Areópago de Atenas.

"A morte não testemunha a verdade, mas o amor de Cristo", que deu sua vida não só pelos amigos, mas também pelos seus inimigos. "Jesus morreu pelos ímpios" – escreve São Paulo aos Romanos. "A rigor, alguém morreria por um justo, por uma pessoa muito boa talvez alguém se anime a morrer, mas eis aqui uma prova brilhante do amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Amou-nos quando éramos inimigos, para poder nos tornar amigos" – frisou Frei Cantalamessa.

A cruz não é só juízo de Deus sobre o mundo, refutação de sua sabedoria e revelação de seu pecado, mas o seu SIM de amor. "A injustiça, o mal como realidade não pode ser simplesmente ignorado, deixado como está. Deve ser eliminado, vencido. Apenas esta é a verdadeira misericórdia" – disse ainda o frade capuchinho.

"Como ter a coragem de falar do amor de Deus, enquanto temos diante dos olhos tantas tragédias humanas, como a catástrofe que se abateu sobre o Japão, ou as mortes no mar Mediterrâneo nas últimas semanas" – perguntou ainda o sacerdote.

"Permanecer em completo silêncio seria trair a fé e ignorar o significado do mistério que celebramos" – frisou Frei Cantalamessa, recordando que o mundo cristão volta a ser visitado pela prova do martírio. "Não podemos silenciar perante este testemunho. Os primeiros cristãos honravam seus mártires. Os atos de seus martírios eram lidos e distribuídos nas igrejas com grande respeito".

"O mundo se inclina diante dos testemunhos modernos da fé" – ressaltou o frade capuchinho recordando o ministro paquistanês, Shahbaz Bhatti, assassinado recentemente por causa da fé. "O seu testamento é deixado também para nós, seus irmãos na fé, e seria ingratidão deixá-lo cair no esquecimento" – frisou ele.

Falando ainda sobre o recente terremoto e tsunami que abalaram o povo japonês e da solidariedade manifestada por todo o mundo, Frei Cantalamessa ressaltou que "globalização tem ao menos este efeito positivo: a dor de um povo se torna a dor de todos, suscita a solidariedade de todos. Dá-nos a chance de descobrir que somos uma família humana, ligada no bem e no mal, e nos ajuda a superar as barreiras de raça, cor e religião".

O sacerdote lembrou que também houve um terremoto no momento da morte de Cristo, mas houve outro ainda maior no momento de sua ressurreição: "E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela (Mt 28, 2)". "Assim será sempre" – concluiu o frade capuchinho – "a cada terremoto de morte sucederá um terremoto de ressurreição de vida". (MJ)


PÁSCOA VIVIDA COM HARMONIA NO ORIENTE MÉDIO

◊ Jerusalém, 23 abr (RV) – A comunidades cristãs de todo o Oriente Médio estão dedicando-se, nessa Páscoa, de modo especial a todos os que perderam as suas vidas nas manifestações de rua nos diversos países do mundo árabe. De Jerusalém ao Iraque, passando por Gaza, do Egito ao Líbano, da Síria à Jordânia, de Chipre à Turquia até o Kuwait, as minorias cristãs mostram toda a sua vitalidade.

A agência de notícias Sir recolheu testemunhos naquelas terras. Na Jordânia, o vigário patriarcal, Dom Selim Sayegh, disse que estão rezando pelo país, para o bem do povo, pelo rei e pelo governo para que tomem as decisões políticas corretas. “A Páscoa oferece-nos a possibilidade de rezarmos com a mente voltada para o bem espiritual e material de todos, sem qualquer exclusão”.

No Egito, o patriarca copta-católico de Alexandria, Cardeal Antonios Naguib, falou sobre a “ressurreição de um povo que estava imerso no medo e na incapacidade de dizer o que sentia e via, mas que agora não está mais adormentado, mas vive e fala”. “Esta Páscoa - disse ele - vem em um momento especial, onde esperança mistura-se com preocupações, mas anuncia-nos serenidade e paz verdadeira”.

No Líbano, onde o clima é de tranqüilidade, o vigário apostólico dos latinos em Beirute, Dom Paul Dahdah, afirmou que “tudo deverá transcorrer sem problemas, graças a uma situação de calma social”. Ele observa, contudo, que se continua a “olhar com atenção o que ocorre nos países vizinhos”.

No Iraque, onde os cristãos têm lotado as igrejas desde o Domingo de Ramos, o vigário patriarcal de Bagdá, Dom Shelmon Warduni, explicou que “se a situação permanecer nessa relativa calma, será possível viver uma Páscoa tranqüila e rica de frutos”. “A maioria das igrejas recebeu um grande afluxo de pessoas”, disse ele. “Agora poderemos olhar para os próximos rituais com mais confiança. O exército e a polícia, junto com os nossos custódios, estão supervisionando as nossas igrejas, pois há ainda ameaças de bombas”, concluiu. No Iraque, como em Gaza, os ritos serão adiantados por motivos de segurança.

Em Chipre e no Kuwait, as celebrações serão realizadas pelas numerosas comunidades étnicas e imigrantes que são, em sua maioria, católicos. No Kuwait se celebra cinco ritos em 12 línguas. (ED)



SÍRIA TEVE A SEXTA-FEIRA MAIS VIOLENTA DO ÚLTIMO MÊS

◊ Damasco, 23 abr (RV) - Infelizmente, na Síria, esta sexta-feira foi o dia mais violento desse último mês de confrontos entre manifestantes pró-democracia e forças de segurança. O número de mortos subiu para 88. A agência de notícias Reuters juntou uma lista com o nome dessas vítimas, a qual teria sido enviada pelos Comitês de Coordenação Local (CCL).

Porém, conferir as informações ficou complicado na Síria, pois o governo do presidente Bashar al-Assad recusa pedidos de organizações internacionais e repórteres estrangeiros para entrarem no país.

Pelo menos outras 20 pessoas estão desaparecidas, de acordo com o diretor da Organização Nacional para os Direitos Humanos do país, Ammar Qurabi.

As manifestações contra o regime de Assad se espalharam por outros países da região. Desde meados de março, quando teve início essa onda de protestos, mais de 200 pessoas já morreram em choques com forças de segurança sírias.

Os manifestantes pedem reformas e o fim da Lei de Emergência, que era uma das principais exigências da oposição. O Estado de Emergência esteve vigente por 48 anos. Finalmente, ontem, o presidente ratificou uma lei que o encerrou. Os protestos pró-democracia na Síria começaram em 18 de março. (ED)



IGREJA CATÓLICA DEDICA DIA ESPECIAL À TERRA SANTA

◊ Jerusalém, 23 abr (RV) – Concomitantemente com a Sexta-Feira Santa, a Igreja dedicou o dia à Terra Santa, na qual foi promovida uma coleta em prol das comunidades cristãs. Uma assembléia orante e itinerante com o objetivo de rezar e celebrar nos mesmos lugares que foram palco da Paixão de Jesus.

Na Sexta-Feira Santa, a Basílica do Santo Sepulcro (que tem também a custódia do local do Calvário) tornou-se, mais que nunca, o coração da Jerusalém cristã. Desde o alvorecer, grupos de fiéis reuniram-se na praça em frente ao templo, esperando para participarem da Liturgia da Paixão junto ao altar de Gólgota, ou seja, ao lado da rocha sobre a qual foi posta a Cruz de Cristo.

No final da manhã, apesar de o tempo não ter colaborado muito, a cidade velha ficou bastante animada pelos fiéis. Todos com o mesmo desejo: percorrer o tortuoso caminho da rua mais famosa de Jerusalém, referida, em todas as línguas, como a “Via Dolorosa”. A “Via Dolorosa” foi por onde passou Jesus, carregando a Cruz. É uma rua na cidade velha de Jerusalém, que começa na Porta de Santo Estevão e percorre a parte ocidental desta porção da cidade, terminando na Igreja do Santo Sepulcro. A rua tem nove das catorze estações da Cruz. As cinco últimas estações estão no interior da Igreja do Santo Sepulcro.

Mas já na noite da Quinta-Feira Santa, tiveram início as celebrações das horas mais difíceis da vida de Jesus. Na Igreja de Getsemani foi realizada uma comovente celebração presidida pelo Custódio da Terra Santa, a qual foi transmitida ao vivo por diversas redes católicas de televisão. Entre cantos e leituras dos Evangelhos da Paixão, em diversos idiomas, os numerosos peregrinos relembraram os fatos do Evangelho que narram a Vigília, a Angústia, a prisão do Redentor e a sua oração ao Pai. E o fizeram estando presentes nos mesmos locais onde esses fatos aconteceram, ou seja, ao lado do Horto das Oliveiras e diante da pedra testemunha do suor e sangue de Cristo.

Após o momento de oração na Igreja de Getsemani, os fiéis percorreram o Vale do Cedron, em procissão, e com as velas acesas até a chegada à Igreja de Gallicantu, o lugar provável da casa de Caifás, onde Pedro renegou Jesus.

Muitos fiéis passaram toda a noite em oração. (ED)


EDITORIAL: OS POBRES, UMA RIQUEZA

◊ Cidade do Vaticano, 23 abr (RV) - “Os pobres são um recurso, não um problema”: uma frase do Arcebispo Dom Francis Chullikatt que ressoou nos dias passados nos corredores das Nações Unidas em Nova Iorque. O Observador permanente da Santa Sé junto à ONU criticou a visão distorcida de desenvolvimento de que a erradicação da pobreza eliminaria os pobres. O prelado, então, pediu aos governos que respeitem a dignidade da pessoa e em particular o direito dos pais a terem filhos, livres de qualquer tipo de coerção.

Nesta Semana Santa o nosso olhar se concentrou na Paixão e Morte de Jesus, na espera da sua Ressurreição. Vemos Jesus, como o último dos últimos, padecendo o suplício dos malfeitores, a morte na Cruz. Vemos sendo ultrajado, escarnecido, ignorado....um ninguém que nada conta para este mundo... como o último dos últimos... um miserável qualquer.... um pobre...

Desde sempre a Igreja olhou para os pobres como os destinatários da Boa-nova. Jesus mesmo reconheceu a riqueza e o valor dos pobres. Definiu sua própria missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres”. Ele mesmo viveu como pobre. Não possuiu nada para si, nem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça. E a quem queria segui-Lo ele mandava escolher: ou Deus, ou o dinheiro! “Felizes vocês pobres!”, disse Jesus. Então, quem é o “pobre”? É o pobre que tem o mesmo espírito que animou Jesus. Não é o rico. Nem é o pobre com cabeça de rico. Mas é o pobre que, como Jesus, acredita nos pobres e reconhece o valor deles.

A Igreja na América em Medelín fez a sua a Opção pelos pobres quando expressou de forma explícita a sua preocupação com relação à grande maioria da população deste continente, que vive em condição de miséria. A Igreja busca então cumprir a missão de Cristo que afirma: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância”. Apesar desta afirmação os ricos não são excluídos da Igreja, porém para serem incluídos – afirma Medelín – “estes devem também fazer a sua opção pelos pobres”.

O compromisso evangélico da Igreja deve ser como o de Cristo: um compromisso com os mais necessitados. Por isso a Igreja deve ter os olhos em Cristo quando se pergunta qual deve ser a sua ação evangelizadora. Os pobres merecem uma atenção preferencial, seja qual for a situação moral ou pessoal em que se encontrem. Criados à imagem e semelhança de Deus para serem seus filhos, esta imagem foi obscurecida e também escarnecida. Por isso Deus toma sua defesa e os ama. Assim os pobres são os primeiros destinatários da Boa-nova.

Os pobres não são um problema, visão distorcida – destacou Dom Francis Chullikatt – que os vêem como se fossem “objetos sem importância”; ao invés são “pessoas com uma inata dignidade”, que devem ser respeitadas e apoiadas.

Os pobres não são “coitados” de quem temos pena. São pessoas de quem devemos nos aproximar e nos fazermos solidários, com justiça e fraternidade. (SP)




MARIA À ESPERA DA RESSURREIÇÃO: UM EXEMPLO DE FÉ E AMOR PROFUNDOS

◊ CIdade do Vaticano, 23 abr (RV) - Hoje, após termos celebrado os mistérios da paixão e morte de Jesus, chegamos ao sábado, dia do silêncio, de recolhimento e da oração à espera da Ressurreição do Senhor. Por isso, queremos dedicar esses minutos do nosso tempo para pensarmos sobre a espera de Maria por esse acontecimento e a mensagem de esperança e de amor profundo que vem através dele.

Naquela madrugada de domingo, o sol ainda não raiara e algumas mulheres, entre elas Maria Madalena, estavam dirigindo-se à sepultura do Seu amado, para terminar de ungir o seu corpo com mirra e óleo perfumado. Essa passagem bíblica é contada pelos evangelistas com algumas variações.

Mateus conta-nos que “ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria vieram ver o sepulcro” cuja pedra da entrada havia sido removida por um anjo, que anunciou a ressurreição de Jesus e disse-lhes para irem contar aos discípulos. E então o próprio Filho de Deus apareceu ressuscitado às santas mulheres e disse-lhes “não temais, ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá me verão”. E assim foi feito.

Marcos conta que Jesus aparecera primeiramente a Maria Madalena, que “foi anunciá-lo àqueles que tinham estado em sua companhia e que estavam aflitos e choravam”. Eles, ouvindo que Ele estava vivo e que fora visto por ela, não creram. Como também não creram nos outros dois discípulos que disseram terem-no visto ressuscitado. “Finalmente – lê-se no Evangelho segundo São Marcos -, ele se manifestou aos Onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não haviam dado crédito aos que o tinham visto ressuscitado”.

São Lucas narra a passagem com a chegada das mulheres ao sepulcro já aberto, onde encontram dois homens, que perguntam: “por que procurais Aquele que vive entre os mortos? Ele não está aqui, ressuscitou. Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galiléia: é preciso que o filho do Homem seja entregue às mãos dos pecadores, seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia. E elas se lembraram de suas palavras. Elas creram, mesmo sem ver.

E acreditaram também Simão Pedro e outro discípulo, que, de acordo com o Evangelho segundo São João, entraram no sepulcro e viram os panos que envolviam o corpo de Jesus por terra, e o sudário que cobria a sua cabeça.

Maria, a mãe de Jesus, não estava entre essas mulheres que foram ungir o corpo de Jesus, pois tinha certeza da ressurreição de Seu Filho, do Filho de Deus, a qual havia sido por ele preanunciada. Por isso, não o procurava entre os mortos, mas esperava que a ela se mostrasse vivo. Essa aparição não é explicitada na Bíblia, pois deve ser subentedida, sendo obvio que Jesus ressuscitado apareceu antes a sua mãe, e depois aos outros. Ela sofreu com a morte do filho, mas teve fé, e foi recompensada por isso, vendo-o ressuscitado, indo de encontro ao seu Pai eterno, ao Reino dos Céus.

Quantas vezes também nos desesperamos, sofremos, mas depois vemos nossa fé recompensada com um desfecho que confirma nossas esperanças? Quando temos fé e esperança no bem, na palavra de Deus, nossos corações se enchem de amor e força para sairmos do sofrimento e renascermos na alegria. Como Maria, mãe do filho de Deus, mãe de todos nós. Que Ela nos guie no nosso percurso de renascimento interno, nos empreste sua fé e seu amor – por nós mesmos, pelos nossos irmãos e por Deus, Ele que é onde tudo inicia, termina e renasce. Ouça:



A ESPERA DE MARIA

◊ Cidade do Vaticano, 23 abr (RV) - Ontem, revivemos a paixão de Cristo, os momentos em que o Verbo de Deus se fez carne até o ponto de assumir todo o destino humano, inclusive a morte.

Hoje, Sábado Santo, à espera da ressurreição de Jesus, quem nos guia neste itinerário de esperança gloriosa é Maria, Mãe do Nosso Salvador, Mãe de toda a humanidade, Nossa Mãe.

Como todas as mulheres, Maria leva em seu coração a abertura ao outro. Ou melhor, Nossa Senhora é a mulher que eleva à sublime perfeição esta abertura. Seu amor faz com que a ausência de Jesus não seja experiência do vazio, mas experiência de esperança certa, confiante. Ela sabe que a Ressurreição está próxima.

Assim como nos velórios de hoje, em que nos reunimos para celebrar a memória de quem nos deixou, Maria reagrupa os amigos de Jesus, um após o outro. Um grupo de verdadeiros amigos de Cristo que crêem em sua Ressurreição. Afinal, também eles estão sós, apesar de a solidão de Maria ser diferente da solidão dos Apóstolos. Maria sabe que a morte não terá a última palavra, e a que a vida triunfará.

Mas nós, como os seguidores de Jesus, não temos a mesma certeza. Mesmo crendo em Cristo, nossa fé é frágil, vítima de provas cotidianas, de ciladas. Às vezes, a morte nos parece como um sonho desfeito, esquecendo a promessa de vida eterna.

E assim, um a um Maria recebe João, que chora um amigo, um irmão em Maria. Ela recebe Pedro, o renegado. Ensina-lhe que deve confiar somente em Jesus, que o conhece e o fortifica. E aos poucos, recebe os outros Apóstolos, que um a um acabam por retornar.

Recebe Madalena, Marta, Maria de Betânia, Lázaro... De modo doce, suave, apesar da tristeza, Maria comunica a todos a sua paz, a sua fé, a sua esperança.

O que Ela diria a nós, a cada um de nós? Ou melhor, o que diria a cada mãe que, como ela, perde o filho na insensatez da violência humana, da injustiça humana? Vítima do absurdo, da catástrofe, do acaso. O que diria Maria a uma mãe que chora a ausência de um filho que vai para a guerra, que chora a perda de um filho que morreu na guerra? Às mães que nos corredores dos hospitais procuram resposta ao por quê do sofrimento das crianças ou àquelas que não têm nem mesmo a oportunidade de curar o próprio filho? O que diria Maria às mães dos filhos encarcerados, vítimas da droga, do jogo, do dinheiro fácil, dos filhos que perderam o emprego, que têm diante de si um futuro incerto, vacilante, preocupante?

A todos, a cada um de nós, a cada uma das nossas angústias, Maria tem uma palavra de conforto, de consolo. Não são somente palavras, que podem ser desprovidas de significado, de vivência concreta, real. Não. São palavras que professam uma vivência, ou melhor, uma certeza: Jesus ressuscitará! Ela inaugura o papel de "consoladora" que Cristo ressuscitado magnificamente exercerá.

Deixemo-nos também nós, hoje, neste Sábado Santo, nos envolver pela paz consoladora de Maria. Que esta paz nos acompanhe em todos os momentos em que a morte insensata se apresentar em nossa vida, quando transtornar o nosso caminho.... Lembremo-nos de Nossa Mãe. Ela sabe que a ressurreição está próxima!


ESPIRITUALIDADE PASCAL

◊ Rio de Janeiro, 23 abr (RV) - Com a celebração do tríduo pascal culminando na vigília do sábado para domingo nós iniciamos o tempo pascal. Na realidade o evento pascal ilumina e motiva toda a vida cristã. É central em nossa espiritualidade. Por isso mesmo, “fazer Páscoa” anualmente é essencial para o cristão poder viver o seu dia a dia alimentado pela presença do Cristo Vivo e Ressuscitado.
O Tríduo Pascal é a celebração da Páscoa sob três dimensões: a da instituição da Eucaristia na Última Ceia, o sacrifício de Cristo na Cruz derramando o seu Sangue Precioso e a Sua presença Ressuscitado anunciando a vida que venceu a morte! Nós iniciamos na quinta feira santa à noite para concluirmos com a bênção final no sábado santo. E com essa celebração iniciaos a oitava da Páscoa abrindo o tempo pascal.
Apesar de Jesus ter antecipadamente anunciado que seria preciso passar pela paixão antes de entrar em sua glória (cf. Lc 24,26), os discípulos não tinham conseguido assimilar toda a dimensão e o sentido dos fatos ligados à paixão e morte do Mestre. O mistério da morte é sempre difícil de ser compreendido, mesmo quando iluminado pela fé na ressurreição. Era preciso que o Cordeiro de Deus fosse imolado para entrar na glória (cf. Jo 1,29).
No querigma anunciado por Pedro na manhã de Pentecostes, fica evidente a vontade salvífica do Pai: “Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse” (cf. At 2,23-24). Cristo crucificado torna explícito o simbolismo da serpente de bronze no deserto (cf. Nm 21,4-9): “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (cf. Jo 12,32).
A celebração da Páscoa nos convida a morrermos com Cristo para com ele entrarmos na vida nova por ele inaugurada (cf. Rm 6,8). O simbolismo nos conduz ao Batismo e à vida batismal, ao êxodo, ao retorno do exílio, a passagem do inverno para a primavera, porém agora atingindo a nova e eterna aliança no sangue de Cristo, vencendo o pecado que causa morte e levando a pessoa humana para a vida divina. A vivência do mistério pascal requer abandonar o velho fermento do pecado, da maldade, ou da iniqüidade para nos tornar pães ázimos da sinceridade e da verdade (cf. 1Cor 5,7-8). Só então será possível inaugurar a vida nova com o novo fermento da graça e da fidelidade a Cristo.
Com a Páscoa, estamos no centro da espiritualidade cristã. Muitas pessoas pensam neste tempo apenas como se fosse um feriado prolongado! Acabam perdendo a oportunidade de celebrara Páscoa. Envolvida por esse ambiente consumista, a celebração da Páscoa, infelizmente, não constitui, para muitos cristãos, o acontecimento central de sua vida religiosa. Para tantos outros os eventos celebrados não passam de ritos tradicionais, quando muito acompanhados, mas não vivenciados. Falta-nos a iniciação “aos mistérios” de nossa fé! O respeito ao jejum, abstinência de carne já foi esquecido, bem como da contemplação e do silêncio na sexta-feira santa. Nesse mundo plural sabemos que as festa, as orgias continuam como se nada estivesse ocorrendo. E muitos dos que estão nessa vida foram um dia por nós batizados.
O mistério pascal constitui o fundamento e o centro, a chave de leitura do culto e da vida cristã. A liturgia, particularmente a Sagrada Eucaristia, é o memorial da morte e ressurreição de Cristo. Quando, na última Ceia, Jesus conclamou seus discípulos a fazerem o que ele fez – fazei isto em memória de mim – estabeleceu não apenas um rito comemorativo, mas um compromisso de fidelidade. Por isso, aclamamos: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda”.
Portanto, a ordem de Jesus “Fazei isto em memória de mim” vai muito além de mera repetição ritual comemorativa da Última Ceia: participamos realmente dos frutos da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Na Eucaristia Jesus se dá como alimento. Ele é o verdadeiro viático, isto é, o alimento da nossa peregrinação em busca do Reino definitivo. Quando celebramos o mistério da entrega total de Cristo por nós, nos comprometemos a dar nossa vida como oferta agradável ao Senhor. O Corpo dado por nós e o sangue por nós derramado selam nosso compromisso pessoal e definitivo de darmos também nós a vida por Cristo e pelos irmãos em vista da transformação da sociedade humana.
A páscoa de Cristo deve ser entendida como sinal e antecipação de um mundo novo, povoado por um povo novo num processo de regeneração universal. É o início do “oitavo dia”! Como discípulo de Cristo, o cristão deve ser novo fermento para nova humanidade. À medida que celebramos a vida nova interiorizamos o mistério pascal e nos tornamos templos novos do Senhor. Não nos encontramos com um deus impessoal, genérico, motor imóvel, mas com o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso subir das coisas inferiores para as superiores, das realidades exteriores às interiores (cf. Cl 3,1-2).
A espiritualidade pascal não se restringe ao tempo pascal. Necessariamente se expande por todo o ano litúrgico e se desdobra nas diferentes celebrações do mistério de Cristo, na certeza de que “se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre ele. Pois aquele que morreu, morreu para o pecado, uma vez por todas, e aquele que vive, vive para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, no Cristo Jesus” (cf. Rm 6,8-11).
A espiritualidade pascal nos convoca constantemente renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós: a sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque em Cristo ressuscitado é nos dada a certeza da nossa ressurreição. A notícia da sua ressurreição dos mortos não envelhece e Jesus está sempre vivo; e vivo é o seu Evangelho. "A fé dos cristãos observa Santo Agostinho é a ressurreição de Cristo". Os Atos dos Apóstolos explicam-no claramente: "Deus ofereceu a todos um motivo de crédito com o fato de O ter ressuscitado dentre os mortos" (17, 31). A morte do Senhor demonstra o amor imenso com que Ele nos amou até ao sacrifício por nós; mas só a sua ressurreição é "prova certa", é certeza de que quanto Ele afirma é verdade que vale também para nós, para todos os tempos. Ressucitando-o, o Pai glorificou-o. São Paulo assim escreve na Carta aos Romanos: "Se confessares com a tua boca o Senhor Jesus e creres no teu coração que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (10, 9).
A Páscoa é a exaltação ou glorificação do Crucificado. De fato, no Evangelho de João, Jesus exclama: "E quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim" (12, 32; cf. 3, 14; 8, 28). No hino inserido na Carta aos Filipenses, depois de ter descrito a profunda humilhação do Filho de Deus na morte de cruz, Paulo celebra assim a Páscoa: "Por isso é que Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus, todo o joelho se dobre nos Céus, na Terra e nos Infernos, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai" (2, 9-11).
Que a espiritualidade pascal nos insira na vivência das alegrias do Ressuscitado! Feliz Páscoa!


† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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