Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Encontro de blogueiros no Vaticano será "oportunidade para saber o que a Igreja espera"

ROMA, 25 Abr. 11 (ACI) .- Jorge Enrique Mújica, uns dos blogueiros que participará no próximo 2 de maio no chamado "Vatican Meeting Blog" explicou à Agência ACI Prensa em espanhol que esta reunião é "uma magnífica oportunidade para saber o que a Igreja espera da comunidade de blogueiros".

O Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais publicou no dia 16 de abril a lista de 150 convidados que participarão do encontro. O Vaticano recebeu 750 solicitudes para comparecer ao evento.

Em declarações à ACI Prensa, Mújica do blog Actualidadyanalisis.blogspot.com, destacou que o congresso se realiza "um dia depois da beatificação de João Paulo II a quem devemos as primeiras orientações do magistério sobre a internet -Bento foi o primeiro que falou sobre as redes sociais-. Neste sentido, é um especial motivo de alegria reunir-nos em Roma sob o patrocínio do Papa da comunicação".

Ele recordou que este congresso "ocorre depois de que em novembro de 2010 fosse realizado o de imprensa digital católica, onde emergiu a necessidade de diálogo eclesiástico também com bloggers" e acrescentou que com esta nova iniciativa "aprecia-se o gesto de proximidade e pronta atenção por parte da Igreja a esta comunidade específica".

A reunião servirá para conhecer outros companheiros, "compartilhar inquietudes e modos de eventual trabalho em conjunto, da diversidade e especificidade de cada blog", para contribuir à Nova Evangelização, indicou.

Mújica entende este encontro como "um desafio", pois "cada blog aborda diversas temáticas: alguns estão alojados e contam com o financiamento de grandes empresas, outros são independentes e de uma qualidade técnica e de conteúdo indiscutível, enquanto que outros têm uma apresentação e qualidade mais discreta", acrescentou.

O blog de Mújica está dirigido a "falar da relação às vezes conflitiva entre imprensa e religião, entre meios de comunicação e Igreja".

O promotor do encontro, e responsável pelo Departamento "Comunicação e linguagens" do Dicastério de Cultura da Cúria Romana, Richard Rouse, explicou em um comunicado que buscou-se assegurar uma presença diversificada na seleção dos bloggers.

Por outro lado, Rouse esclareceu que o fato de ter sido selecionado não implicará nenhuma aprovação dos conteúdos dos blogs por parte do Vaticano, e no caso contrário, a não-seleção tampouco significaria sua desaprovação.


Jornal vaticano publicará especial pela beatificação de João Paulo II

ROMA, 25 Abr. 11 (ACI) .- O jornal vaticano LOsservatore Romano (LOR) anunciou que publicará em 27 de abril um especial de 100 páginas, totalmente a cores, pela beatificação do Papa João Paulo II, e que estará disponível em italiano, polonês, inglês, espanhol, alemão, francês e português.

Esta revista, explica LOR, foi impressa em sete países dos quatro continentes: Austrália, Brasil, Canadá, Índia, Itália, Reino Unido e Espanha, com uma edição total de quase 400 000 cópias.

Além do testamento de João Paulo II e a homilia da Missa de exéquias do então Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI), a revista apresenta outras homilias do Santo Padre lembrando o Pontífice polonês, além de artigos, entrevistas e uma detalhada cronologia.

Esta revista, conclui a nota, busca ser "uma homenagem a um cristão exemplar e um grande Bispo de Roma protagonista de um pontificado que já ingressou na história. O especial é um verdadeiro número de coleção, ilustrado por belíssimas e raras fotografias".

domingo, 24 de abril de 2011

APÓS A MISSA PASCAL, A MENSAGEM E A BENÇÃO URBI ET ORBI DO PAPA: "A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DÁ FORÇA E SIGNIFICADO A CADA ESPERANÇA HUMANA"

◊ Cidade do Vaticano, 24 abr (RV) – Após presidir a Missa Pascal, Bento XVI, ao meio dia deste domingo, subiu ao balcão central da Basílica de São Pedro, de onde proferiu a sua mensagem de Páscoa. Dirigindo-se a todos os milhares de fiéis e peregrinos presentes na praça diante da Basílica, e também a todos os fiéis do mundo, o Papa iniciou: “A manhã de Páscoa trouxe-nos este anúncio antigo e sempre novo: Cristo ressuscitou!” - do que se seguiu um animado aplauso dos presentes. E assim, o Santo Padre continuou: “o eco deste acontecimento, que partiu de Jerusalém há vinte séculos, continua a ressoar na Igreja, que traz viva no coração a fé vibrante de Maria, a Mãe de Jesus, a fé de Madalena e das primeiras mulheres que viram o sepulcro vazio, a fé de Pedro e dos outros Apóstolos”.

O Pontífice seguiu sua mensagem explicando que “a ressurreição de Cristo não é fruto de uma especulação, de uma experiência mística: é um acontecimento, que ultrapassa certamente a história, mas verifica-se num momento concreto da história e deixa nela uma marca indelével. A luz, que encandeou os guardas de sentinela ao sepulcro de Jesus, atravessou o tempo e o espaço. É uma luz diferente, divina, que fendeu as trevas da morte e trouxe ao mundo o esplendor de Deus, o esplendor da Verdade e do Bem”.

Nas palavras do Santo Padre: “a Ressurreição de Cristo dá força e significado a cada esperança humana, a cada expectativa, desejo, projeto. Por isso, hoje, o universo inteiro se alegra, implicado na primavera da humanidade, que se faz intérprete do tácito hino de louvor da criação. O aleluia pascal, que ressoa na Igreja peregrina no mundo, exprime a exultação silenciosa do universo e sobretudo o anseio de cada alma humana aberta sinceramente a Deus, mais ainda, agradecida pela sua infinita bondade, beleza e verdade”.

Bento XVI falou então sobre as situações de miséria, fome, doenças, violência e guerra, que contrastam com o aleluia pascal, mas que, devemos lembrar, que para a redenção da nossa história também de hoje Cristo foi crucificado e ressuscitou. Recordou em seguida os povos do Oriente Médio, invocando para estes “a luz da paz e da dignidade humana”, que “vença as trevas da divisão, do ódio e das violências”. “Na Líbia – disse o Pontífice -, que as armas cedam o lugar à diplomacia e ao diálogo e se favoreça o acesso das ajudas humanitárias a quantos sofrem as consequências da luta. Nos países da África do Norte e do Oriente Médio, que todos os cidadãos – e de modo particular os jovens – se esforcem por promover o bem comum e construir um sociedade, onde a pobreza seja vencida e cada decisão política seja inspirada pelo respeito da pessoa humana. A tantos migrantes e refugiados, que provêm de diversos países africanos e se vêem forçados a deixar os afetos dos seus entes mais queridos, chegue a solidariedade de todos; os homens de boa vontade sintam-se inspirados a abrir o coração ao acolhimento, para que se torne possível, de maneira solidária e concorde, acudir às necessidades prementes de tantos irmãos; a quantos se prodigalizam com generosos esforços e dão exemplares testemunhos nesta linha chegue o nosso conforto e apreço.”

Continuou auspiciando que “possa recompor-se a convivência civil entre as populações da Costa do Marfim, onde é urgente empreender um caminho de reconciliação e perdão, para curar as feridas profundas causadas pelas recentes violências”. Fez especial menção ainda ao Japão e aos demais países que, nos meses passados, passaram por calamidades naturais.

E encerrando sua mensagem deste domingo de Páscoa, o Papa disse: “Cristo ressuscitado caminha à nossa frente para os novos céus e a nova terra (cf. Ap 21, 1), onde finalmente viveremos todos como uma única família, filhos do mesmo Pai. Ele está conosco até ao fim dos tempos. Sigamos as suas pegadas, neste mundo ferido, cantando o aleluia. No nosso coração, há alegria e sofrimento; na nossa face, sorrisos e lágrimas. A nossa realidade terrena é assim. Mas Cristo ressuscitou, está vivo e caminha conosco. Por isso, cantamos e caminhamos, fiéis ao nosso compromisso neste mundo, com o olhar voltado para o Céu.”

Após a mensagem, o Santo Padre fez a saudação de Páscoa aos fiéis e peregrinos em 60 diferentes idiomas, entre os quais, português. Em seguida aos votos de Boa Páscoa, o Papa concedeu a todos a Benção Urbi et Orbi. (ED)



BENTO XVI PRESIDIU A VIGÍLIA PASCAL NA BASÍLICA DE SÃO PEDRO: EM SUA HOMILIA, A CRIAÇÃO

◊ Cidade do Vaticano, 24 abr (RV) - Na noite deste sábado, 23 de abril, o Papa Bento XVI presidiu a celebração da Vigília Pascal na Basílica de São Pedro. Esta teve início no átrio da Basílica, com a benção do fogo e a preparação do círio pascal. Durante a cerimônia, o Santo Padre administrou o batismo, a crisma e a primeira comunhão a seis catecúmenos, provenientes da Suíça, Albânia, Rússia, Peru, Singapura e China.

Iniciando a sua homilia, na qual tratou longamente sobre a Criação, o Pontífice explicou: “dois grandes sinais caracterizam a celebração litúrgica da Vigília Pascal. Temos antes de mais nada – disse -, o fogo que se torna luz. A luz do círio pascal que, na procissão através da igreja encoberta na escuridão da noite, se torna uma onda de luzes, fala-nos de Cristo como verdadeira estrela da manhã eternamente sem ocaso, fala-nos do Ressuscitado em quem a luz venceu as trevas”.

Em seguida, o Papa falou sobre o segundo sinal, que é a água: “esta recorda, por um lado, as águas do Mar Vermelho, o afundamento e a morte, o mistério da Cruz; mas, por outro, aparece-nos como água nascente, como elemento que dá vida na aridez. Torna-se assim imagem do sacramento do Batismo, que nos faz participantes da morte e ressurreição de Jesus Cristo”.

Bento XVI ressaltou então outra característica da Vigília, que disse ser verdadeiramente essencial, qual seja: o fato de nos proporcionar um vasto encontro com a palavra da Sagrada Escritura. “A Igreja quer, através de uma ampla visão panorâmica, conduzir-nos ao longo do caminho da história da salvação, desde a criação passando pela eleição e a libertação de Israel até aos testemunhos proféticos, pelos quais toda esta história se orienta cada vez mais claramente para Jesus Cristo”, sublinhou o Papa.

E assim recordou que, “na Vigília Pascal, o percurso ao longo dos caminhos da Sagrada Escritura começa pelo relato da Criação”, a qual disse não se tratar de uma informação sobre a realização exterior da transformação do universo e do homem. O Santo Padre a compreende “não como narração real das origens das coisas, mas como apelo ao essencial, ao verdadeiro princípio e ao fim do nosso ser”.

Falou ainda sobre a mensagem central do relato da Criação, citando São João, nas primeiras palavras do seu Evangelho “No princípio, era o Verbo”. “O mundo é uma produção da Palavra, do Logos, como se exprime João com um termo central da língua grega. ‘Logos’ significa ‘razão’, ‘sentido’, ‘palavra’ ”. E prosseguiu: “não é apenas razão, mas Razão criadora que fala e comunica a Si mesma. Trata-se de Razão que é sentido, e que cria, Ela mesma, sentido. Por isso, o relato da criação diz-nos que o mundo é uma produção da Razão criadora. E deste modo diz-nos que, na origem de todas as coisas, não está o que é sem razão, sem liberdade; pelo contrário, o princípio de todas as coisas é a Razão criadora, é o amor, é a liberdade”.

Referindo-se à celebração do primeiro dia da criação, Bento XVI ressaltou: “deste modo, celebramos Deus, o Criador, e a sua criação”. “Sim, creio em Deus, Criador do Céu e da Terra” – afirmou. “E celebramos o Deus que Se fez homem, padeceu, morreu, foi sepultado e ressuscitou. Celebramos a vitória definitiva do Criador e da sua criação. (...) Celebramo-lo, porque sabemos que agora vale definitivamente o que se diz no fim do relato da criação: ‘Deus viu que tudo o que tinha feito; era tudo muito bom’ (Gn 1, 31)” -, concluiu o Papa. (ED)



VIGÍLIA PASCAL: A LUZ VENCEU AS TREVAS

◊ Cidade do Vaticano, 23 abr (RV) - Sábado Santo, o Papa Bento XVI presidiu na noite de hoje na Basílica de São Pedro a Vigília Pascal. Durante a celebração o Santo Padre batizou, crismou e deu a Sagrada comunhão a seis novos cristãos. Publicamos a seguir a homilia que Bento XVI fez durante a cerimônia.


Amados irmãos e irmãs,

Dois grandes sinais caracterizam a celebração litúrgica da Vigília Pascal. Temos antes de mais nada o fogo que se torna luz. A luz do círio pascal que, na procissão através da igreja encoberta na escuridão da noite, se torna uma onda de luzes, fala-nos de Cristo como verdadeira estrela da manhã eternamente sem ocaso, fala-nos do Ressuscitado em quem a luz venceu as trevas. O segundo sinal é a água. Esta recorda, por um lado, as águas do Mar Vermelho, o afundamento e a morte, o mistério da Cruz; mas, por outro, aparece-nos como água nascente, como elemento que dá vida na aridez. Torna-se assim imagem do sacramento do Baptismo, que nos faz participantes da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Mas não são apenas estes grandes sinais da criação, a luz e a água, que fazem parte da liturgia da Vigília Pascal; outra característica verdadeiramente essencial da Vigília é o facto de nos proporcionar um vasto encontro com a palavra da Sagrada Escritura. Antes da reforma litúrgica, havia doze leituras do Antigo Testamento e duas do Novo. As do Novo Testamento permaneceram; entretanto o número das leituras do Antigo Testamento acabou fixado em sete, que, atendendo às situações locais, se podem reduzir a três leituras. A Igreja quer, através de uma ampla visão panorâmica, conduzir-nos ao longo do caminho da história da salvação, desde a criação passando pela eleição e a libertação de Israel até aos testemunhos proféticos, pelos quais toda esta história se orienta cada vez mais claramente para Jesus Cristo. Na tradição litúrgica, todas estas leituras se chamavam profecias: mesmo quando não são directamente vaticínios de acontecimentos futuros, elas têm um carácter profético, mostram-nos o fundamento íntimo e a direcção da história; fazem com que a criação e a história se tornem transparentes no essencial. Deste modo tomam-nos pela mão e conduzem-nos para Cristo, mostram-nos a verdadeira luz.

Na Vigília Pascal, o percurso ao longo dos caminhos da Sagrada Escritura começa pelo relato da criação. Desta forma, a liturgia quer-nos dizer que também o relato da criação é uma profecia. Não se trata de uma informação sobre a realização exterior da transformação do universo e do homem. Bem cientes disto estavam os Padres da Igreja, que entenderam este relato não como narração real das origens das coisas, mas como apelo ao essencial, ao verdadeiro princípio e ao fim do nosso ser. Ora, podemo-nos interrogar: mas, na Vigília Pascal, é verdadeiramente importante falar também da criação? Não se poderia começar pelos acontecimentos em que Deus chama o homem, forma para Si um povo e cria a sua história com os homens na terra? A resposta deve ser: não! Omitir a criação significaria equivocar-se sobre a história de Deus com os homens, diminuí-la, deixar de ver a sua verdadeira ordem de grandeza. O arco da história que Deus fundou chega até às origens, até à criação. A nossa profissão de fé inicia com as palavras: «Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra». Se omitimos este início do Credo, a história global da salvação torna-se demasiado restrita, demasiado pequena. A Igreja não é uma associação qualquer que se ocupa das necessidades religiosas dos homens e cujo objectivo se limitaria precisamente ao de uma tal associação. Não, a Igreja leva o homem ao contacto com Deus e, consequentemente, com o princípio de tudo. Por isso, Deus tem a ver connosco como Criador, e por isso possuímos uma responsabilidade pela criação. A nossa responsabilidade inclui a criação, porque esta provém do Criador. Deus pode dar-nos vida e guiar a nossa vida, só porque Ele criou o todo. A vida na fé da Igreja não abrange somente o âmbito de sensações e sentimentos e porventura de obrigações morais; mas abrange o homem na sua integralidade, desde as suas origens e na perspectiva da eternidade. Só porque a criação pertence a Deus, podemos depositar n’Ele completamente a nossa confiança. E só porque Ele é Criador, é que nos pode dar a vida por toda a eternidade. A alegria e gratidão pela criação e a responsabilidade por ela andam juntas uma com a outra.

Podemos determinar ainda mais concretamente a mensagem central do relato da criação. Nas primeiras palavras do seu Evangelho, São João resumiu o significado essencial do referido relato com uma única frase: «No princípio, era o Verbo». Com efeito, o relato da criação, que ouvimos anteriormente, caracteriza-se pela frase que aparece com regularidade: «Disse Deus…». O mundo é uma produção da Palavra, do Logos, como se exprime João com um termo central da língua grega. «Logos» significa «razão», «sentido», «palavra». Não é apenas razão, mas Razão criadora que fala e comunica a Si mesma. Trata-se de Razão que é sentido, e que cria, Ela mesma, sentido. Por isso, o relato da criação diz-nos que o mundo é uma produção da Razão criadora. E deste modo diz-nos que, na origem de todas as coisas, não está o que é sem razão, sem liberdade; pelo contrário, o princípio de todas as coisas é a Razão criadora, é o amor, é a liberdade. Encontramo-nos aqui perante a alternativa última que está em jogo na disputa entre fé e incredulidade: o princípio de tudo é a irracionalidade, a falta de liberdade e o acaso, ou então o princípio do ser é razão, liberdade, amor? O primado pertence à irracionalidade ou à razão? Tal é a questão de que, em última análise, se trata. Como crentes, respondemos com o relato da criação e com João: na origem, está a razão. Na origem, está a liberdade. Por isso, é bom ser uma pessoa humana. Assim o que sucedera no universo em expansão não foi que por fim, num angulozinho qualquer do cosmos, ter-se-ia formado por acaso também uma espécie como qualquer outra de ser vivente, capaz de raciocinar e de tentar encontrar na criação uma razão ou de lha conferir. Se o homem fosse apenas um tal produto casual da evolução num lugar marginal qualquer do universo, então a sua vida seria sem sentido ou mesmo um azar da natureza. Mas não! No início, está a Razão, a Razão criadora, divina. E, dado que é Razão, ela criou também a liberdade; e, uma vez que se pode fazer uso indevido da liberdade, existe também o que é contrário à criação. Por isso se estende, por assim dizer, uma densa linha escura através da estrutura do universo e através da natureza do homem. Mas, apesar desta contradição, a criação como tal permanece boa, a vida permanece boa, porque na sua origem está a Razão boa, o amor criador de Deus. Por isso, o mundo pode ser salvo. Por isso podemos e devemos colocar-nos da parte da razão, da liberdade e do amor, da parte de Deus que nos ama de tal maneira que Ele sofreu por nós, para que, da sua morte, pudesse surgir uma vida nova, definitiva, restaurada.

O relato veterotestamentário da criação, que escutámos, indica claramente esta ordem das coisas. Mas faz-nos dar um passo mais em frente. O processo da criação aparece estruturado no quadro de uma semana que se orienta para o Sábado, encontrando neste a sua perfeição. Para Israel, o Sábado era o dia em que todos podiam participar no repouso de Deus, em que homem e animal, senhor e escravo, grandes e pequenos estavam unidos na liberdade de Deus. Assim o Sábado era expressão da aliança entre Deus, o homem e a criação. Deste modo, a comunhão entre Deus e o homem não aparece como um acréscimo, algo instaurado posteriormente num mundo cuja criação estava já concluída. A aliança, a comunhão entre Deus e o homem, está prevista no mais íntimo da criação. Sim, a aliança é a razão intrínseca da criação, tal como esta é o pressuposto exterior da aliança. Deus fez o mundo, para haver um lugar no qual Ele pudesse comunicar o seu amor e a partir do qual a resposta de amor retornasse a Ele. Diante de Deus, o coração do homem que Lhe responde é maior e mais importante do que todo o imenso universo material que, certamente, já nos deixa vislumbrar algo da grandeza de Deus.

Entretanto, na Páscoa e a partir da experiência pascal dos cristãos, devemos ainda dar mais um passo. O Sábado é o sétimo dia da semana. Depois de seis dias em que o homem, de certa forma, participa no trabalho criador de Deus, o Sábado é o dia do repouso. Mas, na Igreja nascente, sucedeu algo de inaudito: no lugar do Sábado, do sétimo dia, entra o primeiro dia. Este, enquanto dia da assembleia litúrgica, é o dia do encontro com Deus por meio de Jesus Cristo, que no primeiro dia, o Domingo, encontrou como Ressuscitado os seus, depois que estes encontraram vazio o sepulcro. Agora inverte-se a estrutura da semana: já não está orientada para o sétimo dia, em que se participa no repouso de Deus; a semana inicia com o primeiro dia como dia do encontro com o Ressuscitado. Este encontro não cessa jamais de verificar-se na celebração da Eucaristia, durante a qual o Senhor entra de novo no meio dos seus e dá-Se a eles, deixa-Se por assim dizer tocar por eles, põe-Se à mesa com eles. Esta mudança é um facto extraordinário, quando se considera que o Sábado – o sétimo dia – está profundamente radicado no Antigo Testamento como o dia do encontro com Deus. Quando se pensa como a passagem do trabalho ao dia do repouso corresponde também a uma lógica natural, torna-se ainda mais evidente o alcance impressionante de tal alteração. Este processo inovador, que se deu logo ao início do desenvolvimento da Igreja, só se pode explicar com o facto de ter sucedido algo de inaudito em tal dia. O primeiro dia da semana era o terceiro depois da morte de Jesus; era o dia em que Ele Se manifestou aos seus como o Ressuscitado. De facto, este encontro continha nele algo de impressionante. O mundo tinha mudado. Aquele que estivera morto goza agora de um vida que já não está ameaçada por morte alguma. Fora inaugurada uma nova forma de vida, uma nova dimensão da criação. O primeiro dia, segundo o relato do Génesis, é aquele em que teve início a criação. Agora tornara-se, de uma forma nova, o dia da criação, tornara-se o dia da nova criação. Nós celebramos o primeiro dia. Deste modo celebramos Deus, o Criador, e a sua criação. Sim, creio em Deus, Criador do Céu e da Terra. E celebramos o Deus que Se fez homem, padeceu, morreu, foi sepultado e ressuscitou. Celebramos a vitória definitiva do Criador e da sua criação. Celebramos este dia como origem e simultaneamente como meta da nossa vida. Celebramo-lo porque agora, graças ao Ressuscitado, vale de modo definitivo que a razão é mais forte do que a irracionalidade, a verdade mais forte do que a mentira, o amor mais forte do que a morte. Celebramos o primeiro dia, porque sabemos que a linha escura que atravessa a criação não permanece para sempre. Celebramo-lo, porque sabemos que agora vale definitivamente o que se diz no fim do relato da criação: «Deus viu que tudo o que tinha feito; era tudo muito bom» (Gn 1, 31). Amen. (SP)

FELIZ PÁSCOA

A aurora radiante do domingo de Pascoa é a imagem de Cristo triunfante que, ao sair do sepulcro, ilumina uma nova e eterna criação.
Jesus não permaneceu no sepulcro. Ele ressuscitou dos mortos e esta vivo no meio de nos.
NÃO DEVEMOS PROCURAR ENTRE OS MORTOS AQUELE QUE ESTÁ VIVO.
Hoje a VIDA se manifesta na sua plenitude, vitoriosa sobre a morte, para que todos tenham vida e muita vida.
A festa da Ressurreição renova a fé em Cristo vencedor da morte. A vida recebe na ressurreição de Jesus a semente da eternidade Ser cristão é ser protagonista da Ressurreição nos pequenos gestos de cada dia.
Todo aquele que defende a vida e ama os irmãos trabalha para a construição de um mundo melhor.
Cada missa é um reviver a Pascoa, motivando-nos para abandonar os caminhos de morte e escolher os caminhos da vida.

FELIZ PÁSCOA
CRISTO RESUSCITOU, ALLELUIA. VENCEU A MORTE ALLELEUIA

"CAMINHADA DA CRUZ" o poder da FÉ





Em Volta Redonda/RJ acontece todos os anos durante a Quaresma, uma demonstração de força, religiosidade e acima de tudo fé, a “CAMINHADA DA CRUZ”, que reúne os fieis do Setor I do Conforto, responsável por sete comunidades e o setor III, responsável por oito comunidades, todas dirigidas pelos Padres da PIA SOCIEDADE SÃO CAETANO.


A Caminhada da Cruz tem inicio na Matriz de cada Setor (Setor I, Comunidade Nossa Senhora da Conceição, III Comunidade Nossa Senhora de Lourdes) e a cada dia da semana percorre as comunidades ligadas a elas, terminando sempre na Matriz, com participação de milhares de católicos.


A cada caminhada verificamos um aumento considerável de fiéis, que no início à oito anos eram centenas, hoje ultrapassa a 3000 por dia de caminhada, demonstrando a grande participação da Igreja Católica, a organização da Pia Sociedade São Caetano e a Fé e Religiosidade dos Fieis que encontram na Caminhada um momento de reflexão, pois a espiritualidade é o trabalho maior da Caminhada.


Esse ano, a Caminhada teve como Dirigente Espiritual do Setor I o Padre Jorge e do Setor III, Padre Osvaldo, da Pia Sociedade São Caetano, que conseguiram transmitir em todas as caminhadas o espírito de união e a valorização e preservação da natureza, tema da Campanha da Fraternidade 2011.


Ivson de Moraes Alexandre
Coordenador Comunidade N.Sra.da Conceição

sábado, 23 de abril de 2011

VIA SACRA NO COLISEU: CONTEMPLAR "O SILÊNCIO DA NOITE, DA CRUZ, DA MORTE"

◊ Roma, 23 abr (RV) - Bento XVI reviveu na noite desta Sexta-feira Santa, junto com milhares de fiéis peregrinos o drama da Paixão e morte de Jesus, no Coliseu de Roma. A Via-Sacra - salienta-se na introdução do texto - quer estimular em nós este gesto de nos agarrarmos ao madeiro da Cruz de Cristo ao longo do mar da vida. Por isso, a Via-Sacra não é uma simples prática de devoção popular com caráter sentimental; mas exprime a essência da experiência cristã: “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mc 8, 34). É por este motivo que, cada Sexta-feira Santa, o Santo Padre percorre a Via-Sacra sob o olhar do mundo inteiro e em comunhão com ele.

Para a preparação da Via-Sacra deste ano, o Papa Bento XVI dirigiu-se ao mundo monástico agostiniano feminino, confiando a redação dos textos à Ir. Maria Rita Piccione, O.S.A., Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália «Nossa Senhora do Bom Conselho». E não são apenas os textos que são de uma monja agostiniana; também as imagens ganharam forma e tonalidade a partir de uma sensibilidade artística feminina e agostiniana. A Ir. Helena Maria Manganelli, O.S.A., do Ermo de Leccetto, outrora escultora de profissão, é a autora dos quadros que ilustraram as várias estações da Via-Sacra.

No início de cada estação, depois da habitual enunciação em italiano, uma frase muito breve, lida por dois adolescentes, que ofereceu a chave de leitura da respectiva estação.

Depois o texto bíblico, ilustrado por uma reflexão breve, mas clara e original. A oração dirigida ao “Humilde Jesus” – expressão cara a Santo Agostinho –, que deixa cair o adjetivo humilde na crucifixão-exaltação de Cristo, é a confissão que a Igreja-Esposa dirige ao Esposo que a redimiu com o seu Sangue. Segui-se uma invocação ao Espírito Santo, que guia os nossos passos e que derrama no nosso coração o amor divino (cf. Rm 5, 5): é a Igreja apostólico-petrina que bate à porta do coração de Deus.

Ao final da Via Sacra, da colina do Palatino, Bento XVI convidou os fiéis a contemplarem “o silêncio da noite, da cruz, da morte”.

“Esta noite, na fé, acompanhamos Jesus, que percorre o último trecho do seu caminho terreno, o trecho mais doloroso: o do Calvário. Ouvimos o alarido da multidão, as palavras da condenação, o ludíbrio dos soldados, o pranto da Virgem Maria e das outras mulheres. Agora mergulhamos no silêncio desta noite, no silêncio da cruz, no silêncio da morte. É um silêncio que guarda em si o peso do sofrimento do homem rejeitado, oprimido, esmagado, o peso do pecado que desfigura o seu rosto, o peso do mal. Esta noite, no íntimo do nosso coração, revivemos o drama de Jesus, carregado com o sofrimento, o mal, o pecado do homem”.

E agora, que resta diante dos nossos olhos?, perguntou o Papa. “Resta um Crucificado; uma Cruz levantada no Gólgota, uma Cruz que parece determinar a derrota definitiva d’Aquele que trouxera a luz a quem estava mergulhado na escuridão”.

“Mas fixemos bem aquele homem crucificado entre a terra e o céu, contemplemo-lo com um olhar mais profundo, e descobriremos que a Cruz não é o sinal da vitória da morte, do pecado, do mal, mas o sinal luminoso do amor, mais ainda, da imensidão do amor de Deus, daquilo que não teríamos jamais podido pedir, imaginar ou esperar: Deus debruçou-Se sobre nós, abaixou-Se até chegar ao ângulo mais escuro da nossa vida, para nos estender a mão e atrair-nos a Si, levar-nos até Ele”.

“A Cruz fala-nos do amor supremo de Deus e convida-nos a renovar, hoje, a nossa fé na força deste amor, a crer que em cada situação da nossa vida, da história, do mundo, Deus é capaz de vencer a morte, o pecado, o mal, e dar-nos uma vida nova, ressuscitada. Na morte do Filho de Deus na cruz, há o gérmen de uma nova esperança de vida, como o grão de trigo que morre no seio da terra”.

Bento XVI concluiu as suas palavras dizendo textualmente:

“Fixemos o nosso olhar em Jesus Crucificado e peçamos, rezando: Iluminai, Senhor, o nosso coração, para Vos podermos seguir pelo caminho da Cruz; fazei morrer em nós o ‘homem velho’, ligado ao egoísmo, ao mal, ao pecado, e tornai-nos ‘homens novos’, mulheres e homens santos, transformados e animados pelo vosso amor”. (SP)



PAPA RESPONDE PERGUNTAS DE FIÉIS

◊ Cidade do Vaticano, 23 abr (RV) – Ontem Sexta-feira Santa, a televisão de Estado italiana ‘RaiUno’ levou ao ar durante o programa “À sua imagem”, as respostas do Papa Bento XVI feitas pelos telespectadores.

A primeira pergunta foi feita por uma menina japonesa de 7 anos que, diante do terror vivido em seu país devido aos terremotos, disse ao Papa: “Tenho muito medo, porque a casa na qual eu me sentia segura tremeu muito e porque muitas crianças da minha idade morreram. (...) Por que tenho de passar por tanto medo? Por que as crianças têm de sofrer tanta tristeza?”. Bento XVI reconheceu que “não temos uma resposta, mas sabemos que Jesus sofreu como vocês, inocentes”, e recomendou: “Neste momento, parece-me importante que saibam que ‘Deus me ama’, ainda que pareça que Ele não me conhece”. Recordando também a solidariedade e a ajuda oferecida por pessoas do mundo inteiro, o Santo Padre lembrou que “um dia, eu compreenderei que este sofrimento não era uma coisa vazia, não era inútil, mas que, por trás do sofrimento, há um projeto bom, um projeto de amor. Não é por acaso”.

A segunda pergunta foi feita por uma mulher italiana cujo filho está em estado vegetativo há um ano: “Santidade, a alma do meu filho abandonou seu corpo - visto que ele está totalmente inconsciente - ou ainda está nele?”. O Papa respondeu que a alma ainda está presente no corpo e fez uma comparação: “A situação é semelhante à de um violão que tem as cordas quebradas e que não pode ser tocado: assim também o instrumento do corpo é frágil, vulnerável, e a alma não pode tocar, por assim dizer, mas continua presente”. “Sua presença, queridos pais, é um testemunho de fé em Deus, de fé no homem, de compromisso a favor da vida, de respeito pela vida humana, inclusive nas situações mais trágicas”, recordou.

Um grupo de jovens de Bagdá se dirigiu a Bento XVI para falar sobre a perseguição dos cristãos no Iraque: “De que maneira podemos ajudar nossa comunidade cristã, para que reconsidere o desejo de emigrar a outros países, convencendo-a de que ir embora não é a única solução?”. Renovando seu apoio aos cristãos e muçulmanos do país, o Santo Padre afirmou que o verdadeiro problema é que “a sociedade está profundamente dividida, lacerada” e que é preciso “reconstruir esta consciência de que, na diversidade, todos têm uma história comum, uma comum determinação”.

Também uma mulher muçulmana, da Costa do Marfim, falou da situação política do seu país, que está causando divisão entre cristãos e muçulmanos, e perguntou: “O senhor, como embaixador de Jesus, o que aconselharia ao nosso país?”. O Papa recordou a importância de orar pela população e mencionou ações concretas da Santa Sé: “Pedi ao cardeal Tuckson, que é presidente do nosso Conselho Justiça e Paz, que vá à Costa do Marfim e tente mediar, falar com os diversos grupos, com diferentes pessoas, para facilitar um novo começo”. E lembrou da necessidade de ouvir a voz de Jesus, “em quem vocês também acreditam como profeta. Ele era sempre o homem da paz”. “O único caminho é a renúncia à violência, recomeçar o diálogo, as tentativas de encontrar juntos a paz, uma nova atenção de uns aos outros, a nova disponibilidade a abrir-se uns aos outros. E esta, querida senhora, é a verdadeira mensagem de Jesus: busquem a paz com os meios da paz e abandonem a violência”, afirmou.

Outra pergunta veio da Itália: “O que Jesus fez no lapso de tempo entre a morte e a ressurreição? E, já que no Credo se diz que Jesus, depois da morte, desceu ao inferno, podemos pensar que isso é algo que acontecerá conosco também, depois da morte, antes de ascender ao céu?”.

O Papa explicou que “este descenso da alma de Jesus não deve ser imaginado como uma viagem geográfica, local, de um continente a outro. É uma viagem da alma. É preciso levar em consideração que a alma de Jesus sempre toca o Pai, está sempre em contato com o Pai, mas, ao mesmo tempo, esta alma humana se estende até os últimos confins do ser humano. Neste sentido, desce às profundezas, vai até os perdidos, dirige-se a todos aqueles que não alcançaram a meta das suas vidas”. “Esta palavra da descida do Senhor aos infernos significa, sobretudo, que Jesus alcança também o passado; que a eficácia da redenção não começa no ano zero ou no ano trinta, mas que chega ao passado, abrange o passado, todas as pessoas de todos os tempos”, acrescentou.

Com relação ao destino da alma humana, afirmou que “nossa vida é diferente: o Senhor já nos redimiu e nos apresentaremos ao Juiz, depois da nossa morte, sob o olhar de Jesus, e este olhar em parte será purificador; acho que todos nós, em maior ou medida, precisaremos ser purificados”.

Outra pergunta, vinda da Itália, também tratou do tema da ressurreição de Jesus: “O fato que de seu corpo ressuscitado não tenha as mesmas características de antes, o que significa? O que significa, exatamente, ‘corpo glorioso’? E a ressurreição, será assim também para nós?”.

“Naturalmente – disse Bento XVI –, não podemos definir o corpo glorioso, porque esta além da nossa experiência. Só podemos interpretar alguns dos sinais que Jesus nos deu para entender, ao menos um pouco, para onde esta realidade aponta.” Entre esses sinais, o Pontífice mencionou o sepulcro vazio, que indica que Jesus não abandonou seu corpo à corrupção: “Jesus assumiu também a matéria, razão pela qual a matéria também está destinada à eternidade”. Acrescentou que Cristo “assumiu esta matéria em uma nova forma de vida: Jesus não morre mais, ou seja, está muito além das leis da biologia, da física, porque os submetidos a elas morrem. (...) É uma vida nova, que já não está sujeita à morte, e essa é a nossa grande promessa”.

O Papa recordou que, na Eucaristia, Cristo nos dá seu corpo glorioso: “Assim, já estamos em contato com esta nova vida, este novo tipo de vida, já que Ele entrou em mim, e eu saí de mim e me estendo até uma nova dimensão da vida. Acho que este aspecto da promessa, da realidade de que Ele se entrega a mim e me faz sair de mim mesmo e me eleva, é a questão mais importante: não se trata de decifrar coisas que não podemos entender, mas de encaminhar-nos rumo à novidade que começa, sempre, de novo, na Eucaristia”.

A última pergunta foi sobre as palavras dirigidas por Jesus a Maria e a João aos pés da cruz: “Eis aqui o teu filho”, “Eis aqui a tua mãe” - que Bento XVI definiu, em seu último livro, como “uma disposição final de Jesus”. “Como devemos entender estas palavras? Que significado tinham naquele momento e que significado têm hoje em dia?”

O Santo Padre respondeu que “estas palavras de Jesus são, antes de mais nada, um ato muito humano. Vemos Jesus como um homem verdadeiro que leva a cabo um gesto de verdadeiro homem: um ato de amor por sua mãe, confiando-a ao jovem João, para que estivesse segura”. Por outro lado, explica que, “certamente, este gesto tem várias dimensões, não diz respeito apenas a esse momento: concerne a toda a história. Em João, Jesus confia todos nós, toda a Igreja, todos os futuros discípulos, à sua Mãe, e sua Mãe a nós”. Além disso, acrescentou, “a Mãe é também expressão da Igreja. Não podemos ser cristãos sozinhos, com um cristianismo construído segundo as minhas ideias. A Mãe é imagem da Igreja, da Mãe Igreja e, confiando-nos a Maria, também temos de confiar-nos à Igreja, viver a Igreja, ser Igreja com Maria”.

O programa “A sua imagem” durou cerca de uma hora e meia e Bento XVI acompanhou sua emissão da sua biblioteca, no Palácio Apostólico Vaticano. (SP-ZENIT)


PAIXÃO DO SENHOR: A CRUZ NÃO É SÓ JUÍZO DE DEUS SOBRE O MUNDO, MAS SEU SIM DE AMOR

◊ Cidade do Vaticano, 22 abr (RV) - Bento XVI presidiu a Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, na tarde desta Sexta-Feira Santa.

A homilia da liturgia de hoje, foi composta e proferida pelo Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa. O sacerdote ressaltou, citando a 1ª Carta de Paulo a Timóteo, que na sua Paixão, Jesus Cristo deu seu testemunho diante de Pilatos, numa bela profissão de fé.

Nós nos perguntamos, testemunho de quê? Não da verdade de sua vida e de sua causa. Muitos morreram, e ainda hoje morrem, por uma causa equivocada, acreditando que seja justa. "A ressurreição, esta sim testemunha a verdade de Cristo: Deus deu a todos prova garantida sobre Jesus, ressuscitando-o dos mortos", disse São Paulo Apóstolo em seu discurso no Areópago de Atenas.

"A morte não testemunha a verdade, mas o amor de Cristo", que deu sua vida não só pelos amigos, mas também pelos seus inimigos. "Jesus morreu pelos ímpios" – escreve São Paulo aos Romanos. "A rigor, alguém morreria por um justo, por uma pessoa muito boa talvez alguém se anime a morrer, mas eis aqui uma prova brilhante do amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Amou-nos quando éramos inimigos, para poder nos tornar amigos" – frisou Frei Cantalamessa.

A cruz não é só juízo de Deus sobre o mundo, refutação de sua sabedoria e revelação de seu pecado, mas o seu SIM de amor. "A injustiça, o mal como realidade não pode ser simplesmente ignorado, deixado como está. Deve ser eliminado, vencido. Apenas esta é a verdadeira misericórdia" – disse ainda o frade capuchinho.

"Como ter a coragem de falar do amor de Deus, enquanto temos diante dos olhos tantas tragédias humanas, como a catástrofe que se abateu sobre o Japão, ou as mortes no mar Mediterrâneo nas últimas semanas" – perguntou ainda o sacerdote.

"Permanecer em completo silêncio seria trair a fé e ignorar o significado do mistério que celebramos" – frisou Frei Cantalamessa, recordando que o mundo cristão volta a ser visitado pela prova do martírio. "Não podemos silenciar perante este testemunho. Os primeiros cristãos honravam seus mártires. Os atos de seus martírios eram lidos e distribuídos nas igrejas com grande respeito".

"O mundo se inclina diante dos testemunhos modernos da fé" – ressaltou o frade capuchinho recordando o ministro paquistanês, Shahbaz Bhatti, assassinado recentemente por causa da fé. "O seu testamento é deixado também para nós, seus irmãos na fé, e seria ingratidão deixá-lo cair no esquecimento" – frisou ele.

Falando ainda sobre o recente terremoto e tsunami que abalaram o povo japonês e da solidariedade manifestada por todo o mundo, Frei Cantalamessa ressaltou que "globalização tem ao menos este efeito positivo: a dor de um povo se torna a dor de todos, suscita a solidariedade de todos. Dá-nos a chance de descobrir que somos uma família humana, ligada no bem e no mal, e nos ajuda a superar as barreiras de raça, cor e religião".

O sacerdote lembrou que também houve um terremoto no momento da morte de Cristo, mas houve outro ainda maior no momento de sua ressurreição: "E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela (Mt 28, 2)". "Assim será sempre" – concluiu o frade capuchinho – "a cada terremoto de morte sucederá um terremoto de ressurreição de vida". (MJ)


PÁSCOA VIVIDA COM HARMONIA NO ORIENTE MÉDIO

◊ Jerusalém, 23 abr (RV) – A comunidades cristãs de todo o Oriente Médio estão dedicando-se, nessa Páscoa, de modo especial a todos os que perderam as suas vidas nas manifestações de rua nos diversos países do mundo árabe. De Jerusalém ao Iraque, passando por Gaza, do Egito ao Líbano, da Síria à Jordânia, de Chipre à Turquia até o Kuwait, as minorias cristãs mostram toda a sua vitalidade.

A agência de notícias Sir recolheu testemunhos naquelas terras. Na Jordânia, o vigário patriarcal, Dom Selim Sayegh, disse que estão rezando pelo país, para o bem do povo, pelo rei e pelo governo para que tomem as decisões políticas corretas. “A Páscoa oferece-nos a possibilidade de rezarmos com a mente voltada para o bem espiritual e material de todos, sem qualquer exclusão”.

No Egito, o patriarca copta-católico de Alexandria, Cardeal Antonios Naguib, falou sobre a “ressurreição de um povo que estava imerso no medo e na incapacidade de dizer o que sentia e via, mas que agora não está mais adormentado, mas vive e fala”. “Esta Páscoa - disse ele - vem em um momento especial, onde esperança mistura-se com preocupações, mas anuncia-nos serenidade e paz verdadeira”.

No Líbano, onde o clima é de tranqüilidade, o vigário apostólico dos latinos em Beirute, Dom Paul Dahdah, afirmou que “tudo deverá transcorrer sem problemas, graças a uma situação de calma social”. Ele observa, contudo, que se continua a “olhar com atenção o que ocorre nos países vizinhos”.

No Iraque, onde os cristãos têm lotado as igrejas desde o Domingo de Ramos, o vigário patriarcal de Bagdá, Dom Shelmon Warduni, explicou que “se a situação permanecer nessa relativa calma, será possível viver uma Páscoa tranqüila e rica de frutos”. “A maioria das igrejas recebeu um grande afluxo de pessoas”, disse ele. “Agora poderemos olhar para os próximos rituais com mais confiança. O exército e a polícia, junto com os nossos custódios, estão supervisionando as nossas igrejas, pois há ainda ameaças de bombas”, concluiu. No Iraque, como em Gaza, os ritos serão adiantados por motivos de segurança.

Em Chipre e no Kuwait, as celebrações serão realizadas pelas numerosas comunidades étnicas e imigrantes que são, em sua maioria, católicos. No Kuwait se celebra cinco ritos em 12 línguas. (ED)



SÍRIA TEVE A SEXTA-FEIRA MAIS VIOLENTA DO ÚLTIMO MÊS

◊ Damasco, 23 abr (RV) - Infelizmente, na Síria, esta sexta-feira foi o dia mais violento desse último mês de confrontos entre manifestantes pró-democracia e forças de segurança. O número de mortos subiu para 88. A agência de notícias Reuters juntou uma lista com o nome dessas vítimas, a qual teria sido enviada pelos Comitês de Coordenação Local (CCL).

Porém, conferir as informações ficou complicado na Síria, pois o governo do presidente Bashar al-Assad recusa pedidos de organizações internacionais e repórteres estrangeiros para entrarem no país.

Pelo menos outras 20 pessoas estão desaparecidas, de acordo com o diretor da Organização Nacional para os Direitos Humanos do país, Ammar Qurabi.

As manifestações contra o regime de Assad se espalharam por outros países da região. Desde meados de março, quando teve início essa onda de protestos, mais de 200 pessoas já morreram em choques com forças de segurança sírias.

Os manifestantes pedem reformas e o fim da Lei de Emergência, que era uma das principais exigências da oposição. O Estado de Emergência esteve vigente por 48 anos. Finalmente, ontem, o presidente ratificou uma lei que o encerrou. Os protestos pró-democracia na Síria começaram em 18 de março. (ED)



IGREJA CATÓLICA DEDICA DIA ESPECIAL À TERRA SANTA

◊ Jerusalém, 23 abr (RV) – Concomitantemente com a Sexta-Feira Santa, a Igreja dedicou o dia à Terra Santa, na qual foi promovida uma coleta em prol das comunidades cristãs. Uma assembléia orante e itinerante com o objetivo de rezar e celebrar nos mesmos lugares que foram palco da Paixão de Jesus.

Na Sexta-Feira Santa, a Basílica do Santo Sepulcro (que tem também a custódia do local do Calvário) tornou-se, mais que nunca, o coração da Jerusalém cristã. Desde o alvorecer, grupos de fiéis reuniram-se na praça em frente ao templo, esperando para participarem da Liturgia da Paixão junto ao altar de Gólgota, ou seja, ao lado da rocha sobre a qual foi posta a Cruz de Cristo.

No final da manhã, apesar de o tempo não ter colaborado muito, a cidade velha ficou bastante animada pelos fiéis. Todos com o mesmo desejo: percorrer o tortuoso caminho da rua mais famosa de Jerusalém, referida, em todas as línguas, como a “Via Dolorosa”. A “Via Dolorosa” foi por onde passou Jesus, carregando a Cruz. É uma rua na cidade velha de Jerusalém, que começa na Porta de Santo Estevão e percorre a parte ocidental desta porção da cidade, terminando na Igreja do Santo Sepulcro. A rua tem nove das catorze estações da Cruz. As cinco últimas estações estão no interior da Igreja do Santo Sepulcro.

Mas já na noite da Quinta-Feira Santa, tiveram início as celebrações das horas mais difíceis da vida de Jesus. Na Igreja de Getsemani foi realizada uma comovente celebração presidida pelo Custódio da Terra Santa, a qual foi transmitida ao vivo por diversas redes católicas de televisão. Entre cantos e leituras dos Evangelhos da Paixão, em diversos idiomas, os numerosos peregrinos relembraram os fatos do Evangelho que narram a Vigília, a Angústia, a prisão do Redentor e a sua oração ao Pai. E o fizeram estando presentes nos mesmos locais onde esses fatos aconteceram, ou seja, ao lado do Horto das Oliveiras e diante da pedra testemunha do suor e sangue de Cristo.

Após o momento de oração na Igreja de Getsemani, os fiéis percorreram o Vale do Cedron, em procissão, e com as velas acesas até a chegada à Igreja de Gallicantu, o lugar provável da casa de Caifás, onde Pedro renegou Jesus.

Muitos fiéis passaram toda a noite em oração. (ED)


EDITORIAL: OS POBRES, UMA RIQUEZA

◊ Cidade do Vaticano, 23 abr (RV) - “Os pobres são um recurso, não um problema”: uma frase do Arcebispo Dom Francis Chullikatt que ressoou nos dias passados nos corredores das Nações Unidas em Nova Iorque. O Observador permanente da Santa Sé junto à ONU criticou a visão distorcida de desenvolvimento de que a erradicação da pobreza eliminaria os pobres. O prelado, então, pediu aos governos que respeitem a dignidade da pessoa e em particular o direito dos pais a terem filhos, livres de qualquer tipo de coerção.

Nesta Semana Santa o nosso olhar se concentrou na Paixão e Morte de Jesus, na espera da sua Ressurreição. Vemos Jesus, como o último dos últimos, padecendo o suplício dos malfeitores, a morte na Cruz. Vemos sendo ultrajado, escarnecido, ignorado....um ninguém que nada conta para este mundo... como o último dos últimos... um miserável qualquer.... um pobre...

Desde sempre a Igreja olhou para os pobres como os destinatários da Boa-nova. Jesus mesmo reconheceu a riqueza e o valor dos pobres. Definiu sua própria missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres”. Ele mesmo viveu como pobre. Não possuiu nada para si, nem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça. E a quem queria segui-Lo ele mandava escolher: ou Deus, ou o dinheiro! “Felizes vocês pobres!”, disse Jesus. Então, quem é o “pobre”? É o pobre que tem o mesmo espírito que animou Jesus. Não é o rico. Nem é o pobre com cabeça de rico. Mas é o pobre que, como Jesus, acredita nos pobres e reconhece o valor deles.

A Igreja na América em Medelín fez a sua a Opção pelos pobres quando expressou de forma explícita a sua preocupação com relação à grande maioria da população deste continente, que vive em condição de miséria. A Igreja busca então cumprir a missão de Cristo que afirma: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância”. Apesar desta afirmação os ricos não são excluídos da Igreja, porém para serem incluídos – afirma Medelín – “estes devem também fazer a sua opção pelos pobres”.

O compromisso evangélico da Igreja deve ser como o de Cristo: um compromisso com os mais necessitados. Por isso a Igreja deve ter os olhos em Cristo quando se pergunta qual deve ser a sua ação evangelizadora. Os pobres merecem uma atenção preferencial, seja qual for a situação moral ou pessoal em que se encontrem. Criados à imagem e semelhança de Deus para serem seus filhos, esta imagem foi obscurecida e também escarnecida. Por isso Deus toma sua defesa e os ama. Assim os pobres são os primeiros destinatários da Boa-nova.

Os pobres não são um problema, visão distorcida – destacou Dom Francis Chullikatt – que os vêem como se fossem “objetos sem importância”; ao invés são “pessoas com uma inata dignidade”, que devem ser respeitadas e apoiadas.

Os pobres não são “coitados” de quem temos pena. São pessoas de quem devemos nos aproximar e nos fazermos solidários, com justiça e fraternidade. (SP)




MARIA À ESPERA DA RESSURREIÇÃO: UM EXEMPLO DE FÉ E AMOR PROFUNDOS

◊ CIdade do Vaticano, 23 abr (RV) - Hoje, após termos celebrado os mistérios da paixão e morte de Jesus, chegamos ao sábado, dia do silêncio, de recolhimento e da oração à espera da Ressurreição do Senhor. Por isso, queremos dedicar esses minutos do nosso tempo para pensarmos sobre a espera de Maria por esse acontecimento e a mensagem de esperança e de amor profundo que vem através dele.

Naquela madrugada de domingo, o sol ainda não raiara e algumas mulheres, entre elas Maria Madalena, estavam dirigindo-se à sepultura do Seu amado, para terminar de ungir o seu corpo com mirra e óleo perfumado. Essa passagem bíblica é contada pelos evangelistas com algumas variações.

Mateus conta-nos que “ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria vieram ver o sepulcro” cuja pedra da entrada havia sido removida por um anjo, que anunciou a ressurreição de Jesus e disse-lhes para irem contar aos discípulos. E então o próprio Filho de Deus apareceu ressuscitado às santas mulheres e disse-lhes “não temais, ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá me verão”. E assim foi feito.

Marcos conta que Jesus aparecera primeiramente a Maria Madalena, que “foi anunciá-lo àqueles que tinham estado em sua companhia e que estavam aflitos e choravam”. Eles, ouvindo que Ele estava vivo e que fora visto por ela, não creram. Como também não creram nos outros dois discípulos que disseram terem-no visto ressuscitado. “Finalmente – lê-se no Evangelho segundo São Marcos -, ele se manifestou aos Onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não haviam dado crédito aos que o tinham visto ressuscitado”.

São Lucas narra a passagem com a chegada das mulheres ao sepulcro já aberto, onde encontram dois homens, que perguntam: “por que procurais Aquele que vive entre os mortos? Ele não está aqui, ressuscitou. Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galiléia: é preciso que o filho do Homem seja entregue às mãos dos pecadores, seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia. E elas se lembraram de suas palavras. Elas creram, mesmo sem ver.

E acreditaram também Simão Pedro e outro discípulo, que, de acordo com o Evangelho segundo São João, entraram no sepulcro e viram os panos que envolviam o corpo de Jesus por terra, e o sudário que cobria a sua cabeça.

Maria, a mãe de Jesus, não estava entre essas mulheres que foram ungir o corpo de Jesus, pois tinha certeza da ressurreição de Seu Filho, do Filho de Deus, a qual havia sido por ele preanunciada. Por isso, não o procurava entre os mortos, mas esperava que a ela se mostrasse vivo. Essa aparição não é explicitada na Bíblia, pois deve ser subentedida, sendo obvio que Jesus ressuscitado apareceu antes a sua mãe, e depois aos outros. Ela sofreu com a morte do filho, mas teve fé, e foi recompensada por isso, vendo-o ressuscitado, indo de encontro ao seu Pai eterno, ao Reino dos Céus.

Quantas vezes também nos desesperamos, sofremos, mas depois vemos nossa fé recompensada com um desfecho que confirma nossas esperanças? Quando temos fé e esperança no bem, na palavra de Deus, nossos corações se enchem de amor e força para sairmos do sofrimento e renascermos na alegria. Como Maria, mãe do filho de Deus, mãe de todos nós. Que Ela nos guie no nosso percurso de renascimento interno, nos empreste sua fé e seu amor – por nós mesmos, pelos nossos irmãos e por Deus, Ele que é onde tudo inicia, termina e renasce. Ouça:



A ESPERA DE MARIA

◊ Cidade do Vaticano, 23 abr (RV) - Ontem, revivemos a paixão de Cristo, os momentos em que o Verbo de Deus se fez carne até o ponto de assumir todo o destino humano, inclusive a morte.

Hoje, Sábado Santo, à espera da ressurreição de Jesus, quem nos guia neste itinerário de esperança gloriosa é Maria, Mãe do Nosso Salvador, Mãe de toda a humanidade, Nossa Mãe.

Como todas as mulheres, Maria leva em seu coração a abertura ao outro. Ou melhor, Nossa Senhora é a mulher que eleva à sublime perfeição esta abertura. Seu amor faz com que a ausência de Jesus não seja experiência do vazio, mas experiência de esperança certa, confiante. Ela sabe que a Ressurreição está próxima.

Assim como nos velórios de hoje, em que nos reunimos para celebrar a memória de quem nos deixou, Maria reagrupa os amigos de Jesus, um após o outro. Um grupo de verdadeiros amigos de Cristo que crêem em sua Ressurreição. Afinal, também eles estão sós, apesar de a solidão de Maria ser diferente da solidão dos Apóstolos. Maria sabe que a morte não terá a última palavra, e a que a vida triunfará.

Mas nós, como os seguidores de Jesus, não temos a mesma certeza. Mesmo crendo em Cristo, nossa fé é frágil, vítima de provas cotidianas, de ciladas. Às vezes, a morte nos parece como um sonho desfeito, esquecendo a promessa de vida eterna.

E assim, um a um Maria recebe João, que chora um amigo, um irmão em Maria. Ela recebe Pedro, o renegado. Ensina-lhe que deve confiar somente em Jesus, que o conhece e o fortifica. E aos poucos, recebe os outros Apóstolos, que um a um acabam por retornar.

Recebe Madalena, Marta, Maria de Betânia, Lázaro... De modo doce, suave, apesar da tristeza, Maria comunica a todos a sua paz, a sua fé, a sua esperança.

O que Ela diria a nós, a cada um de nós? Ou melhor, o que diria a cada mãe que, como ela, perde o filho na insensatez da violência humana, da injustiça humana? Vítima do absurdo, da catástrofe, do acaso. O que diria Maria a uma mãe que chora a ausência de um filho que vai para a guerra, que chora a perda de um filho que morreu na guerra? Às mães que nos corredores dos hospitais procuram resposta ao por quê do sofrimento das crianças ou àquelas que não têm nem mesmo a oportunidade de curar o próprio filho? O que diria Maria às mães dos filhos encarcerados, vítimas da droga, do jogo, do dinheiro fácil, dos filhos que perderam o emprego, que têm diante de si um futuro incerto, vacilante, preocupante?

A todos, a cada um de nós, a cada uma das nossas angústias, Maria tem uma palavra de conforto, de consolo. Não são somente palavras, que podem ser desprovidas de significado, de vivência concreta, real. Não. São palavras que professam uma vivência, ou melhor, uma certeza: Jesus ressuscitará! Ela inaugura o papel de "consoladora" que Cristo ressuscitado magnificamente exercerá.

Deixemo-nos também nós, hoje, neste Sábado Santo, nos envolver pela paz consoladora de Maria. Que esta paz nos acompanhe em todos os momentos em que a morte insensata se apresentar em nossa vida, quando transtornar o nosso caminho.... Lembremo-nos de Nossa Mãe. Ela sabe que a ressurreição está próxima!


ESPIRITUALIDADE PASCAL

◊ Rio de Janeiro, 23 abr (RV) - Com a celebração do tríduo pascal culminando na vigília do sábado para domingo nós iniciamos o tempo pascal. Na realidade o evento pascal ilumina e motiva toda a vida cristã. É central em nossa espiritualidade. Por isso mesmo, “fazer Páscoa” anualmente é essencial para o cristão poder viver o seu dia a dia alimentado pela presença do Cristo Vivo e Ressuscitado.
O Tríduo Pascal é a celebração da Páscoa sob três dimensões: a da instituição da Eucaristia na Última Ceia, o sacrifício de Cristo na Cruz derramando o seu Sangue Precioso e a Sua presença Ressuscitado anunciando a vida que venceu a morte! Nós iniciamos na quinta feira santa à noite para concluirmos com a bênção final no sábado santo. E com essa celebração iniciaos a oitava da Páscoa abrindo o tempo pascal.
Apesar de Jesus ter antecipadamente anunciado que seria preciso passar pela paixão antes de entrar em sua glória (cf. Lc 24,26), os discípulos não tinham conseguido assimilar toda a dimensão e o sentido dos fatos ligados à paixão e morte do Mestre. O mistério da morte é sempre difícil de ser compreendido, mesmo quando iluminado pela fé na ressurreição. Era preciso que o Cordeiro de Deus fosse imolado para entrar na glória (cf. Jo 1,29).
No querigma anunciado por Pedro na manhã de Pentecostes, fica evidente a vontade salvífica do Pai: “Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse” (cf. At 2,23-24). Cristo crucificado torna explícito o simbolismo da serpente de bronze no deserto (cf. Nm 21,4-9): “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (cf. Jo 12,32).
A celebração da Páscoa nos convida a morrermos com Cristo para com ele entrarmos na vida nova por ele inaugurada (cf. Rm 6,8). O simbolismo nos conduz ao Batismo e à vida batismal, ao êxodo, ao retorno do exílio, a passagem do inverno para a primavera, porém agora atingindo a nova e eterna aliança no sangue de Cristo, vencendo o pecado que causa morte e levando a pessoa humana para a vida divina. A vivência do mistério pascal requer abandonar o velho fermento do pecado, da maldade, ou da iniqüidade para nos tornar pães ázimos da sinceridade e da verdade (cf. 1Cor 5,7-8). Só então será possível inaugurar a vida nova com o novo fermento da graça e da fidelidade a Cristo.
Com a Páscoa, estamos no centro da espiritualidade cristã. Muitas pessoas pensam neste tempo apenas como se fosse um feriado prolongado! Acabam perdendo a oportunidade de celebrara Páscoa. Envolvida por esse ambiente consumista, a celebração da Páscoa, infelizmente, não constitui, para muitos cristãos, o acontecimento central de sua vida religiosa. Para tantos outros os eventos celebrados não passam de ritos tradicionais, quando muito acompanhados, mas não vivenciados. Falta-nos a iniciação “aos mistérios” de nossa fé! O respeito ao jejum, abstinência de carne já foi esquecido, bem como da contemplação e do silêncio na sexta-feira santa. Nesse mundo plural sabemos que as festa, as orgias continuam como se nada estivesse ocorrendo. E muitos dos que estão nessa vida foram um dia por nós batizados.
O mistério pascal constitui o fundamento e o centro, a chave de leitura do culto e da vida cristã. A liturgia, particularmente a Sagrada Eucaristia, é o memorial da morte e ressurreição de Cristo. Quando, na última Ceia, Jesus conclamou seus discípulos a fazerem o que ele fez – fazei isto em memória de mim – estabeleceu não apenas um rito comemorativo, mas um compromisso de fidelidade. Por isso, aclamamos: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda”.
Portanto, a ordem de Jesus “Fazei isto em memória de mim” vai muito além de mera repetição ritual comemorativa da Última Ceia: participamos realmente dos frutos da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Na Eucaristia Jesus se dá como alimento. Ele é o verdadeiro viático, isto é, o alimento da nossa peregrinação em busca do Reino definitivo. Quando celebramos o mistério da entrega total de Cristo por nós, nos comprometemos a dar nossa vida como oferta agradável ao Senhor. O Corpo dado por nós e o sangue por nós derramado selam nosso compromisso pessoal e definitivo de darmos também nós a vida por Cristo e pelos irmãos em vista da transformação da sociedade humana.
A páscoa de Cristo deve ser entendida como sinal e antecipação de um mundo novo, povoado por um povo novo num processo de regeneração universal. É o início do “oitavo dia”! Como discípulo de Cristo, o cristão deve ser novo fermento para nova humanidade. À medida que celebramos a vida nova interiorizamos o mistério pascal e nos tornamos templos novos do Senhor. Não nos encontramos com um deus impessoal, genérico, motor imóvel, mas com o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso subir das coisas inferiores para as superiores, das realidades exteriores às interiores (cf. Cl 3,1-2).
A espiritualidade pascal não se restringe ao tempo pascal. Necessariamente se expande por todo o ano litúrgico e se desdobra nas diferentes celebrações do mistério de Cristo, na certeza de que “se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre ele. Pois aquele que morreu, morreu para o pecado, uma vez por todas, e aquele que vive, vive para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, no Cristo Jesus” (cf. Rm 6,8-11).
A espiritualidade pascal nos convoca constantemente renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós: a sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque em Cristo ressuscitado é nos dada a certeza da nossa ressurreição. A notícia da sua ressurreição dos mortos não envelhece e Jesus está sempre vivo; e vivo é o seu Evangelho. "A fé dos cristãos observa Santo Agostinho é a ressurreição de Cristo". Os Atos dos Apóstolos explicam-no claramente: "Deus ofereceu a todos um motivo de crédito com o fato de O ter ressuscitado dentre os mortos" (17, 31). A morte do Senhor demonstra o amor imenso com que Ele nos amou até ao sacrifício por nós; mas só a sua ressurreição é "prova certa", é certeza de que quanto Ele afirma é verdade que vale também para nós, para todos os tempos. Ressucitando-o, o Pai glorificou-o. São Paulo assim escreve na Carta aos Romanos: "Se confessares com a tua boca o Senhor Jesus e creres no teu coração que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (10, 9).
A Páscoa é a exaltação ou glorificação do Crucificado. De fato, no Evangelho de João, Jesus exclama: "E quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim" (12, 32; cf. 3, 14; 8, 28). No hino inserido na Carta aos Filipenses, depois de ter descrito a profunda humilhação do Filho de Deus na morte de cruz, Paulo celebra assim a Páscoa: "Por isso é que Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus, todo o joelho se dobre nos Céus, na Terra e nos Infernos, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai" (2, 9-11).
Que a espiritualidade pascal nos insira na vivência das alegrias do Ressuscitado! Feliz Páscoa!


† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

domingo, 17 de abril de 2011

BENTO XVI: PRECISAMOS DA HUMILDADE DA FÉ QUE PROCURA ROSTO DE DEUS ◊ Cidade do Vaticano, 17 abr (RV) - Bento XVI presidiu esta manhã, na Praça São Pedro, no Vaticano, a celebração eucarística do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, da qual participaram milhares de fiéis e peregrinos. Em sua homilia, o Papa recordou que neste dia, ao longo dos séculos por toda a face da terra, jovens e pessoas de todas as idades aclamam o Senhor dizendo: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!" Jesus sabia que o esperava uma Páscoa nova e que Ele mesmo tomaria o lugar dos cordeiros imolados, oferecendo-se a si mesmo na Cruz. "A nossa procissão de hoje quer ser imagem de algo mais profundo, imagem do fato que caminhamos em peregrinação, juntamente com Jesus, para a estrada alta que leva ao Deus vivo" – frisou o pontífice. O Santo Padre sublinhou que "desde sempre, e hoje ainda mais, os homens nutriram o desejo de «ser como Deus»; de alcançar, eles mesmos, a altura de Deus" – e acrescentou: "Em todas as invenções do espírito humano, em última análise, procura-se conseguir asas para poder elevar-se à altura do Ser divino, para se tornar independentes, totalmente livres, como é Deus. A humanidade pôde realizar tantas coisas: somos capazes de voar; podemos ver-nos uns aos outros, ouvir e falar entre nós dum extremo do mundo ao outro, e todavia, a força de gravidade que nos puxa para baixo é poderosa. Junto com as nossas capacidades, não cresceu apenas o bem; cresceram também as possibilidades do mal, que se levantam como tempestades ameaçadoras sobre a história. E perduram também os nossos limites: basta pensar nas catástrofes que, nestes meses, afligiram e continuam afligindo a humanidade" - disse o Papa. O Santo Padre ressaltou que a Igreja nos faz um convite "Sursum corda – corações ao alto!" "O coração, segundo a concepção bíblica e na visão dos Padres da Igreja, é aquele centro do homem onde se unem o intelecto, a vontade e o sentimento, o corpo e a alma; é aquele centro, onde o espírito se torna corpo e o corpo se torna espírito, onde vontade, sentimento e intelecto se unem no conhecimento de Deus e no amor a Ele. Este «coração» deve ser elevado, mas sozinhos somos demasiado frágeis para elevar o nosso coração até a altura de Deus; não somos capazes disso" – disse ainda Bento XVI. Cristo veio ao mundo para nos levar a Deus, "desceu até a humilhação extrema da existência humana, a fim de nos levar para o alto rumo a Ele, rumo ao Deus vivo. Jesus humilhou-se e só assim podia ser superada a nossa soberba: a humildade de Deus é a forma extrema de seu amor, e este amor humilde atrai para o alto" – sublinhou o Papa. Bento XVI sublinhou que a liturgia de hoje, indica alguns elementos concretos, que pertencem à nossa elevação e sem os quais não podemos ser levados para o alto: "as mãos inocentes, o coração puro, a rejeição da mentira, a procura do rosto de Deus". "As grandes conquistas da técnica só nos tornam livres e são elementos de progresso da humanidade, se forem acompanhadas por estas atitudes: se as nossas mãos se tornarem inocentes e o coração puro, se permanecermos à procura da verdade, à procura do próprio Deus e nos deixarmos tocar e interpelar pelo seu amor. Mas todos estes elementos da elevação só serão úteis, se reconhecermos com humildade que devemos ser levados para o alto, se abandonarmos a soberba de querermos ser Deus. Temos necessidade Dele: Deus nos leva para o alto; permanecer apoiados em suas mãos, isto é, na fé, nos dá a orientação justa e a força interior que nos leva para o alto. Temos necessidade da humildade da fé, que procura o rosto de Deus e se entrega à verdade do seu amor" - frisou o pontífice. "Com o Senhor, caminhamos, peregrinos, para o céu. Vamos à procura do coração puro e das mãos inocentes, à procura da verdade, procurando o rosto de Deus. Peçamos ao Senhor para que nos torne puros, a fim de que possamos pertencer à geração dos que buscam a Deus, dos que procuram a face do Deus de Jacó" – concluiu o Papa. (MJ)


ANGELUS: PAPA RECORDA DIA DE ORAÇÃO PELAS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA NA COLÔMBIA


◊ Cidade do Vaticano, 17 abr (RV) - Após a celebração eucarística, celebrada na Praça São Pedro, no Vaticano, que estava repleta de fiéis e peregrinos, Bento XVI presidiu a oração do Angelus neste Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. O Papa saudou em várias línguas os fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro. Em espanhol, Bento XVI pediu aos jovens para que o acompanhem na Jornada Mundial da Juventude que se realizará em Madri, na Espanha, de 16 a 21 de agosto próximo, sobre o tema "Enraizados e edificados em Cristo, firmes na Fé". E o pontífice acrescentou: "Penso também, hoje, na Colômbia, onde será realizada na Sexta-Feira da paixão o Dia de Oração pelas Vítimas da Violência. Uno-me espiritualmente a esta importante iniciativa e peço encarecidamente aos colombianos para que participem desse evento, e ao mesmo tempo peço a Deus por aqueles que nessa amada nação foram despojados cruelmente de suas vidas e seus haveres. Renovo meu urgente apelo à conversão, ao arrependimento e à reconciliação. Não mais violência na Colômbia, que reine a paz." A seguir, Bento XVI saudou os peregrinos lusófonos com as seguintes palavras: "Uma saudação amiga para os jovens e demais peregrinos de língua portuguesa, com votos de uma Semana Santa rica de frutos espirituais, vivendo-a unidos à Virgem Maria para aprender d’Ela a escutar Deus no silêncio interior, a olhar os outros com o coração puro e a seguir Jesus, com fé amorosa, pelo caminho do calvário que conduz à alegria da ressurreição. Até Madri, se Deus quiser!" O Santo Padre pediu à Virgem Maria para que nos ajude a viver com fé intensa a Semana Santa. "Maria também exultou no espírito quando Jesus fez a sua entrada triunfal em Jerusalém, cumprindo as profecias; mas o seu coração, como o coração de seu Filho, estava pronto para o sacrifício. Aprendamos com Maria, Virgem fiel, a seguir o Senhor mesmo quando o seu caminho leva à cruz", concluiu Bento XVI, que concedeu a todos a sua bênção apostólica. (MJ)


SEMINÁRIO DAS CEBS SOBRE DESAFIOS DO MUNDO CONTEMPORÂNEO


◊ Rio de Janeiro, 17 abr (RV) - Conclui-se neste domingo, na Casa Assunção, no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, o 1º Seminário Nacional de Assessores e Assessoras das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). O evento reúne 30 assessores das CEBs, dos 15 Regionais da CNBB, desde o último dia 14. Com o tema “As CEBs frente aos desafios do mundo contemporâneo”, o Seminário é uma realização do Setor CEBs da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB em parceria com o Iser-Assessoria, entidade sediada no Rio de Janeiro e que promove pesquisas e assessorias nas áreas de religião, cidadania e democracia. Outro objetivo do Seminário é promover uma formação mais sistematizada para aqueles que acompanham a caminhada das CEBs nos seus respectivos regionais; debater sobre a identidade das CEBs hoje e refletir os desafios que estão postos pelo mundo contemporâneo, tais como o mundo urbano, o mundo rural, a juventude, mudanças climáticas, os grandes projetos de infra-estrutura no país e as CEBs na vida da Igreja no Brasil a partir do documento 92 da CNBB. O assessor do Setor CEBs, professor Sérgio Coutinho, destaca que este seminário vem de encontro a um momento novo, um verdadeiro tempo de graça [kairós] na Igreja da América Latina e Caribe. “A Conferência de Aparecida chamou a atenção para o seguinte: para que a Igreja seja toda missionária é necessária uma conversão pastoral e mudança de suas estruturas, saindo de uma pastoral de manutenção para uma pastoral verdadeiramente missionária. Daí, ela chama a atenção para uma Igreja que seja comunidade, melhor, rede de comunidades”, explicou o assessor. Ainda segundo Coutinho, as CEBs compreenderam muito bem isso com a realização do 12º Intereclesial, realizado em Porto Velho (RO), em julho de 2009, quando trabalhou o tema da ecologia e da missão, e este evento teve repercussão direta na última Assembleia Geral da CNBB, quando as CEBs foram tema prioritário. O resultado foi a publicação do documento 92 “Mensagem ao Povo de Deus sobre as CEBs”. Para Lenir Assis, da diocese de Londrina e assessora do Regional Sul 2 (Paraná), “este seminário vem em um momento providencial porque a caminhada das CEBs no Brasil precisa ainda ser mais aprimorada, procurando compreender os novos momentos que vivemos, sem deixar de fazer memória, de resgatar a nossa história, principalmente para aqueles mais novos, que estão chegando agora nesta missão de assessor e assessora de CEBs”. Ao longo destes dias, os participantes trabalharão as CEBs nos documentos da Igreja (do Vaticano II a Aparecida e nos documentos da CNBB); a identidade e a diversidade das CEBs; os desafios contemporâneos nos campos sócio-político, cultural e religioso; e o papel dos assessores nas CEBs. (MJ/CNBB)


REFLEXÃO PARA DOMINGO DE RAMOS


◊ Cidade do Vaticano, 17 abr (RV) - O Senhor é aclamado como se faz a um general romano ou a um herói egípcio quando de sua chegada a sua cidade, à sua terra, após uma gloriosa vitória. Apenas algumas diferenças: o Senhor ainda vai consumar sua luta e, enquanto os vencedores trazem consigo o espólio dos vencidos e os próprios vencidos como troféus, será o Senhor o próprio espólio, o grande serviçal, o escravo de todos nós. Esse gesto nos recorda um trecho da segunda leitura de hoje, da Carta de São Paulo aos Filipenses, que diz: “Não deveis fazer nada por egoísmo, ou para sentir-vos superiores aos outros, mas cada um de vós, com toda a humildade, considere os outros superiores a si mesmo, ninguém procure o próprio interesse, mas antes o dos outros.” O Senhor buscou apenas o nosso interesse, ou melhor, o interesse do Senhor é a nossa salvação. Jesus entra em Jerusalém, montado em um jumentinho. Isso significa que entra na cidade que é sua para fazer com toda a Humanidade, uma missão de paz, ainda que essa paz tenha como preço sua própria vida. Cristo entra em Jerusalém para entregar-se como oferta ao Pai, em nome de cada um de nós. Ele se coloca em nosso lugar e sofre as consequências que nosso egoísmo, nossa falta de amor e de perdão ocasionaram. Ele é o verdadeiro cordeiro pascal, a verdadeira vítima. Seu corpo é o pão e seu sangue é o vinho. Somos redimidos, para sempre, por seu sangue derramado de fato, Jesus Cristo é o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Outro ensinamento, agora colhido da leitura da Paixão, este ano, a de São Mateus, é sobre a retaliação e a paz . Jesus impede que Pedro continue sua ação de punir o soldado que o ofendera e diz a ele: “Guarde a espada na bainha!” e cura Malcolm. Somos filhos da paz! Nosso Rei é o Principe da Paz, o Pacificador. Que este início da Semana Santa nos comprometa com o projeto de Jesus para nós. Sejamos irmãos, sejamos filhos do mesmo Pai de nosso Senhor. Que a humildade e a paz sejam nossos tesouros, recebidos através do sacrifício redentor do Filho de Deus! Nossa libertação do egoísmo e da ira, da raiva, custou o sangue inocente de Jesus. Valorizemos, com gratidão e amor, o sacrifíco do Senhor por nós.(CAS)


APROFUNDAMENTO DA FÉ


◊ Rio de Janeiro, 17 abr (RV) - Continuando nossas reflexões catequéticas quaresmais enfocando a iniciação cristã saliento hoje a necessidade do aprofundamento da fé. Após o primeiro anúncio (kerigma), deve seguir-se os passos de nossa caminhada de iniciação cristã. É o momento de aprofundarmos a inspiração catequética do catecumenato. Neste tempo propício quaresmal é um bom momento de abrir nossas mentes e corações para o itinerário da iniciação cristã. O processo catecumenal (que tem como interlocutores as pessoas não batizadas como as já batizadas, que não receberam no devido momento o primeiro anúncio missionário), é destinado tanto aos adultos como aos jovens e crianças. (...) “a preocupação central da catequese seja a educação da fé, a iniciação à vida comunitária, a formação do cristão ético e solidário; a celebração do sacramento é uma decorrência da caminhada da fé e da vida comunitária” (DNC, 312). Nessa tarefa de evangelizar, a comunidade não pode pressupor a fé em seus interlocutores jovens e adultos, mas, consequentemente, antes de realizar a catequese, a comunidade eclesial deve programar de maneira permanente o primeiro anúncio, o Querigma. Assim, a ação evangelizadora da comunidade cristã exerce uma função maternal e pedagógica, mediante uma calorosa acolhida aos batizados que procuram se integrar a ela. Isto envolve um acompanhamento especial, tanto no anúncio missionário como nas celebrações litúrgicas e na vida familiar e social dos batizados, mas, sobretudo, quando a comunidade compartilha com esses irmãos a alegria de terem escutado a Deus em seu coração e de decidirem seguir fielmente a Jesus Cristo. Segundo indica o Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, esta catequese precisa se realizar em graus contínuos e progressivos, e adaptada à cultura dos catequizandos. Seu objetivo é completar a Iniciação Cristã pela recepção dos sacramentos da Confirmação e da Eucaristia, incorporá-los à Páscoa de Cristo e inseri-los na comunidade cristã como pedras vivas (cf. 1Pd 2,5), levando-os a descobrir seu lugar dentro da Igreja e sua própria vocação no mundo. É importante que as comunidades eclesiais assumam o catecumenato como caminho renovador da evangelização dos fiéis afastados ou distantes da fé e da comunidade. Da mesma maneira, devem estabelecer critérios, linhas de ação e formas de catecumenato que respondam adequadamente às necessidades reais da catequese. Assim, a nova evangelização catequética deverá levar os não batizados e batizados afastados a uma autêntica reconciliação com Deus, com eles mesmos e com a comunidade. Nessa direção, todos necessitamos de uma renovação cristã. Por isso é que surgem hoje grupos de pessoas que, ao reviver a experiência catecumenal na iniciação à vida cristã, foram também inspiradas em fazer esse mesmo caminho de fé para os já batizados que necessitam de recuperar a dimensão de fé de suas vidas. E milhares estão respondendo a esse chamado. Que a Páscoa nos encontre renovados e acordados para alegremente professarmos nossa fé comum e renovarmos os compromissos batismais com a promessa de viver evangelizando. † Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


A NECESSÁRIA CATEQUESE QUARESMAL


◊ Rio de Janeiro, 17 abr (RV) - Além das reflexões da liturgia quaresmal, aproveitamos este tempo favorável para aprofundarmos alguns aspectos da iniciação cristã, refletindo em algumas catequeses sobre o catecumenato. Por isso queremos sublinhar o conhecimento da fé e a sua vivência como fonte permanente de adesão ao Evangelho do Redentor. A mensagem da catequese é o aprofundamento de nossa fé em Cristo e sua Boa Nova. Mas essa mensagem deve ser traduzida em cada época de acordo com as culturas, num processo de inculturação, e deve ser aplicada em cada situação da história. Como os tempos mudam, a maneira de transmitir a mensagem de Cristo também deve assumir o dinamismo da história. A catequese, desde os primórdios da Igreja, acentua fortemente a centralidade de Jesus Cristo na educação da fé. O encontro com o Cristo vivo nos leva, necessariamente, à conversão, a uma mudança de vida. Vivemos num mundo onde tudo acontece muito rápido. Grandes invenções e tecnologias nos permitem realizar várias coisas em pouco tempo, com mais qualidade. A catequese não deixa de ser influenciada por esta realidade. Neste sentido, a sociedade apresenta seus produtos de forma agradável e, assim, também a Igreja se vê na necessidade de servir com maior atenção, prestando melhor assistência às pessoas. O que existe de positivo nesta perspectiva é a consciência de que as coisas de Deus também merecerem ser preparadas com a máxima atenção, e não de qualquer maneira, ou seja, os cristãos precisam ser pessoas que buscam qualidade, pessoas que expressem sua fé com um testemunho coerente de vida. E neste sentido, a Quaresma é o tempo de preparação para a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Neste tempo forte de conversão e penitência, de jejum e de oração, os cristãos são convidados a renunciar ao mal e aderir a Jesus que carrega sua cruz. A liturgia desse tempo dispõe para a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos (aqueles que estão se preparando para o batismo), pelos diversos graus de iniciação cristã, como os fiéis, pela comemoração do batismo e da penitência (SC 109). Assim, podemos olhar de perto o mistério de nossa fé, que culmina na vivência e no testemunho de conversão e amadurecimento de nosso batismo. Contudo, a Igreja, na condição de Mãe e Mestra em sabedoria e vivência do Múnus de Ensinar e Santificar, nos chama a conhecer e beber da fonte da Cruz a graça da misericórdia de Deus Pai, que se dá no Filho, que se derrama em salvação a todos por Ele amados. A Catequese quaresmal é por sinal e graça o compromisso de todos os batizados que buscam na fonte da Cruz a experiência do verdadeiro Amor e ápice da vida. Por isso, a liturgia quaresmal infunde em nós uma espiritualidade própria, com a qual caminhamos nos passos de Jesus Cristo rumo ao Calvário, que também culminará na Glória da Ressurreição. Além dessa catequese como preparação para o batismo, vemos a tradição da Igreja de desenvolvermos as catequeses de renovação da fé dos católicos. Uma tradição que até hoje ocorre na Cúria Romana, seja com o retiro, seja com as catequeses pregadas. Tanto o retiro e as conferências quaresmais que lá ocorrem são divulgadas como reflexão para todos nós pela mídia católica. Sabemos também que São Bento colocou neste tempo da Quaresma esse momento de união em penitência, jejum e lectio divina, leitura espiritual, conferência de aprofundamento da fé e outras práticas. Todos os monges recebem no início da quaresma livros para serem lidos durante esse tempo. São passos que a Igreja nos convida a dar neste tempo favorável e, renovando a vida cristã, amemos a Igreja, nossa mãe, e testemunhemos a alegria da vida no seguimento radical de Jesus Cristo, nosso Senhor. Mesmo chegando ao final do tempo da Quaresma, sempre é tempo de recomeçar e aprofundar a fé. † Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ © Rádio Vaticano 2011