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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Arquidiocese de Porto Velho divulga manifesto contra a violência na cidade


O arquidiocese de Porto Velho (RO) emitiu um manifesto sobre as constantes violências na cidade. No último dia 20 de dezembro, seis pessoas foram assassinadas em vias públicas e outras vinte ficaram feridas. No texto, a arquidiocese cobra das autoridades medidas urgentes para conter os atos de violência que colocam em risco a vida da população. “Precisamos assumir o princípio e a prática de que a fraternidade é fundamento e caminho para a paz”, deseja o arcebispo de Porto Velho, dom Esmeraldo Barreto de Farias.

Abaixo, a íntegra do texto: 

MANIFESTO PÚBLICO:
“Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”.
(Papa Francisco)
1) Os atos criminosos praticados neste ano em todo o Estado de Rondônia, sobretudo em Porto Velho, revelam a incapacidade do Poder Público em controlar a violência nas suas mais diversas manifestações, deixando a sociedade indefesa diante de tamanha barbárie e desprezo à vida humana;
2) O ano de 2013 iniciou com o trágico assassinato da jovem Naiara Karine Costa Freitas, estuprada e morta a facadas na Cidade de Porto Velho, e termina com o assassinato de outra jovem, Katia Maria Saldanha, assassinada no interior do Estado, sendo que tais homicídios são emblemáticos em demonstrar o desprezo à vida humana e a insegurança pública em que vivemos;
3) No dia de ontem, 06 (seis) preciosas vidas foram ceifadas por atos de violência absolutamente incompreensíveis e inaceitáveis, vitimando outras 20 (vinte) pessoas que sofreram lesões e tiveram suas vidas ameaçadas, segundo noticiado pela imprensa local;
4)  Se não bastasse, agentes públicos (policiais militares e agentes penitenciários) também estão sendo alvos da escalada de violência em nosso Estado, a exemplo do PM Osmar Modesto Junior e do agente Luiz Jorge Mondego, igualmente assassinados;
5) Diante deste cenário de insegurança e medo em que a população se encontra refém da violência sem qualquer perspectiva concreta de que a trágica realidade possa dar lugar à paz social, faz-se necessário indagar: onde estão as reais causas de tanta violência? Precisamos trabalhar as causas para que as respostas a curto, médio e longo prazo, possam ser remédio que cura e não paliativo que encobre uma ferida crônica.
6)  Aos familiares e amigos das vítimas, expressamos nossos sinceros sentimentos de solidariedade neste momento de dor.
7) Dos poderes constituídos, notadamente o Poder Executivo, que tem o dever constitucional de garantir a segurança pública, exigimos respostas eficientes no controle e na prevenção da violência, lembrando que a sociedade paga elevados impostos para manter em funcionamento os aparelhos de segurança, sem o correspondente retorno.
8) Conclamamos a sociedade em geral no sentido de acolher o espírito da Paz e trabalhar constantemente nos vários ambientes e meios de comunicação social, a fim de que a cultura da Paz seja predominante em todos os relacionamentos, inclusive os familiares. Precisamos assumir o princípio e a prática de que a fraternidade é fundamento e caminho para a paz. Desse modo, estaremos contribuindo para que cada pessoa seja considerada um irmão a amar e não um adversário ou inimigo a eliminar. Como afirma o Papa Francisco: “Há necessidade de que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade” (Mensagem para o dia Mundial da Paz 2014);
9) A celebração do Natal nos anime a todos a escutar e viver a mensagem dos anjos anunciando aos pastores o nascimento de Jesus Cristo: “Paz na terra aos homens que ele ama” (Lc 2,14).

Arquidiocese de Porto Velho

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