O
arquidiocese de Porto Velho (RO) emitiu um manifesto sobre as
constantes violências na cidade. No último dia 20 de dezembro, seis
pessoas foram assassinadas em vias públicas e outras vinte ficaram
feridas. No texto, a arquidiocese cobra das autoridades medidas urgentes
para conter os atos de violência que colocam em risco a vida da
população. “Precisamos assumir o princípio e a prática de que a
fraternidade é fundamento e caminho para a paz”, deseja o arcebispo de
Porto Velho, dom Esmeraldo Barreto de Farias.
Abaixo, a íntegra do texto:
MANIFESTO PÚBLICO:
“Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”.
(Papa Francisco)
1) Os atos criminosos praticados neste
ano em todo o Estado de Rondônia, sobretudo em Porto Velho, revelam a
incapacidade do Poder Público em controlar a violência nas suas mais
diversas manifestações, deixando a sociedade indefesa diante de tamanha
barbárie e desprezo à vida humana;
2) O ano de 2013 iniciou com o trágico
assassinato da jovem Naiara Karine Costa Freitas, estuprada e morta a
facadas na Cidade de Porto Velho, e termina com o assassinato de outra
jovem, Katia Maria Saldanha, assassinada no interior do Estado, sendo
que tais homicídios são emblemáticos em demonstrar o desprezo à vida
humana e a insegurança pública em que vivemos;
3) No dia de ontem, 06 (seis) preciosas
vidas foram ceifadas por atos de violência absolutamente
incompreensíveis e inaceitáveis, vitimando outras 20 (vinte) pessoas que
sofreram lesões e tiveram suas vidas ameaçadas, segundo noticiado pela
imprensa local;
4) Se não bastasse, agentes públicos
(policiais militares e agentes penitenciários) também estão sendo alvos
da escalada de violência em nosso Estado, a exemplo do PM Osmar Modesto
Junior e do agente Luiz Jorge Mondego, igualmente assassinados;
5) Diante deste cenário de insegurança e
medo em que a população se encontra refém da violência sem qualquer
perspectiva concreta de que a trágica realidade possa dar lugar à paz
social, faz-se necessário indagar: onde estão as reais causas de tanta
violência? Precisamos trabalhar as causas para que as respostas a curto,
médio e longo prazo, possam ser remédio que cura e não paliativo que
encobre uma ferida crônica.
6) Aos familiares e amigos das vítimas, expressamos nossos sinceros sentimentos de solidariedade neste momento de dor.
7) Dos poderes constituídos, notadamente
o Poder Executivo, que tem o dever constitucional de garantir a
segurança pública, exigimos respostas eficientes no controle e na
prevenção da violência, lembrando que a sociedade paga elevados impostos
para manter em funcionamento os aparelhos de segurança, sem o
correspondente retorno.
8) Conclamamos a sociedade em geral no
sentido de acolher o espírito da Paz e trabalhar constantemente nos
vários ambientes e meios de comunicação social, a fim de que a cultura
da Paz seja predominante em todos os relacionamentos, inclusive os
familiares. Precisamos assumir o princípio e a prática de que a
fraternidade é fundamento e caminho para a paz. Desse modo, estaremos
contribuindo para que cada pessoa seja considerada um irmão a amar e não
um adversário ou inimigo a eliminar. Como afirma o Papa Francisco: “Há
necessidade de que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada,
anunciada e testemunhada; mas o amor dado por Deus é que nos permite
acolher e viver plenamente a fraternidade” (Mensagem para o dia Mundial
da Paz 2014);
9) A celebração do Natal nos anime a
todos a escutar e viver a mensagem dos anjos anunciando aos pastores o
nascimento de Jesus Cristo: “Paz na terra aos homens que ele ama” (Lc
2,14).
Arquidiocese de Porto Velho
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