Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Papa e Santa Sé

BENTO XVI A NOVOS BISPOS: NÃO SEJAM BUROCRATAS, MAS PAIS, IRMÃOS E AMIGOS

◊ Castel Gandolfo, 13 set (RV) - A missão do bispo não pode ser entendida segundo a mentalidade da eficiência e da eficácia. O bispo não é um mero governante ou um burocrata. Ele é chamado a ser "forte e decidido, justo e sereno", mas também "pai, irmão e amigo" no caminho cristão e humano.

Foi a exortação do Papa na audiência desta manhã, na Sala dos Suíços, na residência pontifícia de verão de Castel Gandolfo, aos bispos recentemente nomeados, reunidos em Roma para o encontro anual promovido pela Congregação para os Bispos.

Bento XVI agradeceu ao novo Prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet, fazendo-lhe seus melhores votos pelo início de seu serviço à frente do referido organismo vaticano.

Não um burocrata, mas um pai, um irmão e um amigo. O Papa traçou assim o papel que os novos bispos são chamados a desempenhar. A esse propósito, recordou o Pontífice, algumas expressões de Santo Tomás de Aquino são iluminadoras:

"Comentando a expressão de Jesus no Evangelho de João: "O bom Pastor dá a vida por suas ovelhas", Santo Tomás observa: "Ele consagra a sua pessoa no exercício da autoridade e da caridade. São necessárias as duas coisas: que lhe obedeçam e que o amem. De fato, a primeira sem a segunda não é suficiente"."

Em seguida, Bento XVI recordou as palavras do rito da entrega do anel na liturgia da Ordenação episcopal: "Recebe este anel, símbolo da fidelidade; e com fidelidade invencível guarda sem mancha a Igreja, esposa de Deus":

"A Igreja é "esposa de Cristo" e o bispo é o "guardião" (episkopos) desse mistério. O anel é, portanto, um sinal de fidelidade: trata-se da fidelidade à Igreja e à pureza de sua fé. Portanto, é confiada ao bispo uma aliança nupcial. A aliança nupcial da Igreja com Cristo."

Ademais, o Pontífice evidenciou as grandes responsabilidades de um bispo para o bem da diocese, como também da sociedade. A sua missão – observou – "não pode ser entendida segundo a mentalidade da eficiência e da eficácia":

"O ministério do bispo coloca-se numa profunda perspectiva de fé e não simplesmente humana, administrativa ou de caráter sociológico. O bispo não é um mero governante, ou um burocrata, ou um simples moderador e organizador da vida diocesana. São a paternidade e a fraternidade em Cristo que dão ao Superior a capacidade de criar um clima de confiança, de acolhimento, de afeto, como também de franqueza e de justiça."

Por fim, o Santo Padre se deteve sobre uma antiga oração de Santo Aelredo de Rievaulx, Abade:

"Tu, doce Senhor, colocaste um como eu como chefe da tua família (...) para que pudesse ser manifestada a tua misericórdia (...) de modo que se pudesse ver a sublimidade da tua força, não a força do homem." (RL)

BIBLIOTECA VATICANA REABRE SUAS PORTAS

◊ Cidade do Vaticano, 13 set (RV) - Nesta segunda-feira, 13 de setembro, será realizada uma coletiva de imprensa pela inauguração da Biblioteca Vaticana reformada. Ao público, ela vai ser reaberta no dia 20 do mês corrente. As suas dependências estão em reforma desde 2007. Em 27 de junho daquele ano, Bento VXI visitou as obras.


Naquela ocasião, o Santo Padre declarou que “o espírito de universalidade, típico de cada autêntico saber, é o que faz da Biblioteca Vaticana uma acolhedora casa de ciência, cultura e humanismo, a qual abre suas portas a estudiosos provenientes de todas as partes do mundo, sem distinção de proveniência, religião e cultura”.

Agora a Biblioteca abre suas portas novamente nesse mesmo espírito, porém com grandes inovações, principalmente tecnológicas. Todas as operações passam a ser automatizadas, através de uma carteirinha munida de micro-chip que identifica o usuário desde o momento da sua inscrição.

Muitos serviços serão fornecidos online e todas as dependências disponibilizarão aos usuários uma rede de acesso à internet sem fio.

De acordo com o prefeito da Biblioteca Apostólica Vaticana, Dom Cesare Pasini, “a biblioteca estará disponível e aberta, com seus livros e todos os serviços demandados, a todos que quiserem aprofundar seus conhecimentos, estudar e pesquisar”. (ED)

RELIGIÃO, FAMÍLIA E MÍDIA NORTEIAM DISCURSO DO PAPA A EMBAIXADOR DA ALEMANHA

◊ Castel Gandolfo, 13 set (RV) - Deus, família, biotecnologias e mídia: foram esses os pontos centrais do discurso que o Papa dirigiu ao novo Embaixador extraordinário e plenipotenciário da Alemanha junto à Santa Sé.

De fato, Bento XVI recebeu esta manhã, na residência pontifícia de verão de Castel Gandolfo, Walter Jürgen Schmid, para a apresentação de suas credenciais.

O Pontífice falou de um empenho do governo federal a intervir "de modo compensador e pacificador" em casos de confusão na mídia.

"Se Deus não tem uma vontade própria, o bem e o mal acabam não sendo mais distinguíveis": assim o Santo Padre explicou que colocando Deus de lado, "o homem perde a sua força moral e espiritual". E isso significa uma falta no "desenvolvimento total da pessoa", uma carência na "cultura da pessoa".

O resultado é que "o agir social é dominado sempre mais pelo interesse privado ou pelo cálculo do poder, em detrimento da sociedade". Daí, a missão dos homens de fé: acompanhar "de modo positivo e crítico o desenvolvimento de novas relações entre Estado e religião, também para além das grandes Igrejas cristãs até então determinantes".

Reencontrar "o forte apego à religião" de que deram prova homens de fé e mártires do passado". Em definitiva, manter alto o nível daquela "cultura da pessoa". O Papa afirmou:

"Pode verificar-se que numa sociedade a cultura da pessoa se abaixe", e depois convidou a se refletir sobre um dado de fato: não raramente, isso deriva, paradoxalmente, do crescimento do padrão de vida."

E o Pontífice deu exemplos de preocupações concretas da Igreja.

Primeiro: "a crescente tentativa de eliminar o conceito cristão de matrimônio e família da consciência da sociedade". A Igreja – reiterou Bento XVI – não pode aprovar iniciativas legislativas que implicam uma reavaliação de modelos alternativos da vida do casal e da família". E explicou o motivo: levam "ao enfraquecimento dos princípios do direito natural, e assim, à relativização de toda a legislação e também à confusão acerca dos valores na sociedade".

O segundo exemplo concerne às novas possibilidades da biotecnologia e da medicina. O Papa ressaltou o desafio que representam dizendo: colocam-nos em situações difíceis que assemelham a um trilhar por um caminho dificultoso.

Ressaltou o dever de "estudar diligentemente até onde esses métodos podem servir de ajuda para o homem e onde, ao invés, se trata de manipulação do homem, de violação da sua integridade e dignidade". "Não devemos rejeitar esses desenvolvimentos – recomendou – mas devemos estar muito vigilantes."

Fala-se muito de "construção da sociedade humana", e o Pontífice acrescentou outro elemento importante: a "fidelidade à verdade". "Certos fenômenos que se verificam no âmbito da mídia pública nos fazem refletir: encontrando-se em concorrência cada vez maior, os meios de comunicação se sentem impelidos a suscitar a maior atenção possível".

Ademais, recordou o Santo Padre, "de modo geral, é o contraste que faz notícia", mesmo se em detrimento da veracidade do fato. A esse propósito e olhando para a situação na Alemanha, o Papa afirmou: "Acolhe-se de modo favorável a intenção do Governo Federal de empenhar-se em tais casos, o quanto possível, de modo compensador e pacificador". (RL)

BENTO XVI RECEBE MINISTRO PAQUISTANÊS PARA MINORIAS

◊ Cidade do Vaticano, 13 set (RV) - Bento XVI recebeu ontem, domingo, o Ministro para as minorias do Paquistão, Shabbaz Bhatti, primeiro católico a ocupar esse encargo na história do país. Foi o que referiu a Sala de Imprensa da Santa Sé, precisando que o encontro, breve e de forma estritamente privada, realizou-se em Castel Gandolfo logo após a oração mariana do Angelus.

Dias atrás, diversos expoentes da minoria cristã presente no país referiram à agência vaticana Fides, algumas discriminações na distribuição das ajudas nas áreas atingidas pelas enchentes, em particular, em relação à minoria cristã e hindu.

O Ministro Bhatti, em entrevista a um telejornal italiano, excluiu essa circunstância, afirmando, todavia, que "foram levadas em consideração todos os protestos e nomeada uma comissão". Na mesma entrevista, Bhatti afirmou que o Papa "se disse muito próximo às pessoas atingidas pelas inundações" e que fará todo o possível para ajudá-las. O Pontífice também encorajou o governo paquistanês a continuar o diálogo inter-religioso. (RL)

Igreja na América Latina

GUATEMALA: RELATÓRIO CARITAS SOBRE INUNDAÇÕES

◊ Guatemala, 13 set (RV) - A Caritas na Guatemala informou à agência vaticana Fides sobre a devastação causada pelas chuvas torrenciais que deixaram milhares de famílias sem lar no país.

Segundo a Caritas, as inundações causaram 44 mortos, mais de 14 mil feridos e 43 mil deslocados. Por este motivo foi declarada emergência nacional e alerta vermelho nas áreas de Escuintla, Suchitepéquez e Retalhuleu.

A Caritas afirmou que pela passagem dos furacões e tormentas (Agatha, Alex e Frank) e a alta vulnerabilidade das comunidades rurais, uma grande quantidade de famílias camponesas se encontra em grande dificuldade, porque ficou sem moradias, perdeu seus cultivos e animais domésticos; outras famílias continuam em perigo porque vivem à margem de rios ou ladeiras.

“A situação está cada vez mais difícil já que a perda do cultivo significa perder a alimentação da família”. As pessoas mais pobres, que trabalham em construção não têm emprego, e por isso não podem alimentar a família, disse a Caritas.

“Além de todos esses problemas a situação das chuvas e inundações gerou problemas de saúde principalmente entre crianças e idosos (…). A situação é difícil porque as que são principalmente afetadas diante destas emergências são as famílias mais pobres”.

O Ministério de Saúde da Guatemala emitiu um comunicado sobre a presença da dengue na região atingida pelas inundações. Segundo o comunicado foram confirmados 1,925 casos, dos quais 123 são graves. (SP)

COLÔMBIA: AS VÍTIMAS DO CONFLITO ARMADO

◊ Bogotá, 13 set (RV) - O governo colombiano não leva a sério o problema das vítimas do conflito armado, que são milhões de pessoas deslocadas. A denúncia foi feita pelo Secretário-geral da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC), Dom Juan Vicente Córdoba precisamente quando está em andamento a campanha da Igreja em favor das vítimas de violência ”Porque nenhuma violência é estranha para mim”, lançada na última semana na sede da Conferência Episcopal.

Uma iniciativa, disse o diretor da Caritas colombiana, Dom Hector Fabio Henao, “iniciada há vários anos, coletando as expressões das diferentes entidades e indivíduos que apóiam os esforços de paz na Colômbia”. Em 2010, se realiza a terceira fase, na qual se deseja destacar o caráter ético da situação das vítimas e sobretudo das pessoas deslocadas.

De acordo com o Secretário-geral da Conferência Episcopal, Dom Juan Vicente Córdoba, que fez algumas declarações à Rádio RCN, o Governo “não leva a sério” os 3,5 milhões de pessoas que com base em estimativas foram forçadas a fugir de suas casas por causa do conflito. Uma cifra que definiu “alarmante”.

A Corte Constitucional colombiana, por sua vez, advertiu na semana passada que, entre 2004 e 2009 o número de deslocados aumentou de 1,5 para 4 milhões de pessoas. Uma cifra que pode ser ainda maior, de acordo com o Consultório para os Direitos Humanos e o Deslocamento (Codhes). “Precisamos de um projeto consistente que o país veja”, exortou Dom Córdoba. “Devemos levar avante planos dos governos municipais e nacional, e isso é bom, mas não se está levando a sério o problema”, disse o prelado, que pediu um plano “consistente” que envolva projetos de habitação, de ação social, de formação, trabalho, de acompanhamento e prevenção da delinqüência. (SP)

Igreja no Mundo

MADRE TERESA É HOMENAGEADA COM SELO

◊ Washington, 13 set (RV) – Por ocasião do centenário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá, o Serviço Postal dos Estados Unidos lançou em homenagem à Bem-Aventurada um novo selo que foi apresentado na semana passada em uma cerimônia especial na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição na capital norte-americana.

O Diretor-geral do serviço de correios, John Potter, considerou importante dedicar uma homenagem à Madre Teresa, que acreditava “profundamente no valor e na dignidade inata da humanidade e trabalhou incansavelmente em favor dos pobres, doentes, órfãos e moribundos”.

O diretor dos correios disse estar “muito orgulhoso” de que nos Estados Unidos se ofereça uma lembrança duradoura à Madre Teresa.

Quando era viva, a religiosa recebeu várias homenagens por parte deste país e não duvidou em fazer uma crítica contundente sobre o materialismo e a “pobreza espiritual” dos países ocidentais, condições que para ela conduziram a um descuido particular e sistemático dos não nascidos e dos anciãos.

Antes de receber a cidadania americana honorária, a religiosa disse: “Não tenho nenhum novo ensinamento para os Estados Unidos. Sua nação foi fundada sobre a proposta - muito antiga como preceito moral, mas surpreendente e inovadora como visão política - de que a vida humana é um presente de valor incalculável, e que merece, sempre e em todas partes, ser tratada com a maior dignidade e respeito”.

Madre Teresa também enviou uma carta pública à Corte Suprema americana sobre o tema do aborto, o qual descreveu como uma quebra “imensamente trágica e destrutiva” da visão americana dos direitos humanos.

Hoje em dia o trabalho das Missionárias da Caridade nos Estados Unidos se concentra na atenção aos doentes de AIDS e às mulheres grávidas com problemas. (SP)

ÍNDIA: PARA A IGREJA EDUCAÇÃO É PRIORIDADE

◊ Roma, 13 set (RV) - O saber e a educação podem combater a pobreza. É a mensagem lançada pela Comissão para a Educação e a Cultura da Conferência Episcopal Indiana, que solicitou a todas as instituições católicas a darem preferência aos pobres, marginalizados e aos que têm dificuldades econômicas. A educação dos pobres, informou a agência ÁsiaNews, é uma das 10 estratégias promovidas pela Comissão para o combate à pobreza na Índia.

Em um documento intitulado “Políticas para uma ação estratégica”, publicado no início do mês de setembro e fruto de dois anos de encontros organizados pela Comissão nas várias regiões da Índia, convida-se todas as instituições católicas a identificarem as crianças em idade escolar e com dificuldades econômicas, e a dar-lhes a possibilidade de estudar gratuitamente.

“Cada instituição deve identificar, nas suas realidades, os jovens que não podem pagar seus estudos, dando-lhes a oportunidade de estudar gratuitamente”, anuncia o Diretor da Comissão, Padre Kuriala Chittattukalam, sublinhando que cada escola deverá ter um pessoal especializado para realizar uma investigação e estabelecer um fundo especial dedicado aos estudantes carentes.

“Estamos trabalhando para desenvolver toda a política educacional das escolas católicas - continua o sacerdote - por isso, concebemos um instrumento de valor científico, prático e fácil de entender”. Entre as iniciativas para combater a pobreza na Índia, a Comissão propõe também uma série de projetos, tais como a difusão da fé cristã de forma criativa, a análise das mudanças sociais nas escolas católicas, a emancipação feminina através da educação integral da pessoa, o envolvimento das comunidades na luta contra o trabalho infantil e o apoio às famílias mais desfavorecidas. (SP)

ECUMENISMO: RELAÇÕES ENTRE IGREJA ORTODOXA RUSSA E CATÓLICA

◊ Roma, 13 set (RV) - Relações cada vez mais intensas entre a Igreja Ortodoxa russa e a Igreja Católica, em um período de cooperação e de diálogo muito favorável. É o que emerge do Encontro Ecumênico de Espiritualidade Ortodoxa que se concluiu ontem em Bose, sobre o tema “Comunhão e Solidão”. Foi o que disse à Agência Sir, o Núncio Apostólico junto à Federação Russa, Dom Antonio Mennini, acrescentando que "refletir sobre a dimensão da Igreja fundada sobre a comunhão, também é fundamental para o diálogo ecumênico”.

Em numerosas ocasiões oficiais, explicou, “o Patriarca Kirill disse que na Rússia não há mais problemas de proselitismo ou de concorrência entre as duas Igrejas”, as quais, ao invés, estão “unidas contra os mais difusos problemas sociais”.

A intensificação das relações ocorreu sobretudo após a eleição de Bento XVI, testemunhou Alexei Dikarev, do Departamento para as Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, sublinhando como a hierarquia ortodoxa olhe com “apreço as posições do Pontífice em matéria de moral e tradições eclesiásticas e litúrgicas”.

O Departamento para as Relações Exteriores, disse ele, também está empenhado nas relações com conferências episcopais e dioceses católicas”. Entre elas a de Nápoles, com o projeto “de uma exposição de presépios napolitanos em Moscou para o Natal de 2011” e a de Bari “com a participação em um simpósio sobre os casamentos mistos entre ortodoxos e católicos, a ser realizado em dezembro na cidade de Bari. (SP)

Formação

DOM ORANI: MISERICÓRDIA E RECONCILIAÇÃO

◊ Rio de Janeiro, 13 set (RV) - Em artigo anterior, refletindo sobre o Evangelho do Pai Misericordioso, recordei sobre a importância da reconciliação e do perdão como consequência do arrependimento. Continuo um pouco mais nesse mesmo assunto, que julgo muitíssimo importante para os tempos atuais. Em minhas reuniões com as foranias, uma das preocupações comuns é o atendimento das confissões nas paróquias, e encontrar uma paróquia mais central e localizada, com fácil acesso, e com mais sacerdotes para atendimento em plantões diários das pessoas que procuram o sacramento da penitência.
Celebrar a reconciliação é uma mudança importante em nossa sociedade e mesmo dentro da própria comunidade eclesial que, influenciada pelas situações hodiernas, além de esquecer-se da prática sacramental da confissão ou penitência, muitas vezes vive em clima de vingança e ódio. Acredito que a grande resposta a todos os ranços que existem entre as pessoas, e que muitas vezes se destroem entre si, será um povo reconciliado como sinal da misericórdia no meio de nossa sociedade.
Assim como somos chamados a viver a reconciliação no interior da Igreja, ocorrerá também que o sinal da misericórdia deverá aparecer em nossa sociedade tão marcada pelo ódio e rancor e achando que a solução para todos os males é retribuir o mal com o mal.
A confissão não é apenas para absolver dos pecados cometidos e assim ter uma melhor condição espiritual para receber a Eucaristia. O Sacramento da Penitência é de grande valor substancial e extraordinária eficácia no desenvolvimento da vida cristã.
Na Teologia Sacramental exprime-se que a graça nele obtida tem infinita capacidade de santificar os homens. Outro aspecto é que a extensão de seus efeitos é proporcional à disposição daqueles que o recebem. A graça se coloca disponível num coração mais dócil à sua eficácia, como se expressa na Teologia Espiritual.
O perdão é difícil! A confissão da nossa fraqueza, mesmo que isso ocorra no mais absoluto segredo, nunca é fácil. Mas Deus nos pede para confiarmos a Ele os nossos fardos. Ele quer se comprometer conosco para nos dar coragem. O Pai enviou o Seu Filho para nos salvar e não para condenar.
Na confissão, começamos, sim, a nossa jornada rumo à misericórdia e à consolação que só Deus mesmo pode nos proporcionar, e que nenhuma força humana é capaz de fazê-lo. O mundo que Deus criou por amor não quer conhecer a Deus. Há uma espécie de cegueira espiritual que a humanidade está envolvida e mergulhada. Isso provoca uma grande escuridão espiritual, que nos causa confusão e dúvidas.

Tornamo-nos, assim, prisioneiros de nossos medos. Mas Deus nos demonstra o seu infinito amor através do Sacramento da Confissão. Tira-nos do marasmo espiritual e faz-nos ver a luz suprema, que é o Amor que supera todas as nossas imperfeições e nos completa por inteiro. Eis aí um belo fruto do Sacramento da Penitência!
Na verdade, a atual crise de fé afeta principalmente a inteligência, quando não se quer conhecer o que é e o que não é pecado. Não devemos, porém, ver pecado onde ele não existe. Isso também é sinal de maturidade na fé. Mas devemos ser sinceros em ver o pecado onde ele realmente está.
É importante, portanto, saber o que é certo em termos morais, e assumir o que Deus diz sobre a nossa vida no que é certo e no que é errado.
É certo, entretanto, que Deus não quer a nossa infelicidade, mas, completamente o oposto. Devemos ir a Ele com total confiança de que vamos encontrar a chave mestra de nossas questões mais íntimas e mais profundas. Seria bom recordar de nossa iniciação cristã e das orientações da Igreja para se realizar uma boa confissão sacramental.

1. O Exame de Consciência. Nesta etapa colocamo-nos diante de Deus que nos ama e quer estar sempre ao nosso lado. Analisamos a nossa relação com Ele e abrimos o nosso coração.
2. Contrição dos pecados e arrependimento. Aqui percebemos o nosso pecado e como ele nos distancia do amor de Deus. Percebemos que se quisermos ser plenamente felizes, temos que aprender a fazer a vontade Dele e não somente a nossa. Não queremos rejeitar o amor Dele.

3. Propósito sincero de não mais pecar. Finalmente, devemos aceitar que Deus quer nos transformar através do sacramento e, por sua vez, nós nos determinamos a começar uma nova etapa, a dar um novo passo. Se realmente amamos a Deus então não queremos Dele nos separar em definitivo.

4. Manifestar os nossos pecados. Não devemos ter receio e ter vergonha de assumir as nossas falhas. Devemos fazer isso de forma clara, sincera, despretensiosa.

5. Fazer penitência. Neste último ponto queremos nos redimir por completo. Isso por gratidão, por amor e não por força ou coação, mas com coração assumido no pleno amor. “Se dizemos que não temos pecado, nos enganamos a nós mesmos e a verdade não está em nós” (I Jo 1, 8). Quando confessamos, somos leais ao Senhor, que para conosco é sempre fiel. A Sua fidelidade neutraliza a nossa infidelidade. Sua justiça purifica a nossa injustiça. O perdão do Senhor é completo, incondicional se a Ele correspondemos com outra resposta de amor completo e incondicional. O Senhor sempre quer nos restaurar e nos trazer de volta ao Seu amor.

Por fim, queremos recordar o magistério catequético do Santo Padre Bento XVI, quando nos afirma que “mediante o Sacramento da Penitência, Cristo crucificado e ressuscitado, mediante os seus ministros, purifica-nos com sua infinita misericórdia, restitui-nos à comunhão com o Pai Celestial e com os irmãos, nos dá o Seu amor, Sua alegria e Sua paz (mensagem do Ângelus fevereiro de 2009).
Nessa mesma mensagem, o Papa concluiu convidando os fiéis a procurarem com frequência o Sacramento da Confissão, pedindo a redescoberta de seu imenso valor e de sua importância na vida cristã. Por isso tenho pedido sempre em nossos encontros com o clero para que facilitem ao máximo o atendimento das confissões de nossos fiéis. Todos os que buscam o confessionário têm consciência da necessidade de uma vida virtuosa e se colocam como autênticos discípulos-missionários de Jesus Cristo.
E quanto mais caminharmos na direção dessa experiência misericordiosa mais poderemos ser sinais desse amor de Deus à humanidade tão machucada e ferida.
† Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Atualidades

PAQUISTÃO PEDE MAIS AJUDA PARA AS VÍTIMAS DAS ENCHENTES

◊ Islamabad, 13 set (RV) - A situação no Paquistão devido às enchentes é ainda muito grave. O Primeiro-Ministro Raza Yousuf Gilani fez um novo apelo à comunidade internacional, pedindo ajuda emergencial para reparar os danos da catástrofe.

Em entrevista a jornalistas, em um campo de refugiados na Província de Punjab, o primeiro-ministro disse que o seu governo “não está usando essa gravíssima calamidade natural como pretexto para obter financiamento internacional”.

Ele explica que a situação é realmente crítica. Segundo ele “o país está afrontando uma das mais graves crises da sua história e, ao mesmo tempo, está à frente da luta contra o terrorismo”.

Quanto ao terrorismo, ele acrescenta que “essa é uma guerra pela paz e desenvolvimento do mundo inteiro e o Paquistão decidiu opor-se a essa ameaça”.

No que diz respeito aos suspeitos de corrupção na distribuição das ajudas internacionais recebidas, Gilani “assegurou que cada centavo doado às vítimas das enchentes será usado da maneira mais transparente possível”. (ED)

PUBLICADO RELATÓRIO PARA A PROTEÇÃO DOS DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS

◊ Paris, 13 set (RV) - O Observatório para a proteção dos defensores dos direitos humanos publicou hoje, 13 de setembro, o seu relatório anual, conforme informações da Rádio França Internacional. Segundo o documento, 2009 foi particularmente um ano ativo para homens e mulheres que incitam o autoritarismo no lugar da democracia.

O relatório tem 567 páginas e foi feito com base em informações colhidas nos cinco continentes. Pelo menos cem páginas são destinadas à África Subsaariana, região que foi palco de numerosos assassinatos de defensores dos direitos humanos. Entre os países citados, Burundi, Quênia, Nigéria, República Democrática do Congo e Somália.

As repressões e as ameaças de morte não visam somente aos agentes defensores dos direitos humanos, elas chegam também aos que lutam pelo respeito às políticas econômicas e sociais e aos que denunciam a corrupção em todos os seus aspectos.

O relatório ainda denuncia que aqueles que não são mortos sofrem perseguições em tribunais, dando como exemplo de países que realizaram essas perseguições Camarões, Gabão e Zimbábue.

De acordo com o documento, sindicalistas e jornalistas que tornam públicas as violações dos direitos humanos são igualmente perseguidos e intimidados, ou ainda assassinados.

A Federação Internacional para os Direitos Humanos criou o Observatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos (OBS), em 1997, em parceria com a Organização Mundial Contra a Tortura (OMCT). O objetivo deste programa é intervir para prevenir ou remediar situações de repressão contra os defensores dos direitos humanos.

A ação deste programa se baseia na convicção de que o reforço da cooperação e da solidariedade em favor dos defensores dos direitos humanos e das suas organizações contribui para romper seu isolamento e para reforçar as suas proteção e segurança.
(ED)

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