Papa e Santa Sé
BENTO XVI: PRIMEIRA VISITA OFICIAL DE UM PAPA AO REINO UNIDO
◊ Cidade do Vaticano, 14 set (RV) - "O coração fala ao coração": esse é o lema da próxima viagem apostólica de Bento XVI ao Reino Unido, tomado do lema cardinalício do Cardeal John Henry Newman.
O Santo Padre, que estará no Reino Unido de quinta-feira até o próximo domingo, passará pelas cidades de Edimburgo e Glasgow – na Escócia, Londres e Birmingham – na Inglaterra.
Cresce a expectativa para essa primeira visita de Estado de um Papa ao Reino Unido, após as quatro visitas de um soberano britânico ao Vaticano.
Aproveitamos a proximidade dessa visita de Bento XVI para percorrer, rapidamente, as etapas dos encontros entre os soberanos britânicos e os pontífices, ao longo do Séc. XX.
Elisabeth II, após a morte repentina de seu pai, George VI, começou a reinar aos 26 anos de idade. Era 1952, embora sua coroação tenha tido lugar somente depois, em 2 de junho de 1953. A Soberana inglesa encontrou três Papas: Pio XII, João XXIII e João Paulo II.
Na próxima quinta-feira, dia 16, na cidade escocesa de Edimburgo, a Rainha encontrará Bento XVI, na primeira visita de Estado de um Pontífice ao Reino Unido. De fato, os outros encontros tiveram lugar no Vaticano.
Será um momento histórico de grande relevo num processo de reaproximação que começou 107 anos atrás, exatamente em 1903. Nesse espaço de tempo, a Coroa britânica registrou a sucessão de quatro reis e a Cátedra de Pedro foi ocupada por oito papas.
Os encontros se deram em circunstâncias variadas e com diferentes modalidades. A primeira vez que Elisabeth II encontrou um papa, Pio XII, foi em 1953, na vigília de sua coroação.
João XXIII recordou-se desse belo encontro quando a acolheu em visita de Estado ao Vaticano, oito anos mais tarde: 5 de maio de 1961. Na ocasião, Elisabeth II tinha 35 anos.
O Papa Roncalli acolheu a Soberana com grande solenidade. Em sua breve saudação, o Santo Padre evocou outros encontros entre membros da Casa Real Britânica e o Sucessor de Pedro.
O primeiro encontro entre um papa e um rei do Reino Unido – "após três séculos e meio", afirmou João XXIII – ocorreu em 1903, quando o Rei Eduardo VII veio ao Vaticano, para ser recebido pelo Papa Leão XIII. Vinte anos mais tarde, em 1923, o avô de Elisabeth II, George V, encontrou, sempre no Vaticano, o Papa Pio XI.
Ressaltamos que entre essas duas visitas – a de Eduardo VII em 1903 e a de George V em 1923 – em 1914 foram estabelecidas relações diplomáticas entre o Reino Unido e a Sé Apostólica.
A Rainha Elisabeth II fez a sua primeira e única visita de Estado ao Vaticano em 17 de outubro de 1979, dia em que foi recebida junto com o Príncipe Philip, seu consorte, pelo Papa João Paulo II.
Em 1982, no contexto de sua visita pastoral ao Reino Unido – realizada de 28 de maio a 2 de junho – no mesmo dia de sua chegada a Londres o Papa Wojtyla visitou o Palácio Real para um encontro privado com a Soberana. Também privado foi o encontro, no Vaticano, em 17 de outubro de 2000, entre João Paulo II e a Rainha Elisabeth II, que se encontrava em Roma para uma visita de Estado ao então Presidente italiano Carlo Azeglio Ciampi.
Nesta quinta-feira, Bento XVI será o primeiro papa a ir ao Reino Unido para uma visita que será, ao mesmo tempo, pastoral e também de Estado. No dia 16 se poderá assistir, no Palácio Real de Holyroodhouse, em Edimburgo, a uma cerimônia histórica marcada por discursos oficiais e troca de presentes, na moldura de um evento solene e preparado com grande atenção. (RL)
RATIFICADO ACORDO ENTRE SANTA SÉ E BÓSNIA-HERZEGÓVINA
◊ Cidade do Vaticano, 14 set (RV) - Realizou-se na manhã desta terça-feira, na Sala dos Tratados da residência apostólica vaticana, a cerimônia para a troca dos instrumentos de ratificação do Acordo entre a Santa Sé e a Bósnia-Herzegóvina, assinado em Sarajevo no dia 8 de abril deste ano, acerca da assistência religiosa aos fiéis católicos membros das Forças Armadas da Bósnia-Herzegóvina.
Estiveram presentes, entre outros, da parte do Vaticano, o Cardeal Secretário Tarcisio Bertone, e o Secretário das Relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti. Da parte da Bósnia-Herzegóvina, o Ministro das Relações Exteriores, Sven Alkalaj, junto com os Ministros para os Direitos Humanos e os Refugiados, da Justiça e da Defesa, além da Embaixadora junto à Santa Sé, Jasna Krivošić Prpić.
Dom Mamberti falou da confirmação das "ótimas relações entre a Santa Sé e a Bósnia-Herzegóvina, estabelecidas desde o início. Fez votos de que nesta fase delicada da história da nação, "o Acordo ajude também em relação à imagem do país internacionalmente, apresentando a Bósnia-Hwerzegóvina como um país em que – apesar das dificuldades – se vê com respeito as Igrejas e as comunidades religiosas, dando a justa relevância aos princípios democráticos reconhecidos internacionalmente e, em particular, ao princípio da liberdade religiosa".
O Arcebispo ainda fez votos de que "isso possa ajudar também o processo de integração européia e euroatlântica, que se encontra no centro do debate político destes meses".
Por sua vez, o Ministro bósnio das Relações Exteriores, Sven Alkalaj, ressaltou que "a liberdade religiosa é um direito humano fundamental e, com a estipulação e a entrada em vigor desse Acordo, se cria a possibilidade de que esse direito seja verdadeiramente e totalmente respeitado".
O Ministro expressou a "profunda convicção de que o alto nível da cooperação até então realizada e a mútua amizade continuarão e crescerão para o bem de todos". (RL)
CURSO EM ROMA SOBRE A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA
◊ Vaticano, 14 set (RV) - A Fundação vaticana “Centesimus Annus – Pro Pontífice”, em colaboração com o Centro Interdisciplinar da Pontifícia Universidade Lateranense, está celebrando o décimo aniversário dos Cursos bienais – que se realizam a cada dois anos - dedicados à Doutrina Social da Igreja.
No próximo curso bienal – que terá início no próximo dia 2 de outubro 2010 e se concluem em 2012 - os temas se concentrarão na dignidade da pessoa, o destino universal dos bens, a solidariedade, a subsidiariedade, o bem comum, o pluralismo social e a participação. No final do curso os participantes elaborarão uma tese que lhes permitirá obter o diploma em Doutrina Social da Igreja.
A Fundação vaticana “Centesimus Annus – Pro Pontifice” procura promover entre as pessoas de reconhecido compromisso empresarial e profissional na sociedade o conhecimento da doutrina social cristã e a informação sobre a atividade da Santa Sede. Além disso deseja favorecer iniciativas para desenvolver a presença e a obra da Igreja Católica nos diferentes âmbitos da sociedade. (SP)
Igreja na América Latina
MÉXICO: PROGRAMA DA IGREJA EM PROL DOS JOVENS
◊ Cidade do México, 14 set (RV) - A Caritas da Arquidiocese do México desenvolve o programa integral “Ame a Vida” para apoiar as pessoas que sofrem de vícios, especialmente crianças e jovens.
“Ame a Vida”, é uma instituição que faz parte da Rede das Caritas diocesanas do México, nascida em 1991 como uma comunidade terapêutica para dependentes de drogas, na qual se dá atenção às pessoas com problemas de vício, sem importar sexo ou idade.
A organização, que atualmente segue o método de trabalho residencial, semi-residencial e ambulatório, atende a 60 pacientes e seus familiares, que também participam ativamente do programa.
A psicóloga Socorro Colín, membro de “Ame a Vida” assinalou que “buscamos dar a eles as ferramentas para que façam um projeto de vida, pois geralmente nos chegam jovens sem educação, sem estudos, sem trabalho e com excesso de tempo livre. Por isso lhes oferecemos laboratórios para que aprendam um ofício ou que retomem seus estudos”.
Como parte das atividades no centro de reabilitação se realiza um encontro de espiritualidade através do qual o Pe. Rafael de Jesus Rocha ensina às pessoas que se encontram em recuperação, o sentido da vida através da prática de valores como a honestidade, a verdade, a liberdade, a justiça e o perdão.
A Procuradoria Geral da República mexicana revelou que o consumo de drogas entre os jovens do país cresceu em 127% nos últimos 3 anos. No caso de “Ame a Vida”, a psicóloga Colín destacou que eles atendem inclusive meninos de 11 e 12 anos de idade, entre os quais é freqüente o consumo de solventes. (SP)
IGREJA NA VENEZUELA DENUNCIA AUMENTO DA VIOLÊNCIA
◊ Caracas, 14 set (RV) - A Igreja Católica na Venezuela, através das palavras do Arcebispo de Coro, Dom Roberto Lückert León, expressou-se a respeito da situação do país, recordando aos venezuelanos sua responsabilidade nas próximas eleições parlamentares do próximo dia 26.
"É meu dever lançar um apelo para corrigir a direção que o país está tomando e lutar contra os males da democracia venezuelana: corrupção, privilégios, deterioração moral, desperdício, entre outros fatores", sublinha Dom Lückert numa nota, lamentando também a situação dos serviços públicos e denunciando o número crescente de jovens que deixam o país em busca de uma vida melhor.
O prelado ressalta que a Venezuela está caminhando para um confronto de venezuelanos contra venezuelanos e que "a Igreja não pode permanecer indiferente quanto aos dilemas históricos das nações, em que alguns valores e princípios do homem e da sociedade são gravemente ameaçados".
A nota faz referência a alguns aspectos da situação social e política do país. "Se olharmos para alguns elementos do cenário nacional, vemos que o nosso país sangra de um lado a outro". Citando a mensagem dos bispos da Venezuela de janeiro passado, Dom Lückert afirma: "com grande dor, vemos que a Venezuela está se tornando uma sociedade violenta, a cada dia aumenta o número de homicídios, que coloca a Venezuela entre os países com o mais alto número de mortos por homicídio do mundo".
O arcebispo nota que esta realidade está aumentando "sem ver soluções estruturais por parte dos responsáveis pelas políticas de segurança pública em nível nacional e regional".
O documento de cinco páginas, publicado na festa de Nossa Senhora de Coromoto, no último dia 11, teve amplas repercussões na imprensa venezuelana porque descreveu claramente a situação do país. (MJ)
Igreja no Mundo
SÍNODO DA IGREJA GRECO-CATÓLICA
◊ Cidade do Vaticano, 14 set (RV) - Um apelo às autoridades para não permitir provocações baseadas na inimizade religiosa, na intolerância e na limitação dos direitos constitucionais dos cidadãos, como os símbolos da própria fé. É esse, segundo publicado no jornal vaticano L’Osservatore Romano, o conteúdo do documento final do Sínodo dos Bispos da Igreja Greco-Católica na Ucrânia, que foi realizado em L'viv.
Os bispos se referiam ao comunicado de imprensa divulgado pela eparquia de Odessa da Igreja Ortodoxa Ucraniana, Patriarcado de Moscou, para pedir que não fosse autorizada a construção de uma Igreja Greco-Católica, em Odessa. Durante o Sínodo, no entanto, falou-se também da evangelização, migração e organização do próximo Conselho do Patriarcado, que se realizará em Prudentópolis, no Brasil, em 2011.
No que se refere à primeira questão, em particular, foram analisados os estatutos, previamente aprovados, pela comissão responsável sobre a próxima publicação do catecismo. A assembléia, no entanto, “não é um parlamento, onde as questões são decididas pela maioria, mas um lugar onde os líderes da Igreja buscam responder a vontade de Deus”, recordou na abertura dos trabalhos o Arcebispo de Kiev-Halyc, Cardeal Lubomyr Husar. (SP)
NOVOS BISPOS: REACENDER A CHAMA DO ESPÍRITO MISSIONÁRIO
◊ Roma, 14 set (RV) - Está em andamento, em Roma, o encontro dos bispos eleitos nos últimos dois anos, promovido pela Congregação para os Bispos.
"Este seminário é muito importante, porque quando temos um bispo recém eleito, ocorre uma formação suplementar a fim de realizar a missão que nos foi confiada pela Igreja, abordando questões específicas sobre o papel do bispo como o governo da diocese, a santificação pessoal e comunitária, e também questões práticas" - foi o que disse o bispo de Rutana, no Burundi, Dom Bonaventure Nahimana, que está participando do encontro junto com outros bispos recentemente nomeados.
"A missão do bispo é muito ampla e nós precisamos realmente dessa formação. O seminário é também uma ocasião para partilhar as experiências entre os bispos provenientes de vários países do mundo, fazendo-nos sentir parte da Igreja universal" – frisou o prelado.
Já o missionário redentorista, Dom Francisco Antonio Ceballos Escobar, vigário apostólico de Puerto Carreño, na Colômbia, disse que o seminário "é uma grande oportunidade para aprofundar a vocação de serviço. Na verdade, as muitas tarefas e os compromissos da vida sacerdotal fazem com que dentro de nós se mantenha uma idéia e uma espiritualidade da missão um pouco teórica. Este tipo de iniciativa, esta pausa para refletir e partilhar, nos dá uma nova perspectiva, torna a nossa vocação muito mais viva e ajuda a reacender a chama do espírito missionário de uma forma mais viva, mais forte, com mais espiritualidade baseada nos princípios cristãos e missionários" – sublinhou Dom Ceballos Escobar. (MJ)
BÉLGICA: IGREJA COOPERA COM A POLÍCIA
◊ Bruxelas, 14 set (RV) - A Igreja Católica da Bélgica prometeu ontem, segunda-feira, “cooperar com a polícia” na investigação de abusos sexuais cometidos por sacerdotes do país desde a década de 1960. Em uma coletiva de imprensa, o Arcebispo primaz da Bélgica, Dom André-Joseph Leonard, disse querer que “os responsáveis por abusos sejam punidos” e ressaltou a importância de reconhecer o sofrimento das vítimas e ajudá-las. Dom Leonard prometeu comunicar todos os casos à polícia. “Queremos aprender as lições certas a partir dos erros do passado”, disse.
Na última sexta-feira, um relatório divulgado por uma comissão independente instalada pela própria igreja belga identificou 300 supostos casos de abusos cometidos em quase todos os internatos católicos e dioceses no país. “A atenção a casos individuais é a primeira coisa que podemos voltar a adotar após a divulgação desse relatório. Queremos nos comprometer ao máximo de receptividade para com as vítimas. Nós precisamos ouvir as suas perguntas para restaurar suas dignidades e ajudar a curar o sofrimento que eles tiveram”, afirmou o arcebispo.
Dom Leonard disse que irá criar um centro para oferecer “reconhecimento, reconciliação e cura” às vítimas, mas que a repercussão do caso é tamanha que é improvável que o local seja aberto nos próximos meses. O prelado declarou também que a Igreja “está completamente à disposição das vítimas”. (SP)
DRAMA DA VIOLÊNICA NA CAXEMIRA: 18 MORTOS
◊ Roma, 14 set (RV) - Subiu para 18 mortos o balanço das vítimas da violência anticristã em andamento na Caxemira indiana, onde eclodiram protestos contra os atos de profanação contra o Alcorão ocorridos nos Estados Unidos. “Uma violência contra toda a razão - disse o Secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, arcebispo Pierluigi Celata – porque é contra a vida de pessoas inocentes, criaturas daquele Deus que se deve honrar e servir. Nas últimas horas as autoridades voltaram a impor o toque de recolher na maior parte do vale. Os feridos são mais de 70. Ontem foi o dia mais violento desde que explodiu a atual onda de protestos contra a Índia, no último mês de junho.
Os enfrentamentos com as forças de segurança aconteceram durante várias manifestações em todo o vale muçulmano, sob soberania indiana. Uma delas motivada por rumores de que tinha sido queimada uma cópia do Alcorão nos Estados Unidos.
Após estes fatos, as autoridades impuseram o toque de recolher na maioria das localidades do vale da Caxemira. As forças de segurança também decidiram restringir o tráfego aéreo durante os próximos três dias.
Todas as forças políticas foram convocadas para uma reunião nesta quarta-feira, na qual decidirão a estratégia a seguir na Caxemira indiana, e que poderia incluir a retirada em alguns distritos dos poderes especiais das forças de segurança, que atuam frequentemente com impunidade.
Os protestos são constantes desde junho, e têm como principais demandas a independência e a retirada das forças de segurança indianas. (SP)
APELO PELA PAZ NA TERRA SANTA
◊ Miecheów, 14 set (RV) - “Precisamos de paz. Neste conflito geopolítico estamos todos envolvidos. Aqueles que sofrem as consequências são as pessoas, as crianças, as mães, os jovens, o povo da Terra Santa. Muitos inocentes sofreram e muitos continuam a sofrer”. De Miecheów, na Polônia, onde está participando das “Jornadas de Jerusalém” - refere a agência Sir – o Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, voltou a pedir paz para a Terra Santa e o fim do conflito que já dura décadas.
“Vivemos em uma situação muito complexa, sempre que a paz parece estar próxima, algo acontece e distancia essa meta do nosso olhar”, disse o Patriarca, que quis recordar a “guerra silenciosa” de Israel contra a população palestina e resumida em 2 pontos: “ hoje, mais de 400.000 israelenses vivem a leste da ‘linha verde’, ou seja, fora do território da segunda divisão de Israel em 1949; a demografia de Jerusalém está mudando rapidamente, ameaçando um cuidadoso equilíbrio do espaço sagrado”. Isso significa que “as casas dos israelenses são cada vez mais, sendo que para os árabes palestinos cada vez menos, ou são literalmente demolidas pelos tratores em Jerusalém Oriental".
Mas o que é mais preocupante, disse Dom Twal, “é o fato que se está destruindo a esperança. Toda uma geração de israelenses e palestinos nasceu e cresceu em situação de violência, ocupação, separação e ódio, tornando-se cada vez mais difícil, de ambos os lados, um futuro de convivência, mais fácil demonizar os outros, mais difícil perdoar”.
“Para alcançar a paz precisamos do envolvimento de todos e da mediação da comunidade internacional. Bento XVI sublinhou repetidamente: a Terra Santa, jamais poderá ser propriedade exclusiva de um só povo, sendo patrimônio religioso e cultural de todo o mundo. A única solução para o conflito é reconhecer a dignidade intrínseca e fundamental de todas as pessoas que vivem nesta terra, israelenses e palestinos, cristãos, judeus e muçulmanos”. (SP)
Atualidades
UNESCO PRESTA HOMENAGEM À MADRE TERESA
◊ Paris, 14 set (RV) - A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) presta uma homenagem, nesta terça-feira, em Paris, à Madre Teresa de Calcutá por ocasião do centenário de seu nascimento celebrado em 26 de agosto passado.
O evento é promovido pela UNESCO e pela Delegação Permanente da Índia junto ao organismo. A iniciativa engloba a projeção de um filme sobre a vida e a obra de Madre Teresa, mãe dos pobres e Prêmio Nobel da Paz 1979, além da execução de músicas e alguns testemunhos.
O Observador Permanente da Santa Sé junto à UNESCO, Mons. Francesco Follo, falará sobre a caridade de Madre Teresa. A seguir, tomará a palavra a Conselheira das Missionárias da Caridade, Irmã Joanne, que fará a palestra conclusiva.
Durante o encontro será inaugurada a mostra fotográfica "Madre Teresa: vida e mensagem" promovida pela UNESCO até o próximo dia 30, na sede de Paris. (MJ)
ALERTA DA ONU SOBRE CRISE DA ÁGUA
◊ Nova Iorque, 14 set (RV) - O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) fez um alerta, nesta segunda-feira, sobre a crise da água no Planeta.
Segundo o PNUMA, a ausência de medidas eficazes em favor da salvaguarda da água poderá criar uma crise global que provocará até 2020, 135 milhões de mortos, sobretudo crianças.
No relatório Greening Water Law, produzido e proposto por ocasião da Semana Mundial da Água, realizada na semana passada, em Estocolmo, na Suécia, o PNUMA recomenda aos governos e organizações que trabalham no campo da gestão e tutela da água, a mudarem as legislações vigentes a fim de dar mais prioridade às questões relativas à salvaguarda do meio ambiente.
Segundo o relatório, o ambiente planetário está sempre mais empobrecido e cresce a cada ano o número de pessoas que não têm acesso à água. O relatório recorda que 1 milhão e 800 mil crianças abaixo dos cinco anos morrem a cada ano por causa da falta de água potável e básicos serviços de higiene.
A utilização irracional da água e o seu impacto sobre os ecossistemas é a principal causa da perda de biodiversidade cujos efeitos são bem evidentes nos rios, lagos e áreas úmidas em todo o mundo.
Segundo o relatório é necessário criar uma autoridade mundial da água que estabeleça um plano apoiado por um corpo legislativo, mas é também prioritário rever os atuais modelos de desenvolvimento a fim de orientar as escolhas rumo a medidas mais eficazes e sustentáveis.
"Enquanto muitos continuam propondo projetos de privatização da água, nos países subdesenvolvidos e não só, persistem sérios atrasos internacionais nas iniciativas destinadas a garantir o acesso à água potável a todos os seres humanos" - conclui a nota do PNUMA. (MJ)
DIFICIL SITUAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA LATINA
◊ Roma, 14 set (RV) - Os defensores da liberdade na América Latina e no Caribe se encontram em uma situação “crítica”, segundo o relatório do Observatório para a proteção dos defensores dos Direitos Humanos no mundo. O relatório apresentado ontem em Bruxelas pelo Observatório - um programa conjunto da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) e da Organização Mundial contra a Tortura (OMCT) - denuncia os problemas e ameaças que enfrentaram os defensores e ativistas em direitos humanos durante 2009.
No capitulo dedicado à América Latina, o relatório afirma que no “crescente contexto de militarização”, os defensores dos direitos humanos que denunciaram abusos da Polícia e do Exército, sofreram represálias “graves” no Brasil, Colômbia, Guatemala, Honduras e México, segundo o relatório.
As autoridades de boa parte dos países latino-americanos criminalizaram e entorpeceram o trabalho dos defensores de direitos fundamentais como a livre orientação sexual, os direitos dos indígenas, a liberdade de imprensa e os direitos das mulheres. Os que defendem o direito dos indígenas à terra se viram ameaçados na Guatemala, Peru, Brasil, Chile e Equador.
Nesses casos, foram utilizadas práticas como “a criminalização dos protestos sociais” dos camponeses ou detenções arbitrárias. O relatório denuncia, além disso, violações à liberdade de imprensa e a corrupção na Bolívia, Equador, Haiti, México, Nicarágua e Venezuela.
A Colômbia aparece no relatório como o país “mais perigoso para os sindicalistas”. (SP)
BENTO XVI: PRIMEIRA VISITA OFICIAL DE UM PAPA AO REINO UNIDO
◊ Cidade do Vaticano, 14 set (RV) - "O coração fala ao coração": esse é o lema da próxima viagem apostólica de Bento XVI ao Reino Unido, tomado do lema cardinalício do Cardeal John Henry Newman.
O Santo Padre, que estará no Reino Unido de quinta-feira até o próximo domingo, passará pelas cidades de Edimburgo e Glasgow – na Escócia, Londres e Birmingham – na Inglaterra.
Cresce a expectativa para essa primeira visita de Estado de um Papa ao Reino Unido, após as quatro visitas de um soberano britânico ao Vaticano.
Aproveitamos a proximidade dessa visita de Bento XVI para percorrer, rapidamente, as etapas dos encontros entre os soberanos britânicos e os pontífices, ao longo do Séc. XX.
Elisabeth II, após a morte repentina de seu pai, George VI, começou a reinar aos 26 anos de idade. Era 1952, embora sua coroação tenha tido lugar somente depois, em 2 de junho de 1953. A Soberana inglesa encontrou três Papas: Pio XII, João XXIII e João Paulo II.
Na próxima quinta-feira, dia 16, na cidade escocesa de Edimburgo, a Rainha encontrará Bento XVI, na primeira visita de Estado de um Pontífice ao Reino Unido. De fato, os outros encontros tiveram lugar no Vaticano.
Será um momento histórico de grande relevo num processo de reaproximação que começou 107 anos atrás, exatamente em 1903. Nesse espaço de tempo, a Coroa britânica registrou a sucessão de quatro reis e a Cátedra de Pedro foi ocupada por oito papas.
Os encontros se deram em circunstâncias variadas e com diferentes modalidades. A primeira vez que Elisabeth II encontrou um papa, Pio XII, foi em 1953, na vigília de sua coroação.
João XXIII recordou-se desse belo encontro quando a acolheu em visita de Estado ao Vaticano, oito anos mais tarde: 5 de maio de 1961. Na ocasião, Elisabeth II tinha 35 anos.
O Papa Roncalli acolheu a Soberana com grande solenidade. Em sua breve saudação, o Santo Padre evocou outros encontros entre membros da Casa Real Britânica e o Sucessor de Pedro.
O primeiro encontro entre um papa e um rei do Reino Unido – "após três séculos e meio", afirmou João XXIII – ocorreu em 1903, quando o Rei Eduardo VII veio ao Vaticano, para ser recebido pelo Papa Leão XIII. Vinte anos mais tarde, em 1923, o avô de Elisabeth II, George V, encontrou, sempre no Vaticano, o Papa Pio XI.
Ressaltamos que entre essas duas visitas – a de Eduardo VII em 1903 e a de George V em 1923 – em 1914 foram estabelecidas relações diplomáticas entre o Reino Unido e a Sé Apostólica.
A Rainha Elisabeth II fez a sua primeira e única visita de Estado ao Vaticano em 17 de outubro de 1979, dia em que foi recebida junto com o Príncipe Philip, seu consorte, pelo Papa João Paulo II.
Em 1982, no contexto de sua visita pastoral ao Reino Unido – realizada de 28 de maio a 2 de junho – no mesmo dia de sua chegada a Londres o Papa Wojtyla visitou o Palácio Real para um encontro privado com a Soberana. Também privado foi o encontro, no Vaticano, em 17 de outubro de 2000, entre João Paulo II e a Rainha Elisabeth II, que se encontrava em Roma para uma visita de Estado ao então Presidente italiano Carlo Azeglio Ciampi.
Nesta quinta-feira, Bento XVI será o primeiro papa a ir ao Reino Unido para uma visita que será, ao mesmo tempo, pastoral e também de Estado. No dia 16 se poderá assistir, no Palácio Real de Holyroodhouse, em Edimburgo, a uma cerimônia histórica marcada por discursos oficiais e troca de presentes, na moldura de um evento solene e preparado com grande atenção. (RL)
RATIFICADO ACORDO ENTRE SANTA SÉ E BÓSNIA-HERZEGÓVINA
◊ Cidade do Vaticano, 14 set (RV) - Realizou-se na manhã desta terça-feira, na Sala dos Tratados da residência apostólica vaticana, a cerimônia para a troca dos instrumentos de ratificação do Acordo entre a Santa Sé e a Bósnia-Herzegóvina, assinado em Sarajevo no dia 8 de abril deste ano, acerca da assistência religiosa aos fiéis católicos membros das Forças Armadas da Bósnia-Herzegóvina.
Estiveram presentes, entre outros, da parte do Vaticano, o Cardeal Secretário Tarcisio Bertone, e o Secretário das Relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti. Da parte da Bósnia-Herzegóvina, o Ministro das Relações Exteriores, Sven Alkalaj, junto com os Ministros para os Direitos Humanos e os Refugiados, da Justiça e da Defesa, além da Embaixadora junto à Santa Sé, Jasna Krivošić Prpić.
Dom Mamberti falou da confirmação das "ótimas relações entre a Santa Sé e a Bósnia-Herzegóvina, estabelecidas desde o início. Fez votos de que nesta fase delicada da história da nação, "o Acordo ajude também em relação à imagem do país internacionalmente, apresentando a Bósnia-Hwerzegóvina como um país em que – apesar das dificuldades – se vê com respeito as Igrejas e as comunidades religiosas, dando a justa relevância aos princípios democráticos reconhecidos internacionalmente e, em particular, ao princípio da liberdade religiosa".
O Arcebispo ainda fez votos de que "isso possa ajudar também o processo de integração européia e euroatlântica, que se encontra no centro do debate político destes meses".
Por sua vez, o Ministro bósnio das Relações Exteriores, Sven Alkalaj, ressaltou que "a liberdade religiosa é um direito humano fundamental e, com a estipulação e a entrada em vigor desse Acordo, se cria a possibilidade de que esse direito seja verdadeiramente e totalmente respeitado".
O Ministro expressou a "profunda convicção de que o alto nível da cooperação até então realizada e a mútua amizade continuarão e crescerão para o bem de todos". (RL)
CURSO EM ROMA SOBRE A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA
◊ Vaticano, 14 set (RV) - A Fundação vaticana “Centesimus Annus – Pro Pontífice”, em colaboração com o Centro Interdisciplinar da Pontifícia Universidade Lateranense, está celebrando o décimo aniversário dos Cursos bienais – que se realizam a cada dois anos - dedicados à Doutrina Social da Igreja.
No próximo curso bienal – que terá início no próximo dia 2 de outubro 2010 e se concluem em 2012 - os temas se concentrarão na dignidade da pessoa, o destino universal dos bens, a solidariedade, a subsidiariedade, o bem comum, o pluralismo social e a participação. No final do curso os participantes elaborarão uma tese que lhes permitirá obter o diploma em Doutrina Social da Igreja.
A Fundação vaticana “Centesimus Annus – Pro Pontifice” procura promover entre as pessoas de reconhecido compromisso empresarial e profissional na sociedade o conhecimento da doutrina social cristã e a informação sobre a atividade da Santa Sede. Além disso deseja favorecer iniciativas para desenvolver a presença e a obra da Igreja Católica nos diferentes âmbitos da sociedade. (SP)
Igreja na América Latina
MÉXICO: PROGRAMA DA IGREJA EM PROL DOS JOVENS
◊ Cidade do México, 14 set (RV) - A Caritas da Arquidiocese do México desenvolve o programa integral “Ame a Vida” para apoiar as pessoas que sofrem de vícios, especialmente crianças e jovens.
“Ame a Vida”, é uma instituição que faz parte da Rede das Caritas diocesanas do México, nascida em 1991 como uma comunidade terapêutica para dependentes de drogas, na qual se dá atenção às pessoas com problemas de vício, sem importar sexo ou idade.
A organização, que atualmente segue o método de trabalho residencial, semi-residencial e ambulatório, atende a 60 pacientes e seus familiares, que também participam ativamente do programa.
A psicóloga Socorro Colín, membro de “Ame a Vida” assinalou que “buscamos dar a eles as ferramentas para que façam um projeto de vida, pois geralmente nos chegam jovens sem educação, sem estudos, sem trabalho e com excesso de tempo livre. Por isso lhes oferecemos laboratórios para que aprendam um ofício ou que retomem seus estudos”.
Como parte das atividades no centro de reabilitação se realiza um encontro de espiritualidade através do qual o Pe. Rafael de Jesus Rocha ensina às pessoas que se encontram em recuperação, o sentido da vida através da prática de valores como a honestidade, a verdade, a liberdade, a justiça e o perdão.
A Procuradoria Geral da República mexicana revelou que o consumo de drogas entre os jovens do país cresceu em 127% nos últimos 3 anos. No caso de “Ame a Vida”, a psicóloga Colín destacou que eles atendem inclusive meninos de 11 e 12 anos de idade, entre os quais é freqüente o consumo de solventes. (SP)
IGREJA NA VENEZUELA DENUNCIA AUMENTO DA VIOLÊNCIA
◊ Caracas, 14 set (RV) - A Igreja Católica na Venezuela, através das palavras do Arcebispo de Coro, Dom Roberto Lückert León, expressou-se a respeito da situação do país, recordando aos venezuelanos sua responsabilidade nas próximas eleições parlamentares do próximo dia 26.
"É meu dever lançar um apelo para corrigir a direção que o país está tomando e lutar contra os males da democracia venezuelana: corrupção, privilégios, deterioração moral, desperdício, entre outros fatores", sublinha Dom Lückert numa nota, lamentando também a situação dos serviços públicos e denunciando o número crescente de jovens que deixam o país em busca de uma vida melhor.
O prelado ressalta que a Venezuela está caminhando para um confronto de venezuelanos contra venezuelanos e que "a Igreja não pode permanecer indiferente quanto aos dilemas históricos das nações, em que alguns valores e princípios do homem e da sociedade são gravemente ameaçados".
A nota faz referência a alguns aspectos da situação social e política do país. "Se olharmos para alguns elementos do cenário nacional, vemos que o nosso país sangra de um lado a outro". Citando a mensagem dos bispos da Venezuela de janeiro passado, Dom Lückert afirma: "com grande dor, vemos que a Venezuela está se tornando uma sociedade violenta, a cada dia aumenta o número de homicídios, que coloca a Venezuela entre os países com o mais alto número de mortos por homicídio do mundo".
O arcebispo nota que esta realidade está aumentando "sem ver soluções estruturais por parte dos responsáveis pelas políticas de segurança pública em nível nacional e regional".
O documento de cinco páginas, publicado na festa de Nossa Senhora de Coromoto, no último dia 11, teve amplas repercussões na imprensa venezuelana porque descreveu claramente a situação do país. (MJ)
Igreja no Mundo
SÍNODO DA IGREJA GRECO-CATÓLICA
◊ Cidade do Vaticano, 14 set (RV) - Um apelo às autoridades para não permitir provocações baseadas na inimizade religiosa, na intolerância e na limitação dos direitos constitucionais dos cidadãos, como os símbolos da própria fé. É esse, segundo publicado no jornal vaticano L’Osservatore Romano, o conteúdo do documento final do Sínodo dos Bispos da Igreja Greco-Católica na Ucrânia, que foi realizado em L'viv.
Os bispos se referiam ao comunicado de imprensa divulgado pela eparquia de Odessa da Igreja Ortodoxa Ucraniana, Patriarcado de Moscou, para pedir que não fosse autorizada a construção de uma Igreja Greco-Católica, em Odessa. Durante o Sínodo, no entanto, falou-se também da evangelização, migração e organização do próximo Conselho do Patriarcado, que se realizará em Prudentópolis, no Brasil, em 2011.
No que se refere à primeira questão, em particular, foram analisados os estatutos, previamente aprovados, pela comissão responsável sobre a próxima publicação do catecismo. A assembléia, no entanto, “não é um parlamento, onde as questões são decididas pela maioria, mas um lugar onde os líderes da Igreja buscam responder a vontade de Deus”, recordou na abertura dos trabalhos o Arcebispo de Kiev-Halyc, Cardeal Lubomyr Husar. (SP)
NOVOS BISPOS: REACENDER A CHAMA DO ESPÍRITO MISSIONÁRIO
◊ Roma, 14 set (RV) - Está em andamento, em Roma, o encontro dos bispos eleitos nos últimos dois anos, promovido pela Congregação para os Bispos.
"Este seminário é muito importante, porque quando temos um bispo recém eleito, ocorre uma formação suplementar a fim de realizar a missão que nos foi confiada pela Igreja, abordando questões específicas sobre o papel do bispo como o governo da diocese, a santificação pessoal e comunitária, e também questões práticas" - foi o que disse o bispo de Rutana, no Burundi, Dom Bonaventure Nahimana, que está participando do encontro junto com outros bispos recentemente nomeados.
"A missão do bispo é muito ampla e nós precisamos realmente dessa formação. O seminário é também uma ocasião para partilhar as experiências entre os bispos provenientes de vários países do mundo, fazendo-nos sentir parte da Igreja universal" – frisou o prelado.
Já o missionário redentorista, Dom Francisco Antonio Ceballos Escobar, vigário apostólico de Puerto Carreño, na Colômbia, disse que o seminário "é uma grande oportunidade para aprofundar a vocação de serviço. Na verdade, as muitas tarefas e os compromissos da vida sacerdotal fazem com que dentro de nós se mantenha uma idéia e uma espiritualidade da missão um pouco teórica. Este tipo de iniciativa, esta pausa para refletir e partilhar, nos dá uma nova perspectiva, torna a nossa vocação muito mais viva e ajuda a reacender a chama do espírito missionário de uma forma mais viva, mais forte, com mais espiritualidade baseada nos princípios cristãos e missionários" – sublinhou Dom Ceballos Escobar. (MJ)
BÉLGICA: IGREJA COOPERA COM A POLÍCIA
◊ Bruxelas, 14 set (RV) - A Igreja Católica da Bélgica prometeu ontem, segunda-feira, “cooperar com a polícia” na investigação de abusos sexuais cometidos por sacerdotes do país desde a década de 1960. Em uma coletiva de imprensa, o Arcebispo primaz da Bélgica, Dom André-Joseph Leonard, disse querer que “os responsáveis por abusos sejam punidos” e ressaltou a importância de reconhecer o sofrimento das vítimas e ajudá-las. Dom Leonard prometeu comunicar todos os casos à polícia. “Queremos aprender as lições certas a partir dos erros do passado”, disse.
Na última sexta-feira, um relatório divulgado por uma comissão independente instalada pela própria igreja belga identificou 300 supostos casos de abusos cometidos em quase todos os internatos católicos e dioceses no país. “A atenção a casos individuais é a primeira coisa que podemos voltar a adotar após a divulgação desse relatório. Queremos nos comprometer ao máximo de receptividade para com as vítimas. Nós precisamos ouvir as suas perguntas para restaurar suas dignidades e ajudar a curar o sofrimento que eles tiveram”, afirmou o arcebispo.
Dom Leonard disse que irá criar um centro para oferecer “reconhecimento, reconciliação e cura” às vítimas, mas que a repercussão do caso é tamanha que é improvável que o local seja aberto nos próximos meses. O prelado declarou também que a Igreja “está completamente à disposição das vítimas”. (SP)
DRAMA DA VIOLÊNICA NA CAXEMIRA: 18 MORTOS
◊ Roma, 14 set (RV) - Subiu para 18 mortos o balanço das vítimas da violência anticristã em andamento na Caxemira indiana, onde eclodiram protestos contra os atos de profanação contra o Alcorão ocorridos nos Estados Unidos. “Uma violência contra toda a razão - disse o Secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, arcebispo Pierluigi Celata – porque é contra a vida de pessoas inocentes, criaturas daquele Deus que se deve honrar e servir. Nas últimas horas as autoridades voltaram a impor o toque de recolher na maior parte do vale. Os feridos são mais de 70. Ontem foi o dia mais violento desde que explodiu a atual onda de protestos contra a Índia, no último mês de junho.
Os enfrentamentos com as forças de segurança aconteceram durante várias manifestações em todo o vale muçulmano, sob soberania indiana. Uma delas motivada por rumores de que tinha sido queimada uma cópia do Alcorão nos Estados Unidos.
Após estes fatos, as autoridades impuseram o toque de recolher na maioria das localidades do vale da Caxemira. As forças de segurança também decidiram restringir o tráfego aéreo durante os próximos três dias.
Todas as forças políticas foram convocadas para uma reunião nesta quarta-feira, na qual decidirão a estratégia a seguir na Caxemira indiana, e que poderia incluir a retirada em alguns distritos dos poderes especiais das forças de segurança, que atuam frequentemente com impunidade.
Os protestos são constantes desde junho, e têm como principais demandas a independência e a retirada das forças de segurança indianas. (SP)
APELO PELA PAZ NA TERRA SANTA
◊ Miecheów, 14 set (RV) - “Precisamos de paz. Neste conflito geopolítico estamos todos envolvidos. Aqueles que sofrem as consequências são as pessoas, as crianças, as mães, os jovens, o povo da Terra Santa. Muitos inocentes sofreram e muitos continuam a sofrer”. De Miecheów, na Polônia, onde está participando das “Jornadas de Jerusalém” - refere a agência Sir – o Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, voltou a pedir paz para a Terra Santa e o fim do conflito que já dura décadas.
“Vivemos em uma situação muito complexa, sempre que a paz parece estar próxima, algo acontece e distancia essa meta do nosso olhar”, disse o Patriarca, que quis recordar a “guerra silenciosa” de Israel contra a população palestina e resumida em 2 pontos: “ hoje, mais de 400.000 israelenses vivem a leste da ‘linha verde’, ou seja, fora do território da segunda divisão de Israel em 1949; a demografia de Jerusalém está mudando rapidamente, ameaçando um cuidadoso equilíbrio do espaço sagrado”. Isso significa que “as casas dos israelenses são cada vez mais, sendo que para os árabes palestinos cada vez menos, ou são literalmente demolidas pelos tratores em Jerusalém Oriental".
Mas o que é mais preocupante, disse Dom Twal, “é o fato que se está destruindo a esperança. Toda uma geração de israelenses e palestinos nasceu e cresceu em situação de violência, ocupação, separação e ódio, tornando-se cada vez mais difícil, de ambos os lados, um futuro de convivência, mais fácil demonizar os outros, mais difícil perdoar”.
“Para alcançar a paz precisamos do envolvimento de todos e da mediação da comunidade internacional. Bento XVI sublinhou repetidamente: a Terra Santa, jamais poderá ser propriedade exclusiva de um só povo, sendo patrimônio religioso e cultural de todo o mundo. A única solução para o conflito é reconhecer a dignidade intrínseca e fundamental de todas as pessoas que vivem nesta terra, israelenses e palestinos, cristãos, judeus e muçulmanos”. (SP)
Atualidades
UNESCO PRESTA HOMENAGEM À MADRE TERESA
◊ Paris, 14 set (RV) - A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) presta uma homenagem, nesta terça-feira, em Paris, à Madre Teresa de Calcutá por ocasião do centenário de seu nascimento celebrado em 26 de agosto passado.
O evento é promovido pela UNESCO e pela Delegação Permanente da Índia junto ao organismo. A iniciativa engloba a projeção de um filme sobre a vida e a obra de Madre Teresa, mãe dos pobres e Prêmio Nobel da Paz 1979, além da execução de músicas e alguns testemunhos.
O Observador Permanente da Santa Sé junto à UNESCO, Mons. Francesco Follo, falará sobre a caridade de Madre Teresa. A seguir, tomará a palavra a Conselheira das Missionárias da Caridade, Irmã Joanne, que fará a palestra conclusiva.
Durante o encontro será inaugurada a mostra fotográfica "Madre Teresa: vida e mensagem" promovida pela UNESCO até o próximo dia 30, na sede de Paris. (MJ)
ALERTA DA ONU SOBRE CRISE DA ÁGUA
◊ Nova Iorque, 14 set (RV) - O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) fez um alerta, nesta segunda-feira, sobre a crise da água no Planeta.
Segundo o PNUMA, a ausência de medidas eficazes em favor da salvaguarda da água poderá criar uma crise global que provocará até 2020, 135 milhões de mortos, sobretudo crianças.
No relatório Greening Water Law, produzido e proposto por ocasião da Semana Mundial da Água, realizada na semana passada, em Estocolmo, na Suécia, o PNUMA recomenda aos governos e organizações que trabalham no campo da gestão e tutela da água, a mudarem as legislações vigentes a fim de dar mais prioridade às questões relativas à salvaguarda do meio ambiente.
Segundo o relatório, o ambiente planetário está sempre mais empobrecido e cresce a cada ano o número de pessoas que não têm acesso à água. O relatório recorda que 1 milhão e 800 mil crianças abaixo dos cinco anos morrem a cada ano por causa da falta de água potável e básicos serviços de higiene.
A utilização irracional da água e o seu impacto sobre os ecossistemas é a principal causa da perda de biodiversidade cujos efeitos são bem evidentes nos rios, lagos e áreas úmidas em todo o mundo.
Segundo o relatório é necessário criar uma autoridade mundial da água que estabeleça um plano apoiado por um corpo legislativo, mas é também prioritário rever os atuais modelos de desenvolvimento a fim de orientar as escolhas rumo a medidas mais eficazes e sustentáveis.
"Enquanto muitos continuam propondo projetos de privatização da água, nos países subdesenvolvidos e não só, persistem sérios atrasos internacionais nas iniciativas destinadas a garantir o acesso à água potável a todos os seres humanos" - conclui a nota do PNUMA. (MJ)
DIFICIL SITUAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA LATINA
◊ Roma, 14 set (RV) - Os defensores da liberdade na América Latina e no Caribe se encontram em uma situação “crítica”, segundo o relatório do Observatório para a proteção dos defensores dos Direitos Humanos no mundo. O relatório apresentado ontem em Bruxelas pelo Observatório - um programa conjunto da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) e da Organização Mundial contra a Tortura (OMCT) - denuncia os problemas e ameaças que enfrentaram os defensores e ativistas em direitos humanos durante 2009.
No capitulo dedicado à América Latina, o relatório afirma que no “crescente contexto de militarização”, os defensores dos direitos humanos que denunciaram abusos da Polícia e do Exército, sofreram represálias “graves” no Brasil, Colômbia, Guatemala, Honduras e México, segundo o relatório.
As autoridades de boa parte dos países latino-americanos criminalizaram e entorpeceram o trabalho dos defensores de direitos fundamentais como a livre orientação sexual, os direitos dos indígenas, a liberdade de imprensa e os direitos das mulheres. Os que defendem o direito dos indígenas à terra se viram ameaçados na Guatemala, Peru, Brasil, Chile e Equador.
Nesses casos, foram utilizadas práticas como “a criminalização dos protestos sociais” dos camponeses ou detenções arbitrárias. O relatório denuncia, além disso, violações à liberdade de imprensa e a corrupção na Bolívia, Equador, Haiti, México, Nicarágua e Venezuela.
A Colômbia aparece no relatório como o país “mais perigoso para os sindicalistas”. (SP)
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