Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Papa e Santa Sé

PUBLICADO TEMA PARA 45º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

◊ Cidade do Vaticano, 29 set (RV) - "Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital": esse é o tema escolhido pelo Papa para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado no dia 5 de junho do próximo ano.

A Mensagem do Papa será publicada, como todos os anos, no dia 24 de janeiro, data em que se celebra São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

O tema da 45º edição deste Dia – ressalta uma nota do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais – se caracteriza por colocar a pessoa humana no centro de todos os processos da comunicação.

Mesmo num tempo tão grandemente dominado – e, muitas vezes, condicionado – pelas novas tecnologias, o valor do testemunho pessoal permanece fundamental.

Buscar a verdade e assumir o compromisso do anúncio exige – para quem atua no mundo da informação e, particularmente, para os jornalistas católicos – a "garantia" de uma autenticidade de vida que não pode faltar nem mesmo na era digital, observa a referida nota.

Os instrumentos não podem modificar nem aumentar "o nível de credibilidade do agente da comunicação singularmente considerado": nem podem mudar os valores referenciais em relação a uma comunicação que continua alcançando o limiar de sempre novas metas tecnológicas.

A verdade – conclui a nota – permanece sendo a orientação imutável também para os novos meios de comunicação e, "aliás, a era digital, ampliando os confins da informação e do conhecimento, pode tornar idealmente mais próximo aquilo que representa o mais importante dos objetivos para quem quer que atue no mundo da mídia". (RL)

ORAÇÃO DO PAPA PARA O MÊS DE OUTUBRO

◊ Cidade do Vaticano, 29 set (RV) - “Para que a celebração do Dia Mundial das Missões seja uma oportunidade para compreender que a tarefa de anunciar Cristo é um serviço necessário e indispensável que a Igreja é chamada a desempenhar, em benefício da humanidade”: essa é a intenção missionária de oração do Papa para o mês de outubro. Um tema sobre o qual Bento XVI tem falado repetidamente em seu pontificado.

Todos os batizados são chamados a proclamar o Evangelho, a razão da esperança que está dentro de nós. É exortação do Papa Bento XVI que em várias ocasiões recordou como o anseio missionário é essencial em cada comunidade cristã:

“O anúncio do Evangelho continua a ser o primeiro serviço que a Igreja deve prestar à humanidade, para oferecer a salvação de Cristo ao homem do nosso tempo, em tantas formas humilhado e oprimido, e para orientar em sentido cristão as transformações culturais, sociais e éticas que estão ocorrendo no mundo”. (Angelus, 7 de outubro de 2007)

A missão de proclamar o Evangelho reafirma o Papa, parte de um coração renovado, transformado pelo amor de Deus. E faz seu o apelo de São Paulo a todo cristão chamado a anunciar a Boa Nova:

“Na verdade, se a missão não é inspirada pelo amor, é reduzida a atividade filantrópica e social. Para os cristãos, no entanto, valem as palavras do apóstolo Paulo: "O amor de Cristo nos impulsiona". (...) Todo batizado, como um ramo unido à videira, pode, assim, cooperar na missão de Jesus, que se resume nisso: levar a todos a boa notícia de que “Deus é amor” e, por isso, quer salvar o mundo. (Angelus de 22 de outubro de 2006)

“A missão - adverte o Papa - é, portanto, um canteiro de obras onde há espaço para todos: para aqueles que se comprometem a realizar” em suas vidas, o Reino de Deus:

“Para aqueles que vivem com espírito cristão o trabalho profissional; para quem se consagra totalmente ao Senhor; para quem segue Jesus Bom Pastor no ministério ordenado ao Povo de Deus; para quem, de modo específico, parte para anunciar Cristo a quem ainda não O conhece”. (Angelus de 22 de outubro de 2006) (SP)

AUDIÊNCIA GERAL: PAPA RECORDA SANTA MATILDE

◊ Cidade do Vaticano, 29 set (RV) – O Papa Bento XVI deixou na manhã de hoje Castel Gandolfo e veio ao Vaticano onde se encontrou com fiéis e peregrinos provenientes de todas as partes do mundo durante a habitual audiência geral realizada na Praça São Pedro.

A catequese do Santo Padre nesta quarta-feira foi dedicada a Matilde de Hackeborn, uma santa alemã que viveu no século XIII. Filha de uma família nobre entrou muito jovem no Mosteiro de Helfa, onde sua irmã, Santa Gertrudes de Hackeborn, era abadessa. De fato, a principal fonte para conhecer a vida de Santa Matilde – disse o Papa - é um livro escrito por Gertrudes, intitulado “O livro das graças”.

Neste mosteiro, se vivia em um clima de grande radicalidade evangélica, e as religiosas tinham, além do mais uma excelente formação humana, bíblica e patrística. Neste contexto amadureceu a consagração de Matilde, afirmou Bento XVI. Muito cedo se destacou pela sua doação à vida monástica e por suas qualidades humanas. Por isso, lhe foi confiada a escola do mosteiro, a direção do coral e a formação das noviças.

Em sua vida espiritual – continuou Bento XVI - tinha contínuas experiências místicas e o Senhor lhe concedeu um dom especial para o conselho. Sua espiritualidade era centralizada na oração pessoal e litúrgica, especialmente a Liturgia das Horas e a Santa Missa. Santa Matilde faleceu quando tinha 58, depois de sofrer durante um longo período graves enfermidades. Ela ofereceu todo o seu sofrimento pela salvação das almas.

Na conclusão do encontro o Santo Padre saudou os vários grupos de peregrinos presentes em suas respectivas línguas e fez uma breve síntese de sua catequese. Eis o que Bento XVI disse em português.

Queridos irmãos e irmãs,

“Santa Matilde de Hackeborn foi uma das grandes figuras do monaquismo alemão no século XIII. Desde criança sentiu-se chamada à vida religiosa, vindo a fazer parte da comunidade do mosteiro de Helfa, no período mais glorioso da sua história, onde se oferecia uma sólida formação intelectual e espiritual fundada na Sagrada Escritura, na Liturgia, na Tradição Patrística e na regra cisterciense. As elevadas qualidades naturais e espirituais de que era dotada, associadas ao dom divino da contemplação mística, faziam que muitas pessoas, às vezes vindas de longe, a procurassem para encontrar o consolo dos seus sábios conselhos. De fato, ao deixar-se guiar pela Sagrada Escritura e nutrindo-se pelo Pão eucarístico, Matilde percorreu um caminho de íntima união com o Senhor, entrando em diálogo com o seu dulcíssimo e ardente Coração, fonte de luzes interiores e ocasião de intercessão pelas suas irmãs. Pouco após a sua morte, a sua obra e a sua fama de santidade já tinham se difundido grandemente”.

Saúdo, com fraterna amizade, os peregrinos vindos de Portugal e de demais países de língua portuguesa, cuja romagem se detém hoje junto do túmulo de São Pedro e nesta Audiência com o seu Sucessor: Obrigado pela vossa presença e oração! Peço a Cristo Senhor que guarde no seu Coração Sagrado as vossas famílias e comunidades cristãs, abençoando a todos com a sua paz e o seu amor".

No final da audiência, o Santo Padre voltou a sua atenção para duas tragédias humanitárias que atingiram a sensibilidade da comunidade internacional durante este ano. A mais recente, mencionada pelo Pontífice em língua inglesa, disse respeito à tragédia humanitária na Nigéria onde, observou:

"Cerca de dois milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas por causa de graves inundações. Exprimo a todos aqueles que foram atingidos a minha proximidade espiritual e os asseguro a minha oração."

Bento XVI fizera outra menção pouco antes ao saudar, em francês, um pequeno grupo de haitianos presentes na Praça São Pedro, afirmando continuar sempre rezando por eles e pedindo a Deus que os "alivie de suas misérias", conseqüência do catastrófico sismo do início deste ano.

Por fim, após recordar o aniversário de morte – ontem celebrado – de João Paulo I, o Pontífice concluiu confiando os jovens, os doentes e os recém-casados à proteção dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, cuja festa litúrgica hoje celebramos. Eles – repetiu – "nos levam a pensar no providencial cuidado com o qual Deus se ocupa de toda pessoa humana".

Após a audiência geral, o Papa de helicóptero retornou a Castel Gandolfo onde na tarde de hoje se despede dos responsáveis e funcionários da Residência Apostólica. Amanhã quinta-feira Bento XVI retorna definitivamente ao Vaticano. Mas no próximo domingo o Santo Padre deixará novamente o Vaticano para uma visita pastoral à cidade de Palermo, na ilha da Sicília, por ocasião do encontro eclesial regional das famílias e dos jovens.

O Papa partirá às 8h15 do aeroporto de Roma-Ciampino e chegará ao aeroporto de “Falcone e Borsellino” de Palermo, uma hora depois. Às 10 horas está prevista a saudação à cidade no Foro Itálico de Palermo, onde às 10h30 o Pontífice presidirá a Santa Missa e a oração do Angelus.

Após o almoço com os bispos da Sicília, Bento XVI irá se encontrar com os sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas na Catedral da cidade. Às 18h o encontro com os jovens na Praça Politeama. O Papa deve se despedir dos habitantes de Palermo por volta das 19h15, retornando a Roma. (SP)

BISPOS DO RIO DE JANEIRO CONCLUEM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

◊ Cidade do Vaticano, 29 set (RV) - Os vinte e um prelados do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional formado pelo Estado do Rio de Janeiro, celebraram a santa missa, às 16h locais desta quara-feira, na Basílica papal de Santa Maria Maior, concluindo a sua quinquenal visita "ad Limina".

A Eucaristia foi presidida pelo Arcebispo de Niterói, Dom Alano Maria Pena, que fez também a homilia da celebração.

Nosso colega Alberto Goroni entrevistou o Bispo emérito de Nova Friburgo e Presidente do Regional, Dom Rafael Llano Cifuentes, que nos falou sobre a "Missão Continental" e o impulso dado pelo Santo Padre a essa missão, desde sua ida ao Brasil, em maio de 2007, por ocasião da abertura da Conferência de Aparecida: (RL)

PAPA ENCONTRARÁ ZAPATERO

◊ Barcelona, 29 set (RV) – O Papa Bento XVI se reunirá com o chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, durante sua visita pastoral a Barcelona, que se realizará no próximo dia 7 de novembro.

Neste sentido, a primeira Vice-presidenta do Governo, María Teresa Fernández de la Vega, afirmou, depois de um encontro com o Secretário de Estado vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, que os Príncipes e ela mesma estarão em Santiago de Compostela, no dia 6 de novembro, enquanto que os Reis e Zapatero, o aguardarão na cidade de Barcelona, no dia seguinte, em ambos os casos junto com as autoridades locais.

O encontro, que será “breve”, conforme indicaram fontes do Executivo à agência Europa Press, é o habitual neste tipo de visitas, tendo em conta que se trata de uma viagem pastoral.

O encontro entre De la Vega e o Cardeal Bertone durou pouco mais de meia hora, segundo as mesmas fontes, que explicaram que a vice-presidenta presenteou o Secretário de estado do Vaticano com uma caneta e uma camiseta da seleção espanhola com a estrela da Copa do Mundo.

De la Vega afirmou ainda que durante a reunião intercambiaram opiniões sobre outros assuntos de índole internacional como “a muito positiva” colaboração para a liberação de presos políticos cubanos.

Finalmente, a vice-presidenta transmitiu ao Cardeal o convite do Governo da Espanha para contar com um representante oficial da Santa Sé no seminário sobre minorias religiosas que se celebra na Itália no próximo ano. (SP)

Igreja na América Latina

ARGENTINA: IDOSOS SE MOBILIZAM PARA MÊS DAS MISSÕES

◊ Buenos Aires, 29 set (RV) - A Arquidiocese de Salta, na Argentina, prepara com entusiasmo o Mês Missionário que toda a Igreja celebra em outubro. Entre suas diversas atividades a arquidiocese mobilizou também as avós do Centro de Idosos "Cristo Rei".

É a prova de que não existem limites de idade para ser missionário e nada pode impedir um coração ardente de amor de viajar até os extremos confins da terra para contribuir na obra redentora de Cristo e da Igreja. Desde o início de setembro, diversas avós do Centro se empenham e oferecem suas orações e seus limites – consequentes da idade – às missões, rezando diariamente o Terço Missionário.

Segundo informações da Agência Fides, as idosas do Centro Cristo Rei se unem à Paróquia Nossa Senhora dos Anjos, à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus e à Paróquia La Encarnacion del Verbo, onde os ministros da Comunhão estão igualmente engajados no serviço aos doentes e idosos de suas comunidades.

As Pontifícias Obras Missionárias na Argentina iniciaram a campanha do Terço Missionário em todas as dioceses como convite a todas as paróquias e comunidades cristãs a rezá-lo durante todo o mês de outubro. (MJ)

ARGENTINA: ENCONTRO DE JOVENS EM LUJÁN

◊ Luján, 29 set (RV) - No próximo sábado, na Argentina, terá lugar a 36ª Peregrinação juvenil a Luján, que se realiza todos os anos, mas que este ano contará com uma participação maior, pois será acompanhada espiritualmente por muitas pessoas pela web. Segundo informações enviadas à Agência Fides, dia 2 de outubro a partir de 22 horas locais, será transmitido o programa “Juntos em direção de Luján” através da “Rede da Fé”, da qual fazem parte 81 emissoras de rádio (AM e FM), que cobrem todo o território argentino, bem como mais de 30 sites internet visíveis em todo o mundo via web.

A 36ª Peregrinação dos Jovens “a pé em direção de Luján” com o slogan: “Mãe, nós queremos uma pátria para todos”, é o evento religioso mais importante da Argentina, e consegue reunir anualmente mais de um milhão de jovens que caminham por cerca de 60 km. até a Basílica Nacional de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

Com os celulares, ao vivo, durante toda a noite, o programa vai envolver também os bispos das dioceses através dos quais os peregrinos passarão, enquanto dos estúdios será apresentado um programa especial sobre Nossa Senhora de Luján, sua história, seus milagres, e assim por diante. e sobre temas atuais como a defesa da família, da vida e do matrimônio entre homem e mulher. (SP)

Igreja no Mundo

PROGRAMA DE RESPEITO À VIDA: “A MEDIDA DO AMOR É AMAR SEM MEDIDAS”

◊ Nova York, 29 set (RV) - Durante outubro, instituído pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos como o Mês de Respeito à Vida, católicos de todo o país irão unir-se em oração e ação de graças, em eventos de caridade e de instrução. Isso porque a Conferência tem o Programa de Respeito à Vida, cujas celebrações ocorrem anualmente. O tema deste ano é “A Medida do Amor é Amar sem Medidas”.

Por essa ocasião, o presidente do Comitê de Atividades Pró-vida da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Cardeal Daniel N. DiNardo, lançou hoje um documento, no qual lembra que, recentemente, Bento XVI fez um pedido, sem precedentes, aos católicos de todas as nações, para que participassem da “Vigília para Toda a Vida Humana Nascente”, a ser realizada em 27 de novembro de 2010.

O Cardeal ainda lembrou uma homilia de Bento XVI durante sua recente viagem ao Reino Unido, na qual o Santo Padre recordou que “o amor puro e verdadeiro é fruto de cada decisão diária, e que todos os dias, nós devemos escolher amar”. “Todos os dias – disse o Papa naquela ocasião – se testemunharmos os inestimáveis valor e dignidade da vida humana, através de um cuidado amoroso pelo bem do próximo, permitiremos que a dignidade de cada vida humana nos guie em nossas decisões, e certamente teremos uma sociedade mais justa e humana”.

O Programa de Respeito à Vida começou em 1972, nos Estados Unidos, com o propósito de defender a dignidade da vida humana. (ED)

REINO UNIDO: CAMPANHA EM DEFESA DOS CRISTÃOS

◊ Londres, 29 set (RV) - Os cristãos do Reino Unido pertencentes a todas as confissões religiosas promovem no período do Advento, a campanha nacional intitulada "Não se envergonhe".

Os cristãos são muitas vezes vítimas de discriminação nas escolas e locais de trabalho no Reino Unido. A campanha pretende convidar todos os cristãos do país a permanecerem unidos.

Promovida pela "Christian Concern for our Nation", organização que está na vanguarda na defesa da liberdade cristã no trabalho e na sociedade, a campanha convida os cristãos a usarem o emblema "Não se envergonhe" junto com o símbolo cristão, a cruz, bem visíveis durante o tempo litúrgico do Advento.

Numa nota do fundador da "Christian Concern for our Nation", Andrea Minichiello Williams, publicada pelo "Independent Catholic News", falou sobre a tentativa de retirar Jesus Cristo da vida pública, colocando a religião no âmbito privado e pessoal, causando com isso, efeitos desastrosos para as pessoas e as comunidades.

"Esta campanha visa incentivar os cristãos a não terem vergonha daquilo que são e da pessoa que crêem. Chegou o momento de a Igreja encontrar seu papel na vida pública", ressaltou Williams. (MJ)

EUROPA: IGREJA DISCUTE SOBRE A FAMÍLIA

◊ Zagreb, 29 set (RV) - A crise demográfica e a crise da instituição familiar são dois fenômenos intrinsecamente relacionados, que afligem profundamente a nossa sociedade: por essa razão os bispos da Europa decidiram abordar as duas questões na próxima reunião plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que tem início nesta quinta-feira, 30 setembro e se encerra domingo, 3 de outubro, em Zagreb, Croácia.

“A família é um bem essencial para toda a sociedade – disse arcebispo de Esztergom-Budapeste, e presidente do Conselho, Cardeal Peter Erdó apresentando o tema. Infelizmente hoje, é muitas vezes ameaçada por uma cultura egoísta, relativista e voltada exclusivamente para o bem-estar material momentâneo”. “Há tempo, de fato, a Igreja Católica, está enfrentando o tema, colocando também ênfase na baixa taxa de natalidade, causa de um progressivo, inexorável envelhecimento da população”.

Portanto, existe a necessidade, disse o Cardeal à agência SIR, de fazer um apelo urgente aos governos para que “façam tudo o que estiver ao seu alcance para evitar o colapso demográfico e cultural”. “A Igreja convida a implementar políticas adequadas às reais necessidades da família para que elas possam ter filhos”, disse o presidente da CCEE, apresentando alguns dos profissionais do setor que participarão dos trabalhos da plenária Lola Velarde, presidente da Rede Européia do Instituto para as Políticas familiares, Mons. Carlos Simón Vázquez, Subsecretário do Pontifício Conselho para a Família e Rudzinskas Virgilijus, médico da Lituânia.

Entre outros assuntos da ordem do dia, o diálogo com as instituições europeias sobre o problema das seitas, a presença dos ciganos no território da União e a Jornada Mundial da Juventude que se realizará em Madri, em agosto de 2011. No dia 1º de outubro, os presidentes das Conferências Episcopais serão recebidos pelo Chefe de Estado da Croácia, Ivo Josipovic; e, finalmente, durante a Assembléia, serão apresentados os resultados das atividades do Observatório sobre casos de discriminação e intolerância contra os cristãos na Europa. (SP)

Formação

PALAVRA QUE SANTIFICA

◊ Cidade do Vaticano, 29 set (RV) - Domingo passado comemoramos o Dia da Bíblia. Dentro do mês de setembro este tema sempre retorna. Será muito importante que estejamos abertos e atentos para esse grande dom de ouvir o Senhor, que inspirou os autores sagrados e nos ilumina com a Palavra que é luz para os nossos caminhos.

O discípulo amado nos ensina que: “Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade. Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim”. (cf. Jo 17,19-23). Santificados pela palavra de Deus! Este é o resumo deste ensinamento de Jesus.

O Senhor pede-nos uma prática progressiva e constante no nosso processo de santificação pessoal. Santificação que nos é pedida pela aplicação da verdade que está contida e explicitada na Sua palavra.

Nesta perspectiva, a palavra de Deus é mais ampla do que apenas o texto sagrado, um sinal da própria vontade de Deus, expressão de seu amor em relação ao seu plano para o homem.

O Espírito Santo usa a palavra de Deus para realizar a sua ação de santificação do homem. Cabe-nos discernir sobre este processo de santidade e a aplicação da Palavra para que ela possa se realizar. Na verdade, este é um processo constante.

Portanto, Palavra de Deus não é um manual de instruções, não uma especulação simplesmente pessoal, mas palavra que deve ser sentida e que é uso especial que Deus se serve para realizar maravilhas em nossas vidas, para nos dar a graça.

Esta Palavra nos santifica para estudar, meditar e aplicar a verdade que Jesus nos promete sobre a nossa vida cotidiana. A palavra é, assim, revelação perfeita da vontade de Deus sobre nós.

Em suma, há na escritura ensinamento doutrinal e instrução moral, mas a sua verdade mais profunda é a de ser um lugar privilegiado de encontro com Deus, e onde Ele nos fala da vida, vida de mudança pessoal ao Seu encontro.

Lembremo-nos que a Escritura, e também o próprio cristianismo, não são uma filosofia de vida, mas uma relação pessoal do homem com Deus.

A Palavra Sagrada deve ser, portanto, para o cristão, um aprofundamento deste íntimo relacionamento.
O Concílio Vaticano II enfatizou a importância da Palavra afirmando que esta é verdadeiro alimento do povo de Deus. Na verdade, o pão da vida e o pão da palavra nos são dados na mesa eucarística. (Último capítulo da Dei Verbum).

Portanto, um e outro pão são presença viva de Jesus, palavra eterna do Pai, que estão durante o Seu sacrifício redentor, atualizado na Eucaristia. A Igreja “venera as divinas escrituras tal com venera o corpo do Senhor” (DV 21).

O Concílio, nesta esteira, também proclama e ensina que o “acesso à Sagrada deve ser aberto para os fiéis”. O Concílio assim estimula o estudo, o conhecimento, bem como as traduções da Escritura. Ele ainda incentiva, também, os diversos grupos, até mesmo ecumênicos, que possam utilizar-se de textos mais apropriados ao diálogo.

Talvez o capítulo mais central de todo o Concílio não esteja na própria Dei Verbum, e sim na Lumem Gentium e, neste, no seu capítulo V, onde faz um apelo universal à santidade, e que esta atinge a todos, não importando o estado de vida em que se encontre.

A santidade é um apelo a uma metanoia profunda, a uma mudança de rumo, sendo Deus o Amor e sendo este Amor partilhado com os homens.

E a própria Igreja somente se santifica se ela também cresce na caridade e predestina-se a este. Perguntemo-nos, pois, se crescemos nesta santificação.

E onde buscar esta fonte para nos tornarmos santos, para amarmos como Ele mesmo amou? Diz-nos o mesmo Concílio: nos sacramentos e na Palavra de Deus (DV 26).

Podemos perceber uma maior busca pelo estudo da Bíblia e os diversos avanços no conhecimento do seu texto, seja pelos mais simples até os grandes centros de estudo bíblico espalhados pelo mundo.

Neste ponto, muito ajudaram a Filologia e mesmo a Arqueologia, certamente. Tudo isso é sinal da graça de Deus! Porém, não podemos perder a perspectiva central: encontramo-nos com o Senhor pela Bíblia, pela Sua Palavra! Nela podemos ouvi-Lo e responder-Lhe. Somos chamados a ser Seus amigos. Ele nos quer em união com Ele.

Encontrá-Lo através da Escritura é um dos segredos para transformarmos a nossa jornada de vida em caminhada constante de alegria e de esperança renovadas.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

CONFIRMA TEUS IRMÃOS

◊ Cidade do Vaticano, 29 set (RV) - Hoje escrevo o meu artigo à sombra da Basílica de São Pedro, no Vaticano, onde, nós, Bispos do Regional Leste 1 da CNBB, que congrega as Províncias Eclesiásticas de São Sebastião do Rio de Janeiro e de Niterói, além do Arcebispo de Juiz de Fora, do Arcebispo Maronita do Brasil e do Bispo de Tubarão. Estamos em plena Visita Ad Limina Apostolorum na cidade eterna, Roma.

Nestes dias intensos já visitamos vários dicastérios – que são espécies de ministérios que ajudam o Romano Pontífice no Governo da Igreja Católica no mundo. Na manhã da sexta-feira, dia 23, em Castelgandolfo, tive a alegria de manter um contacto pessoal com o Papa Bento XVI, apresentando o relatório das atividades pastorais da bonita e querida Igreja Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, falando de nossas esperanças, de nossas alegrias, mas também dos grandes desafios que se apresentam na evangelização de uma megalópe como a nossa. O Santo Padre se interessou por vários aspectos de nossa cidade, principalmente pela juventude e formação dos cristãos, além, é claro, pelo trabalho social que desenvolvemos.

No sábado, o Papa Bento XVI recebeu todos os bispos que estão em visita “ad limina” na mesma residência de verão de Castelgandolfo, quando, em nosso nome, dirigiu ao Santo Padre a sua saudação o Presidente do nosso regional, que assim se expressou: “Em termos eclesiais, dentre as características mais notórias do Regional Leste I, há de destacar-se a assinalada unidade entre as Províncias e entre as Igrejas Particulares. Esta unidade, solidificada pelos encontros periódicos entre os Bispos, tem um vigoroso denominador comum: a fidelidade ao Magistério Pontifício, especificamente nas matérias mais delicadas, como a doutrina sobre a procriação, a defesa da vida em todos os seus aspectos, as normas sobre os casamentos de segunda união, a não participação na política partidarista, as últimas indicações pontifícias sobre o comportamento moral dos clérigos. Saiba, Santo Padre, que estamos integral e filialmente unidos a Sua Santidade. Nossas ações, nosso trabalho pastoral e nossas orações estão intimamente ligados e direcionados ao sucessor de Pedro.

O nosso povo do Estado do Rio de Janeiro é um povo fervorosamente religioso. Nos últimos cinco anos tem aumentado sensivelmente o número dos que participam das celebrações eucarísticas, e é notável o incremento das vocações sacerdotais. Há seminários do nosso Regional que estão lotados, e alguns deles com cerca de cem seminaristas. Agradecemos a relevante participação de Bento XVI na V Conferência do Episcopado Latino Americano e do Caribe e os imensos frutos dela decorrentes, como o desenvolvimento da Missão Continental, que em muitas das nossas dioceses está em plena expansão através das missões populares. As milhares de visitas domiciliares, já realizadas, têm propiciado o incremento substancial do número de fiéis que frequentam os meios de formação das suas paróquias.”

Em seguida, ao se dirigir a nós, o Papa Bento XVI abençoou a Igreja e o povo do Rio de Janeiro: “Sobre todos e cada um desça, radiosa, a benevolência do Senhor: Ele «faça brilhar sobre ti a Sua face, e Se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o Seu rosto e te dê a paz» (Nm 6, 25-26).”

Falando sobre os jovens, esperança viva de nossas Dioceses, o Papa Bento XVI manifestou a sua alegria com a juventude, aurora da Igreja: “Rica de um longo passado sempre vivo, e caminhando para a perfeição humana no tempo e para os destinos últimos da história e da vida, ela é a verdadeira juventude do mundo. (…) Olhai-a e encontrareis nela o rosto de Cristo, o verdadeiro herói, humilde e sábio, o profeta da verdade e do amor, o companheiro e o amigo dos jovens”. (Mensagem do Concílio à humanidade: Aos jovens).

O Papa ensinou-nos uma verdade que precisa ser sempre reafirmada e proclamada: “Deixando transparecer o rosto de Cristo, a Igreja é a juventude do mundo. Mas será muito difícil convencer alguém disso mesmo se não se revê nela a geração jovem de hoje. Por isso, como certamente vos destes conta, um tema habitual nos meus colóquios convosco é a situação dos jovens na respectiva diocese. Confiando na providência divina que amorosamente preside os destinos da história, não cessando de preparar os tempos futuros, apraz-me ver raiar o dia de amanhã nos jovens de hoje. Já o Venerável Papa João Paulo II, vendo Roma tornar-se «jovem com os jovens», no ano 2000, saudou-os como «as sentinelas da manhã» (Carta ap. Novo millennio ineunte, 9; cf. Homilia na Vigília de Oração da XV Jornada Mundial da Juventude, 19/VIII/2000, 6), com a tarefa de despertar os seus irmãos para se fazerem ao largo no vasto oceano do terceiro milênio. E, a comprová-lo, para além do mais aflui à memória a imagem das longas filas de jovens que esperavam para se confessar no Circo Máximo, e que voltaram a dar a muitos sacerdotes a confiança no sacramento da Penitência”.

Aí, o Papa recordou-se de um outro tema também importante: “como bem sabeis, amados Pastores, o núcleo da crise espiritual do nosso tempo tem as suas raízes no obscurecimento da graça do perdão. Quando este não é reconhecido como real e eficaz, tende-se a libertar a pessoa da culpa, fazendo com que as condições para a sua possibilidade nunca se verifiquem. Mas, no seu íntimo, as pessoas assim «libertadas» sabem que isso não é verdade, que o pecado existe e que elas mesmas são pecadoras. E, embora algumas linhas da psicologia sintam grande dificuldade em admitir que entre os sentidos de culpa possa haver também os devidos a uma verdadeira culpa, quem for tão frio que não prove sentimentos de culpa nem sequer quando deve, procure por todos os meios recuperá-los, porque no ordenamento espiritual são necessários para a saúde da alma. De fato, Jesus veio salvar não aqueles que já se libertaram por si mesmos pensando que não têm necessidade d’Ele, mas quantos sentem que são pecadores e precisam d’Ele (cf. Lc 5, 31-32). “

O Papa nos convida a buscar a educação na verdade, que é sempre nova: JESUS CRISTO RESSUSCITADO! Insistindo em uma vida eclesial mais transparente, sem busca de poder, ou sem querer jamais destruir o outro, o Papa fala do Perdão: “Precisamos do perdão, que constitui o cerne de toda a verdadeira reforma: refazendo a pessoa no seu íntimo, torna-se também o centro da renovação da comunidade. Com efeito, se forem retirados o pó e o lixo que tornam irreconhecível em mim a imagem de Deus, torno-me verdadeiramente semelhante ao outro, que é também imagem de Deus, e, sobretudo, torno-me semelhante a Cristo, que é a imagem de Deus sem defeito nem limite algum – o modelo segundo o qual todos nós fomos criados. São Paulo exprime isto de modo muito concreto: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). Sou arrancado ao meu isolamento e acolhido numa nova comunidade-sujeito; o meu «eu» é inserido no «eu» de Cristo e assim é unido ao de todos os meus irmãos. Somente a partir desta profundidade de renovação do indivíduo é que nasce a Igreja, nasce a comunidade que une e sustenta na vida e na morte. Ela é uma companhia na subida, na realização daquela purificação que nos torna capazes da verdadeira altura do ser homens, da companhia com Deus. À medida que se realiza a purificação, também a subida – que a princípio é árdua – vai-se tornando cada vez mais jubilosa. Esta alegria deve transparecer cada vez mais na Igreja, contagiando o mundo, porque ela é a juventude do mundo.”

Realmente valeu muito a pena ouvir as Palavras do Papa, que nos pede para arrancarmos o pé da rivalidade, da disputa de poder, da falta de senso comunitário que leva ao escândalo aqueles que, na Igreja ou fora dela, querem destruir o irmão, a pessoa humana e viver em contra-valores que não são os valores do Reino.
Que as palavras do Papa nos ajudem, no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil, a buscar uma renovação completa, radical – na força do Espírito de Deus, espírito de justiça, espírito de verdade, espírito de graça!

Bento XVI nos convoca a formação de mentes e de corações, particularmente de nossos jovens. Que possamos, ouvindo a sua voz, colocar em prática a face jovem das Dioceses do Rio, investindo na autêntica formação da juventude na busca dos valores sempre atuais da vida, da verdade, da santidade e da espiritualidade. Vi Pedro, vi Bento XVI, por isso vejo Jesus Cristo nos jovens do Rio de Janeiro e em cada fiel batizado. Amém!

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

A UNIDADE E A VISITA

◊ Cidade do Vaticano, 29 set (RV) - Escrevendo daqui de Roma durante o abençoado tempo da visita “ad limina”, não posso deixar de expressar meus sentimentos de comunhão que abrasam o nosso coração nestes dias, e dizer quanto estamos rezando para que a Unidade contagie toda a nossa arquidiocese. Para que o mundo creia, disse Jesus! Quanta responsabilidade para todos nós! Gritemos por todos os meios a importância da comunhão eclesial e a vivamos com alegria e generosidade!

A unidade da Igreja não é um resultado do acaso, nem um sentimento passageiro, nem muito menos um consenso político, mas é proveniente da comum profissão de fé, amor fraterno e, sobretudo, do transcendente e sobrenatural que existe entre o Pai, e o Filho e o Espírito Santo.

A unidade da Igreja não é, portanto, comparável com a unidade de um corpo político, mas é um efeito da união da Santíssima Trindade e da união hipostática de Jesus Cristo, que se torna comunhão perfeita entre a natureza divina e a humana. Estamos aqui num ambiente de unidade mística e espiritual, antes de união apenas física ou humana, embora sejam próprias também da Igreja, mas estas devem ser reflexo da comunhão de vida no amor e na fé.

Sempre que houver uma separação, uma divisão em sua estrutura e em sua organização este reflexo torna-se obscuro, nebuloso, e nada significa, não é sacramento da verdadeira unidade desejada por Cristo.

Antes de estarmos submetidos a uma autoridade apenas de estrutura, e não a uma autoridade espiritual de Cristo, estaremos falhando na busca desta unidade eclesial.

A visita “ad limina” supre estas duas necessidades na busca da unidade. Ao mesmo tempo em que nos confraternizamos e nos regozijamos por estar unidos estruturalmente ao Sucessor de Pedro, nos unimos a este na nossa reafirmação, nossa ratificação de refletirmos em nossa atividade pastoral em nossas dioceses esta mesma unidade de fé e de comunhão de obediência e na fé em Jesus Cristo.

Na celebração que presidi na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na segunda-feira, recordei a todos os irmãos bispos que a nossa peregrinação era uma volta às fontes, quando nos sentimos confirmados com Pedro na pessoa do Papa, tanto na audiência pessoal como para o Regional, depois nos encontros com os vários dicastérios que ajudam o Santo Padre a governar a Igreja, e com as celebrações nas Basílicas romanas – locais da história da Igreja que veneramos, pois ali estão sepultados irmãos nossos que deram a vida por causa de Cristo e lavaram este chão romano com o seu sangue.

Nesta visita, o modo de enxergar Roma e os locais de peregrinação é diferente, e todos nos sentimos comprometidos com a comunhão, unidade, evangelização, testemunho e renovação de nossas vidas. Não é um ato formal, mas um momento de fé intensa, que deve ser vivido com alegria e compromisso.

Assim nos ensina Jesus a pedir: “que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles sejam um em nós, e para que o mundo creia me enviastes”. (Jo 17, 21).

A visita “ad limina”, portanto, é uma resposta a este mandamento do Senhor, demonstrando e reforçando a íntima e vital relação que existe entre as Igrejas Diocesanas e a Igreja Universal.

Com ela reforçam-se os laços de fé e de confiança filial entre os bispos e o Papa, dando uma dimensão visível para a catolicidade da Igreja.

Assim sendo, os próprios fiéis sentirão, através do seu bispo, a sua participação e a sua comunhão com a verdadeira Igreja de Cristo, católica e apostólica.

Pedimos e oramos com o Senhor para que o fruto desta comunhão que mantemos com Pedro possa e deva se refletir também no ambiente diocesano.

A comunhão hierárquica, os sacerdotes e os diáconos em torno de seu bispo nos inserem na mesma lógica da comunhão sentida nestas visitas ad limina. Essa comunhão, certamente, dá autenticidade de edificação e de crescimento da Igreja.

Portanto, torna-se imperativo uma verdadeira comunhão de vida, e não apenas de obediência, entre os bispos e o seu presbitério, condição para a fecundidade do corpo da Igreja.

Há, certamente, inúmeras atitudes ou “pecados” que vão contra essa comunhão eclesial. Há atitudes sectárias, personalistas que buscam distinção, privilégios e serviços especiais, e assim demonstram total desprezo pela comunhão. Tornar-se disponível ou educar-se para a eclesialidade é, certamente, serviço para a unidade.

Se Jesus orou pela unidade da sua Igreja, o mínimo que podemos fazer é nos colocarmos em busca desta unidade para colaborar com a resposta que o Pai quer que façamos a oração do seu filho.

Se Jesus orou, dentro em si a perspectiva da cruz, nós podemos entender a importância que Ele dá, então, a esta unidade.

A unidade da Igreja é uma resposta a um convite claro que nos faz Jesus. Não deve ser uma questão secundária de nossa vida de Igreja.

A visita “ad limina” é um momento particular de graça, um tempo favorável para nos sentirmos mais Igreja, mais em comunhão. Constitui uma singular lição de eclesialidade prática e uma profunda experiência no mistério da Igreja.

A bênção que pedi ao Santo Padre, e que dele recebi, pertence, na verdade, a toda a Arquidiocese. Sou portador desta bênção e da mensagem que a nós todos dirigiu, e que exige de nós todos, bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas um evidente sinal de generosidade ao Santo Padre. É nesta unidade que crescemos e que se estenderá a todo o futuro de nossas atividades arquidiocesanas.

Em um ambiente saudável de união tudo fica mais fácil de ser planejado e concretizado. O crescimento interno dos nossos sentimentos de unidade na Igreja é testemunho que dá muitos frutos: para que o mundo creia! Sem a unidade, a Igreja perde a sua razão mesma de ser – testemunha da verdade do Evangelho.


† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

SÃO JERÔNIMO

◊ Rio de Janeiro, 29 set (RV) - Estamos para findar o mês da Bíblia, setembro. E no final deste mês comemoramos o grande patrono das traduções bíblicas, que é São Jerônimo.

Jerônimo quer dizer nome sagrado. Nasceu na Dalmácia, antiga Iugoslávia, em 342. Seus pais eram ricos e puderam mandá-lo para Roma realizar seus estudos. Ele morreu a 30 de setembro de 420.

Em Roma estudou latim sob a direção de um famoso professor, Donato, que era pagão, mas extremamente versado na língua do Lácio. Com Donato, Jerônimo também aprendeu o grego e outras línguas afins. Passava horas de estudo e de leituras com os livros dos grandes autores latinos, como Cícero, Virgílio, Horácio e Tácito, e gregos como Homero e Platão. Porém, devido à origem de seu mestre, não se dedicava aos livros religiosos ou de cunho espiritual.

Jerônimo estudou também gramática, retórica e filosofia. Viveu dois anos num deserto como eremita, em 375. De 382-385 atuou como secretário do Papa Dâmaso, e em 386 mudou-se para Belém, onde viveu num mosteiro. Chegou a traduzir 39 sermões de Orígenes, e fez apologias contra Pelágio e contra a sua heresia pelagiana.

Ele logo percebeu, após seu encontro com o mundo cristão, que as traduções da bíblia, em seu tempo, eram imperfeitas na linguagem e cheia de imprecisões.

Iniciou, então, o seu trabalho de tradução dos textos hebraico e grego para o latim, que foi magnífico à época. Tradução que foi realizada com muita elegância, e o fez por completo, traduzindo todo o texto das Sagradas Escritura, do Gênesis ao Apocalipse.

A sua preocupação não era um texto erudito, para professores e sábios, mas queria atingir o povo simples. Um texto enxuto para os simples. Daí o nome de sua tradução VULGATA. (Ou seja, vulgar, do povo, para pessoas comuns).

A tradução foi de tamanha magnitude que o seu texto foi usado em toda a Igreja Católica durante 15 séculos ininterruptos. Somente nos últimos anos, com a valorização da leitura e dos estudos bíblicos, novas traduções surgiram.

Num trecho famoso – comentário sobre Isaías e usado no oficio das leituras na memória de São Jerônimo – ele afirma, com a firmeza de suas convicções, que “ignoratio Scripturarum, ignoratio Christi est”, ou seja, “a ignorância da Escritura é a ignorância de Cristo”. Sem dúvida, uma forte exortação de um Padre e Doutor da Igreja para os cristãos não só do seu tempo, mas, sobretudo, nos dias de hoje.

O estudo sério da Bíblia é uma necessidade e não um opcional para o católico que quer viver com seriedade e convicção a sua fé.

São Jerônimo encontrou o caminho de sua vida na Bíblia. Graças a ele, muitos hoje podem voltar também o seu olhar para a Palavra de Deus, onde podem encontrar a plena felicidade, impossível de alcançar na simples realidade humana. Mas que felicidade? Jesus Cristo, o Ressuscitado, cuja Palavra é Ele mesmo.

Só amamos o Cristo se O conhecemos, e O amamos como Verdade, Caminho e Vida! Verdade que encontramos nos seus ensinamentos, algo que o escritor sagrado nos deixou, mormente nos Evangelhos.

Caminho que Ele nos pede para seguir. Que nos encoraja a trilhar, e que nos dá a Paz. Caminho traçado pelo Cristo: paixão e ressurreição, que ilumina nossas vidas, nossas ações e nossos relacionamentos. Caminho que nos traça, enfim, a nossa salvação.

E vida, que nos é apresentada na fonte da felicidade, que nos é apresentada no texto bíblico: a ressurreição de nossas vidas em Deus.

Este encontro com o Cristo na Bíblia vai nos facilitar esse encontro com Ele. Assim, Jesus é para nós, hoje, a Verdade na Bíblia, a Vida na Eucaristia e o Caminho que seguimos com os irmãos, tal como Ele nos ensinou. Lembremos do Seu encontro com os viajantes em Emaús.

Portanto, o estudo bíblico é de fundamental e crucial importância para a nossa vida de fé. Algo que deve ter sido muito bem percebido por São Jerônimo. Porém, como ele, além do conhecimento e da erudição, o que nos faz santos é viver a Palavra de Deus, colocando-a em prática na vida de cada dia. Os Santos fazem a diferença no mundo.

Não há amor verdadeiro e convicto se por nossa inteligência for ignorado. O amor cresce quando o conhecimento cresce. Isso é dado para a experiência humana, mas também se aplica à experiência espiritual.

Em resumo: não há conhecimento sem o amor de Cristo no estudo da Bíblia com Ele. Esta é a mensagem profunda de Jerônimo.

O legado espiritual que São Jerônimo nos deixa é, por conseguinte, profundo e desafiador. Ele encontrou na escritura o seu fio condutor para Deus, a fonte e a raiz de sua caminhada de santidade.

O seu extremo zelo na tradução, o seu hercúleo trabalho desenvolvido ao longo de anos, a sua dedicação no serviço da Palavra, concretizam-se na sua vida de fé, e demonstrou o seu imenso amor a Cristo e à Sua Igreja.

Assim, também, Irmãos e Irmãs, não deveria ser a nossa caminhada cristã? Esta perspectiva de Jerônimo poderia servir para nosso itinerário de fé.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Atualidades

ACAMPAMENTOS CIGANOS: CE ABRE EXPEDIENTE CONTRA FRANÇA

◊ Bruxelas, 29 set (RV) - A Comissão Européia decidiu, nesta quarta-feira, abrir um expediente contra a França, exigindo que o país modifique sua legislação em matéria de livre circulação de cidadãos. Segundo a porta-voz do órgão, Pia Ahrenkilde, será lançado um procedimento de infração contra o Estado, a menos que, antes da metade de outubro, este apresente um detalhado plano de alinhamento da sua legislação com a diretiva européia de 2004 sobre a circulação de cidadãos em território comunitário.

O governo francês enviou comunicado oficial à Comissão, no qual garante não ter “perseguido uma minoria étnica” e assegura que foi anulada a circular de 5 de agosto, que dava ordem à polícia de desmantelar acampamentos inteiros de migrantes, principalmente de ciganos.

Segundo a comissária de Justiça da Comissão Européia, Viviane Reding, o órgão julgou que a França "não transpôs" devidamente "ao direito francês" a diretriz europeia de 2004, a qual garante a livre circulação no território da Comunidade Européia a todos os seus 27 países membros.

A França desmantelou, nos últimos meses, centenas de acampamentos de ciganos, repatriando milhares que lá habitavam, como parte das políticas de combate à imigração ilegal e à criminalidade dirigidas pelo presidente Nicolas Sarkozy. (ED)
Rádio Vaticano

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