Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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domingo, 14 de novembro de 2010

Papa e Santa Sé


BISPOS DO REGIONAL CENTRO-OESTE DA CNBB INICIAM VISITA "AD LIMINA"

◊ Cidade do Vaticano, 13 nov (RV) - Bento XVI iniciou seus compromissos da manhã deste sábado recebendo em audiência, no Vaticano, o primeiro grupo de bispos do Regional Centro-Oeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional formado pelos Estados de Goiás e Tocantins e pelo Distrito Federal, em visita "ad Limina".

O Pontífice recebeu, em audiências sucessivas, os seguintes prelados:

O Arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz, acompanhado do Bispo auxiliar, Dom Waldemar Passini Dalbello;

o Bispo de Anápolis, Dom João Wilk;

o Bispo de Goiás, Dom Eugène Lambert Adrian Rixen;

o Bispo de Ipameri, Dom Guilherme Werlang;

o Bispo de Jataí, Dom José Luiz Majella Delgado, com o Bispo emérito, Dom Aloísio Hilário de Pinho;

o Bispo de Rubiataba-Mozarlândia, Dom Adair José Guimarães;

o Arcebispo Ordinário Militar, Dom Osvino José Both;

e o Bispo de São Luis de Montes Belos, Dom Carmelo Scampa. (RL)


BENTO XVI: IGREJA PROCURE NOVAS LINGUAGENS PARA COMUNICAR A FÉ, MAS SÓ O AMOR É CRÍVEL"

◊ Cidade do Vaticano, 13 nov (RV) - A Igreja busque novas linguagens para comunicar ao homem de hoje a beleza da fé, mas consciente de que, no final, somente o testemunho vivido do amor "fala sem palavras": foi o que disse o Papa, na manhã deste sábado, recebendo em audiência, na Sala Clementina, no Vaticano, os participantes da plenária do Pontifício Conselho para a Cultura, que se realizou sobre o tema "Cultura da comunicação e novas linguagens".

A saudação ao Santo Padre foi feita pelo Presidente do referido organismo vaticano, Dom Gianfranco Ravasi, que recordou a abertura "incomum" da plenária no Campidoglio – sede da Prefeitura de Roma – para acolher o desafio evangélico de comunicar a fé a todos os povos.

A comunicação é "um dos pontos cruciais do nosso tempo": o Pontífice desenvolveu o seu discurso partindo dessa convicção, recordando que Deus mesmo "em sua bondade e sabedoria" quis comunicar-se a nós em Cristo.

A tarefa essencial do organismo vaticano para a cultura é "colocar-se à escuta dos homens e das mulheres do nosso tempo para promover novas ocasiões de anúncio do Evangelho" num clima de "profunda transformação cultural" caracterizada por novas linguagens e novas formas de comunicação.

"Neste contexto – disse o Papa – os Pastores e os fiéis percebem com preocupação algumas dificuldades na comunicação da mensagem evangélica e na transmissão da fé, dentro da própria comunidade eclesial."

"Muitos cristãos precisam que lhes seja anunciada novamente, de modo persuasivo, a Palavra de Deus, de modo a poder experimentar concretamente a força do Evangelho (Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, n. 96). Os problemas parecem por vezes aumentar quando a Igreja se dirige aos homens e às mulheres que se encontram distantes ou indiferentes a uma experiência de fé, aos quais a mensagem evangélica chega de modo pouco eficaz e envolvente."

"Num mundo que faz da comunicação a estratégia vencedora, a Igreja – afirmou Bento XVI – não fica indiferente", mas procura "recorrer com renovado empenho criativo", e "com senso crítico e atento discernimento" às novas modalidades comunicativas:

"A incapacidade da linguagem de comunicar o sentido profundo e a beleza da experiência de fé pode contribuir para a indiferença de muitos, sobretudo jovens; pode tornar-se motivo de distanciamento, como já afirmava a Constituição conciliar Gaudium et spes, ressaltando que uma apresentação inadequada da mensagem omite mais do que manifesta o genuíno rosto de Deus e da religião."

"A Igreja quer dialogar com todos, na busca da verdade – reiterou o Papa – mas para que o diálogo e a comunicação sejam eficazes e fecundos é necessário sintonizar-se numa mesma frequência."

Bento XVI referiu-se à sua proposta de diálogo e encontro com quem se encontra distante da fé, o chamado "Pátio dos Gentios", que o organismo vaticano para a Cultura já está realizando na Europa.

Deve-se também contatar, de modo criativo, o mundo dos jovens, muitas vezes "atordoados" pelas novas tecnologias, que ao invés de incrementar a comunicação, aumentam "solidão" e "desnorteio".

Na "tarefa, difícil e fascinante" do comunicar a fé – acrescentou o Pontífice – a Igreja pode recorrer ao "extraordinário patrimônio" de símbolos e imagens da sua tradição:

"Em particular, o rico e denso simbolismo da liturgia deve resplandecer em toda a sua força como elemento comunicativo, até tocar profundamente a consciência humana, o coração e o intelecto. Ademais, a tradição cristã sempre uniu estreitamente a liturgia à linguagem da arte, cuja beleza tem a sua força comunicativa."

"Todavia – precisou – a beleza da vida cristã é ainda mais incisiva do que a arte e a imagem na comunicação da mensagem evangélica":

"No final, somente o amor é digno de fé e resulta crível. A vida dos santos, dos mártires, mostra uma singular beleza que fascina e atrai, porque uma vida cristã vivida em plenitude fala sem palavras. Precisamos de homens e mulheres que falem com a sua vida, que saibam comunicar o Evangelho, com clareza e coragem, com a transparência das ações, com a paixão alegre da caridade."

Por fim, Bento XVI fez votos para que muitos dos nossos contemporâneos, diante da "força envolvente do testemunho", possam dizer como os discípulos de Emaús após o encontro com Jesus ressuscitado: "Não nos ardia, por acaso, em nós o nosso coração enquanto Ele conversava conosco ao longo do caminho?" (RL)


Igreja na América Latina ´


MÉXICO: IGREJA PERMITE SUSPENDER MISSAS POR INSEGURANÇA NO PAÍS

◊ Cidade do México, 13 nov (RV) - A Conferência Episcopal do México (CEM) deu liberdade para que os sacerdotes das cidades mais afetadas pela onda de violência que atinge o país suspendam determinados serviços, a fim de "proteger a população", afirmaram nesta sexta-feira, 12, fontes da instituição.

"Devemos nos antecipar a situações que podem ocorrer, para evitar perigos, e adotar as medidas mais oportunas para proteger a população" – explicou à agência espanhola de notícias EFE, o assessor de imprensa do Episcopado, Pe. Manuel Corral.

O secretário-geral da CEM, Dom Víctor René Rodríguez, bispo auxiliar de Texcoco, anunciou ontem, à margem da assembleia plenária do organismo, que cada padre terá a faculdade de mudar o horário das missas, cursos e demais atividades vespertinas, se considerar necessário, mas que não devem abandonar seus postos em nenhum caso.

Em princípio, a diretriz será aplicável em todos os estados do norte do país, como Tamaulipas, Nuevo León e Sinaloa. No entanto, a situação de outras regiões, como Michoacán, Veracruz e Puebla, já fez com que alguns padres mudassem ou eliminassem horários de missa, para prevenir ações violentas.

"Não se trata de uma decisão do sacerdote, mas sim de toda a comunidade de fiéis" – afirmou o porta-voz. Ao entardecer e à noite, segundo relatou, quando a violência aumenta, "a população evita sair às ruas" e as igrejas ficam quase vazias.

Pe. Manuel Corral recordou que essa situação "não é novidade, vem de tempos atrás e foi aumentando"; ele prognosticou que continuará sendo assim durante o que resta do mandato do Presidente Felipe Calderón, "enquanto os grupos de delinquentes se multiplicam".

No início de seu governo, em dezembro de 2006, Calderón lançou uma guerra contra o narcotráfico que já custou a vida de mais de 30 mil pessoas, mortas em ações atribuídas ao crime organizado. (AF)


SAN SALVADOR: BISPO FAZ APELO PELAS VÍTIMAS DE FURACÃO

◊ San Salvador, 13 nov (RV) - O Arcebispo de San Salvador, Dom José Escobar Alas, pediu ao governo que ajude as numerosas famílias que há um ano atingidas pelo furacão Ida e ainda não se recuperam.

“Há um ano sofremos os trágicos efeitos do furacão Ida, recordamos nossos mortos e oferecemos nossas orações por suas almas, também unimos nosso compromisso com essas pessoas que estão em condições muito vulneráveis”, explicou o Arcebispo.

O prelado pediu às autoridades que não se esqueçam das pessoas atingidas. “O Governo construiu casas, entregou ajuda, mas não é suficiente, porque o perigo continua, o vulcão é uma ameaça para quem mora nas suas proximidades, porque segundo estudos, existem frestas em algumas áreas do vulcão, pelas quais se pode produzir uma nova tragédia”, indicou o bispo. (SP)


Igreja no Mundo

ESPANHA: JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

◊ Sevilha, 13 nov (RV) - A Pastoral Juvenil da Arquidiocese de Sevilha organizou uma visita social a prisões e centros de acolhida como parte dos preparativos para a próxima Jornada Mundial da Juventude Madri
Os lugares incluídos na jornada social são o Centro Penitenciário Sevilha I, paróquias com refeitórios sociais, centros de acolhida de menores e desamparados, lares para idosos e deficientes físicos, assim como projetos de cooperação e voluntariado. (SP)


CRISTÃO FERIDOS NO IRAQUE ACOLHIDOS EM ROMA

◊ Roma, 13 nov (RV) - Chegou ontem a Roma um grupo de 26 cristãos iraquianos feridos no ataque de Al-Qaeda contra a catedral sírio-católica de Bagdá, que causou a morte de 68 pessoas. Os feridos foram transferidos para a Policlínica Gemelli, de Roma, onde receberão todo o tratamento necessário. O anúncio foi feito pelo Ministério dos Exteriores italiano, explicando que o Ministro, Franco Frattini, acolheu o apelo feito pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone. Ontem, o governo da região da Toscana deu a disponibilidade de acolher os feridos graves que não podem ser curados e iniciar relações e intercâmbios entre os hospitais da Toscana e hospitais de Bagdá. A partida do grupo da capital do Iraque coincidiu com uma missa em memória das 19 vítimas italianas do massacre de Nasiriyah, que foi celebrada precisamente na catedral sírio-católica. Participou da celebração, por ocasião do sétimo aniversário do ataque, o embaixador italiano no Iraque, Gerardo Carante.

Enquanto isso, para a comunidade cristã no país do Golfo, a situação continua dramática. O Arcebispo caldeu de Mossul, Dom Emil Shimoun Nona, - destacou à agência Sir - que “os cristãos têm medo porque sabem o que significa ser vítima de violência, já que eles vivem isso na própria pele”. Segundo o prelado, “a maioria dos cristãos não pensa, no momento, deixar a cidade, apesar de alguns já terem feito isso”. Contudo, diz Dom Nona, “não basta o reforço da segurança ao redor das igrejas e lugares de culto cristãos em Mosul, decidido, após o massacre na igreja em Bagdá, para tranquilizar os fiéis”.

Neste contexto, acrescenta o Bispo de Mosul, “estamos felizes de que a CEI, Conferência Episcopal Italiana, tenha promovido para o próximo 21 de novembro um dia de oração pelos cristãos perseguidos e seus perseguidores. Esperamos que a iniciativa seja adotada também em outros países”.

O bispo saúda, enfim, com satisfação, a formação do novo governo após oito meses de impasse institucional: “A presença de um governo forte e respeitável deveria também ter um impacto positivo sobre a situação dos cristãos. Até agora, os grupos extremistas têm feito o que querem, agora vamos esperar que a situação melhore em termos de segurança e estabilidade”. (SP)


Entrevistas

PADRE LOMBARDI CELEBRA 50 ANOS DE VIDA RELIGIOSA: ENTREVISTA COM O DIRETOR-GERAL DA RÁDIO VATICANO

◊ Cidade do Vaticano, 13 nov (RV) - Padre Federico Lombardi celebra nesta sexta-feira, dia 12 de novembro, os seus 50 anos de vida religiosa, ou seja desde quando entrou na Companhia de Jesus. Padre Lombardi é Diretor-geral da Rádio Vaticano, do Centro Televisio Vaticano e da Sala de Imprensa da Santa Sé. Silvonei José conversou com ele sobre assuntos diversos. Eis o conteúdo da entrevista:

1) Padre Lombardi, onde o senhor começou a sua vida religiosa e por que a Companhia de Jesus?

R. Quando eu era jovem vivia no Piemonte e a maior parte do meu tempo passava na cidade de Turim. Na cidade de Turim frequentava a escola, uma escola dos jesuítas, e fazia as minhas atividades como jovem escoteiro no oratório dos salesianos. Tive uma juventude muito bonita que recordo com muita alegria, seja porque a minha família era uma família muito unida, também muito religiosa, seja porque vivi em ambientes educativos que recordo com muita gratidão, seja na escola dos jesuítas, como também no oratório dos salesianos com as atividades com os jovens. Depois quando completei 18 anos e terminei o segundo grau, naturalmente surgiu a questão de como continuar a minha vida, e diria que a escolha de dedicar a própria vida ao serviço do Senhor e dos outros foi muito espontânea naquele momento. No que diz respeito a onde e como realizá-la foi para mim normal pedir à Companhia de Jesus para entrar a fazer parte da mesma, apesar de ter sempre conservado uma grandíssima amizade e proximidade com os salesianos.

2) O Senhor retorna com frequência a casa?

R. Retornava regularmente ao menos uma ou duas vezes ao ano, quando era viva a minha mãe. Agora retorno uma vez ao ano para não perder o contato com as minhas irmãs. Porém tenho que dizer que vivi muito intensamente a minha juventude e também a primeira parte da minha formação religiosa no Piemonte, mas desde 1973, quando fui enviado para Roma, minha vida se desenvolveu em Roma. Portanto perdi gradualmente a intensidade das relações com a minha região de origem.

3) Todas as suas escolhas Padre Lombardi o trouxeram a Roma. Quem é hoje Padre Federico Lombardi?

R. Sou um jesuíta, um sacerdote. Procurei fazer as coisas que me foram solicitadas porque temos um voto de obediência; recebemos, portanto, missões, dizemos assim. São encargos, tarefas de nossos superiores, e no fim da minha formação religiosa e sacerdotal essas tarefas me trouxeram a Roma para trabalhar na Civiltà Cattolica, que é uma revista de cultura dos jesuítas, portanto no campo da comunicação social. Desde então permaneci neste campo, sempre fazendo coisas que me foram solicitadas. Depois de 11 anos na Civiltà Cattolica, fui durante 6 anos superior provincial dos jesuítas italianos, e depois da conclusão do mandato fui enviado ao Vaticano como Diretor dos Programas da Rádio Vaticano, e depois com outras tarefas. Posso dizer com grande tranquilidade que jamais fiz aquilo que eu queria fazer mas sempre fiz o que me foi indicado fazer pelos meus superiores.

4) Padre Federico Lombardi se não fosse um sacerdote o que teria feito na vida?

R. Parece-me algo muito hipotético, porém, por assim dizer, entre os interesses espontâneos da minha juventude havia certamente o das ciências naturais, em particular a física. Depois no que se referia às outras atividades no tempo livre, o alpinismo.

5) Algum momento marcante da sua vida que o senhor recorda com frequência?

R. Dificil encontrar um mais marcante do que outro, mas confesso que nestes dias, quando se celebrava a dedicação da Igreja da Sagrada Família, precisamente no último domingo, com o Papa em Barcelona, voltou-me à mente um momento muito específico. Quando eu tinha 13 anos, junto com os escoteiros do oratório dos salesianos, fiz a minha primeira grande viagem em bicicleta pela Europa, indo de Turim até Barcelona. Nós viajávamos num modo muito pobre, levávamos a barraca na bicicleta, comíamos queijo e tomate, portanto fazíamos em um modo extremamente econômico. Quando chegamos a Barcelona não sabíamos onde ir. Num certo momento vimos quatro agulhas muito altas e dissemos, vamos até lá. Era a fachada da Sagrada Família que ainda estava em construção. Portanto o primeiro ponto de chegada da minha longa viagem em bicicleta - depois fiz outras 4 ou 5 viagens pela Europa junto com os meus companheiros quando tinha 13 anos – era exatamente a fachada da Sagrada Família onde o Papa recitou o Angelus domingo passado. Assim eu pude confrontar passados 50 anos como cresceu esse edifício. Pensei também na minha vida, como se desenvolveu no serviço da Igreja desde então.

6) O seu contato com os escoteiros continua até hoje?

R. Fui assistente nacional dos escoteiros italianos adultos até pouco tempo atrás. Infelizmente com todas as atividades de hoje, com os trabalhos no Vaticano eu não pude continuar, mas conservo uma grande amizade e uma grande gratidão pela belíssima experiência que pude fazer.

7) O senhor trabalhou diretamente com dois Papas. O que mudou na Igreja nestes anos em que o Senhor esteve aqui dentro do Vaticano?

R. Não toca tanto a mim dizê-lo, mas é do conhecimento de todos, que a história da Igreja através dos tempos através do caminho que faz no mundo, que acompanha também as mudanças que se verificam no mundo de hoje; as preocupações que os Papas têm são pela humanidade e pelo anúncio da fé mesta humanidade. Há os grandes problemas da justiça no mundo, do desenvolvimento das populações pobres, o problema da paz, o probelma, precisamente, do anúncio da fé e da dimensão transcendente da relação entre o homem e Deus, e do conhecimento também de Jesus Cristo e do Evangelho como alimento da vida espiritual da humanidade de hoje. Esses são os temas sobre os quais os Papas trabalham continuamente, e eu vejo essa continuidade fundamental, isto é, a Igreja tem uma missão que é muito clara, mudam as circunstâncias mas a missão permanece a mesma: anunciar Deus, anunciar Jesus Cristo, que é a face de Deus, promover a união entre os cristãos, servir ao diálogo entre as grandes religiões no mundo de hoje, servir com caridade ativa todas as necessidades do homem e do mundo de hoje; são as prioridades deste Pontificado que Bento XVI indicou muito claramente várias vezes, mas creio que se olharmos para trás creio que as prioridades do Pontificado de João Paulo II eram as mesmas, mesmo se, talvez, o mundo de então tinha situações diferentes, com a divisão entre Leste e Oeste, que agora mudou, enquanto existem hoje outros problemas do mundo global. Mas a orientação comum é a de serviço à Igreja de Jesus Cristo, para o bem e a salvação de todos os homens. A isso se dedicam os Papas, se dedica a Igreja e eu, com a minha humilde contribuição, procuro dedicar-me a ajudar, acompanhando, no que diz respeito a mim, os ministérios dos Papas.

8) O senhor tem contato a 360 graus com os organismos do Vaticano e com as Igrejas particulares presentes em todo o mundo. Segundo o senhor qual é hoje o grande desafio da nossa Igreja?

R. Parece-me dificil dizer algo diferente daquilo que eu disse antes falando das prioridades do Pontificado. Essas são efetivamente os desafios da situação de hoje, da história de hoje, da Igreja, aos quais, com a condução do Papa procuramos responder. Naturalmente numa visão de fé, numa visão cristã, o ponto mais radical, mais profundo, no qual nos movemos para buscar todos os tipos de resposta, e depois o homem diante de Deus, a identidade mais profunda da pessoa humana que encontra portanto o sentido da sua vida no mundo e a orientação para o seu caminho e para o seu compromisso. Se se perde isso, depois se podem fazer muitas coisas, mas é difícil encontrar uma orientação a qual seguir. E por isso creio que o grande desafio para a Igreja seja sempre falar de Deus, de Jesus Cristo, no mundo de hoje, como o dom maior que se pode fazer à humanidade que está ao nosso redor, às pessoas concretas que encontramos todos os dias.

9) Um pensamento para a América Latina. O senhor acompanhou o Santo Padre na sua visita ao Brasil. Qual é o olhar que o senhor tem sobre a América Latina, precisamente porque metade dos católicos do mundo vivem ali?

R. Efetivamente, esse é o olhar que todos temos em direção à América Latina, o continente onde se encontra o maior número de católicos, isto é um continente absolutamente fundamental na realidade da Igreja de hoje e pensamos também naquele de amanhã. Portanto o olhar é um olhar de esperança, de amor, um olhar de expectativa em relação ao anúncio da fé que com o passar dos séculos fez tanto, pela vida desse continente, possa continuar a encontrar sua função de inspiração pela justiça, pela paz, pelo desenvolvimento da pessoa e também precisamente pela sã direção do crescimento espiritual das pessoas. Infelizmente na América Latina, às vezes, existe muita confusão por causa também do crescimento das seitas, de problemas de orientação espiritual das pessoas: creio que seria necessário reencontrar verdadeiramente a força da mensagem anunciada pela Igreja, que possa dar alegria e orientação para o crescimento daquele que é chamado, justamente, “continente da esperança”.

10) Padre Lombardi, o senhor é o diretor geral da Rádio Vaticano, do Centro Televisivo Vaticano e da Sala de Imprensa: quantas horas tem o seu dia?

R. O meu tem 24 horas, como o de todos! Naturalmente a maior parte destas 24 horas é dedicada a esses serviços que você recordou. Para mim se trata de por em ordem entre as muitas coisas que todos os dias devo fazer, por isso também o meu dia – digamos assim – é uma espécie de peregrinação através dos diversos escritórios dessas instituições, para poder dar as indicações ou para poder tomar decisões que muitas vezes são urgentes. Naturalmente isso requer, antes de tudo, muita confiança nos próprios colaboradores, conseguindo assim viver em um clima de colaboração. Dessa maneira se pode fazer tantas coisas, isso se estamos de acordo em fazê-las, se existe uma orientação e um sentir comum. Para mim é absolutamente fundamental que esses serviços não sejam vistos somente como uma realização eficiente, mas como o resultado de uma comunidade de trabalho, de pessoas que sentem desempenhar um serviço pela Igreja de hoje no campo da comunicação. Neste sentido, todos os três e as tarefas que realizo encontram facilmente sua unidade, porque essa é a única missão. De modos diferentes e com instrumentos diversos, podemos desempenhar um mesmo serviço, que é o de servir o serviço do Papa à humanidade. Este é o modo com o qual eu gosto de definir esse tipo de trabalho. O nosso é um serviço; o do Papa é um serviço para a humanidade; o Papa se define o “servo dos servos de Deus”: pois bem, eu e todas as pessoas que colaboram comigo somos os “servos do servo dos servos de Deus”. Procuramos trabalhar com os instrumentos da comunicação para fazer entender, para amar, para fazer apreciar este serviço que o Papa faz para o bem dos fiéis, mas também de toda a humanidade de hoje.

11) O futuro da comunicação no Vaticano, como instrumento também para chegar lá onde muitas vezes o Santo Padre não pode chegar...

R. As comunicações sociais vivem das grandes mudanças dos últimos anos; mudanças que são, em grande parte, ligadas também ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação que dão novas possibilidades. Portanto, nós devemos continuamente seguir e aprender o desenvolvimento e as possibilidades que esse desenvolvimento pode dar. Somos um pouco aprendizes, como também são todos os homens de hoje no campo das comunicações sociais, que parecerm correr mais veloz do que aquilo que conseguimos entender e viver. Certamente temos muito o que aprender e por isso é necessário estar animados por um grande entusiasmo, isto é, ter uma forte motivação do dizer: nós devermos ter, e temos, uma mensagem, um conteúdo que é muito bonito e grande a ser dado. Por isso corremos para usar os novos instrumentos, para que possam nos ajudar a dizer algo de bonito e de muito grande. O problema do mundo de hoje é que existem potencialidades infinitas no campo das comunicações, mas muitas vezes ou não se sabe o que comunicar ou se comunicam coisas superficiais ou até mesmo negativas. Devemos colocar neste desenvolvimento um componente positivo, componente bonito, um componente grande que é a mensagem do Evangelho, o serviço do Santo Padre em prol dos homens de hoje. Isso é aquilo que nós devemos fazer. O desenvolvimento das comunicações do Vaticano deve ser só isso: procurar entender bem a grandeza, a importância das coisas que temos a dizer como serviço para o mundo de hoje e usar todos os instrumentos, que com inteligência buscamos descobrir também.

12) Uma última pergunta, um pouco mais pessoal: o seu relacionamento com o Santo Padre como é?

R. Espero que seja um bom relacionamento... Não é que todos os dias eu tenha uma colóquio privado com o Santo Padre. O meu é um serviço que se refere ao que diz o Santo Padre, mas também ao que se refere à vida da Santa Sé em geral, da Cúria Romana. Devo-me, portanto, estar em contato com os diversos organismos do Vaticano e por isso as indicações fundamentais me são dadas pelos responsáveis da Secretaria de Estado, que coordena um pouco também a realidade mais complexa dos diversos organismos da Santa Sé. Com o Papa também tenho momentos mais diretos e pessoais: após audiências muito importantes, sobre as quais é necessário fazer um comunicado; após as grandes viagens para refletir sobre como foi a comunicação das mensagens que o Papa queria dar; e, depois, em tantas outras pequenas ocasiões que podem ser motivo de encontro... nas quais porém, eu procuro fazer com que o Papa não perca muito tempo. Às vezes com ele basta um olhar, uma palavra. É uma pessoa imensamente atenta, que escuta com grandíssima atenção, gentileza e profundidade o que o outro diz: se alguém diz uma frase, o Santo Padre a entende imeditamente. Creio que também nós devemos ter para com ele a mesma atenção, porque as frases que ele nos diz são muito mais importantes do que as nossas. (SP)


Formação

EDITORIAL: O HOMEM NO CENTRO DA ECONOMIA

◊ Cidade do Vaticano, 13 nov (RV) – Nesta semana os líderes das 20 maiores economias do mundo, incluindo o Brasil, estiveram reunidos em Seul, capital da Coreia do Sul, para tratar da crise que atinge a economia do mundo inteiro e procurar desenvolver indicadores que possam medir os desequilíbrios econômicos palpáveis hoje na econômica global; mas adiaram até 2011 o controverso trabalho de definição dos problemas que eles prometeram resolver. Na conclusão da cúpula, que durou dois dias, os líderes mundiais afirmaram que vão criar uma série de indicadores que servirão como um mecanismo para facilitar a identificação rápida de grandes desequilíbrios que exigem que ações preventivas e corretivas sejam tomadas.

Questões como a dos desequilíbrios externos dominaram a reunião dos líderes, que tentam evitar o que tem sido chamado de “guerra cambial”, na qual os países buscam vantagens competitivas por meio do enfraquecimento de suas moedas; em síntese desvalorizando a sua moeda para ter mais competitividade no mercado internacional.

Entretanto, o G-20 deu sinal verde para a adoção de controles de capital por países emergentes que estejam sentindo o peso da excessiva valorização cambial, caso do Brasil. No texto final destaca-se que economias emergentes com reservas adequadas e taxas de câmbio sobrevalorizadas poderão adotar medidas cuidadosas.

A determinação do G-20 é particularmente importante para o Brasil que, recentemente adotou uma série de ações para conter o forte fluxo de recursos estrangeiros e a valorização do real. O governo brasileiro aponta a estratégia acomodativa dos Estados Unidos como uma das responsáveis pela entrada de dólares. Por isso é preciso que as moedas, principalmente dos países emergentes tenham o seu justo valor no mercado internacional para permitir uma maior competição dos produtos de exportação.

No início dos trabalhos os líderes mundiais receberam do Papa Bento XVI uma mensagem na qual o Santo Padre evidenciou a necessidade de se adotar “instrumentos adequados para superar a crise, com acordos comuns que não privilegiem alguns países em detrimento de outros”, ou seja que as soluções atinjam todos os estados necessitados de desenvolvimento, e não só uma parcela que regularmente possui a maior parte da torta. Certamente a cúpula de Seul teve um alcance global, por isso a prioridade de se considerar as consequências das medidas adotadas para superar a crise, com soluções duradouras, sustentáveis e justas.

Na sua mensagem o Papa toca o eixo central da economia mundial, ou seja, a consciência de que os instrumentos adotados, funcionarão somente se estiverem destinados à realização do progresso autêntico e integral do homem. Tais instrumentos para serem eficazes deverão ser aplicados em sinergia e, sobretudo, respeitando a natureza do homem. Mas para que isso se verifique é necessária a cooperação de toda a comunidade internacional.

O tempo está passando e o momento é decisivo para o futuro da humanidade. É preciso mostrar ao mundo e à história – recordou o Papa – que hoje, também graças à crise, o ser humano amadureceu ao ponto de ser capaz de reconhecer que civilizações e culturas, como os seus sistemas econômico, social e político, podem e devem convergir numa visão partilhada da dignidade humana. (SP)


BISPOS DO PARANÁ CONCLUEM VISITA "AD LIMINA"

◊ Cidade do Vaticano, 13 nov (RV) – Os bispos do Regional Sul 2 da CNBB (Estado do Paraná) concluíram ontem a sua visita ad Limina ao Vaticano. Recebemos na manhã deste sábado nos estudios da Rádio Vaticano dois deles, Dom João Bosco Barbosa de Sousa, Bispo de União da Vitória e de Dom Francisco Carlos Bach, bispo de Toledo, que participaram do Programa Brasileiro. (SP)


DOM WASHINGTON CRUZ FALA DA VISITA "AD LIMINA" DOS BISPOS DO CENTRO-OESTE

◊ Cidade do Vaticano, 13 nov (RV) – Os bispos do Regional Centro-Oeste, ou seja, Goiás, Tocantins e Distrito Federal, iniciam neste sábado a sua visita ad Limina ao Vaticano. Silvonei José conversou com o Arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz sobre essa visita. (SP)


Atualidades


FARC APOSTAM NA INFLUÊNCIA DE DILMA ROUSSEFF

◊ Bogotá, 13 nov (RV) - A guerrilha colombiana destacou, nesta sexta-feira, dia 12, num comunicado o "papel decisivo para a paz regional" e a "fraternidade dos povos do continente" a ser desempenhado pela presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff.

No texto – divulgado pela agência de notícias Nova Colômbia, próxima dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) – destaca-se ainda, o trabalho de Dilma Rousseff em prol da Justiça.

Datado de 1º de novembro e assinado pelo estado-maior das FARC, o comunicado começa por saudar Dilma Rousseff: "Presidente Dilma, aceite o nosso aplauso e reconhecimento!"

Dilma Rousseff venceu o segundo turno das presidenciais no Brasil, com 56% da preferência do eleitorado e se tornará, a partir de 1º de janeiro de 2011, a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de Estado no Brasil.

No texto, as FARC sublinham a "convicção pública" de Rousseff sobre a "necessidade de uma saída política para o conflito interno da Colômbia". "Estamos certos de que a nova presidente do Brasil desempenhará um papel decisivo e determinante na consolidação da paz regional e na fraternidade entre os povos do continente" – conclui o texto.

Durante a campanha eleitoral, Dilma Rousseff garantiu que, em caso de vitória, o Brasil aceitaria atuar como mediador numa eventual negociação de paz com as FARC, apenas se o governo colombiano o solicitar. (AF)


MIANMAR: NOBEL DA PAZ FINALMENTE LIBERTADA

◊ Yangun, 13 nov (RV) - O período de prisão contra a líder democrática e ativista de direitos humanos em Mianmar (ex-Birmânia) Aung San Suu Kyi – prêmio Nobel da Paz-1991 – expirou, oficialmente, hoje. Ela passou 16 dos últimos 21 anos detida e, desde 2003, em regime de prisão domiciliar. A partir desta tarde, a líder oposicisionista está livre.

Insistentes informações de que ela poderia ser libertada ainda ontem levaram centenas de partidários até à casa onde ela cumpria a pena, em Yangun, capital do país, localizado no sudeste asiático. Mas essa esperança foi frustrada. Poucas horas atrás, a esperada libertação tornou-se uma realidade.

Segundo um aliado da ativista, a autorização para sua soltura já fora assinada pelo general Than Shwe, chefe – desde 1992 – da junta militar no poder em Mianmar. Todavia, ela preferiu aguardar a expiração da sua pena, hoje, e negociar as condições da aguardada soltura.

Aung San Suu Kyi não aceitaria ser libertada com a condição de não viajar a algumas regiões de Mianmar, nem sob veto de contatos com seus partidários. Todavia, o funcionário que informou sobre sua libertação disse que a soltura é incondicional, portanto a Nobel da Paz-1991 é livre para se locomover e visitar ou receber quem quiser.

Havia no ar, entre seus partidários, o medo de que a expiração da sua sentença não fosse uma garantia de que ela seria solta, já que o regime de Mianmar tem recorrido a pretextos para mantê-la detida.

Sua mais recente condenação – a mais 18 meses de prisão domiciliar – foi decretada num julgamento no ano passado, processo que teve sua origem num fato bastante peculiar: um cidadão norte-americano chegou até à casa dela – sem ter sido convidado – depois de ter atravessado um lago a nado. Ela acabou condenada por receber alguém sem autorização. Dessa forma, foi mantida presa durante as recentes eleições no país.

O partido de Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia, venceu com folga as eleições realizadas em 1990, mas os militares impediram a posse dos vencedores. (AF)

© Rádio Vaticano 2010

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