Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Papa e Santa Sé


INICIADA NA IRLANDA VISITA APOSTÓLICA: POR UMA "RENOVAÇÃO ESPIRITUAL"

◊ Cidade do Vaticano, 12 nov (RV) - A Santa Sé anunciou, com um comunicado, o início da visitação apostólica na Irlanda às arquidioceses metropolitanas, aos seminários e aos institutos religiosos, após os casos de abusos sexuais perpetrados por parte de membros do clero.

A iniciativa tem lugar após a Carta pastoral – de 19 de março passado – de Bento XVI aos católicos irlandeses, na qual o Papa expressava "profunda dor e pesar por causa dos abusos cometidos por sacerdotes e religiosos, e pelo modo como tais situações foram enfrentadas no passado".

Nos meses sucessivos à publicação da Carta foram organizados encontros preparatórios para delinear os objetivos da visitação.

A visitação apostólica à Irlanda verificará se as relações existentes entre os vários componentes da Igreja local podem manter "o caminho de profunda renovação espiritual". A visitação – que não será nem uma investigação sobre casos individuais de abusos, nem um processo para julgar eventos do passado – terá também o objetivo de verificar a eficácia dos procedimentos adotados e das diferentes formas de assistência oferecida às vítimas.

Além disso, não interferirá na "ordinária atividade das autoridades judiciais" e não se substituirá à "legítima autoridade dos bispos locais ou dos superiores religiosos".

Os visitadores das quatro arquidioceses metropolitanas encontrarão aqueles que "foram profundamente feridos pelos abusos" e as suas famílias. Ademais, verificarão a aplicação das linhas-mestras do documento feito em 2009 pelo "Conselho nacional irlandês para a salvaguarda dos menores na Igreja Católica".

Os visitadores das quatro arquidioceses metropolitanas poderão também encontrar os bispos da província eclesiástica e deverão ouvir, além do ordinário, o vigário-geral, os vigários episcopais, os juízes do Tribunal eclesiástico, o chanceler, os membros do Conselho presbiteral, os membros do Colégio de consultores e dos Conselhos pastorais e, sobretudo, os responsáveis – em nível diocesano e paroquial – do Departamento de proteção e prevenção contra os abusos.

O visitador apostólico para os seminários irlandeses, o Arcebispo de Nova York, Dom Timothy Dolan, visitará cinco instituições e examinará "todos os aspectos da formação sacerdotal".

Além dos colóquios individuais com os seminaristas e outras pessoas envolvidas na vida do seminário, será dada a oportunidade de um encontro também com cada sacerdote que tenha recentemente concluído os estudos. Não faz parte de sua missão encontrar vítimas de abusos. Todo formador e estudante poderá expressar sua opinião sobre o Seminário com uma declaração assinada.

Os visitadores apostólicos dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica com Casas na Irlanda – Irmã Sharon Holland, Pe. Robert Maloney, Irmã Máirin Mc Donagh, e Pe. Gero McLoughlin – avaliarão as respostas que serão dadas a um questionário sobre o eventual envolvimento em casos de abusos e sobre a assistência dada às vítimas.

Após estudar atentamente o relatório dos visitadores, a Congregação determinará quais passos ulteriores devem ser dados para contribuir na revitalização da vida consagrada na Irlanda.

As Congregações para os Bispos, e para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, de comum acordo com a Secretaria de Estado, concordam, por fim, que a primeira fase da visitação deve ser completada, possivelmente, até a Páscoa de 2011.

Naquele período os visitadores deverão transmitir os resultados de suas pesquisas, de modo que, sucessivamente, possa ser discutido um plano para o futuro. Completada a visitação, a Santa Sé publicará uma síntese total dos resultados. (RL)


EUCARISTIA: FESTA DA FÉ AO REDOR DE CRISTO

◊ Cidade do Vaticano, 12 nov (RV) - Os Congressos Eucarísticos, no contexto atual, são chamados a dar uma contribuição à nova evangelização. Foi o que afirmou Bento XVI ao receber na manhã de ontem, quinta-feira, os participantes da plenária do Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, presidido pelo Arcebispo Dom Piero Marini. O Papa também convidou a valorizar as expressões da devoção popular dedicadas ao culto da Eucaristia, acrescentando que esses eventos têm também como tarefa ajudar na nova evangelização.

No discurso pronunciado ao final dos trabalhos preparatórios do próximo congresso, que terá lugar em Dublin (Irlanda) em 2012, o Santo Padre assinalou que “os Congressos Eucarísticos Internacionais já têm uma longa história na Igreja. Em seguida põe em relevo a dimensão universal da celebração: efetivamente, trata-se de uma festa de fé ao redor de Cristo Eucarístico, o Cristo do sacrifício supremo pela humanidade, da qual participam fiéis não só de uma Igreja particular ou de uma nação, mas, na medida do possível, de várias partes do mundo. É a Igreja que se reúne ao redor de seu Senhor e Deus”.

A tarefa dos Congressos Eucarísticos, sobretudo no contexto atual - prosseguiu o Pontífice -, “é também a de dar uma peculiar contribuição à nova evangelização, promovendo a evangelização mistagógica, ou seja, uma evangelização através da liturgia, que se realiza na escola da Igreja em oração. Mas cada congresso traz em si um impulso evangelizador, no sentido mais estritamente missionário, tanto que o binômio Eucaristia-missão entrou a fazer parte das diretrizes propostas pela Santa Sé”.

“É importante que cada congresso eucarístico – disse ainda o Papa -, saiba envolver e integrar, segundo o espírito da reforma conciliar, todas as expressões do culto eucarístico ‘extra missam’, que afundam suas raízes na devoção popular, como as associações de fiéis que se inspiram, com diversos títulos, na Eucaristia”.

Na conclusão de suas palavras, Bento XVI indicou que “todas as devoções eucarísticas, recomendadas e animadas também na encíclica “Ecclesia de Eucharistia” e na Exortação Apostólica ‘Sacramentum caritatis’ devem harmonizar-se segundo uma eclesiologia eucarística orientada para a comunhão”. (SP)


ADVOGADO DE SAKINEH SERÁ RECEBIDO PELO PAPA

◊ Madri, 12 nov (RV) – Mohamed Mostafaei, advogado de Sakineh – a mulher condenada à morte no Irã – deverá reunir-se com Bento XVI na próxima semana. O seu objetivo é pedir ao Papa que interceda pelos direitos humanos no seu país.

Mostafaei vive atualmente exilado Noruega, pois teve de deixar o Irã quando o caso Sakineh adquiriu repercussão internacional.

"Em qualidade de ativista – disse ele -, pedi ajuda e seguirei pedindo a vários organismos internacionais e Estados, inclusive ao Vaticano, para que se possa melhorar a situação dos direitos humanos no Irã."

Sakineh tem 43 anos, dois filhos, e foi condenada à morte por lapidação sob a acusação de ter tido dois relacionamentos depois de viúva. Às pressões internacionais, o Irã reagiu acusando-a de ter participado do assassinato do marido, mudando a acusação que justificaria a ordem de execução, que foi mantida.

O advogado disse à imprensa que "Sakineh é um caso específico, mas existem muitas outros casos de lapidações e execuções". Questionado sobre sua intenção de pedir a intercessão do Papa no caso Sakineh, ele respondeu que "quando uma vida corre perigo, toda ajuda é necessária".

Ele disse ainda ter esperança na libertação de Sakineh. "Ela, como muitas outras mulheres iranianas, é vítima das leis machistas que imperam no país", concluiu. (ED)


CARDEAL BERTONE: A DOUTRINA A SERVIÇO DAS COMUNIDADES ECLESIAIS

◊ Cidade do Vaticano, 12 nov (RV) - "Pouco vale a doutrina se não é colocada a serviço da vida das comunidades eclesiais, se não encontra válidos instrumentos de aplicação": foi o que afirmou nesta quinta-feira o Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, na apresentação da obra "Iustitia et iudicium", estudos de direito matrimonial e processual, em homenagem ao canonista e juiz Decano do Tribunal Apostólico da Rota Romana, Dom Antoni Stankiewicz.

Em seu pronunciamento, no Palácio da Chancelaria, o purpurado ressaltou que "permanecem ineficazes aquelas leis que não incidem na cotidianidade das relações humanas ou que, por falta de adequados instrumentos aplicativos, permanecem letra morta".

O purpurado prosseguiu afirmando que na Igreja "não bastam os órgãos jurisdicionais; que os instrumentos de produção jurídica, de interpretação da lei e de aplicação e da norma são insuficientes, mesmo se acompanhados de sanções correspondentes".

O Cardeal Bertone ressaltou, ainda, que a doutrina como a norma canônica devem ser acompanhadas de uma válida e inteligente ação pastoral.

O Secretário de Estado vaticano agradeceu a Dom Stankiewicz por seu longo ministério judicial no Tribunal Apostólico da Rota romana. Uma tarefa – disse – que para Dom Stankiewicz se tornou "um compromisso de vida, quase uma vocação sacerdotal". (RL)


Igreja no Brasil

BRASIL CONVOCADO À PRESIDÊNCIA ROTATIVA DO CONSELHO DE SEGURANÇA

◊ Nova York, 12 nov (RV) - O Brasil é convocado a assumir a presidência rotativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas em fevereiro de 2011. Durante o período, o país fica encarregado de presidir todos os trabalhos do Conselho, além de convocar as sessões extraordinárias. O órgão é dirigido, a cada mês, por um de seus 15 países-membros.

A presidência brasileira será ocupada pela embaixadora brasileira junto às Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Em entrevista à Rádio ONU, ela disse que, no período de presidência rotativa, será feita a renovação do mandato da operação de paz no Timor-Leste, assunto de grande importância para o Brasil e para os países de língua portuguesa.

Conforme a Organização, analistas dizem que fevereiro poderá ser um mês importante para os trabalhos do Conselho de Segurança, devido à situação no Sudão, país que está realizando dois referendos sobre o futuro da sua porção sul e da província central de Abiey, rica em recursos naturais. (ED)


Igreja no Mundo

ÁFRICA: NOVOS DETALHES SOBRE ASSASSINATO DE SACERDOTE NO CONGO

◊ Kinshasa, 12 nov (RV) - Surgem novos detalhes sobre o assassinato do padre Christian Mbusa Bakulene, pároco de Saint Jean-Baptiste de Kanyabayonga, sul de Butembo, no território de Lubero, norte de Kivu, leste da República Democrática do Congo.

No final da tarde de 8 de novembro, padre Bakulene estava retornando à paróquia com um amigo, levando algumas Bíblias que havia retirado de outra paróquia. No caminho de volta, a motocicleta em que estava o sacerdote com o seu acompanhante foi parada por um homem armado vestido com um uniforme militar. Antes de pedir dinheiro, que o pároco não tinha, o bandido perguntou: “Quem de vocês é o pároco?”. Padre Bakulene respondeu: “Sou eu”. Depois de roubar o dinheiro do amigo do sacerdote, o bandido matou padre Bakulene com vários tiros. Antes da moto de padre Bakulene, o assassino havia parado outras motocicletas e feito a mesma pergunta aos seus ocupantes: “É você o padre?”. Tratar-se-ia, portanto, de um homicídio premeditado, disfarçado de roubo seguido de morte.

O homicídio do pároco de Kanyabayonga causou grande comoção na população e o protesto dos habitantes da região. O assassinato ocorreu não muito longe de uma base das Forças Armadas Congolesas (FARDC) e a população local reclama há tempos da intensa situação de insegurança, ligada, segundo dizem, ao fato de que os militares congoleses instalados na região são ex-rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), que depois de um acordo de paz com Kinshasa foram integrados às forças armadas regulares.

Segundo a sociedade civil local, esta integração, na realidade, permitiu aos rebeldes continuar a atacar a população da área com total impunidade, sob a égide das divisas do exército nacional.
Em algumas áreas do território de Lubero, a população ensaiou formas de protesto para pedir a retirada do exército da região. O posto de polícia de Mighobwe foi saqueado em Kaina, não muito distante do local do homicídio de padre Bakulene, a população decretou um “dia morto”.

O funeral de padre Bakulene se realizou na quarta-feira última, dia 10 de novembro. O corpo foisepultado no cemitério dos padres diocesanos da diocese de Butembo-Beni de Musienene.

Padre Christian Mbusa Bakulene nasceu em Mundiba-Maboya no dia 19 de janeiro de 1968. Ordenado em 21 de agosto de 1998, foi nomeado pároco de Saint Jean-Baptiste de Kanyabayonga em setembro deste ano. (SP)


MENSAGEM DOS BISPOS ANGOLANOS PELOS 35 ANOS DE INDEPENDÊNCIA DO PAÍS

◊ Luanda, 12 nov (RV) – Angola - um dos principais parceiros comerciais do Brasil na África e membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) - comemorou, ontem, 11 de novembro, o seu 35º aniversário de independência nacional. Conforme publicado pela Agência Fides, os bispos angolanos divulgaram uma nota por essa ocasião, na qual dizem que “desses 35 anos, 27 anos foram vividos em clima de guerra e oito em clima de paz. Na época da guerra, muitas feridas foram abertas no coração dos angolanos, que, felizmente, estão cicatrizando". Os prelados pedem ainda que rezemos, para que a paz seja completa e duradoura.

No comunicado, lê-se ainda que os bispos receberam com alegria os progressos registrados nesses oito anos de paz, entre os quais mencionam "as vias de comunicação, vitais para o progresso" e, "em especial, as ligações das periferias com a capital, que tiveram um progresso importante”. “Não com menos alegria - afirmam na nota -, recebemos as escolas estabelecidas nos centros municipais e estaduais do País, assim como a infra-estrutura de saúde”.

Os bispos fazem, porém, a ressalva de que há necessidade de mais progressos, "não só as escolas – dizem eles -, mas também os serviços de saúde básicos devem se estabelecer nos nossos vilarejos, de modo que cada paciente, e também as parturientes, possam receber a devida atenção”.

Água potável, eletricidade e sistemas de comunicação mais modernos são outros dos serviços de base que os prelados consideram importantes que sejam fornecidos a todos os angolanos. Na nota, pedem também que seja reconhecida a contribuição da Igreja nas áreas educacional e social: “ajudar a Igreja a reconstruir as suas escolas e a sua infra-estrutura de saúde não é um privilégio, é ajudá-la a cooperar melhor para o desenvolvimento do País”.

Como conclusão, os Bispos, enfim, manifestaram preocupação em relação à violência doméstica.

Também a Missão Permanente de Angola nas Nações Unidas realizou uma cerimônia comemorativa dos 35 anos de independência, em Nova York, na qual o embaixador angolano, Ismael Martins, recebeu dezenas de convidados. Participaram todos os embaixadores de língua portuguesa, além dos demais representantes permanentes nas Nações Unidas.

Ismael Martins lembrou a luta pela independência de Portugal, em 1975, e falou sobre a amizade entre Brasil e Angola. Ambos os países foram eleitos, ao lado de Cabo Verde e Timor-Leste, para integrar o Conselho Executivo da ONU Mulher, que é a nova instituição para promoção de igualdade de gênero e autonomia feminina. (ED)


SEMINÁRIO SECAM-CCEE DEBATE MISSÕES AD GENTES

◊ Abidjan, 12 nov (RV) – Iniciou-se, ontem, em Abidjan (Costa do Marfim), um seminário promovido pelas Conferências Episcopais da África e Madagascar (Secam) e pelo Conselho das Conferências Episcopais a Europa (CCEE). O tema é "A Nova Situação da Missão Ad Gentes: troca de experiências entre presbitérios, agentes pastorais e formação".

São 40 participantes, entre os quais membros dos episcopados europeus e africanos e membros dos dicastérios vaticanos (apenas à título de esclarecimento, os dicastérios correspondem aos ministérios nos demais Estados).

Muita atenção está sendo dada às dimensões missionárias da Igreja Católica em geral e à importância da colaboração entre cada igreja em particular. Bastante debatido também o tema da nova realidade das missões ad gentes sobre vocações sacerdotais e religiosas, bem como sobre a formação de agentes pastorais e seminaristas na África e na Europa.

Em sua intervenção, o cardeal-arcebispo de Zagabria e vice-presidente da CCEE, Dom Josip Bozanic, relembrou que, "após o Sínodo Especial para a África, em 2009, emergiu toda a vitalidade da Igreja na África". "Porém – ressaltou o purpurado – ainda ouvem-se os pedidos de ajuda de um continente que permanece ferido por tantos problemas, pobreza e guerra."

Também pronunciou-se o cardeal-arcebispo de Dacar e primeiro vice-presidente do Secam, Dom Théodore-Adrien Sarr, que expressou sua "alegria em oferecer hospitalidade africana e cristã aos participantes desse terceiro seminário Secam-CCEE".

"Temos consciência de que a missão, por vontade divina, não pode ser realizada sem a participação dos seres humanos", disse ele, relembrando que o Concílio Vaticano II afirmou claramente a natureza missionária da Igreja, "a qual será largamente debatida ao longo do seminário". "Contudo, desde já podemos afirmar que a Igreja foi, e será, missionária, sempre e em todos os lugares", concluiu. (ED)


PAQUISTÃO: TENSÃO SOBRE ACUSAÇÕES DE BLASFÊMIA

◊ Lahore, 12 nov (RV) - “Os cristãos no Paquistão estão sob a mira de fundamentalistas, devido ao uso instrumental da lei anti-blasfêmia. Os casos de falsas acusações continuam e estamos muito preocupados: são pelo menos 5 nos últimos dois meses. Mas, infelizmente, não há mudanças à vista: o governo não considera por nada uma revisão ou a revogação da lei. E isso é muito grave”: foi o que disse à Agência Fides o Secretário Executivo da Comissão nacional “Justiça e Paz”, Peter Jacob, no âmbito da Conferência Episcopal do Paquistão, após novos casos de fiéis cristãos acusados injustamente de blasfêmia.

A aumentar a tensão nos últimos dias, o caso da Asia Bibi, primeira mulher condenada à morte por crime de blasfêmia. O seu caso foi construído com perfeição em junho de 2009. A mulher, casada e mãe de dois filhos, enquanto estava trabalhando com outras mulheres muçulmanas no país, na província de Punjab, foi acusada de ser “infiel” e foi convidada a se converter ao islamismo. Asia defendeu a religião cristã e se recusou. A este ponto, foi acusada de insultar o profeta Maomé.

Ela foi espancada junto com seus filhos e levada à polícia, que registrou as acusações contra ela. Dias atrás, a decisão do tribunal a considerou culpada, com base no testemunho de muçulmanos, e condenada à morte. “Trata-se de uma verdadeira afronta à dignidade humana e à verdade. Faremos tudo para que o julgamento seja anulado através de um recurso” - disse à Fides Peter Jacob, confirmando o interesse da Comissão Justiça e Paz no caso da Asia Bibi.

A Comissão apresentou uma lista de recentes casos de falsas acusações de blasfêmia e de violações dos direitos humanos: são pelo menos 5 nos últimos dois meses.

Em meados de setembro Tasawar Masih, um jovem cristão de Sargodha, foi acusado por jovens muçulmanos de insultar o Profeta. Alguns líderes religiosos muçulmanos, forçaram com ameaças a família de Masih, composta de 10 pessoas, a deixar o povoado. A família tinha uma casa e terras e terminou sem nada, vivendo hoje na miséria.

No distrito de Sialkot, outro cristão, Walayat Masih, caiu numa armadilha: na frente da sua casa foi encontrada uma cópia do Alcorão com algumas páginas queimadas. Um grupo de pessoas tentou entrar na casa e somente a intervenção da polícia evitou um linchamento. A polícia o manteve em custódia por cinco dias.

No início de outubro - informa ainda a Comissão - três homens em Lahore foram acusados de terem arrancado e jogado no lixo algumas páginas do Alcorão. A denúncia e a ação popular contra eles foram feitas pelos líderes da mesquita Ahl-e-Hadith. (SP)


Entrevistas

PADRE LOMBARDI CELEBRA 50 ANOS DE VIDA RELIGIOSA: ENTREVISTA COM O DIRETOR-GERAL DA RÁDIO VATICANO


◊ Cidade do Vaticano, 12 nov (RV) - Padre Federico Lombardi celebra nesta sexta-feira, dia 12 de novembro, os seus 50 anos de vida religiosa, ou seja desde quando entrou na Companhia de Jesus. Padre Lombardi é Diretor-geral da Rádio Vaticano, do Centro Televisio Vaticano e da Sala de Imprensa da Santa Sé. Silvonei José conversou com ele sobre assuntos diversos. Eis o conteúdo da entrevista:

1) Padre Lombardi, onde o senhor começou a sua vida religiosa e por que a Companhia de Jesus?

R. Quando eu era jovem vivia no Piemonte e a maior parte do meu tempo passava na cidade de Turim. Na cidade de Turim frequentava a escola, uma escola dos jesuítas, e fazia as minhas atividades como jovem escoteiro no oratório dos salesianos. Tive uma juventude muito bonita que recordo com muita alegria, seja porque a minha família era uma família muito unida, também muito religiosa, seja porque vivi em ambientes educativos que recordo com muita gratidão, seja na escola dos jesuítas, como também no oratório dos salesianos com as atividades com os jovens. Depois quando completei 18 anos e terminei o segundo grau, naturalmente surgiu a questão de como continuar a minha vida, e diria que a escolha de dedicar a própria vida ao serviço do Senhor e dos outros foi muito espontânea naquele momento. No que diz respeito a onde e como realizá-la foi para mim normal pedir à Companhia de Jesus para entrar a fazer parte da mesma, apesar de ter sempre conservado uma grandíssima amizade e proximidade com os salesianos.

2) O Senhor retorna com frequência a casa?

R. Retornava regularmente ao menos uma ou duas vezes ao ano, quando era viva a minha mãe. Agora retorno uma vez ao ano para não perder o contato com as minhas irmãs. Porém tenho que dizer que vivi muito intensamente a minha juventude e também a primeira parte da minha formação religiosa no Piemonte, mas desde 1973, quando fui enviado para Roma, minha vida se desenvolveu em Roma. Portanto perdi gradualmente a intensidade das relações com a minha região de origem.

3) Todas as suas escolhas Padre Lombardi o trouxeram a Roma. Quem é hoje Padre Federico Lombardi?

R. Sou um jesuíta, um sacerdote. Procurei fazer as coisas que me foram solicitadas porque temos um voto de obediência; recebemos, portanto, missões, dizemos assim. São encargos, tarefas de nossos superiores, e no fim da minha formação religiosa e sacerdotal essas tarefas me trouxeram a Roma para trabalhar na Civiltà Cattolica, que é uma revista de cultura dos jesuítas, portanto no campo da comunicação social. Desde então permaneci neste campo, sempre fazendo coisas que me foram solicitadas. Depois de 11 anos na Civiltà Cattolica, fui durante 6 anos superior provincial dos jesuítas italianos, e depois da conclusão do mandato fui enviado ao Vaticano como Diretor dos Programas da Rádio Vaticano, e depois com outras tarefas. Posso dizer com grande tranquilidade que jamais fiz aquilo que eu queria fazer mas sempre fiz o que me foi indicado fazer pelos meus superiores.

4) Padre Federico Lombardi se não fosse um sacerdote o que teria feito na vida?

R. Parece-me algo muito hipotético, porém, por assim dizer, entre os interesses espontâneos da minha juventude havia certamente o das ciências naturais, em particular a física. Depois no que se referia às outras atividades no tempo livre, o alpinismo.

5) Algum momento marcante da sua vida que o senhor recorda com frequência?

R. Dificil encontrar um mais marcante do que outro, mas confesso que nestes dias, quando se celebrava a dedicação da Igreja da Sagrada Família, precisamente no último domingo, com o Papa em Barcelona, voltou-me à mente um momento muito específico. Quando eu tinha 13 anos, junto com os escoteiros do oratório dos salesianos, fiz a minha primeira grande viagem em bicicleta pela Europa, indo de Turim até Barcelona. Nós viajávamos num modo muito pobre, levávamos a barraca na bicicleta, comíamos queijo e tomate, portanto fazíamos em um modo extremamente econômico. Quando chegamos a Barcelona não sabíamos onde ir. Num certo momento vimos quatro agulhas muito altas e dissemos, vamos até lá. Era a fachada da Sagrada Família que ainda estava em construção. Portanto o primeiro ponto de chegada da minha longa viagem em bicicleta - depois fiz outras 4 ou 5 viagens pela Europa junto com os meus companheiros quando tinha 13 anos – era exatamente a fachada da Sagrada Família onde o Papa recitou o Angelus domingo passado. Assim eu pude confrontar passados 50 anos como cresceu esse edifício. Pensei também na minha vida, como se desenvolveu no serviço da Igreja desde então.

6) O seu contato com os escoteiros continua até hoje?

R. Fui assistente nacional dos escoteiros italianos adultos até pouco tempo atrás. Infelizmente com todas as atividades de hoje, com os trabalhos no Vaticano eu não pude continuar, mas conservo uma grande amizade e uma grande gratidão pela belíssima experiência que pude fazer.

7) O senhor trabalhou diretamente com dois Papas. O que mudou na Igreja nestes anos em que o Senhor esteve aqui dentro do Vaticano?

R. Não toca tanto a mim dizê-lo, mas é do conhecimento de todos, que a história da Igreja através dos tempos através do caminho que faz no mundo, que acompanha também as mudanças que se verificam no mundo de hoje; as preocupações que os Papas têm são pela humanidade e pelo anúncio da fé mesta humanidade. Há os grandes problemas da justiça no mundo, do desenvolvimento das populações pobres, o problema da paz, o probelma, precisamente, do anúncio da fé e da dimensão transcendente da relação entre o homem e Deus, e do conhecimento também de Jesus Cristo e do Evangelho como alimento da vida espiritual da humanidade de hoje. Esses são os temas sobre os quais os Papas trabalham continuamente, e eu vejo essa continuidade fundamental, isto é, a Igreja tem uma missão que é muito clara, mudam as circunstâncias mas a missão permanece a mesma: anunciar Deus, anunciar Jesus Cristo, que é a face de Deus, promover a união entre os cristãos, servir ao diálogo entre as grandes religiões no mundo de hoje, servir com caridade ativa todas as necessidades do homem e do mundo de hoje; são as prioridades deste Pontificado que Bento XVI indicou muito claramente várias vezes, mas creio que se olharmos para trás creio que as prioridades do Pontificado de João Paulo II eram as mesmas, mesmo se, talvez, o mundo de então tinha situações diferentes, com a divisão entre Leste e Oeste, que agora mudou, enquanto existem hoje outros problemas do mundo global. Mas a orientação comum é a de serviço à Igreja de Jesus Cristo, para o bem e a salvação de todos os homens. A isso se dedicam os Papas, se dedica a Igreja e eu, com a minha humilde contribuição, procuro dedicar-me a ajudar, acompanhando, no que diz respeito a mim, os ministérios dos Papas.

8) O senhor tem contato a 360 graus com os organismos do Vaticano e com as Igrejas particulares presentes em todo o mundo. Segundo o senhor qual é hoje o grande desafio da nossa Igreja?

R. Parece-me dificil dizer algo diferente daquilo que eu disse antes falando das prioridades do Pontificado. Essas são efetivamente os desafios da situação de hoje, da história de hoje, da Igreja, aos quais, com a condução do Papa procuramos responder. Naturalmente numa visão de fé, numa visão cristã, o ponto mais radical, mais profundo, no qual nos movemos para buscar todos os tipos de resposta, e depois o homem diante de Deus, a identidade mais profunda da pessoa humana que encontra portanto o sentido da sua vida no mundo e a orientação para o seu caminho e para o seu compromisso. Se se perde isso, depois se podem fazer muitas coisas, mas é difícil encontrar uma orientação a qual seguir. E por isso creio que o grande desafio para a Igreja seja sempre falar de Deus, de Jesus Cristo, no mundo de hoje, como o dom maior que se pode fazer à humanidade que está ao nosso redor, às pessoas concretas que encontramos todos os dias.

9) Um pensamento para a América Latina. O senhor acompanhou o Santo Padre na sua visita ao Brasil. Qual é o olhar que o senhor tem sobre a América Latina, precisamente porque metade dos católicos do mundo vivem ali?

R. Efetivamente, esse é o olhar que todos temos em direção à América Latina, o continente onde se encontra o maior número de católicos, isto é um continente absolutamente fundamental na realidade da Igreja de hoje e pensamos também naquele de amanhã. Portanto o olhar é um olhar de esperança, de amor, um olhar de expectativa em relação ao anúncio da fé que com o passar dos séculos fez tanto, pela vida desse continente, possa continuar a encontrar sua função de inspiração pela justiça, pela paz, pelo desenvolvimento da pessoa e também precisamente pela sã direção do crescimento espiritual das pessoas. Infelizmente na América Latina, às vezes, existe muita confusão por causa também do crescimento das seitas, de problemas de orientação espiritual das pessoas: creio que seria necessário reencontrar verdadeiramente a força da mensagem anunciada pela Igreja, que possa dar alegria e orientação para o crescimento daquele que é chamado, justamente, “continente da esperança”.

10) Padre Lombardi, o senhor é o diretor geral da Rádio Vaticano, do Centro Televisivo Vaticano e da Sala de Imprensa: quantas horas tem o seu dia?

R. O meu tem 24 horas, como o de todos! Naturalmente a maior parte destas 24 horas é dedicada a esses serviços que você recordou. Para mim se trata de por em ordem entre as muitas coisas que todos os dias devo fazer, por isso também o meu dia – digamos assim – é uma espécie de peregrinação através dos diversos escritórios dessas instituições, para poder dar as indicações ou para poder tomar decisões que muitas vezes são urgentes. Naturalmente isso requer, antes de tudo, muita confiança nos próprios colaboradores, conseguindo assim viver em um clima de colaboração. Dessa maneira se pode fazer tantas coisas, isso se estamos de acordo em fazê-las, se existe uma orientação e um sentir comum. Para mim é absolutamente fundamental que esses serviços não sejam vistos somente como uma realização eficiente, mas como o resultado de uma comunidade de trabalho, de pessoas que sentem desempenhar um serviço pela Igreja de hoje no campo da comunicação. Neste sentido, todos os três e as tarefas que realizo encontram facilmente sua unidade, porque essa é a única missão. De modos diferentes e com instrumentos diversos, podemos desempenhar um mesmo serviço, que é o de servir o serviço do Papa à humanidade. Este é o modo com o qual eu gosto de definir esse tipo de trabalho. O nosso é um serviço; o do Papa é um serviço para a humanidade; o Papa se define o “servo dos servos de Deus”: pois bem, eu e todas as pessoas que colaboram comigo somos os “servos do servo dos servos de Deus”. Procuramos trabalhar com os instrumentos da comunicação para fazer entender, para amar, para fazer apreciar este serviço que o Papa faz para o bem dos fiéis, mas também de toda a humanidade de hoje.

11) O futuro da comunicação no Vaticano, como instrumento também para chegar lá onde muitas vezes o Santo Padre não pode chegar...

R. As comunicações sociais vivem das grandes mudanças dos últimos anos; mudanças que são, em grande parte, ligadas também ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação que dão novas possibilidades. Portanto, nós devemos continuamente seguir e aprender o desenvolvimento e as possibilidades que esse desenvolvimento pode dar. Somos um pouco aprendizes, como também são todos os homens de hoje no campo das comunicações sociais, que parecerm correr mais veloz do que aquilo que conseguimos entender e viver. Certamente temos muito o que aprender e por isso é necessário estar animados por um grande entusiasmo, isto é, ter uma forte motivação do dizer: nós devermos ter, e temos, uma mensagem, um conteúdo que é muito bonito e grande a ser dado. Por isso corremos para usar os novos instrumentos, para que possam nos ajudar a dizer algo de bonito e de muito grande. O problema do mundo de hoje é que existem potencialidades infinitas no campo das comunicações, mas muitas vezes ou não se sabe o que comunicar ou se comunicam coisas superficiais ou até mesmo negativas. Devemos colocar neste desenvolvimento um componente positivo, componente bonito, um componente grande que é a mensagem do Evangelho, o serviço do Santo Padre em prol dos homens de hoje. Isso é aquilo que nós devemos fazer. O desenvolvimento das comunicações do Vaticano deve ser só isso: procurar entender bem a grandeza, a importância das coisas que temos a dizer como serviço para o mundo de hoje e usar todos os instrumentos, que com inteligência buscamos descobrir também.

12) Uma última pergunta, um pouco mais pessoal: o seu relacionamento com o Santo Padre como é?

R. Espero que seja um bom relacionamento... Não é que todos os dias eu tenha uma colóquio privado com o Santo Padre. O meu é um serviço que se refere ao que diz o Santo Padre, mas também ao que se refere à vida da Santa Sé em geral, da Cúria Romana. Devo-me, portanto, estar em contato com os diversos organismos do Vaticano e por isso as indicações fundamentais me são dadas pelos responsáveis da Secretaria de Estado, que coordena um pouco também a realidade mais complexa dos diversos organismos da Santa Sé. Com o Papa também tenho momentos mais diretos e pessoais: após audiências muito importantes, sobre as quais é necessário fazer um comunicado; após as grandes viagens para refletir sobre como foi a comunicação das mensagens que o Papa queria dar; e, depois, em tantas outras pequenas ocasiões que podem ser motivo de encontro... nas quais porém, eu procuro fazer com que o Papa não perca muito tempo. Às vezes com ele basta um olhar, uma palavra. É uma pessoa imensamente atenta, que escuta com grandíssima atenção, gentileza e profundidade o que o outro diz: se alguém diz uma frase, o Santo Padre a entende imeditamente. Creio que também nós devemos ter para com ele a mesma atenção, porque as frases que ele nos diz são muito mais importantes do que as nossas. (SP)


IGREJA SERVIDORA

◊ O Fórum Nacional realizado nesta semana pelo Instituto Nacional de Altos Estudos nos trouxe a oportunidade de aprofundar a nossa presença para construir um Brasil desenvolvido, inclusive com oportunidade para favelas. A presença da Arquidiocese que traz em sua tradição uma enorme quantia de trabalhos e presenças sociais junto aos necessitados em uma “mesa redonda” foi a oportunidade de apresentar as nossas convicções e ações nessa área.
A ação pastoral da Igreja no Brasil orienta-se pelas exigências do serviço, diálogo, anúncio e testemunho. A solidariedade concretiza-se na dimensão do serviço. Amar é servir. A palavra “serviço” é a tradução da palavra grega diakonia. O “serviço” supõe o diálogo, faz acontecer o anúncio e é o testemunho concreto da vida cristã. Serviço é presença de amor, amizade e solidariedade junto aos pobres, aos que sofrem, aos doentes, aos famintos, aos encarcerados (cf. Mt 25), aos que não têm trabalho, aos que não têm teto, aos que são privados do cultivo correto e manual da terra. Presença por meio de pequenos gestos cotidianos, mas também através de projetos de promoção humana, de defesa dos direitos humanos, de promoção da cidadania. Enfim, trata-se de defender a vida, promover a paz, alicerçar a sociedade na justiça.
A Igreja fundamenta a dimensão do “serviço” na ação de Jesus Cristo, a quem “em todos os lugares onde entrava nas aldeias, nas cidades ou nos campos, traziam-lhe os doentes, nas praças, para que os curasse” (cf. Mc 6,56). O serviço se inspira nas palavras de Jesus: “quem quiser ser grande, seja o servidor, e quem quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (cf. Mc 10,44-45). E ainda: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve!” (cf. Lc 22,27). É o serviço constante, eficaz, desinteressado e sacrificado que faz a diferença em nossa pregação. O Evangelho ensina que a medida, ou o critério do amor humano, da caridade e da solidariedade é o amor com que Cristo amou a humanidade: “dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (cf. Jo 13,34-35).
A Igreja Católica nos dias de hoje, como desde a sua fundação, sempre pautou a sua ação social e evangelizadora, deve apostar – redobradamente – na caridade, recorda-nos o Papa João Paulo II: “há na pessoa dos pobres uma presença especial de Cristo que impõe à Igreja uma opção preferencial por eles”. Diz ainda: “nosso mundo começa o novo milênio carregado com as contradições de um crescimento econômico, cultural e tecnológico, que oferece a poucos afortunados grandes possibilidades e deixa milhões e milhões de pessoas não só à margem do progresso, mas a braços com condições de vida muito inferiores ao mínimo devido à dignidade humana. Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde abrigar-se?”. Que postura deve tomar a Igreja? “Devemos procurar que os pobres se sintam, em cada comunidade cristã, como ‘em sua casa’. A caridade das obras garante uma força inequívoca à caridade das palavras.”
Os documentos do Magistério da Igreja que formam o corpo da doutrina social inspiram e legitimam a ação solidária da Igreja toda e de cada cristão em favor dos trabalhadores, dos pobres, dos refugiados, das vítimas da fome, das guerras, de todo tipo de violência, impelindo a Igreja a ser instrumento da paz no mundo. A Doutrina Social da Igreja procura exprimir concreta e atualizadamente a prática de caridade dos cristãos. Por isso, ela ajuda a nortear a nós, católicos, em nosso modo de ser e de atuar na cidade. A Igreja conta com os fiéis leigos, tanto em seus grupos e comunidades, como também com a ação individual de cada um, para construir ou reconstruir a cidade à luz dessa caridade.
Presente na sociedade, a Igreja quer indicar caminhos de solidariedade aos pobres, construção da cidadania e da justiça, a primazia da ética nas relações econômicas, sociais e políticas, a defesa da vida desde o momento da concepção.
“As pastorais sociais na missão evangelizadora da Igreja representam significativa participação na construção de uma sociedade justa e solidária. Elas são presença privilegiada e despertam maior sensibilidade e atenção às contradições e aos conflitos da sociedade. Pelos seus compromissos concretos em defesa da vida e da dignidade dos pequenos, denunciam as estruturas sociais perversas que geram desigualdade e miséria e anunciam a justiça do Reino” (cf. Doc. CNBB 80, p. 94).
No âmbito de nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, somente no ano de 2009, através do balanço das atividades da Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, teve mais de 2 milhões e 501 mil pessoas pelas paróquias da cidade. A isso deve se acrescentar muitas outras ações que não podem ser contabilizadas devido à falta de comprovantes. Juntem-se também os atendimentos de outras entidades ligadas à arquidiocese, como a Cáritas, o Banco da Providência, a Pastoral da Criança e outras, além dos trabalhos das escolas católicas, universidades, comunidades religiosas e grupos de leigos organizados.
Esses atendimentos não são esporádicos, mas fazem parte da tradição da Igreja desde o seu nascimento, recordando a criação do diaconato nos Atos dos Apóstolos ou ainda o martírio de São Lourenço nos tempos da Igreja Primitiva. Mais do que oferecer condições de dignidade, queremos fazer a inclusão. Que todos nós possamos fazer acontecer o Reino de Deus, ajudando os que mais necessitam: os refugiados, os idosos e os excluídos para que conheçam a face misericordiosa do Cristo Redentor, na grande rede de solidariedade, que, como consequência da missão evangelizadora, constitui as comunidades e paróquias de nossa arquidiocese.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.


Atualidades

PRÊMIOS NOBEL DA PAZ REUNIDOS EM HIROSHIMA

◊ Hiroshima, 12 nov (RV) - Vários dos premiados com o Nobel da Paz estão reunidos, nesta sexta-feira, em Hiroshima, Japão, a poucos quilômetros do local onde foi lançada a bomba atômica, para pedir pelo fim das armas nucleares.

Os prêmios Nobel da Paz discutem também, sobre a situação daqueles que não puderam participar na Conferência Anual da Cúpula Mundial de Prêmios Nobel da Paz, tais como o vencedor deste ano, o chinês Liu Xiaobo, e a ativista de Mianmar (ex-Birmânia) Aung San Suu Kyi, que poderá deixar o regime de prisão domiciliar ainda esta semana, segundo informações provenientes de seu país.

Participam do encontro o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama Tenzin Gyatso, o ex-presidente sul-africano, Frederik Willem de Klerk, a ativista irlandesa Mairead Corrigan Maguire, e Mohamed El Baradei, vencedor do prêmio em 2005, por seus esforços para impedir o uso de armas nucleares.

Mikhail Gorbachev, último líder da União Soviética, não compareceu por motivos de saúde. Já o presidente norte-americano Barack Obama recusou o convite, mas elogiou os motivos que deram origem à iniciativa. (AF)


CRESCE A AMEAÇA DA PIRATARIA NOS MARES DO MUNDO

◊ Nova York, 12 nov (RV) - "A pirataria é uma ameaça que cresce mais rápido que os esforços da comunidade internacional para combatê-la", denunciou o vice-secretário geral das Nações Unidas para os Assuntos Políticos, B. Lynn Pascoe, diante do Conselho de Segurança.

Segundo dados da Organização Marítima Internacional (IMO), 438 pessoas – entre marinheiros e passageiros – foram interceptados por piratas desde o início de novembro, representando um aumento significativo no número de qüestros, ou seja, 100 a mais, em menos de um mês.

Pascoe afirmou que a utilização de navios da guerra para combater a pirataria não é por si só suficiente para resolver o problema. "Enquanto a pirataria for tão lucrativa – disse ele -, com resgates que chegam a milhões de dólares, a situação não vai mudar." (ED)

© Rádio Vaticano 2010

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