Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Papa e Santa Sé


PAPA ENVIA MENSAGEM AOS MEMBROS DO G20

◊ Cidade do Vaticano, 11 nov (RV) - É necessário adotar “instrumentos adequados para superar a crise, com acordos comuns que não privilegiem alguns países em detrimento de outros: é o que afirma o Papa em sua mensagem dirigida ao Presidente da República da Coréia, Lee Myung-bak, por ocasião da reunião de cúpula do G20 que teve início ontem, quarta-feira, em Seul, e que vê reunidos os Chefes de Estado e de Governo das 22 maiores economias do mundo, junto com o Secretário-Geral da ONU, a presidência da União Européia, e os responsáveis de diversas agências especializadas. A mensagem foi publicada pelo jornal vaticano L’Osservatore Romano.

Esta Reunião de Cúpula em Seul – afirma o Papa – não tem somente um alcance global, mas é também um sinal eloquente da relevância e da responsabilidade adquiridas pela Ásia no cenário internacional no inicio do século XXI. O Papa pede aos poderosos da terra que levem em consideração as consequências das medidas adotadas para superar a crise, e auspicia soluções duradouras, sustentáveis e justas.

Tenham consciência – pede Bento XVI – de que os instrumentos adotados, enquanto tais, funcionarão somente se, em última análise, estiverem destinados à realização do progresso autêntico e integral do homem. Portanto, servem instrumentos adequados para sair da crise, com acordos comuns que não privilegiem alguns países em detrimento de outros. Tais instrumentos – destaca ainda o Papa - para serem eficazes deverão ser aplicados em sinergia e, sobretudo, respeitando a natureza do homem.

A Reunião de Cúpula de Seul – sublinha o Papa -, “procura soluções para questões muito complexas, das quais depende o futuro das próximas gerações”, por isso é necessária “a cooperação de toda a comunidade internacional”.

“É decisivo para o futuro da humanidade mostrar ao mundo e à história que hoje, também graças à crise, o ser humano amadureceu ao ponto de ser capaz de reconhecer que civilizações e culturas, como os sistemas econômico, social e político, podem e devem convergir numa visão partilhada da dignidade humana”, finaliza a mensagem. (SP)


PUBLICADA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL "VERBUM DOMINI"

◊ Cidade do Vaticano, 11 nov (RV) - Foi publicada, na manhã desta quinta-feira, pela Sala de Imprensa da Santa Sé, a Exortação Apostólica pós-sinodal Verbum Domini, de Bento XVI.

"Redescobrir a centralidade da Palavra de Deus na vida pessoal e na Igreja, a urgência e a beleza de anunciá-la para a salvação de toda a humanidade como testemunhas convictas e críveis do Ressuscitado" – esta é, em síntese, a mensagem de Bento XVI na Verbum Domini que aborda reflexões e propostas emersas no Sínodo dos Bispos realizado em outubro de 2008, no Vaticano, sobre "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

O documento é um apelo do Papa aos bispos, membros da vida consagrada e leigos para que as Sagradas Escrituras se tornem sempre mais familiar.

Recordando o grande impulso do Concílio Vaticano II na redescoberta da Palavra de Deus na vida da Igreja, Bento XVI reitera a grande veneração pelas Sagradas Escrituras. "O Cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo" – frisa o Santo Padre.

No documento, o Papa analisa a situação atual dos estudos bíblicos, desejando que a pesquisa científica possa progredir e que se amplie o diálogo entre pastores, exegetas e teólogos.

Bento XVI ressalta que a raiz do Cristianismo se encontra no Antigo Testamento e que o Cristianismo se nutre sempre desta raiz. O Papa reitera que é importante para a Igreja o diálogo com os judeus e a centralidade dos estudos bíblicos no diálogo ecumênico.

O documento aborda a relação entre Palavra de Deus e liturgia, e pede o enriquecimento da pastoral bíblica, a fim de responder ao fenômeno da proliferação das seitas.

Bento XVI faz um apelo para que se reforce na Igreja a consciência missionária e que a escuta da Palavra de Deus leve a um forte compromisso por um mundo mais justo. "O compromisso pela justiça e a transformação do mundo fazem parte da evangelização" - ressalta o pontífice.

O Papa itera a importância da atenção ao mundo juvenil e do anúncio da Palavra aos jovens, migrantes, sofredores e pobres e lança um apelo em favor de um renovado encontro entre Bíblia e culturas.

Reiterando que a Igreja vê com estima os muçulmanos, o Sínodo sobre a Palavra de Deus deseja o crescimento do diálogo baseado no aprofundamento de valores como o respeito pela vida, os direitos inalienáveis do homem e da mulher, e a contribuição das religiões em favor do bem comum.

O Papa encerra o documento, expressando o respeito da Igreja pelas antigas religiões e tradições espirituais dos vários continentes. (MJ)


SANTA SÉ PREOCUPADA COM A SITUAÇÃO DOS CRISTÃOS NO IRAQUE

◊ Cidade do Vaticano, 11 nov (RV) - O Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, pediu às autoridades iraquianas que tomem em “séria consideração” o problema da defesa dos cristãos, após uma nova série de ataques contra essa comunidade. Seis cristãos morreram ontem, quarta-feira, agravando o clima de medo que se vive após o violento ataque do último dia 31 de outubro, que provocou 52 mortos na catedral sírio-católica de Bagdá.

Falando aos jornalistas, o Cardeal Bertone disse que a proteção dos cristãos no Iraque é um problema que já foi discutido com as autoridades iraquianas e se espera que seja levado em séria consideração. O Conselho de Segurança da ONU manifestou consternação pelos mortes de ontem, sublinhando que os cristãos do Iraque estão na “primeira linha” no processo democrático no país. “Há uma vontade deliberada de destruir a comunidade cristã do Iraque”, por parte dos “fundamentalistas”, sublinhou o embaixador da França nas Nações Unidas, Gérard Araud.

O Secretário de Estado do Vaticano lembrou ainda que esse tema esteve em debate no recente Sínodo para o Médio Oriente, no qual se aludiu ao “sofrimento inenarrável da comunidade cristã”, sobretudo no Iraque, mas também no Paquistão.

Uma série de bombas artesanais explodiu ontem, diante de casas de fiéis cristãos e os agressores atingiram ainda uma igreja, que não ficou danificada. O patriarca dos caldeus, Cardeal Emmanuel Delly III, figura mais importante da Igreja Católica no Iraque, assegura que os fundamentalistas “estão caçando os cristãos em todos os bairros de Bagdá”.

Também o arcebispo sírio-católico da capital iraquiana, D. Atanase Matti Shaba Matoka, lamenta a situação e diz que “o terror” bate à porta dos cristãos, que “sofrem cada vez mais e querem sair do país”. (SP)


BENTO XVI A AHMADINEJAD: CRISTÃOS DESEJAM SER CONSTRUTORES DE PAZ

◊ Teerã, 11 nov (RV) - Bento XVI enviou uma mensagem ao presidente da República Islâmica do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, através do presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, que se encontra no país.

Os responsáveis do organismo vaticano estão desde a última terça-feira em Teerã – capital do Irã – participando do sétimo colóquio com o Centro para o Diálogo Inter-religioso "Organização Islâmica de Cultura e Relações", que se conclui nesta quinta-feira.

O Cardeal Tauran encontrou-se, na última terça-feira, com o presidente iraniano Ahmadinejad e lhe entregou a mensagem de Bento XVI.

Na mensagem o Papa recorda que o respeito pela dimensão transcendente da pessoa é condição para a construção da paz, assim como o diálogo inter-religioso e intercultural são caminhos importantes para a paz.

Bento XVI ressalta que os cristãos do Oriente Médio, não obstante a violência e a intolerância, desejam ser construtores de paz e reconciliação. (MJ/RL)


Igreja no Mundo


PORTUGAL: EPISCOPADO CRIA OBSERVATÓRIO PARA QUESTÕES SOCIAIS

◊ Lisboa, 11 nov (RV) - Os bispos portugueses vão criar um Observatório Nacional de Ação Social, para que a Igreja possa responder de forma imediata à situação no país, revelou nesta quarta-feira, o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, Dom Carlos Alberto de Pinho Moreira Azevedo. "Esta crise está exigindo uma coordenação mais eficaz daquilo que se fazia em cada diocese" – argumentam os bispos.

"O objetivo é recolher os dados de cada diocese, para termos uma resposta imediata da situação no país e, dado que, nos próximos anos, vamos encontrar dificuldades, podermos acompanhar pari passu aquilo que é a realidade da pobreza e das situações de carência no país" – disse o prelado à agência de notícias portuguesa LUSA, à margem da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que se conclui hoje, em Fátima.

Dom Carlos Alberto de Pinho Moreira Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, esclareceu ainda que, nesse âmbito, já funcionam observatórios da Caritas e de três centros da Universidade Católica, com os quais essa iniciativa será articulada, incluindo também representantes das várias dioceses.

Segundo o prelado, a Comissão Episcopal da Pastoral Social, que ele preside, "ficou encarregada de criar uma equipe" e apresentar – na próxima reunião do Conselho Permanente do Episcopado português – "uma proposta concreta de organização desse Observatório".

"Esta crise está, de certo modo, exigindo uma coordenação muito mais eficaz daquilo que se fazia em cada diocese, para que, depois, através dos representantes em cada diocese, nós possamos ter respostas mais rápidas sobre a situação" – disse o bispo.

Dom Carlos Alberto de Pinho Moreira Azevedo acrescentou que, perante as carências, há que encontrar "formas de multiplicarmo-nos em criatividade e imaginação, para podermos fazer frente às necessidades". (AF)


"SILSILAH": CORRENTE DA HARMONIA CHEGA À INDONÉSIA

◊ Zamboanga, 11 nov (RV) – A "Silsilah", cujo significado etimológico é "corrente da harmonia", é uma corrente formada – há 25 anos no sul das Filipinas – por pessoas que difundem a experiência de diálogo entre Islã e Cristianismo. A Silsilah chegou agora à Indonésia.

O missionário Pe. Sebastiano D'Ambra, iniciador dessa corrente, disse, em entrevista à agência de notícias Fides, que a Silsilah está chegando à Indonésia – país muçulmano mais populoso do mundo – para cumprir sua missão que é a de difundir a cultura da harmonia e do diálogo como meio para se alcançar a paz entre cristãos e muçulmanos.

Recentemente, três sacerdotes indonésios visitaram o "vilarejo da harmonia", comunidade onde convivem cristãos e muçulmanos, nas vizinhanças da cidade de Zamboanga, na ilha filipina de Mindanao.

Os três sacerdotes que estiveram em visita são: o secretário da Comissão para as Relações Inter-religiosas (da Conferência Episcopal), Pe. Benny Suseto; o docente da Faculdade de Teologia da Universidade de Sanata Darma, Pe. Heru Prakosa; e o professor de Islamologia, Pe. Evensius Dewantoro.

Segundo Pe. Sebastiano, o encontro teve o apoio da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC) e criou oportunidades para um fecundo diálogo e iniciativas conjuntas. Levantou-se a possibilidade de levar à Indonésia cursos de experiências de convívio, de acordo com o modelo da Silsilah.

Para o missionário, "essa corrente de harmonia, de fato, tem gerado bons frutos nas Filipinas, a partir do estímulo a um ambiente sereno e de relações equilibradas, onde são desenvolvidas amizade e estima entre as comunidades de diferentes religiões".

A delegação indonésia declarou ter apreciado muito o espírito e as atividades da comunidade e demonstrou vontade de levar essa corrente de harmonia também à Indonésia, principalmente para sensibilizar os jovens e instruí-los ao diálogo com todos os setores da sociedade. (ED)


O MUNDO TEM JEITO

◊ São José do Rio Preto, 11 nov (RV) - Nas circunstâncias atuais, dizemos que o mundo não tem jeito, mas isto não corresponde à verdade, não é uma atitude cristã. A história tem uma linha horizontal, mas segura nas mãos do Criador e caminha para a construção do Reino de Deus.

O projeto da história da humanidade, apesar dos medos naturais que dele temos, tem como finalidade a vida e a salvação, isto é, vida com dignidade, fundamentada na justiça divina. Temos medo porque parece que o justo sofre enquanto o malvado prospera.

É fundamental confiar em Deus e acreditar num futuro melhor. O justo será premiado e vencerá o malvado, porque a promessa de Deus não falha. Ele não abandona o seu povo. Estará sempre do lado de quem prática a justiça e trabalha pela sua realização e pelo seu sucesso.

Chegando ao fanal de mais um ano litúrgico, contemplamos as realidades do fim dos tempos. Realidades que fazem parte do nosso cotidiano, que não são apenas do futuro, mas que começam hoje. Por isto não podemos ficar assustados com os sinais dos tempos que acontecem já agora.

Nos sinais da natureza pode estar a nossa ruína. A droga, os vícios, a violência, as gangues, não passam de caminho destruidor. Eles destroem o projeto de Deus, que é totalmente voltado para o sentido e o valor da vida.

Não temos noção da chegada do fim do mundo. Convivemos com os vestígios dessa realidade. Os justos trafegam numa situação de sofrimento, numa cultura marcadamente injusta, provocadora de violência e de morte. Não é fácil ser correto nas circunstâncias de hoje.

É importante ter confiança e agir com ânimo, mesmo diante das forças contrárias. O cristão perseguido está nas mãos de Deus e terá a defesa eterna. O testemunho de fidelidade a Deus é uma grandeza, que leva a vencer o sofrimento.
Vamos começar um novo ano da Igreja. Devemos ter a marca da espiritualidade cristã, mantendo em nós a esperança de vida cada vez melhor, fundada nos princípios da Palavra de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto


33° DOMINGO DO TEMPO COMUM

◊ Campanha, 11 nov (RV) - “Meus pensamentos são de paz e não de aflição, diz o Senhor. Vós me invocareis, e hei de escutar-vos, e vos trarei de vosso cativeiro, de onde estiverdes”(cf. Jr 20, 11ss).

Meus queridos irmãos,

Estamos chegando ao fim do ano litúrgico em que o Evangelho que nós refletimos foi o de São Lucas. Hoje nós relembramos que a vinda do Senhor deve ser motivo de esperança, alegria, plenitude e completa libertação de todas as amarras que oprimem o povo de Deus. O existir do cristão batizado consiste na contínua e persistente espera e no clamor para que Cristo venha em nosso auxílio.Assim todos nós devemos clamar: “Vem Senhor Jesus!”, por isso todos nós somos convidados para a vigilância.(cf. o Evangelho de hoje Lucas 21,5-19).

São Lucas colocou a Igreja dentro do contexto de perseguição da época de Jesus, de maneira que esta perseguição reflorescesse na Igreja um compromisso de firmeza da profissão de fé. As perseguições várias são o prelúdio do Juízo de Deus sobre a história, quando ele fizer justiça aos justos e destruir os ímpios, conforme nos ensina a Primeira Leitura.

Irmãos caríssimos,

A Primeira Leitura(cf. Ml 3,19-20a) - ensina que aproxima-se o dia do juízo e da salvação. Malaquias vivia nos anos difíceis depois do Exílio. O templo tinha sido reconstruído, mas onde ficava a paz definitiva, a nova era? Malaquias vê seu tempo como o cenário da intervenção final de Deus. Deus está de novo no templo, mas o que foi feito do povo? O profeta tem que denunciar. Porém, consola também os justos e piedosos, que ficam confundidos ao enxergar a prosperidade dos ímpios. O dia da justiça se aproxima, o dia do juízo e da salvação, o “dia de Javé”, pintado pelo profeta em cores apocalípticas: fogo que destrói o orgulho e “sol da justiça” que se levanta para os justos.

Caros fiéis,

A Segunda Leitura(cf. 2Ts 3,7-12) nos ensina a entender a preparação para a vinda do Senhor. Como nós nos preparamos para a vinda do Senhor? Nós preparamos a vinda do Senhor com muito trabalho. Aos fanáticos de Tessalônica, vivendo de fantasias a respeito da parusia - talvez pretexto para a preguiça - Paulo é enfático ao dizer: “Quem não trabalha, não coma”. Paulo mesmo deu o exemplo do trabalho manual.

Meus irmãos queridos,

Jesus veio uma vez ao mundo em carne humana, não se prevalecendo da condição divina(cf. Fl 2,6), fazendo-se em tudo igual as criaturas humanas, exceto no pecado(cf. Hb 4,15). Na segunda vinda de Cristo, o Senhor virá glorioso, Senhor do céu e da terra, juiz de todas as criaturas. Nós vivemos, assim, entre a primeira vinda e a vinda que aguardamos. Vivemos na doce certeza da primeira e na expectativa da segunda. É um itinerário ou uma caminhada de fé e esperança. A caminhada que todos nós somos convidados a percorrer pessoalmente, tendo sempre presente que Cristo nos acompanha, nos anima e nos fortalece porque: “Estarei convosco até o fim dos tempos”(cf. Mt 28,20).

Assim hoje Jesus nos fala do momento em que passamos dessa vida para a outra, o fim do tempo presente e o início da eternidade. A nossa morte repete, de certo modo, o natal de Jesus: ele passou da eternidade para o tempo, nós passamos do tempo para a eternidade. Penar no “mundo vindouro” é imensamente positivo. É nele que se coloca a esperança cristã porque “A morte é o coroamento da felicidade da alma e o começo da felicidade do corpo”, nas palavras de Blaise Pascal.

Irmãos caríssimos,

A morte é o doce encontro com o Redentor, por isso não deve apavorar o homem. É o ponto inicial de uma vida nova diante da Trindade Santíssima. Mas para sermos associados ao Reino de Deus devemos estar em contínua vigilância. Morte que se apresenta nas guerras, nas revoluções, nas pestes, nos terremotos, nas carestias, nos tufões, nas tempestades, nas perseguições, nas prisões, nas traições, nos ódios, nas injustiças, na miséria e na exclusão social. Várias facetas da irmã morte que deve nos interpelar e nos encaminhar para a conversão diária e necessária.

O fim dos tempos deve estar sempre presente em nossa vida espiritual, principalmente para a conversão e a mudança de vida. E é isso que a Igreja nos propõe no fim do ano litúrgico e no início do novo tempo da Igreja que é sempre inaugurado com os exercícios espirituais do Advento. Tudo isso para demonstrar que Cristo é o Alfa e o Omega, ou seja, o Princípio e o Fim, conforme nos relembra a Igreja pelo Círio Pascal que inscreve estas letras para simbolizar o Cristo Ressuscitado. Assim a morte deve ser lembrada como a Luz do Cristo que nos tirou da escravidão do pecado e nos elevou a condição de filhos e filhas de Deus. A morte é como um ponto num círculo: nunca se sabe se é o ponto inicial ou o ponto final; ou melhor, é, ao mesmo tempo, final e inicial, porque dependendo de nossa adesão a Cristo iremos para a vida eterna e a não adesão para a condenação sem fim.

O templo de Deus é o Cristo Ressuscitado. Jesus mesmo afirmou ser o nosso templo de Deus. O mais importante, então, é reconhecer em Jesus alguém que pode dar a Deus a adoração plena, e à criatura humana, a salvação para poder louvar a Deus.

Meus irmãos,

Agora é o tempo da Igreja de Cristo. Depois da ressurreição de Cristo, a reunião da humanidade inteira numa comunhão de amor com Deus se faz gradualmente, e o mundo entra numa fase decisiva de seu crescimento, em vista da recapitulação universal em Jesus Cristo. No centro desse dinamismo, a Igreja tem uma parte essencial, enquanto é o Corpo de Cristo. E, como tal, deve seguir o caminho do Mestre: da morte para a vida. E deve continuamente superar, também, a tentação de identificar-se com o reino definitivo e de se fechar no particularismo.

Os muros da separação, que os povos e as áreas culturais não deixam de elevar entre si, são fundamentalmente o obstáculo mais grave à comunhão universal. A missão da Igreja Católica é superar este obstáculo. O meio é o amor aos inimigos, que destrói as barreiras postas pelo homem.

Hoje, mais do que nunca damo-nos conta da extraordinária amplitude da tarefa da Igreja. Além disso, pode-se medir a relação que liga, em sua distinção, a missão e a obra das civilizações. Um dos problemas fundamentais de nosso tempo é o encontro de culturas e a mudança de época. É problema grave político, social, econômico, mas não somente isso. Sem o amor gratuito e universal, não se poderá chegar à solução.


A esperança sempre deve ser a marca do cristão, mesmo que devamos caminhar contra todas as esperanças dos homens, que são transitórias. Jesus é a vida verdadeira, que se dá a nós, criaturas. Mas só a conseguirão os que perseverarem firmes na fé. A fé será provada de muitos modos, dentro e fora de casa, e de forma até mesmo violentas e inesperadas, que Jesus simboliza na figura do pai e da mãe. Que ninguém desanime! Pode até acabar a terra. Mas não acabará a Palavra de Deus, feita vida terrena para transmitir a vida eterna.

E, afinal, quando será o fim, conforme muitos perguntaram a Jesus? Jesus não é um advinho, mas um Mestre e Senhor. Ele não fala nem o dia e nem a hora. Entretanto, nos dá pistas e critérios de orientação dentro da história e as decisões que se devem tomar para não perder de vista a meta final. Em vez de dizer o dia e a hora Jesus, na sua segunda vinda, nos trará a libertação total e plena. Assim vamos vivendo a esperança cristã e vamos depositar a nossa confiança unicamente em Jesus.

Toda a Igreja é missionária e é discípula de Jesus Cristo. Em virtude da mesma caridade com que Deus enviou seu Filho para a salvação de todos os homens e mulheres. E única é a sua missão, a de se fazer próxima de todos os homens e todos os povos, para se tornar sinal universal e instrumento eficaz da paz de Cristo.

O provisório em seu valor. Relativo, decerto, mas real. É a encarnação da nossa aspiração à justiça de Deus, que tem a última palavra. Trabalhemos para que fiquem as obras de caridade, porque o corpo, como o templo, será destruído, mas o templo de Deus permanecerá de pé, adornado de belas pedras das virtudes cristãs, esculpidas na perseverança no bem, na caridade e na justiça.

Padre Wagner Augusto Portugal.
Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)


Atualidades

MIANMAR: NOBEL DA PAZ PODE SER LIBERTADA NO PRÓXIMO SÁBADO

◊ Yangun, 11 nov (RV) - Dias após pessoas ligadas ao exército terem afirmado que o regime militar no poder em Mianmar (ex-Birmânia) obteve uma vitória folgada nas eleições do último fim de semana, funcionários do governo anunciaram que a tão esperada libertação da prêmio Nobel da Paz-1991, Aung San Suu Kyi, líder da oposição no país, "estaria sendo preparada".

A líder opositora, que passou a maior parte das últimas duas décadas em regime de prisão domiciliar, deverá ser libertada no próximo sábado. Em 1990, o partido dela venceu as eleições nacionais, mas o pleito acabou anulado.

A libertação é vista por observadores internacionais como uma tentativa do regime de aplacar as críticas após as eleições do último domingo. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi uma das vozes a classificar o pleiro eleitoral como "injusto".

A prisão domiciliar de Aung San Suu Kyi foi ampliada para 18 meses, em agosto do ano passado, após um peculiar incidente, no qual um cidadãos norte-americano chegou até à casa dela – sem ter sido convidado – depois de ter atravessado um lago a nado. Ela acabou condenada por receber alguém sem autorização. Dessa forma, foi mantida presa durante as eleições. (AF)


MONGE ISOLA-SE NO TOPO DE UMA ROCHA

◊ Tbilisi, 11 nov (RV) - Um monge da Igreja Ortodoxa da Geórgia decidiu isolar-se do mundo e morar no topo de uma rocha.

De há 13 anos para cá, Maxime Kavtaradze, de 55 anos, trabalha para reconstruir um pequeno mosteiro, em Chiatura – uma área remota do país – local onde repousam os restos mortais do primeiro monge que, há cerca de 500 anos, habitou naquele local inóspito.

Sua rotina consiste em subir e descer a escada que dá acesso ao mosteiro, carregando consigo cada uma das pedras que, pouco a pouco, estão dando forma à construção.

Nos últimos cinco anos, o governo da Geórgia tem financiado a reconstrução de igrejas e mosteiros por todo o país. O objetivo é contribuir para o renascimento da Igreja Ortodoxa da Geórgia. (AF)

© Rádio Vaticano 2010

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