Papa e Santa Sé
PAPA NA AUDIÊNCIA: PREPAREMO-NOS COM ALEGRIA PARA O NATAL
◊ Cidade do Vaticano, 22 dez (RV) - Bento XVI acolheu na manhã desta quarta-feira, dia da habitual Audiência Geral, vários fiéis e peregrinos na Sala Paulo VI, no Vaticano.
A catequese de hoje foi dedicada inteiramente ao Natal. "Preparemo-nos com alegria para o Natal, purificando a nossa consciência de tudo aquilo que é contrário à vinda de Deus" - ressaltou o Papa.
"A alegre expectativa, característica dos dias que antecedem o Santo Natal, é certamente a atitude fundamental do cristão que deseja viver com fruto o renovado encontro com Aquele que vem habitar em nós: Cristo Jesus, o Filho do Deus que se fez homem, que inundou o universo de alegria" – frisou o pontífice.
Bento XVI sublinhou que "o presépio é expressão de nossa expectativa, mas também ação de graças Àquele que decidiu partilhar a nossa condição humana, na pobreza e na simplicidade. Que este genuíno testemunho de fé cristã possa oferecer ainda hoje a todos os homens de boa vontade um sugestivo ícone do amor infinito do Pai para com todos".
O Santo Padre pediu à Virgem Maria e a São José para que nos ajudem a viver o mistério do Natal com renovada gratidão ao Senhor. "Em meio à vida frenética de nossos dias, este tempo nos doa um pouco de calma e alegria e nos faz tocar a bondade do nosso Deus, que se fez criança para nos salvar e dar nova coragem e nova luz ao nosso caminho" – sublinhou ainda o Papa.
A seguir, Bento XVI fez um resumo de sua catequese em português, saudou os fiéis lusófonos presentes na audiência e concedeu a todos a sua bênção apostólica.
Queridos irmãos e irmãs,
No tempo próprio da Liturgia, que actualiza o mistério, está para chegar o Deus Menino, nosso Salvador: Aquele que, depois da desobediência de Adão e Eva, nos abraça de novo e abre o acesso à vida verdadeira. Ele vem para reduzir à impotência a obra do maligno e tudo aquilo que nos faz andar longe de Deus. O Verbo feito menino ajuda-nos a compreender o modo de agir de Deus, para sermos capazes de nos deixar transformar pela sua bondade e misericórdia infinita. A sua vinda serve para nos ensinar a ver e a amar os acontecimentos da vida, o mundo e tudo aquilo que nos rodeia com os próprios olhos de Deus. No meio da actividade frenética dos nossos dias, possa este tempo natalício trazer-nos um pouco de calma e tanta alegria, fazendo-nos sentir a bondade do nosso Deus que Se faz menino para nos salvar e dar nova coragem e nova luz ao nosso caminho.
Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha cordial saudação de boas vindas para todos, com votos de um santo Natal, portador das consolações e graças do Deus Menino: nos vossos corações, famílias e comunidades, resplandeça a luz do Salvador, que nos revela o rosto terno e misericordioso do Pai do Céu. Em seu Nome, eu vos abençoo, pedindo a Deus um Ano Novo sereno e feliz para todos. (MJ)
PAPA: NOMEAÇÕES PARA O BRASIL
◊ Cidade do Vaticano, 22 dez (RV) - Bento XVI nomeou nesta quarta-feira, bispo da Diocese de Joaçaba, em Santa Catarina, Dom Mário Marquez, até agora bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória (ES).
Dom Marquez nasceu em Lucerna, na Diocese de Lages (SC), em 23 de novembro de 1952. Entrou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e estudou Filosofia no Convento Capuchinho Bom Jesus, em Ponta Grossa (PR), e Teologia no Instituto Teológico de Santa Catarina, em Florianópolis. Em 31 de maio de 2006 foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória.
Ainda no Brasil, o Papa nomeou hoje bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre (RS), Pe. Agenor Girardi, até agora pároco da Paróquia São José na Diocese de Palmas-Francisco Beltrão.
Pe. Girardi nasceu em Orleans, em Santa Catarina e fez a profissão religiosa na Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, em 1° de fevereiro de 1982. Estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas e Teologia na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Obteve o mestrado em Teologia Espiritual na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
O Santo Padre nomeou também, nesta quarta-feira, como bispo auxiliar da Arquidiocese de São Luís do Maranhão, Pe. José Carlos Chacorowski, até agora diretor das Filhas da Caridade da Província da Amazônia, na Arquidiocese de Belém do Pará.
O sacerdote nasceu em 26 de dezembro de 1956, em Curitiba, no Paraná. Entrou na Congregação da Missão (Lazaristas) onde emitiu os votos religiosos em 16 de abril de 1980. Foi ordenado sacerdote em 2 de julho de 1980 pelo Papa João Paulo II, no Rio de Janeiro.
Estudou Filosofia no Seminário São Vicente de Paulo, em Araucária, e Teologia no Studium Theologicum, em Curitiba. Trabalhou como formador no Seminário Diocesano de Palmas-Francisco Beltrão e como missionário na República Democrática do Congo. (MJ)
NOTA DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ SOBRE O LIVRO "LUZ DO MUNDO"
◊ Cidade do Vaticano, 22 dez (RV) - Depois da polêmica pelas interpretações de alguns setores da imprensa sobre um extrato do livro-entrevista do Papa Bento XVI “Luz do Mundo”, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou ontem, terça-feira uma Nota na qual afirma que o Santo Padre não mudou a doutrina da Igreja sobre o preservativo.
Na nota publicada com o título “Sobre a banalização da sexualidade. A propósito de algumas leituras de Luz do mundo”, a Congregação para a Doutrina da Fé denuncia que as palavras do Papa sofreram “diversas interpretações não corretas, que geraram confusão sobre a posição da Igreja Católica quanto a algumas questões de moral sexual”.
Não raro, - destaca a nota - o pensamento do Papa foi instrumentalizado para fins e interesses alheios ao sentido das suas palavras, que aparece evidente se forem lidos inteiramente os capítulos onde se alude à sexualidade humana. O interesse do Santo Padre é claro: reencontrar a grandeza do projeto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banalização da mesma, hoje generalizada.
Algumas interpretações apresentaram as palavras do Papa como afirmações em contraste com a tradição moral da Igreja; hipótese esta, que alguns viram como uma mudança positiva, e outros receberam com preocupação, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracepção e com a ação eclesial na luta contra o HIV-AIDS. Na realidade, as palavras do Papa, que aludem de modo particular a um comportamento gravemente desordenado como é a prostituição (cf. “Luce del mondo”, 1.ª reimpressão, Novembro de 2010, p. 170-171), não constituem uma alteração da doutrina moral nem da praxis pastoral da Igreja.
Como resulta da leitura da página em questão, - continua a nota da a Congregação para a Doutrina da Fé - o Santo Padre não fala da moral conjugal, nem sequer da norma moral sobre a contracepção. Esta norma, tradicional na Igreja, foi retomada em termos bem precisos por Paulo VI no n.º 14 da Encíclica Humanae vitae, quando escreveu que “se exclui qualquer ação que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação”. A ideia de que se possa deduzir das palavras de Bento XVI que seja lícito, em alguns casos, recorrer ao uso do preservativo para evitar uma gravidez não desejada é totalmente arbitrária e não corresponde às suas palavras nem ao seu pensamento.
Pelo contrário, - afirma a Congregação para a Doutrina da Fé - a este respeito, o Papa propõe caminhos que se podem, humana e eticamente, percorrer e em favor dos quais os pastores são chamados a fazer “mais e melhor” (“Luce del mondo”, p. 206), ou seja, os caminhos que respeitam integralmente o vínculo indivisível dos dois significados – união e procriação – inerentes a cada ato conjugal, por meio do eventual recurso aos métodos de regulação natural da fecundidade tendo em vista uma procriação responsável.
Passando à página em questão, nela o Santo Padre refere-se ao caso completamente diverso da prostituição, comportamento que a moral cristã desde sempre considerou gravemente imoral (cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n.º 27; Catecismo da Igreja Católica, n.º 2355). A recomendação de toda a tradição cristã – e não só dela – relativa à prostituição pode resumir-se nas palavras de São Paulo: “Fugi da imoralidade” (1 Cor 6, 18). Por isso a prostituição deve ser combatida, e as entidades assistenciais da Igreja, da sociedade civil e do Estado devem trabalhar por libertar as pessoas envolvidas.
A este respeito, é preciso assinalar que a situação que se criou por causa da atual difusão do vírus HIV-AIDS, em muitas áreas do mundo tornou o problema da prostituição ainda mais dramático. Quem sabe que está infectado pelo HIV e, por conseguinte, pode transmitir a infecção, para além do pecado grave contra o sexto mandamento, comete também um pecado contra o quinto, porque conscientemente põe em sério risco a vida de outra pessoa, com repercussões ainda na saúde pública.
A propósito, o Santo Padre afirma claramente que os preservativos não constituem “a solução autêntica e moral” do problema do HIV-AIDS e afirma também que “se concentrar só no preservativo significa banalizar a sexualidade”, porque não se quer enfrentar o desregramento humano que está na base da transmissão da pandemia. Além disso, é inegável que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado. Neste sentido, o Santo Padre assinala que o recurso ao preservativo, “com a intenção de diminuir o perigo de contágio, pode, entretanto, representar um primeiro passo na estrada que leva a uma sexualidade vivida diversamente, uma sexualidade mais humana”. Trata-se de uma observação totalmente compatível com a outra afirmação do Papa: “Este não é o modo verdadeiro e próprio de enfrentar o mal do HIV”.
Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo à teoria do chamado “mal menor”. Todavia esta teoria é susceptível de interpretações desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, nn.os 75-77). Toda a ação que pelo seu objeto seja um mal, ainda que um mal menor, não pode ser licitamente desejada. O Santo Padre não disse que a prostituição valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como alguém sustentou. A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida. Se alguém, apesar disso, pratica a prostituição mas, porque se encontra também infectado pelo HIV, esforça-se por diminuir o perigo de contágio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a malícia da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. Estas ponderações estão na linha de quanto a tradição teológico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado.
Na conclusão a nota afirma: na luta contra o HIV-AIDS, os membros e as instituições da Igreja Católica saibam que é preciso acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstinência antes do matrimônio e a fidelidade dentro do pacto conjugal. A este respeito, é preciso também denunciar os comportamentos que banalizam a sexualidade, porque – como diz o Papa – são eles precisamente que representam a perigosa razão pela qual muitas pessoas deixaram de ver na sexualidade a expressão do seu amor. “Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço a fazer para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade” (“Luce del mondo”, p. 170). (SP)
Igreja na América Latina
APELO DOS BISPOS PERUANOS EM FAVOR DO BEM COMUM
◊ Lima, 22 dez (RV) - O Arcebispo de Trujillo, Dom Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, presidente da Conferência Episcopal do Peru, pediu aos candidatos às eleições presidenciais de 10 de abril de 2011, para que não caiam na politicagem.
Numa nota, o prelado reiterou, em nome da Conferência Episcopal, que os candidatos à presidência devem buscar o bem comum e não devem se deter em coisas mesquinhas.
Dom Vidarte pediu aos candidatos para que apóiem as políticas públicas de convenção nacional, especialmente a última, finalizada à prevenção de catástrofes naturais. "A idéia é envolver os candidatos à presidência a fim de que se tornem parte dessa política, pois existem projetos que ultrapassam o período de um governo" – frisou o prelado.
O arcebispo sublinhou que ao invés de combater, brigar e insultar, os candidatos devem apresentar projetos, unindo esforços em favor do bem do Peru. (MJ)
Igreja no Mundo
COMUNIDADE DE SANTO EGÍDIO: CEIA DE NATAL COM OS POBRES
◊ Roma, 22 dez (RV) - "Natal, uma família grande como o mundo" é o título escolhido pela Comunidade Romana de Santo Egídio para celebrar a ceia de Natal com os pobres das cidades onde a comunidade está presente.
A iniciativa teve início, em 1982, quando foi oferecido um almoço natalino a um grupo de pobres do bairro Trastevere, em Roma. Desde então, o evento se repete na noite de 24 de dezembro nas comunidades de Santo Egídio espalhadas pelo mundo, com a participação de milhares de pessoas.
Este ano, em Roma, cerca de 10 mil pessoas participarão da ceia natalina. No mundo são mais de quinhentas as cidades que aderiram ao evento em mais de 70 países.
Uma atenção particular é dada aos encarcerados dos países subdesenvolvidos. (MJ)
BÉLGICA: AUDIÊNCIA COM A COMISSÃO SOBRE OS ABUSOS SEXUAIS
◊ Bruxelas, 22 dez (RV) - Foi realizada ontem a audiência do ex-primaz da Igreja Católica na Bélgica, Cardeal Godfried Danneels, diante da Comissão Especial para os abusos sexuais cometido por membros da Igreja. Estiveram presentes também jornalistas e parlamentares.
Para hoje está prevista a audiência do atual arcebispo de Malinês-Bruxelles, Dom André Léonard, diante dessa mesma Comissão.
O Cardeal Danneels começou a audiência falando sobre o “choque” causado pelas revelações e pelo sofrimento das vítimas. Ele definiu-se como “um pai que se desculpa quando na sua família foi cometido um ato inadmissível”.
Em um relatório entregue hoje pela Conferência Episcopal belga, fez-se referência de que “após o caso Dutroux, no qual toda a Bélgica descobriu com horror e indignação a morte de duas meninas inocentes, a Igreja, já em 1997, partiu com iniciativas eclesiais a fim de proporcionar às vítimas uma estrutura capaz de trabalhar essas questões.
Segundo o Cardeal, a Igreja tem todo o interesse em expulsar o mal da sua instituição e em fazer com que “a responsabilidade seja assumida por cada indivíduo que cometeu esses abusos, os quais devem submeter-se às sanções civis e canônicas, contribuir com a reparação dos danos e com o pagamento das indenizações”.
O purpurado ainda afirmou que “a Igreja tem o dever de cooperar com as reparações, escutando as vítimas dos abusos e acompanhando-as”. Dom Danneels respondeu a inúmeras perguntas e declarou que “por anos, a Igreja pensou mais em si mesma e em seus sacerdotes que nas vítimas”, acrescentando que “alguns sacerdotes viviam de maneira isolada, sem controle social, sem ajuda, colocados sobre um pedestal, de onde invocaram o status de intocáveis e impuseram o silêncio”. “Porém hoje – afirmou – a tendência é totalmente diversa, porque a Igreja tornou-se mais humilde, e a perda de influência poderá ser um chamado a viver humildemente e com espírito de serviço”. (ED)
COSTA DO MARFIM: IGREJA PREOCUPADA COM A VIOLÊNCIA
◊ Cidade do Vaticano, 22 dez (RV) - A Igreja na Costa do Marfim – refere o jornal vaticano L'Osservatore Romano - está seriamente preocupada com a situação caótica que vive o país por causa dos controversos resultados das eleições. Depois dos confrontos, que já causaram dezenas de mortes, a tensão permanece alta. O Arcebispo de Abidjan e porta-voz do “Coletivo de líderes religiosos para as eleições pacíficas”, Dom Jean-Pierre Kutwa, fez um novo apelo para que o atual Presidente Laurent Gbagbo, e o presidente-eleito, Alassane Ouattara, “sejam razoáveis” e convidou a população à calma.
“Deus – recordou o arcebispo aos fiéis - não abandonará a Costa do Marfim e é ainda possível encontrar uma solução pacífica e democrática”. Desde 2005 os habitantes da Costa do Marfim esperam poder eleger o seu presidente. Atualmente, a Costa do Marfim tem dois presidentes e dois governos diferentes.
Alassane Ouattara, que segundo a Comissão Eleitoral Independente e a comunidade internacional, venceu o segundo turno presidencial de 28 de novembro último, no dia 4 de dezembro foi empossado como presidente, através de uma carta enviada ao Conselho Constitucional, o órgão competente para declarar o vencedor.
Precisamente o Conselho tinha revogado a vitória por presumíveis fraudes, num primeiro momento dada a Ouattara pela Comissão Eleitoral Independente, atribuindo-a, ao invés, ao atual presidente Laurent Gbagbo.
Este último prestou juramento algumas horas depois no palácio presidencial de Abidjan. As Nações Unidas, a União Europeia e os Estados Unidos reconheceram a vitória de Ouattara e pediram a Gbagbo para aceitar o resultado proclamado pela comissão eleitoral.
Nos últimos dias o Coletivo de líderes religiosos para as eleições pacíficas tinha exortado o povo e os políticos a fazer um esforço “em nome de Deus, em nome da Costa do Marfim e em nome das gerações futuras, para respeitar o resultado das urnas”.
Na sua mensagem, os líderes religiosos deploraram que se tenha passado “da violência verbal à violência física, e que o pior parece ainda está por vir”. Por este motivo, a mensagem convida os jovens a não perpetraem atos de violência e abandonar esse terreno que poderá criar um círculo vicioso”.
O Arcebispo de Abidjan recordou que “a eleição presidencial não é e nunca será a consagração de uma religião, de uma etnia, de uma região. O que desejamos é ter um presidente acima dos clãs, das tribos, das religiões, um presidente capaz de liderar nosso país e aqueles que nele habitam, em direção ao pleno desenvolvimento.
“Entretanto, a União Africana enviou o ex-presidente Sul-Africano, Thami Mbeki para mediar entre as duas partes. Mbeki continua a sua mediação, embora a situação seja muito delicada, ou melhror, continua tensa após o cancelamento do toque de recolher e da reabertura das fronteiras. (SP)
COLETA DE FUNDOS PARA AJUDAR CRISTÃOS IRAQUIANOS
◊ Königstein, 22 dez (RV) - A fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) arrecadou 25 mil euros para ajudar 150 famílias iraquianas refugiadas em Aleppo, na Síria, a passar o Natal aquecidas.
A organização respondeu ao pedido do bispo caldeu de Aleppo, Dom Antoine Audo, que está ajudando as famílias cristãs no campo da saúde e alimentar, graças ao apoio de AIS. O prelado hospedou os cristãos em sua diocese, protegendo-os da violência e da perseguição em andamento no Iraque.
Atualmente, cerca de 1 milhão e 500 mil iraquianos vivem na Síria. A coleta promovida pela AIS ajudará Dom Audo a comprar óleo combustível que ajudará essas famílias, que possuem uma pequena estufa, a se aquecerem.
AIS promove outras iniciativas em favor dos cristãos iraquianos: 15 mil euros foram destinados às vítimas do atentado perpetrado em 31 de outubro passado na catedral sírio-católica de Bagdá, outros 10 mil aos cristãos de Bagdá refugiados em Kirkuk e Sulaymaniyah, e a Diocese de Zakho recebeu 25 mil euros para fornecer alimento a centenas de famílias cristãs. (MJ)
Formação
FILHO DE MARIA, DEUS CONOSCO
◊ Juiz de Fora, 22 dez (RV) - Dentro da novena de Natal, é importante aprofundarmos o significado do nome Messias, profetizado por Isaias: Emanuel, que significa “Deus conosco”.
Jesus não é apenas filho da história dos homens. É o próprio Filho de Deus, o Deus que está conosco. Ele inicia nova história em que os homens serão salvos (Jesus = Deus salva) de tudo o que diminui ou destrói a vida e a liberdade (os pecados).
No quarto domingo do Advento, a narrativa de Mateus procura explicar o nascimento de Jesus, que nasceu de forma misteriosa de Maria: o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Jesus faz parte da linhagem de Davi e de Abraão, com isso Mateus quer dar ênfase que Deus quer salvar os homens por meio dos homens.
Para essa salvação, José e Maria são os grandes colaboradores do plano de Deus. José estava comprometido em casamento com Maria. Diante da descoberta da gravidez, José, por ser homem justo, pensa em duas alternativas: Afastar-se de Maria, fugir, não querer assumir a criança da qual ignora o pai, ou expor Maria às formalidades da Lei. Porém, não faz isso por estar convencido da virtude de Maria.
Na anunciação a José se faz uma completa apresentação de Jesus. Em primeiro lugar, afirma-se sua origem divina: vem do Espírito Santo. Depois, anuncia-se qual será sua missão, mediante o nome que seu pai adotivo lhe deu, a mando de Deus: Jesus significa “Deus salva”, e a missão de Jesus era, justamente, salvar o seu povo de seus pecados.
Diante dessa situação de José, o anjo se encarrega de esclarecer o acontecido. José recebe o anúncio do nascimento do menino em um sonho: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele salvará seu povo de seus pecados”.
Em Maria, grávida, em José, homem justo no Senhor, podemos encontrar tudo o que Deus nos pede para que aconteça a salvação.
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)
NATAL DE ESPERANÇA
◊ Campanha, 22 dez (RV) - O profeta Isaías pode ser chamado de profeta da esperança. Suas palavras são, por vezes, líricas, outras vezes, dramáticas. Elas açoitam os ouvidos e reverberam o coração. Ele denuncia situações deploráveis de injustiça e desordem; e anuncia a proximidade da salvação. Sua utopia faz eco ao sonho de Deus: fazer novo o mundo, onde as pessoas possam conviver na alegria, na justiça e na paz.
O Menino, anunciado por Isaías, faz reacender as esperanças do povo que anseia por vida digna e plena. Jesus vem concretizar essa promessa. Quem pode temer um Deus que se faz criança? Só mesmo aquele que tem um coração fechado e insensível e não percebe a beleza do cenário: o Menino se faz pequeno e pobre para vir ao encontro daqueles que, esvaziados de si mesmos, sabem acolhê-lo nos seus irmãos mais pequeninos...
A minoridade de Jesus aponta para o serviço-missão que ele irá realizar. Não vai fazer pacto com os grandes e poderosos, mas vem habitar entre os pequenos e pobres. É entre eles que se sente bem e os torna alegres na esperança. Foi aos pobres pastores que os anjos anunciaram a boa notícia: hoje, nasceu para vocês o Salvador! É a eles que o Menino se manifesta, por primeiro.
Maria, a virgem que acreditou, e José, o homem justo, extasiam-se com o relato dos pastores. No silêncio contemplam o mistério do Verbo encarnado. As palavras não são necessárias. O Menino é a Palavra que traz esperança de vida nova! É o consumador das expectativas de todos que o buscam e anseiam por paz e salvação.
Também a nós foi confiada essa missão: sermos profetas da esperança e porta-vozes de boas notícias. Para tanto precisamos, sempre de novo, acolher e meditar a Palavra. É na força dela que podemos nos renovar e transformar a realidade rotineira e sombria de nossas comunidades. Carecemos do colírio da fé para reconhecer Jesus presente nos desvalidos e marginalizados de toda sorte.
Que o Natal do Senhor, que vamos celebrar, nos traga esse presente: sermos fortes na fé, alegres na esperança, solícitos na caridade!
† Frei Diamantino P. de Carvalho, ofm
Bispo da Diocese da Campanha
JESUS CRISTO, DEUS CONOSCO
◊ Rio de Janeiro, 22 dez (RV) - Estamos em plena semana de preparação para o Natal. A liturgia da Igreja nos acompanha na esperança de celebrar a presença atual de Cristo em nossas vidas, além da comemoração de suas vindas histórica e escatológica.
Em meio aos barulhos e propagandas que gritam em nossos ouvidos sobre as várias versões deste tempo, o cristão é aquele que conhece o Senhor e celebra a presença do Deus Conosco, o Emanuel.
Advento, tempo de abertura de coração ao Senhor Jesus. Ter proximidade com Deus e relacionar-se com Ele é o grande anseio do coração humano. Fazendo a experiência de Sua Presença, a luz ilumina as trevas do mundo e as nossas perguntas, o sentido da vida e seus mistérios e busca da plenitude da existência encontra O Caminho que nossos corações buscam.
Muitos ainda não sabem que esse anseio tornou-se realidade. Essa presença esclarecedora e perfeita que pacifica a alma e responde nossas perguntas sobre a existência está em Jesus Cristo Senhor.
A boa notícia é que Ele veio e continua conosco! Esse Deus revelado é encontrado na pessoa de Jesus Cristo, Ele é a exata expressão do ser de Deus. “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,” (Hebreus 1,3).
Emanuel significa Deus conosco. Esta expressão refere-se à presença de Jesus Cristo entre os homens. O texto bíblico descrito no profeta Isaías diz: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel.” (Isaías 7,14). No Evangelho de Mateus encontramos a explicação do significado do nome Emanuel; Mateus registra o texto de Isaías e amplia nosso entendimento sobre a profecia que ele viu cumprir-se nos seus dias: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).” (Mateus 1,23). A profecia se cumpriu! Deus está conosco!
Quando compreendemos essa verdade entendemos que Ele está presente em nossa vida quando O buscamos, quando nos relacionamos uns com os outros, quando andamos pela cidade, quando trabalhamos, enfim em todas as circunstâncias da vida Jesus Cristo, o Emanuel prometido, o Deus que está conosco, está presente em nossa existência.
Isaías, em sua profecia, nos mostra ainda que existe algo muito especial quando Emanuel (Deus conosco) está entre nós. Falando sobre o juízo que viria a Israel, o profeta diz: “Mesmo que vocês criem estratégias, elas serão frustradas; mesmo que façam planos, não terão sucesso, pois Deus está conosco!” (Isaías 8,10).
Quando Jesus, o Senhor, está presente somos iluminados por sua presença. Lembremos que a profecia se cumpriu – Jesus é o Senhor e estará para sempre presente, seu poder é total e sua presença é eterna. “Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1 Pedro 1,20). Saibamos que onde estivermos ou mesmo aonde formos não podemos nos esconder d’Ele, mas podemos, sim, nos esconder N’Ele (“Vossa vida está escondida com Cristo em Deus”)!
Tendo como ponto de partida a presença do Emanuel, Deus conosco em nosso meio, é de suma importância que todos os cristãos preparem bem o seu coração para participarem das festividades natalinas que se aproximam, tanto é que a própria liturgia nos convida a nos prepararmos para este grande acontecimento.
Nesta expectativa pelo “Deus que vem” devemos rezar para que exista justiça em todos os lugares. E por isso rezemos: "Vem, senhor Jesus Cristo! Ele sabe como trazer justiça no mundo. Portanto, devemos viver estes dias que antecedem o Natal com os mesmos sentimentos de Maria, que, em Belém, viu resplandecer a luz que ilumina o mundo. Nós somos chamados a ser testemunhas e a proclamar com convicção a verdade do nascimento de Cristo, dom inaudito, que é um tesouro não somente para nós, mas para todos. Disto surge a missão da Evangelização, que consiste justamente em anunciar esta boa notícia.
Que nesta semana próxima ao Natal nos preparemos com dignidade para a celebração do nascimento de Jesus, com a participação na liturgia, com uma boa confissão e com a consequente mudança radical de vida para que, na fé, Cristo renasça em nossa vida e nos faça proclamar ao mundo essa grande notícia: “nasceu para vós o Salvador”!
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Atualidades
APROVADA NA ONU NOVA MORATÓRIA DA PENA DE MORTE
◊ Nova York, 22 dez (RV) - Aprovada ontem, no âmbito das Nações Unidas, a nova moratória universal da pena de morte. Esta é a terceira a receber aprovação da Assembléia Geral da Onu, as duas anteriores foram em 2007 e 2008.
190 países votaram a favor e 41 contra, 35 se abstiveram e sete estavam ausentes. Um dado significativo foi o de que três países que anteriormente haviam votado contra a moratória – Kiribati, Maldivas e Mongólia – e outros três que se abstiveram – Butão, Guatemala e Togo - agora votaram a favor.
A novidade da dessa resolução diz respeito ao pedido feito aos países membros para que disponibilizem as informações relevantes sobre o uso da pena de morte, a fim de favorecer um debate internacional transparente. (ED)
MENSAGEM DE NATAL DO CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS
◊ Genebra, 22 dez (RV) – A paz é um elemento vital que permite viver a comunhão e construir a unidade cristã: assim inicia a mensagem de natal do Secretario Geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor Olav Fykse Tveit. Ao longo do texto, ele convida as Igrejas que fazem parte do Conselho a alegrarem-se pelo dom de Cristo e a cultivarem a busca pela paz.
Lê-se na mensagem que “o esplendor do natal traz à luz os numerosos contrastes que nos circundam, as contrariedades entre pobreza e riqueza, os sistemas de tirania e justiça, a violência brutal e esforços sinceros de reconciliação”. “E essas situações – conclui o texto – fazem-nos realmente tomar consciência das necessidade de uma paz digna desse nome, uma paz justa para todos”. (ED)
© Rádio Vaticano 2010
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