Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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segunda-feira, 28 de março de 2011

BENTO XVI RECEBE SUA BEATITUDE CRISÓSTOMO II


◊ Cidade do Vaticano, 28 mar (RV) - O Papa Bento XVI recebeu em audiência nesta segunda-feira, 28 de março, Sua Beatitude Crisóstomo II, Arcebispo de Nea Giustiniana e de todo Chipre, primaz da Igreja Ortodoxa de Chipre. Sua Beatitude Crisóstomo II já visitara o Santo Padre e a Igreja de Roma entre os dias 12 e19 junho de 2007. Bento XVI e o Arcebispo Crisóstomo II, se encontraram novamente em várias ocasiões durante a viagem apostólica do Santo Padre a Chipre de 4 a 6 junho de 2010. Durante a sua permanência em Roma, Sua Beatitude também se reunirá com o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone. O arcebispo e sua comitiva manterão também encontros com o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch. Antes de deixar Roma, no próximo dia 30 de março, o Arcebispo Crisóstomo II vai se encontrar com o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, com o Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Cardeal Gianfranco Ravasi, e com o Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran. (SP)


SANTA SÉ ESTARÁ PRESENTE EM CÚPULA SOBRE A LÍBIA


◊ Londres, 28 mar (RV) - O Núncio Apostólico em Londres, Dom Antonio Mennini, participará amanhã, como Observador, da reunião do grupo de Contato que reunirá mais de 35 chefes da diplomacia na capital inglesa para discutir sobre as operações militares na Líbia. A notícia foi antecipada ontem pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, e hoje é confirmada pelo Ministério do Exterior britânico, que anunciou a presença também do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e do presidente da União africana, Jean Ping. O encontro contará com a participação de nações não envolvidas nas ações militares, reunindo “um amplo leque de nações e organizações comprometidas por um futuro melhor para o povo líbio” – revela Pe. Lombardi. Entretanto, após oito dias das operações da coalizão internacional, o secretário-geral da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, declarou que os EUA já repassaram à Aliança o controle total da missão que implementa a resolução 1973, aprovada pelas Nações Unidas. Enquanto isso, aeronaves das potências intensificaram bombardeios à capital Trípoli e a Sirte, cidade natal de Kaddafi. “Os aliados da OTAN decidiram assumir a operação militar na Líbia por completo, sob a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nosso objetivo é proteger os civis e as áreas populadas por civis ameaçados pelo regime de Kaddafi. A OTAN implementará todos os aspectos da resolução da ONU. Nada mais, nada menos” - disse Rasmussen. Por outro lado, o chanceler da Itália, Franco Frattini, adiantou ontem a possibilidade de que Roma e Berlim proponham um plano conjunto para uma solução diplomática da crise líbia na cúpula de amanhã em Londres.



ESPERANÇAS DO VIGÁRIO APOSTÓLICO EM TRÍPOLI, NA VIGÍLIA DA CONFERÊNCIA DE LONDRES


◊ Cidade do Vaticano, 28 mar (RV) - O apelo ao diálogo lançado pelo Papa no Angelus deste domingo não deixou de repercutir na Líbia. De fato, Bento XVI manifestou preocupação com a incolumidade dos civis exortando as partes a tomarem o caminho diplomático. Para uma reflexão sobre as palavras do Pontífice, a Rádio Vaticano entrevistou o Vigário Apostólico em Trípoli, Dom Giovanni Innocenzo Martinelli. Eis o que disse: Dom Giovanni Innocenzo Martinelli:- "Em primeiro lugar, na comunidade cristã há muita esperança de que a palavra do Papa possa ser verdadeiramente ouvida pelos políticos e por quem tem responsabilidade neste contexto. Era a palavra que nós esperávamos e seguramente o Papa interpretou o desejo de todos os homens que trabalham neste país. Na manhã desta segunda-feira entreguei ao protocolo, às autoridades líbias e ao escritório islâmico da Islamical Society a nota dessa mensagem do Papa, para mostrar como o Santo Padre, a Santa Sé e a Igreja estão atentos ao que acontece na Líbia. Junto à oração chega também a mensagem de interpretar a voz daqueles que sofrem. É uma mensagem que se deve fazer chegar a quem tem poder e responsabilidade." P. Qual tem sido a reação das instituições líbias? Dom Giovanni Innocenzo Martinelli:- "É difícil dizê-lo neste momento, porque não temos, ainda, reações imediatas. A referida nota foi entregue na manhã desta segunda-feira e, mesmo assim, me parece que está tendo – daquilo que eu pude perceber – uma repercussão positiva. O Papa se interessa pela paz num contexto árabe muçulmano: isso me parece uma coisa muito bonita. É algo que vai além de todas as interpretações que podem ser feitas. Ademais, trata-se de uma palavra muito equilibrada e muito atenta e me parece que – como sinal e como modo – respeite e não interfira na política ou em outros aspectos, mas que interprete perfeitamente o ânimo desse povo que sofre." P. Nesta terça-feira terá lugar a Conferência internacional de Londres sobre a situação na Líbia: quais são as esperanças de vocês? Dom Giovanni Innocenzo Martinelli:- "Faço votos de que não somente a Europa, mas também a União Africana possa tomar parte desses concertos políticos, porque a União Africana tem um papel importante e uma ascendência sobre a Líbia e sobre Muammar Kadhafi, e, portanto, deixa-la de lado significa de certo modo não dar peso ao papel da Líbia na história de hoje da África. A União Africana já ressaltou que qualquer coisa, sem essa realidade africana, torna incompleta as instâncias e as decisões." P. Como se vive nestas horas em Trípoli? Dom Giovanni Innocenzo Martinelli:- "Há calma e expectativa: após a noite de bombardeios, embora não diretamente sobre Trípoli, mas fora da capital, o ânimo é de inquietação. Há fila nos postos de abastecimento de combustível, fila nas padarias, fila nos estabelecimentos alimentícios para comprar o necessário... Há uma dificuldade generalizada, uma tristeza. De fato, percebe-se a tristeza no rosto das pessoas, porque jamais foi assim. Sente-se agora toda a exasperação por não poder resolver essa situação, e não se vê, ainda, como se possa resolver..." (RL)



BISPOS DO NORTE DA ÁFRICA DIZEM "NÃO À GUERRA" E FAZEM DELES O APELO DO PAPA


◊ Rabat, 28 mar (RV) - "Os bispos do norte da África (Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia), que se encontram diante de processos de evolução histórica que dizem respeito aos países árabes e especialmente ao Magrebe, desejam reafirmar seu premente apelo a fim de que para esse doloroso conflito seja encontrada uma solução justa e digna para todos. Por isso se unem ao apelo lançado no Angelus deste domingo por Bento XVI" – afirma um comunicado enviado à agência missionária Fides, assinado pelo Arcebispo de Rabat, no Marrocos, e Presidente da Cerna (Conferência Episcopal da Região do Norte da África), Dom Vincent Landel. Os bispos da Cerna reconhecem que nos recentes eventos que se têm verificado nos países do Magrebe há "uma reivindicação legítima de liberdade, de justiça e de dignidade, especialmente por parte das jovens gerações. Essa reivindicação se traduz na vontade de serem reconhecidos cidadãos responsáveis, buscando a possibilidade de se encontrar um trabalho que lhes permita viver decentemente, excluindo toda forma de corrupção e de clientelismo". "Hoje – continua o comunicado – esse vento de mudança atravessa a Líbia. E nós nos unimos de modo particular aos nossos irmãos bispos em Trípoli e Bengasi, e a todas as populações do país." Também os bispos do Norte da África reafirmam a oposição à violência e à guerra: "Sabemos que a guerra não resolve nada e, quando deflagra, é igualmente incontrolável quanto a explosão de um reator nuclear! As primeiras vítimas são sempre os mais pobres e os menos favorecidos". "Ademais – continuam – queiramos ou não, a guerra no Oriente Médio, e agora no Magrebe, será sempre interpretada como "uma cruzada". E isso terá conseqüências inevitáveis nas relações de convivência que cristãos e muçulmanos entrelaçaram e continuam entrelaçando no cotidiano." Os bispos da Cerna pedem uma mediação diplomática e lançam um apelo por uma ajuda humanitária. "Rezemos ao Altíssimo a fim de que inspire os responsáveis pelas nações a encontrar o caminho que conduza à Justiça e à Paz" – conclui o comunicado. (RL)



EUA: LIVRO DO PAPA VENDE 90 MIL CÓPIAS EM UMA SEMANA


◊ Nova York, 28 mar (RV) - Nos Estados Unidos, o livro do Papa Bento XVI “Jesus de Nazaré: Da Entrada a Jerusalém até a Ressurreição” vendeu 90.000 exemplares apenas na primeira semana, de 11 a 18 de março. Com isso, já está incluído na lista dos dez “best-sellers” (mais vendidos) do mês, publicada pelo jornal New York Times. O livro é a continuação de “Jesus de Nazaré: Do Batismo no Jordão até a Transfiguração”, primeira obra escrita por Bento XVI depois de sua eleição em abril de 2005. O novo, segundo de uma trilogia, analisa e reflete sobre os últimos dias da vida do Jesus: sua chegada a Jerusalém, a purificação do Templo, seu discurso escatológico, a Última Ceia, a oração e a detenção no Jardim de Getsêmani, seu julgamento, a crucificação, a sepultura e a ressurreição. Lançado em 24 línguas, no Brasil será publicado pela editora Planeta. Em Portugal, a editoria Principia já o reimprimiu 3 vezes, tendo vendido 35 mil cópias.



LIVRO EXPLICA JPII ÀS CRIANÇAS


◊ Roma, 28 mar (RV) - Na Itália, um livro vai explicar pela primeira vez às crianças quem foi João Paulo II: “O amigo Karol. João Paulo II, sua vida narrada às crianças” lançado na iminência de sua beatificação, em 1º de maio, em Roma. O volume será rico de ilustrações a cores e escrito em uma linguagem simples e direta para contar a crianças e jovens, definidos pelo Pontífice como “os pequenos amigos de Jesus” a sua adolescência, os horrores do nazismo e do regime stalinista, além da vocação, do Concílio, da eleição à Sé pontifícia e os anos do pontificado, até a morte, em 2 de abril de 2005. Justamente o amor manifestado por Karol Wojtyla pelas crianças, visivelmente retribuído por elas, é o tema do livro, como ressalta também o secretário do pontífice, Stanislav Dziwisz, no prefácio. O atual bispo metropolitano de Cracóvia lembra que em dezembro de 1994, Ano dedicado à Família, João Paulo II dedicou às crianças uma Carta pastoral, num gesto único na história da Igreja. “Queridas crianças, escrevo-lhes pensando em quando, muitos anos atrás, eu era uma criança como vocês. Na época, também se vivia um clima de serenidade no Natal, e quando a estrela de Belém brilhava, eu ia correndo ao presépio com meus amigos”.


AOS 88 ANOS, MORRE TEÓLOGO PE. JOSÉ COMBLIN


◊ Salvador, 28 mar (RV) - O teólogo Padre José Comblin, de 88 anos, morreu na manhã deste domingo, 27, no interior da Bahia, onde ministrava um curso para comunidades de base. Segundo Padre José Oscar Beozzo, Padre Comblin levantou-se cedo, tomou banho, aprontou-se, mas não apareceu para a oração da manhã. Procuram-no e o encontraram-no sentado no quarto e já morto. “Perdemos um mestre e um guia inquieto e exigente como os velhos profetas, denunciando sempre nossas incoerências na fidelidade aos preferidos de Deus: o pobre, o órfão, a viúva, o estrangeiro. Trabalhou por uma Igreja profética a serviço destes últimos nas nossas sociedades” - lamenta padre Beozzo. Nascido em Bruxelas, na Bélgica, em 1923, Comblin foi ordenado padre em 1947. Fez doutorado em teologia pela Universidade Católica de Louvaina e chegou ao Brasil em 1958. Em Recife, a convite de Dom Helder Câmara, foi professor no Instituto de Teologia do Recife. Expulso do Brasil em 1971 pelo regime militar, Padre Comblin exilou-se no Chile durante oito anos, de onde também foi expulso em 1980 pelo general Pinochet. Voltando ao Brasil, foi morar na Paraíba, em Serra Redonda. Estudioso da Igreja da América Latina, escreveu obras como a "Teologia da Enxada", uma corrente teológica surgida em 1969 na Igreja Católica do Nordeste do Brasil que tem como base a reflexão a partir da vivência cristã e teológica nas comunidades pobres. Ele estava escrevendo um livro sobre a relação entre religião e Evangelho. Atualmente morava em Barra, na Bahia. Seu corpo é velado hoje em Salvador, e de acordo com vontade manifestada aos amigos, Padre Comblin será sepultado no Santuário do Padre Ibiapina, localizado em Santa Fé, povoado que faz parte do município de Solânea, na Paraíba.



IGREJA EM EL SALVADOR PEDE DEVOÇÃO A DOM ROMERO


◊ São Salvador, 28 mar (RV) – A Igreja Católica salvadorenha convidou ontem seus fiéis a contribuir no processo de canonização do Arcebispo Óscar Arnulfo Romero com testemunhos de milagres ou de ajudas concedidas e difundir a devoção pessoal do bispo. “Se abundarmos com testemunhos e orações privadas, este aspecto pode ser decisivo para a decisão da Santa Sé” – declarou o atual Arcebispo de São Salvador, Dom José Luis Escobar Alas, na coletiva que costuma conceder depois da Missa dos domingos. “Estamos felizes pelos reconhecimentos públicos por parte do Presidente dos EUA, Barak Obama, e da ONU, mas para a canonização, o que mais conta é o testemunho de fé das pessoas que receberam graças e milagres, e estamos precisando disso” – admitiu. O Arcebispo aludiu à visita realizada por Obama ao túmulo de Romero no dia 22 de março, no âmbito de sua estada em El Salvador e dois dias antes do 31º aniversário do assassinado do bispo, e à escolha da data, pelas Nações Unidas, como Dia Internacional do Direito à verdade. Dom Óscar Romero foi assassinado quando celebrava a missa, em 24 de março 1980, por um atirador de elite do exército salvadorenho, treinado na Escola das Américas. Conhecido pelos salvadorenhos como “São Romero da América”, é recordado por denunciar de seu púlpito as injustiças dos anos precedentes à guerra civil vivida em El Salvador entre 1980 e 1992. Em 1994, foi aberto o processo de canonização de Dom Romero em San Salvador. Após superar a etapa diocesana, em 1997 chegou à Congregação para as Causas dos Santos, em Roma, que se encarrega de fazer o estudo. “Nesta fase, o processo é privado e deve haver um ambiente favorável para aprofundar o tema” – explicou Dom Escobar Alas, justificando o porquê não se conhecem os detalhes do caso. “Por isso, é preciso difundir a devoção pessoal por Dom Romero, já que não se pode fazer culto público, não permitido pela Igreja.



BISPOS AFRICANOS E ALEMÃES DISCUTEM IMIGRAÇÃO AFRICANA NA EUROPA


◊ Munique, 28 mar (RV) – Os bispos alemães e uma delegação do Simpósio da Conferência Episcopal da África e Madagascar (SECAM) abriram hoje, 28 de março, em Munique, (República Federal alemã) um encontro de trabalho sobre migração, com especial refrência aos imigrantes africanos na Europa. São quinze participantes de cada lado. Segundo comunicado enviado a Agência Fides, os temas em discussão são: o contexto e as causas da imigração africana na Alemanha; o quadro legal e político da política europeia sobre imigração; o impacto da emigração africana e suas consequências sociais e economicas; a Igreja a serviço dos imigrantes africanos na Alemanha. Os bispos encontrarão alguns representantes do governo alemão e o Presidente da República Federal Alemã.



CHINA: COM O VIVER A QUARESMA


◊ Hang Zhou , 28 mar (RV) - As comunidades católicas da China, no âmbito das várias dioceses, entraram no coração da preparação quaresmal para a Páscoa, em comunhão com a Igreja em todo o mundo. De 14 a 19 de março último, os sacerdotes da diocese de Hang Zhou, na província de Zhe Jiang, se reuniram em um retiro sobre o tema “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. No dia da conclusão, que coincidiu com a Solenidade de São José, foi celebrada uma solene Eucaristia durante a qual os religiosos confirmaram o seu compromisso missionário. A agência Fides informa ainda sobre muitas outras iniciativas que foram realizadas no grande país asiático: na Diocese de Yi Bin, por exemplo, província de Si Chuan, a congregação diocesana convocou um retiro de um mês de preparação não só para a Ressurreição do Senhor, mas também para a festa da Anunciação do Senhor, que se celebrou no sábado. Os membros da Comunidade da piscina de Siloé, na diocese de Wen Zhou, província de Zhe Jiang, seguiram durante cinco dias os ensinamentos de sacerdotes e das religiosas das Pequenas Irmãs de Santa Teresa, que os guiaram em uma reflexão sobre o tema “A Sagrada Escritura com você, comigo e com todos nós”. A comunidade, fundada em 2002, conta hoje 300 membros ativos, especialmente nas áreas de evangelização, da adoração comunitária, da pregação e da música sacra. Retiro espiritual também para os fiéis do distrito de Lin Feng, província de Si Chuang, sobre o tema “Conhecer a Misericórdia de Deus na vida cotidiana e converter-se de modo autêntico”.



PAQUISTÃO: BHATTI, MÁRTIR DA FÉ


◊ Islamabad, 28 mar (RV) - A Conferência Episcopal do Paquistão decidiu em reunião que se concluiu sexta-feira última, apresentar um pedido oficial à Santa Sé para proclamar “mártir da fé e protetor da liberdade religiosa” Shahbaz Bhatti, o ministro paquistanês para as Minorias religiosas assassinado no último dia 2 de março por causa de suas batalhas contra a leis da blasfêmia em vigor no país. A agência Fides destaca que o pedido foi aprovado por unanimidade, e foi apresentado pelo Bispo de Multan e representante para o Diálogo Inter-religiso, Dom Andrew Francis, que recordou em particular o autêntico testemunho de fé do expoente político que chegou a dar a vida por sua missão. Na segunda semana de abril, além disso, os bispos se reunirão em Islamabad, para recordar Bhatti, 40 dias após a sua morte. Sobre a difícil situação das comunidades cristãs no Paquistão, ao invés, os bispos escreveram uma Carta pastoral que será divulgada em todas as igrejas a partir do próximo dia 3 de abril, na qual incentivam os cristãos “a manterem viva a chama da esperança”. A Assembléia dos bispos foi marcada por algumas más notícias como o assassinato de dois cristãos em Hyderabad e pela queima do Alcorão ocorrida nos Estados Unidos. (SP)

domingo, 27 de março de 2011

PAPA VISITA LOCAL DE MASSACRE NAZISTA EM ROMA


◊ Roma, 27 mar (RV) - Bento XVI saiu esta manhã do Vaticano e foi de automóvel até o lugar de Roma conhecido como “Grutas Ardeatinas”, onde em 24 de março de 1944 tropas nazistas fuzilaram 335 pessoas. Cerca de dois meses antes, um ataque a bomba da resistência italiana a um QG do Exército nazista de ocupação causara a morte de 33 soldados alemães. Como represália Hitler ordenou, pessoalmente, o fuzilamento de 10 civis por cada alemão morto. No mausoléu, o papa foi recebido por familiares das vítimas, pelo Cardeal-vigário, Agostino Vallini, e pelo arcipreste emérito da Basílica de São Paulo, Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, filho do coronel comandante da Resistência militar de Roma que foi morto no massacre. Dentre os executados, todos homens, estava também o Padre Pietro Pappagallo, preso por oferecer ajuda a romanos, judeus e pessoas procuradas pelo regime. Assim como outras vítimas, ele estava detido no cárcere romano de Regina Coeli após ter sido delatado por um espião nazista. Para a execução, foram tiradas 260 pessoas de prisões romanas, e para completar o número exigido, os carrascos sequestraram 75 judeus escolhidos a esmo no gueto da cidade, incluindo dois meninos de 15 anos. Depois de saudar todas as autoridades civis e religiosas presentes, o Santo Padre depôs uma cesta de flores diante da lápide que recorda o massacre. Em seguida, dentro do memorial, Bento XVI se ajoelhou e rezou em silêncio diante dos jazigos. Neste momento, o rabino-chefe de Roma, Prof. Riccardo Di Segni, rezou em hebraico o salmo 129 De profundis, seguido pelo Papa, que por sua vez proferiu uma oração e o Salmo 23. Ao deixar o local, Santo Padre assinou o livro dos visitantes e já no exterior do memorial, proferiu seu discurso. Bento XVI começou recordando um escrito da parede de uma cela de tortura de antifascistas, em Roma: “Creio em Deus, na Itália, na ressurreição dos mártires e dos heróis; creio no renascimento da pátria e na liberdade do povo”. Estas palavras foram escritas por um prisioneiro desconhecido durante a ocupação nazista e demonstram – disse Bento XVI – que o espírito humano permanece livre mesmo nas condições mais duras. A expressão tocou o Papa porque afirma a primazia da fé, que infunde confiança e esperança na Itália e em seu futuro. “O que aconteceu neste lugar – frisou – foi uma gravíssima ofensa a Deus, porque é a violência deliberada do homem contra o homem. É o efeito mais execrável da guerra, de toda guerra, enquanto Deus é vida, paz e comunhão”. Naquele momento, tão trágico e desumano, este Credo era uma invocação ainda mais alta, como a de Jesus na cruz: “Pai, a tuas mãos entrego meu espírito”. “Ali está a garantia da esperança; a possibilidade de um futuro diverso, livre do ódio e da vingança, um futuro de liberdade e de fraternidade para Roma, a Itália, a Europa, o mundo”. Bento XVI recordou que em 1965, Paulo VI visitou o memorial e em 1982, foi a vez de João Paulo II. “Como bispo de Roma, cidade consagrada pelo sangue dos mártires do Evangelho do Amor, vim aqui homenagear estes irmãos assassinados tão perto das antigas catacumbas” – disse. Outro episódio citado pelo Papa foi um papel, encontrado sucessivamente, em que um dos mortos escrevera: “Meus Deus, grande Pai, rezamos para que possa proteger os judeus das bárbaras perseguições. Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai”. Bento XVI sublinhou que a qualquer povo pertença, o homem é filho do Pai que está no céu, é irmão de todos em humanidade. “É preciso acreditar no Deus do amor e da vida e rejeitar qualquer outra falsa imagem divina que trai o seu santo Nome e consequentemente, trai o homem feito à Sua imagem. Neste “doloroso memorial do mal mais horrendo”, o Papa convidou todos a “dar as mãos como irmãos e dizer: “Pai nosso, acreditamos em Ti e com a força de teu amor queremos caminhar juntos, no mundo inteiro”.



NO ANGELUS, PAPA PEDE QUE ENCONTREMOS TEMPO PARA REZAR


◊ Cidade do Vaticano, 27 mar (RV) - Neste terceiro domingo de Quaresma, em que a liturgia recorda o célebre diálogo de Jesus com a Samaritana, o Papa pediu aos fiéis que “encontrem um tempo para rezar, pois Jesus está nos esperando”. “O cansaço de Jesus, encontrado pela Samaritana à beira do poço, é o verdadeiro sinal de sua humanidade, é um prelúdio da paixão”. Explicando o trecho do Evangelho de João, Bento XVI falou da “sede de Cristo” e do valor simbólico da água, que “alude claramente ao sacramento do batismo”. “Cada um de nós – convidou – pode se sentir como a Samaritana”: “Quem renasce da água e do Espírito Santo, ou seja, no Batismo, começa um relacionamento real com Deus, uma relação filial, e pode adorá-lo em espírito e verdade, assim como o revela Jesus à Samaritana. Com efeito, somente graças ao encontro com Jesus Cristo e ao dom do Espírito Santo, a fé do homem se realiza completamente, em resposta à plenitude da revelação de Deus”. A este ponto, o papa pediu a todos que entrem em contato com Jesus através da oração: “Jesus nos espera, especialmente neste tempo de Quaresma, para falar ao nosso coração. Paremos um momento em silêncio – prosseguiu – em nosso quarto, ou em uma igreja, ou em um lugar afastado, e ouçamos a sua voz que nos diz: Se conhecesse o dom de Deus... Que Nossa Senhora nos ajude a não faltar a este encontro, do qual depende a nossa verdadeira felicidade”. Após rezar a oração dominical do Angelus, o papa dirigiu saudações aos grupos presentes, em várias línguas. Em português, estas foram as palavras do Pontífice: “Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, em particular a comunidade romana dos fiéis brasileiros, que está realizando a sua peregrinação quaresmal, e os alunos e professores do Colégio de São Tomás em Lisboa, que recordam a minha Visita a Portugal do ano passado. Agradecido pela vossa presença e união na oração, desejo a todos a água viva que Jesus ofereceu à Samaritana, dizendo-lhe que a mesma se torna uma fonte que jorra para a vida eterna. Que Deus vos guarde e abençoe!”.



PAPA: "DIÁLOGO IMEDIATO PARA CALAR AS ARMAS"


◊ Cidade do Vaticano, 27 mar (RV) - Bento XVI pediu às organizações internacionais e a todos que têm responsabilidades políticas e militares na situação da Líbia que iniciem imediatamente um diálogo para suspender o uso de armas. O pontífice disse que estão aumentando seu temor pela segurança e integridade do povo líbio e apreensão pelo andamento da situação, marcada pela utilização de armas. Falando a 50 mil peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, após a oração do Angelus, Bento XVI alertou para as notícias cada vez mais dramáticas que chegam da Líbia, na sequência dos combates entre defensores e opositores do regime de Muammar Kadhafi. “Nos momentos de maior tensão, torna-se mais urgente a exigência de recorrer a todos os meios de que a diplomacia dispõe e apoiar até mesmo pequenos sinais de abertura e de desejo de reconciliação entre as partes envolvidas, na busca de soluções pacíficas e duradouras” - disse Bento XVI. No intento de travar a repressão militar da revolta lançada contra o regime do líder Muammar Kadafi, (no comando do país desde a revolução de 1969), os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro. Contudo, mais de um mês depois, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas. Em 19 de março, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país e menos de 48 horas depois, começou a ofensiva da coalizão com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos e apoio logístico italiano. Depois de pedir o regresso à concórdia na Líbia e em toda a região do norte de África, Bento XVI revelou sua preocupação pelo prosseguimento dos conflitos no Oriente Médio: “Meu pensamento dirige-se às autoridades e cidadãos do Oriente Médio, onde nos últimos dias se verificaram diversos episódios de violência, a fim de que seja privilegiado o caminho do diálogo e da reconciliação, na busca de uma convivência justa e fraterna”. O padre Hélio Luciano, da Arquidiocese de Florianólis, estava na Praça São Pedro, e falou com a Rádio Vaticano sobre o apelo do papa.



REFLEXÃO PARA O III DOMINGO DA QUARESMA


◊ Cidade do Vaticano, 27 mar (RV) - Em nossa vida, quando tudo vai de acordo com os nossos desejos, ficamos alegres, contentes e cordatos. Mas basta acontecer algo que não estava planejado, ou melhor, faltar algo com que contávamos, para que nossa alegria desapareça e comecemos a duvidar de tudo, inclusive daquela pessoa que proporcionou e continua nos proporcionando esses bens. Assim aconteceu com o povo judeu após a libertação do Egito. Enquanto caminhavam rumo à terra prometida, a água veio a faltar. A reação foi tamanha que esqueceram as maravilhas que o Senhor havia operado em favor deles e até chegaram a desconfiar da fidelidade de Deus. Apesar dessa atitude, o Senhor continua fazendo o bem ao povo e providencia a água. Podemos neste momento, fazer um exame de consciência de nossa vida. O Senhor nos deu a vida, nos alimenta, nos deu família, saúde e uma infinidade de bens, sejam espirituais ou materiais. Qual o nosso comportamento quando algo nos falta? Continuamos a nos sentir o centro do amor de Deus, ou nos esquecemos tudo o que Ele nos presenteou e só estamos atentos àquilo que nos falta? No Evangelho, a samaritana vai atrás da água para matar sua sede. Jesus, também. É meio-dia! Lembremo-nos que alguns meses mais adiante, nessa mesma hora, Jesus dirá que tem sede. Será do alto da cruz. A samaritana escutando Jesus, diz desejar da água que ele lhe oferece, para que todas as suas necessidades sejam saciadas e ela não precise mais vir ao poço. Jesus continua a conversa e a samaritana, entendendo sua proposta, dá um salto qualitativo e deseja a água viva, aquela que irá aplacar não seus desejos limitados, mas a que irá saciar seus desejos de eternidade. Ele fala da nova vida que nos dará através de sua morte e ressurreição, assumida por nós nas águas batismais. São Paulo, em sua carta aos Romanos, nos diz que a saciedade que ansiamos é um dom de Deus, já usufuruído aqui nesta vida, é o dom do Espírito Santo, o Amor de Deus derramado em nossos corações. Essa é a água que nos sacia, sem a qual não poderemos viver.



ALEMANHÃ PROTESTA CONTRA USINAS NUCLEARES. O APOIO DA IGREJA CATÓLICA


◊ Berlim, 27 mar (RV) - Nas quatro maiores cidades da Alemanha, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas ontem em protesto contra o uso da energia nuclear. Em concentrações populares em Berlim, Hamburgo, Munique e Colônia, manifestantes exigiram a desativação imediata de todos os reatores nucleares do país. Os protestos foram realizados sob o lema: "Fukushima adverte: chega de usinas nucleares". Segundo a agência Deutsche Welle, só em Berlim calcula-se que 90 mil pessoas participaram das manifestações. Os protestos também foram apoiados pelas Igrejas Católica e Evangélica, sindicatos, artistas e políticos da oposição. Pouco antes do início da manifestação, o porta-voz da organização Ausgestrahlt, Jochen Stay, disse que a ação é apenas o começo de um "forte movimento antinuclear". "Nós não vamos mais dar sossego, até que as usinas nucleares sejam definitivamente desativadas" - disse Stay. Os manifestantes exigem que o governo alemão deixe de representar os interesses das empresas de energia nuclear para "ouvir a população, que não está mais disposta a assumir os riscos da energia atômica". O Rio de Janeiro também programa para este domingo uma manifestação que deve reunir cerca de mil pessoas em uma corrente humana para abraçar a orla em protesto contra o uso da energia nuclear.


© Rádio Vaticano 2011

domingo, 13 de março de 2011

REFLEXÃO PARA O I DOMINGO DA QUARESMA

◊ Cidade do Vaticano, 13 mar (RV) - Começamos a Quaresma com um texto que nos possibilita refletir sobre o projeto de Deus a respeito do ser humano. O livro do Gênesis nos apresenta o homem sendo criado como o ponto alto de toda a criação, como imagem e semelhança de Deus. Exatamente por isso ele deverá proceder como superior a tudo e não deixar-se influenciar por nenhuma qualidade de qualquer coisa criada, deverá permanecer sempre livre!

É nesse exato momento que entra o a perversão do Mal ao provocar no homem o forte e imperioso desejo de experimentar a fruta proibida, ao ponto de apequenar-se cedendo às qualidades olfativas e visuais da fruta em detrimento da orientação do Criador.

Foi o primeiro ato em que o ser humano demonstrou que abria mão de sua liberdade para satisfazer seus instintos, sua curiosidade e, tragicamente, querer ser igual a Deus. Deixou de se reconhecer criatura, homem, vindo da terra, do humus e querendo, com seu próprio poder chegar a ser onipotente. O ser humano trocou a humildade pela soberba, eis o primeiro pecado.

No Evangelho, Jesus, o Homem Perfeito, a verdadeira imagem do Pai, vence o Mal ao manter-se submisso ao Pai e mostrar-se um homem livre. Não será a comida, a satisfação de suas necesidades biológicas que irá submetê-lo às propostas do Mal; nem a tentação do orgulho, da vaidade, do ser renomado, do ser famoso, do prestígio irá fazê-lo aceitar a imposição de Satanás e nem a sedução do poder o derrotará em sua fidelidade ao Pai.

Para nós, a ação de Jesus, sua postura, nos interpela quando em nossa vida somos tentados a satisfazer nossas necessidades naturais, nossos desejos de prestígio e nossa sede de poder. Olhemos para o Homem Perfeito, a Imagem Visível do Deus Invisível, e suas respostas serenas às perturbadoras tentações.

No trecho da Carta aos Romanos, São Paulo nos fala sobre os modos de vida de Adão e de Cristo. O primeiro, como vimos no início de nossa reflexão, mostrou-se fraco. Contudo, essa debilidade foi herdada por todos nós, seus descendentes. Somos conscientes de que titubeamos e fracassamos diante das tentações.

Em Cristo temos exatemente a realização da vocação da natureza humana, ser superior a tudo sendo imagem de Deus, sendo livre!

Mais ainda, não podemos comparar a graça de Deus ao pecado de Adão, nos fala o Apóstolo. Se “pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida em uma situação de pecado, assim também, pela desobediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça”, que é ser plenamente livre e plenamente unida a Deus. (CAS)


TENTAÇÕES E PROVAÇÕES

◊ Rio de Janeiro, 13 mar (RV) - Estamos no primeiro Domingo da Quaresma! Comentando sobre isso, o Papa Bento XVI, em sua Mensagem para a Quaresma diz que “o primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição de homem nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida.

É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma lua “contra os dominadores desse mundo tenebroso”, no qual o diabo é ativo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.”

Sabemos que o pecado é uma realidade que diz respeito à vontade do homem, porque depende da liberdade do consentimento do sujeito para o mal, ou ser dominador dele. Devido a isso, fazemos a distinção entre a tentação em si e a provação, dois elementos completamente diferentes, embora intimamente relacionados entre si. Com a tentação, quando consentida, é que um homem é levado para o pecado: o demônio, primeiro agente tentador, desfruta inicialmente da nossa concupiscência e, depois, da nossa fraqueza, negligência e fragilidade do ambiente que nos rodeia para induzir-nos a cometer diretamente o que não está em conformidade com a vontade de Deus.

O homem estará sempre sujeito às tentações, o que exigirá uma constante vigilância e mortificação dos sentidos e na orientação da vontade e, mesmo quem se dispõe a seguir o Senhor de modo mais próximo ou radical, é sujeito às vezes a tentações, às vezes, aparentemente mais fortes que os outros, "Filho, se serves ao Senhor, prepara-te para a provação" (Eclo 2, 1).

A tentação ao pecado é cativante e sedutora, apresenta garantias e vantagens imediatas para as quais aparentemente somos levados a consentir. Todas as provações são aliviadas pela graça do Senhor, que nos concede também a força para superá-las, e não são mais desproporcionadas às nossas possibilidades. Porém, elas também podem se tornar uma ocasião de pecado para nós se não tomarmos a interpretação correta. Por exemplo: doença grave ou morte absurda de um ente querido, piedoso e inocente como uma prova para todos e um grande motivo de tristeza. Nessa circunstância de provação, somos chamados a nos fundamentar na fé para enraizar-nos na esperança, cultivando a serenidade olhando além das aparências do imediato, drástico e doloroso, voltando o olhar para Deus, que espera a nossa correspondência a esse respeito.

Quem cede à fraqueza, ao desânimo obsessivo e ao desconforto, pode chegar ao desespero e à desconfiança, com a consequência da negligência da própria fé, até a duvidar da existência de Deus A queda no pecado que se segue pode ser de vários tipos.

Tentações e provações estão na ordem do dia no nosso itinerário de perfeição espiritual e constituem a razão da luta contínua nos propósitos de conversão e penitência, que nas últimas semanas tem sido sugerido no tempo litúrgico da Quaresma: aqueles que tendem a optar exclusivamente para o Senhor, abandonando as seduções do mundo e as promessas sedutoras do pecado, sempre sabem as astutas ciladas do Tentador que, de muitas maneiras e em diferentes formas e tamanhos, tendem sempre a desviar a nossa atenção de Deus. E qual é a mais tentadora que atrai o homem do que o descrito na primeira leitura da liturgia de hoje?

Que mais sedutora tentação para o homem do que querer ser "como Deus" (como aparece na tentação da serpente ao homem)? O homem que se eleva à categoria de divindade, na tentativa de tomar controle de sua pretensa onipotência, a teimosia e a presunção de competências que não pertencem à sua natureza e a vontade de poder desproporcionado sobre si mesmo e sobre a massa. E assim é a tentação do homem moderno – tende a suplantar a Deus através das presunções de onipotência e autoafirmação, que resultam em escolhas ilógicas e imorais, antes de tudo a busca do poder, do sucesso e lucro desproporcional, muitas vezes em detrimento de outros homens e até mesmo de populações inteiras.

Mas, se a situação de Adão nos mostra uma tipologia de homem que sucumbe às tentações e está apto a ceder às insinuações do pecado, a experiência de Jesus, tentado no deserto em uma condição de extrema precariedade e de pobreza, mostra-nos que, embora expostos a tentações, podemos exercitar com sucesso a nossa superioridade e a nossa força sobre tudo aquilo que nos apresenta como convidativo e com promessas imediatas e que, ao invés, torna-se perigosa e prejudicial para nós. Mas as atitudes de Jesus se tornaram oportunidades para aumentar sua comunhão com o Pai e abertura franca, livre e total em relação a Ele, e que agora se torna também motivo de vitória sobre o maligno.

Nosso Senhor Jesus Cristo é o único que pode servir como o novo Adão, colocando-se em oposição ao velho homem com os seus feitos, para nos convidar a viver o novo "para o pleno conhecimento, à imagem do seu Criador" (Cl 3, 10-11), e o faz mostrando em ser realizado na comunhão com o Pai e em obediência à Sua vontade em relação ao serviço dos outros. Em primeiro lugar humilhou-se da mesma maneira dos pecadores, e seu exemplo, sua humildade na disposição de se submeter à condição de menor que qualquer homem em uma posição de fraqueza, é emocionante e encorajador para todos nós que vivemos provações e tentações em uma condição muito mais rica do que o deserto de Judá.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


PECADO E RESTAURAÇÃO

◊ Juiz de Fora, 13 mar (RV) - O projeto de Deus é um projeto de vida. A vida se traduz, entre outras coisas, na justiça que gera a paz. Nesse caso, a serpente representa a tentação humana de se desviar do que é reto e bom e se deixar levar por interesses fugazes, que são agradáveis somente na aparência.

Jesus realiza a justiça do Reino vencendo a tentação da abundância, prestígio e poder. Podemos nós também vencer a tentação do acúmulo e do poder. Podemos realizar a justiça do Reino. Deus nos deu discernimento, sabedoria e fortaleza, só que, às vezes nos deixamos levar por nosso lado fraco.

O Apóstolo Paulo afirma que o Batismo é o nascimento para uma vida nova, pois é participação na morte e ressurreição de Jesus. Com isso, desaparece o “Adão”, marcado pela ganância e autossuficiência, para dar lugar à nova maneira de ver e sentir a vida humana, baseada na fraternidade e na justiça, que geram a paz.

O tempo da graça é infinitamente superior ao regime da escravidão e da morte, pois “não acontece com a graça o mesmo que acontece com a falta. Portanto, se pela falta de um só, todos morreram, com maior razão se espalhou sobre todos com abundância, a graça de Deus e o dom concedido em um só homem, Jesus Cristo”.

Cada um de nós traz Adão na sua carne. Ele é nosso pai, irmão e filho ao mesmo tempo, pois também nos deixamos submeter pela autossuficiência e ganância. Contudo, o Batismo, que é participação na morte e ressurreição de Jesus, fez de nós gente nova. Isso não é mérito nosso, é fruto da solidariedade de Jesus, que, com sua morte, justificou-nos, fazendo-nos passar da morte à vida.

A solidariedade de Jesus para conosco e a nossa para com Ele abriu o caminho para a fraternidade universal. Fraternidade sem justiça é mentira e paz sem justiça é impossível.

Podemos restaurar as nossas faltas, abandonando o velho homem, o “Adão” que existe em nós e seguindo o exemplo de Cristo, Nosso Redentor.

+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)


PROPOSTA DE DEUS E RESPOSTA DO HOMEM

◊ Campanha, 13 mar (RV) - Recebemos de Deus um “jardim” desenhado e projetado por Ele, um paraíso. Entretanto, onde havia ordem e harmonia, o pecado traz a desordem, quebra a harmonia e destrói esse “jardim”.

No mundo hodierno, do ter, do ser e do possuir, em detrimento a vida evangélica e a inserção comunitária, são tantos os sinais do pecado: o egoísmo, a destruição da vida das pessoas e do meio ambiente, o poder, a concentração de riquezas, a fome, a miséria, as guerras. Não há, porém, razão para desespero, pois, como diz São Paulo Apóstolo, “onde se multiplicou o pecado, aí superabundou à graça de Deus” (cf. Rm 5,20). Jesus, em sua incondicional obediência ao Pai, nos trouxe vida novamente.

Muitos homens e mulheres tiveram que conservar sua fidelidade ao Senhor vencendo provações e contratempos. Jesus, o Filho de Deus feito homem, também foi provado. Pautado na Palavra de Deus, Jesus vence a provação e manifesta sua total adesão e obediência ao Pai. Ele compreende que o caminho da libertação, querido por Deus, não passa pelos caminhos do poder, nem sagrado, nem político e muito menos miraculoso. O caminho é o do Servo Sofredor, do justo que morre por causa dos pecadores.
Se Jesus, o Filho de Deus, foi tentado, o que dizer de nós? A Quaresma é o tempo favorável de provação para nossa fidelidade ao plano de Deus. Como e com Jesus, orientados pela Palavra viva e eficaz, poderemos discernir, no meio de tantas vozes internas e externas, sinais do Reino e tudo o que o ameaça.

Escutando a Palavra de Deus, luz para os nossos passos, com o ouvido do coração, todas as nossas opções estarão de acordo com o querer de Deus e caminharemos na obediência ao projeto de vida e salvação, vencendo todo tipo de provação, como Jesus, que vence o diabo no deserto, aparece como “vencido” na cruz, mas finalmente torna-se vencedor na Páscoa.

Neste tempo favorável, de jejum, intensa oração, penitência e caridade, desejamos que nós possamos refletir sobre tudo isto, de coração aberto, a fim de que aprendamos a unir aos nossos bons pensamentos e ideais uma vontade firme de seguir os passos de Cristo porque Ele é o Caminho, a verdade e a vida.

Padre Wagner Augusto Portugal
Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)

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