Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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domingo, 24 de outubro de 2010

Papa e Santa Sé

BENTO XVI NO ENCERRAMENTO DO SÍNODO: A PAZ É POSSÍVEL

◊ Cidade do Vaticano, 24 out (RV) - Concluiu-se, neste domingo, a Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que teve como tema "A Igreja Católica no Oriente Médio: comunhão e testemunho". O Papa encerrou o evento presidindo a celebração eucarística na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Em sua homilia, Bento XVI ressaltou que durante o Sínodo os Padres Sinodais partilharam um forte momento de comunhão eclesial e acrescentou: "a Assembléia sinodal que hoje se encerra manteve sempre presente o ícone da primeira comunidade cristã, descrita nos Atos dos Apóstolos: "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma" (At 4, 32). É uma realidade experimentada nos dias passados, nos quais partilhamos a alegria e as dores, as preocupações e as esperanças dos cristãos do Oriente Médio. Vivemos a unidade da Igreja na variedade das Igrejas presentes naquela Região. Guiados pelo Espírito Santo, nos tornamos "um só coração e uma só alma" na fé, na esperança e na caridade, sobretudo durante as Celebrações Eucarísticas, fonte e cume da comunhão eclesial, como também na Liturgia das Horas, celebrada cada manhã em um dos 7 ritos católicos do Oriente Médio."

O Papa expressou o desejo de que tais experiências positivas se repitam também nas respectivas comunidades do Oriente Médio. "A oração comum nos ajudou também a enfrentar os desafios da Igreja Católica no Oriente Médio. Um desses desafios é a comunhão dentro de cada Igreja sui iuris, como também nas relações entre as várias Igrejas católicas de diferentes tradições. Uma mais plena comunhão dentro da Igreja Católica favorece também o diálogo ecumênico com as outras Igrejas e Comunidades eclesiais" – ressaltou Bento XVI.

O Santo Padre sublinhou que a Igreja Católica "reiterou também no Sínodo sua profunda convicção de continuar tal diálogo, para que se realize completamente a oração do Senhor Jesus 'para que todos sejam um' (Jo 17, 21)".

O Papa frisou que os cristãos no Oriente Médio são portadores da Boa Nova do amor de Deus pelo homem, amor que se revelou na Terra Santa, na pessoa de Jesus Cristo.

"Esta Palavra de salvação, fortalecida pela graça dos Sacramentos, é a única palavra capaz de romper o ciclo vicioso da vingança, do ódio, da violência. De um coração purificado, em paz com Deus e com o próximo, podem nascer propósitos e iniciativas de paz em nível local, nacional e internacional. Nesse trabalho, a cuja realização é chamada toda a comunidade internacional, os cristãos, cidadãos com todos os direitos, podem e devem dar a sua contribuição com o espírito das bem-aventuranças, tornando-se construtores de paz e apóstolos de reconciliação para o benefício de toda a sociedade" - frisou o Santo Padre.

Bento XVI ressaltou que "a paz, que é dom de Deus, é também o resultado dos esforços dos homens de boa vontade, de instituições nacionais e internacionais, especialmente dos Estados mais envolvidos na busca da solução dos conflitos. A paz é possível. A paz é urgente. A paz é a condição indispensável para uma vida digna da pessoa humana e da sociedade. A paz é também o melhor remédio para evitar a emigração do Oriente Médio".

"Rezemos pela paz na Terra Santa. Rezemos pela paz no Oriente Médio, comprometendo-nos para que tal dom de Deus oferecido aos homens de boa vontade se espalhe pelo mundo inteiro" – disse ainda o Papa.

Bento XVI frisou que outra contribuição que os cristãos podem dar à sociedade é a promoção de uma verdadeira liberdade religiosa e de consciência, um dos direitos fundamentais da pessoa humana que cada Estado deveria sempre respeitar.

"Ampliar esse espaço de liberdade se torna uma exigência para garantir a todas as pessoas pertencentes às várias comunidades religiosas a verdadeira liberdade de viver e professar a sua fé. Esse tema poderia se tornar objeto de diálogo entre cristãos e muçulmanos, diálogo cuja urgência e utilidade foram reafirmadas pelos Padres sinodais" – concluiu o Santo Padre. (MJ/SP)

PAPA NO ANGELUS: A IGREJA EXISTE PARA EVANGELIZAR


◊ Cidade do Vaticano, 24 out (RV) - O Santo Padre presidiu a oração mariana do Angelus deste domingo, na Praça São Pedro, no Vaticano, após a missa de encerramento do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio.

O Papa recordou que neste domingo a Igreja celebra o Dia Mundial das Missões sobre o tema "A construção da comunhão eclesial é a chave da missão".

O Santo Padre frisou que o tema do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio e o tema do Dia Mundial das Missões nos convidam a olhar a Igreja como mistério de comunhão. Recordando as palavras do Papa Paulo VI, Bento XVI disse que "a Igreja existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus, perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, memorial de sua morte e sua gloriosa ressurreição" .

Bento XVI anunciou que o próximo Sínodo que se realizará em 2012, terá como tema "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã". "Em todos os tempos e em todos os lugares – também no Oriente Médio – a Igreja está presente e trabalha para acolher toda pessoa e oferecê-la em Cristo, a plenitude da vida" – disse o Papa que acrescentou: "a tarefa missionária não é revolucionar o mundo, mas transfigurá-lo, buscando a força em Jesus Cristo que nos chama à mesa de sua Palavra e da Eucaristia, para saborear o dom de sua presença, formar-nos em sua escola e viver sempre mais conscientemente unidos a Ele, Mestre e Senhor."

O Papa confiou aos cuidados da Virgem Maria, que de Jesus Crucificado recebeu a nova missão de ser Mãe de todos aqueles que querem crer Nele e segui-lo, as comunidades cristãs do Oriente Médio e todos os missionários do Evangelho. A seguir, concedeu a todos a sua bênção apostólica.

Após a oração mariana do Angelus, o Papa saudou, em várias línguas, os fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.

O Santo Padre saudou particularmente os fiéis peruanos e de outros países latino-americanos da Irmandade do Senhor dos Milagres que vivem em Roma.

"Neste domingo a Igreja celebra o Dia Mundial das Missões. Convido todos vocês a pedirem ao Senhor por aqueles que entregaram generosamente suas vidas à causa da evangelização dos povos, em meio a tantas dificuldades. Rezemos para que nunca lhes falte o nosso apoio espiritual e material no desempenho de sua tarefa apostólica" – concluiu Bento XVI. (MJ)


DIA MUNDIAL DAS MISSÕES: TESTEMUNHAR A ESPERANÇA CRISTÃ


◊ Cidade do Varicano, 24 out (RV) - "Como católicos, temos a grande responsabilidade, por causa de nosso batismo, de determinar uma mudança em favor do bem de nosso mundo. Para isso, devemos tomar consciência da necessidade de levar adiante esta transformação antes de tudo em nós mesmos, e sucessivamente em nossas comunidades paroquiais locais."

É o que o Santo Padre nos pede em sua mensagem para o Dia Mundial das Missões, celebrado neste domingo, sobre o tema "A construção da comunhão eclesial é a chave da missão".

O Santo Padre ressalta que cada um de nós deve enriquecer a própria vida com uma consciência sempre maior do amor incondicionado de Deus por nós e por sua experiência, que transforma nossas vidas. "Por meio de nós, a sociedade, sempre mais fragmentada, pode ser transformada numa comunhão eclesial. Podemos fazê-lo com uma contribuição ativa e criativa no âmbito da comunidade e envolvendo os outros, para que juntos possamos promover um novo humanismo, fundado no Evangelho de Jesus" – frisa o Papa.

Bento XVI sublinha que hoje, as pessoas estão à procura de algo diferente na confusão cotidiana do mundo e muitas delas querem ver Jesus. "Como comunidade cristã, podemos e devemos testemunhar a nossa esperança, que não se pode realizar de modo crível sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral" – disse o Santo Padre.

Na mensagem o Papa agradece aos missionários pelo seu testemunho e pede a todos nós para contribuirmos na realização de uma "renovação integral e abrirmo-nos sempre mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de cada pessoa, povo, cultura, raça e nacionalidade". (MJ)


Formação


REFLEXÃO PARA O 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM


◊ Cidade do Vaticano, 24 out (RV) - A parábola que o Senhor nos relata neste domingo, fala de dois homens que vão rezar no Templo de Jerusalém. Um é fariseu e outro, publicano.

O primeiro era uma pessoa honesta e íntegra. Fazia até mais do que era prescrito. Contudo, isso lhe provocava um certo orgulho, uma certa vaidade e, ao mesmo tempo, um desprezo pelos pecadores.

O segundo, o publicano, era um cobrador de impostos incorreto, oprimia os pobres e a Lei o obrigava, para se redimir, o pagamento de uma soma exorbitante, praticamente impossível de ser realizado. No entanto, o Senhor diz que a oração do publicano foi ouvida e a do fariseu, não. Por que?

Jesus não está se referindo ao comportamento moral dos dois. Nesse caso, é claro, que o fariseu deveria ser elogiado e o publicano, condenado.

Jesus nos ensina nesta parábola que a grande falha do fariseu foi atribuir sua vida honesta e seus atos corretos a si mesmo, como mérito seu, e apresentá-los como dignos de justificação. Deus não deveria fazer nada mais do que elogiar os atos do fariseu e lhe dar o prêmio merecido com sua atitude de homem do bem. Era esse o pensamento do fariseu. Ele não pede a Deus uma justificação, uma redenção, mas um reconhecimento. Ele se esqueceu que foi Deus quem o conduziu pelo bom caminho e lhe proporcionou fazer o bem e viver com dignidade.

Quanto ao publicano, ele apresenta a única imagem que o ser humano deve assumir diante de Deus: a do pobre, do que se reconhece necessitado e pede. Ele sabe que nada poderá exigir, cobrar, porque não possui condições para isso.

E para nós, quais as consequências dessa parábola?

Primeiro: deveremos olhar Deus não como um contador e nem como um distribuidor de prêmios, mas como o Pai que ama a todos gratuitamente e que deseja nosso amor gratuito.

Segundo: quenão façamos grupo dos bons, no sentido de nos sentirmos especiais a ponto de desprezarmos os outros. Que não nos separemos. Fariseu significa separado! Deus não quer o grupo dos bons e o grupo dos maus. Atenção: na hora de morrer Jesus ecolheu morrer entre dois bandidos!

Terceiro: quem confia nos próprios méritos jamais será agraciado por Deus, pois Ele exalta quem é pequeno, quem se sente pobre e o fariseu se demonstra rico e nada pede. Está cheio de si, de seus feitos. Não precisa de Deus, de sua graça, de sua misericórdia, apenas de seu reconhecimento

O publicano sabe-se devedor a Deus, sua oração nasce de sua miséria. Reconhece que se não houver um Deus misericordioso, seu caso não conhecerá salvação.

A salvação é gratuita! Ninguém pode pretendê-la por julgar-se merecedor. A salvação é misericórdia de Deus paga a caro preço com seu sangue derramado no madeiro da cruz. De fato, não é merecimento. A salvação nos é gratuita porque é dom de Deus! (CAS)


HOMILIA DO PAPA NA CONCLUSÃO DO SÍNODO PARA O ORIENTE MÉDIO


◊ Veneráveis Irmãos,
Ilustres Senhores e Senhoras,
Caros irmãos e irmãs!

Após duas semanas da Celebração de abertura, estamos reunidos novamente no dia do Senhor, ao redor do Altar da Confissão da Basílica de São Pedro, para concluir a Assembléia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos. Em nossos corações existe uma profunda gratidão a Deus que nos deu esta experiência verdadeiramente extraordinária, não apenas para nós, mas para o bem da Igreja, do Povo de Deus que vive na região entre o Mediterrâneo e a Mesopotâmia. Como Bispo de Roma, desejo partilhar este reconhecimento com vocês, veneráveis Padres Sinodais: cardeais, patriarcas, arcebispos, bispos. Agradeço em particular ao Secretário Geral, aos quatro Presidentes Delegados, ao Relator Geral, ao Secretário Especial e a todos os colaboradores, que nestes dias trabalharam sem descanso.

Esta manhã deixamos a Sala do Sínodo e viemos “ao templo para rezar”: por isso, nos é adequada a parábola do fariseu e do publicano relatada por Jesus e registrada pelo evangelista São Lucas (cfr 18, 9 – 14). Também nós poderemos ser tentados, como o fariseu, de lembrar a Deus os nossos méritos, pensando no empenho destes dias.

Mas para subir ao céu, a oração deve brotar de um coração humilde, pobre. E portanto também nós, ao término deste evento eclesial, queremos antes de tudo agradecer a Deus, não pelos nossos méritos, mas pelo dom que Ele nos deu. Reconheçamo-nos pequenos e necessitados de salvação, de misericórdia; reconheçamos que tudo vem d’Ele e que somente com sua Graça se realizará o que nos disse o Espírito Santo. Apenas assim poderemos “voltar para casa” verdadeiramente enriquecidos, tornados mais justos e mais capazes de caminhar na senda do Senhor.

A primeira leitura e o Salmo responsorial insistem sobre o tema da oração, sublinhando que essa é tão mais poderosa junto ao coração de Deus, quanto mais aquele que reza é necessitado e está em aflição. “A oração do pobre atravessa as nuvens”, afirma o Siracida (35, 21): e o salmista acrescenta: “O Senhor está próximo daquele que tem o coração dilacerado, ele salva os espíritos sofredores (34, 19). O pensamento se dirige a tantos irmãos e irmãs que vivem na região do Oriente Médio e que se encontram em situações difíceis, às vezes muito pesadas, seja pela carência material, seja pelo desânimo, pelo estado de tensão e muitas vezes pelo medo. A Palavra de Deus hoje nos oferece também uma luz de esperança consoladora, quando apresenta a oração, personificada, que “não desiste até que o Altíssimo tenha intervido e satisfeito os justos e restabelecido a equidade” (Sir 35, 21 – 22). O liame entre a oração e a justiça nos faz pensar em tantas situações no mundo, especialmente no Oriente Médio. O grito do pobre e do oprimido encontra eco imediato em Deus, que quer intervir para abrir uma saída, para restituir um futuro de liberdade, um horizonte de esperança.

Esta fé no Deus próximo, que liberta seus amigos, é a fé que testemunha o Apóstolo Paulo na epístola de hoje, trata-se da Segunda Carta a Timóteo. Vendo aproximar-se o fim de sua vida terrena, Paulo faz um balanço: “Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé” (2 Tim 4, 7). Para cada um de nós, queridos irmãos no episcopado, isto é um modelo a ser imitado: nos conceda a Bondade divina de fazer nosso um tal balanço conclusivo!

“O Senhor – prossegue São Paulo – me é próximo e me deu força, para que eu pudesse levar a bom termo o anúncio do Evangelho e todos os povos o escutassem” (2 Tm 4, 16 – 17). É uma palavra que ressoa com especial força neste domingo em que celebramos o Dia Mundial das Missões! Comunhão com Jesus crucificado e ressuscitado, testemunho de seu amor. A experiência do Apostolado é paradigmática para cada cristão, especialmente para nós pastores. Partilhamos um momento forte de comunhão eclesial. Agora nos separamos para que cada um possa voltar à sua missão, mas saibamos que permanecemos unidos em seu amor.

A Assembléia sinodal que hoje se encerra teve sempre presente a imagem da primeira comunidade cristã, descrita nos Atos dos Apóstolos: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4, 32). É uma realidade experimentada nos dias passados, nos quais condividimos a alegria e as dores, as preocupações e as esperanças dos cristãos do Oriente Médio. Vivemos a unidade da Igreja na variedade das Igrejas presentes naquela Região. Guiados pelo Espírito Santo, nos tornamos “um só coração e uma só alma” na fé, na esperança e na caridade, sobretudo durante as Celebrações Eucarísticas, fonte e cume da comunhão eclesial, como também na Liturgia das Horas, celebrada cada manhã em um dos 7 ritos católicos do Oriente Médio. Valorizamos a riqueza litúrgica, espiritual e teológica da Igreja Oriental Católica, além daquela da Igreja Latina. Tratou-se de uma troca de dons preciosos, dos quais nos beneficiamos todos, os Padres Sinodais. É desejável que tais experiências positivas se repitam também nas respectivas comunidades do Oriente Médio, favorecendo a participação dos fiéis nas celebrações litúrgicas dos outros Ritos Católicos e portanto a abrir-se às dimensões da Igreja Universal.

A oração comum nos ajudou também a enfrentar os desafios da Igreja Católica no Oriente Médio. Um desses é a comunhão dentro de cada Igreja sui iuris, como também nas relações entre as várias Igrejas católicas de diferentes tradições. Como nos recordou o Evangelho de hoje (cf. Lc 18:9-14), precisamos de humildade para reconhecer nossas limitações, nossos erros e omissões, para poder verdadeiramente formar “um só coração e uma só alma”. Uma mais plena comunhão dentro da Igreja Católica favorece também o diálogo ecumênico com as outras Igrejas e Comunidades eclesiais. A Igreja Católica reiterou também nesta Assembleia sinodal a sua profunda convicção de continuar tal diálogo, para que se realize completamente a oração do Senhor Jesus “para que todos sejam uma só coisa” (Jo 17,21).

Aos cristãos no Oriente Médio se podem aplicar as palavras do Senhor Jesus: “Não tenhais medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (Lucas 12:32). De fato, embora pouco numeroso, eles são portadores da Boa Nova do amor de Deus pelo homem, o amor que se revelou precisamente na Terra Santa, na pessoa de Jesus Cristo. Esta Palavra de salvação, fortalecida pela graça dos Sacramentos, ressoa com particular eficácia nos lugares onde, por divina Providência, foi escrita, e é a única palavra capaz de romper o ciclo vicioso da vingança, do ódio, da violência. De um coração purificado, em paz com Deus e com o próximo, podem nascer propósitos e iniciativas de paz em nível local, nacional e internacional. Nesse trabalho, a cuja realização é chamada toda a comunidade internacional, os cristãos, cidadãos com todos os direitos, podem e devem dar a sua contribuição com o espírito das bem-aventuranças, tornando-se construtores de paz e apóstolos de reconciliação para o benefício de toda a sociedade.

Perduram há muito tempo no Oriente Médio os conflitos, as guerras, a violência, o terrorismo. A paz que é dom de Deus, é também o resultado dos esforços dos homens de boa vontade, de instituições nacionais e internacionais, especialmente dos Estados mais envolvidos na busca da solução dos conflitos. Jamais se deve resignar-se à falta de paz. A paz é possível. A paz é urgente. A paz é a condição indispensável para uma vida digna da pessoa humana e da sociedade. Paz também é o melhor remédio para evitar a emigração do Oriente Médio. “Peçam a paz para Jerusalém” – nos diz o Salmo (122, ). Rezemos pela paz na Terra Santa. Rezemos pela paz no Oriente Médio, comprometendo-nos para que tal dom de Deus oferecido aos homens de boa vontade se espalhe pelo mundo inteiro.

Outra contribuição que os cristãos podem dar à sociedade é a promoção de uma verdadeira liberdade religiosa e de consciência, um dos direitos fundamentais da pessoa humana que cada Estado deveria sempre respeitar. Em muitos países do Oriente Médio, há liberdade de culto, enquanto o espaço da liberdade religiosa em muitos casos é muito limitado. Ampliar esse espaço de liberdade se torna uma exigência para assegurar todas as pessoas pertencentes às várias comunidades religiosas a verdadeira liberdade de viver e professar a sua fé. Esse argumento poderia se tornar objeto de diálogo entre cristãos e muçulmanos, diálogo cuja urgência e utilidade foi reafirmada pelos Padres sinodais.

Durante os trabalhos da Assembleia foi enfatizada com frequência a necessidade de repropor o Evangelho às pessoas que o conhecem pouco, ou que até mesmo se afastaram da Igreja. Com frequência foi evocada a urgente necessidade de uma nova evangelização também para o Oriente Médio. Trata-se de um tema muito comum, especialmente em países de antiga cristanização. Também a recente criação do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização responde a esta profunda exigência. Por isso, após ter consultado o episcopado do mundo inteiro, e após ter ouvido o Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, decidi dedicar a próxima Assembléia Geral Ordinária em 2012, ao seguinte tema: “Nova evangelizatio ad christianam fidem tradendam - “Nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

Queridos irmãos e irmãs do Oriente Médio! A experiência destes dias dê a vocês a certeza de que não estão sozinhos, que os acompanham sempre a Santa Sé e toda a Igreja, nascida em Jerusalém, e que se espalhou por todo o Oriente Médio e, depois, por todo o mundo. Confiamos a aplicação dos resultados da Assembleia Especial para o Oriente Médio, bem como a preparação da Assembleia Geral Ordinária, à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Paz. Amém.

© Rádio Vaticano 2010

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