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domingo, 21 de novembro de 2010

Papa e Santa Sé


BENTO XVI NA MISSA COM NOVOS CARDEAIS: SIRVAM A FÉ NA OBEDIÊNCIA À CRUZ

◊ Cidade do Vaticano, 21 nov (RV) - Bento XVI celebrou na manhã deste domingo – Solenidade de Cristo-Rei do Universo – na Basílica de São Pedro lotada de fiéis e peregrinos, a santa missa com os 24 novos cardeais criados no Consistório deste sábado, dia 20.

Durante a celebração o Pontífice entregou o anel cardinalício aos novos purpurados como "sinal de dignidade, solicitude pastoral e de mais robusta comunhão com a Sé de Pedro", para que se reforce "o amor à Igreja".

"Pregai o Evangelho, testemunhai Cristo, edificai a Igreja santa de Deus, abençoai todos e a todos levai a paz de Cristo", pede a oração que o Papa pronunciou depois da entrega do anel cardinalício.

Os presentes rezaram para que "o Senhor conceda à Igreja, família de Deus, a graça de manifestar a sua universalidade e catolicidade abraçando todos os povos e culturas".

O Santo Padre iniciou a homilia da celebração dirigindo sua cordial saudação aos novos cardeais, estendendo-a aos outros purpurados, demais prelados, sacerdotes, religiosos e a todos os fiéis provenientes de várias partes do mundo para a alegre circunstância, que reveste um significativo caráter de universalidade.

Ressaltando que a liturgia deste domingo – último do ano litúrgico – nos apresenta, ao término do itinerário da fé, o rosto real de Cristo, como o Pantocrator encontrado na abside de uma antiga basílica, o Papa enfatizou que as leituras propostas nesta celebração nos convidam a meditar profundamente sobre o ministério do Bispo de Roma e sobre o ministério a este ligado, dos cardeais, à luz da singular Realeza de Jesus, nosso Senhor.

"O primeiro serviço do Sucessor de Pedro é o da fé. No Novo Testamento, Pedro se torna "pedra" da Igreja enquanto portador do Credo: o "nós" da Igreja se inicia com o nome daquele que professou por primeiro a fé em Cristo, se inicia com a sua fé. Uma fé inicialmente imatura e ainda "por demais humana", mas depois, após a Páscoa, madura e capaz de seguir Cristo até a doação de si; madura no crer que Jesus é verdadeiramente o Rei; que o é justamente porque enfrentou a Cruz, e desse modo deu a vida pelos pecadores."

No Evangelho se vê que todos pedem a Jesus que desça da Cruz. Zombam d'Ele, mas é também um modo para desculpar-se – observou o Papa – "como a dizer: não é nossa culpa o seu encontrar-se na Cruz; a culpa é somente sua, porque se fosse realmente o Filho de Deus, o Rei dos Judeus, não estaria aí, mas se salvaria descendo deste patíbulo infame". Em seguida, o Pontífice ressaltou a universalidade da Paixão de Cristo:

"O drama que se dá sob a Cruz de Jesus é um drama universal; diz respeito a todos os homens diante de Deus que se revela por aquilo que é, ou seja, Amor. Em Jesus crucificado a divindade é desfigurada, espoliada de toda glória visível, mas está presente e é real. Somente a fé sabe reconhecê-la: a fé de Maria, que une em seu coração também esta última peça do mosaico da vida de seu Filho; Ela ainda não vê tudo, mas continua confiando em Deus, repetindo mais uma vez com o mesmo abandono "Eis a serva do Senhor" (Lc 1, 38)."

O Pontífice observou que emerge claramente daí a primeira e fundamental mensagem que a Palavra de Deus nos diz hoje: "a mim, Sucessor de Pedro, e aos senhores cardeais". Chama-nos a estar com Jesus, com Maria, e não a pedir-Lhe que desça da Cruz, mas permaneça ali com Ele.

"E devemos fazê-lo por causa do nosso ministério, devemos fazê-lo não somente por nós mesmos, mas por toda a Igreja, por todo o povo de Deus."

Em seguida, Bento XVI afirmou que a "conversão" de Pedro se realiza plenamente quando renuncia querer "salvar" Jesus e aceita ser salvo por Ele:

"Renuncia querer salvar Jesus da Cruz e aceita ser salvo pela sua Cruz. "Eu, porém, orei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça" (Lc 22, 32), diz o Senhor."

O ministério de Pedro consiste totalmente em sua fé, uma fé que Jesus reconhece imediatamente, desde o início, como genuína, como dom do Pai celeste – continuou o Papa – mas uma fé que deve passar pelo escândalo da Cruz para se tornar autêntica, realmente "cristã", para tornar-se "rocha" na qual Jesus possa construir a sua Igreja.

"A participação na senhoria de Cristo se verifica concretamente somente ao partilhar o seu abaixamento, com a Cruz. Também o meu ministério, caros Irmãos, e consequentemente também o de vocês, consiste totalmente na fé."

Nesse sentido – frisou – o lugar autêntico do Vigário de Cristo é a Cruz, persistir na obediência à Cruz.

"Este ministério é difícil porque não se alinha ao modo de pensar dos homens – àquela lógica natural que, de certo modo, permanece sempre ativa também em nós mesmos. Mas este é e permanece sendo sempre o nosso primeiro serviço, o serviço da fé, que transforma toda a vida: crer que Jesus é Deus, que é o Rei justamente porque chegou até aquele ponto, porque nos amou até o extremo."

E essa realeza paradoxal devemos testemunhá-la e anunciá-la como fez Ele, o Rei, ou seja, seguindo o mesmo caminho e esforçando-nos para adotar a mesma lógica, a lógica da humildade e do serviço, do grão que morre para dar fruto:

"O Papa e os cardeais são chamados a estar profundamente unidos antes de tudo a isto: todos juntos, sob a guia do Sucessor de Pedro, devem permanecer na senhoria de Cristo, pensando e operando segundo a lógica da Cruz – e isso jamais é fácil nem dado por certo. Nisso devemos ser compactos, e o somos porque o que nos une não é uma idéia, uma estratégia, mas nos unem o amor de Cristo e o seu Espírito Santo."

A eficácia do nosso serviço à Igreja, a Esposa de Cristo – continuou o Papa – depende essencialmente disso, da nossa fidelidade à realeza divina do Amor crucificado. Por isso – enfatizou dirigindo-se aos novos cardeais – no anel que lhes entreguei, sigilo de seu pacto nupcial com a Igreja, está representada a imagem da Crucifixão. "E pelo mesmo motivo a cor de suas vestes alude ao sangue, símbolo da vida e do amor. O sangue de Cristo que – segundo uma antiga iconografia – Maria recolhe do lado traspassado do Filho morto na Cruz; e que o Apóstolo João contempla esse sangue saindo com a água, segundo as Escrituras proféticas."

Bento XVI concluiu a homilia da celebração com as seguintes palavras:

"Eis a nossa alegria: participar, na Igreja, da plenitude de Cristo mediante a obediência à Cruz, "participar da sorte dos santos na luz", ter sidos "transferidos" para o reino do Filho de Deus (cfr Col 1, 12-13). Por isso nós vivemos em perene ação de graças, e também mediante as provações não faltam a alegria e a paz que Cristo nos deixou, qual antecipação do seu Reino, que já está no meio de nós, que aguardamos com fé e esperança, e pregustamos na caridade."

Destacamos que um dos 24 novos cardeais criados no Consistório deste sábado e que na missa da manhã deste domingo receberam o anel cardinalício foi o Arcebispo de Aparecida e Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), Dom Raymundo Damasceno Assis – filho de Minas Gerais.

Sobre a elevação de Dom Raymundo à dignidade cardinalícia, eis o que disse Dom João Braz de Aviz, Arcebispo de Brasília, Arquidiocese da qual o novo purpurado brasileiro foi Bispo auxiliar durante muito anos: (RL)


PAPA FAZ APELO EM FAVOR DOS CRISTÃOS PERSEGUIDOS NO IRAQUE E DAS VÍTIMAS DAS ENCHENTES NA COLÔMBIA

◊ Cidade do Vaticano, 21 nov (RV) - Ao meio-dia deste domingo, Bento XVI assomou à janela de seus aposentos – que dá para a Praça São Pedro – para a tradicional oração mariana do Angelus com os fiéis e peregrinos. Na alocução que precedeu à oração dominical o Papa destacou a missa, na Solenidade do Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, por ele presidida pela manhã na Basílica Vaticana, concelebrada pelos 24 novos cardeais, criados no Consistório deste sábado.

O Pontífice recordou que a solenidade de Cristo Rei foi instituída pelo Papa Pio XI em 1925 e, em seguida, após o Concílio Vaticano II, foi colocada na conclusão do ano litúrgico.

Em seguida, o Papa frisou que no Evangelho deste domingo São Lucas apresenta, como num grande quadro, a realeza de Jesus no momento da crucifixão.

Antes da oração do Angelus, o Santo Padre confiou à Virgem Maria – na celebração de sua Apresentação no Tempo, hoje comemorada – os novos purpurados do Colégio cardinalício e a nossa peregrinação terrena rumo à eternidade.

Após a oração, o Pontífice recordou que na Itália, neste domingo – a convite dos bispos – as comunidades eclesiais rezam pelos cristãos que sofrem perseguições e discriminações, especialmente no Iraque.

Uno-me a essa invocação ao Deus da vida e da paz – disse o Pontífice – a fim de que em toda parte do mundo seja assegurada a todos a liberdade religiosa. Faço-me próximo a esses nossos irmãos e irmãs pelo alto testemunho de fé que dão a Deus.

Na saudação aos presentes de língua espanhola, o Santo Padre, entre outras coisas, se disse próximo também aos atingidos pelas chuvas torrenciais que nos últimos dias atingiu grande parte da Colômbia. O Papa fez um apelo à solidariedade em favor do povo colombiano.

Por fim, na saudação que dirigiu aos fiéis e peregrinos de língua portuguesa, eis o que disse aos lusófonos presentes na Praça São Pedro:

"Dirijo uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente aos brasileiros que vieram participar do Consistório para a Criação de novos Cardeais. Peçamos à Nossa Senhora que interceda junto ao Seu Filho, Rei do Universo, para que esta seja uma ocasião de reafirmar a unidade e a catolicidade da Igreja."

O Santo Padre concedeu a todos a sua Bênção apostolica. (RL)


Formação


REFLEXÃO LITÚRGICA DESTE DOMINGO, SOLENIDADE DE JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

◊ Cidade do Vaticano, 21 nov (RV) - O Senhor veio salvar, veio resgatar os pecadores, os perdidos, os doentes, os marginalizados, enfim, toda a sorte de pessoas excluídas da sociedade e do grupo dos justos.

Por isso sua atuação é junto dessas pessoas, desde o seu nascimento, onde é acolhido pelos pastores e pelos magos. Os pastores eram considerados desclassificados e pessoas não confiáveis, por seu lado, os magos eram pagãos, pessoas de outras culturas e incircuncisos.

Também em sua paixão, Jesus se identifica com essas pessoas e as tem como companheiras de suplício e de morte.

O Evangelho de hoje, tirado de São Lucas, apresenta Jesus crucificado entre dois bandidos. E mesmo aí, no finalzinho de sua missão, o Senhor continua salvando os pecadores. Enquanto um deles despreza o Senhor e até zomba dele, o outro, chamado Dimas, em sua humildade reconhece que é bandido e que mereceu a pena capital, ao mesmo tempo que reconhece a inocência de Jesus. Mas a grande graça que Dimas recebeu e não desperdiçou foi, na última hora, professar a fé em Jesus Cristo como o salvador e rei do mundo que virá. Aí está a justificação de Dimas, reconhecer Jesus como o Senhor.

Imediatamente vem a resposta do Rei dos Reis: “ainda hoje estarás comigo no Paraíso”. Atenção para as palavras de Jesus. Ele não dá lição de moral em Dimas, não o repreende, não exige dele um ato de contrição, mas apenas o acolhe em seu Reino. Bastou a fé de Dimas no poder de Cristo, bastou seu reconhecimento de que era um homem errado, pecador.

Eis aí a onipotência de Deus. Ele pode fazer tudo não no sentido de esmagar seus inimigos, porque não é isso que Ele quer. Deus é onipotente porque pode transformar um pecador em santo, porque pode tocar o coração mais empedernido, é onipotente por que ama sem limites.

Jesus é o Rei Misericordioso que veio salvar a ovelha perdida, que veio dar a vida pela nossa salvação. Já na transfiguração o Pai havia apresentado Jesus como o Eleito, o pleno de amor para salvar todos os homens. No Jardim do Éden, a porta do paraíso foi fechada por causa do egoísmo de Adão, agora, no Jardim do Calvário, a porta é aberta pela entrega de Jesus, aliás, Jesus é a própria porta do paraíso, ele o disse quando falou que ele era a porta por onde as ovelhas devem passar para entrar no aprisco.

Sim, Jesus Cristo é o Rei do Universo, mas o seu Reino não é deste mundo, nem semelhante ao dos poderosos deste mundo, destinados a desaparecer.

Jesus Cristo é nosso Rei porque nosso Salvador, porque Redentor da humanidade, porque n’Ele subsistem todas as coisas da terra e as do céu, e por Ele tudo foi feito, desde a fundação do mundo, em união com o Pai e o Espírito Santo.

Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J

© Rádio Vaticano 2010

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