Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

BENTO XVI: IGREJA APRENDA LINGUAGENS DA NOVA MÍDIA PARA INSERIR EVANGELHO NA CULTURA DIGITAL

Cidade do Vaticano, 28 fev (RV) - Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã.

Esse foi, substancialmente, o discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, aos membros que participam – de hoje até a próxima quinta-feira – da plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.

Uma linguagem “emotiva”, exposta ao risco constante da banalidade. De contrapartida, uma linguagem rica de símbolos, de milhares de anos a serviço do transcendente. O que a comunicação digital tem em comum com a comunicação da Bíblia? Pouco, aparentemente, se não fosse que para a Igreja não existe linguagem nova que não possa ser compreendidade e utilizada para anunciar a mensagem de sempre, a mensagem do Evangelho.

Bento XVI examinou as implicações dessa questão voltando a um tema muitas vezes abordado nestes últimos anos: o das novas tecnologias e das mudanças que elas induzem no modo de comunicar, a ponto de ter configurado “uma vasta transformação cultural”.

As redes web – afirmou o Pontífice – são a demonstração de como “oportunidades inéditas” estão delineando um “novo modo de aprender e de pensar”, de “estabelecer relações e construir comunhão”. Mas não basta ter consciência disso – observou. A análise deve ser mais profunda:
“As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, entre outras coisas, uma capacidade mais intuitiva e emotiva que analítica, orientam a uma diferente organização lógica do pensamento e da relação com a realidade, privilegiam, muitas vezes, a imagem e as conexões hipertextuais. Ademais, a tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral parece abrandar em favor de uma comunicação escrita que assume a forma e a imediação da oralidade.”

Estar “na rede” – prosseguiu o Papa – requer que a pessoa se encontre envolvida com aquilo que comunica. E, portanto, nesse nível de interconexão as pessoas não se limitam a trocar informações, mas “já estão compartilhando a si mesmas e a sua visão de mundo”. Uma dinâmica que, para o Santo Padre, não está isenta de pontos fracos:
“Os riscos que se correm, certamente, estão diante dos olhos de todos: a perda da interioridade, a superficialidade no viver as relações, a fuga na emotividade, o prevalecer da opinião mais convincente em relação ao desejo de verdade. E, todavia, estes são a consequência de uma incapacidade de viver plenamente, e de modo autêntico, o sentido das inovações. Eis o motivo pelo qual é urgente a reflexão sobre as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias.”

Aí – observou o Pontífice – se insere o trabalho que a Igreja deve fazer e, particularmente, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. “Aprofundar a cultura digital” e, posteriormente, “ajudar aqueles que têm responsabilidade na Igreja” a “entender, interpretar e falar a “nova linguagem” da mídia em função pastoral”. Bem sabendo que nem mesmo a dimensão espiritual da pessoa é estranha ao mundo da comunicação:
"A cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar elementos da cultura e do ambiente de seu tempo: o rebanho, os campos, o banquete, as sementes, e assim por diante. Hoje somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem de hoje."

Bento XVI reiterou que a "relação sempre mais estreita e ordinária entre o homem e as máquinas", sejam elas computadores ou celulares, pode encontrar na riqueza expressiva da fé e nos "valores espirituais" uma dimensão ainda mais ampla do que a já além-fronteiras que a tecnologia parece assegurar.

Quatro séculos atrás, o jesuíta Pe. Matteo Ricci, o grande apóstolo da China, soube demonstrar isso, conseguindo acolher "tudo aquilo que existia de positivo" na tradição daquele povo, e "animá-lo e elevá-lo com a sabedoria e a verdade de Cristo". A mesma coisa são chamados a fazerem os cristãos de hoje, que no mundo da mídia podem contribuir para abrir "horizontes de sentido e de valor que a cultura digital sozinha não é capaz de entrever e representar" – concluiu o Santo Padre. (RL)
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PLENÁRIA DO PONTIFÍCIO CONSELHO DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
Roma, 28 fev (RV) - Tem início nesta segunda-feira, em Roma, a sessão plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. Durante os trabalhos serão discutidas, em especial, as contribuições oferecidas pelo Papa na sua Mensagem para o 45º Dia Mundial dedicado aos meios de comunicação social, intitulado “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital”. A Rádio Vaticano conversou com o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli:

R. – “Creio que esta nova mensagem do Papa para o Dia Mundial de 2011 esteja em linha com as mensagens dos últimos anos. O Santo Padre nos convida novamente a refletir sobre o que significa hoje comunicar: não é somente um problema de tecnologia mas, novamente, é levado em consideração o aspecto humano e o convite é para que o homem, na comunicação seja cada vez mais si mesmo. O convite é que o homem seja autêntico, porque é a única maneira de garantir que a comunicação não seja apenas uma transmissão de informações, mas realmente uma comunicação entre seres humanos. É ir precisamente à raiz do fato comunicativo, isto é, estar ciente de que esta é uma passagem de homem para homem, de mulher para mulher, de um homem para uma multidão de homens. Isso é muito importante, pois exige que o homem esteja sempre atento ao que o guia, como também ao que o inspira, precisamente na relação com os outros. Eu diria que o Papa este ano, também sublinhou o que significa ter um estilo cristão no mundo da comunicação, que não é apenas um falar sobre questões religiosas, mas é também como o homem, que tem no seu coração a mensagem evangélica - e, portanto, vive em comunhão com o Senhor Jesus – enfrenta o relacionamento com os outros”.
P. - Mas continua sendo um desafio cada vez maior fazer ouvir esta voz, esta mensagem de autenticidade neste grande mundo da Internet...

R. - É verdade. É por isso que, às vezes – também no ano passado - o Papa nos convidou a estarmos presente neste “Pátio dos gentios”, este espaço no mundo cibernético, onde os homens podem também encontrar a palavra da verdade. Eu diria que essa é também a grande missão da Igreja. Lembre-se que no ano passado estávamos falando de uma pastoral no mundo digital. Pastoral que não é outra coisa do que fazer com que a palavra de Deus possa ressoar também neste âmbito, que pareceria à primeira vista não-humano ou muito frio. O Papa, no ano passado nos dizia: “Façam com que o mundo da internet, o espaço cibernético, possa realmente se tornar uma espécie de Pátio dos gentios, onde os homens se encontrem”. Se encontrem no respeito, mas se encontram também com autenticidade. É por isso que o Papa, este ano, nos falta também de anúncio, de proclamação. Uma proclamação, no entanto, que deve ser vivida - como diz o Papa na sua mensagem - com discrição e respeito. Por isso, não é apenas uma imposição ou um anúncio comercial, mas é uma comunicação de vida, uma comunicação que vai do coração de um homem ao coração de outro homem ou do coração de uma mulher a outra mulher, mas vivido com esta discrição e com este respeito. (SP)
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LIBERDADE RELIGIOSA E TUTELA DAS MINORIAS CRISTÃS NORTEIAM ENCONTRO DO PAPA COM PRESIDENTE DO PARLAMENTO EUROPEU
Cidade do Vaticano, 28 fev (RV) - Bento XVI recebeu em audiência na manhã desta segunda-feira, no Vaticano, o Presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, que, em seguida, encontrou o Cardeal Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, e o Secretário das Relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti.

Os colóquios, realizados num clima de cordialidade – refere um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé – permitiram uma proveitosa troca de opiniões sobre as relações entre a Igreja Católica, o Parlamento Europeu e as outras instituições européias, bem como sobre a contribuição que a Igreja pode dar à União Europeia.

Durante o encontro se detiveram também sobre temas de atualidade, como o compromisso em favor da promoção da liberdade religiosa e a tutela das minorias cristãs no mundo. A esse propósito, ouçamos o Presidente Buzek, entrevistado pela Rádio Vaticano:
"Foi, certamente, um encontro muito emocionante e intenso. Infelizmente, estamos vivendo tempos difíceis, tempos de dificuldade e de crise, e encontrar um homem de tão grande fé e inteligência foi realmente importante, porque nos permitiu compreender aquilo que o Papa pode fazer pela Europa e pelo mundo inteiro. Discutimos sobre os últimos eventos que estão se verificando no norte da África e no Oriente Médio. A nossa esperança é que nestes países possa haver uma democratização e que isso possa levar a uma sociedade que promova os direitos humanos. Também ressaltamos como é importante lutar para defender as minorias religiosas, referindo-nos, em particular, aos direitos das minorias cristãs no mundo. Falamos amplamente também sobre a iminente Beatificação de João Paulo II e recordamos, juntos, o discurso do Papa wojtyla no Parlamento Europeu. Por fim, aproveitei a ocasião para convidar Bento XVI a visitar o Parlamento Europeu." (RL)


BOA NOTÍCIA PARA OS CRISTÃOS DA ÍNDIA
Shimla, 28 fev (RV) - Para os cristãos na Índia é uma boa notícia e o início de um processo judicial: o Supremo Tribunal do estado de Himachal Pradesh, no norte da Índia, declarou admissível uma ação que contesta a validade constitucional e solicita a revogação da “Freeedom of Religion Act” del 2006, vulgarmente conhecida como “lei anti-conversão”.

Assumindo a legitimidade do recurso, o juiz do Supremo Tribunal também estabeleceu a primeira audiência do processo para 14 de junho próximo. Conforme referido à Agência Fides, o recurso foi apresentado por duas organizações da sociedade civil: a Evangelical Fellowship of India (que reúne mais de 200 comunidades cristãs evangélicas) e a Act Now for Harmony and Democracy.

Segundo o recurso, a lei “viola o direito à privacidade sancionado no artigo 21 da Constituição indiana, viola o direito à liberdade de religião, sancionado no art. 25, e viola o direito à liberdade de opinião e de expressão, sancionado no art. 19 da Carta”. O procedimento foi ativado com a ajuda de um grupo de advogados, cristãos e não-cristãos, determinados a desafiar a medida, que obriga uma pessoa que quer se converter do hinduísmo a outra religião a uma prévia notificação às autoridades civis ou judiciárias (quando não é assim para quem que se converter ao hinduísmo), e considera “inválida” a conversão obtida “por meios fraudulentos”.

Segundo fontes da Fides na Igreja Católica indiana, “este tipo de leis são flagrantes violações da liberdade de consciência e de religião. Na verdade, dão ao Estado o poder de decidir, e de alguma forma de coagir, a consciência individual, interferindo na vida pessoal do homem, sobre a relação entre a alma e Deus”. “No passado, as Igrejas, as organizações cristãs e os grupos de direitos humanos sempre se mostraram contrários a essas leis atualmente em vigor em 5 estados da federação indiana: Madhya Pradesh, Chhattisgarh, Orissa, Gujarat e Himachal Pradesh.

Tais medidas são normalmente promovidas por partidos nacionalistas hindus, como o Baratiya Janata Party (mas no Himachal Pradesh, foi o Partido do Congresso a aprová-la) com a ideia de deter o presumível fenômeno das “conversões forçadas, falsas ou obtidas com dinheiro”, que seriam praticadas – afirmam grupos extremistas hindus – sobretudo por missionários cristãos que fazem proselitismo entre grupos indígenas de dalits e sem-casta.

Em 2009, a Conferência Episcopal da Índia apresentou um recurso judiciário semelhante contra a lei anti-conversões em Gujarat, e o procedimento legal é atualmente em andamento. (SP)
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CHILE: ARCEBISPO RECORDA VÍTIMAS DO TERREMOTO
Santiago do Chile, 28 fev (RV) - "Reconstruir o Chile, não só materialmente, mas, sobretudo espiritualmente" – este foi o convite feito pelo Arcebispo de Concepción, Dom Ricardo Ezzati Andrello, durante a missa celebrada ontem, domingo, em Santiago do Chile em memória das vítimas do terremoto de 7 de fevereiro do ano passado, que causou mais de 700 mortos e dezenas de desaparecidos.

Uma catástrofe que parece não ter fim, visto que a terra tremeu recentemente na costa oriental do Chile e no centro do país. Em sua homilia, Dom Ezzati recordou a importância de "abrir os corações à esperança, uma esperança que nasce da fé na Palavra de Deus".

"Se realmente queremos reconstruir o país, não devemos pensar somente na reconstrução material, mas também espiritual. Somente com a solidariedade e o amor, poderemos construir uma população em que a pessoa humana encontre a dignidade que lhe foi doada por Deus" – sublinhou o arcebispo.

Enfim, o prelado exortou os fiéis a contribuírem na coleta especial realizada durante a missa. A soma arrecadada será destinada aos jovens atingidos pelo terremoto, a fim de ajudá-los nos estudos. (MJ)
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APRESENTADO NA COLÔMBIA NOVO FILME SOBRE DOM ROMERO

Cartagena das Índias, 28 fev (RV) – O Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias (FICCI) apresentou ontem a estreia mundial de “O céu aberto”, documentário do cineasta mexicano Everardo González sobre uma parte da vida do arcebispo salvadorenho Oscar Arnulfo Romero. Dom Romero foi assassinado em 24 de março de 1980 em um crime amplamente anunciado, aspecto que “O céu aberto” trata como um destino inevitável, visto o que acontecia no país.

Primeiro foi a palavra, depois a bala assassina, e na seqüência, o silêncio. Assim começa este vigoroso documentário sobre Dom Óscar Arnulfo Romero, ‘a voz dos sem-voz’ em El Salvador, o pastor que em meio a uma das guerras civis mais cruentas do continente se atreveu a dizer que a missão da Igreja era identificar-se com os pobres.

A guerra civil de El Salvador deixou em doze anos 75 mil mortos e desaparecidos e terminou em 1992 com a assinatura dos acordos de paz. Segundo a Comissão da Verdade, que investigou os crimes ocorridos no conflito (1980-1992), Dom Romero foi assassinado por ordem de Roberto d'Aubuisson, fundador da Aliança Republicana Nacionalista (ARENA), partido que governou o país entre 1989 e junho de 2009.

Em “O céu aberto”, o cineasta dá voz a muitas pessoas que testemunham a opressão a que foram submetidas por uma classe política e social que as explorou durante anos; e conta como através das homilias de alguns sacerdotes, o povo tomou consciência de sua miséria, se organizou e constituiu um movimento político que desembocou na revolução.

O documentário ressalta o valor da mulher, a primeira a sofrer “um processo de transformação” marcado pelo direito de sair de casa para ser parte ativa do que mais tarde seria um movimento político – explicou González em uma entrevista à agência EFE.

O diretor contou que muitas destas mulheres combateram com suas ideias e convicções numa mão e seus filhos na outra, lutando quase sempre sozinhas, com pouco apoio de seus maridos.

“A ideia de terminar o filme com uma cena em que vemos ex-combatentes da guerrilha convivendo com ex-militares do exército do qual eram inimigos é a tese do filme” – explicou González.

O diretor adiantou que está trabalhando no roteiro de um novo filme que tratará do tema da violência no México, as guerras pelo controle do território e o tráfico de narcóticos, mas admitiu que teme atentados e ameaças contra ele e sua família. “São histórias que morremos para contar” – enfatizou.

González lamentou a pouca difusão de sua obra entre a mídia presente no Festival, que tem “O céu aberto” como concorrente na seção ‘documentários’: “Trago a Cartagena uma película em estreia mundial e o Instituto de Cinematografia (do México), que está aqui como convidado, não fez sequer uma menção, quando é co-produtor da película” – criticou González.

“É o contrário do Brasil” - disse, admitindo a admiração pelos cineastas brasileiros que “sabem construir histórias comerciais, exitosas e com uma carga social forte”.

A 51ª edição do Festival FICCI, aberta em 24 de fevereiro, vai até 3 de março e reune estrelas como Willem Dafoe, Geraldine Chaplin, Luis Tosar e Nicolás Pereda. O site o evento é:
www. ficcifestival.com
(CM)

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PARAGUAI: BISPOS SENSIBILIZAM CONTRA A DENGUE

Assunção, 28 fev (RV) - O Arcebispo de Assunção, Dom Pastor Cuquejo, fez um apelo à cidadania para combater o mosquito Aedes Aegipty, vetor da dengue. No comunicado divulgado pela arquidiocese, Dom Cuquejo convida sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, agentes de pastoral e fiéis em geral a colaborar na prevenção desta pandemia mantendo as casas limpas, principalmente nas áreas onde há mais mosquitos:

“Temos que nos transformar em vigilantes de nossa saúde e da do próximo. Infelizmente, esta epidemia está no país e se não intervirmos com firmeza, responsabilidade e caridade, suas conseqüências causarão muito sofrimento às famílias paraguaias”. Dom Cuquejo se dirige também ao governo, “que com seus técnicos, meios e recursos para a assistência da população, tem o dever de agir com eficácia diante desta epidemia”.

“Todavia, instituições públicas, privadas e cidadãos, enfim, todos devemos assumir nossa responsabilidade para combater a difusão da doença, cuja prevenção depende principalmente de nossa colaboração, porque os focos de mosquitos vetores estão em nossas casas, em nossos jardins, ao nosso redor” – conclui.
(CM)


LÍBIA: NUNCIATURA GARANTE PRESENÇA DE RELIGIOSOS

Trípoli, 28 fev (RV) - A Nunciatura Apostólica na Líbia divulgou uma nota em que afirma que as comunidades religiosas dos Vicariatos Apostólicos de Trípoli e Bengasi permanecem completamente a serviço da população e dos fiéis.

Grande parte das 16 comunidades femininas presentes no país realiza sua obra no campo da saúde, assistindo à população mais carente. Estas irmãs, provenientes de várias nações, intensificaram seu trabalho e querem ficar ao lado dos que sofrem – confirma a nota.
Os dois bispos e 15 sacerdotes prosseguem igualmente seu serviço e querem continuar a missão a eles confiada. Nesta difícil situação, os missionários presentes na Líbia afirmam querer infundir coragem e assegurar toda forma de assistência possível à comunidade católica - de cerca 100.000 fiéis - e à toda a população.

A nota da Nunciatura agradece a estima manifestada pelo povo às religiosas e aos sacerdotes que nestas horas, têm recebido a solidariedade que caracteriza o povo líbio através de gestos concretos de proteção.
(CM)

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A PRESENÇA DOS JESUÍTAS NO SUDÃO

Rumbek, 28 fev (RV) - Os jesuítas ensinarão os jovens do Sudão a trabalhar a terra e criar animais. É o objetivo do Majis, novo instituto pluri-disciplinar e agrícola inaugurado pela Companhia de Jesus no Vilarejo de Akoljal, a 10 km da cidade de Rumbek.

O supervisor da estrutura será o padre Francis Njuguna. Os cursos serão práticos e abrangerão a produção agrícola e a pecuária; durarão um ano e serão divididos em fases, com cem alunos cada. Os Jesuítas já promovem no Sudão cursos profissionais gratuitos de eletrônica e informática, em colaboração com as paróquias e universidades locais.
(CM)

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AFEGANISTÃO: LIVRE HOMEM ACUSADO DE APOSTASIA

Roma, 28 fev (RV) - Sayed Musa, 45 anos, funcionário da Cruz Vermelha preso em 31 maio de 2010 no Afeganistão, após sua conversão do islamismo ao cristianismo, motivo pela qual foi condenado à morte sob acusação de apostasia, foi libertado na noite de sábado último. Foi o que declarou à agência Fides, o seu advogado, Afzal Nooristani, que também é diretor da Organização de Assistência Judiciária do Afeganistão, uma organização que trata da assistência jurídica e da proteção dos direitos humanos.

A libertação de Musa é um resultado da pressão da comunidade internacional e especialmente do governo dos EUA; agora, o homem provavelmente encontrará asilo político no Paquistão, onde vive parte de sua família. Para um caso que se resolve com êxito positivo, no entanto, há outros ainda pendentes como o de outro afegão convertido, Ahmad Shah.

“Precisamos de uma reforma global do sistema jurídico – disse Nooristani - mas o país está passando atualmente por um complexo de problemas e desafios como o terrorismo, a presença de forças ultraconservadoras e da imprecisão da classe política que torna tudo mais difícil”. A Constituição do Afeganistão declara o Islã religião do Estado, mas reconhece aos seguidores de outras religiões o direito de culto na forma prevista pela lei. A Sharia é também a fonte do direito, e há leis que prevêem a pena de morte para a apostasia e blasfêmia. (SP)


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JOVENS NO CENTRO DO ENCONTRO DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS DO SUDESTE DA EUROPA

Nicósia, 28 fev (RV) - Os jovens estarão no centro do 11° Encontro dos Presidentes das Conferências Episcopais do Sudeste da Europa, que se realizará em Nicósia, capital de Chipre, de 3 a 6 de março próximo, promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).

O encontro contará com a participação das conferências episcopais da Albânia, Bósnia-Herzegóvina, Bulgária, Chipre, Grécia, Moldávia, Romênia, Turquia e com a Conferência Episcopal Internacional São Cirilo e Metódio. Também participarão o arcebispo de Nova Justiniana e de todo Chipre, Sua Beatitude Crisóstomo II, o patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, o representante do Patriarcado Maronita, Dom Guy Noujaim e o Observador Permanente da Santa Sé junto ao Conselho da Europa, Mons. Aldo Giordano.

O tema escolhido, em vista da abertura da Jornada Mundial da Juventude que se realizará, em Madri, de 16 a 21 agosto deste ano, será introduzido pelo responsável pela Seção Jovem do Pontifício Conselho para os Leigos, Pe. Eric Jacquinet, e pelo diretor do Centro João Paulo II de Loreto, Pe. Francesco Pierpaoli. A seguir as conferências episcopais apresentarão seus relatórios.

"Ser jovem católico, hoje, em nossos países, não é fácil. É um rico desafio com muitas boas possibilidades" – frisou o Bispo de Banja Luka, Dom Franjo Komarica, Presidente da Conferência Episcopal da Bósnia-Herzegóvina.

"Não é fácil porque significa aceitar sentir-se diferente da maior parte da população local até a eventualidade de ser discriminado no trabalho e na vida social. Por isso, é nossa tarefa trabalhar para ajudar os nossos jovens a viverem sem complexo de inferioridade e com dignidade a sua fé. Isso significa mostrar a eles, com palavras e testemunho, que eles podem viver como cristãos e que vale a pena, não obstante as dificuldades, seguir Cristo, verdadeiro consolador e doador da verdadeira alegria" – ressaltou Dom Komarica.

"Em Chipre os jovens são realmente um sinal de esperança e de vida. Eles possuem um dinamismo e a capacidade de criar um mundo novo, uma mentalidade nova, baseada no equilíbrio entre a tomada de consciência de sua identidade e a abertura à diversidade" – ressaltou o arcebispo maronita de Chipre, Dom Youssef Soueif.

A reflexão sobre a Pastoral da Juventude se concluirá com um momento de festa com os jovens e com os grupos pastorais que se realizará na escola de São Marun, em Anthoupolis, em 5 de março próximo. Enfim, os bispos visitarão algumas comunidades maronitas no norte de Chipre. (MJ)
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SANTUÁRIO LANÇA CONCURSO PARA HINO

Fátima, 28 fev (RV) - O Santuário de Fátima abriu no dia 25 de fevereiro um concurso para a criação da música para o hino do centenário das aparições. Conforme comunicado da Assessoria de Imprensa, o texto a musicar é da autoria de Marco Daniel Duarte, selecionado num primeiro concurso para a letra do hino.

O Santuário de Fátima quer que o hino seja um elemento identificador do acontecimento, e para isso, deve ser facilmente apreensível e ‘memorizável’ pelas assembleias reunidas em torno da Mensagem de Fátima, no Santuário ou fora dele.

A entrega das candidaturas deve ser feita até ao dia 4 de abril, inclusive, sendo aceitas as composições que após esta data cheguem ao Santuário com o carimbo dos correios daquele dia.

A deliberação do júri será comunicada até trinta dias depois da data do término do concurso e o autor da composição premiada receberá 1500,00 € (mil e quinhentos euros).

Confira aqui o Regulamento: O Santuário de Fátima abriu no dia 25 de fevereiro um concurso para a criação da música para o hino do centenário das aparições. Conforme comunicado da Assessoria de Imprensa, o texto a musicar é da autoria de Marco Daniel Duarte, selecionado num primeiro concurso para a letra do hino.

O Santuário de Fátima quer que o hino seja um elemento identificador do evento, e para isso, deve ser facilmente apreensível e ‘memorizável’ pelas assembleias reunidas em torno da Mensagem de Fátima, no Santuário ou fora dele.

A entrega das candidaturas deve ser feita até ao dia 4 de abril, inclusive, sendo aceitas as composições que após esta data cheguem ao Santuário com o carimbo dos correios daquele dia.

A deliberação do júri será comunicada até trinta dias depois da data do término do concurso e o autor da composição premiada receberá 1500,00 € (mil e quinhentos euros).

O regulamento está no site do Santuário: http://www.santuario-fatima.pt/portal/
(CM)


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RECORDAÇÃO DA JMJ DE CZESTOCHOWA

Czestochowa, 28 fev (RV) - Por ocasião da beatificação de João Paulo II e do 20º aniversário da Jornada Mundial da Juventude, realizada em Czestochowa, em 1991, o semanário católico “Niedziela”, com sede em Czestochowa, começou a coletar documentos e testemunhas de pessoas que participaram do evento.

O Dia Mundial da Juventude de 1991 realizou-se nos dias 14 e 15 de agosto, em Czestochowa, e teve um forte valor simbólico: tratava-se de um grande santuário mariano ao qual o Papa João Paulo II era muito ligado, além disso, a localidade se encontrava na Polônia, terra natal do pontífice e país que tinha apenas saído da órbita do regime soviético.

Pela primeira vez na história das Jornadas Mundiais da Juventude, o número de participantes superou um milhão e pela primeira vez participaram os jovens do leste europeu. “Um milhão e quinhentos mil peregrinos em casas, mosteiros, escolas, paróquias ... foi uma coisa grande não só para a Polônia, mas para toda a Europa. Esperamos de modo especial o testemunho de pessoas provenientes do leste da Europa”, disse à agência Fides Anna Cichoblazińska, redatora do Niedziela. (SP)


QUESTÃO ECOLÓGICA, QUESTÃO MORAL

São Paulo 28 fev (RV) - Sempre mais nos damos conta de quanto o nosso planeta é precioso e único no universo. Sem excluir que possa haver vida em algum outro lugar na imensidão do cosmo, o certo é que, com todo o seu potencial para esquadrinhar o espaço sideral, os estudiosos ainda não conseguiram detectar nada que se pareça com a vida no nosso Planeta Azul; nem mesmo com suas formas mais elementares.
A Terra é a casa da vida, o espaço privilegiado que abriga uma diversidade enorme de seres vivos. Ela é o condomínio da família humana, com suas raças, povos e culturas diferentes; lentamente, e com certa relutância, vamos aprendendo que ninguém é dono absoluto de pedaço algum desse globo e que todos fazem parte de uma imensa comunidade humana, que tem tanto em comum.
Todos são responsáveis por todos nesta comunidade e o bem de cada um só será completo, se também for o bem de todos os demais; da mesma forma, o mal de um, é o mal de todos. Comum deve ser também o zelo para que este condomínio não seja descuidado e tornado inabitável com o passar do tempo. Está em jogo o bem de todos.
Embora a questão ambiental entre, aos poucos, nas preocupações diárias, ainda estamos longe de ter alcançado uma consciência coletiva que seja capaz de frear os estragos causados pela intervenção humana na natureza; no âmbito dos comportamentos individuais, há muito que fazer para que o zelo pelo ambiente se torne habitual e cultural; no campo das decisões políticas, em todos os níveis, está difícil chegar a consensos que levem plenamente a sério a questão ambiental; de fato, procura-se salvar, geralmente, mais os interesses imediatos e particulares do que a sustentabilidade, a médio e longo prazo, desta casa comum que nos abriga.
A Igreja católica, no Brasil, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), já pela 3ª. vez, realiza a Campanha da Fraternidade sobre a ecologia. Neste ano, o assunto é abordado de maneira ampla, com o tema “fraternidade e vida no Planeta”. Chama-se a atenção para o fenômeno de aquecimento global, as causas que o provocam e as consequências que poderá trazer, ou já vai tendo; mostra-se, sobretudo, que o comprometimento das condições ambientais para o futuro da vida na Terra não tem, geralmente, sua causa em fenômenos espontâneos da dinâmica do universo, mas em ações do homem, que interferem no equilíbrio ecológico. Tais intervenções foram aceleradas, sobretudo, pelo sistema industrial e os modelos econômicos adotados a partir dos últimos 3 séculos. A comunidade humana está cuidando mal da natureza, dela exigindo mais que ela pode dar, destruindo a própria casa, pouco a pouco.
Vamos deixar correr, fazendo de conta que o problema não existe, ou que é só dos outros? Manter o mesmo ritmo de consumo e de interferência na natureza, sem nos importar com as consequências? Num condomínio, quando aparecem problemas e riscos, é normal que todos os condôminos se reúnam e decidam sobre o quê fazer, pois o bem de todos está relacionado intimamente com o bem do próprio condomínio. Não deveria ser diferente com nosso Planeta: descuidar da Terra faz mal a todos; cuidar bem da Terra é bom para todos.
O papa João Paulo II advertiu que a questão ecológica representa um problema moral, cujas implicações são, basicamente, duas: a solidariedade para com os pobres e o direito das futuras gerações. De fato, os maiores prejudicados com a deterioração ambiental são, e o serão ainda mais no futuro, os pobres do mundo, os mais fracos e desprotegidos da família humana. E não é moralmente honesto viver e agir apenas pensando em si, sem levar em conta o bem dos membros mais frágeis da família. Por outro lado, esta é uma questão de respeito e de justiça para com as gerações futuras, que habitarão este Planeta depois de nós. Em que estado deixaremos este condomínio para nossos pósteros? A questão ecológica demanda com urgência uma nova consciência solidária. O zelo pelo Planeta é um desafio moral, que a humanidade precisa enfrentar com políticas adequadas de convivência e de interação responsável com a natureza.
Recentemente, na encíclica Caritas in Veritate (32), o papa Bento XVI apontou para a necessidade de uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e do sentido da economia e seus objetivos, para corrigir disfunções e deturpações, que têm implicação direta na deterioração do ambiente da vida na Terra. Por outro lado, não menos necessária é uma renovação cultural, para redescobrir os valores que constituem o alicerce firme sobre o qual se pode construir o futuro melhor para todos.
Para os cristãos e para os crentes em Deus, de modo geral, há um motivo a mais para tratar a natureza com profundo respeito e responsabilidade: ela é dádiva do Criador para todas as suas criaturas, não, certamente, para que a depredem e destruam, mas para que dela vivam e louvem a Deus. De modo especial, o ser humano foi feito “zelador do jardim” e colaborador inteligente e responsável no cuidado pela obra de Deus. Tratar mal a dádiva é desprezar e ofender o doador; e a vontade de potência absoluta do homem sobre a natureza é irresponsável, pois introduz a desordem no mundo; as consequências só podem ser desastrosas, como aquelas que já constatamos e lamentamos.
A Campanha da Fraternidade deste ano é um convite à reflexão e à ação para manter acolhedora e vivível para todos nossa preciosa casa no universo. Também para aqueles que a ocuparão depois de nós. É questão moral; questão de fraternidade.

Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, Ed. de 12.02.2011

Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo
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JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE: OS JOVENS BRASILEIROS EM MADRI

Cidade do Vaticano, 28 fev (RV) - Numa pequena fábrica perto de Quito, a capital do Equador, um grupo de 150 mulheres está trabalhando num pedido muito especial. Um a um saem de suas mãos os rosários que terminarão nas mochilas dos participantes da Jornada Mundial da Juventude. Das suas mãos para as de centenas de milhares de jovens que se reunirão no próximo mês de agosto em Madri, para celebrar este acontecimento.

Com o passar dos meses estas mulheres anônimas produziram 7 toneladas de rosários, que viajarão até Madri. A maioria delas é dona de casa, com baixos recursos econômicos, e fizeram estes rosários como fonte de rendimentos para a sua sobrevivência.

Todos os rosários são uma doação da Family Rosary, o Apostolado do Rosário em Família, uma associação internacional com sede nos Estados Unidos, fundada pelo Servo de Deus, o Padre Patrick Peyton, cuja principal característica é promover a oração do rosário, especialmente em família.

O transporte de tão volumosa mercadoria não é tarefa fácil. A Fundação SEUR encarregar-se-á deste trabalho como parte da sua colaboração com a Jornada Mundial. Este acordo permitirá cobrir as necessidades de transporte, logística e armazenamento da JMJ.

E qual é a expectativa da participação dos jovens brasileiros na Jornada Munidal da Juventude de Madri. Quem nos responde é o Responsável pelo Setor Juventude da CNBB, Padre Carlos Sávio (SP)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CARDEAL SARAH: PAPA CONVIDA A ESCOLHER LÓGICA DO AMOR PELOS MAIS POBRES

◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Foi apresentada na manhã desta terça-feira, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a Mensagem do Papa para a Quaresma deste ano. A apresentação foi feita, entre outros, pelo Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum – Cardeal Robert Sarah, e pela Presidente da Ong católica Manos Unidas – Myriam García Abrisqueta.

"Mudar a perspectiva do nosso coração de uma dimensão egoísta para aquela dimensão do amor pelo próximo necessitado": esse é o desafio lançado pelo Papa com a sua Mensagem para a Quaresma – disse o Cardeal Sarah.

Um documento – acrescentou – que ressalta a importância da "formação do coração" à luz do Batismo, tema chave da Mensagem.

O purpurado deteve-se assim sobre o compromisso concreto do Cor Unum em assistir os irmãos que sofrem, com uma atenção particular à população do Haiti, abalada com o terremoto que pouco mais de um ano atrás sacudiu o país caribenho.

O Cardeal guineano salientou que o Pontífice doou 2 milhões de dólares ao Haiti, destinados, sobretudo, à reconstrução de igrejas e escolas. Dito isso, fez uma breve reflexão voltada à atualidade:

"Num ambiente midiático, que ama falar somente dos erros cometidos por membros da Igreja, é necessário tornar conhecida a caridade concreta da Igreja Católica."

Ademais, o Presidente do organismo vaticano reiterou que não é suficiente para a Igreja responder apenas às necessidades materiais. O Santo Padre propõe o período da Quaresma como "um caminho" para fazer frutificar a semente plantada com o Batismo – prosseguiu. "Deus destinou-nos ao amor" – acrescentou – e devemos, então, acolher o dom da vida divina que nos foi feito mediante o Batismo:

"Eis a aventura que Bento XVI nos propõe para esta Quaresma. Na Páscoa, quando colheremos o que semeamos, "o homem velho" que está em nós sucumbirá. Desse modo, mediante a graça divina, poderemos ressurgir e tornar-nos novas criaturas. O convite papal não é uma utopia!"

A coletiva de imprensa ofereceu também a ocasião para conhecer melhor o organismo laico de voluntariado "Manos Unidas", nascido na Espanha, e hoje presente em mais de 60 países – com milhares de projetos de desenvolvimento.

A Presidente de "Manos Unidas", Myriam Abrisqueta, fez questão de ressaltar que com o compromisso dos voluntários da Ong, síntese de espiritualidade e caridade, eles querem ajudar o encontro do homem de hoje com Cristo, mediante a promoção de um desenvolvimento integral das populações.

Respondendo a perguntas de jornalistas a propósito da nova condução da Caritas Internationalis, o Cardeal Sarah agradeceu a Lesley-Anne Knight pelo trabalho realizado, afirmando que agora se tem a necessidade de outra pessoa para responder aos novos desafios e, em particular, para reforçar a identidade católica do organismo caritativo. (RL)


COM CRISTO SEPULTADOS, COM ELE RESSUSCITADOS. A MENSAGEM DO PAPA PARA A QUARESMA

◊ Cidade do Vaticano, 22 de fev (RV) - Foi divulgada esta manhã a íntegra da Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2011. Abaixo, a íntegra do texto:

«Sepultados com Ele no baptismo,
foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo
litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra
específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro
definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na
caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais
abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de
Quaresma).

1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, «tendo-nos
tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e
exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São
Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus
realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos
crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com
as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria
existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao
homem.

O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que
se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu
possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos,
configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 10-
11). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa
toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera,
iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.

Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para
experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os
Pastores da Igreja a utilizar «mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia
quaresmal» (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a
Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério
pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo
Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8,
11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos
um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como
também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras
eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.

2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar
a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode
haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos
textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente
intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para
os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é
baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a
Ele.

O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta
terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite
a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde
nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum,
n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união
com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Hb 6, 12), no qual o diabo
é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do
Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos
na vitória às seduções do mal.

O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo,
que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma
consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto
monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça de
Deus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o
convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele
quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito,
onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.

O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do
terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso
coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito
Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e
verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só
esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita,
«enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.

O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho
interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38),
afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura
é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa
fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele
ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».

Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos
diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?»
(Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente
com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o
Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida preparanos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência:

Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica
e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à
política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem
futuro, sem esperança.

O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na
Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas baptismais, reafirmamos que Cristo é
o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água
e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da
Graça para sermos seus discípulos.

3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do
Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um
vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos
a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de
Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa
para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus
caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões
do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor
de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado
profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo
para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não
só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso
lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de
intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com
que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).

No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que
insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação
e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou
seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas
despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque
coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade
paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos
iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma,
tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão
a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à
atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.

Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de
Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma
preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao
nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permitenos
também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade
e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não
tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas
palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que
ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida
eterna.

Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da
Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão
profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo
no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus;
libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos
à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa
debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da
Penitência e caminhar com decisão para Cristo.

Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do
jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir
o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.

Vaticano, 4 de Novembro de 2010

BENEDICTUS PP XVI


PAPA DOA 30 MIL DÓLARES A VÍTIMAS DE TEMPESTADE TROPICAL NA COSTA RICA

◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O ministro das relações exteriores da Costa Rica, René Castro, pronunciou-se ontem por conta da doação de 30 mil dólares que Bento XVI fez às pessoas atingidas pela tempestade tropical de nome Tomás. Nas últimas semanas, essa tempestade tem causado grandes danos tanto na Costa Rica quanto na Nicarágua.

A doação foi confiada à Conferência Episcopal da Costa Rica, conforme informou o embaixador do país junto à Santa Sé, Fernando Sanchéz.

O Ministro René Castro, falando a jornalistas, foi porta-voz da gratidão da população para com o Papa que, disse ele, “estima muito o povo desse país e nos dá um apoio de grande valor com as suas orações”.

A tempestade Tomás, já no final do ano passado, havia causado, na Costa Rica, 23 mortes e sérias perdas materiais. Essas vítimas foram recordadas pelo Papa na mensagem Urbi et Orbi de Natal. (ED)


CARDEAL TAURAN É O NOVO PROTODIÁCONO DA IGREJA

◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O cardeal francês Jean-Louis Tauran, de 67 anos, atual presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, é desde ontem o novo cardeal protodiácono da Igreja.

Esta função faz dele o responsável por anunciar publicamente o nome do futuro Papa, após um eventual conclave, do balcão central de São Pedro - como enuncia o Código de Direito Canônico (cân. 355.2).

O cardeal Tauran substitui Dom Agostino Cacciavillan, que deixou a ordem diaconal depois de 10 anos e passou a ser cardeal-presbítero.

Também entraram na ordem dos diáconos os Cardeais Sergio Sebastiani, Zenon Grocholewski, Jorge Maria Majia, Walter Kasper e Roberto Tucci. Após as seis ‘promoções’, o Cardeal Tauran se tornou o primeiro da lista dos diáconos, e portanto, protodiácono.

Ao cardeal protodiácono cabe a tarefa de anunciar o ‘Habemus papam’ e o nome do novo Pontífice depois da fumaça branca. Ele impõe também o pálio aos arcebispos metropolitas na festividade de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho, e ao novo Papa, na missa de início de Pontificado. Também está sempre ao lado do Pontífice no balcão das bênçãos e por ocasião das mensagens ‘Urbi et Orbi’.

Os últimos protodiáconos a anunciar a eleição pontifícia foram o italiano Pericle Felici, que em 1978 anunciou duas (João Paulo I e João Paulo II), e o chileno Jorge Arturo Medina Estevez, que em abril de 2005 apresentou ao mundo o recém-eleito Bento XVI.

O Cardeal Jean-Louis Tauran nasceu em Bordeaux em 5 de abril de 1943 e tem longa experiência diplomática, tendo sido vice-secretário e secretário de ‘relações exteriores’ na Secretaria de Estado vaticana. Em 2003 tornou-se arquivista e bibliotecário da Santa Romana Igreja e em 2007, presidente do dicastério para o Diálogo Inter-religioso. Teve papel fundamental nas relações diplomáticas na época da guerra no Iraque. Realçou a importância das NNUU na resolução de conflitos e declarou que “uma guerra de agressão unilateral constituiria um crime contra a paz e uma violação da Convenção de Genebra”. Em seguida, declarou que o acontecido no Iraque demonstrava que paradoxalmente, os cristãos eram mais tutelados durante o regime de Saddam Hussein.

Atualmente está fortemente engajado no diálogo com outras confissões religiosas e justamente nestes dias (23 e 24 de fevereiro), deveria encontrar-se com representantes da Universidade sunita de Al-Azhar se esta não tivesse suspendido as relações com o Vaticano após os apelos do Papa pela proteção das minorias cristãs no Oriente Médio.
(CM)


PAPA NOMEIA NOVO SECRETÁRIO DO PONTIFÍCIO CONSELHO DA PASTORAL PARA OS MIGRANTES E OS ITINERANTES

◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Bento XVI nomeou Secretário do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, Dom Joseph Kalathiparambil, até então Bispo de Calicut, na Índia.

Nascido em 1962, em Vaduthala, no Estado indiano de Kerala – sul do país – foi ordenado sacerdote em 1978. Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma, foi Vigário-Geral da Arquidiocese indiana de Verapoly, de 1998 a 2002, ano em que recebeu a ordenação episcopal. (RL)


JPII: NOVO MILAGRE PARA A SANTIDADE

◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O postulador da causa de canonização de João Paulo II, Dom Slawomir Oder, faz um apelo a todos os fiéis para que colaborem para que o processo vá adiante e depois da beatificação, comece a etapa conclusiva da santidade: “enviem informações sobre novos milagres”.

“Não esqueçamos – diz Mons. Oder em um vídeo no site da beatificação do Papa polonês – que a etapa de beatificação é apenas uma etapa do processo, à espera do grande dia em que a Igreja o levará à glória como santo”.

Para que isso ocorra, é necessário comprovar outro milagre atribuído a João Paulo II. “Assim sendo – apela Mons. Oder – convido a rezar intensamente e a levar ao conhecimento do postulador, que continua atento a esta realidade, todos os casos que podem ser atribuídos à intercessão de João Paulo II, como casos de graça recebida”.
(CM)


CHINA E SANTA SÉ, SINAIS DE RECONCILIAÇÃO

◊ Taiwan, 22 fev (RV) - O cardeal de Taiwan, Dom Paul Shan, que deve realizar uma viagem à China em junho, declarou hoje esperar que o Vaticano e Pequim possam reconciliar-se e minimizar suas diferenças.

Em entrevista ao jornal chinês South China Morning Post, e replicada pela Ansa,o cardeal afirmou que “será preciso tempo. O governo chinês tem sua jurisdição e o Vaticano também tem a sua. Deveriam respeitar-se reciprocamente”.

A Santa Sé e o governo de Pequim romperam as relações diplomáticas em 1951, quando o Estado católico reconheceu a independência de Taiwan, território reivindicado pela China.
A Igreja Patriótica da China, controlada pelo governo, não reconhece a autoridade do Papa e reprime a Igreja clandestina, que segue o Pontífice como única autoridade católica no mundo.

Nos últimos anos, os dois Estados reconheceram alguns sacerdotes e bispos, o que para o cardeal de Taiwan representa um primeiro sinal da possibilidade de uma futura retomada das relações.

No entanto, as ordenações de novos bispos sem o consenso do Vaticano e as eleições de líderes da Igreja Patriótica em 2010 reacenderam as tensões entre a Santa Sé e Pequim.

Existem na China cerca de cinco milhões de católicos fiéis da Igreja oficial e cerca de 11 milhões que aderem à “Igreja subterrânea”.

Dom Paul Shan foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II em 1998. Nasceu na China central e foi enviado para Taiwan em 1949. Em junho deve realizar uma viagem a Xangai, durante a qual celebrará uma missa com o bispo local, Dom Aloysius Jin Luxian.

Promotor de campanhas de luta contra o câncer, o cardeal também é ativo em causas de proteção do meio-ambiente e prevenção de desastres naturais.
(CM)


O SACERDÓCIO SEGUNDO O CONCÍLIO VATICANO II: UMA RELEITURA DA "PRESBYTERORUM ORDINIS"

◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Sacerdotes novos para uma Igreja realmente nova. Esse foi o espírito de fundo que orientou o Concílio Vaticano II quando se tratou de redefinir o ministério sacerdotal, à luz dos horizontes abertos do Concílio. O fruto da reflexão conciliar se condensou no Decreto Presbyterorum Ordinis, que Paulo VI promulgou no dia 7 de dezembro de 1965.

A esse propósito, trazemos as considerações feitas pelo sacerdote jesuíta, Pe. Dariusz Kowalczyk, no âmbito de uma abordagem buscando redescobrir os documentos conciliares.

Não há renovação na Igreja sem renovação dos presbíteros. Tal afirmação não é sinal de mentalidade clerical, mas a verdade, radicada na estrutura da Igreja querida pelo Senhor. O Concílio recorda que Cristo mesmo promoveu alguns dos discípulos "como ministros, de modo que no seio da sociedade dos fiéis tivessem a sacra potestade da ordem para oferecer o sacrifício e perdoar os pecados" (n. 2).

O Vaticano II recorda "a todos a alta dignidade da ordem dos presbíteros" (n. 1), mas, por outro lado, ensina que os presbíteros não "caem do céu", mas são provenientes da comunidade de fiéis e "vivem no meio dos outros homens como irmãos no meio dos irmãos" (n. 3).

Portanto, os sacerdotes devem ter consciência da grandeza da sua vocação, sem celebrar a si mesmos, vez que não possuem nada que não tenham recebido. De fato, devem ser recordadas as palavras de Santo Agostinho: "Para vocês eu sou bispo, com vocês sou cristão".

O Decreto Presbyterorum Ordinis indica os três deveres fundamentais dos presbíteros: proclamar a palavra de Deus, celebrar os sacramentos, e exercer o ministério da caridade.

O sacerdote deve recordar que a sua tarefa "não é ensinar uma sabedoria própria, mas ensinar a palavra de Deus" (n. 4). Todavia, tal ensinamento não consiste em repetir automaticamente as mesmas fórmulas, mas no "aplicar a perene verdade do Evangelho às circunstâncias concretas da vida" (n. 4).

O Concílio ressalta a necessidade de comunhão nas relações entre bispos, presbíteros e diáconos, entre clero e religiosos (NMI, 45). Não se trata, porém, de uma solidariedade no ocultar os problemas que, ao invés, deveriam ser analisados e resolvidos. O Concílio indica, sobretudo, aquela "espiritualidade de comunhão" que permite aos presbíteros ajudar-se reciprocamente, contribuindo, juntos, para o bem da Igreja. (RL)


BOLÍVIA: IMAGENS QUE CHORAM, NECESSÁRIO PRUDÊNCIA

◊ Oruro, 22 fev (RV) - O Bispo da Diocese de Oruro, na Bolívia, Dom Cristóbal Bialasik, afirmou que diante de fenômenos com imagens como o Cristo que chora e emana sangue na cidade de Cochabamba, a sabedoria da Igreja ensina que é necessário ser sempre prudentes.

Em declarações à agência ACI Prensa no dia 18 de fevereiro, Dom Bialasik explicou que, em fatos como este, sempre é melhor “esperar e ir descobrindo os sinais que indicam se um acontecimento pode ser considerado como verdadeiro ou não”, porque também poderia haver algum engano.

Desde março de 1995 em Cochabamba um busto de Jesus coroado com espinhos chora e emana sangue. Este busto se encontra no lar da senhora Silvia Arévalo.

O Prelado assinalou que no caso desta imagem já se efetuaram investigações científicas sob a responsabilidade do médico especialista, Dr. Ricardo Castañón, que afirmou que o sangue que brota é humano. O perito também filmou a imagem chorando e sangrando.

Por isso, a Conferência Episcopal Boliviana (CEB) estabeleceu uma comissão para analisar este fenômeno e estabelecer uma postura oficial.

Nesta comissão participa Dom Bialasik junto do Arcebispo de Cochabamba, Dom Tito Solari e o Bispo da Prelatura de Aiquile, Dom Jorge Herbas.

Os bispos levarão em conta “todas as opiniões, nossa opinião e a religiosidade popular”, assinalou Dom Bialasik à ACI Prensa.

Sobre o procedimento da Igreja nestes casos, o Prelado explicou que “há muita reserva no princípio”, mas se os fatos se repetem, “então o Bispo deve tomar alguma decisão de formar uma equipe de estudo para dar seguimento” e analisar o que ocorre.

O Bispo de Oruro preferiu não adiantar conclusões do relatório que prepara a comissão e que apresentarão em maio à Conferência Episcopal Boliviana, e sublinhou que “a riqueza disto é a prudência antes de tomar uma decisão”. (SP)


BISPOS DOMINICANOS ESCREVEM CARTA EM DEFESA DA DIGNIDADE HUMANA

◊ Santo Domingo, 22 fev (RV) - A Conferência Episcopal da República Dominicana elaborou um documento por ocasião dos “500 anos em defesa da dignidade humana”, publicado pelos 167 anos da independência nacional deste país, que se celebra no dia 27 de fevereiro. A carta pastoral dos bispos – refere a agência de notícias Fides - denuncia a situação de extrema pobreza na qual vivem muitos dos irmãos dominicanos. O documento está dividido em 5 partes: conta a história do país, apresenta o Sermão de Montesino, oferece um olhar atual do sermão, apresenta uma análise e um relatório sobre a situação em que vive o país, lança um apelo à mudança e ao compromisso para construir um novo país, de acordo com os princípios da Constituição.

Na introdução, depois de uma evocação histórica do nascimento do país e do trabalho dos primeiros missionários, o documento salienta que “a missão da Igreja primitiva foi a pregação, a administração dos sacramentos, a educação e a assistência social”. No n º 12 diz: “Com os primeiros missionários chegaram também a defesa da dignidade humana e dos direitos dos nativos. O melhor exemplo foi o sermão, que em nome de sua comunidade sacerdotal fez Frei Antón Montesino e que ajudou Frei Bartolomeu de Las Casas tornar-se o grande defensor dos índios”.

À luz daquele sermão, os bispos analisam a situação atual e denunciam: “Segundo qual justiça se mantém a situação de precária assistência de saúde à população? Situação na qual falta a dignidade da pessoa e permite a propagação de doenças e até mesmo a propagação do cólera’”.

O texto continua: “Com qual justiça se permite aos nossos irmãos viverem ao longo dos rios, em casas indignas, construídas apenas com bambus”. Onde estão os programas de assistência aos pobres?”. Além disso, os bispos denunciam o analfabetismo, a diferença entre os salários dos diferentes grupos da sociedade, os salários de miséria dos trabalhadores, conscientes do fato que esses salários não lhes permitem viver dignamente. O documento se conclui com o apelo aos habitantes do país a cumprir com as suas obrigações e reivindicar seus direitos, para que possam viver como filhos de Deus, como “discípulos escolhidos e enviados para a missão”. (SP)


ÍNDIA: ASSASSINADO SACERDOTE

◊ Palayamkotta, 22 fev (RV) - Um jovem de 24 anos assassinou no último dia 16 de fevereiro o sacerdote G. Amalan, Secretário da Comissão para a Família da diocese de Palayamkotta, estado de Tamil Nadu (Índia meridional) para roubar o pouco dinheiro que tinha. Conforme assinala a agência vaticana Fides, o jovem, que recebia com freqüência a ajuda material do sacerdote, confessou o crime. Até o momento as investigações revelam que o motivo do crime foi o pouco dinheiro que tinha o padre. Depois de golpeá-lo em sua casa, levou uma pequena soma em dinheiro que encontrou.

O Vigário Geral da Diocese de Palayamkotta, Padre Antonysamy, disse à Fides que “estamos profundamente consternados por este fato. A comunidade está muito triste. O culpado foi capturado e agora a justiça humana fará o seu papel”. “É a primeira vez que um episódio deste tipo ocorre na nossa diocese, que costuma ser muito tranqüila”, acrescentou.

O Bispo de Palayamkotta, Dom Jude Gerald Paulraj, presidiu o funeral do Padre Amalan durante o qual elogiou o seu zelo pastoral. Além disso, muitos casais puderam testemunhar e recordar a obra do sacerdote em favor das famílias.

Nesta diocese há 130 mil católicos, aproximadamente 65 do total da população. Segundo o Vigário, não se registraram episódios de violência de grupos extremistas hindus, como os que ocorrem em outros lugares do país onde os cristãos são freqüentemente perseguidos por causa de sua fé. (SP)

BANGLASDESH: VIOLÊNCIAS CONTRA MINORIAS

◊ Ragipara, 22 fev (RV) - Um vilarejo foi incendiado e dezenas de pessoas ficaram feridas e foram expulsas de Ragipara no distrito montanhoso de Rangamati, na diocese de Chittagong, Bangladesh. Os moradores locais que sofreram a violência, perpetrada por agricultores muçulmanos, são budistas, hindus e cristãos das minorias étnicas: essa é a denúncia feita à agência Fides pela Comissão “Justiça e Paz” da Igreja local. No último dia 17 de fevereiro mais de 300 agricultores muçulmanos, que querem tomar as terras para a agricultura, organizaram uma ação punitiva contra o vilarejo habitado por povos indígenas. Os agricultores foram apoiados por agentes da polícia local que legitimaram os abusos.

Outros casos como este (habitantes nativos atacados e privados de sua terra) se registraram nos últimos dias na área de Gulishakhali. Os agricultores muçulmanos usaram como pretexto a morte de seu companheiro, Ali Saber, encontrado morto na área de Ragiparam, e deram vida a uma reação violenta, pisoteando os direitos das minorias.

“Atearam fogo em nossas casas e nas nossas pequenas lojas”, disse uma testemunha ocular. Há muito tempo os agricultores muçulmanos desejam expulsar da área os grupos étnicos locais, não-muçulmanos para adquirir novos terrenos agrícolas. Em muitos casos, eles conseguiram, porque ninguém, nem mesmo as autoridades civis, respeita e garante os direitos das minorias étnicas e religiosas.

O advogado Devasish Roy King, também ele pertencente à minoria local, escreveu uma carta aberta às autoridades civis e à Comissão de Direitos Humanos do Bangladesh, denunciando o ocorrido e citando “a cumplicidade da polícia local”. A carta pede uma investigação sobre o episódio de Ragipara, com a identificação e punição dos culpados, e convida o governo a proteger e salvaguardar os direitos dos cidadãos, membros de minorias étnicas ou religiosas. (SP)


PAQUISTÃO: MANIFESTAÇÃO PRÓ ASIA BIBI

◊ Roma, 22 fev (RV) - Centenas de ativistas da Frente Cristã do Punjab fizeram um jejum de protesto na fronteira indo-paquistanês, no vilarejo de Attari, para manifestar contra a pena de morte decretada contra Asia Bibi, a cristã paquistanesa acusada de blasfêmia. Os membros da Frente Cristã do Punjab – refere a agência de notícias AsiaNews - pediram ao governo para revogar a sentença, e à comunidade internacional que faça pressão sobre o Paquistão para abolir a lei.

O presidente da Frente Cristã, Lawarance Chaudhary, entregou um memorando às autoridades locais, para que a mesmo seja enviado à Alta Comissão do Paquistão. O documento pede ao presidente do Paquistão e ao Ministro da Justiça que reconsiderem a situação de Asia Bibi, acusada e condenada graças às pressões de poderosos líderes locais. O Bispo da Diocese de Amritasr, Dom Samantaroy pediu que a lei sobre a blasfêmia seja cancelada.

O bispo declarou: “A lei sobre a blasfêmia é usada de forma metódica para resolver questões pessoais, e de outro gênero. Nós, a Igreja do Norte da Índia fazemos campanha para que essa lei infame sobre a blasfêmia seja eliminada. E por isso participamos da manifestação de Attari”. Dom Samantaroy acrescentou ainda: “Já discutimos essa questão com várias instituições cristãs em todo o mundo, para fazer campanha em prol de Asia Bibi e para fazer pressão sobre o governo paquistanês sobre essa lei”. (SP)


ÍNDIA: MANIFESTAÇÃO CONTRA RELATÓRIO SOBRE VIOLÊNCIAS ANTI-CRISTÃS

◊ Mangalore, 22 fev (RV) - Mais de 50 mil cristãos manifestaram no último domingo, em Mangalore, no Estado indiano de Karnataka, contra o Relatório da Comissão Somasekha sobre os ataques contra dezenas de igrejas em 2008. Os manifestantes marcharam em silêncio, vestidos de preto e com a boca coberta por uma mordaça, para expor a falsidade de um Relatório que - dizem – escondem os verdadeiros responsáveis pelas violências anti-cristãs. Também alguns bispos participaram da manifestação. Eis o que disse à Rádio Vaticano o Arcebispo de Bangalore, capital do Estado de Karnataka, Dom Bernard Blasius Moras.

“No dia 28 de janeiro de 2011 foi divulgado o Relatório final da Comissão que tinha sido anteriormente apresentado ao governador de Karnataka. Para nosso espanto, o Relatório é absolutamente hostil à comunidade cristã enquanto absolveu de qualquer responsabilidade o governo estadual, o partido no poder, o BJP (Bharatiya Janata Party), os grupos fundamentalistas como o Bajrang Dal, e até mesmo a polícia, que fora acusada no Relatório preliminar. Além disso, eles ainda acusaran os cristãos de serem eles mesmos os autores destes ataques, e fizeram acusações de conversões em larga escala, apesar de afirmar que a Igreja Católica não faz proselitismo: procuram assim um modo de dividir a fé católica das outras confissões cristãs”.

“O Relatório – continuou o arcebispo - pede também que estes grupos cristãos sejam colocados sob o controle do governo, e há sinais de esteja em preparação uma lei anti-conversão. Deseja também que os fundos e as doações provenientes do exterior sejam administradas pelo governo, e se sugere a criação de um cadastro das religiões. Tudo isso é muito, muito anti-cristão e contra a religião”. (SP)


EUROPA PREOCUPADA POR ATAQUES A MINORIAS RELIGIOSAS

◊ Bruxelas, 22 fev (RV) - A União Europeia reafirmou ontem seu compromisso em favor da liberdade de culto e manifestou sua profunda preocupação pelo incremento de episódios de violência e intolerância contra minorias religiosas em várias partes do mundo.

Em um texto, os chanceleres da Comunidade, reunidos em Bruxelas, condenaram ‘firmemente’ os ataques contra lugares de culto cristãos e peregrinos muçulmanos neste início de ano, e asseguraram que ‘infelizmente’ nenhum país está isento do ‘açoite’ da intolerância religiosa.

Vinte e oito peregrinos xiitas morreram há duas semanas em um ataque suicida contra um ônibus na cidade iraquiana de Samarra, enquanto em janeiro, ataques a igrejas cristãs no Egito deixaram várias vítimas.

Para a União Europeia, a liberdade religiosa é um direito fundamental de todos os seres humanos que deve ser protegido em todos os lugares. Os Ministros do Exterior dos 27 países membros da União afirmam que é responsabilidade das autoridades nacionais proteger seus cidadãos, inclusive os que pertencem a minorias religiosas, pois “todas as pessoas devem poder praticar livremente sua religião, individual ou coletivamente, sem medo de intolerâncias e ataques” – concluíram os ministros.
(CM)


PRESBÍTERO MISSIONÁRIO

◊ Rio de Janeiro, 22 fev (RV) - Na semana que passou, tivemos a quarta turma participando do retiro do clero da Arquidiocese. A reflexão sobre a identidade do presbítero, percorrendo os diversos momentos da história, alicerçando na Sagrada Escritura e nos Documentos do Magistério está sendo uma oportunidade para renovar o entusiasmo vocacional. Um dos aspectos aprofundados é sobre a missionariedade do presbítero na Igreja. A missão permanente encontra na vida do padre um eco que anima os demais membros da Igreja para que, como discípulos missionários, contagiem com a generosidade de uma vida totalmente dedicada ao Reino de Deus.

A Congregação para o clero publicou recentemente uma Carta Circular com as conclusões de sua Assembleia Plenária, com o título “A identidade missionária do Presbítero na Igreja”. É uma oportunidade de refletir sobre essa tese nesse momento importante da história da Igreja.

Esse documento, depois da introdução, aonde vem recordada a vocação essencialmente missionária da Igreja peregrina, que por desígnio do Pai nasce na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo, a Carta vai aprofundando a temática de modo pontualizado em três seções:
Na primeira, ela trata da Consciência eclesial da necessidade de um renovado empenho missionário e isso não somente pensando naqueles que nunca ouviram falar no Cristo, mas é necessário um empenho cada vez mais atual de uma prática missionária no próprio rebanho da Igreja, ou seja, entre os batizados.

Na segunda, atesta os Aspectos teológico-espirituais da missionariedade dos presbíteros, salientando “Quando se fala de missão, é preciso levar em consideração, necessariamente, que o enviado – o presbítero, nesse caso – encontra-se em relação tanto com quem o envia como com aqueles aos quais é enviado. Examinando sua relação com Cristo, o primeiro enviado do Pai, é preciso sublinhar o fato de que, conforme os textos do Novo Testamento, é o próprio Cristo que envia e constitui os ministros de sua Igreja, mediante o dom do Espírito Santo concedido na ordenação sacramental; eles não podem ser considerados simplesmente eleitos ou delegados da comunidade ou do povo sacerdotal. O envio vem de Cristo; os ministros da Igreja são instrumentos vivos de Cristo, único mediador.

Na terceira, bem mais extensa, recorda que é necessário, uma renovada práxis missionária dos presbíteros e isso se faz necessário, porque: “A urgência missionária de nossos dias exige uma renovada práxis pastoral. As novas condições culturais e religiosas do mundo, com toda a sua diversidade, segundo as várias regiões geográficas e os diferentes ambientes sócio-culturais, indicam a necessidade de abrir novos caminhos para a práxis missionária”.

Essa prática é concretizada nos seguintes fundamentos: O missionário deve ser discípulo, discípulo na missão ad gentes, não apenas partindo para lugares distantes, mas vivendo como presbítero Fidei donum mesmo nas realidades de cada país, como o nosso, onde existem lugares ainda tão necessitados da presença de missionários, como a imensa região amazônica.

A evangelização missionária é um constante convite, pois é preciso ir à procura dos nossos batizados, e também de todos os não ainda batizados, anunciar-lhes, de novo ou pela primeira vez, o querigma, ou seja, o primeiro anúncio da pessoa de Jesus Cristo, morto na cruz e ressuscitado para a nossa salvação, e de seu Reino, e assim conduzi-los a um encontro pessoal com Cristo. O presbítero exercitará sua vocação missionária fundado, sobretudo, no cumprimento fiel do tria munera que se fundam o seu ministério: múnus de ensinar, santificar e governar, sobre cada um desses múnus, recorda a carta:
Ao ensinar: “Em primeiro lugar, para ser um verdadeiro missionário dentro do próprio rebanho da Igreja, segundo as exigências atuais, é essencial e indispensável que o presbítero se decida, com viva consciência e determinação, não apenas a acolher e evangelizar aqueles que o pro- curam, tanto na paróquia como em outros lugares, mas a «levantar- se e ir » em busca, primeiro, dos batizados que por motivos diversos não vivem sua pertença à comunidade eclesial, e também daqueles que pouco ou nada conhecem a Jesus Cristo”.

Ao santificar: “O exercício do munus sanctificandi está também ligado à capacidade de transmitir um sentido vivo do sobrenatural e do sagrado, que fascine e conduza a uma real experiência de Deus, existencialmente significativa”.

Ao governar: “São indispensáveis a preparação e a organização da missão nas comunidades eclesiais, nas paróquias. Uma boa preparação e uma organização clara da missão já constituem um penhor de êxito frutuoso. Obviamente, o primado da graça não pode ser esquecido, deve ser evidenciado. O Espírito Santo é o primeiro operador missionário. Por isso, é preciso invocá-lo insistentemente e com muita confiança”.

A Carta faz um convite-missão, relativo à formação missionária dos presbíteros: “Todos os presbíteros devem receber uma formação missionária específica e cuidadosa, dado que a Igreja quer empenhar-se, com renovado ardor e urgência, na missão ad gentes e numa evangelização missionária, dirigida a seus batizados, de modo particular àqueles que se afastaram da participação na vida e atividade da comunidade eclesial. Essa formação deveria ter início já no seminário, sobretudo mediante a direção espiritual e um estudo cuidadoso e aprofundado do sacramento da Ordem, a fim de salientar como a dinâmica missionária é intrínseca ao sacramento”.

A Carta em sua conclusão recorda e compromete: “Se a missionariedade é um elemento constitutivo da identidade eclesial, devemos ser gratos ao Senhor, que renova, também por intermédio do Magistério pontifício recente, essa clara consciência em toda a sua Igreja, e em particular nos presbíteros.

A urgência missionária no mundo é verdadeiramente grande e exige uma renovação da pastoral, no sentido de que a comunidade cristã deveria conceber-se em «missão permanente», tanto ad gentes como onde a Igreja já está estabelecida, ou seja, indo em busca daqueles que batizamos e têm o direito de ser evangelizados por nós.

Não podemos permanecer com uma pastoral apenas de conservação e de celebrações dos sacramentos e dos sacramentais. Dessa forma continuaremos atingindo apenas aqueles que participam de nossas comunidades. Necessitamos de ir “mar adentro para águas mais profundas” para chegar a outras pessoas e situações que também têm o direito de encontrar-se com Jesus Cristo. Precisamos de novos métodos de evangelização, à luz do Documento de Aparecida, para que nossos presbíteros sejam autênticos discípulos-missionários de Jesus Cristo indo ao encontro dos fiéis, de suas necessidades, sempre anunciando e testemunhando Jesus Cristo que está no meio de nós. Certamente não é fácil, mas o nosso sacerdócio exige um despojamento total e um engajamento literal na vivência, no agir e na pessoa de Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


PAZ E LIBERDADE RELIGIOSA

◊ Campanha,MG, 22 fev (RV) - O Papa Bento XVI reflete, em sua mensagem para o 44º Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro, sobre a “liberdade religiosa, caminho para a paz”. Na sua reflexão, o Santo Padre constata um ambiente hostil contra os cristãos, em muitas regiões do mundo. E afirma que, o cerceamento da liberdade religiosa impede a verdadeira paz.

O direito à liberdade religiosa radica na própria dignidade humana. Esse direito universal deve ser respeitado, para que a sociedade contribua para a realização plena do ser humano. O direito à vida e o direito à liberdade religiosa é condição da legitimidade moral de toda norma social e jurídica.

Desde a infância, na família, o ser humano deve ser educado para o respeito recíproco e para o diálogo religioso. Só assim se pode conviver de modo harmonioso. Devemos superar discussões e rixas por motivos religiosos. Elas não contribuem para a mútua edificação. Antes são uma ameaça à paz. Podem desencadear violência, vingança e morte.

Em sua mensagem, o Papa denuncia os ataques praticados contra cristãos, sobretudo em regiões da África e da Ásia. Lembremos os que aconteceram recentemente em Bagdá, no Iraque, e em Alexandria, no Egito. Ao mesmo tempo, alerta para o perigo do fundamentalismo, que compromete a laicidade positiva dos Estados. E adverte para a instrumentalização da liberdade religiosa que pode levar ao integralismo e ao racionalismo.

No mundo globalizado, o Pontífice reconhece o papel das grandes Religiões e das culturas religiosas. Convida-as para assumirem o compromisso com a liberdade e a viverem no amor e na verdade. Em outubro p.f. completam-se 25 anos do primeiro encontro de oração do Papa João Paulo II com os líderes cristãos e das grandes religiões. Que a lembrança desse evento leve todas as pessoas de boa vontade a incrementar seus esforços e orações pela paz.

A paz é dom de Deus, mas também projeto a realizar. Que o testemunho de tantos cristãos perseguidos contribua para se estabelecerem pontes que promovam o caminho da paz.

† Frei Diamantino P. de Carvalho, ofm
Bispo da Diocese da Campanha


TERREMOTO NA NOVA ZELÂNDIA DEIX 65 PESSOAS MORTAS E 200 FERIDAS

◊ Sydney, 22 fev (RV) – Um terremoto de 6,3 graus na escala Richter deixou, até o momento, 65 pessoas mortas e 200 feridas na Nova Zelândia. A cidade atingida se chama Christchurch e está localizada no sul do país.

Christchurch é a segunda maior cidade neozelandesa e tem uma população de 400 mil pessoas. O tremor iniciou pouco depois do meio-dia, a uma distância de cinco quilômetros do centro. Com quatro quilômetros de profundidade, foi seguido de uma réplica de 4,5 graus, 15 minutos mais tarde, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Esse é pior sismo que atingiu o país nos últimos oitenta anos.

Em algumas ruas, pode-se ver crateras que chegam a um metro de profundidade. O diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias da Nova Zelândia, Pe. Paul Shannahan, conta que pessoas estão soterradas nos escombros, edifícios foram destruídos, ônibus e automóveis foram atingidos por detritos, estradas e linhas telefônicas foram interrompidas. Também as duas famosas catedrais da cidade, uma anglicana e a outra católica, foram parcialmente destruídas.

Foi declarado estado de emergência, Polícia e Exército montaram um cordão de segurança ao redor da zona mais afetada e o aeroporto foi fechado.

Essa área da Nova Zelândia está sofrendo muito com esse tipo de desastre natural nos últimos meses. Em setembro passado, um terremoto de 7,2 graus já havia atingido Christchurch, deixando dezenas de feridos e grandes danos. E nos dias que se seguiram ao Natal, vários tremores de terra foram sentidos na região, tendo sido o último – antes do de hoje - de 4,9 graus na escala Richter.

As Pontifícias Obras Missionárias no país disponibilizaram um endereço eletrônico para o qual podem ser envidas orações de apoio às vítimas, que serão entregues aos habitantes através do Pe. Paul. (ED)


ÁFRICA TEM POTENCIALIDADE PARA GARANTIR A SEGURANÇA ALIMENTAR GLOBAL

◊ Roma, 22 fev (RV) - O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Ifad), cujos representantes estiveram reunidos em Roma neste último final de semana, publicou, como resultado dos seus trabalhos, uma mensagem encorajando investidores a apostarem nos pequenos agricultores africanos como uma solução para a segurança alimentar mundial.

Esteve presente no encontro, entre outros, Kofi Annan, ex-secretário geral das Nações Unidas e presidente da Aliança para a Revolução Verde no continente africano. Segundo ele, “a África tem terra e capital humano para desenvolver um sistema agrícola capaz de produzir excedentes que garantiriam a segurança alimentar global para os anos futuros”. “Até agora – sinalizou -, o continente tem sido penalizado pela falta de tecnologia e infra-estrutura, mas a situação está mudando”.

Durante o encontro, a Ifad discutiu estratégias de luta contra a pobreza e apresentou iniciativas de suporte à segurança alimentar. Foi destacada ainda a necessidade de se oferecer às populações rurais maiores possibilidades de aproveitamento da agricultura. O presidente da Instituição, Kanayo Nwanze, ressaltou que os últimos acontecimentos no Magrebe (norte da África) mostram a energia das novas gerações e a importância de oferecer-lhes um futuro.

Ficou também instituído um novo fórum para as populações indígenas, que será gerenciado por um organismo da ONU, com sede em Roma, especializado nas questões ligadas ao desenvolvimento rural e ao microcrédito. Este novo fórum tem o objetivo de aumentar a participação dos grupos indígenas nas decisões que influenciam diretamente nas suas vidas. (ED)

© Rádio Vaticano 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Papa e Santa Sé


DIVULGADA AGENDA DA VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA A AQUILEIA E VENEZA

◊ Cidade do Vaticano, 15 fev (RV) – Divulgada hoje a agenda da viagem apostólica de Bento XVI às cidades de Aquileia e Veneza (ambas no norte da Itália). A visita deverá durar dois dias, de 7 a 8 de maio.

Na tarde de sábado, 7 de maio, o Papa vai chegar a Aquileia, e logo irá encontrar-se com os habitantes da cidade na Piazza Capitolo para saudá-los. Horas depois, irá proferir um discurso na Basílica da cidade. À tardinha, partirá de helicóptero para Veneza.

Às 19h30min do mesmo dia (hora local), já em Veneza, irá encontrar-se com os cidadãos na principal praça da cidade, a Praça São Marcos, de onde fará outro discurso. Em seguida, na Basílica que dá nome à Praça, fará a veneração das relíquias de São Marcos.

No domingo, dia 8 de março, às 10h da manhã, celebrará a Santa Missa no Parque San Giuliano, em Mestre, de onde irá proferir a homilia. Após a recitação da oração mariana do Regina Coeli, o Santo Padre fará sua saudação aos fiéis e se dirigirá novamente a Veneza - Praça São Marcos -, onde vai se encontrar com os bispos, quando seguirão para um almoço no Patriarcado de Veneza.

Para as 16h45 está prevista a assembléia de encerramento da visita pastoral diocesana na Basílica de São Marcos. Nessa ocasião, também teremos um discurso do Papa. Uma hora mais tarde, Bento VXI partirá de gôndola para a Basílica da Saúde, onde transcorrerá um encontro com expoentes do mundo da cultura e da economia. O Papa irá proferir um discurso.

Ainda nessa Basílica, o Santo Padre irá abençoar o término dos trabalhos de restauração da Capela da Santíssima Trindade e inaugurar instalações da biblioteca do Stadium Generale Marcianum de Veneza.

À noite, o Santo Padre retorna para o Vaticano. (ED)


CARDEAL SANDRI: QUE OS CRISTÃOS POSSAM CONTRIBUIR, NO NOVO EGITO, NA BUSCA DO BEM COMUM

◊ Cidade do Vaticano, 15 fev (RV) - No Egito, após a renúncia de Hosni Mubarak, teve início uma nova fase política. Foi formada uma comissão encarregada de emendar a Constituição, e o Conselho Supremo das Forças Armadas dissolveu o Parlamento.

O Marechal Hussein Tantawi assumiu a presidência do país. O período de transição se estenderá até setembro, quando se realizarão as eleições gerais.

Diante dessa realidade, qual significado as profundas mudanças poderão ter para a comunidade cristã do Egito? Foi o que a Rádio Vaticano procurou saber do Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri. Eis o que disse:

Cardeal Leonardo Sandri:- "Para a Igreja copta, quer ortodoxa, quer católica, essa reviravolta representa um momento de grande importância, porque permite aos coptas ortodoxos poder expressar a sua palavra como cristãos, e aos nossos coptas católicos como católicos, na esperança de que tudo isso leve à tranqüilidade, à convivência, à busca do bem comum para todos os egípcios, de modo a poder constituir uma sociedade que seja digna do homem, mais justa, e que dê a todos a oportunidade de poder participar da vida pública."

P. Falando em bem comum: estão em andamento as primeiras tentativas de renovar a Constituição egípcia, algo indispensável para colocar fim à discriminação das minorias, das quais são vítimas os cristãos in primis. A seu ver, as opiniões dos coptas serão ouvidas a esse propósito?

Cardeal Leonardo Sandri:- "Penso que certamente deveriam ser ouvidos e espero também que essas opiniões sejam aceitas. Espero também que na Constituição sejam colocados aqueles princípios fundamentais que dizem respeito à dignidade do homem e da mulher; à liberdade de todos; à convivência civil, no respeito pelos outros e no respeito pela lei."

P. Infelizmente, há também quem tema que o Egito possa transformar-se numa espécie de novo Iraque: de uma situação relativamente tranqüila e estável para um quadro – após a reviravolta política – de perseguição e de êxodo dos cristãos. O que pode ser feito para se evitar essa situação?

Cardeal Leonardo Sandri:- "Certamente não é absolutamente auspicioso que se possa repetir um novo Iraque e, portanto, uma nova situação que depois leve ao êxodo dos cristãos, ao êxodo daqueles que não são reconhecidos como cidadãos iguais aos outros. Espero que não aconteça o mesmo no Egito! Aliás, espero que a sabedoria que os egípcios têm – e que inclusive demonstraram durante as manifestações, que se realizaram de modo pacífico, nas quais expressaram esse desejo de mudança – sirva de iluminação para os passos futuros e consiga levar a um grande Egito, assim como foi para toda a sua história. O Egito é chamado a ser uma grande nação na África, inclusive na relação com os vizinhos. Espero que possa ser, sobretudo, uma pátria na qual todos possam viver tendo respeitados os seus direitos fundamentais, a própria liberdade, a democracia e o respeito pelos outros." (RL)


ARCEBISPO FISICHELLA: NECESSIDADE DA MÍDIA PARA MOSTRAR VERDADEIRO ROSTO DE DEUS

◊ Cidade do Vaticano, 15 fev (RV) - As novas linguagens, a cultura na missão da Igreja e a nova evangelização. Esses são os temas no centro da Assembléia aberta nesta segunda-feira em Madri, na Espanha, pelos delegados diocesanos responsáveis pelos meios de comunicação social.

Na conferência de abertura, o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, se deteve sobre o "Significado cristão na sociedade de hoje".

Em seus dois mil anos de história, "a Igreja jamais abandonou o seu dever de evangelizar", e essa tarefa é crucial também no atual momento de crise de valores no qual "o papel dos católicos assume maior importância" – recordou o Arcebispo.

Para dar força justamente ao espírito missionário da Igreja, numa sociedade em que a fé parece ser enfraquecida pela forte pressão do secularismo, no mês de setembro passado foi instituído por Bento XVI o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

"Uma intuição profética", disse Dom Fisichella, chamado pelo Papa a conduzir o novo dicastério vaticano, a fim de que este ajude a compreender como a Igreja deve desempenhar o seu ministério "num mundo submetido a grandes transformações culturais".

Diante dessas transformações, "é dever de todos nós reforçar a fé": neste momento somos chamados a ser missionários com a força da razão demonstrando que esta "não se contrapõe aos conteúdos da fé" – acrescentou.

O Arcebispo frisou que é necessária uma nova linguagem, e nas sociedades ocidentais, sempre mais marcadas pela informação, os meios de comunicação não devem ser vistos na dimensão meramente tecnológica, mas como "um universo de pensamento com grandes potencialidades".

Em seguida, o prelado se deteve sobre o fenômeno da secularização, ressaltando que diante do "eclipse do sentido da vida", a tentação é pensar que o homem é "o dono da vida e da morte, porque pode quando e como".

A Igreja deve falar de Deus ao homem de hoje e deve "fazer conhecer o verdadeiro rosto de Deus" – explicou Dom Fisichella. "Todos os meios de comunicação são necessários para esse anúncio" – concluiu. (RL)


O CONCÍLIO VATICANO II E A LIBERDADE RELIGIOSA: UMA RELEITURA DA "DIGNITATIS HUMANAE"

◊ Cidade do Vaticano, 15 fev (RV) - O direito à liberdade religiosa, reiteradas vezes defendido pelo Papa e pela Igreja, sobretudo numa época – como a recente – de renovadas perseguições anticristãs, tem na realidade uma antiga raiz na Declaração conciliar Dignitatis humanae, dedicada a esse aspecto.

Sobre a doutrina desse documento, aprovado em 7 de dezembro de 1965, eis o que nos diz o jesuíta, Pe. Dariusz Kowalczyk, em seu aprofundamento acerca dos documentos do Concílio ecumênico Vaticano II:

De acordo com o recente Relatório da organização "Ajuda à Igreja que Sofre", 70% da humanidade vive nos países onde a liberdade religiosa é limitada, e as perseguições por razões de fé jamais cessaram.

Segundo o Relatório, nos últimos anos, dentre as 100 vítimas de intolerância religiosa, 75 são cristãs. Não raramente, também em nossa época, o preço por professar a fé em Jesus Cristo é o de ser detido, torturado ou assassinado.

Muitas vezes – como disse Bento XVI em Londres – implica também "ser apontados como irrelevantes, ridicularizados ou motivo de menosprezo".

Nessa situação, vale a pena reler a Declaração conciliar sobre a liberdade religiosa, a qual afirma, entre outras coisas, "que a pessoa humana tem o direito à liberdade religiosa" (nº 2). E depois precisa: "esse direito (...) deve ser reconhecido, na ordem jurídica da sociedade, como direito civil". Infelizmente, nem todos os políticos querem promover uma liberdade religiosa real, que não seja apenas declarativa (nº 2).

A liberdade religiosa deve ser vista de dois modos: como uma "liberdade de", e uma "liberdade para". De fato, o Concílio ressalta: "que em matéria religiosa ninguém seja forçado a agir contra a sua consciência nem seja impedido (...) de agir em conformidade com ela" (nº 2).

Todavia, a liberdade religiosa não pode ser limitada à vida privada, porque "a própria natureza social do ser humano exige que ele expresse externamente os atos internos de religião (...) e professe a sua religião de modo comunitário" (nº 3).

Em sua dimensão social, a liberdade religiosa significa, entre outras coisas, o direito de ensinar e de testemunhar publicamente a própria fé, de nomear seus ministros, de comunicar com as autoridades e com as comunidades religiosas que vivem em outros países, de construir prédios religiosos. Hoje a Igreja deve responder a muitas daquelas situações onde tais direitos são violados. (RL)


Igreja no Brasil


ARCEBISPO JOÃO BRAZ DE AVIZ SE DESPEDE DE BRASÍLIA

◊ Brasília, 15 fev (RV) - O novo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Dom João Braz de Aviz, despediu-se no último domingo da Arquidiocese de Brasília.

Mais de três mil pessoas participaram da cerimônia realizada na Catedral Nossa Senhora Aparecida que contou com a presença do clero e de fiéis das 128 paróquias da Arquidiocese de Brasília.

Dom João Braz de Aviz viaja, nesta terça-feira, para Roma a fim de assumir o cargo nesse organismo vaticano, depois de sete anos como Arcebispo de Brasília. A partir de 16 de março próximo, o prelado começará a desempenhar sua nova função. "Partir é preciso a fim de continuar a missão. Amei apaixonadamente esta Santa Igreja", disse Dom João.

Numa entrevista à Assessoria de Imprensa da CNBB, após sua nomeação, no dia 4 de janeiro passado, Dom João falou de seu amor por Brasília e sobre as dificuldades e alegrias ao longo dos sete anos que passou na capital federal.

Na ocasião, o arcebispo falou também sobre a religiosidade do povo de Brasília. "Brasília é uma vitrine de todas as religiões e Igrejas. Aqui cada um tem seu lugar de povo brasileiro que professa a sua fé; e ter essa relação de diálogo respeitoso, ser amigo da verdade e caminhar juntos com valores é outro desafio grande que enfrentamos com amor e alegria não podendo fazer muitas coisas, mas o que fizemos foi nessa direção" – concluiu Dom João. (MJ/CNBB)


SALVADOR: CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

◊ Salvador, 15 fev (RV) - A Arquidiocese de Salvador (BA) promove no próximo dia 27, o seminário "Campanha da Fraternidade 2011". O evento contará com a participação de especialistas e representantes de órgãos governamentais que abordarão o tema deste ano "Fraternidade e Vida no Planeta".

A dinâmica do seminário será dividida em três partes. A primeira, intitulada Ver, irá trabalhar com o reconhecimento dos problemas ecológicos que atingem a sociedade.

O segundo momento recebe o nome de Julgar e irá tratar dos temas do meio ambiente associados à espiritualidade. O foco principal é a maneira como as religiões enxergam e exercem o compromisso ecológico.

A última sessão é o Agir e terá o objetivo de incentivar os participantes a se engajarem na luta pela defesa do meio ambiente. Para isso, foram convidados membros de instituições que já trabalham com essa causa para que através de seus testemunhos passem um pouco de sua experiência às comunidades. (MJ/CNBB)


Igreja no Mundo


PAQUISTÃO:CONFIRMADO MINISTÉRIO DAS MINORIAS RELIGIOSAS

◊ Islamabad, 15 fev (RV) - O novo governo do Paquistão “se comprometa a respeitar os direitos humanos no país e a tutelar o estado de direito”: é o que pede a “Fundação Masihi” ao novo governo do Paquistão após a remodelação feita pelo primeiro-ministro Raza Gilani. Essa fundação cuida da defesa e proteção das minorias religiosas e, atualmente, presta assistência jurídica e materiais a Asia Bibi, a primeira mulher paquistanesa condenada à morte sob a acusação de blasfêmia.

Entretanto, o Ministério para as Minorias Religiosas foi confirmado no novo governo do Paquistão, depois de uma remodelação e uma redução drástica dos ministérios de mais de 50 para 22. Segundo fontes locais, o Ministério estava prestes a ser abolido, mudando-se para Ministério de Assuntos Religiosos, que se ocupa das questões da comunidade muçulmana. Uma campanha de pressão internacional contribuiu a confirmar a presença.

O Ministro Shahbaz Bhatti, católico, titular do Ministério também do novo executivo não esconde sua satisfação e afirmou à agência Fides: “Com as bênçãos de Deus e as orações dos fiéis fui confirmado. Estou feliz neste sentido: os partidos extremistas religiosos e movimentos fizeram grande pressão sobre o governo para suprimir o Ministério para as Minorias Religiosas, mas o presidente do Paquistão e o Primeiro-Ministro resistiram e para o bem comum da nação, optaram por manter do Ministério”.

Segundo Bhatti, “este é, portanto, um sinal claro da atenção do Governo para com as minorias religiosas. Teria sido de fato, muito fácil, durante o corte dos ministérios, cancelar o Ministério. Muitos dos principais ministros não foram confirmados, por várias razões, incluindo os motivos relacionados a questões de corrupção. A minha confirmação no cargo confirma a integridade moral e transparente que sempre caracterizou o nosso trabalho”.

“A minha nomeação - prosseguiu o ministro – criará protestos e ressentimento em muitos extremistas islâmicos, mas a minha luta vai continuar, apesar das dificuldades e ameaças que recebi. Meu único objetivo é defender os direitos fundamentais, a liberdade religiosa e a vida dos cristãos e outras minorias religiosas”. Bhatti conclui: “Ainda temos muito trabalho a fazer, temos desafios muito sérios, como a lei sobre a blasfêmia. Procurarei testemunhar, no meu compromisso, a fé em Jesus Cristo”.

De fato, “as pressões da imprensa e da comunidade internacional deram seus frutos. Estamos satisfeitos que o Ministério tenha sido confirmado”, disse à Fides o Diretor das Pontifícias Obras Missionárias no Paquistão, Padre Mario Rodrigues. “É claro ressalta – Padre Rodrigues - se olharmos para as últimas décadas, não podemos dizer que foram obtidas melhorias consistentes para a vida das minorias religiosas, mas abolir o ministério teria sido ainda pior. O Ministro continua sendo um interlocutor institucional importante para nós. Os seus esforços contra a lei sobre a blasfêmia foi claro e público e isso lhe custou ameaças de morte”, concluiu Padre Rodrigues. (SP)


IGREJAS EUROPEIAS DISCUTEM SOBRE A LIBERDADE RELIGIOSA

◊ Belgrado, 15 fev (RV) - A liberdade religiosa e o ecumenismo serão alguns dos temas que os bispos católicos do Conselho de Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e os representantes da Conferência das Igrejas Européias (CEC) discutirão na reunião anual que se realizará entre os dias 17 e 20 de fevereiro em Belgrado (Sérvia). Nesta reunião, será tratado também o tema da crise econômica e a paz no mundo, e revisarão as relações entre a identidade cristã na Europa e sua integração atual.

O tema da liberdade religiosa será exposto pelo professor italiano Massimo Introvigne, representante junto à OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) para combater o racismo, a xenofobia e a discriminação contra os cristãos e membros de outras religiões. O ecumenismo será tratado pela Dra. Joanna J. Matuszewska, teóloga da Igreja Evangélica Reformada da Polônia.

A agenda de trabalho também prevê o tema da presença de ciganos na Europa do Leste e as relações entre cristãos e muçulmanos na Europa.

A representação católica estará formada, entre outros, pelo Presidente e Vice-presidente da CCEE, Cardeal Peter Erdo, Arcebispo de Esztergom-Budapest (Hungria) e o Cardeal Jean-Pierre Ricard, Arcebispo do Bordeaux (França), respectivamente. (SP)


CANTORES MILANESES AJUDAM PROJETO MUNDO NOVO EM FAVOR DO HAITI

◊ Milão, 15 fev (RV) - Continua a solidariedade do mundo em favor do Haiti. Nesta terça-feira, 24 cantores italianos se exibirão no Teatro Derby de Milão, no concerto gratuito "Live for Haiti".

Durante o concerto, patrocinado pela Prefeitura de Milão, será apresentada a iniciativa beneficente "Mundo Novo" em favor dos projetos, no Haiti, de "Terre des Hommes", organização sem fins lucrativos que presta assistência a menores.

Foi gravado, nas ruas de Milão, um vídeo sobre a iniciativa "Mundo Novo". Durante o concerto será possível comprar o vídeo, além das músicas que serão apresentadas pelos cantores.

O objetivo da iniciativa é arrecadar fundos para ativar as adoções à distância das crianças haitianas hospedadas nas Casas do Sol de Terre des Hommes, que são centros de proteção das crianças contra abusos, violência, exploração e tráfico. (MJ)


CONCLUÍDO ENCONTRO DOS BISPOS AMIGOS DOS FOCOLARES

◊ Castel Gandolfo, 15 fev (RV) - Concluiu-se no Centro Mariápoles de Castel Gandolfo, nas proximidades de Roma, o 35° Encontro Internacional dos Bispos Amigos do Movimento dos Focolares.

"Redescobrir os desígnios de Deus hoje", ver no amor de Deus a chave de leitura que abre à compreensão da vontade de Deus que deseja o bem da humanidade, foram as temáticas abordadas no encontro que contou com a participação de 70 bispos provenientes de várias partes do mundo.

Os debates se concentraram sobre o carisma de Chiara Lubich, aprovado pelos Papas dos últimos tempos, carisma que "está profundamente ligado ao carisma do bispo" – disse o Arcebispo emérito de Praga, Cardeal Miloslav Vlk, moderador do encontro.

"A espiritualidade de comunhão emanada do Concílio Vaticano II, todo centralizado na Igreja mistério de comunhão, é vivida pelo Movimento dos Focolares de maneira carismática" – disse o prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet, durante sua visita ao Centro Mariápoles.

Diante dos desafios enfrentados hoje pela Igreja, sobretudo nos países de antiga tradição cristã, mas também em outras partes do mundo, os bispos quiseram mostrar as novas respostas que o Espírito Santo suscitou nos últimos anos, como a comunhão e a colaboração entre novos e antigos carismas, o diálogo ecumênico e inter-religioso, e o diálogo com a cultura leiga. (MJ)


Formação

PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÔNIO

◊ Rio de Janeiro 15 fev (RV) - Uma das preocupações mais sérias nestes últimos tempos tem sido a importância da família. Cursos, preparações, preocupações, orientações sempre estão presentes em nossas paróquias. Os vários movimentos familiares procuram recuperar a vida conjugal e a unidade familiar. Muitas pessoas não veem a importância que existe no processo matrimonial, que, quando bem administrado, pode ser importante catequese. Nem sempre se vê esses atos jurídicos como oportunidade catequética e fundamental encontro com a própria vocação.
No dia 22 de janeiro, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, pronunciou o seu consuetudinário discurso aos membros do Tribunal da Rota Romana (Colégio dos Prelados Auditores, Advogados e outros colaboradores) que, segundo a Constituição Apostólica “Pastor Bonus”, em seu número 126, tem como tarefa:
“Este Tribunal ordinariamente funciona como instância superior no grau de apelo junto da Sé Apostólica, para tutelar os direitos na Igreja; provê a unidade da jurisprudência e, mediante as próprias sentenças, constitui uma ajuda aos Tribunais inferiores”.
No discurso deste ano, o Papa Bento XVI recorda, no âmbito do matrimônio, a necessidade de que se busque reforçar a formação para uma adequada preparação para o matrimônio.
O Código atual, que reflete a eclesiologia do Concílio Ecumênico Vaticano II, demonstra uma preocupação muito grande em relação ao matrimônio, logicamente não limitado ao ato da celebração (momento da prestação do consentimento), mas também se volta para a sua concreta preparação.
A crise que permeava tantos que haviam buscado o matrimônio cristão foi, durante o Concílio, objeto de preocupação e consequente estudo e aprofundamento, manifestando-se depois na vontade dos Padres conciliares a reflexão contida na Constituição pastoral Gaudim et spes (47-52). Temos também a importante Exortação apostólica pós-sinodal Familiaris consortio, promulgada pelo venerável João Paulo II. É preciso, em tal preparação, que os pastores se preocupem em esclarecer os noivos para que o matrimônio seja celebrado válida e licitamente.
Não pode haver contraposição entre o direito e a pastoral, eles caminham juntos e não podem ser vistos como instâncias distintas.
Para o Matrimônio, sacramento onde os cônjuges constituem uma comunidade de vida e para toda a vida, é preciso que se repense, para aprofundar, a preparação para o mesmo, que deve ser remota, próxima e imediata, como deixa perceber claramente no cân. 1063: “Os pastores de almas têm a obrigação de cuidar que a própria comunidade eclesial preste assistência aos fiéis, para que o estado matrimonial se mantenha no espírito cristão e progrida na perfeição. Essa assistência deve prestar-se, sobretudo:
1° - pela pregação, pela catequese apropriada aos menores, aos jovens e adultos, mesmo com o uso dos meios de comunicação social, com que sejam os fiéis instruídos sobre o sentido do matrimônio e o papel dos cônjuges e pais cristãos;
2° - com a preparação pessoal para contrair matrimônio, pela qual os noivos se disponham para a santidade e deveres do seu novo estado;
3° - com a frutuosa celebração litúrgica do matrimônio, pela qual se manifeste claramente que os cônjuges simbolizam o mistério da unidade e do amor fecundado entre Cristo e a Igreja, e dele participam;
4° - com o auxílio prestado aos casados para que, guardando e defendendo fielmente a aliança conjugal, cheguem a levar na família uma vida cada vez mais santa e plena”.
Numa perspectiva jurídica, em concomitância com a índole sempre pastoral do Direito, é de relevância inegável o cuidado em evitar a celebração do matrimônio com riscos de declaração de nulidade (vícios de consentimento), mas também de invalidade (impedimentos). Recorda-nos em seu discurso o Papa: “Jurídico não quer dizer formalista, como se fosse uma mera prática burocrática, consistindo em preencher um formulário tendo como base perguntas rituais. Trata-se, isso sim, de uma ocasião pastoral única – a de valorizar com toda a seriedade e atenção que se exige – na qual, por meio de um diálogo cheio de respeito e cordialidade, o pastor procura ajudar a pessoa a situar-se seriamente perante a verdade sobre si mesma e sobre a sua própria vocação humana e cristã para o matrimônio”
A investigação prévia, feita de forma apropriada e responsável, tende a assegurar a ausência de impedimentos e a manifestação de um consentimento autêntico e livre. Muitíssimos males poderão ser evitados caso esse aspecto não seja descuidado pelos párocos, mas assumido com seriedade. Dessa maneira, sem sombra de dúvida, o aspecto jurídico põe-se a serviço da preocupação pastoral: tem como objeto, portanto, não apenas uma celebração lícita e válida, mas especialmente a estabilidade da própria vida conjugal, para isso se deve observar com diligência e fidelidade o que prescrevem os cânn. 1066-1070, como normas seguras e prévias à própria celebração.
No sentido específico do serviço prestado a toda a Igreja pelo Tribunal da Rota Romana neste aspecto: “provê à unidade da jurisprudência e, mediante as próprias sentenças, constitui uma ajuda aos Tribunais inferiores”, recorda o Romano Pontífice que alguns capítulos de nulidade, mormente o 1095, 2º (grave falta de discrição de juízo) e 1101, § 2 (simulação parcial), de modo concreto naquele da exclusão do bonum coniugum. Afirma o Papa: “é necessário ter um sério compromisso para que as decisões jurídicas reflitam a verdade sobre o matrimônio, a mesma que deve iluminar o momento da admissão às núpcias”.
Embora o Bispo seja sempre o juiz nato em sua diocese, temos os nossos Vigários Judiciais que, por nosso mandato, desempenham, sobretudo no Tribunal Eclesiástico, esse ministério da justiça a esses colaboradores, que fiéis e em íntima sintonia com o Santo Padre e com o Bispo Diocesano, supõe fidelidade a jurisprudência da Rota Romana, exercício da justiça com equidade. É importante também estudar o relatório enviado a cada ano ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e/ou também os dados finais fornecidos ao Centro de Estatística da Igreja. Nas sentenças de declaração de nulidade e nos processos de declaração de invalidade é preciso deixar evidente que “Não existe, portanto, um matrimônio da vida e outro de direito: só há um matrimônio, que é constitucionalmente vínculo jurídico real entre um homem e uma mulher, um vínculo sob o qual apoia-se a autêntica dinâmica conjugal da vida e do amor”.
Que sejam os párocos e vigários a preencher o Processo de Habilitação Matrimonial, exercendo o múnus próprio de preparar com dignidade nossos noivos para um autêntico matrimônio católico. É uma importante ocasião para uma educação sobre a vida matrimonial e a beleza da vocação que os noivos estão assumindo.
A família, centro da vida cristã, deve ser valorizada como centro de nossa ação pastoral. Que a Sagrada Família abençoe as nossas famílias!

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Atualidades


BRASIL DOA 300 MIL DÓLARES AO HAITI

◊ Porto Príncipe, 15 fev (RV) - Em visita ao Haiti nesses dois últimos dias, o ministro das relações exteriores brasileiro, Antonio Patriota, anunciou uma nova contribuição financeira brasileira para com o país. Serão 300 mil dólares a serem aplicados no processo eleitoral e na reconstrução política haitiana.

“A estabilidade política é fundamental para um país como o Haiti”, declarou o ministro. Somente para organizar as eleições do próximo dia 20 de março, serão necessários um milhão e meio de dólares.

Patriota afirmou ainda que a presença brasileira na ilha tem como objetivo promover a estabilidade. Com mais de 1.200 soldados brasileiros, o país esteve à frente das missões de paz das Nações Unidas após o terremoto de 12 de janeiro de 2010. Analistas de relações internacionais consideram que o Brasil quer colocar-se como potência regional no Haiti, lado a lado com os Estados Unidos. (ED)


MULTA RECORDE POR DANOS AMBIENTAIS NA AMAZÔNIA EQUATORIANA

◊ Quito, 15 fev (RV) – Uma multa recorde foi aplicada ao grupo petrolífero estadunidense Chevron, que atua na Amazônia equatoriana. Oito bilhões de dólares é a soma que a empresa deverá pagar aos reclamantes pelos danos ambientais por ela causados na região.

A decisão foi anunciada ontem por um juiz equatoriano, e diz respeito à destruição causada pela Texaco entre 1964 à 1990, empresa que a Chevron adquiriu em 2001. Demorou, mas saiu. O montante é 16 vezes mais alto àquele cobrado da Exxon Móbil pela maré negra derramada no Alaska em 1989.

A empresa, que é acusada de ter derramado 68 bilhões de litros de produtos tóxicos na Amazônia equatoriana durante o período em questão, declarou que o veredicto é ilegítimo e inaplicável, contrário ao Estado de Direito.

Nos próximos três dias, as duas partes vão apelar da decisão: a empresa para anular todo o processo, e os reclamantes para pedirem o aumento do valor da indenização, a qual, segundo eles, não basta para reparar os danos causados. (ED)


SAVE THE CHILDREN ALERTA PARA A SITUAÇÃO DAS CRIANÇAS MIGRADAS DA TUNISIA

◊ Roma, 15 fev (RV) - A Organização Internacional Save the Children lançou um alarme em relação à questão dos refugiados tunisianos que estão chegando em massa à pequena ilha italiana de Lampedusa. A Organização está chamando a atenção para o grande número de menores entre os imigrantes.

Somente de 10 a 14 de fevereiro, a Save the Children já interceptou 200 menores que estavam refugiados na ilha e os está alocando em centros para crianças e adolescentes em outras localidades da Itália.

A responsável, na Organização, pela proteção dos menores, Carlotta Bellini, explicou que é fundamental identificar os menores de idade que deslocaram-se da Tunísia desacompanhados e abrigá-los nos centros próprios para acolhe-los, que estão espalhados em todo o país. Ela ressalta que é importante que eles sejam alojados separadamente dos adultos, para as suas próprias seguranças.

A Save the Children sublinhou ainda a necessidade de assegurar o respeito de proteção e de acolhimento para os imigrantes e, em particular, para os menores presentes nas áreas de desembarque e nos centros de primeiro acolhimento.

A questão dos imigrantes tunisianos está sendo debatida também no âmbito das Nações Unidas. A Organização Mundial para Migrações, OIM, está discutindo com autoridades italianas o futuro dessas pessoas.

No final de semana, mil pessoas desembarcaram na ilha italiana de Lampedusa, mas, nesta segunda-feira, segundo a OIM, não houve mais nenhuma chegada durante a madrugada.

Há de se resolver a questão do status que será dado aos migrantes que permanecerem na Itália, país o qual, aliás, já declarou que não poderá acolher a todos.

A OIM informou que muitas redes criminosas estão explorando essa tragédia humanitária, cobrando dos migrantes um mil e oitocentos dólares americanos - equivalentes três mil reais – pelo curto trajeto de barco da Tunísia até Lampedusa.

Os tunisianos estão abandonado o país devido à insegurança e à situação de caos que se instalou após a crise política que levou à queda do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali. (ED)

© Rádio Vaticano 2011