CARDEAL SARAH: PAPA CONVIDA A ESCOLHER LÓGICA DO AMOR PELOS MAIS POBRES
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Foi apresentada na manhã desta terça-feira, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a Mensagem do Papa para a Quaresma deste ano. A apresentação foi feita, entre outros, pelo Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum – Cardeal Robert Sarah, e pela Presidente da Ong católica Manos Unidas – Myriam García Abrisqueta.
"Mudar a perspectiva do nosso coração de uma dimensão egoísta para aquela dimensão do amor pelo próximo necessitado": esse é o desafio lançado pelo Papa com a sua Mensagem para a Quaresma – disse o Cardeal Sarah.
Um documento – acrescentou – que ressalta a importância da "formação do coração" à luz do Batismo, tema chave da Mensagem.
O purpurado deteve-se assim sobre o compromisso concreto do Cor Unum em assistir os irmãos que sofrem, com uma atenção particular à população do Haiti, abalada com o terremoto que pouco mais de um ano atrás sacudiu o país caribenho.
O Cardeal guineano salientou que o Pontífice doou 2 milhões de dólares ao Haiti, destinados, sobretudo, à reconstrução de igrejas e escolas. Dito isso, fez uma breve reflexão voltada à atualidade:
"Num ambiente midiático, que ama falar somente dos erros cometidos por membros da Igreja, é necessário tornar conhecida a caridade concreta da Igreja Católica."
Ademais, o Presidente do organismo vaticano reiterou que não é suficiente para a Igreja responder apenas às necessidades materiais. O Santo Padre propõe o período da Quaresma como "um caminho" para fazer frutificar a semente plantada com o Batismo – prosseguiu. "Deus destinou-nos ao amor" – acrescentou – e devemos, então, acolher o dom da vida divina que nos foi feito mediante o Batismo:
"Eis a aventura que Bento XVI nos propõe para esta Quaresma. Na Páscoa, quando colheremos o que semeamos, "o homem velho" que está em nós sucumbirá. Desse modo, mediante a graça divina, poderemos ressurgir e tornar-nos novas criaturas. O convite papal não é uma utopia!"
A coletiva de imprensa ofereceu também a ocasião para conhecer melhor o organismo laico de voluntariado "Manos Unidas", nascido na Espanha, e hoje presente em mais de 60 países – com milhares de projetos de desenvolvimento.
A Presidente de "Manos Unidas", Myriam Abrisqueta, fez questão de ressaltar que com o compromisso dos voluntários da Ong, síntese de espiritualidade e caridade, eles querem ajudar o encontro do homem de hoje com Cristo, mediante a promoção de um desenvolvimento integral das populações.
Respondendo a perguntas de jornalistas a propósito da nova condução da Caritas Internationalis, o Cardeal Sarah agradeceu a Lesley-Anne Knight pelo trabalho realizado, afirmando que agora se tem a necessidade de outra pessoa para responder aos novos desafios e, em particular, para reforçar a identidade católica do organismo caritativo. (RL)
COM CRISTO SEPULTADOS, COM ELE RESSUSCITADOS. A MENSAGEM DO PAPA PARA A QUARESMA
◊ Cidade do Vaticano, 22 de fev (RV) - Foi divulgada esta manhã a íntegra da Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2011. Abaixo, a íntegra do texto:
«Sepultados com Ele no baptismo,
foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)
Amados irmãos e irmãs!
A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo
litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra
específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro
definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na
caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais
abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de
Quaresma).
1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, «tendo-nos
tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e
exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São
Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus
realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos
crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com
as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria
existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao
homem.
O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que
se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu
possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos,
configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 10-
11). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa
toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera,
iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.
Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para
experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os
Pastores da Igreja a utilizar «mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia
quaresmal» (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a
Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério
pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo
Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8,
11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos
um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como
também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras
eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.
2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar
a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode
haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos
textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente
intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para
os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é
baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a
Ele.
O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta
terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite
a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde
nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum,
n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união
com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Hb 6, 12), no qual o diabo
é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do
Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos
na vitória às seduções do mal.
O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo,
que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma
consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto
monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça de
Deus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o
convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele
quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito,
onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.
O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do
terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso
coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito
Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e
verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só
esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita,
«enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.
O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho
interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38),
afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura
é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa
fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele
ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».
Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos
diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?»
(Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente
com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o
Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida preparanos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência:
Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica
e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à
política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem
futuro, sem esperança.
O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na
Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas baptismais, reafirmamos que Cristo é
o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água
e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da
Graça para sermos seus discípulos.
3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do
Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um
vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos
a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de
Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa
para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus
caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões
do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor
de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado
profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo
para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não
só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso
lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de
intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com
que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).
No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que
insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação
e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou
seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas
despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque
coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade
paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos
iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma,
tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão
a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à
atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.
Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de
Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma
preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao
nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permitenos
também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade
e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não
tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas
palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que
ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida
eterna.
Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da
Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão
profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo
no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus;
libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos
à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa
debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da
Penitência e caminhar com decisão para Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do
jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir
o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.
Vaticano, 4 de Novembro de 2010
BENEDICTUS PP XVI
PAPA DOA 30 MIL DÓLARES A VÍTIMAS DE TEMPESTADE TROPICAL NA COSTA RICA
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O ministro das relações exteriores da Costa Rica, René Castro, pronunciou-se ontem por conta da doação de 30 mil dólares que Bento XVI fez às pessoas atingidas pela tempestade tropical de nome Tomás. Nas últimas semanas, essa tempestade tem causado grandes danos tanto na Costa Rica quanto na Nicarágua.
A doação foi confiada à Conferência Episcopal da Costa Rica, conforme informou o embaixador do país junto à Santa Sé, Fernando Sanchéz.
O Ministro René Castro, falando a jornalistas, foi porta-voz da gratidão da população para com o Papa que, disse ele, “estima muito o povo desse país e nos dá um apoio de grande valor com as suas orações”.
A tempestade Tomás, já no final do ano passado, havia causado, na Costa Rica, 23 mortes e sérias perdas materiais. Essas vítimas foram recordadas pelo Papa na mensagem Urbi et Orbi de Natal. (ED)
CARDEAL TAURAN É O NOVO PROTODIÁCONO DA IGREJA
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O cardeal francês Jean-Louis Tauran, de 67 anos, atual presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, é desde ontem o novo cardeal protodiácono da Igreja.
Esta função faz dele o responsável por anunciar publicamente o nome do futuro Papa, após um eventual conclave, do balcão central de São Pedro - como enuncia o Código de Direito Canônico (cân. 355.2).
O cardeal Tauran substitui Dom Agostino Cacciavillan, que deixou a ordem diaconal depois de 10 anos e passou a ser cardeal-presbítero.
Também entraram na ordem dos diáconos os Cardeais Sergio Sebastiani, Zenon Grocholewski, Jorge Maria Majia, Walter Kasper e Roberto Tucci. Após as seis ‘promoções’, o Cardeal Tauran se tornou o primeiro da lista dos diáconos, e portanto, protodiácono.
Ao cardeal protodiácono cabe a tarefa de anunciar o ‘Habemus papam’ e o nome do novo Pontífice depois da fumaça branca. Ele impõe também o pálio aos arcebispos metropolitas na festividade de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho, e ao novo Papa, na missa de início de Pontificado. Também está sempre ao lado do Pontífice no balcão das bênçãos e por ocasião das mensagens ‘Urbi et Orbi’.
Os últimos protodiáconos a anunciar a eleição pontifícia foram o italiano Pericle Felici, que em 1978 anunciou duas (João Paulo I e João Paulo II), e o chileno Jorge Arturo Medina Estevez, que em abril de 2005 apresentou ao mundo o recém-eleito Bento XVI.
O Cardeal Jean-Louis Tauran nasceu em Bordeaux em 5 de abril de 1943 e tem longa experiência diplomática, tendo sido vice-secretário e secretário de ‘relações exteriores’ na Secretaria de Estado vaticana. Em 2003 tornou-se arquivista e bibliotecário da Santa Romana Igreja e em 2007, presidente do dicastério para o Diálogo Inter-religioso. Teve papel fundamental nas relações diplomáticas na época da guerra no Iraque. Realçou a importância das NNUU na resolução de conflitos e declarou que “uma guerra de agressão unilateral constituiria um crime contra a paz e uma violação da Convenção de Genebra”. Em seguida, declarou que o acontecido no Iraque demonstrava que paradoxalmente, os cristãos eram mais tutelados durante o regime de Saddam Hussein.
Atualmente está fortemente engajado no diálogo com outras confissões religiosas e justamente nestes dias (23 e 24 de fevereiro), deveria encontrar-se com representantes da Universidade sunita de Al-Azhar se esta não tivesse suspendido as relações com o Vaticano após os apelos do Papa pela proteção das minorias cristãs no Oriente Médio.
(CM)
PAPA NOMEIA NOVO SECRETÁRIO DO PONTIFÍCIO CONSELHO DA PASTORAL PARA OS MIGRANTES E OS ITINERANTES
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Bento XVI nomeou Secretário do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, Dom Joseph Kalathiparambil, até então Bispo de Calicut, na Índia.
Nascido em 1962, em Vaduthala, no Estado indiano de Kerala – sul do país – foi ordenado sacerdote em 1978. Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma, foi Vigário-Geral da Arquidiocese indiana de Verapoly, de 1998 a 2002, ano em que recebeu a ordenação episcopal. (RL)
JPII: NOVO MILAGRE PARA A SANTIDADE
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O postulador da causa de canonização de João Paulo II, Dom Slawomir Oder, faz um apelo a todos os fiéis para que colaborem para que o processo vá adiante e depois da beatificação, comece a etapa conclusiva da santidade: “enviem informações sobre novos milagres”.
“Não esqueçamos – diz Mons. Oder em um vídeo no site da beatificação do Papa polonês – que a etapa de beatificação é apenas uma etapa do processo, à espera do grande dia em que a Igreja o levará à glória como santo”.
Para que isso ocorra, é necessário comprovar outro milagre atribuído a João Paulo II. “Assim sendo – apela Mons. Oder – convido a rezar intensamente e a levar ao conhecimento do postulador, que continua atento a esta realidade, todos os casos que podem ser atribuídos à intercessão de João Paulo II, como casos de graça recebida”.
(CM)
CHINA E SANTA SÉ, SINAIS DE RECONCILIAÇÃO
◊ Taiwan, 22 fev (RV) - O cardeal de Taiwan, Dom Paul Shan, que deve realizar uma viagem à China em junho, declarou hoje esperar que o Vaticano e Pequim possam reconciliar-se e minimizar suas diferenças.
Em entrevista ao jornal chinês South China Morning Post, e replicada pela Ansa,o cardeal afirmou que “será preciso tempo. O governo chinês tem sua jurisdição e o Vaticano também tem a sua. Deveriam respeitar-se reciprocamente”.
A Santa Sé e o governo de Pequim romperam as relações diplomáticas em 1951, quando o Estado católico reconheceu a independência de Taiwan, território reivindicado pela China.
A Igreja Patriótica da China, controlada pelo governo, não reconhece a autoridade do Papa e reprime a Igreja clandestina, que segue o Pontífice como única autoridade católica no mundo.
Nos últimos anos, os dois Estados reconheceram alguns sacerdotes e bispos, o que para o cardeal de Taiwan representa um primeiro sinal da possibilidade de uma futura retomada das relações.
No entanto, as ordenações de novos bispos sem o consenso do Vaticano e as eleições de líderes da Igreja Patriótica em 2010 reacenderam as tensões entre a Santa Sé e Pequim.
Existem na China cerca de cinco milhões de católicos fiéis da Igreja oficial e cerca de 11 milhões que aderem à “Igreja subterrânea”.
Dom Paul Shan foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II em 1998. Nasceu na China central e foi enviado para Taiwan em 1949. Em junho deve realizar uma viagem a Xangai, durante a qual celebrará uma missa com o bispo local, Dom Aloysius Jin Luxian.
Promotor de campanhas de luta contra o câncer, o cardeal também é ativo em causas de proteção do meio-ambiente e prevenção de desastres naturais.
(CM)
O SACERDÓCIO SEGUNDO O CONCÍLIO VATICANO II: UMA RELEITURA DA "PRESBYTERORUM ORDINIS"
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Sacerdotes novos para uma Igreja realmente nova. Esse foi o espírito de fundo que orientou o Concílio Vaticano II quando se tratou de redefinir o ministério sacerdotal, à luz dos horizontes abertos do Concílio. O fruto da reflexão conciliar se condensou no Decreto Presbyterorum Ordinis, que Paulo VI promulgou no dia 7 de dezembro de 1965.
A esse propósito, trazemos as considerações feitas pelo sacerdote jesuíta, Pe. Dariusz Kowalczyk, no âmbito de uma abordagem buscando redescobrir os documentos conciliares.
Não há renovação na Igreja sem renovação dos presbíteros. Tal afirmação não é sinal de mentalidade clerical, mas a verdade, radicada na estrutura da Igreja querida pelo Senhor. O Concílio recorda que Cristo mesmo promoveu alguns dos discípulos "como ministros, de modo que no seio da sociedade dos fiéis tivessem a sacra potestade da ordem para oferecer o sacrifício e perdoar os pecados" (n. 2).
O Vaticano II recorda "a todos a alta dignidade da ordem dos presbíteros" (n. 1), mas, por outro lado, ensina que os presbíteros não "caem do céu", mas são provenientes da comunidade de fiéis e "vivem no meio dos outros homens como irmãos no meio dos irmãos" (n. 3).
Portanto, os sacerdotes devem ter consciência da grandeza da sua vocação, sem celebrar a si mesmos, vez que não possuem nada que não tenham recebido. De fato, devem ser recordadas as palavras de Santo Agostinho: "Para vocês eu sou bispo, com vocês sou cristão".
O Decreto Presbyterorum Ordinis indica os três deveres fundamentais dos presbíteros: proclamar a palavra de Deus, celebrar os sacramentos, e exercer o ministério da caridade.
O sacerdote deve recordar que a sua tarefa "não é ensinar uma sabedoria própria, mas ensinar a palavra de Deus" (n. 4). Todavia, tal ensinamento não consiste em repetir automaticamente as mesmas fórmulas, mas no "aplicar a perene verdade do Evangelho às circunstâncias concretas da vida" (n. 4).
O Concílio ressalta a necessidade de comunhão nas relações entre bispos, presbíteros e diáconos, entre clero e religiosos (NMI, 45). Não se trata, porém, de uma solidariedade no ocultar os problemas que, ao invés, deveriam ser analisados e resolvidos. O Concílio indica, sobretudo, aquela "espiritualidade de comunhão" que permite aos presbíteros ajudar-se reciprocamente, contribuindo, juntos, para o bem da Igreja. (RL)
BOLÍVIA: IMAGENS QUE CHORAM, NECESSÁRIO PRUDÊNCIA
◊ Oruro, 22 fev (RV) - O Bispo da Diocese de Oruro, na Bolívia, Dom Cristóbal Bialasik, afirmou que diante de fenômenos com imagens como o Cristo que chora e emana sangue na cidade de Cochabamba, a sabedoria da Igreja ensina que é necessário ser sempre prudentes.
Em declarações à agência ACI Prensa no dia 18 de fevereiro, Dom Bialasik explicou que, em fatos como este, sempre é melhor “esperar e ir descobrindo os sinais que indicam se um acontecimento pode ser considerado como verdadeiro ou não”, porque também poderia haver algum engano.
Desde março de 1995 em Cochabamba um busto de Jesus coroado com espinhos chora e emana sangue. Este busto se encontra no lar da senhora Silvia Arévalo.
O Prelado assinalou que no caso desta imagem já se efetuaram investigações científicas sob a responsabilidade do médico especialista, Dr. Ricardo Castañón, que afirmou que o sangue que brota é humano. O perito também filmou a imagem chorando e sangrando.
Por isso, a Conferência Episcopal Boliviana (CEB) estabeleceu uma comissão para analisar este fenômeno e estabelecer uma postura oficial.
Nesta comissão participa Dom Bialasik junto do Arcebispo de Cochabamba, Dom Tito Solari e o Bispo da Prelatura de Aiquile, Dom Jorge Herbas.
Os bispos levarão em conta “todas as opiniões, nossa opinião e a religiosidade popular”, assinalou Dom Bialasik à ACI Prensa.
Sobre o procedimento da Igreja nestes casos, o Prelado explicou que “há muita reserva no princípio”, mas se os fatos se repetem, “então o Bispo deve tomar alguma decisão de formar uma equipe de estudo para dar seguimento” e analisar o que ocorre.
O Bispo de Oruro preferiu não adiantar conclusões do relatório que prepara a comissão e que apresentarão em maio à Conferência Episcopal Boliviana, e sublinhou que “a riqueza disto é a prudência antes de tomar uma decisão”. (SP)
BISPOS DOMINICANOS ESCREVEM CARTA EM DEFESA DA DIGNIDADE HUMANA
◊ Santo Domingo, 22 fev (RV) - A Conferência Episcopal da República Dominicana elaborou um documento por ocasião dos “500 anos em defesa da dignidade humana”, publicado pelos 167 anos da independência nacional deste país, que se celebra no dia 27 de fevereiro. A carta pastoral dos bispos – refere a agência de notícias Fides - denuncia a situação de extrema pobreza na qual vivem muitos dos irmãos dominicanos. O documento está dividido em 5 partes: conta a história do país, apresenta o Sermão de Montesino, oferece um olhar atual do sermão, apresenta uma análise e um relatório sobre a situação em que vive o país, lança um apelo à mudança e ao compromisso para construir um novo país, de acordo com os princípios da Constituição.
Na introdução, depois de uma evocação histórica do nascimento do país e do trabalho dos primeiros missionários, o documento salienta que “a missão da Igreja primitiva foi a pregação, a administração dos sacramentos, a educação e a assistência social”. No n º 12 diz: “Com os primeiros missionários chegaram também a defesa da dignidade humana e dos direitos dos nativos. O melhor exemplo foi o sermão, que em nome de sua comunidade sacerdotal fez Frei Antón Montesino e que ajudou Frei Bartolomeu de Las Casas tornar-se o grande defensor dos índios”.
À luz daquele sermão, os bispos analisam a situação atual e denunciam: “Segundo qual justiça se mantém a situação de precária assistência de saúde à população? Situação na qual falta a dignidade da pessoa e permite a propagação de doenças e até mesmo a propagação do cólera’”.
O texto continua: “Com qual justiça se permite aos nossos irmãos viverem ao longo dos rios, em casas indignas, construídas apenas com bambus”. Onde estão os programas de assistência aos pobres?”. Além disso, os bispos denunciam o analfabetismo, a diferença entre os salários dos diferentes grupos da sociedade, os salários de miséria dos trabalhadores, conscientes do fato que esses salários não lhes permitem viver dignamente. O documento se conclui com o apelo aos habitantes do país a cumprir com as suas obrigações e reivindicar seus direitos, para que possam viver como filhos de Deus, como “discípulos escolhidos e enviados para a missão”. (SP)
ÍNDIA: ASSASSINADO SACERDOTE
◊ Palayamkotta, 22 fev (RV) - Um jovem de 24 anos assassinou no último dia 16 de fevereiro o sacerdote G. Amalan, Secretário da Comissão para a Família da diocese de Palayamkotta, estado de Tamil Nadu (Índia meridional) para roubar o pouco dinheiro que tinha. Conforme assinala a agência vaticana Fides, o jovem, que recebia com freqüência a ajuda material do sacerdote, confessou o crime. Até o momento as investigações revelam que o motivo do crime foi o pouco dinheiro que tinha o padre. Depois de golpeá-lo em sua casa, levou uma pequena soma em dinheiro que encontrou.
O Vigário Geral da Diocese de Palayamkotta, Padre Antonysamy, disse à Fides que “estamos profundamente consternados por este fato. A comunidade está muito triste. O culpado foi capturado e agora a justiça humana fará o seu papel”. “É a primeira vez que um episódio deste tipo ocorre na nossa diocese, que costuma ser muito tranqüila”, acrescentou.
O Bispo de Palayamkotta, Dom Jude Gerald Paulraj, presidiu o funeral do Padre Amalan durante o qual elogiou o seu zelo pastoral. Além disso, muitos casais puderam testemunhar e recordar a obra do sacerdote em favor das famílias.
Nesta diocese há 130 mil católicos, aproximadamente 65 do total da população. Segundo o Vigário, não se registraram episódios de violência de grupos extremistas hindus, como os que ocorrem em outros lugares do país onde os cristãos são freqüentemente perseguidos por causa de sua fé. (SP)
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Foi apresentada na manhã desta terça-feira, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a Mensagem do Papa para a Quaresma deste ano. A apresentação foi feita, entre outros, pelo Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum – Cardeal Robert Sarah, e pela Presidente da Ong católica Manos Unidas – Myriam García Abrisqueta.
"Mudar a perspectiva do nosso coração de uma dimensão egoísta para aquela dimensão do amor pelo próximo necessitado": esse é o desafio lançado pelo Papa com a sua Mensagem para a Quaresma – disse o Cardeal Sarah.
Um documento – acrescentou – que ressalta a importância da "formação do coração" à luz do Batismo, tema chave da Mensagem.
O purpurado deteve-se assim sobre o compromisso concreto do Cor Unum em assistir os irmãos que sofrem, com uma atenção particular à população do Haiti, abalada com o terremoto que pouco mais de um ano atrás sacudiu o país caribenho.
O Cardeal guineano salientou que o Pontífice doou 2 milhões de dólares ao Haiti, destinados, sobretudo, à reconstrução de igrejas e escolas. Dito isso, fez uma breve reflexão voltada à atualidade:
"Num ambiente midiático, que ama falar somente dos erros cometidos por membros da Igreja, é necessário tornar conhecida a caridade concreta da Igreja Católica."
Ademais, o Presidente do organismo vaticano reiterou que não é suficiente para a Igreja responder apenas às necessidades materiais. O Santo Padre propõe o período da Quaresma como "um caminho" para fazer frutificar a semente plantada com o Batismo – prosseguiu. "Deus destinou-nos ao amor" – acrescentou – e devemos, então, acolher o dom da vida divina que nos foi feito mediante o Batismo:
"Eis a aventura que Bento XVI nos propõe para esta Quaresma. Na Páscoa, quando colheremos o que semeamos, "o homem velho" que está em nós sucumbirá. Desse modo, mediante a graça divina, poderemos ressurgir e tornar-nos novas criaturas. O convite papal não é uma utopia!"
A coletiva de imprensa ofereceu também a ocasião para conhecer melhor o organismo laico de voluntariado "Manos Unidas", nascido na Espanha, e hoje presente em mais de 60 países – com milhares de projetos de desenvolvimento.
A Presidente de "Manos Unidas", Myriam Abrisqueta, fez questão de ressaltar que com o compromisso dos voluntários da Ong, síntese de espiritualidade e caridade, eles querem ajudar o encontro do homem de hoje com Cristo, mediante a promoção de um desenvolvimento integral das populações.
Respondendo a perguntas de jornalistas a propósito da nova condução da Caritas Internationalis, o Cardeal Sarah agradeceu a Lesley-Anne Knight pelo trabalho realizado, afirmando que agora se tem a necessidade de outra pessoa para responder aos novos desafios e, em particular, para reforçar a identidade católica do organismo caritativo. (RL)
COM CRISTO SEPULTADOS, COM ELE RESSUSCITADOS. A MENSAGEM DO PAPA PARA A QUARESMA
◊ Cidade do Vaticano, 22 de fev (RV) - Foi divulgada esta manhã a íntegra da Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2011. Abaixo, a íntegra do texto:
«Sepultados com Ele no baptismo,
foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)
Amados irmãos e irmãs!
A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo
litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra
específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro
definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na
caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais
abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de
Quaresma).
1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, «tendo-nos
tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e
exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São
Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus
realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos
crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com
as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria
existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao
homem.
O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que
se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu
possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos,
configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 10-
11). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa
toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera,
iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.
Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para
experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os
Pastores da Igreja a utilizar «mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia
quaresmal» (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a
Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério
pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo
Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8,
11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos
um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como
também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras
eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.
2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar
a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode
haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos
textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente
intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para
os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é
baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a
Ele.
O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta
terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite
a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde
nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum,
n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união
com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Hb 6, 12), no qual o diabo
é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do
Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos
na vitória às seduções do mal.
O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo,
que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma
consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto
monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça de
Deus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o
convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele
quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito,
onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.
O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do
terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso
coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito
Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e
verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só
esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita,
«enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.
O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho
interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38),
afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura
é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa
fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele
ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».
Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos
diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?»
(Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente
com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o
Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida preparanos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência:
Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica
e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à
política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem
futuro, sem esperança.
O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na
Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas baptismais, reafirmamos que Cristo é
o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água
e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da
Graça para sermos seus discípulos.
3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do
Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um
vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos
a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de
Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa
para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus
caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões
do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor
de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado
profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo
para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não
só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso
lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de
intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com
que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).
No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que
insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação
e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou
seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas
despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque
coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade
paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos
iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma,
tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão
a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à
atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.
Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de
Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma
preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao
nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permitenos
também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade
e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não
tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas
palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que
ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida
eterna.
Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da
Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão
profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo
no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus;
libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos
à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa
debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da
Penitência e caminhar com decisão para Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do
jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir
o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.
Vaticano, 4 de Novembro de 2010
BENEDICTUS PP XVI
PAPA DOA 30 MIL DÓLARES A VÍTIMAS DE TEMPESTADE TROPICAL NA COSTA RICA
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O ministro das relações exteriores da Costa Rica, René Castro, pronunciou-se ontem por conta da doação de 30 mil dólares que Bento XVI fez às pessoas atingidas pela tempestade tropical de nome Tomás. Nas últimas semanas, essa tempestade tem causado grandes danos tanto na Costa Rica quanto na Nicarágua.
A doação foi confiada à Conferência Episcopal da Costa Rica, conforme informou o embaixador do país junto à Santa Sé, Fernando Sanchéz.
O Ministro René Castro, falando a jornalistas, foi porta-voz da gratidão da população para com o Papa que, disse ele, “estima muito o povo desse país e nos dá um apoio de grande valor com as suas orações”.
A tempestade Tomás, já no final do ano passado, havia causado, na Costa Rica, 23 mortes e sérias perdas materiais. Essas vítimas foram recordadas pelo Papa na mensagem Urbi et Orbi de Natal. (ED)
CARDEAL TAURAN É O NOVO PROTODIÁCONO DA IGREJA
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O cardeal francês Jean-Louis Tauran, de 67 anos, atual presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, é desde ontem o novo cardeal protodiácono da Igreja.
Esta função faz dele o responsável por anunciar publicamente o nome do futuro Papa, após um eventual conclave, do balcão central de São Pedro - como enuncia o Código de Direito Canônico (cân. 355.2).
O cardeal Tauran substitui Dom Agostino Cacciavillan, que deixou a ordem diaconal depois de 10 anos e passou a ser cardeal-presbítero.
Também entraram na ordem dos diáconos os Cardeais Sergio Sebastiani, Zenon Grocholewski, Jorge Maria Majia, Walter Kasper e Roberto Tucci. Após as seis ‘promoções’, o Cardeal Tauran se tornou o primeiro da lista dos diáconos, e portanto, protodiácono.
Ao cardeal protodiácono cabe a tarefa de anunciar o ‘Habemus papam’ e o nome do novo Pontífice depois da fumaça branca. Ele impõe também o pálio aos arcebispos metropolitas na festividade de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho, e ao novo Papa, na missa de início de Pontificado. Também está sempre ao lado do Pontífice no balcão das bênçãos e por ocasião das mensagens ‘Urbi et Orbi’.
Os últimos protodiáconos a anunciar a eleição pontifícia foram o italiano Pericle Felici, que em 1978 anunciou duas (João Paulo I e João Paulo II), e o chileno Jorge Arturo Medina Estevez, que em abril de 2005 apresentou ao mundo o recém-eleito Bento XVI.
O Cardeal Jean-Louis Tauran nasceu em Bordeaux em 5 de abril de 1943 e tem longa experiência diplomática, tendo sido vice-secretário e secretário de ‘relações exteriores’ na Secretaria de Estado vaticana. Em 2003 tornou-se arquivista e bibliotecário da Santa Romana Igreja e em 2007, presidente do dicastério para o Diálogo Inter-religioso. Teve papel fundamental nas relações diplomáticas na época da guerra no Iraque. Realçou a importância das NNUU na resolução de conflitos e declarou que “uma guerra de agressão unilateral constituiria um crime contra a paz e uma violação da Convenção de Genebra”. Em seguida, declarou que o acontecido no Iraque demonstrava que paradoxalmente, os cristãos eram mais tutelados durante o regime de Saddam Hussein.
Atualmente está fortemente engajado no diálogo com outras confissões religiosas e justamente nestes dias (23 e 24 de fevereiro), deveria encontrar-se com representantes da Universidade sunita de Al-Azhar se esta não tivesse suspendido as relações com o Vaticano após os apelos do Papa pela proteção das minorias cristãs no Oriente Médio.
(CM)
PAPA NOMEIA NOVO SECRETÁRIO DO PONTIFÍCIO CONSELHO DA PASTORAL PARA OS MIGRANTES E OS ITINERANTES
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Bento XVI nomeou Secretário do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, Dom Joseph Kalathiparambil, até então Bispo de Calicut, na Índia.
Nascido em 1962, em Vaduthala, no Estado indiano de Kerala – sul do país – foi ordenado sacerdote em 1978. Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma, foi Vigário-Geral da Arquidiocese indiana de Verapoly, de 1998 a 2002, ano em que recebeu a ordenação episcopal. (RL)
JPII: NOVO MILAGRE PARA A SANTIDADE
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - O postulador da causa de canonização de João Paulo II, Dom Slawomir Oder, faz um apelo a todos os fiéis para que colaborem para que o processo vá adiante e depois da beatificação, comece a etapa conclusiva da santidade: “enviem informações sobre novos milagres”.
“Não esqueçamos – diz Mons. Oder em um vídeo no site da beatificação do Papa polonês – que a etapa de beatificação é apenas uma etapa do processo, à espera do grande dia em que a Igreja o levará à glória como santo”.
Para que isso ocorra, é necessário comprovar outro milagre atribuído a João Paulo II. “Assim sendo – apela Mons. Oder – convido a rezar intensamente e a levar ao conhecimento do postulador, que continua atento a esta realidade, todos os casos que podem ser atribuídos à intercessão de João Paulo II, como casos de graça recebida”.
(CM)
CHINA E SANTA SÉ, SINAIS DE RECONCILIAÇÃO
◊ Taiwan, 22 fev (RV) - O cardeal de Taiwan, Dom Paul Shan, que deve realizar uma viagem à China em junho, declarou hoje esperar que o Vaticano e Pequim possam reconciliar-se e minimizar suas diferenças.
Em entrevista ao jornal chinês South China Morning Post, e replicada pela Ansa,o cardeal afirmou que “será preciso tempo. O governo chinês tem sua jurisdição e o Vaticano também tem a sua. Deveriam respeitar-se reciprocamente”.
A Santa Sé e o governo de Pequim romperam as relações diplomáticas em 1951, quando o Estado católico reconheceu a independência de Taiwan, território reivindicado pela China.
A Igreja Patriótica da China, controlada pelo governo, não reconhece a autoridade do Papa e reprime a Igreja clandestina, que segue o Pontífice como única autoridade católica no mundo.
Nos últimos anos, os dois Estados reconheceram alguns sacerdotes e bispos, o que para o cardeal de Taiwan representa um primeiro sinal da possibilidade de uma futura retomada das relações.
No entanto, as ordenações de novos bispos sem o consenso do Vaticano e as eleições de líderes da Igreja Patriótica em 2010 reacenderam as tensões entre a Santa Sé e Pequim.
Existem na China cerca de cinco milhões de católicos fiéis da Igreja oficial e cerca de 11 milhões que aderem à “Igreja subterrânea”.
Dom Paul Shan foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II em 1998. Nasceu na China central e foi enviado para Taiwan em 1949. Em junho deve realizar uma viagem a Xangai, durante a qual celebrará uma missa com o bispo local, Dom Aloysius Jin Luxian.
Promotor de campanhas de luta contra o câncer, o cardeal também é ativo em causas de proteção do meio-ambiente e prevenção de desastres naturais.
(CM)
O SACERDÓCIO SEGUNDO O CONCÍLIO VATICANO II: UMA RELEITURA DA "PRESBYTERORUM ORDINIS"
◊ Cidade do Vaticano, 22 fev (RV) - Sacerdotes novos para uma Igreja realmente nova. Esse foi o espírito de fundo que orientou o Concílio Vaticano II quando se tratou de redefinir o ministério sacerdotal, à luz dos horizontes abertos do Concílio. O fruto da reflexão conciliar se condensou no Decreto Presbyterorum Ordinis, que Paulo VI promulgou no dia 7 de dezembro de 1965.
A esse propósito, trazemos as considerações feitas pelo sacerdote jesuíta, Pe. Dariusz Kowalczyk, no âmbito de uma abordagem buscando redescobrir os documentos conciliares.
Não há renovação na Igreja sem renovação dos presbíteros. Tal afirmação não é sinal de mentalidade clerical, mas a verdade, radicada na estrutura da Igreja querida pelo Senhor. O Concílio recorda que Cristo mesmo promoveu alguns dos discípulos "como ministros, de modo que no seio da sociedade dos fiéis tivessem a sacra potestade da ordem para oferecer o sacrifício e perdoar os pecados" (n. 2).
O Vaticano II recorda "a todos a alta dignidade da ordem dos presbíteros" (n. 1), mas, por outro lado, ensina que os presbíteros não "caem do céu", mas são provenientes da comunidade de fiéis e "vivem no meio dos outros homens como irmãos no meio dos irmãos" (n. 3).
Portanto, os sacerdotes devem ter consciência da grandeza da sua vocação, sem celebrar a si mesmos, vez que não possuem nada que não tenham recebido. De fato, devem ser recordadas as palavras de Santo Agostinho: "Para vocês eu sou bispo, com vocês sou cristão".
O Decreto Presbyterorum Ordinis indica os três deveres fundamentais dos presbíteros: proclamar a palavra de Deus, celebrar os sacramentos, e exercer o ministério da caridade.
O sacerdote deve recordar que a sua tarefa "não é ensinar uma sabedoria própria, mas ensinar a palavra de Deus" (n. 4). Todavia, tal ensinamento não consiste em repetir automaticamente as mesmas fórmulas, mas no "aplicar a perene verdade do Evangelho às circunstâncias concretas da vida" (n. 4).
O Concílio ressalta a necessidade de comunhão nas relações entre bispos, presbíteros e diáconos, entre clero e religiosos (NMI, 45). Não se trata, porém, de uma solidariedade no ocultar os problemas que, ao invés, deveriam ser analisados e resolvidos. O Concílio indica, sobretudo, aquela "espiritualidade de comunhão" que permite aos presbíteros ajudar-se reciprocamente, contribuindo, juntos, para o bem da Igreja. (RL)
BOLÍVIA: IMAGENS QUE CHORAM, NECESSÁRIO PRUDÊNCIA
◊ Oruro, 22 fev (RV) - O Bispo da Diocese de Oruro, na Bolívia, Dom Cristóbal Bialasik, afirmou que diante de fenômenos com imagens como o Cristo que chora e emana sangue na cidade de Cochabamba, a sabedoria da Igreja ensina que é necessário ser sempre prudentes.
Em declarações à agência ACI Prensa no dia 18 de fevereiro, Dom Bialasik explicou que, em fatos como este, sempre é melhor “esperar e ir descobrindo os sinais que indicam se um acontecimento pode ser considerado como verdadeiro ou não”, porque também poderia haver algum engano.
Desde março de 1995 em Cochabamba um busto de Jesus coroado com espinhos chora e emana sangue. Este busto se encontra no lar da senhora Silvia Arévalo.
O Prelado assinalou que no caso desta imagem já se efetuaram investigações científicas sob a responsabilidade do médico especialista, Dr. Ricardo Castañón, que afirmou que o sangue que brota é humano. O perito também filmou a imagem chorando e sangrando.
Por isso, a Conferência Episcopal Boliviana (CEB) estabeleceu uma comissão para analisar este fenômeno e estabelecer uma postura oficial.
Nesta comissão participa Dom Bialasik junto do Arcebispo de Cochabamba, Dom Tito Solari e o Bispo da Prelatura de Aiquile, Dom Jorge Herbas.
Os bispos levarão em conta “todas as opiniões, nossa opinião e a religiosidade popular”, assinalou Dom Bialasik à ACI Prensa.
Sobre o procedimento da Igreja nestes casos, o Prelado explicou que “há muita reserva no princípio”, mas se os fatos se repetem, “então o Bispo deve tomar alguma decisão de formar uma equipe de estudo para dar seguimento” e analisar o que ocorre.
O Bispo de Oruro preferiu não adiantar conclusões do relatório que prepara a comissão e que apresentarão em maio à Conferência Episcopal Boliviana, e sublinhou que “a riqueza disto é a prudência antes de tomar uma decisão”. (SP)
BISPOS DOMINICANOS ESCREVEM CARTA EM DEFESA DA DIGNIDADE HUMANA
◊ Santo Domingo, 22 fev (RV) - A Conferência Episcopal da República Dominicana elaborou um documento por ocasião dos “500 anos em defesa da dignidade humana”, publicado pelos 167 anos da independência nacional deste país, que se celebra no dia 27 de fevereiro. A carta pastoral dos bispos – refere a agência de notícias Fides - denuncia a situação de extrema pobreza na qual vivem muitos dos irmãos dominicanos. O documento está dividido em 5 partes: conta a história do país, apresenta o Sermão de Montesino, oferece um olhar atual do sermão, apresenta uma análise e um relatório sobre a situação em que vive o país, lança um apelo à mudança e ao compromisso para construir um novo país, de acordo com os princípios da Constituição.
Na introdução, depois de uma evocação histórica do nascimento do país e do trabalho dos primeiros missionários, o documento salienta que “a missão da Igreja primitiva foi a pregação, a administração dos sacramentos, a educação e a assistência social”. No n º 12 diz: “Com os primeiros missionários chegaram também a defesa da dignidade humana e dos direitos dos nativos. O melhor exemplo foi o sermão, que em nome de sua comunidade sacerdotal fez Frei Antón Montesino e que ajudou Frei Bartolomeu de Las Casas tornar-se o grande defensor dos índios”.
À luz daquele sermão, os bispos analisam a situação atual e denunciam: “Segundo qual justiça se mantém a situação de precária assistência de saúde à população? Situação na qual falta a dignidade da pessoa e permite a propagação de doenças e até mesmo a propagação do cólera’”.
O texto continua: “Com qual justiça se permite aos nossos irmãos viverem ao longo dos rios, em casas indignas, construídas apenas com bambus”. Onde estão os programas de assistência aos pobres?”. Além disso, os bispos denunciam o analfabetismo, a diferença entre os salários dos diferentes grupos da sociedade, os salários de miséria dos trabalhadores, conscientes do fato que esses salários não lhes permitem viver dignamente. O documento se conclui com o apelo aos habitantes do país a cumprir com as suas obrigações e reivindicar seus direitos, para que possam viver como filhos de Deus, como “discípulos escolhidos e enviados para a missão”. (SP)
ÍNDIA: ASSASSINADO SACERDOTE
◊ Palayamkotta, 22 fev (RV) - Um jovem de 24 anos assassinou no último dia 16 de fevereiro o sacerdote G. Amalan, Secretário da Comissão para a Família da diocese de Palayamkotta, estado de Tamil Nadu (Índia meridional) para roubar o pouco dinheiro que tinha. Conforme assinala a agência vaticana Fides, o jovem, que recebia com freqüência a ajuda material do sacerdote, confessou o crime. Até o momento as investigações revelam que o motivo do crime foi o pouco dinheiro que tinha o padre. Depois de golpeá-lo em sua casa, levou uma pequena soma em dinheiro que encontrou.
O Vigário Geral da Diocese de Palayamkotta, Padre Antonysamy, disse à Fides que “estamos profundamente consternados por este fato. A comunidade está muito triste. O culpado foi capturado e agora a justiça humana fará o seu papel”. “É a primeira vez que um episódio deste tipo ocorre na nossa diocese, que costuma ser muito tranqüila”, acrescentou.
O Bispo de Palayamkotta, Dom Jude Gerald Paulraj, presidiu o funeral do Padre Amalan durante o qual elogiou o seu zelo pastoral. Além disso, muitos casais puderam testemunhar e recordar a obra do sacerdote em favor das famílias.
Nesta diocese há 130 mil católicos, aproximadamente 65 do total da população. Segundo o Vigário, não se registraram episódios de violência de grupos extremistas hindus, como os que ocorrem em outros lugares do país onde os cristãos são freqüentemente perseguidos por causa de sua fé. (SP)
BANGLASDESH: VIOLÊNCIAS CONTRA MINORIAS
◊ Ragipara, 22 fev (RV) - Um vilarejo foi incendiado e dezenas de pessoas ficaram feridas e foram expulsas de Ragipara no distrito montanhoso de Rangamati, na diocese de Chittagong, Bangladesh. Os moradores locais que sofreram a violência, perpetrada por agricultores muçulmanos, são budistas, hindus e cristãos das minorias étnicas: essa é a denúncia feita à agência Fides pela Comissão “Justiça e Paz” da Igreja local. No último dia 17 de fevereiro mais de 300 agricultores muçulmanos, que querem tomar as terras para a agricultura, organizaram uma ação punitiva contra o vilarejo habitado por povos indígenas. Os agricultores foram apoiados por agentes da polícia local que legitimaram os abusos.
Outros casos como este (habitantes nativos atacados e privados de sua terra) se registraram nos últimos dias na área de Gulishakhali. Os agricultores muçulmanos usaram como pretexto a morte de seu companheiro, Ali Saber, encontrado morto na área de Ragiparam, e deram vida a uma reação violenta, pisoteando os direitos das minorias.
“Atearam fogo em nossas casas e nas nossas pequenas lojas”, disse uma testemunha ocular. Há muito tempo os agricultores muçulmanos desejam expulsar da área os grupos étnicos locais, não-muçulmanos para adquirir novos terrenos agrícolas. Em muitos casos, eles conseguiram, porque ninguém, nem mesmo as autoridades civis, respeita e garante os direitos das minorias étnicas e religiosas.
O advogado Devasish Roy King, também ele pertencente à minoria local, escreveu uma carta aberta às autoridades civis e à Comissão de Direitos Humanos do Bangladesh, denunciando o ocorrido e citando “a cumplicidade da polícia local”. A carta pede uma investigação sobre o episódio de Ragipara, com a identificação e punição dos culpados, e convida o governo a proteger e salvaguardar os direitos dos cidadãos, membros de minorias étnicas ou religiosas. (SP)
PAQUISTÃO: MANIFESTAÇÃO PRÓ ASIA BIBI
◊ Roma, 22 fev (RV) - Centenas de ativistas da Frente Cristã do Punjab fizeram um jejum de protesto na fronteira indo-paquistanês, no vilarejo de Attari, para manifestar contra a pena de morte decretada contra Asia Bibi, a cristã paquistanesa acusada de blasfêmia. Os membros da Frente Cristã do Punjab – refere a agência de notícias AsiaNews - pediram ao governo para revogar a sentença, e à comunidade internacional que faça pressão sobre o Paquistão para abolir a lei.
O presidente da Frente Cristã, Lawarance Chaudhary, entregou um memorando às autoridades locais, para que a mesmo seja enviado à Alta Comissão do Paquistão. O documento pede ao presidente do Paquistão e ao Ministro da Justiça que reconsiderem a situação de Asia Bibi, acusada e condenada graças às pressões de poderosos líderes locais. O Bispo da Diocese de Amritasr, Dom Samantaroy pediu que a lei sobre a blasfêmia seja cancelada.
O bispo declarou: “A lei sobre a blasfêmia é usada de forma metódica para resolver questões pessoais, e de outro gênero. Nós, a Igreja do Norte da Índia fazemos campanha para que essa lei infame sobre a blasfêmia seja eliminada. E por isso participamos da manifestação de Attari”. Dom Samantaroy acrescentou ainda: “Já discutimos essa questão com várias instituições cristãs em todo o mundo, para fazer campanha em prol de Asia Bibi e para fazer pressão sobre o governo paquistanês sobre essa lei”. (SP)
ÍNDIA: MANIFESTAÇÃO CONTRA RELATÓRIO SOBRE VIOLÊNCIAS ANTI-CRISTÃS
◊ Mangalore, 22 fev (RV) - Mais de 50 mil cristãos manifestaram no último domingo, em Mangalore, no Estado indiano de Karnataka, contra o Relatório da Comissão Somasekha sobre os ataques contra dezenas de igrejas em 2008. Os manifestantes marcharam em silêncio, vestidos de preto e com a boca coberta por uma mordaça, para expor a falsidade de um Relatório que - dizem – escondem os verdadeiros responsáveis pelas violências anti-cristãs. Também alguns bispos participaram da manifestação. Eis o que disse à Rádio Vaticano o Arcebispo de Bangalore, capital do Estado de Karnataka, Dom Bernard Blasius Moras.
“No dia 28 de janeiro de 2011 foi divulgado o Relatório final da Comissão que tinha sido anteriormente apresentado ao governador de Karnataka. Para nosso espanto, o Relatório é absolutamente hostil à comunidade cristã enquanto absolveu de qualquer responsabilidade o governo estadual, o partido no poder, o BJP (Bharatiya Janata Party), os grupos fundamentalistas como o Bajrang Dal, e até mesmo a polícia, que fora acusada no Relatório preliminar. Além disso, eles ainda acusaran os cristãos de serem eles mesmos os autores destes ataques, e fizeram acusações de conversões em larga escala, apesar de afirmar que a Igreja Católica não faz proselitismo: procuram assim um modo de dividir a fé católica das outras confissões cristãs”.
“O Relatório – continuou o arcebispo - pede também que estes grupos cristãos sejam colocados sob o controle do governo, e há sinais de esteja em preparação uma lei anti-conversão. Deseja também que os fundos e as doações provenientes do exterior sejam administradas pelo governo, e se sugere a criação de um cadastro das religiões. Tudo isso é muito, muito anti-cristão e contra a religião”. (SP)
EUROPA PREOCUPADA POR ATAQUES A MINORIAS RELIGIOSAS
◊ Bruxelas, 22 fev (RV) - A União Europeia reafirmou ontem seu compromisso em favor da liberdade de culto e manifestou sua profunda preocupação pelo incremento de episódios de violência e intolerância contra minorias religiosas em várias partes do mundo.
Em um texto, os chanceleres da Comunidade, reunidos em Bruxelas, condenaram ‘firmemente’ os ataques contra lugares de culto cristãos e peregrinos muçulmanos neste início de ano, e asseguraram que ‘infelizmente’ nenhum país está isento do ‘açoite’ da intolerância religiosa.
Vinte e oito peregrinos xiitas morreram há duas semanas em um ataque suicida contra um ônibus na cidade iraquiana de Samarra, enquanto em janeiro, ataques a igrejas cristãs no Egito deixaram várias vítimas.
Para a União Europeia, a liberdade religiosa é um direito fundamental de todos os seres humanos que deve ser protegido em todos os lugares. Os Ministros do Exterior dos 27 países membros da União afirmam que é responsabilidade das autoridades nacionais proteger seus cidadãos, inclusive os que pertencem a minorias religiosas, pois “todas as pessoas devem poder praticar livremente sua religião, individual ou coletivamente, sem medo de intolerâncias e ataques” – concluíram os ministros.
(CM)
PRESBÍTERO MISSIONÁRIO
◊ Rio de Janeiro, 22 fev (RV) - Na semana que passou, tivemos a quarta turma participando do retiro do clero da Arquidiocese. A reflexão sobre a identidade do presbítero, percorrendo os diversos momentos da história, alicerçando na Sagrada Escritura e nos Documentos do Magistério está sendo uma oportunidade para renovar o entusiasmo vocacional. Um dos aspectos aprofundados é sobre a missionariedade do presbítero na Igreja. A missão permanente encontra na vida do padre um eco que anima os demais membros da Igreja para que, como discípulos missionários, contagiem com a generosidade de uma vida totalmente dedicada ao Reino de Deus.
A Congregação para o clero publicou recentemente uma Carta Circular com as conclusões de sua Assembleia Plenária, com o título “A identidade missionária do Presbítero na Igreja”. É uma oportunidade de refletir sobre essa tese nesse momento importante da história da Igreja.
Esse documento, depois da introdução, aonde vem recordada a vocação essencialmente missionária da Igreja peregrina, que por desígnio do Pai nasce na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo, a Carta vai aprofundando a temática de modo pontualizado em três seções:
Na primeira, ela trata da Consciência eclesial da necessidade de um renovado empenho missionário e isso não somente pensando naqueles que nunca ouviram falar no Cristo, mas é necessário um empenho cada vez mais atual de uma prática missionária no próprio rebanho da Igreja, ou seja, entre os batizados.
Na segunda, atesta os Aspectos teológico-espirituais da missionariedade dos presbíteros, salientando “Quando se fala de missão, é preciso levar em consideração, necessariamente, que o enviado – o presbítero, nesse caso – encontra-se em relação tanto com quem o envia como com aqueles aos quais é enviado. Examinando sua relação com Cristo, o primeiro enviado do Pai, é preciso sublinhar o fato de que, conforme os textos do Novo Testamento, é o próprio Cristo que envia e constitui os ministros de sua Igreja, mediante o dom do Espírito Santo concedido na ordenação sacramental; eles não podem ser considerados simplesmente eleitos ou delegados da comunidade ou do povo sacerdotal. O envio vem de Cristo; os ministros da Igreja são instrumentos vivos de Cristo, único mediador.
Na terceira, bem mais extensa, recorda que é necessário, uma renovada práxis missionária dos presbíteros e isso se faz necessário, porque: “A urgência missionária de nossos dias exige uma renovada práxis pastoral. As novas condições culturais e religiosas do mundo, com toda a sua diversidade, segundo as várias regiões geográficas e os diferentes ambientes sócio-culturais, indicam a necessidade de abrir novos caminhos para a práxis missionária”.
Essa prática é concretizada nos seguintes fundamentos: O missionário deve ser discípulo, discípulo na missão ad gentes, não apenas partindo para lugares distantes, mas vivendo como presbítero Fidei donum mesmo nas realidades de cada país, como o nosso, onde existem lugares ainda tão necessitados da presença de missionários, como a imensa região amazônica.
A evangelização missionária é um constante convite, pois é preciso ir à procura dos nossos batizados, e também de todos os não ainda batizados, anunciar-lhes, de novo ou pela primeira vez, o querigma, ou seja, o primeiro anúncio da pessoa de Jesus Cristo, morto na cruz e ressuscitado para a nossa salvação, e de seu Reino, e assim conduzi-los a um encontro pessoal com Cristo. O presbítero exercitará sua vocação missionária fundado, sobretudo, no cumprimento fiel do tria munera que se fundam o seu ministério: múnus de ensinar, santificar e governar, sobre cada um desses múnus, recorda a carta:
Ao ensinar: “Em primeiro lugar, para ser um verdadeiro missionário dentro do próprio rebanho da Igreja, segundo as exigências atuais, é essencial e indispensável que o presbítero se decida, com viva consciência e determinação, não apenas a acolher e evangelizar aqueles que o pro- curam, tanto na paróquia como em outros lugares, mas a «levantar- se e ir » em busca, primeiro, dos batizados que por motivos diversos não vivem sua pertença à comunidade eclesial, e também daqueles que pouco ou nada conhecem a Jesus Cristo”.
Ao santificar: “O exercício do munus sanctificandi está também ligado à capacidade de transmitir um sentido vivo do sobrenatural e do sagrado, que fascine e conduza a uma real experiência de Deus, existencialmente significativa”.
Ao governar: “São indispensáveis a preparação e a organização da missão nas comunidades eclesiais, nas paróquias. Uma boa preparação e uma organização clara da missão já constituem um penhor de êxito frutuoso. Obviamente, o primado da graça não pode ser esquecido, deve ser evidenciado. O Espírito Santo é o primeiro operador missionário. Por isso, é preciso invocá-lo insistentemente e com muita confiança”.
A Carta faz um convite-missão, relativo à formação missionária dos presbíteros: “Todos os presbíteros devem receber uma formação missionária específica e cuidadosa, dado que a Igreja quer empenhar-se, com renovado ardor e urgência, na missão ad gentes e numa evangelização missionária, dirigida a seus batizados, de modo particular àqueles que se afastaram da participação na vida e atividade da comunidade eclesial. Essa formação deveria ter início já no seminário, sobretudo mediante a direção espiritual e um estudo cuidadoso e aprofundado do sacramento da Ordem, a fim de salientar como a dinâmica missionária é intrínseca ao sacramento”.
A Carta em sua conclusão recorda e compromete: “Se a missionariedade é um elemento constitutivo da identidade eclesial, devemos ser gratos ao Senhor, que renova, também por intermédio do Magistério pontifício recente, essa clara consciência em toda a sua Igreja, e em particular nos presbíteros.
A urgência missionária no mundo é verdadeiramente grande e exige uma renovação da pastoral, no sentido de que a comunidade cristã deveria conceber-se em «missão permanente», tanto ad gentes como onde a Igreja já está estabelecida, ou seja, indo em busca daqueles que batizamos e têm o direito de ser evangelizados por nós.
Não podemos permanecer com uma pastoral apenas de conservação e de celebrações dos sacramentos e dos sacramentais. Dessa forma continuaremos atingindo apenas aqueles que participam de nossas comunidades. Necessitamos de ir “mar adentro para águas mais profundas” para chegar a outras pessoas e situações que também têm o direito de encontrar-se com Jesus Cristo. Precisamos de novos métodos de evangelização, à luz do Documento de Aparecida, para que nossos presbíteros sejam autênticos discípulos-missionários de Jesus Cristo indo ao encontro dos fiéis, de suas necessidades, sempre anunciando e testemunhando Jesus Cristo que está no meio de nós. Certamente não é fácil, mas o nosso sacerdócio exige um despojamento total e um engajamento literal na vivência, no agir e na pessoa de Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
PAZ E LIBERDADE RELIGIOSA
◊ Campanha,MG, 22 fev (RV) - O Papa Bento XVI reflete, em sua mensagem para o 44º Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro, sobre a “liberdade religiosa, caminho para a paz”. Na sua reflexão, o Santo Padre constata um ambiente hostil contra os cristãos, em muitas regiões do mundo. E afirma que, o cerceamento da liberdade religiosa impede a verdadeira paz.
O direito à liberdade religiosa radica na própria dignidade humana. Esse direito universal deve ser respeitado, para que a sociedade contribua para a realização plena do ser humano. O direito à vida e o direito à liberdade religiosa é condição da legitimidade moral de toda norma social e jurídica.
Desde a infância, na família, o ser humano deve ser educado para o respeito recíproco e para o diálogo religioso. Só assim se pode conviver de modo harmonioso. Devemos superar discussões e rixas por motivos religiosos. Elas não contribuem para a mútua edificação. Antes são uma ameaça à paz. Podem desencadear violência, vingança e morte.
Em sua mensagem, o Papa denuncia os ataques praticados contra cristãos, sobretudo em regiões da África e da Ásia. Lembremos os que aconteceram recentemente em Bagdá, no Iraque, e em Alexandria, no Egito. Ao mesmo tempo, alerta para o perigo do fundamentalismo, que compromete a laicidade positiva dos Estados. E adverte para a instrumentalização da liberdade religiosa que pode levar ao integralismo e ao racionalismo.
No mundo globalizado, o Pontífice reconhece o papel das grandes Religiões e das culturas religiosas. Convida-as para assumirem o compromisso com a liberdade e a viverem no amor e na verdade. Em outubro p.f. completam-se 25 anos do primeiro encontro de oração do Papa João Paulo II com os líderes cristãos e das grandes religiões. Que a lembrança desse evento leve todas as pessoas de boa vontade a incrementar seus esforços e orações pela paz.
A paz é dom de Deus, mas também projeto a realizar. Que o testemunho de tantos cristãos perseguidos contribua para se estabelecerem pontes que promovam o caminho da paz.
† Frei Diamantino P. de Carvalho, ofm
Bispo da Diocese da Campanha
TERREMOTO NA NOVA ZELÂNDIA DEIX 65 PESSOAS MORTAS E 200 FERIDAS
◊ Sydney, 22 fev (RV) – Um terremoto de 6,3 graus na escala Richter deixou, até o momento, 65 pessoas mortas e 200 feridas na Nova Zelândia. A cidade atingida se chama Christchurch e está localizada no sul do país.
Christchurch é a segunda maior cidade neozelandesa e tem uma população de 400 mil pessoas. O tremor iniciou pouco depois do meio-dia, a uma distância de cinco quilômetros do centro. Com quatro quilômetros de profundidade, foi seguido de uma réplica de 4,5 graus, 15 minutos mais tarde, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Esse é pior sismo que atingiu o país nos últimos oitenta anos.
Em algumas ruas, pode-se ver crateras que chegam a um metro de profundidade. O diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias da Nova Zelândia, Pe. Paul Shannahan, conta que pessoas estão soterradas nos escombros, edifícios foram destruídos, ônibus e automóveis foram atingidos por detritos, estradas e linhas telefônicas foram interrompidas. Também as duas famosas catedrais da cidade, uma anglicana e a outra católica, foram parcialmente destruídas.
Foi declarado estado de emergência, Polícia e Exército montaram um cordão de segurança ao redor da zona mais afetada e o aeroporto foi fechado.
Essa área da Nova Zelândia está sofrendo muito com esse tipo de desastre natural nos últimos meses. Em setembro passado, um terremoto de 7,2 graus já havia atingido Christchurch, deixando dezenas de feridos e grandes danos. E nos dias que se seguiram ao Natal, vários tremores de terra foram sentidos na região, tendo sido o último – antes do de hoje - de 4,9 graus na escala Richter.
As Pontifícias Obras Missionárias no país disponibilizaram um endereço eletrônico para o qual podem ser envidas orações de apoio às vítimas, que serão entregues aos habitantes através do Pe. Paul. (ED)
ÁFRICA TEM POTENCIALIDADE PARA GARANTIR A SEGURANÇA ALIMENTAR GLOBAL
◊ Roma, 22 fev (RV) - O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Ifad), cujos representantes estiveram reunidos em Roma neste último final de semana, publicou, como resultado dos seus trabalhos, uma mensagem encorajando investidores a apostarem nos pequenos agricultores africanos como uma solução para a segurança alimentar mundial.
Esteve presente no encontro, entre outros, Kofi Annan, ex-secretário geral das Nações Unidas e presidente da Aliança para a Revolução Verde no continente africano. Segundo ele, “a África tem terra e capital humano para desenvolver um sistema agrícola capaz de produzir excedentes que garantiriam a segurança alimentar global para os anos futuros”. “Até agora – sinalizou -, o continente tem sido penalizado pela falta de tecnologia e infra-estrutura, mas a situação está mudando”.
Durante o encontro, a Ifad discutiu estratégias de luta contra a pobreza e apresentou iniciativas de suporte à segurança alimentar. Foi destacada ainda a necessidade de se oferecer às populações rurais maiores possibilidades de aproveitamento da agricultura. O presidente da Instituição, Kanayo Nwanze, ressaltou que os últimos acontecimentos no Magrebe (norte da África) mostram a energia das novas gerações e a importância de oferecer-lhes um futuro.
Ficou também instituído um novo fórum para as populações indígenas, que será gerenciado por um organismo da ONU, com sede em Roma, especializado nas questões ligadas ao desenvolvimento rural e ao microcrédito. Este novo fórum tem o objetivo de aumentar a participação dos grupos indígenas nas decisões que influenciam diretamente nas suas vidas. (ED)
© Rádio Vaticano 2011
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