Ano X - 2007/2016 - 10 ANOS NO AR - BLOG DO IVSON - "A IGREJA CATÓLICA EM NOTÍCIAS" - EDITADO POR IVSON DE MORAES ALEXANDRE - VOLTA REDONDA - RIO DE JANEIRO - BRASIL
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Jornalista católico tcheco ajudou e salvou de morrer a centenas de judeus na Itália

Karel Weirich, jornalista tcheco cuja mãe por coincidência levava o sobrenome Schindler-como o conhecido filme do Steven Spielberg–, compilou uma série de listas com centenas de nomes de cidadãos tchecos e eslovacos judeus capturados pelos nazistas na Itália; prisão que ele também sofreu a quem ajudou com dinheiro, vestido, remédios, e eventualmente a fugir de seus captores. No artigo titulado "O Schindler de Pio XII", escrito por Gaetano Vallini para o jornal vaticano, L'Osservatore Romano, este afirma que "Weirich –herói escondido e desconhecido – pode ser mencionado entre os salvadores do mundo em um dos períodos mais escuros da história"."Não sem razão –prossegue– o livro de Alberto Tronchin sobre este personagem se titula 'Um 'justo' reencontrado' no que narra como salvou a centenas de tchecos", editado "graças à sobrinha Helena, quem teve acesso a seus preciosos documentos, não só os nomes, senão até às cartas, documentos de identidade, testemunhos de uma atividade intensa e arriscada".Sua históriaWeirich nasceu em Roma em 2 de julho de 1906 "e teve uma infância inquieta, devendo-se deslocar constantemente entre a capital italiana, Moravia e Viena"."Em 1925, depois de ter conseguido um diploma de técnico começa a trabalhar como secretário da Pontifícia Obra de São Paulo Apóstolo. Em 1932 foi transferido com uma acusação análoga à Direção Nacional das Obras Pontifícias Missionárias. Esse mesmo ano começa a escrever artigos sobre a Tchecoslováquia para o jornal vaticano", relata Vallini.Trabalhando já para L'Osservatore Romano, e depois da ordem de arresto a todos os judeus lançada pelos nazistas em junho de 1940, Weirich decide junto com outros católicos fundar a Obra de São Wenceslau, rei e santo padroeiro tcheco. "No início a atividade desenvolvida, como se lê no livro de Tronchin era muito vasto”. "Assim seguiram ajudando, pelo menos parcialmente, a quantos se encontravam internados nos campos de concentração, ou a quem estava na clandestinidade, muitos dos quais eram escondidos em conventos e monastérios 'abertos' por vontade do Papa (Pio XII)", conta Vallini. Por esta atividade clandestina foi detido em 1 de abril de 1944 pela Gestapo. Foi condenada a morte, mas a intervenção da Santa Sé fez que lhe comutassem a pena por 18 meses de trabalhos forçados no campo de concentração de Kolbermoor, onde ficou até 2 de maio de 1945. Graças à Secretaria de Estado, Weirich obtém o apoio necessário para seguir com a Obra de São Wenceslau. "Particularmente intensa foi à obra do Weirich no campo de Ferramonti-Tarsia, na província de Cosenza. Aqui, com a ajuda do Capelão, Pe. Callisto Lopinot, a (obra) São Wenceslau consegue cumprir um papel notável: 'se os internos tchecos conseguiram sobreviver até a liberação, ocorrida em 14 de setembro de 1943, foi sem dúvida também por mérito da tenacidade e interdependência de Weirich', anota Tronchin. Mas muitos outros judeus checoslovacos, apoiados por seus compatriotas, conseguem salvar-se permanecendo escondidos até a liberação. Weirich conservou suas cartas de agradecimento", escreve Vallini.Helena, a sobrinha deste homem que serve aos seus irmãos com firmeza, recorda que "cada vez que perguntava ao seu tio por que não dizia nada do que tinha feito, respondia-lhe: porque já estava feito. Quando quiseram lhe dar uma medalha, disse: 'a aceito, mas devem dá-la também a todos os irmãos e religiosas de clausura que esconderam às pessoas", finaliza Vallini.

Fonte: ACI Digital

Delegação de Polícia do Brasil visitou o Santuário de Fátima

Em visita integrada na viagem de formação de doze tenentes-coronéis e de dois inspetores pertencentes à Polícia Militar e à Polícia Rodoviária Federal do Estado brasileiro de Goiás, hoje pela manhã (31 de Janeiro de 2008), um grupo de vinte e quatro pessoas visitou vários locais do Santuário de Fátima.
A viagem de formação destes elementos a Portugal integra-se na fase final do Curso Superior de Aperfeiçoamento da Polícia.
Esta visita conta com o apoio organizativo do Ministério da Administração Interna português e incluiu várias ações de formação em diversos locais do país e o contacto com as diferentes forças policiais e de segurança portuguesas.
Em Fátima, o momento foi sobretudo cultural e turístico.
O grupo, que incluía também alguns familiares dos policias, e que esteve sempre acompanhado pelo Comandante do Destacamento Territorial de Tomar, efetuou uma visita guiada à Capelinha das Aparições, à Igreja da Santíssima Trindade e à Basílica do Santuário de Fátima. Abrangeu também uma ida aos Valinhos, aldeia onde nasceram os três Pastorinhos de Fátima.
Leopoldina Simões

Internacional Santuário de Fátima 31/01/2008 Santuário de Fátima

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

PADRE CATÓLICO ASSASSINADO NO QUÊNIA

Cidade do Vaticano, 30 de janeiro: em 26 de janeiro, um grupo de jovens tribais, armados de paus e machetes, mataram Pe. Michael Kamau, de 41 anos de idade, vice-reitor do Seminário Filosófico de Tindinyo, Quênia.O sacerdote, de 41 anos, percorria a estrada entre Eldama e Nakuru, em seu veículo, com outras duas pessoas, que se encontram em estado de coma. Ao chegar a Nakuru, principal localidade do Vale de Rift, epicentro dos confrontos, foi atacado por um grupo de jovens de etnia "Kikuyu", que o apedrejou até à morte.O funeral do sacerdote está marcado para a próxima sexta-feira, e será presidido pelo bispo de Nakuru, Dom Peter Kairo. Em declarações à imprensa, o bispo pede que a população diga "não" à vingança e busque a paz e a reconciliação. Dom Kairo confirma que muitos católicos da etnia "Kikuyo" têm sido alvo de ameaças: "Como Igreja, estamos preocupados e assustados; nossa missão é muito difícil porque não temos respostas" _ declarou.Após o assassinato do sacerdote na diocese de Nakuru, os agentes da pastoral católica, atingidos pelas violências na região, começaram a abandonar a área.A agência de notícias CISA informa que a diocese decidiu transferir os padres e agentes pastorais engajados, para uma área mais segura, cuja população pertence à etnia "Kalenjin". (CM/AF)

Do deserto ao perfume da vida

Escritas e sons do silêncio numa conversa rumo à Quaresma com Tolentino Mendonça (foto)
Traduz por palavras as experiências da pessoa humana. Poeta e biblista, José Tolentino Mendonça faz a descoberta da Páscoa, pelo silêncio.
Agência ECCLESIA (AE) – Através do silêncio fazemos um caminho no deserto para encontrar o oásis pascal?
Pe. Tolentino Mendonça (TM) – É curioso olhar para o significado da palavra deserto. Em hebraico, deserto diz-se «midbar». Pode significar “lugar solitário”, mas também “eu falo”. O deserto, ao mesmo tempo, é o lugar do silêncio e é o lugar de uma palavra que esse silêncio guarda. Com a aproximação da Quaresma, a Igreja é chamada a uma experiência de deserto. É uma experiência penitencial, de conversão e de revisão de vida. Nesse despojamento experimentado e voluntário, a Igreja deve redescobrir a palavra que, em silêncio, incessantemente é dita por Deus.
AE – Então este silêncio quaresmal prepara a alegria pascal?
TM – O Profeta Oseias diz: eu vou levar-te ao deserto para falar-te ao coração. Esta passagem pelo deserto implica levar muito a sério a condição humana. O efeito da fé, em nós, não é automático. É uma construção. Os cristãos estão em construção. A Igreja está em construção. O tempo quaresmal diz-nos que estamos em obra, estamos num fazer-se e num tornar-se. Para que tal se concretize precisamos de re-orientar e converter a nossa vida.
Na tradição bíblica, a imagem do deserto está muito ligada à itinerância. Aqueles quarenta anos que o povo caminhou... Vamos ao deserto não para nos instalarmo-nos nele, mas para fazermos dele um caminho para essa novidade pascal. Para a grande alegria do Cristo, Homem Novo.
AE – É um «Sei que estou em viagem na palavra que se move» como disse o poeta Daniel Faria?
TM – Os cristãos estão no caminho. No entanto, é preciso estimular a nossa vida instalada e a própria Igreja instalada. A Quaresma é um tempo de grande estimulação para a itinerância. Não nos podemos esquecer que Jesus diz-nos: “Bem aventurados os sedentos”. Há uma sede e fome que é necessário re-aprender... Quem tem sede é que será saciado.
AE – Este tempo litúrgico é o oceano do silêncio.
TM – É uma grande viagem pelas ondas do silêncio... Como etapa provisória, a Quaresma não é um lugar, mas tempo de preparação. O definitivo é a Páscoa... A Quaresma é instrumental, mas é uma viagem necessária porque necessitamos de desprendermo-nos das amarras, dos bloqueios e dos comodismos. Só assim, conseguimos o coração novo que a Páscoa celebra.
AE – O silêncio oblitera os ruídos e bloqueios da sociedade?
TM – Ele é necessário para fugirmos ao nosso próprio ruído. O grande ruído não está na cidade, mas aquele que nós transportamos... É ressonância confusa que as coisas deixam dentro de nós. A Páscoa é um tempo de discernimento. É um tempo para treinar os sentidos. Com a Páscoa sentimos o perfume da vida. Escutamos a Palavra, como se fosse a primeira vez... Saboreamos o sentido profundo.
A Quaresma é um vitória sobre o ruído
AE – O lado anestésico do quotidiano deixa-nos tocar nessas profundezas?
TM - A Quaresma é uma vitória sobre o ruído que possibilita a Palavra inédita: a mensagem sobre o sepulcro vazio.
AE – O silêncio sente-se?
TM – Ele sente-se porque não é apenas ausência do ruído. Ele não se define pela negativa, mas pela positiva. O silêncio é o lugar da comunicação.
AE – É contemplação e comunicação?
TM – Basta observarmos os monásticos. O silêncio não é a privação da palavra, mas um caminho alternativo de intensa comunicação e escuta. O silêncio é um lugar...
AE – Que ajuda na conversão.
TM – É verdade. O silêncio é muito exigente. Se o mundo - à nossa volta e dentro de nós - é tão ruidoso é porque isso é muito mais cómodo. É mais fácil aguentar a palavra e o rumor do tempo do que se confrontar com o silêncio. Este tem uma verdade nua e sem véus. O confronto com o silêncio obriga a uma conversão. Obriga-nos a uma transformação que dói.
AE – É a matriz evangélica.
TM – Profundamente evangélica. Jesus – na forma de rezar e na preparação das grandes decisões – procurava o silêncio. Procurou o nível de comunicação mais profunda com o Pai.
AE – Os evangelhos são fruto do silêncio?
TM – Os evangelhos são uma poética do silêncio. Eles resultam de uma contemplação do mistério de Jesus Cristo.
AE – Que evangelista absorveu melhor a novidade silenciosa?
TM - É difícil dizer porque são quatro vozes distintas. De certa forma, são incomparáveis. No entanto, S. João tem um ritmo de escrita e uma forma de contar Jesus que nos endereça, continuamente, para o mistério e para o seu silêncio. O Evangelho de Marcos também está muito atento às dinâmicas do silêncio que é revelação. É conveniente lembrar a história rabínica que diz: “No fim dos tempos – quando o Messias voltar -, Ele não vai apenas explicar o sentido das palavras escritas mas explicará, também, o silêncio dos espaços em branco que existem entre as palavras”. Todos os evangelhos têm espaços em branco...
AE – A degustação do silêncio é a Ressurreição?
TM – Só quem degusta o silêncio – decantado pelo mistério pascal – pode verdadeiramente ressuscitar. O atordoamento do ritmo que se vive leva-nos a um grande afastamento. Por isso, a Quaresma é um reencontro marcado com o silêncio e com a luz que brilha com esse silêncio.
AE – É um rastilho que provoca um fogo pascal.
TM – Sem o itinerário quaresmal a Páscoa é apenas um rito, uma memória. Os cristãos são chamados a sentirem nas suas próprias vidas esse trânsito inesperado, mas que Jesus possibilita, da morte para a vida.
AE – Que começa com o pó de Quarta-Feira de Cinzas.
TM – Esse austero sinal que abre o itinerário quaresmal é extremamente importante. Obriga-nos a relativizarmo-nos a nós mesmos e coloca-nos em relação com um projecto maior que o nosso. Obriga-nos a calçarmos as sandálias dos peregrinos e tomarmos o coração dos sedentos. As cinzas convidam-nos a um grande silêncio interior.
AE – Depois desse período escuro encontra-se a primeira nascente.
TM – O mapa dado pelas cinzas conduz-nos à fonte pura.
AE – Os períodos de silêncio na Eucaristia também são momentos de diálogo com essa fonte pura?
TM – A Eucaristia salva e transfigura o próprio mundo. Mesmo celebrada entre quatro paredes apertadas, a Eucaristia é a exalação desse imenso silêncio.
O habitat do silêncio nas Palavras de Jesus
AE – Quando Jesus diz: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34), estas palavras nascem desse silêncio dialogante?
TM – A oração é algo de constante na vida de Jesus. Ele é um orante. O Evangelho de Lucas privilegia esse traço da vida de Jesus. Mostra-nos, por diversas vezes, Jesus a orar. Para orar, o silêncio é o habitat... É o meio vital. Lucas apresenta-nos, muitas vezes, no silêncio em diálogo com o Pai.
AE – Apesar desse diálogo orante, Jesus diz em Mateus 28, 46 «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?
TM – É interessante a forma como um exegeta francês contemporâneo defende que se traduza essa frase. Está relacionada com o modo como a tradução grega dos Setenta traduz o Salmo que Jesus reza na cruz. Ele propõe que se traduza: «Meu Deus, Meu Deus, a que me abandonaste». Não é apenas a interrogação de um destino que Jesus não entende, mas é também a explicitação de um mistério, de um destino, que engloba tudo aquilo que Jesus é e todo o projecto de Deus para a nossa salvação.
AE – «Tenho Sede!» (Jo 19, 28). É uma exclamação que deriva desse mistério silencioso?
TM – Só quem bebe da fonte do silêncio ganha essa sede. É uma sede do desejo e da entrega completa nas mãos do Pai. É uma das frases mais extraordinárias de Jesus.
AE – Por isso diz «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito (Lc 23, 46)» e «Tudo está consumado (Jo 19, 30)»
TM – Esse sentido de completude da vida supõe que o silêncio que nós somos mergulha no oceano do silêncio do mistério de Deus. Essa é a consumação. O silêncio no silêncio.
Como diz um poeta chinês: «O branco no branco»
AE – Depois desse «branco no branco» e da escada quaresmal aparece a vitória?
TM – Há uma vitória e uma Boa Nova. Há uma palavra inédita e original. Há a maior surpresa. Devido a isto, os cristãos são povo da manhã e do primeiro amanhecer. Celebramos o primeiro dia porque essa surpresa é o referencial que desloca o mundo. Nós organizamos o mundo a partir do primeiro dia da semana. Somos o povo do início.
AE – E acordamos «Com as narinas a sangrar um perfume (Daniel Faria)»
TM – Gosto da imagem do perfume porque é o símbolo da intensidade invisível. Na história, os cristãos sentem que o invisível está presente e se inscreve no provisório do tempo numa forma definitiva.
AE – Existem profissões do silêncio?
TM – As profissões ligadas à natureza são as menos mecânicas. São aquelas que se ligam ainda a uma lentidão. O silêncio é uma coisa lenta.
A grande tentação dos poetas é o silêncio
AE – Poesia e silêncio são dois conceitos interligados?
TM – A poesia é uma forma de escuta e de atenção. O silêncio é a metodologia de todos os poemas que se escrevem. A grande tentação dos poetas é o silêncio. A poesia exige uma vida tentada pelo silêncio. É uma forma de comunhão. A poesia não quer suprir o silêncio nem explicá-lo.
AE – Então o silêncio é o embrião da poesia...
TM – É embrião e o porto último. É a meta de todos os versos que se escreveram.
AE – Em estado poético voa-se na interioridade das palavras.
TM – Na poesia tenta-se – como se fosse a travessia das águas – atravessar sem ferir o mar. Para que no sossego das águas possamos ver o fundo, mas nem sempre isso é possível.
AE – Sendo duma localidade marítima (Machico – Ilha da Madeira), atravessa esse mar sem lhe tocar quando escreve poemas?
TM – A relação com o mar, e esse mundo que está ainda próximo duma linguagem original – antigas profissões, a ligação à terra e ao mar e a tradição oral -, suscita-me uma certa gramática do olhar.
AE – Depois dessa gramática do olhar nasce o azul poético?
TM – A poesia nem sempre é azul. Às vezes é escura e cerrada. A poesia não é um saber nem uma áurea. Não é um esplendor. Muitas vezes é uma noite escura. No entanto, a contemplação do mundo pede-nos uma procura.
O silêncio não tem cor
AE – O silêncio dessa contemplação é cromático?
TM – O silêncio não tem cor. Nós é que precisamos dessas cores. O silêncio é a vida nua... É a verdade. No entanto, precisamos da linguagem simbólica para viajarmos até à verdade.
AE – Um filósofo disse: «O poeta é o génio da recordação». Podemos afirmar também que o poeta é o génio da palavra nascida do silêncio?
TM – O poeta sabe que precisa de ouvir o silêncio.
AE – O misticismo é fruto do silêncio?
TM – A mística é uma experiência radical de silêncio. Uma das etimologias da palavra místico quer dizer fechado, estar trancado. A experiência mística é uma experiência de concentração.
AE - Eugénio de Andrade, Sophia Mello Breyner, Camilo Pessanha, Daniel Faria, Agostinho da Cruz e S. João da Cruz, poetas que ouviram o silêncio e deram-lhe voz. Destes, qual é o verdadeiro poeta do silêncio?
TM – Para mim o maior poeta e aquele que mais leio é S. João da Cruz.
AE – Miguel Torga percorria os trilhos do Gerês e da sua terra natal para absorver melhor o silêncio da natureza.
TM – Nós sentimos muito esse apelo: um regresso à natureza. A vida artificial e do ar condicionado é uma vida anti-espiritual. A vida do espírito é uma vida lenta e exige uma digestão. Ela exige o reencontro com os caminhos, com os baldios e com o mar aberto.
AE – Herberto Hélder via esse mar aberto constantemente?
TM – É um poeta de uma dimensão extraordinária. Herberto é um grande artífice do silêncio na poesia portuguesa contemporânea.
Cada um de nós tem a sua serra
AE – Sebastião da Gama e Agostinho da Cruz descobriram esse valor na Serra da Arrábida. Esta é a serra mãe para saborear a pausa silenciosa da vida?
TM – Na tradição portuguesa, a Serra da Arrábida é um lugar muito especial. Nesta serra encontramos tópicos da geografia do silêncio. Cada um de nós tem a sua serra onde encontrará o silêncio matricial.
AE – Também tem uma serra?
TM – Nas montanhas da Madeira ou junto ao mar, de qualquer lugar do mundo. Aí encontro uma certa qualidade de silêncio que me toca.
AE – O mar é ruidoso...
TM – O silêncio não é uma ausência. É a presença plena, inteira e intacta do mundo.
AE – Depois nasce a obra?
TM – Não nasce a obra. Nascemos nós. Mais importante do que a obra, mais importante do que o fazer é o ser. Nascemos... Estamos em nascimento, em dores de parto.
Pintar o silêncio
AE – Os pintores conseguem pintar o silêncio?
TM – Muitos pintaram-no. Fontana pintava o silêncio fazendo rasgões no cromatismo da pintura. Outro artista pintava o silêncio em grandes telas monocromaticamente (apenas com uma cor). Piero della Francesca pintava o silêncio através de personagens inesquecíveis. A forma como pintava o tempo dos personagens. O silêncio não se fixa.
AE – Não se fixa, mas conduz o pincel do pintor?
TM – O silêncio é o fio secreto que conduz todas as procuras de sentido. Podem ser artísticas, intelectuais, pastorais ou orantes. No fundo, a verdade é só uma. A verdade de um grande pintor é a mesma de um mestre da fé. É a verdade do grande mistério que nos coloca perante o silêncio de Deus.
AE – Há uma preparação específica para encontrar este fio misterioso?
TM – Na Quaresma, a Igreja recorda três caminhos: Jejum (relativização das reivindicações do nosso eu ); oração (escuta radical) e esmola (caridade). Muitos encontram o silêncio nesta forma porque nós não somos o centro do mundo.
AE – Depois deste caminho nasce a obra.
TM – O caminho quaresmal conduz-nos de facto a essa possibilidade da dança. Da dança dos eleitos. É essa alegria que vemos na célebre pintura de Frei Angélico, «A Roda dos Eleitos». Os anjos músicos e os eleitos com vestes maravilhosas celebram a alegria do Ressuscitado.
Bach falou com Deus
AE – A música ouve-se em silêncio ou transmite o silêncio?
TM – A música é uma poética do silêncio porque reconduz o nosso coração e a nossa atenção a um ponto nuclear.
AE – Numa orquestra existe o instrumento musical do silêncio?
TM – O instrumento do silêncio é o coração.
AE – No entanto, a harmonia sinfónica de alguns instrumentos musicais faz-nos entrar no mistério silencioso. Ouve-se o silêncio...
TM – Há compositores muito interessados em trabalhar esse silêncio. Só assim aparece a revelação.
AE – Qual o grande compositor que deu voz ao silêncio?
TM – Há um cineasta russo que afirma que Bach foi o último artista que falou com Deus. Não sei se foi o último, mas Bach falou com Deus.

Entrevistas Luís Filipe Santos Quaresma

Papa lamenta morte do Primaz ortodoxo da Grécia

Ecclesia
Bento XVI lamentou a morte do Primaz ortodoxo da Grécia, o Arcebispo Christodoulos, destacando o seu esforço pelo restabelecimento de relações de amizade entre as duas Igrejas.Christodulos, Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, morreu esta Segunda-feira, 28, aos 69 anos, na sua residência na capital grega vítima de doença prolongada. Em telegrama, o Papa despede-se de um "distinto pastor", mostrando-se "profundamente entristecido".A mensagem recorda "as fraternas boas-vindas" que o Arcebispo de Atenas ofereceu a João Paulo II em 2001 e a visita de retribuição que Christodulos fez a Roma, em Dezembro de 2006.Estes momentos "abriram uma nova era de cooperação cordial" entre o Vaticano e Atenas, assegura o atual Papa, para quem o aumento dos contactos e da amizade levam "a uma maior comunhão no contexto da crescente unidade européia".Escrevendo aos "irmãos Bispos” do Santo Sínodo da Igreja grega, Bento XVI manifesta as suas condolências e a sua proximidade espiritual a todos os fiéis."Eu e os católicos de todo o mundo rezamos para que a Igreja ortodoxa da Grécia seja sustentada pela graça de Deus nos caminhos dos feitos pastorais do seu último Arcebispo", assinalou

Igreja católica adere à mobilização convocada contra Farc

Rádio Vaticano
A Igreja Católica na Colômbia uniu-se ontem à mobilização mundial convocada para 4 de fevereiro pela rede social ativa na Internet Facebook, contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).A Conferência Episcopal da Colômbia especifica que na manifestação, os colombianos devem expressar, de maneira pacífica, sua rejeição total ao seqüestro e seu anseio veemente de paz e reconciliação. Num comunicado divulgado em Bogotá, o episcopado convida os colombianos a se unir à mobilização nacional de 4 de fevereiro, e pede que se insista em buscar alternativas que facilitem a aproximação entre o Governo nacional e os grupos armados.“As partes devem buscar uma solução ao conflito social e armado antepondo a consciência humanitária a qualquer outro interesse ou cálculo político”, acrescenta o episcopado, que está reunido em Bogotá em sua 84ª Assembléia Plenária. Cerca de noventa arcebispos e bispos participam do encontro, até o dia 1º de fevereiro, ao redor do tema “A missão da mulher na Igreja e na sociedade”.A mobilização foi convocada pelo movimento “Um milhão de vozes contra as FARC”, que até hoje, já recebeu, através da rede Facebook, o apoio de mais de 231.000 pessoas. Segundo um dos responsáveis da iniciativa, a marcha se realizará simultaneamente em 131 cidades do mundo, das quais 104 no exterior e 27 colombianas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

COMUNIDADE DE SANTO EGÍDIO CELEBRA 40 ANOS DE FUNDAÇÃO

Roma, 29 jan (RV) – A comunidade romana de Santo Egídio comemora seus 40 anos de fundação, na próxima sexta-feira. Na ocasião, o cardeal secretário de Estado, Tarcísio Bertone, celebrará a liturgia eucarística na Catedral de Roma, a basílica papal de São João de Latrão. A Comunidade de Santo Egídio, presente em 71 países, conta mais de 50 mil membros. Foi criada em Roma, em 1968, por um jovem estudante. O grupo de colegas se reunia para praticar o Evangelho, inspirados em São Francisco de Assis. Mais tarde, a comunidade assumiu o nome de Santo Egídio, nome da igreja romana que servia como centro da associação.O empenho em favor da África, a luta contra a AIDS, a moratória da pena de morte e o diálogo inter-religioso são alguns dos tantos campos de ação que fazem parte da agenda da Comunidade de Santo Egídio no mundo. A associação, que recebeu diversas demonstrações de estima por parte de João Paulo II, possuiu um notável peso diplomático na solução pacífica de numerosos conflitos mundiais, dos Bálcãs a Moçambique. (EP/AF)

MORRE ARCEBISPO ORTODOXO DE ATENAS E PRIMAZ DA GRÉCIA CHRISTODOULOS

Atenas, 29 jan (RV) - Faleceu esta manhã, o arcebispo ortodoxo de Atenas e primaz da Grécia, Christodoulos (foto) , aos 69 anos de idade.Durante seus 10 anos como primaz da Grécia, Christodoulos foi responsável pela melhora das relações entre a Igreja Ortodoxa e o Vaticano. Há cerca de um ano, lhe fora diagnosticado um tumor maligno no fígado e intestino. Após um transplante de fígado sem sucesso, em outubro passado, o arcebispo ortodoxo pediu para não ser mais hospitalizado. Seu estado de saúde havia piorado no último mês.Christodoulos entrou para os anais da história da Igreja Ortodoxa por ter promovido as relações com a Igreja Católica, após séculos de tensões. Em 2001, Christodulos recebeu a primeira visita de um pontífice católico à Grécia, desde o grande cisma de 1504. Na ocasião, João Paulo II pediu perdão pelos pecados cometidos por católicos contra os ortodoxos, através dos séculos.Em dezembro de 2006, Christodoulos encontrou-se com Bento XVI, no Vaticano, quando ambos assinaram uma Declaração Comum de compromisso pela unidade cristã.Nascido em 7 de janeiro de 1939, em Xanthi, noroeste da Grécia, Christodoulos foi eleito primaz vitalício em 1998, e foi o arcebispo ortodoxo mais jovem da Grécia. Defendia idéias nacionalistas e religiosas que geraram controvérsias na sociedade grega, na qual 97% da população professa a confissão ortodoxa.Os representantes da Igreja Ortodoxa grega reunir-se-ão nesta segunda-feira, em sessão extraordinária, para discutir sobre os detalhes do funeral e também sobre a eleição do sucessor de Christodoulos. De acordo com a tradição, o sepultamento será realizado na próxima quarta-feira e a eleição de um novo arcebispo deve realizar-se nos próximos 20 dias. (EP/AF)

ARCEBISPO DE APARECIDA CONVIDA JOVENS PARA VIDEOCONFERÊNCIA COM BENTO XVI

Aparecida, 29 jan (RV) – Os jovens brasileiros estão convidados a participar do encontro, via satélite, com Bento XVI, no dia 1º de março. O convite é feito pelo arcebispo de Aparecida Dom Raymundo Damasceno Assis (foto) , presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM). O arcebispo afirma que a conferência será um momento de fazer, ao lado de "diversos países americanos e europeus, uma corrente de oração formada por milhões de pessoas, com a poderosa intercessão de Nossa Senhora, pedindo justiça e paz para todos".A videoconferência será realizada no dia 1º de março, e faz parte da "Jornada Universitária da Europa e da América", e a arquidiocese de Aparecida foi escolhida pela Santa Sé para participar desse evento. O tema desta edição, presidida pelo Santo Padre, é "Europa e América juntas para construir a civilização do amor".O evento terá início às 13h (hora de Brasília), via satélite, interligando grandes cidades da Europa e da América como Roma, Nova York e Cidade do México. Mas a mobilização em Aparecida, segundo Dom Damasceno, terá início às 10h, com a apresentação de bandas católicas. Sucessivamente, haverá uma palestra sobre o tema "Juventude chamada a construir a civilização do amor: afetividade, cidadania e ecologia", presidida pelo professor e ex-secretário da Educação, Gabriel Chalita. Na ocasião, jovens universitários engajados em movimentos e pastorais da Igreja darão seus depoimentos. Após a palestra, os universitários se reunirão no interior da basílica, para a celebração com o papa. A programação se encerrará com a santa missa presidida por Dom Damasceno, às 16h, no Santuário de Aparecida. (EP/AF)

Governo da Espanha homenageia Obras Sociais Irmã Dulce

Da Redação - O Programa "Informática na Educação Especial" do Centro de Reabilitação e Prevenção de Deficiências das Obras Sociais Irmã Dulce conquista um dos mais prestigiados prêmios mundiais: o Rainha Sofia de Reabilitação e Integração 2007, concedido pelo Conselho do Real Patronato sobre Deficiência do Ministério do Trabalho e assuntos Sociais da Espanha. O valor do prêmio é de €50.000 (cinqüenta mil euros) e deverá ser entregue no mês de março, na solenidade que contará com a presença de Maria Rita Pontes, diretoria da OSID, especialmente convidada pelo Governo da Espanha. O Real Patronado, que tem como presidente de honra a Rainha Sofia, criou o prêmio há dez anos, para estimular e promover a prevenção de deficiências, a reabilitação e inserção social de pessoas portadoras de deficiências,além de facilitar o intercâmbio e colaboração entre instituições que realizam trabalhos similares em todo o mundo. "Mais do que o valor monetário do prêmio nos enche de orgulho o fato de termos reconhecido nosso perseverante trabalho com jovens portadores de deficiências graves para que possam ter uma vida mais digna através da inclusão digital", festeja Maria Rita Pontes.Criado há dez anos, o Programa da OSID tem como objetivo abrir as portas do mundo on line para crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais, viabilizando seu aprendizado e o desenvolvimento psicomotor. Atualmente, 150 jovens participam regularmente do programa. São portadores de deficiência sensorial e mental que dedicam várias horas por semana do seu tempo ao desenvolvimento de uma nova forma de relação com o mundo. "Os resultados têm sido motivadores" ressalta Maria Rita. " Imagine um adolescente com paralisia cerebral, que depois de anos à margem da sociedade aprendeu a ler e escrever a partir do trabalho realizado no laboratório do Infoesp. É gratificante", Conclui.

Bioética: "A descoberta do dia"

Dr. Frei Antônio Moser - Assessor da CNBB para assuntos de bioética (foto)

Desde os inícios da década de 1970 já se falava em reprodução assistida em laboratório; em manipulação genética; em engenharia genética e até em terapia genética. Acontece que até 1987, quando nasceu o primeiro bebê de proveta, e sobretudo até 1997, quando foi obtido o primeiro clone de animal a partir de células adultas (ovelha Dolly), tudo parecia colocar-se num horizonte longínquo, onde se tornava difícil distinguir o possível e o simplesmente imaginável. Como comentamos em vários artigos recentes, hoje os avanços são tantos e tão rápidos, que até o anjo Gabriel ficaria surpreso com a adesão incondicional de um certo número de cientistas. Também eles concordam com o anjo de que a Deus nada é impossível, pois também mais nada é impossível para biogeneticistas e biotecnólogos. Tudo é questão de tempo. E de fato, a cada dia aparecem, sistematicamente, notícias sobre novas e sensacionais descobertas. Como se fala em “prato do dia”, hoje poder-se-ia até criar uma página diária com o título: “a descoberta do dia”, e seguramente ela jamais ficará em branco. É verdade que não poucas notícias são requentadas e até ideologicamente trabalhadas. Mas indiscutivelmente mesmo as pessoas mais ligadas ao campo da biogenética, vão vivendo de susto em susto, sempre hesitando entre o fascínio e o temor. A notícia do último dia 25 de janeiro de 2008 foi esta: Craig Venter o conhecido geneticista (que, juntamente com James Watson, descobriu a estrutura do material genético – DNA - em 1953) teria acabado de criar a estrutura básica para um genoma sintético e este seria o passo mais importante para se obter vida sintética ou artificial. Note-se que já não se trata de transmissão artificial da vida, como a que vem ocorrendo nos processos denominados de reprodução assistida, mas de vida artificial. Há algum tempo se vem falando em “Second Life” (segunda vida) como expressão de um mundo virtual onde tudo parece real. Trata-se de uma espécie de simulador onde os usuários criam personagens, trabalham, divertem-se, gastam dinheiro, fazem negócios, cultivam vida social, criando amizades, namoros e casamentos, mas sempre, tudo restrito à tela de um computador. Agora já não se trataria de mundo virtual, mas de um mundo real mesmo. Para uma melhor compreensão do que isto significa, convém fazer uma retrospectiva.
Em maio de 2005 pesquisadores da Universidade de Boston anunciavam que um dia a biologia poderia produzir organismos artificiais com fins terapêuticos. Da “simples” modificação genética de uma bactéria, através da agregação de um gene estranho, agora já se poderia inserir uma rede genética inteira, com a ação de muitos genes. Para medir o alcance deste passo, serve uma comparação: a engenharia genética denominada convencional, por mais avançada que se apresente, equivaleria tão somente à troca da ponta de uma chave de fenda; no caso em questão, da possibilidade de se criar vida artificialmente, estaríamos falando da mudança do conteúdo total de toda a caixa de ferramentas. Se a partir da década de 1990 conseguimos, progressivamente, ler o código genético da espécie humana e de inúmeras outras espécies de seres vivos, agora estaríamos em condições de reescrever o código genético destes mesmos seres vivos e produzir outros seres que jamais existiriam através do que se denomina de evolução natural. Tratar-se-ia portanto de algo mais complexo e com maiores conseqüências sob todos os aspectos: existenciais, comportamentais, jurídicos, éticoPara uma melhor compreensão ainda, convém recordar que há alguns anos se anunciava o desenvolvimento de tecnologias capazes de transferir um vírus geneticamente modificado para integrar o genoma de uma bactéria hospedeira, que por sua vez seria capaz de criar um RNA mensageiro para ativar ou então bloquear a produção de uma proteína específica, ao serviço dos interesses do seu criador. Estamos falando de verdadeiros interruptores que ativam ou desativam genes, de acordo com as conveniências. Se antes a busca se localizava no conhecer os mecanismos da vida, através da observação e depois do desmonte, agora se busca criar de sistemas novos e sofisticados capazes de gerar a vida.
A “velha geração” de biólogos, biogeneticistas e biotecnólogos procurava compreender e reproduzir a vida existente. Agora trata-se de criar, literalmente, algo de novo. Projetando e construindo máquinas que atuem dentro das células, estes novos artesãos da vida têm objetivos bastante claros: inserir um cromossomo sintético dentro de uma célula e obter assim a criação de um organismo artificial, vivo, que jamais existiu ou seria capaz de existir por si próprio na evolução normal das espécies.
Esta operação teria três etapas: a primeira, já executada, pela transferência do genoma de uma bactéria para outra, transformá-las em espécies diferentes; a segunda, agora em execução, produzir quimicamente fragmentos de DNA desta bactéria; a terceira, em andamento, construir verdadeiras “máquinas” que atuem dentro das células.
Todas estas experiências visam criar novos seres que tenham vida própria, mas que obedeçam aos comandos humanos dados previamente na própria construção destes novos seres vivos. Com isto se visam criar fábricas biológicas que poderão produzir verdadeiros biocombustíveis em laboratório, como serão capazes de digerir lixo tóxico, absorver dióxido de carbono e outros gazes poluentes que estão na origem do efeito estufa.
As expectativas nesta linha não são de hoje, e de alguma forma, já há milhões e milhões micro organismos em ação: conjugando microeletrônica, biologia molecular e nanotecnologia, micróbios funcionam como se fossem sondas de DNA, passando as informações para bactérias associadas a genes informantes e iniciado o trabalho de limpeza. Esta operação denomina-se “biorremediação” e já está atuando em muitas partes do mundo, despoluindo rios, lagos e mares...
E mais ainda: o sonho é que estas verdadeiras usinas biológicas sejam verdadeiras indústrias terapêuticas que substituam os tradicionais medicamentos. Aliás os “tradicionais” medicamentos, por mais sofisticados que sejam, já há algum tempo se encontram na lista de produtos que deverão ser logo descartados: eles são por demais genéricos, agindo em todas as direções e com isto muitas vezes fazendo mais mal do que bem. O que já algum tempo se encontrava entre os objetivos mais importantes era a produção de medicamentos personalizados e “sob medida”. Se estas experiências agora anunciadas tiverem êxito até estes medicamentos iriam tornar-se dispensáveis. Agora bastaria tomar pílulas que seriam capazes de ligar ou desligar as fábricas de medicamentos, que seriam nossas próprias células.
Convenhamos que tudo isto é difícil de ser compreendido e nos deixa realmente confusos. Mais difícil ainda é admitir a possibilidade de se criar vida artificial, com a capacidade de auto- sustentação e reprodução. Sempre ouvimos dizer que só Deus é o Criador de tudo. Será que agora precisamos admitir que o homem também seria capaz de criar algo a partir do nada?
Não é bem assim. Em primeiro lugar porque estamos ainda tratando de bactérias, organismos super simples; e no caso em questão estamos falando de uma bactéria chamada mycoplasma genitalium, cujo genoma foi mapeado, estudado e desmontado, para ser recomposto com outras propriedades. Fazendo uma comparação com o mundo da informática se poderia dizer que foi preparado um software ( programa) para uma bactéria cumprir uma tarefa específica, mas até aqui ainda não se sabe como ativar este programa. E como observa o professor de engenharia biomédica de Boston, Jim Collins, a ciência ainda está longe de entender o que é a vida e o que a comanda.
De qualquer forma, decisivamente nos encontramos hoje numa situação onde a tecnologia avança a passos largos, bem mais de pressa do que as reflexões de cunho jurídico e ético. Ademais, ao mesmo tempo em que olhamos com esperança para o que se denomina medicina molecular e de biologia ambiental, capazes de apagar os efeitos desastrosos de pecados anteriores, uma vez mais, e sempre de novo, nos sentimos perplexos. Isto não só porque estas novas criaturas podem “enlouquecer” , mas porque podem ser programadas para enlouquecerem e passarem a agir perversamente. Como tantos outros inventos anteriores, todas as descobertas vêm carregadas de uma ambivalência radical: tanto podem ser colocadas ao serviço da vida, quanto ao serviço da morte. Com uma diferença em relação ao passado: fica cada vez mais claro que as clássicas armas representadas por fuzis, metralhadores, canhões e tanques, só servirão para produzir filmes de terror e para serem guardadas em museus. As verdadeiras armas serão invisíveis e bem mais mortíferas. E as infundadas acusações contra Sadam Hussein, de que possuiria terríveis armas biológicas e bacteriológicas irão se transformar em verdades comprovadas: não no pobre e destruído Iraque mas em milhares de laboratórios espalhados pelo mundo afora, sempre na espera de receber uma única ordem referente à direção para a qual serão encaminhadas. Ninguém vê, ninguém sente, ninguém sente nenhum odor: simplesmente todos morrem sem causas aparentes

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Alemanha: Cardeal Meisner presta tributo ao fundador da AIS

O Arcebispo de Colônia, Cardeal Joaqchim Meisner (foto) , prestou homenagem ao fundador da organização católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), numa cerimónia que assinalou o 95.º aniversário de nascimento do Pe. Werenfried van Straaten.
Na Missa celebrada na Catedral desta diocese alemã participaram, entre outros, o presidente da AIS, Hans Peter Röthlin, o novo secretário-geral da organização, Pierre Marie Morel, e o Arcebispo de Kirkuk, no Iraque, D. Luís Sako.
Na sua homilia, o Cardeal Meisner referiu que o Pe. Werenfried falou com tal intensidade sobre Deus que acabou «por ser ouvido por muitas pessoas», mesmo pelas que estavam atrás dos «muros» no tempo da Guerra Fria.
Como resultado do seu empenho brotou «um improvável trabalho de caridade perante o qual nos colocamos hoje em atitude de espanto e gratidão». O Pe. Werenfried, frisou o Arcebispo de Colónia, nunca se envergonhou da sua fé, pelo contrário, «convenceu muitos pela força da fé e levou-os para o seu trabalho», com «um grande coração e uma grande boca».
«A tarefa que nos deixou, pela graça de Deus, é a de continuar o seu trabalho agora e no futuro», conclui o Cardeal Meisner.

Papa quer Igreja empenhada na luta contra os poderosos

Bento XVI lança apelos no Vaticano, onde recordou o Dia Mundial dos Leprosos (foto).
Bento XVI espera que a Igreja seja fiel ao Evangelho, que foi crítico para com os “poderosos”. O Papa deixou este apelo no Angelus dominical, durante o qual lembrou o Dia Mundial dos Leprosos.
“Deus, não o imperador, é o Senhor do mundo, e o verdadeiro Evangelho é o Evangelho de Jesus Cristo”, indicou, perante cerca de 30 mil fiéis, ao comentar a liturgia deste Domingo.
O Papa convidou os presentes a pedirem à Virgem Maria que obtenha sempre para a Igreja a mesma paixão pelo Reino de Deus que animou a missão de Jesus Cristo, “paixão por Deus, pela sua senhoria de amor e de vida; paixão pelo homem, encontrado em verdade com o desejo de lhe dar o tesouro mais precioso: o amor de Deus, seu Criador e Pai”.
Bento XVI recordou que a palavra Evangelho, no tempo de Jesus, “era usada pelos imperadores romanos para os seus proclamas: independentemente do conteúdo eram definidos , boas noticias, isto é anúncios de salvação, porque o imperador era considerado como o senhor do mundo e cada um dos seus editos, portador de bem”.
“Aplicar esta palavra à pregação de Jesus teve portanto um sentido fortemente crítico”, ressaltou.
Segundo o Papa, “a novidade da mensagem de Cristo é que, nele, Deus está perto, reina já no meio de nós, como demonstram os milagres e curas que faz. A senhoria de Deus manifesta-se na cura integral do homem: com isto Jesus quer revelar o rosto autêntico de Deus, o Deus que nos dá a vida em abundância, a sua própria vida”
“Por isso, o Reino de Deus é a vida que afirma sobre a morte, a luz da verdade que dissipa as trevas da ignorância e da mentira”, concluiu Bento XVI.
Depois da oração mariana, o Papa recordou que neste dia 27 se celebra o Dia Mundial dos Leprosos, iniciada há 55 anos por Raul Follereau. A todas as pessoas que sofrem por causa desta doença o Papa dirigiu a sua saudação afectuosa assegurando uma oração especial que estendeu a todos aqueles que de qualquer maneira se empenham ao seu lado, em particular os voluntários da Associação Amigos de Raul Follereau.
Bento XVI convidou os responsáveis a nível político e sanitário a empenharem-se sempre a favor dos cuidados que se devem prestar a estes doentes.
Posteriormente, o Papa anunciou que a 23 de Fevereiro receberá no Vaticano, em audiência especial, todos aqueles que, como educadores, crianças, adolescentes e jovens em formação, “participam mais directamente no grande desafio da educação”, e acrescentou que lhes entregará simbolicamente a carta por ele escrita no passado dia 21.
O encontro desta manhã teve um momento simbólico quando Bento XVI lançou duas pombas brancas, em sinal de paz, ladeado por um jovem e uma jovem da acção católica, organismo que se encontrava na Praça de São Pedro para a Caravana da paz, na conclusão do “mês da paz”.

(Com Rádio Vaticano)
FOTO: Lusa

SÃO TOMÁS DE AQUINO

28 de janeiro de 2008
SÃO TOMÁS DE AQUINOMc 3,22-30
É espantoso perceber a que ponto pode chegar a deformação da alma humana. Ela pode chegar a uma completa inversão de valores, chamando de mal o bem, e de bem o que é mal. Jesus, sendo Deus, é o Bem Supremo, que se fez homem. Tudo o que Ele fazia só poderia ser para o bem da humanidade, para a salvação de todos nós. Rejeitar as obras de Jesus era rejeitar a própria salvação.Peçamos hoje que Deus nos livre sempre da cegueira espiritual, a pior de todas as cegueiras. Pois é ela que nos impede de ver a ação de Deus na nossa vida, nas nossas famílias, na própria Igreja, fazendo crer que tudo depende da ação humana, quando na verdade é de Deus que tudo depende. Que Deus nos dê olhos capazes de enxergar além dos atos humanos, sejam eles bons, sejam eles maus.

Pe. D. Justino Silva de Souza, OSB

SITUAÇÃO DRAMÁTICA DOS CRISTÃOS NO IRAQUE POLARIZA ASSEMBLÉIA DA ROACO

Cidade do Vaticano, 28 jan (RV) - Realizou-se esta semana, no Vaticano, a Assembléia semestral da ROACO, a Reunião das Obras de Assistência às Igrejas Orientais. Estiveram no centro dos trabalhos, em particular, o Iraque (foto), tema que será retomado na próxima sessão, fixada para os dias 18 e 19 de junho próximo. Mas o que emergiu da Assembléia dos dias passados? Foi o que a Rádio Vaticano perguntou ao secretário-geral da ROACO, Pe. Leon Lemmens:Pe. Leon Lemmens:- "Emergiu uma grande atenção, um grande sentido de solidariedade para com as sortes dos cristãos iraquianos. Portanto, dedicamos quase a totalidade dos trabalhos dessa sessão da ROACO justamente à questão iraquiana e, mais ainda, sobre como ajudar mais os cristãos iraquianos e, naturalmente, as suas Igrejas."P. A minoria cristã no Iraque está cada vez mais em dificuldade: vimos os últimos ataques contra as igrejas. E continua a diáspora. Como ajudar essas comunidades?Pe. Leon Lemmens:- "Como sabemos, a maior parte dos cristãos iraquianos vive fora do Iraque: de fato, fala-se de cerca de 60 mil que vivem próximo a Amã _ na Jordânia _ outros 100 mil e talvez até mais vivem na Síria, outros ainda se encontram no Líbano e na Turquia. Ademais, outros cristãos iraquianos, mesmo estando no Iraque, vivem na realidade numa condição de refugiados no norte do país. Portanto, a situação geral dos cristãos iraquianos é verdadeiramente dificílima. Durante os nossos trabalhos, a esse respeito, analisamos, sobretudo, aquilo que já estamos fazendo diante dessa situação, aquilo que estão fazendo as agências da ROACO e, em particular, a Caritas. Pudemos verificar que a Caritas está realmente muito empenhada tanto na Jordânia quanto na Síria, como também dentro do Iraque, graças à ajuda de muitas pessoas e com a contribuição também de importantes meios financeiros. Vimos como também em Amã a Igreja encontra-se muito empenhada e busca realmente ir ao encontro das necessidades dos cristãos iraquianos." (RL)

É inaugurado Ano Judiciário do Tribunal Apostólico da Rota Roma

Na administração da justiça na Igreja devem ser evitadas interpretações subjetivas e arbitrárias: foi o que afirmou Bento XVI, ontem pela manhã, na Sala Clementina, no Vaticano, por ocasião da inauguração do Ano Judiciário do Tribunal Apostólico da Rota Romana.O Papa recordou que, justamente este ano, se celebra o centenário do restabelecimento do Tribunal, por obra de São Pio X. Na audiência aos membros da Rota Romana, conduzidos pelo decano, Dom Antoni Stankiewicz, o Santo Padre deteve-se, em particular, sobre as causas matrimoniais."Favorecer um clima de confiança na atuação dos tribunais", evitando "a arbitrariedade dos critérios subjetivos", foi o caloroso convite que Bento XVI dirigiu aos membros da Rota Romana, ressaltando a importância de sua jurisprudência, especialmente no âmbito matrimonial.A Rota, reconheceu o papa, é chamada à árdua tarefa de "acertar a existência ou não da realidade matrimonial, que é intrinsecamente antropológica, teológica e jurídica". O matrimônio, advertiu, deve ser considerado "com o seu real significado humano e salvífico".Por outro lado, o direito não pode ser "reduzido a um mero conjunto de regras"."Somente desse modo - enfatizou -, as máximas da jurisprudência adquirem o seu verdadeiro valor, e não se tornam uma compilação de regras abstratas e repetitivas, expostas ao risco de interpretações subjetivas e arbitrárias."O pontífice deteve-se desse modo sobre a atuação dos ministros da justiça dos tribunais das Igrejas locais. Em particular, sobre as causas de nulidade matrimonial o papa pediu um esforço constante para se alcançar "a unidade de critérios de justiça", e indicou o risco de que se formem "jurisprudências locais sempre mais distantes" da interpretação das leis e "até mesmo da doutrina da Igreja sobre o matrimônio"."Faço votos - auspiciou - de que se estudem os meios oportunos para tornar a jurisprudência da Rota Romana sempre mais manifestamente unitária, bem como efetivamente acessível a todos os agentes da justiça, de modo que encontre aplicações uniformes em todos os tribunais da Igreja."Em seguida, Bento XVI evocou o valor dos pronunciamentos do Magistério eclesiástico, inclusive os discursos do papa à Rota Romana sobre questões jurídicas matrimoniais. Em seguida, concluiu o seu discurso fazendo votos de que o compromisso da Rota Romana seja vivificado com um "sempre mais profundo sentido eclesial da justiça", "verdadeiro serviço à comunhão salvífica".



Fonte: Rádio Vaticano

domingo, 27 de janeiro de 2008

Morre Dom Cândido Rubens Padin

Morre em São Paulo o segundo bispo de Bauru; ele ficou conhecido pela luta por justiça social no país
A Igreja em luto: morreu aos 92 anos dom Cândido Rubens Padin (foto) , bispo de Bauru entre 1970 e 1990. Ele faleceu às 10h30, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, onde morava, enquanto rezava o breviário, uma prece curta. O bispo emérito tomou café e às 10h sentou-se para rezar. Ele estava bem pouco antes, informou o prior do mosteiro, dom João Evangelista Kovas.Dom Cândido foi o segundo bispo de Bauru, a quem coube organizar a diocese. Deixa registrada sua atuação a favor da justiça social. Esteve três vezes com o papa João Paulo II, a quem disse que os bispos brasileiros eram criticados por se envolver com problemas sociais do país. “Isso deve ser feito”, respondeu o papa.Seu lema era “A verdade na caridade”. Foi um dos fundadores da JUC (Juventude Universitária Católica). Formado em direito, foi reitor da faculdade da USP (Universidade de São Paulo). Estudou filosofia na Faculdade São Bento, em São Paulo, o que lhe mostrou o caminho da religião.Para o monsenhor Almir Cogiola, o bispado perde um de seus maiores expoentes. “Ele era um máximo entre os bispos do Brasil, empenhado no crescimento da Igreja. Viveu 20 anos conosco e depois foi pai de todos nós sacerdotes”, afirma. “Deus o recompensará por tudo o que fez.”Foi membro do Conselho Federal de Educação em 1962, no governo João Goulart. Em entrevista exclusiva ao BOM DIA em janeiro de 2007, enfatizou a missão das universidades. “De nada adianta haver expansão do ensino baseada apenas na questão profissional, em que as universidades se esquecem de sua verdadeira missão, que é valorizar a ética e formar a pessoas nos sentidos intelectual e científico.”09.05.191525.01.2008Enfrentamento contra a ditaduraDom Cândido Padin esteve em Bauru pela última vez ao comemorar 90 anos. Membro da OSB (Ordem de São Bento), agiu pessoalmente num episódio da ditadura militar, em 1964: resgatou dez rapazes que faziam parte da juventude católica.Com eles havia sido encontrado o filme “O Encouraçado Potemkin”, que retrata um levante de marinheiros russos contra o império em 1905. “Não posso deixar de pedir que me sejam entregues agora”, resumiu ele a um oficial. O grupo foi solto.Outro episódio que evidencia a trajetória ativa de dom Cândido é sua prisão, em 1976, em Riobamba, no Equador. Estava num congresso para conhecer e refletir sobre uma pastoral indígena que criava comunidades cristãs sem desprezar as características originárias de cada cultura.Em Bauru, morou numa casa na avenida Nossa Senhora de Fátima. Conforme as leis canônicas, renunciou aos 75 e voltou à sua primeira morada religiosa, o Mosteiro de São Bento.ServiçoO velório começou ontem, às 13h, no Mosteiro de São Bento. Na segunda-feira, haverá missa de corpo presente às 11h. Sepultamento ocorre em seguida, no cemitério do mosteiro.Catedral fará missa especial na quinta A missa de sétimo dia pela morte de dom Cândido Padin será celebrada quinta-feira, às 20h, na Catedral do Divino Espírito Santo, informa o bispo de Bauru, dom Luiz Antônio Guedes. Neste fim de semana, contudo, as igrejas estão orientadas a já fazer menções ao célebre religioso em suas missas regulares. Ontem à noite, dom Luiz esteve reunido com padres para acertar a ida dos religiosos a São Paulo para a despedida. “Ele [dom Cândido Padin] sempre foi muito coerente e íntegro”, destaca dom Luiz. “Como uma de suas marcas estava a real preocupação com a justiça social. Tinha formação em direito e realmente se mostrava atento aos direitos do povo, inclusive na condição de bispo emérito.” Para dom Luiz (bispo desde 2001 em Bauru), dom Cândido Padin (que ocupou o posto entre 1970 e 1990) é exemplo para todas as gerações.

RCC realiza encontro nacional para coordenadores e ministérios

Por Ronaldo da Silva - Canção Nova Notícias, Brasília
Acontece em Brasília o de Encontro de Formação para Coordenadores e Formadores da Renovação Carismática Católica. Ele é realizado a cada ano para apresentar os direcionamentos às lideranças da Renovação Carismática Católica, RCC. O tema para este ano é "Apóstolos para efusão do Espírito Santo".Cerca de 300 pessoas trabalham na realização deste encontro.Até hoje dia 27, os mais de 2 mil representantes de todos os estados brasileiros estarão reunidos no Centro de Convenções de Brasília. O objetivo é um só: fortalecer o espírito missionário da RCC para atender à necessidades da igreja no Brasil, especialmente nas regiões mais carentes e mais distantes, como a Amazônia.

Bento XVI nomeia membros para as Congregações do Vaticano


Bento XVI (foto), nomeou o cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, como membro da Congregação para a Doutrina da Fé. Hoje, o Papa nomeou também o cardeal Roger Michael Mahony e Edward Michael Egan como membros da Congregação para as Igrejas Orientais.Para consultor do Conselho Pontíficio da Família, Bento XVI nomeou Mons. Francesco Di Felice, do clero da diocese de Teramo-Atri (Italia).


Fonte: Ecclesia

sábado, 26 de janeiro de 2008

Atravessar o deserto ao encontro dos missionários

Cerca de 1600 quilómetros depois, o Pe. Almiro Mendes continua viagem a caminho de Bissau
A entrar no deserto do Saara Ocidental, num percurso até agora de aproximadamente 1600 quilómetros, o Pe. Almiro Mendes (foto d), pároco de Ramalde, está confiante no sucesso da viagem.
Na passada Segunda feira, dia 21, o sacerdote do Porto, acompanhado por mais sete pessoas, iniciou o percurso que o levará a Bissau, capital da Guiné - Bissau, para pessoalmente entregar um jipe e diverso material aos missionários.
Apesar de o percurso prever passagem por países instáveis, o pároco do Porto afirma que a equipa não tem medo. Apenas alguns receios por a viagem ser longa. “Atravessar o deserto não é uma canção de embalar”, afirma à Agência ECCLESIA. No entanto problemas ou mesmo receios pelo terrorismo estão postos de lado.
O Pe. Almiro Mendes dá conta da amabilidade das pessoas que a equipa tem encontrado pelo caminho. “Pessoas muito simpáticas e acolhedoras que nos dão sempre um sorriso”. Quando há lugar para alguma conversa “as pessoas manifestam interesse no projecto e querem saber mais”, explica.
Ao longo das várias etapas a equipa tem pernoitado em “pequenas casinhas e hotéis”.
Até agora, tiveram “pequenas avarias”, que impossibilitou o decurso da viagem durante um dia. A viatura de apoio precisou de cuidados, mas “está tudo a correr bem”.
O jipe de oferta “está muito bem preparado e vai chegar em excelentes condições”, garante.
A chegada a Bissau está prevista para o final do mês, mas o Pe. Almiro Mendes avança que “vamos ao ritmo do bom senso e de todos os cuidados”.
Esta viagem foi alvo de uma grande curiosidade. O sacerdote do Porto explica que “nunca esperávamos que os meios de comunicação social fizessem tanto eco sobre a iniciativa”.
O Pe. Almiro Mendes recusa qualquer tipo de protagonismo, apenas quer “concretizar um gesto revelador do nosso amor” ao povo da Guiné. Assume a viagem como um acto missionário e “talvez rasgue horizontes e mostre uma nova forma de estar em Igreja”.
O folclore à volta da viagem “é o que menos importa”.
Fonte: Ecclesia

Código de Direito Canónico «torna os homens livres»

Bento XVI (foto) assinala 25º aniversário da Promulgação e sublinha cuidado na transmissão do Código
O Direito Canónico não é um conjunto de regras produzidas pela Igreja, mas antes uma lei que “torna os homens livres para aderir a Jesus”.
Por ocasião do 25º aniversário da Promulgação do Código do Direito Canónico, Bento XVI recebeu, ontem pela manhã em audiência, o grupo de trabalho promovido pelo Conselho Pontifício para os Textos Legislativos.
“A essência do direito é a pessoa humana e a essência do direito canónico é o cristão na Igreja”, referiu o Papa.
A lei canónica não é um conjunto de normas produzidas pelo povo de Deus, mas antes “o conjunto de todos os fieis, leigos e pastores, de todas as comunidades, sejam elas Igrejas particulares ou universais”, explicou o Papa recordando a estreita ligação entre a lei canónica e a vida da Igreja.
Bento XVI advertiu que “as indicações legislativas devem ser formuladas de modo claro, sempre em sintonia com as restantes leis da Igreja”.
“É necessário revogar as regras já superadas, modificar as que precisam de ser corrigidas, interpretar, à luz do magistério da Igreja, as que são dúbias e colmatar as eventuais lacunas legislativas”,
Recordando as palavras de João Paulo II quando, a 25 de Janeiro de 1983, promulgou o Código de Direito Canónico, Bento XVI explicou que a Igreja é constituída como uma companhia social e visível. Como tal “precisa de normas para que a sua estrutura hierárquica e orgânica seja visível, para que o exercício da sua fundação seja efectivo e para que as relações dos fiéis possam ser pautadas pela justiça e caridade”.
Pensando especialmente nas gerações mais novas, Bento XVI sublinhou a importância da transmissão do Direito Canónico, “com respeito” e pensando na “protecção dos interesses de Deus e no direito dos mais fracos e daqueles que não têm forma de se afirmar”.
Por ocasião do 25º aniversário da Promulgação do Código de Direito Canónico, o Conselho Pontifício para os Textos Legislativos promoveu um conselho de estudo, hoje concluído, com o título “Direito Canónico na vida da Igreja. Inquérito e perspectivas na marca do recente magistério pontifício”.
Este Dicastério auxilia o Papa na tarefa de promover, garantir e interpretar o direito e vela também pela coerência e actualização da legislação da Igreja.

Internacional Lígia Silveira Código Direito Canónico

Caritas pede ajuda humanitária para Faixa de Gaza

A Caritas de Jerusalém pede ajuda humanitária para acabar com a crise humana e social que a Faixa de Gaza enfrenta.
No território de Gaza escasseiam alimentos e faltam medicamentos no sistema de saúde.
A água, a electricidade e a gasolina estão a ser racionalizados e prevê-se a paralização dos serviços, com graves dificuldades para a população.
As ONG’s não estão autorizadas a entrar em Gaza, o que amplia os problemas da população, em estado de pobreza extrema.
A Caritas pede a reabertura das passagens para a Faixa de Gaza, para que a população civil regresse à vida normal e possa receber assistência.
A Caritas de Jerusalém trabalha na melhoria das condições de vida em todos os territórios palestinos, frequentemente marginalizados, e onde se sente a falta de bens essenciais, instrução e cuidados médicos.
Com Rádio Vaticano

Internacional Agência Ecclesia Cáritas

Papa alerta para a ditadura da mídia

Bento XVI defende necessidade de uma «info-ética» contra o materialismo econômico e do relativismo ético
Bento XVI pediu hoje que os meios de comunicação social não sejam colocados ao serviço dos interesses dominantes e ideologias, impondo “modelos errados de vida pessoal, familiar ou social”. Na sua mensagem para o 42.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa alerta para o risco da mídia “se transformar em sistemas que visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses predominantes de momento”. “É o caso de uma comunicação usada para fins ideológicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma publicidade obsessiva. Com o pretexto de se apresentar a realidade, de fato tende-se a legitimar e a impor modelos”, afirma. Num texto dedicado ao tema “Os meios de comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Procurar a Verdade para compartilhá-la”, Bento XVI considera que “é preciso evitar que a mídia se torne o megafone do materialismo econômico e do relativismo ético, verdadeiras pragas do nosso tempo”. O Papa denuncia a tirania das “audiências”, que leva a recorrer “à transgressão, à vulgaridade e à violência”. Existe, adverte ainda, “a possibilidade de serem propostos e defendidos, através da mídia, modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desnível tecnológico entre países ricos e pobres”. Considerando que, num mundo globalizado, os meios de comunicação social são cada vez mais “parte constitutiva das relações interpessoais e dos processos sociais, econômicos, políticos e religiosos”, o Papa frisa que “a mídia, no seu conjunto, não serve apenas para a difusão das idéias, mas pode e deve ser também instrumento ao serviço de um mundo mais justo e solidário” Falando numa mutação do lugar da mídia, a mensagem de Bento XVI observa que “o papel que os instrumentos de comunicação assumiram na sociedade é já considerado parte integrante da questão antropológica, que surge como desafio crucial do terceiro milênio”. “De modo semelhante ao que se verifica no setor da vida humana, do matrimônio e da família e no âmbito das grandes questões contemporâneas relativas à paz, à justiça e à defesa da criação, também no setor das comunicações sociais estão em jogo dimensões constitutivas do homem e da sua verdade”, prossegue. Bento XVI defende a necessidade de uma “info-ética”, nas comunicações socias, para que estas “defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade”. “Quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controle social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua consciência, sobre as suas decisões, e a condicionar em última análise a liberdade e a própria vida das pessoas”, escreve o Papa. Bento XVI considera que "a comunicação parece, às vezes, ter a pretensão não só de apresentar a realidade, mas também de a determinar graças à capacidade e força de sugestão que possui". "Constata-se, por exemplo, que em certos casos a mídia são utilizados, não para um correto serviço de informação, mas para «criar» os próprios acontecimentos", indica, para sublinhar que "nem tudo aquilo que for tecnicamente possível é eticamente praticável". O 42.º Dia Mundial das Comunicações será celebrado a 4 de Maio de 2008. Esta foi a única celebração mundial decidida pelo Concílio Vaticano II ("Inter Mirifica", 1963), sendo celebrada na maioria dos países no Domingo que antecede a Solenidade de Pentecostes. A mensagem para este dia é publicada todos os anos a 24 de Janeiro, por se celebrar a memória litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro das comunicações sociais.

Fonte: Agencia Ecclesia

Vaticano apresenta mensagem

A Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2008 vai ser apresentada no Vaticano (Foto), em conferência de imprensa, no próximo dia 29, segunda-feira. A apresentação estará a cargo do Cardeal Paul Josef Cordes, Presidente do Conselho Pontifício “Cor Unum”, de D. Karel Kasteel e D. Giovanni Pietro Dal Toso, secretário e subsecretário do mesmo Conselho, e de Hans-Peter Röthlin, presidente da organização católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre. A Quaresma é o tempo do Ano Litúrgico preparatório da Páscoa, a grande celebração do mistério da Salvação pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. Na atual disciplina litúrgica, vai da Quarta-Feira de Cinzas até Quinta-Feira Santa, excluindo a Missa da Ceia do Senhor, que já pertence ao Tríduo Pascal. Surgiu no séc. IV, a seguir à paz de Constantino, quando multidões de pagãos quiseram entrar na Igreja. Duas instituições a ela estão ligadas: a penitência pública e o catecumenato, daí o seu caráter penitencial e batismal.

Fonte: CNBB

Matemático Judeu criticado por defender Papa

Entrevista com Giorgio Israel, professo da universidade «La Sapienza»
Por Paolo Centofanti defender Bento XVI dos ataques dos que se opuseram a sua visita à universidade «La Sapienza», em Roma, implica pagar um preço, confessa Giorgio Israel, professor de Matemática neste centro universitário.O docente de origem judaica interveio com um artigo em «L’Osservatore Romano» e com declarações públicas para explicar que Joseph Ratzinger defendeu Galileu na conferência pronunciada em 1990, pela qual foi acusado erroneamente por 67 professores (dos 4.500) de «La Sapienza».

Em entrevista o matemático, convencido promotor do diálogo entre fé e religião.
–Considera que a imagem e a credibilidade de sua universidade em âmbito nacional e internacional sofreram após a oposição de um grupo de professores e alunos à visita do pontífice?–Professor Israel: Creio que o dano é muito sério. Recebi cartas por parte de professores norte-americanos que estavam desconcertados; nos Estados Unidos se podem encontram todas as posições possíveis e imagináveis, mas não se dá esta forma violenta de rechaço do diálogo com o Papa, e ademais apenas com o Papa, pois «La Sapienza» tem convidado todos. É algo desconcertante e, portanto, desde meu ponto de vista, o dano para a imagem é muito elevado.
–Considerando seu ponto vista pessoal e seus contatos como professor, acredita haver motivações veladas por trás dos pretextos?–Professor Israel: Não creio. Sei que alguns têm dito que tudo isso se deve, em parte, às rivalidades entre grupos acadêmicos para a reeleição do reitor. Mas francamente não creio. É mais que provável que alguém se aproveite disso, mas meu juízo é que o mundo universitário, que sempre esteve ligado à extrema esquerda, em particular ao partido comunista, com o final da ideologia marxista ficou «órfão» desta ideologia. E, em certo sentido, construíram como uma teologia substituta, como disse George Steiner: o cientificismo e o laicismo mais obstinados. Na universidade encontramos uma concentração sumamente elevada de pessoas que têm uma visão deste tipo, muito mais que no resto da sociedade civil.
–Crê que a intervenção do Papa poderia desarticular este tipo de ideologias?–Professor Israel: Não, pois é um processo sumamente lento. De um ponto de vista, dada a oposição, e as dificuldades circunstanciais, creio que a decisão de não forçar a situação foi muito adequada. Creio que há que distinguir três elementos. Entre os estudantes, o grupo que se opôs é uma pequena minoria, e esta é a maldição de «La Sapienza»: sempre há um grupo de revoltosos que consegue impor sua vontade à imensa maioria dos estudantes. Acredito que entre os estudantes esta posição não está muito estendida. Entre os professores, é diferente. Só assinaram a carta 67, mas creio que são muito mais numerosos os que têm uma posição deste tipo. Digo isso por conhecimento de causa. Logo há muitos que pensam de uma maneira totalmente diferente. É difícil fazer porcentagens. Mas talvez se trata de uma divisão meio a meio. Mas não se trata apenas de 67, são muito mais. Perante esta situação, penso que foi certo não ir à universidade e dar uma lição de aula, enviando um discurso que em certo sentido desmantela todos os pretextos do rechaço, da oposição à visita do Papa. Do meu ponto de vista, a mudança desta mentalidade apenas pode vir com um processo muito lento, de discussão, no qual se mostre progressivamente que estas posições de caráter cientificista, laicista, radical, são posições equivocadas. Mas, repito, estes processos requerem muito tempo; não é algo que se consegue em poucos dias, nem sequer em meses ou um ano. Precisa de tempo.–Além de tirar de contexto a citação de Ratzinger sobre a frase de Feyerabend na que falava do «caso» Galileu, houve erros de comunicação?–Professor Israel: Não sei. Penso que tudo isso reflete uma degradação cultural, porque quem faz algo assim e não se envergonha, ou inclusive não se dá conta, como constato em alguns casos, é uma pessoa que culturalmente desceu muito baixo.
–Tem sofrido críticas ou ataques por ter tomado posição estes dias?–Professo Israel: Não vi muitas pessoas estes dias, mas é a situação de sempre. Quer dizer, quem toma posições como as que tomo paga um preço. Há pessoas que deixam de falar com você, porque – repito – é um clima sumamente ideologizado

Fonte: Palavra Viva

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Presbíteros do Regional Leste II (Minas Gerais e Espírito Santo)

Cerca de 75 Presbíteros do Regional Leste II da CNBB (Minas Gerais e Espírito Santo) estão reunidos em Cachoeira do Campo (MG) - Foto, para o Encontro de Formação Permanente, iniciado o no dia 21. Segundo o secretário da Comissão Regional de Presbíteros, padre Everaldo Sales, durante o evento, os participantes têm “a oportunidade de se atualizar sobre determinados assuntos importantes para o trabalho pastoral”. Entre esses assuntos destacam-se: Bioética e suas implicações pastorais, assessorado pelo padre da Diocese de Guaxupé, Guaraciba Lopes de Oliveira Júnior, e o Documento de Aparecida, pelo assessor do Regional Leste II da CNBB, padre Manoel Godoy. Além disso, os padres participam de oficinas sobre Ecumenismo, Comunidades Eclesiais de Base e Documento de Aparecida e de uma manhã de espiritualidade, orientada pelo Bispo auxiliar de Belo Horizonte, Dom Aloísio Vitral.O encontro prosseguirá até hoje dia 25 de janeiro.

Fonte: Palavra Viva

BRASIL: BELÉM DO PARÁ SE PREPARA PARA FÓRUM SOCIAL MUNDIAL-2009

Belém, 25 jan (RV) - Teve início nesta quarta-feira, a Semana de Mobilização Global, em preparação ao Fórum Social Mundial-2009, cuja sede será Belém do Pará.O evento prossegue até o próximo sábado, dia 26, Dia de Mobilização e Ação Global, com uma vasta programação. Serão debatidos, em seminários, temas como a Amazônia brasileira e a integração regional; migrações humanas; multiculturalismo, intolerância e construção da paz.O Fórum Social Mundial é organizado como uma atividade paralela ao Fórum Econômico Mundial, de Davos, que teve início nesta quarta-feira, nessa cidade suíça. Este ano se desenvolve descentralizado, realizando-se em mais de 110 cidades de todo o mundo. A idéia é mostrar que pode haver outro tipo de globalização, não baseada somente nos valores do mercado e do lucro. No Brasil, mais de 150 atividades estão previstas em diversas cidades, como manifestações de rua, oficinas, debates e palestras. (EP/AF)

Cardeal Tettamanzi aos divorciados:

Exorta-os a participar na missa e na caridade
Não poder comungar não significa ficar excluído da Igreja, explica o Arcebispo de Milão, o Cardeal Dionigi Tettamanzi (foto).Ele o esclarece na carta pastoral «O Senhor está perto de quem tem o coração ferido», dirigida a pessoas que se divorciaram e que vivem uma nova união.«A impossibilidade de aproximar-se da comunhão eucarística para os casados que vivem estavelmente uma segunda união», observa, não implica um juízo sobre a «relação que une os divorciados que voltaram a se casar».«O fato de que com freqüência estas relações sejam vividas com senso de responsabilidade e com amor no casal e para com os filhos é uma realidade que a Igreja e seus pastores levam em consideração», reconhece.«É um erro considerar que a norma que regulamenta o acesso à comunhão eucarística signifique que os cônjuges divorciados que voltam a se casar estejam excluídos de uma vida de fé e de caridade, vividas dentro da comunhão eclesial.»Certamente, «a vida cristã tem seu cume na plena participação da Eucaristia, mas não se reduz só a seu cume».Por este motivo, o Purpurado italiano pede aos divorciados que voltam a se casar que «participem com fé da missa», ainda que não possam comungar, pois «a riqueza da vida da comunidade eclesial continua à disposição de quem não pode aproximar-se da santa comunhão».E assegura que a Igreja espera destas pessoas «uma presença ativa e uma disponibilidade para servir quem tem necessidade de sua ajuda», começando pela tarefa educativa que como pais têm de desempenhar com as famílias de origem.O Cardeal afirma que escreve a carta para «estabelecer um diálogo», «para tentar escutar algo de vossa vida cotidiana, para deixar-me interpelar por algumas de vossas perguntas».«A Igreja não vos esqueceu e não vos rejeita nem vos considera indignos», escreve. «Para a Igreja e para mim, como Bispo, sois irmãos e irmãs amados».Quando se rompe um matrimônio, segundo o Cardeal, não sofrem só os interessados, mas a Igreja também sofre: «Por que o Senhor permite que se rompa o vínculo que constitui o grande sinal de seu amor total, fiel e inquebrantável?».«Quando se rompe este laço, a Igreja, em certo sentido, se empobrece, fica privada de um sinal luminoso que devia ser motivo de alegria e consolo», conclui.

Fonte: Palavra Viva

MÍDIA NA ENCRUZILHADA ENTRE PROTAGONISMO E SERVIÇO: APRESENTADA MENSAGEM DO PAPA PARA DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Cidade do Vaticano, 25 jan (RV) - Os meios de comunicação estejam a serviço do homem e não se tornem o megafone do materialismo econômico e do relativismo ético, verdadeiras pragas do nosso tempo: é o que escreve o papa na Mensagem para o próximo dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado no dia 4 de maio próximo com o tema "Os meios de comunicação social: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a verdade para partilhá-la".A Mensagem foi apresentada esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé, em coincidência com a memória litúrgica de São Francisco de Sales _ padroeiro da imprensa católica _ pelos presidente e secretário do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, respectivamente, Dom Claudio Maria Celli e Mons. Paul Tighe."A humanidade se encontra hoje diante de uma encruzilhada" _ escreve o pontífice: os meios de comunicação, como se dá em função do progresso, oferecem inéditas possibilidades para o bem, mas abrem, ao mesmo tempo, possibilidades abissais de mal que antes não existiam.De fato, graças a uma vertiginosa evolução tecnológica, esses meios adquiriram potencialidades extraordinárias: é inegável _ afirma _ a contribuição deles para a alfabetização, o desenvolvimento da democracia e para o diálogo entre os povos.Todavia _ acrescenta _ não devem ser somente meios para a difusão das idéias, mas também instrumento a serviço de um mundo mais justo e solidário. Há, ao invés, "o risco de que eles se transformem... em sistemas voltados a submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses dominantes do momento":"É o caso de uma comunicação usada para fins ideológicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma publicidade obsessiva. Com o pretexto de se apresentar a realidade, de fato tende-se a legitimar e a impor modelos errados de vida pessoal, familiar ou social. Além disso, para atrair os ouvintes, a chamada quota de audiências, por vezes não se hesita em recorrer à transgressão, à vulgaridade e à violência. Existe enfim a possibilidade de serem propostos e defendidos, através dos media, modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desnível tecnológico entre países ricos e pobres."Por isso, há que interrogar-se se é sensato deixar que os instrumentos de comunicação social se ponham ao serviço de um protagonismo indiscriminado ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular as consciências. Eles devem, ao invés, permanecer "a serviço da pessoa e do bem comum".Bento XVI evidencia uma reviravolta, aliás, uma verdadeira transformação de papel dos meios de comunicação que suscita a preocupação da Igreja:"Hoje, de modo sempre mais acentuado, a comunicação parece às vezes ter a pretensão não só de apresentar a realidade, mas também de a determinar graças à capacidade e força de sugestão que possui. Constata-se, por exemplo, que em certos casos os media são utilizados, não para um correto serviço de informação, mas para «criar» os próprios acontecimentos."Em seguida, o papa ressalta que, pela sua incidência sobre as consciências, os instrumentos da comunicação social assumiram um papel importante naquela que define como o "desafio crucial do terceiro milênio", ou seja, "a questão antropológica".De fato, está em jogo a dimensão constitutiva do homem: a vida humana, o matrimônio, a família, a paz, a justiça, a salvaguarda da criação.E "quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controle social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua consciência, sobre as suas decisões, e a condicionar em última análise a liberdade e a própria vida das pessoas. Por este motivo é indispensável que as comunicações sociais defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade".E nesse sentido, o pontífice ressalta a necessidade de uma «info-ética» tal como existe a bio-ética no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada com a vida:"É preciso evitar que os media se tornem o megafone do materialismo econômico e do relativismo ético, verdadeiras pragas do nosso tempo. Pelo contrário, eles podem e devem contribuir para dar a conhecer a verdade sobre o homem, defendendo-a face àqueles que tendem a negá-la ou a destruí-la. Pode-se mesmo afirmar que a busca e a apresentação da verdade sobre o homem constituem a vocação mais sublime da comunicação social."Trata-se de "uma tarefa grandiosa" _ prossegue o papa _ confiada em primeiro lugar aos responsáveis e operadores do setor. Mas tal tarefa, de algum modo, diz respeito a todos nós, porque todos, nesta época da globalização, somos usuários e operadores de comunicações sociais."O homem tem sede de verdade, anda à procura da verdade; demonstram-no nomeadamente a atenção e o sucesso registrados por muitas publicações, programas ou filmes de qualidade, onde são reconhecidas e bem apresentadas a verdade, a beleza e a grandeza da pessoa, incluindo a sua dimensão religiosa. Jesus disse: «Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará» (Jo 8, 32). A verdade que nos torna livres é Cristo, porque só Ele pode corresponder plenamente à sede de vida e de amor que está no coração do homem."E Bento XVI conclui a mensagem com um auspício: que "não faltem comunicadores corajosos e testemunhas autênticas da verdade... fiéis ao mandato de Cristo e apaixonados pela mensagem da fé". (RL)

Bento XVI nomeia Núncio na República Dominicana

Bento XVI (foto), nomeou Jozef Wesolowski como núncio apostólico na República Dominicana e Delegado Apostólico de Porto Rico. Até agora Wesolowski era núncio apostólico no Cazaquistão, Tajiquistão, Quirguistão e Uzbequistão.Foi núncio apostólico na Bolívia entre 1999 e 2002. Nasceu em Nowy Targ, Polônia, em 15 de julho de 1948. Foi ordenado sacerdote em 20 de maio de 1972 na diocese do, então cardeal, Karol Wojtyla, Cracóvia.Após licenciar-se em Direito Canônico, entrou ao serviço diplomático da Santa Sé em 25 de março de 1980, prestando seus serviços nas representações pontifícias da África do Sul, Costa Rica, Japão, Suíça, Índia e Dinamarca.Jozef Wesolowski fala russo, francês, espanhol, italiano, inglês e alemão, além do polonês.



Fonte: Rádio Vaticano

Vaticano promove Campanha Mundial contra o Aborto

O Vaticano começará pela América Latina, uma campanha mundial para promover uma moratória do aborto, explicou, em entrevista ao jornal italiano "La Repubblica", o presidente do Pontifício Conselho para a Família, o cardeal colombiano Alfonso López Trujillo.O Cardeal Trujillo será o enviado do Vaticano, para explicar aos chefes de Estado e de Governo sua iniciativa, e dará início à sua missão na América Latina, de onde prosseguirá para a América do Norte, África, Ásia e, finalmente, Europa.O "tour mundial", como o chama o diário romano, pretende conseguir uma resolução das NN.UU., para uma moratória sobre o aborto, como a que foi votada no dia 18 de dezembro passado, sobre a pena de morte, acrescentou o purpurado."A campanha sobre o aborto, cuja data de início ainda não foi estabelecida, tornou-se necessária porque existe muita confusão a respeito do assunto, principalmente entre os católicos", explicou o Cardeal.O cardeal assegura que a iniciativa não se dirige especificamente a nenhum país em especial, mas pretende chamar a atenção para um drama que toca as consciências de todos. Assegurou ainda, que a Igreja não quer criar polêmica, mas só pretende dar a conhecer a doutrina católica sobre o direito à vida."Começaremos na América Latina e encontraremos governos de todas as ideologias, mesmo marxistas e socialistas, porque o aborto não é um problema italiano ou europeu, mas mundial, e a Santa Sé quer erradicá-lo", sublinhou.O "tour" servirá também, para mostrar a posição da Igreja Católica "sobre todos os aspectos relacionados com a defesa da vida, inclusive a fecundação", acrescentou.O Cardeal explicou que a Igreja Católica rejeita o aborto, mesmo em caso de grave perigo para a mãe e, nesses casos, se deve fazer todo o possível para salvar as duas vidas.A proposta de uma moratória do aborto foi lançada pelo polêmico jornalista italiano, da chamada corrente "teocon", Giuliano Ferrara, através do jornal que dirige, "Il Foglio". O Vaticano se dispôs imediatamente a promovê-la.

Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Igreja Católica acompanha processo eleitoral na Angola

Ecclesia
O Arcebispo de Luanda, Dom Damião Franklim (foto), reafirmou hoje o apoio da Igreja Católica ao próximo processo eleitoral na Angola, restando determinar que tipo de contribuição será feita.Dom Franklim falava à imprensa depois ter recebido no Paço Episcopal uma delegação de membros do secretariado da comissão executiva do comitê provincial do MPLA em Luanda, chefiada pelo seu primeiro secretário, Bento Joaquim Sebastião Francisco Bento "Bento Bento". O prelado destacou que a realização das eleições está na agenda da Igreja Católica, uma vez que espera que a próxima plenária dos Bispos, marcada para Setembro, estude o contributo a prestar "para que o povo participe nas eleições de forma calma e em ambiente sereno, familiar e patriótico".

FRANÇA RECORDA FUNDADOR DO MOVIMENTO EMAÚS: ABBÉ PIERRE

Paris, 24 jan (RV) – A França recorda o fundador do movimento Emaús _ o Abbé Pierre (foto) _ falecido um ano atrás, em 23 de janeiro de 2007.Na manhã desta quarta-feira, uma manifestação em memória do Abbé Pierre teve início com um café da manhã na rua, em frente à sede histórica do movimento Emaús, construção que abriga um centro de acolhimento diurno, para os sem-teto. Os participantes seguiram para a Assembléia Nacional e o Senado, a fim de convidar os parlamentares a dialogar com quem presta assistência a essas pessoas em situação de pobreza.O Abbé Pierre foi uma figura muito popular na França. Foi membro da resistência durante a II Guerra Mundial, e ajudou judeus e perseguidos políticos a fugirem para a Suíça. O sacerdote foi também deputado do Movimento Republicano Popular, eleito em 1945.Em 1949, ele fundou um movimento de acolhimento, compartilha, solidariedade, dignidade e justiça pelos pobres, em Paris. O movimento Emaús conta, hoje, 317 grupos distribuídos em 40 países. No Brasil, está presente em 25 comunidades, especialmente no Rio Grande do Sul. O nome do movimento é inspirado na vila palestina de Emaús, citada no último capítulo do Evangelho de Lucas. (EP/AF)

TERRA SANTA: APELO DOS LÍDERES RELIGIOSOS PELO FIM DOS ATAQUES A GAZA

Jerusalém, 24 jan (RV) - Da Terra Santa, o apelo dos líderes das Igrejas: "Em nome de Deus, parem os ataques à Faixa de Gaza!" O dramático convite é destinado à comunidade internacional, ao presidente George W. Bush e aos líderes de Israel. "Um milhão e meio de pessoas então em condições de "prisão domiciliar", sem alimentos e remédios suficientes" _ escrevem os líderes religiosos, em seu apelo. "Oitocentos mil estão sem energia elétrica. Trata-se de uma punição coletiva ilegal, um ato imoral em violação das leis e dos direitos humanos e internacionais, que não pode mais ser tolerado. Os ataques à Faixa de Gaza devem acabar agora" _ declaram os religiosos.O apelo se une ao convite em favor da ajuda a essas populações, difundido recentemente pela Caritas-Jerusalém, que pede o fim da crise humanitária e empenho em favor das crianças da região. A Caritas-Jerusalém não obteve autorização para entrar na região de Gaza, fato que amplifica os problemas da população, em estado de extrema pobreza, gravemente atingida também em nível moral e social.Em busca de alento, os líderes religiosos de Jerusalém se unem em oração: "Rezamos pelo dia em que o povo de Gaza estará livre da ocupação, das diferenças políticas e da violência. Rezamos para que israelenses e palestinos respeitem a vida humana e realizem todas as ações necessárias, para acabar com esta violência" _ afirmam. (EP/AF)

Obras de assistência dão apoio econômico às Igrejas Orientais

Ecclesia
A “dramática situação” dos cristãos no Iraque está no centro dos trabalhos da assembleia anual da Reunião das Obras de Assistência às Igrejas Orientais (ROACO), composta por 19 organizações de ajuda dos Estados Unidos, Alemanha, França, Países Baixos e Áustria.Segundo D. Leon Lemmens, secretário-geral da ROACO, “mais de metade dos cristãos iraquianos deixaram o país e agora encontram-se na Síria e na Jordânia, no Líbano e na Turquia”.“Ali estão mal, sem futuro económico, humano, sem estatuto legal, e podem ser reenviados para o Iraque a qualquer momento”, lamenta. A situação de anarquia, insegurança e fundamentalismo islâmico tem forçado os cristãos a abandonarem o seu país à procura de refúgio em países vizinhos.Nos trabalhos, a decorrer no Vaticano, procurar-se-ão formas concretas de ajudar estes cristãos, refugiados no estrangeiro ou deslocados dentro do próprio país, em busca de maior segurança. Uma onda de atentados atingiu nas últimas semanas 10 edifícios cristãos no Iraque.O objectivo da ROACO é apoiar economicamente as comunidades católicas de rito oriental, assim como de alguns países do Norte da África, do Médio Oriente e da Ásia, tais como Irão, Iraque ou Afeganistão, coordenados pela Congregação vaticana para as Igrejas Orientais, cujo prefeito é o cardeal Ignace Moussa I Daud.D. Leon Lemmens, em declarações à Rádio Vaticano, falou ainda dos cristãos na Terra Santa e do Líbano, a atravessarem sérias dificuldades que ameaçam o seu futuro.Na Palestina, as comunidades cristãs têm vindo a diminuir nas últimas décadas por causa do conflito com Israel, declínio económico e baixas taxas de natalidade. De acordo com as estatísticas, deverá haver 90 mil cristãos num total de 3,76 milhões de habitantes, o que representa cerca de 2,5% da população. Os cristãos em Israel representam entre 2,1% e 2,8% numa população total de cerca de 6,8 milhões de habitantes.

Novo bispo auxiliar da Arquidiocese de SP fala sobre sua nomeação

Rádio Vaticano
Bento XVI nomeou ontem dia 23, o Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, Padre Tarcísio Scaramussa, SDB, atualmente Assistente Geral da Congregação Salesiana, em Roma.Em declaração à Rádio Vaticano, o novo bispo nascido no Espírito Santo, demonstrou sua motivação e disposição para atuar na maior arquidiocese do Brasil. “É uma desafio muito grande, mas me sinto disponível e confiante na ação de Deus que supera nossas limitações”, afirmou.

BENTO XVI NA AUDIÊNCIA GERAL: CRISTÃOS TESTEMUNHEM SUA UNIDADE NA ORAÇÃO, NUM MUNDO QUE "SOFRE PELA AUSÊNCIA DE DEUS"

Cidade do Vaticano, 24 jan (RV) - "Uma imploração conjunta feita com um só coração e uma só alma": é esse o sentido espiritual da Semana de oração pela unidade dos cristãos, que se concluirá nesta sexta-feira, e à qual Bento XVI dedicou, ontem 23 (foto), a catequese da audiência geral, realizada na Sala Paulo VI, no Vaticano. O Santo Padre percorreu sinteticamente as etapas desse evento, que este ano celebra seus 100 anos de vida, e fez votos de que os cristãos saibam dar um testemunho de unidade para tornar "acessível" a face de Deus ao mundo que "sofre" por Sua ausência."Pedindo a graça da unidade, os cristãos se unam à própria oração de Cristo e se comprometam a atuar ativamente a fim de que toda a comunidade O acolha e O reconheça como único Pastor e Senhor, e possa assim experimentar a alegria de Seu amor."Bento XVI explicou logo no início de sua ampla catequese o valor do que chama de "concorde imploração feita com uma só alma e um só coração", reflexo da invocação que dois mil anos atrás Jesus elevou por primeiro com o seu "ut unum sint", "para que todos sejam um".E aquele valor, no início de 2008, apresenta _ explicou o papa _ um leque de significados ainda mais amplo porque exatamente há um século _ após séculos de hostilidade _ os cristãos das várias confissões redescobriram, para além das divisões, a força unificadora da oração em comum.Bento XVI repercorreu a história da Semana de oração pela unidade dos cristãos a partir da intuição definitiva "verdadeiramente fecunda" do pastor anglicano, padre Paul Wattson, que em 1908 lançou a iniciativa de um Oitavário de oração, que se tornou, vinte anos depois _ graças à contribuição decisiva do Abbé Couturier de Lyon _ a atual Semana de oração.E quando 40 anos atrás também os padres conciliares do Vaticano II perceberam "a urgência da unidade" entre os cristãos, a Semana de oração _ reconheceu o pontífice _ tornou-se "um dos momentos mais qualificadores e profícuos" do caminho ecumênico.Após os acenos históricos, Bento XVI se deteve sobre o fulcro espiritual do ecumenismo, ou seja _ frisou _ sobre aquilo que "o vivificou", isto é, a oração, que converte o coração e impele à "santidade de vida":"'Orai continuamente', essa Palavra de São Paulo é o tema da semana deste ano; é, ao mesmo tempo, o convite que jamais cessa de ressoar em nossas comunidades, para que a oração seja a luz, a força, a orientação dos nossos passos, em atitude de humilde e dócil escuta do nosso comum Senhor."Um passo além da oração é a oração vivida em "comum", sobre cuja validez se detém longamente o Decreto conciliar sobre o ecumenismo, Unitatis redintegratio. Nesse tipo de oração, defende Bento XVI, a fé indivisa em Cristo brilha mais do que as divisões confessionais:"Na oração comum, as comunidades cristãs se colocam juntas diante do Senhor e, tomando consciência das contradições geradas pela divisão, manifestam a vontade de obedecer à Sua vontade recorrendo confiantes a Seu socorro onipotente (...) A oração comum não é, portanto, um ato de voluntarismo ou puramente sociológico, mas é expressão da fé que une todos os discípulos de Cristo."Portanto, a oração comum fez desenvolver o diálogo ecumênico e "tais amistosas relações" _ reconheceu o pontífice _ depois "melhoraram o conhecimento recíproco", intensificando a comunhão e "tornando, ao mesmo tempo, mais clara a percepção dos problemas que permanecem abertos e que fomentam a divisão". E aí, o papa falou de coração o quanto uma humanidade hoje muitas vezes indiferente ao sobrenatural pode beneficiar-se do alcance da plena comunhão entre os cristãos:"O mundo sofre pela ausência de Deus, pela inacessibilidade de Deus, deseja conhecer a face de Deus. Mas como poderiam e podem conhecer essa face de Deus na face de Jesus Cristo se nós cristãos estamos divididos, se um ensina contra o outro, se um está contra o outro? Somente na unidade podemos mostrar realmente a esse mundo _ que precisa da face de Deus, da face de Cristo, que é a face de Deus _ podemos mostrar ao mundo essa face."Ao término da catequese e das saudações, em várias línguas, Bento XVI concluiu a audiência geral recordando a figura de São Francisco de Sales _ padroeiro da imprensa católica _ de quem se celebra amanhã, quinta-feira, a memória litúrgica."Bispo de Genebra num período de graves conflitos _ ressaltou _ ele foi homem de paz e de comunhão. Mestre de vida espiritual, ele ensinou que a perfeição cristã é acessível a toda pessoa."O Santo Padre despediu-se dos presentes concedendo a todos a sua Bênção apostólica. (RL)